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VOVOZINHOS E VOVOZINHAS


 

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Em sua missão de nos confortar, ensinar, proteger, que Sua Luz brilhe cada vez mais, que Sua elevação os conduza às mais altas Esferas Estelares.

Somos tão gratos por seu carinho, seu abraço apertado, sua risada sincera…Pelos puxões de orelha, pelas orientações certeiras, por este amor desvelado…

Meu bom Preto-velho, minha boa Preta Velha, quanta generosidade a nos ensinar, vindo aqui nesta ambiência pesada, quando já adquiriram a leveza do desprendimento, já pagaram cada centil moral de dívidas cármicas, já ultrapassaram as fronteiras reencarnatórias, e aqui chegam porque ainda não conseguimos andar sozinhos, e bondosamente acorrem em nosso auxílio.pva

O sofrimento atroz da escravidão não lhes tirou a brandura, a fé, a compaixão. Pelo contrário, burilou mais e mais seu poder de superação, mas também fortaleceu seus princípios de retidão e respeito ao próximo, os princípios de certo e errado, as atitudes de lisura em todos os momentos.

Suas palavras meigas trazem muitas vezes a direção para nossos pensamentos turvos, nunca nos impondo nada, mas apenas sugerindo os melhores caminhos.

Da mesma forma singela, desfazem as demandas, descarregam as imantações deletérias, neutraliza a perfídia e maus pensamentos, e só com um toque nos traz a sensação de quietude, de serenidade, de Paz.
Nossos problemas devem ser resolvidos por nós mesmos, mas com um olhar seu, Vovô e Vovó queridos, tudo parece mais fácil, conseguimos ter mais alento para prosseguir.

Que sejamos dignos de perceber sua branda presença, e escutar seus sábios conselhos em nosso dia a dia, aprendendo esta arte de buscar a prata da pureza, as pedras preciosas da solidariedade e o ouro do Amor sem fronteiras.

Obrigada Vovôzinho e Vovózinha da Umbanda, obrigada por trazer sua Luz e sua Sabedoria até nós. Que o Pai Oxalá esteja convosco em todo e qualquer lugar, e que Zambi os mantenha sob Sua Proteção por todos os caminhos!
Saravá Pretos Velhos da Umbanda, Saravá Yorimá Abençoado!
Adorei as Almas!!!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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PARABÉNS BRASIL! PARABÉNS, UMBANDA!



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O Dia Nacional da UMBANDA poderia ser em um 13 de Maio, consagrado aos Pretos Velhos, ou 22 de Novembro, dia de Araribóia, mas foi 15 de Novembro a data escolhida.

Pois foi quando, em 1908, manifestou-se plenamente em terra, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, trazendo a mensagem que nascia uma nova religião, cujos caminhos haviam sido longa e àrduamente traçados na Espiritualidade, e que a partir dali iria orientar, confortar, curar, mudar a vida dos homens, convocando-o ao trabalho na seara espiritual com a verdadeira Caridade e o Verdadeiro Amor no Coração.

Todo umbandista sabe que em 15 de Novembro, Zélio, doente, foi levado à Federação Espírita de Niterói, onde manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas, ainda sem revelar seu nome, dizendo que no dia seguinte estaria trazendo uma nova religião.

São as palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas:

“Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados. O vidente retrucou: “Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto” ? perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse: “cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei”.

Quinze de Novembro, também comemora a data do início de nossa República. Para muitos pode ser apenas mais um feriado prolongado, mas é necessário uma reflexão que a República teve seu berço na Grécia antiga, e seu significado nos dias de hoje ensina a LIBERDADE.

Será que todos sabem o que é REPÚBLICA, o que é LIBERDADE? Antes de tudo, a garantia de um ser humano viver dignamente.

Há uma lógica que devemos buscar, temos de ter olhos para ver em cada passo e em cada detalhe que a Espiritualidade nos traz. A Umbanda concretiza que todos somos iguais perante Zambi, e quem vem nos ajudar, vem nas vestes espirituais dos mais discriminados, os pretos velhos, o caboclos, seguidos da pureza das crianças. A estes agregaram-se os boiadeiros, os marinheiros, os ciganos o povo do Oriente, os Exus de Lei e coroados, e muitos outros.

À medida que Portais foram se abrindo, Orixás muito antigos foram se manifestando. A Umbanda que estudamos e conhecemos, trabalha no Astral com as Sete Linhas, e sabemos que verdade alguma é absoluta, nem a nossa, nem a de ninguém.

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Hoje é um dia para festejarmos a nossa República. Há repúblicas socialistas, comunistas, democratas. Precisam de um Presidente ou Parlamento e uma Constituição, que deveria ser conhecida e adotada por todos. Nós, brasileiros, estamos vivendo e respirando uma Democracia como nunca antes vista, e devemos estar felizes por isso.
A República no Brasil hoje é Federativa, dividida nos diferentes Estados, assim como existe nossa abençoada diversidade. Onde nossa Constituição Federal no artigo 5º, VI, assegura ser inviolável a LIBERDADE de ciência e consciência, assegurando ao LIVRE exercício da Lei, a proteção aos locais de culto e liturgia.

Somos ainda um país LAICO, onde para garantir a Liberdade de todos e a Liberdade de cada um, a Laicidade distingue e separa o Domínio Público , onde se exerce a Cidadania, e o Domínio Privado, onde se exercem as liberdades individuais (de pensamento, de consciência , de convicção) e onde coexistem as diferenças (biológicas, sociais, culturais). Pertencendo a todos, o espaço público é indivisível, e nenhum cidadão ou grupo de cidadãos deve impor as suas convicções aos outros.

Ao mesmo tempo, no Estado (Governo) Laico, proíbe-se intervir nas formas de organização coletivas (partidos, igrejas, associações, etc.), as quais qualquer cidadão pode aderir e que relevam mo direito privado.

A casa física, em Neves, São Gonçalo, residência do médium Zélio de Moraes, a qual foi palco único no mundo, de um dos maiores avanços da Humanidade, apagou-se do cenário recentemente. Não sobreviveu para comemorar os 105 (cento e cinco) anos de existência.

Para quem percebe as raízes plantadas nos corações e os laços com as origens da Umbanda, permanece sintonizado no caminho luminoso até Aruanda, caminho este iluminado pelos constantes e inúmeros atos de Amor e Caridade que seus emissários incansavelmente irradiam. Estes percebem que a Anunciação do Caboclo das Sete Encruzilhadas bastou, como bastou a vinda única do Mestre Jesus há milênios atrás.

Muitos ficam sempre evocando e sonhando com a vinda de mais e mais Mestres e Avatares, a volta do Mestre Jesus, e outros mestres. Quantos mais seriam necessários para enfim, estes que esperam, façam nascer a FÉ em seus corações?

O Mestre Jesus era severo com os ímpios e muito chorou porque não acreditavam ou entendiam na Sua Verdade, que é a Verdade Cósmica, Universal. Seus ensinamentos são os mesmos que muitos antes e depois DELE, os que se iluminaram, proclamavam. O que é preciso mais ???!!!!

A Umbanda não é Religião apenas, é CAMINHO. E um Caminho Luminoso, que não precisa de ostentação ou afirmação. Ela lá está, para os que têm olhos de ver, coragem para largar as vestes velhas e segui-la.

O Caboclo das Sete Encruzilhadas foi um emissário, tal qual os Anjos das antigas escrituras. Muito de acordo com nossas origens, veio como um nativo de nossa Pátria. Ele sabia muito bem o que estava fazendo, como tudo na Espiritualidade. O importante está muito além das palavras. Ele estava ciente do momento certo, das palavras certas, das pessoas que ali estavam, como até hoje é assim com as coisas do Astral Maior.

SALVE A LUZ DIVINA!
SALVE O CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS!
SALVE TODAS AS LINHAS DA UMBANDA!
SALVE ZÉLIO DE MORAES!
SALVE NOSSO MESTRE JESUS!
SALVE ZAMBI!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

SALVE O DIA 13 DE MAIO !


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Os mares ainda estão cheios dos cânticos e lamentos de dias tenebrosos. A Calunga Grande foi a última morada que acolheu milhares de irmãos em Humanidade, quando no corpo físico com a veste carnal africana, que significava prova, resgate, o mais pesado tributo sobre a alma humana, a perda da Liberdade.

Os navios negreiros ainda vagueiam como fantasmas, singrando os mares, mas os espíritos que lhes habitavam há muito estão em novas moradas. Estão no Astral Superior, pois foram agraciados por sua coragem, resistência, resignação, sabedoria. Lhes foi permitido habitar em Aruanda e levar sua Magia, sua Maestria com as ervas, sua fala cadenciada e principalmente , manifestar-se entre nós para nos trazer suas palavras de carinho, Fé, aconselhamento, alertas, nos protegendo, nos amparando, nos sustentando nos vendavais da existência.

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Pretos e Pretas velhos, trazendo-nos raízes da Angola, Congo, Guiné, vindo em seus passos cadenciados com seus banquinhos, tocos, cachimbos, patuás, velas, cruzes, suas baforadas, sua risada tranquila, como toda a tranquilidade ensinada quando está presente.

Misturam o Amor e a Alegria, às lagrimas de seu último sofrimento na Terra. Recordam-se como ninguém do que o homem é capaz, e lutam para que não haja mais escravidão no coração de ninguém, sempre prontos a ensinar e aconselhar.

Desmancham toda e qualquer demanda, estão ao nosso lado, seja para o que for, se alegram conosco em nossas vitórias, se entristecem quando não conseguimos êxito, mas sempre estão prontos a nos abraçar e acalentar. Quando seus filhos estão muito atarantados, dão broncas e alertas, deixam claro quando há erro e desvio de conduta moral. Mas também avisam se há algo com quem se precaver, em relação a determinado fato, ou pessoa.

Surgem diante nossos olhos espirituais, tão logo pedimos seu auxílio com sinceridade e Fé no coração, e nunca nos deixam sem depositar na alma uma palavra de alento e esclarecimento, não permitindo que caiamos novamente nos abismos da incerteza e dor. Sua presença amiga nos facilita a confidência, a palavra sofrida, permite expressarmos nossa angústia e dor

Queridos pretos e pretas velhos, Saravá à Sua Banda. Que as Sete Linhas Poderosas da Umbanda lhe deem muita Luz, Harmonia, Força e Paz e que prossigam, iluminando os filhos de Fé, que tanto necessitam de suas palavras, seu alento e proteção. Que possamos aprender convosco, o segredo da magia da transmutação do fel da Tristeza e Mágoa, no Ouro da Alegria, Suavidade e Puro Amor.

Salve o seu dia, Salve a Misericórdia Divina, manifesta através da Sua Luz!

Adorei as Almas!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

A SUAVE LUZ DO TERREIRO DE UMBANDA


Soa a campainha três vezes, chamando os médiuns. É hora de mais um encontro sagrado com os Orixás.

Encaminhando-se lentamente em direção ao terreiro, já se sente o aroma das ervas queimadas, e os cânticos de quem vai cruzando o templo com os defumadores.

Cada um vai se concentrando, guias de variadas cores na mão, já sentindo as vibrações no plexo esplênico, sintonizando-se com as vibrações das entidades protetoras da casa. Os atabaques começam a tocar, e cada um passa cantando pelo defumador na entrada, sensação boa de irmandade com aqueles que defumam cada filho de santo e depois toda a assistência, preparando para mais uma noite de trabalhos espirituais.

Ao pisar no espaço abençoado, o pensamento de cumprir mais uma missão, permeando todo o corpo com os fluidos magnéticos que impregnam o ambiente, e que circulam sob as batidas persistentes, sob as vozes uníssonas.

Chega-se ao congá, pedindo proteção aos chefes espirituais, às entidades que participam das egrégoras do terreiro, e em muda prece, faz-se a oração de alma, pedindo proteção por mais esta noite, batendo cabeça para cada orixá ali presente e sobretudo, á Oxalá, que através da imagem ali presente, parece olhar cada um, enchendo de ânimo, Amor e Fé.

Enfim, o médium conseguiu ali chegar, lutando contra o cansaço, a fome, os percalços do dia, seus problemas pessoais, seus embate e vivências. Conseguiu combater o desânimo, a preguiça, e toda uma série de contratempos que parecem lhe afastar da meta. Mas ali está, nada mais importa, agora é o tempo dos caboclos, dos pretos velhos, e de todas as falanges que lhes seguem, compondo o círculo sagrado das emanações da Luz Divina.

Ao início dos trabalhos, sempre cantando, o corpo acordando para as danças ancestrais, pede-se proteção ao anjo da guarda na missão abençoada, e todos se prostram para mais uma gira, reverenciando humildemente todas as evocações do chefe espiritual da casa, já incorporado no Babalorixá, comandando com a firmeza de sempre, mostrando sua Força ao manter tudo na mais perfeita harmonia, mesmo entre tantas emanações que reverberam em toda parte, incluindo a assistência, de onde vem angústias, dores e empecilhos.

Os caboclos chegam girando, cortando as demandas, quebrando grilhões com seus gritos, que cortam o ar, em mais vibrações que são como raios que dispersam toda dor, toda aflição.

Desfilam os caboclos de Oxóssi, trazendo o frescor das matas, o Prana vital da Natureza. Os caboclos de Ogum perfilam-se em harmonia, guerreiros incansáveis da Paz. E os atabaques contam as façanhas de Xangô, e o terreiro se enche de caboclos que trazem das pedreiras a Magia, a Luz, a energia que tudo equilibra.

A gira prossegue, e agora são os pretos velhos que se aproximam, com seu passo lento e olhar sereno, procuram seus cavalos, seus banquinhos, seus cachimbos, pembas e mandingas, e começam suas consultas. Sem pressa alguma, acolhem cada filho, lhes dão passes, e palavras de alento. Aconselham, contam histórias, trabalham com seus cambones, de maneira calma e ininterrupta, dando assistência a todo e qualquer apelo, corrigindo os pensamentos sem uma palavra rude, mostrando os caminhos, sem interferir nos arbítrios, ao mesmo tempo que em silêncio, vão limpando as auras, curando dores, atuando muito mais do que falam, pois são os mais sábios.

A madrugada se aproxima, é preciso terminar os trabalhos. Vão-se os pretos velhos em suas manifestações, para se colocarem ao lado de seus médiuns, junto de todos os outros guias espirituais.

Todos se ajoelham novamente, agradecem por mais uma oportunidade de trabalho edificante, cada um com seus próprios anseios apaziguados. Além do cansaço físico, sentem-se renovados em energia, pois o maior alimento é a Caridade prestada.

As luzes voltam a clarear com força, trazendo cada um ao plano terreno. É o momento de todos se confraternizarem com abraços e sorrisos, enquanto se reúnem mais uma vez, para bater a cabeça diante o congá, imantado das poderosas forças que lhe habitam. Cada um cumprimenta o Babalorixá e prepara-se para a volta para casa. Muitos, levarão horas para chegarem em seus destinos.

E,enquanto isso, no terreiro, nesse momento iluminado apenas com as luzes das velas, ainda ficará muitas horas fervilhando com a espiritualidade ali presente, até que todos os pedidos sejam auxiliados, todos os nós desatados, todas as demandas desmanchadas.

Suave Luz do terreiro de Umbanda, que permanece mostrando a presença da Senhora Velada, a infinita Sabedoria traduzida em Paz, Amor, Perdão, Serenidade e Equilíbrio, a verdadeira Jornada.

Salve Umbanda querida! Salve Orixás Benditos! Que sua Luz sempre brilhe sobre nós, que estamos na Busca.! Obrigado pelos caminhos, obrigado pelas lições, obrigado por ter-nos permitido vê-la, e em ti vivê-la!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

SALVE OS PRETOS VELHOS DE ARUANDA! ADOREI AS ALMAS!


Preto Velho vem chegando, vem chegando o Preto Velho! Ele é africano, ele é africano! Vem de Congo, vem de Angola,vem lá da Costa, vem de Guiné, vem da Bahia também, vem de todo lugar!

Preto Velho vem chegando,vem chegando de mansinho, corta o ar e corta a terra, vem com sua mironga cortar!

Preto Velho vem chegando, chegando pelas Sete Linhas, ele anda com Ogum, anda com Oxóssi, anda com Xangô. Ele vem com as Iabás, e ele vem com Seu Omulu. Ele chega com as Almas, vem com Almas, Almas Benditas, ele vem trazendo seu pito, sua pemba e seu o rosário, vem com sua reza santa, distribuindo a sua Luz!

Preto Velho vem das matas, das matas de Aruanda ele vem, Preto Velho vem pelo mar, Salve o Velho Beira-Mar!

Salve Pai Benedito, Pai Antônio, Pai José. Salve Pai Joaquim, Pai Cipriano e Pai Serafim! Salve Vovó Catarina, Vovó Conga e Vovó Cambinda. Salve Vovó Maria Redonda, Vovó Maria e a Vovó Joana!

Preto Velho vem chegando, derramando suas Bençãos, nos liberta das correntes, perfumando seu congá. Vem soltando sua fumaça, desenhando os seus pontos, vai cruzando os seus filhos, desmanchando as demandas!

Preto Velho é Protetor, é Professor e Contador, suas histórias embelezam o terreiro, terreiro de Nosso Senhor! A gente se ajoelha, Preto Velho, a gente agradece, pelo seu dia e todo dia, a gente nunca esquece sua prece!

A gente só agradece, tanta benção, tanta bondade! Faça chuva, faça tempestade, Preto Velho vem trabalhar. A gente só pede maleime, pois merece muito mais, mas essa singela homenagem, vem de seus filhos de Paz!

Adorei as Almas!

Salve os Pretos Velhos de Aruanda! Salve a Umbanda de Luz!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

SALVE A JUREMA SAGRADA!


(O culto da Jurema na Paraíba)


Marinaldo José da Silva e Maria Ignez Novais Ayala
– Universidade Federal da Paraíba


Seu Zé de Nana meu nêgo
Você não é camarada
No meio de tanta moça
Roubou minha namorada

O que é que eu faço da vida
Par Paraíba eu não vou
A namorada que eu tinha
Seu Zé de Nana roubou



“Salve a Jurema Sagrada, salve eu, salve vói, salve minha tronqueira e salve minha cachaça, salve meu cachimbo e salve minhas encruza! E quem pode mais do que Deus? Só Deus e mais ninguém, né nêgo? Agora me daí meu chapéu, meu cachimbo e minha cachaça par eu molhar a guela e dançar aquele coco com uma nêga bem boa!”


O pau pendeu não caiu
Zé de Nana chegou
E ninguém viu

É característico dos Mestres juremeiros quando chegam em terra saudarem a Jurema Sagrada, a sua tronqueria1, e tudo que a eles pertence e a Deus. E pedem para cantar o seu ponto, que pode ser um coco ou não.

No universo da literatura oral, a própria criação se nutre da imaginação que se ancora na realidade daqueles que fazem da cultura popular uma circundante poética onde transitam mitos, narrativas, religiões e vários costumes afro-brasileiros. São evidentes as marcas da diáspora negra nessas variações populares, cabendo à Jurema e ao coco, elementos de estudo deste trabalho, a contemplação do afro-brasileiro-mágico-religioso, considerados fazedores de cultura. É no sentido de “trânsito” entre as atividades diversas pertencentes ao mundo da oralidade que nos propusemos a mostrar os vários pontos em comum da Jurema Sagrada e do coco de roda.

O caráter religioso desta dança tem despertado nossa atenção, levando-nos, inicialmente, a reunir os cocos que se referem a santos católicos e às práticas do catolicismo popular. Recentemente, em meio a uma das religiões brasileiras, que tem muitos adeptos na Paraíba – a Jurema Sagrada ” encontramos vários cocos, que aparecem como pontos de gira. A Jurema Sagrada é um dos vários cultos com fortes marcas indígenas que se mesclam com traços do catolicismo popular, do espiritismo e das religiões negras do Brasil ” candomblé e Umbanda.

Difícil dizer hoje a origem ou o que predomina nesse culto afro-brasileiro, fundamentado em ervas, raízes e casacas de árvore usadas com função mágica para acura ou para afastar males e recuperar as energias dos fiéis e de todos aqueles que procuram o auxílio dos Mestres juremeiros. Muitas vezes essas ervas são utilizadas em forma de fumo, que serve para a defumação da casa, e de amaci, fusão de ervas que serve para o batismo do iniciado na Jurema, além da semente e do vinho extraído da árvore sagrada num sentido mágico-religioso.

Nos estudos que compõem a bibliografia sobre as religiões afro-brasileiras, são muitos os títulos dedicados ao candomblé, ao catimbó, ao xangô e à Umbanda; aparecem referências à Jurema como uma linha da Umbanda. O culto da Jurema era elemento principal do catimbó, conforme os estudos de Câmara Cascudo, Roger Bastide e Oneyda Alvarenga. Essa última publicou em 1949 Catimbó, a partir da bibliografia então existente e da farta documentação reunida em 1938, pela Missão de Pesquisas Folclóricas, da Discoteca Municipal de São Paulo, por meio da pesquisa de campo no Nordeste.

Na década de 30 houve grande perseguição policial aos catimbós e aos catimbozeiros, com prisões, fechamento, destruição das casas e apreensão de objetos utilizados no culto. Até hoje, os termos catimbó e catimbozeiro têm conotação pejorativa no Nordeste, comportando forte carga de preconceito.

Na Paraíba, atualmente, o culto da Jurema se encontra ajustado à Umbanda. Nas casas por nós visitadas, as cerimônias ocorrem no mesmo salão em que são desenvolvidos os cultos aos orixás da Umbanda, diferindo apenas os pejis e as camarinhas, ou em espaço contíguo, dedicado exclusivamente à Jurema.

Como linha da Umbanda ou como culto independente que se abriga no mesmo teto, mas que reconhece Alhandra como a cidade da Paraíba tida como local de onde se irradiou o ritual religioso, a Jurema tem muitos adeptos que ressaltam os poderes de cura dos Mestres juremeiros.

Além da cidade de Alhandra, existe a “cidade encantada de Tambaba”, local de muitos mistérios dos senhores Mestres encantados. Citando René Vandezande:

“A tradição diz unanimemente que no alto da praia de Tambaba houve uma Cidade da Jurema de igual nome, anos passados: porém, esta cidade foi “devorada” pelo mar, e de lá teria origem o culto que ainda hoje os juremeiros prestam ocasionalmente nesta praia. Una juremeiros que foram lá em nossa companhia demonstraram o máximo respeito para o lugar. Diversas vezes fomos a essa praia solitária, encontrando, cada vez, objetos de culto e velas. O barulho que as ondas produzem nas rochas de formas fantásticas é interpretado como a voz dos Mestres.” 2

E hoje Tambaba é uma praia de nudismo muito visitada pelos turistas.

Mestres são as entidades principais desse culto que aparecem nas sessões semanais das casas destinadas à Jurema e nas festas periódicas dedicadas a eles. São Exus, índios, caboclos, reis de iorubá, caboquinhas de pena, boiadeiros, baianas, pretos velhos, marinheiros, pescadores e também ciganas, Pomba-gira, Zé Pelintra, Maria Padilha e toda sua companhia. E como se não bastasse, a Cumade Fulozinha e a figura do cangaceiro, Também personagens das narrativas e contos populares, transitando na Jurema Sagrada. Segundo a fala de um dos depoentes umbandistas: “Cumade Fulozinha é uma identidade muito perigosa: ela tanto trabalha pro bem, como trabalha pro mal.”

Todos animadíssimos com seus pontos cantados e com o som dos elus, gaitas e maracás, a cachaça, o vinho da Jurema e a fumaça dos cachimbos de Jurema ou de angico, de um ou de sete canudos de fumaça (e em raros casos de charutos), constantemente fumados ao contrário, com o lado da brasa dentro da boca.

A Jurema tem vários tipos de ritual: Jurema de chão, Jurema traçada, Jurema de meia-noite armada.

A Jurema de chão é um ritual em que os juremeiros ficam sentados no chão em frente ao gongá (altar de Jurema) com imagens de Mestres , índios, pretos-velhos, caboclos e até mesmo Padre Cícero. A tronqueira do mestre da casa com um cachimbo de sete-fumaças, uma cumbuca com fumo de várias ervas: alecrim do campo, liamba, erva-doce, fumo-de-rolo, abre-caminho; e muitos cachimbos. Invocam as entidades para darem passes e fazerem consultas. Nessa sessão também são invocadas, sem obedecer a uma seqüência, todas as entidades ao mesmo tempo e pode Ter batuque dos elus (tambores) ou não. Há ponto cantado. A Jurema de meia-noite armada ocorre realmente à meia-noite, também no chão; é arriada no centro do terreiro a tronqueira do mestre da casa, que é responsável pela sessão; jarros com ervas da Jurema (pinhão roxo, comigo-ninguém-pode, pé da felicidade, aroeira), sete qualidades de cachaça, champanha, vinho tinto, vinho branco, cerveja, mel, uma garrafada de Jurema “preparada”, um cruzeiro de velas brancas, alguidares com frutas, três alguidares com fumos preparados (fumo de queda, fumo de descarrego e fumo de levanta), cachimbos cruzados, charutos e cigarros, palitos de fósforo cruzados, velas coloridas cruzadas e uma garrafa de plástico com Jurema para passar no corpo como descarrego.

Nessa Jurema não há elu, pois é apenas cantada para a realização de “trabalhos” em hora grande, horário especial dos Mestres fazerem as coisas funcionarem melhor, com mais força, pois só com o canto e a concentração no silêncio da madrugada fazem render resultados positivos, trabalhando com o que eles mais gostam: cachaça, cachimbo e os cocos ” daqui e de lá do outro mundo.


Mas eu pisei na rama
A rama estremeceu
Não beba dessa água, oi morena
Quem bebeu morreu

Esse coco é meu
É da Paraíba
É de Catolé
É de macaíba

Meu avião de alumínio
Que voa de norte a sul
Mulher que rapa o cangote
Do céu não vê o azul

Ô Lili, minha Lili
A mulher que eu mais amava
Nas tranças dos seus cabelos
Aonde eu me balançava

Ganham sentido de pontos cantados, louvações e orações. Cocos que remetem a vários sentidos além do “sagrado” e da “brincadeira”, que se fundem independentemente de temas específicos para prenunciar a alegria e a força do trabalho na Jurema encantada.

Nos próprios pontos cantados de Jurema, podemos perceber vários elementos informativos do culto, encontrados em uma das Juremas da Torre:


Era uma mesa branca
Toda enfeitada de flores
E hoje é uma tenda de Jurema
De paz, de luz e de amor
(…)3

Zum, zum, zum ô Jurema
Vamo trabalhar ô Jurema
Desmanchar macumba ô Jurema
Catimbó e azar ô Jurema4

Jurema minha Jurema
Meu tesouro rico
E olha o tombo da Jurema
Que ela vale ouro
(…)5

A Jurema é minha madrinha
Jesus é o meu protetor
A Jurema é pau sagrado
Deu sombra a Nosso Senhor6


NA PANCADA DOS COCOS

Os instrumentos da Jurema são basicamente os mesmos da brincadeira do coco. Os instrumentos utilizados são todos de percussão. Na brincadeira é usado um zabumba e na Jurema um elu, tocado pelo ogã. Ambos são cobertos por um couro de bode, existindo uma pequena diferença no zabumba, que é coberto por dois couros: um couro de bode e outro de “boda”.

Nos rituais de Jurema, o mestre aceita qualquer batida do elu; o mais importante é o coco cantado, que tem força para “seus trabalho”, com sua cachaça e com suas namoradas. Ainda temos o ganzá, que está presente nas duas manifestações, muitas vezes improvisado com uma lata vazia, com pedrinhas ou sementes dentro. Maracás, espécie de chocalho, com som semelhante ao do ganzá, também fazem parte. O triângulo, instrumento apenas da Jurema tem o formato correspondente ao nome, feito artesanalmente, a partir de restos de ferros utilizados na construção civil, batido com um bastão do mesmo material. Também pode aparecer gaitas feitas de bambu, semelhantes a uma pequena flauta, como asa tocadas pelos participantes das tribos indígenas do carnaval.

Os pontos são acompanhados por palmas e batidas de pés. O espaço para o ritual tanto pode ser fechado (o interior dos terreiros), quanto aberto (a rua, a encruzilhada, o mato).

Os cocos cantados como pontos de Jurema foram encontrados em espaços abertos e fechados, nos diferentes tipos de ritual. Também encontramos o que parece ser ponto de Umbanda ou Jurema, cantado como coco em festas de São João nas ruas do bairro da Torre. Os limites da cultura popular são muito tênues.

No bairro da Torre, em João Pessoa (PB), são encontradas muitas casa de Umbanda e Jurema. O bairro também se caracteriza pela riqueza de manifestações populares, dentre as quais a malhação de Judas em várias ruas, palhoças e quadrilhas, cocos e cirandas, blocos de carnaval, tribos (o nome que se dá na Paraíba à dança conhecida como caboclinhos em Pernambuco), escolas de samba.

Em 1938, integrantes da MPF (Missão de Pesquisas Folclóricas), fizeram diferentes registros da cultuar popular na então Torrelândia: narrativas populares, sessões de catimbó, tribo dos índios africanos, barca.

Em vista desses argumentos mencionados, vimos através das manifestações populares afro-brasileiras, a presença de vários cocos de roda cantados como canto religioso no sentido de trânsito entre atividades diversas pertencentes ao grande universo da literatura oral.

E salve a Jurema Sagrada!


NOTAS

1. Parte de um tronco de Jurema aonde fica “assentado” o mestre. Morada do mestre.

2. VANDEZANDE, René. Catimbó. Pesquisa exploratória sobre uma forma de religião mediúnica. Recife: PIMES do IFCH da UFPE, 1975, p.44. Apud CABRAL, Elisa Maria. A Jurema Sagrada. João Pessoa: PPGS-UFPB, 1997, p.23-24.

3. Lembranças da mesa branca do espiritismo

4. Desfeitura de trabalhos pesados

5. Mistérios e encantos da Jurema

6. Sobre a árvore sagrada

DESCONHEÇO O AUTOR E AS FONTES PESQUISADAS

(Este texto foi baixado no e-mule)

VIBRAÇÕES DE PRETO VELHO


Quando falamos em Preto Velho, nos vem à mente quatro palavras básicas: calma, sabedoria, humildade e caridade.

Voltando no tempo, durante o período colonial brasileiro, as grandes potencias européias da época subjugaram e escravizaram negros vindos de diversas nações africanas, transformando-os em mercadorias, seres sem alma, apenas objetos de venda de trabalho.

Nesse mercado, os traficantes negreiros costumavam se utilizar de maneiras diversas para conseguir arrebanhar sua “mercadoria”: chegavam surpreendendo a todos na tribo, separavam, é claro, sempre os mais jovens e fortes. Costumavam buscar os negros nas regiões Oeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul da África. Trocavam por outras mercadorias, como espelhos, facas e bebidas, os que eram cativos oriundos de tribos vencidas em guerra e trazendo como escravos os que eram vencidos.

No Brasil, em principio os escravos negros chegaram pelo Nordeste; mais tarde, também pelo Rio de Janeiro. Os primeiros a chegarem foram os Bantos, Cabindos, Sudaneses, Iorubas, Minas e Malés.

Para a África, o trafico negreiro custou caro: em quatro séculos foram escravizados e mortos cerca de 75 MILHÕES de pessoas, basicamente a parte mais selecionada da população.

Esses negros, que foram brutalmente arrancados de sua terra, separados de suas famílias, passando por terríveis privações, trabalharam quase que ininterruptamente nas grandes fazendas de açúcar da colônia. O trabalho era tão árduo, que um negro escravo no Brasil não chegava a durar dez anos.

Em troca de tanto esforço, nada recebiam, a não serem trapos para se vestir e pão para comer, quando não eram terrivelmente açoitados nos troncos pelas tentativas de fuga e insubordinação aos senhores. Muitas vezes, reagiam a tudo suicidando-se, evitando a reprodução, matando feitores, capitães-do-mato e senhores de engenho.

O que restava ao negro africano escravo no Brasil era sua fé, e era em seus cultos que ela resistia, como um ritual de liberdade, protesto a reação contra a opressão do branco. As danças e cânticos eram a única forma que tinham para extravasar e aliviar a dor da escravidão.

Mas, apesar de toda a revolta, havia também os que se adaptavam mais facilmente à nova situação. Esses recebiam tratamento diferenciado e exerciam tarefas como reprodutores, caldeireiros ou carpinteiros. Também trabalhavam na Casa Grande, eram os chamados “escravos domésticos”. Outros, ainda, conquistavam a alforria através de seus senhores ou das leis (Sexagenário, Ventre Livre e Lei Áurea). Com isso, foram pouco a pouco conseguindo envelhecer e constituir seu culto aos Orixás e antepassados, tornando-se referencia para mais jovens, ensinando-lhes os costumes da Mãe África. Assim, através do sincretismo, conseguiram preservar sua cultura e religião.

ATUAÇÃO DOS PRETOS VELHOS

Esses são os Pretos Velhos da Umbanda, que em suas giras nos terreiros representam a força, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referencia para aqueles que os procuram, curando, ensinando e educando, aos encarnados e desencarnados necessitados de luz e de um caminho a trilhar.

Um Preto Velho representa a humildade, jamais demonstrando qualquer tipo de sentimento de vingança contra as atrocidades e humilhações sofridas no passado. Pretos Velhos ajudam a todos, independente de cor, sexo ou religião.

Em sua totalidade, não se pode afirmar que as entidades que se apresentam nas giras são os mesmos Pretos Velhos escravos. Muitos passaram por ciclos reencarnatórios e podem ter sido em suas vidas anteriores médicos ou filósofos, ricos ou pobres, e, para cumprir sua missão espiritual e ajudar aos necessitados, escolheram incorporar a forma de Pretos Velhos. Outros, nem negros foram, mas também escolheram essa forma de apresentação.(grifo nosso)

Muitos podem estar perguntando: “Mas então os Pretos Velhos não Pretos Velhos?”. A explicação é simples: todo espírito que já alcançou determinado grau de evolução tem a capacidade de descer sob qualquer forma passada, pois é energia pura, a forma é apenas uma conseqüência da missão que vem cumprir na Terra. Podem também, em locais diferentes, se apresentarem como médicos, Caboclos ou até Exu, depende do trabalho a que vêm realizar. Em alguns casos, se tiverem autorização, eles mesmos nos dizem quem são.

MENSAGENS DE PRETO VELHO

A principal cararacterística de um Preto Velho é a de conselheiro; para alguns, são como psicólogos, amigos e confidentes, para outros, são os que lutam contra o mal com suas mirongas, banhos de ervas, pontos riscados, sempre protegidos pelos Exus de Lei.

A figura de um Preto Velho representa a paciência e a calma que todos sempre devemos ter para evoluir espiritualmente, essa é a sua principal mensagem.

Certas pessoa costumam procurar um Preto Velho apenas para resolver problemas materiais, usando os trabalhos na Umbanda para beneficio próprio, esquecendo de ajudar ao próximo. Quanto a isso, esses maravilhosos Espíritos de Luz deixam sempre uma importante lição, a de que essas pessoas, preocupadas apenas consigo próprias, são escravas do próprio egoísmo, mas sempre procuram ajudá-las brincando de “pedir obrigações”. Mas em meio a essas pessoas, sempre haverá os que podem ser aproveitados, que em pouco tempo vestirão suas roupas brancas, descalçarão seus pés e farão parte dos trabalhos de caridade do terreiro. Essa é a sabedoria do Preto Velho, saber lapidar o que há de bom em cada um de nós.

Pretos Velhos levam a força de Zambi a todos que buscam aprender a encontrar sua fé, sem julgar ou colocar pecado em ninguém, mostrando que somente o amor a Deus, ao próximo e a si mesmo, poderá mudar sua vida e seu processo de ciclos reencarnatórios, aliviando os sofrimentos cármicos e elevando o espírito. Assim fortalecem a todos espiritualmente, aliviando o peso do fardo de cada um, e cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente, de acordo com a forma de encarar os acontecimentos de sua vida: “Cada um colhe o que plantou. Se plantares vento, colherás tempestade. Mas, se entender que lutando poderá transformar seu sofrimento em alegria, verá que deve tomar consciência de seu passado, aprendendo com os erros, galgando o crescimento e a felicidade futura. Nunca seja egoísta, sempre passe aos outros aquilo que aprende. Tudo que receber de graça, deverá dar também de graça. Só na fé, no amor e na caridade, poderá encontrar seu caminho interior, a luz e Deus” (Pai Cipriano)

APRESENTAÇÃO DA ENTIDADE

O termo “Velho, Vovô e Vovó, são usados para mostrar sua experiência, pois, quando pensamos em alguém mais velho, entendemos que este já viveu muito mais tempo do que nós, com coisas para nos passar e historias para nos contar através de sua longa experiência. No mundo espiritual isso é bastante parecido, e a característica da entidade Preto Velho é sempre o conselho.

Suas vestes são bem simples e não necessitam de muitos apetrechos para trabalhar, apenas da concentração e atenção de seu médium durante a consulta. Costumam usar cachimbo, lenços, toalhas e algumas vezes fumo de corda ou cigarro de palha.

Sua incorporação não necessita de dançar ou pular muito. A vibração começa com um “peso” nas costas, fazendo com que o médium incline o corpo para frente, sempre com os pés bem fixos no chão. Andam apenas para as saudações ao Atabaque, Conga e Babalorixá. Atendem sentados praticando sua caridade. Raras às vezes alguns mantêm-se em pé.

Sua simplicidade se manifesta em sua maneira de ser e de falar, sempre usando um vocabulário simples. A maneira carregada com que falam é para mostrar que são bastante antigos.

A Linha de Preto Velho possui suas características gerais, mas cada médium tem uma coroa diferente, determinando as diferenças entre os Pretos Velhos.

As diferenças ocorrem porque cada Preto Velho trabalha em nome de um Orixá, utilizando a essência de cada força da natureza em sua atividade. Essas diferenças são facilmente percebidas na forma de incorporação.

Retirado da Revista Espiritual de Umbanda (Edição Especial 1 Editora Escala)- Pesquisa e texto: Virgínia Rodrigues

Referencias Bibliográficas:

– Portal Guardiões da Luz
– Luz da Fraternidade
Revista USP nº 28 – As Religiões Negras do Brasil
– As Religiões Negras do Brasil

Grafite sobre papel de Lima Peres