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HOJE É DIA DE SÃO JERÔNIMO, É DIA DE PAI XANGÔ!


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Vamos neste dia, pedir a Xangô que cuide de seus filhos nesta Terra que está tão desequilibrada, onde a insensatez em muitos lugares toma conta. Vamos pedir para que a Sua Justiça chegue aos lugares mais ermos, sustentando aqueles que estão em provação, fugindo das guerras, e vamos pedir pelos brasileiros nas grandes cidades que estão sofrendo nas ruas tantas violências.

Que Xangô incuta em seus filhos o bom senso necessário, para que eles vejam que esta pressa que parece permear tudo não leva a lugar algum senão o esquecimento dos bons costumes, da educação que deveria ser costumeira, do respeito que não precisaria ser sempre lembrado.
Que cada um de nós que caminha por estes tempos, meu Pai Xangô, veja que sem olhar para o lado, sem olhar para aqueles que mais precisam, sem admirar a beleza do dia que amanhece e o por do sol ao anunciar a noite, que se não valorizarmos as pequenas coisas que são as mais importantes, nunca conseguiremos estar em Harmonia e em Equilíbrio.

Seu machado esteja nos guardando de todas as demandas, Pai Xangô, nosso Protetor, vem de Aruanda, do alto de sua pedreira, nos ensinar a exaltar a Umbanda, fazendo a caridade, mantendo nosso coração puro e tranquilo, nos mostrando os caminhos certos. Que não sejamos nós os justiceiros, mas que confiemos na Sua Justiça, e dilapidando nossas arestas, para que nos tornemos cristais puros, quartzos translúcidos refletindo sua Luz, sua Sabedoria, sua equanimidade.

xan2Que estejamos em sua Paz, em sua Serenidade, com a certeza que os desígnios nos conduzem às estradas do conhecimento, do discernimento, e se recebermos pedras, em vez de atirá-las de volta, as utilizemos para pavimentar caminhos largos onde muitos possam caminhar conosco com os mesmos sentimentos de humildade e fervor em uma Força Maior.

Xangô, filho de Oxalá e Iemanjá, esteja conosco em todas as horas, pois a cada momento temos que decidir entre o passo certo e o errado. Nos ajude, não nos deixe cair, irradie sobre nós seu Fogo Sagrado, ilumine nossa estrada .

E que a Linha do Oriente sob sua égide, todos os Magos e Médicos que pertencem a esta abençoada falange, estejam conosco, escutando nossas preces, pois necessitamos da Saúde do corpo, da mente e sobretudo, a do Espírito. Que a Linha Cigana que trabalha convosco, esteja presente em nossas vidas, alegrando com seus cantos e danças astrais nosso pensamento, transmutando nossas preocupações em soluções para nosso dia a dia.

E assim, aproveitamos a vibração imantada de seu dia, Pai Xangô, e agradecemos por tudo o que nos deste até aqui, e temos a certeza que junto estarás em todas as horas, e é esta certeza que nos impulsiona para frente, caminhando sem cessar, pelas pedras pontiagudas, sabendo que nosso espírito está sendo burilado no crisol que nos transformará em seres mais evoluídos.
Saravá, Xangô! Kaô, Kabecile! Kaô! Kaô!!!!!!!

 

Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

XANGÔ


 

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Dizem que este ano é ano de Xangô, mas com certeza sempre é tempo de todos os Orixás.
Xangô na Umbanda é sincronizado com São João Batista e São Pedro, pois ambos quando na Terra assumiram uma vida dura, de disciplina e retidão, sendo exigentes com as normas éticas e morais, muitas vezes não compreendidos, como até hoje não o são aqueles que assumem a responsabilidade de mostrar que os caminhos, mesmo os mais difíceis devem ser trilhados com honradez, com firmeza, mesmo nas noites escuras da alma.

Por isso, nós, que somos simples aprendizes, devemos pedir às Forças poderosas que emanam de Xangô, quando nos sentirmos alquebrados, com dúvidas sobre as decisões acertadas, quando precisamos agir e não queremos ferir a outrem, ou sermos injustos. Que eles nos dê discernimento, os passos certos, nos facultando paciência e visão ampla para analisar todas as situações, e resolvê-las sempre, mas com compostura, sabedoria e acertadamente.

Que a força das suas pedreiras que sua austeridade nos proteja de toda a iniquidade, toda a injustiça, todos os atos menos bons que possam nos atingir, e que da energia das pedras possamos nos espelhar nas horas intranquilas, nos momentos tormentosos, sentindo sua presença protetora a guiar nossos passos, nossos atos, nossas palavras, e que nossas decisões sejam corretas, nos protegendo de consequências funestas.

Nossa caminhada seja ininterrupta através das tempestades dos raios e faíscas que a ambiência instável do planeta nos cerca. Que estejamos de pé em todos os instantes, nos mantendo e sustentando aqueles ao nosso redor até que a bonança chegue, até que cheguem momentos de descanso das batalhas.

Que o combate contínuo que travamos através dos dias seja proveitoso, trazendo lições de elevação e compreensão, e que saibamos do valor da humildade, escolhendo não ferir ninguém, porque temos a certeza que estará presente para ajudar a resolver as contendas da melhor forma possível.

Que Xangô sempre esteja nos ensinando a Lei Maior do Bem, e de seu trono nas pedreiras esteja nos defendendo, nos guardando, para que de nossa pequena dimensão, sigamos fortalecidos, para que um dia, mesmo que muito longínquo, no mundo espiritual, nos seja dada a chancela de protetores, assim como nos protegem hoje nossos guias, começando dos primeiros degraus, mas com a firmeza que aprendemos, com a Fé, a Esperança e a certeza que há um objetivo maior, algo infinito que temos de aprender a zelar.

Salve Xangô com suas pedreiras, Salve meu Pai Xangô, hoje e sempre!

 

Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

SANTO ANTÔNIO, SALVE SUA LUZ! VELA POR NÓS!


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Encontrei uma Palestra de um frei chamado Francisco van der Poel ofm, no Oitavo Centenário do Nascimento de Santo Antônio, em 21 de outubro de 1995 – Pádua, Itália.

Ali ele mostrou a origem da influencia de Santo Antônio nas religiões afro-brasileiras. Ele iniciou com a devoção de Santo Antônio nas tradições dos bantos, através do jongo, do caxambu e do congado.

Também relata que a identificação mais típica ocorreu com o tambor de mina, no xangô, no batuque, na umbanda e no candomblé.
Na época do descobrimento do Brasil, Portugal tinha acabado de lutar contra os mouros e era uma nação guerreira. Na verdade, toda a Europa era guerreira, por força das cruzadas. Vários santos foram guerreiros militares: São Sebastião, São Jorge, Nossa Senhora da Conceição e também Santo Antônio.

Enquanto a memória do catolicismo gravou a figura de Santo Antônio voltado para a proteção contra a fome, com o famoso “pão de Santo Antônio”, e nas promessas como santo casamenteiro, nas religiões afro-brasileiras manteve-se o perfil de protetor guerreiro, lutador incansável.

O Santo Antônio da tradição dos pobres até hoje ajuda os vaqueiros para conduzir o gado. Contam que o próprio santo era amansador de burro bravo. Manoel Ferreira dos Santos explica: “Santo Antônio, no tempo que ele era homem, ele andava no mundo como nós mesmo. O emprego dele foi amansar burro. Ele era amansador de burro bravo, ele era peão. E por isso, ficou a oração dele.”

A partir do candomblé nagô em Salvador, Santo Antônio é identificado com o orixá Ogun .Para vencer os obstáculos da vida, as pessoas buscam nele a força de quem molda o ferro. O “otá”, a pedra onde foi assentado a força mística do orixá Ogun, é uma pedra de minério, ou pedaço de ferro. Abençoa principalmente os ferreiros e os que lidam com armas e ferramentas, os guerreiros e os agricultores.. Ogun é o orixá que julga uma situação e fornece elementos para Xangô executar a justiça. É também chamado Ogun de Ronda. Como Senhor das Estradas, protege os viajantes. Tem grande afinidade com Exu com quem se encontra nas encruzilhadas. Com sabemos, no Rio de Janeiro, Ogum é sincretizado com São Jorge.

No catimbó nordestino do Sr. Zé Pelintra, ele é grande devoto de Santo Antônio. Aqui está uma de suas cantigas:
“Zé Pelintra, cadê Santo Antonio; Estava rezando e fazendo oração; Santo Antonio que gira e retira que quebra as demandas de toda a nação. e assim, Zé Pelintra, invoca ao Santo, trazendo sua força, inspiração e proteção à Umbanda e aos seus filhos de fé. SALVE SANTO ANTONIO.”

Já nos terreiros iorubá do culto xangô no Estado de Pernambuco, Santo Antônio (com o livro na mão igual São Jerônimo) é identificado com Xangô, orixá do raio e da justiça. No Rio de Janeiro, Xangô tem sincretismo com São Jerônimo.

No batuque do Rio Grande do Sul, é identificado com Exu, o anjo/mensageiro entre os Deuses e os homens. Exu abre caminhos e é encontrado nas encruzilhadas. Diversas orações tradicionais de Santo Antônio dizem: “Ele nos guia no bom caminho”. Exu leva recados e dá recados, como Santo Antônio. No Rio de Janeiro, também frequentemente atribui-se ligação de Santo Antônio com Exu, abrindo-se a gira com o ponto:

“Santo Antônio é de ouro fino/ suspende a bandeira/ e vamos trabalhar.”

Mas na Umbanda também Santo Antônio é considerado na 1ª linha de Oxalá. Os adeptos acreditam que os santos da linha de Oxalá penetram nas linhas de Quimbanda (magia negra) para desmanchar “trabalhos” feitos para prejudicar as pessoas. Isto fica claro neste ponto de Umbanda:

“Ó viva Deus(3x), meu maior amigo é Deus./ Pisei na pedra, a pedra balançou./ O mundo estava torto,/ Santo Antônio endireitou.”

Também os pretos velhos e as pretas velhas da Umbanda trabalham junto a Santo Antônio, chamado Santo Antônio de Pemba quando combatem juntos, dentro da quimbanda, desmanchando trabalhos de magia negra e todos os tipos de demandas destrutivas. Não se tem ideia do quanto esses amados guias nos protegem e são incansáveis nestas batalhas astralinas.
Neste dia de 13 de junho, que Santo Antônio esteja conosco a partir da Espiritualidade Superior, vibrando generosamente pela Humanidade, para que possamos andar através destes miasmas pesados, com a mente livre e os movimentos vigorosos, em direção a uma vida digna, em direção ao auxílio do outro, nos sustentando, nos amparando nas quedas, nos protegendo a retaguarda quando frágeis ficamos. Salve Santo Antônio, nos espere e guarde em cada encruzilhada!
No site abaixo, vocês poderão escutar muitos pontos de Santo Antônio na Umbanda:

Ouça os pontos(clique)

Alex de Oxóssi

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Fontes consultadas:
Religiosidade Popualar
Cantinho Literário do Zé Pilintra

 

SALVE MEU PAI XANGÔ E MINHA MÃE IANSÃ!!!!!!!!!!!!!!!


Embalados na força de Xangô e de Iansã, vamos refletir nos pontos destes adorados Orixás!

Ponto de Xangô

Por detrás daquela serra,
Tem uma linda cachoeira!
É de meu pai Xangô!
Que arrebentou sete pedreiras!

Foi água nascendo na fonte e espinho na flor!
Do seu medo escondido nasceu a coragem de ser vencedor.
Punhal na mão, no peito um escudo mais fiel,
de quem na terra concebeu o céu!

São sete pedreiras que ele aprendeu a quebrar,
na faísca da fúria, no raio da chuva à luz do luar!
Lavou o corpo com o vinho amargo do suor,
e fez do próprio bem, de todos os males, talvez o menor!

Ponto de Iansã

Iansã Orixá de Umbanda
Rainha do nosso congá
Saravá Iansã lá na Aruanda, Eparrei!
Eparrei Iansã venceu demanda
Iansã, saravou pra Xangô
No céu, onde se coroou
E lá nas matas leão bradou
Saravá Iansã
Saravá Xangô

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Então, segundo as perspectivas que nos mostram, Pai Xangô e Mãe Iansã irão reger 2014.

Na verdade, para quem crê, todos os Orixás estão presentes em nossas vidas a cada dia, e aproveitamos a oportunidade para elevar nossos pensamentos à Espiritualidade Maior, ao reino de Aruanda, onde se encontram as entidades benditas que nos protegem a cada passo, em todas as hierarquias, até chegar a nós, tão imperfeitos, tão necessitados de orientação em nosso percurso acidentado.

Que Pai Xangô nos traga sua Força, nos protegendo de toda injustiça, e que Mãe Iansâ com sua Magnitude nos mantenha a salvo de toda a influência deletéria, que estejamos sempre a postos de praticar o Bem, rumando em direção aos nossos destinos, traçados pelas nossas decisões e que estas sejam regidas pelas Forças Maiores, para que não tropecemos, e consigamos resgatar nossa direção, na Esperança, na Fé.

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Que tenhamos a influência Maior, de sermos inquebrantáveis como a rocha frente às intempéries, que tenhamos sempre a certeza que eles nos encaminharão para os melhores trajetos, que não tenhamos medo de mudança alguma e sigamos, firmes e resolutos, construindo nossa estrada, escrevendo em nosso livro da Vida, não deixando uma só linha em branco.

Que a cada final de dia, possamos parar, e elevar nossos pensamentos na imensidão que reluz no infinito, onde só há beleza e crescimento. Que conquistemos nossa alegria através da força que emana das pedreiras, dos ventos e de todos os símbolos sagrados que a natureza nos rodeia, lembrando a presença divina destes orixás benditos.

Poderosas forças, através de seus falangeiros que já alcançaram os patamares de protetores e guias, estejam conosco em cada passo, somos simples pedintes, mas faremos o possível, dentro de nossas limitadas possibilidades, para também sermos o exemplo de sustentação e firmeza frente todas as vicissitudes de nossos irmãos de provas e expiações.

Na sua Força e no seu Axé, prosseguiremos, através dos dias, sendo instrumentos de Fé, Superação e sobretudo buscadores de seus mistérios, com a ajuda da espada de Iansã e da faísca e do trovão de Xangô, acreditando no poder de Aruanda, nos vestindo das armas do Bem da amada Umbanda!

E se tivermos de ultrapassar noites escuras da Alma, que os raios e trovões de Xangô nos iluminem a jornada, e que os ventos de Iansã dispersem todas as forças malévolas, nos trazendo em segurança ao novo dia, ao alvorecer de nossas almas atribuladas.

Eparrei, Iansã, Eparrei oiá!

Kaô, Kabecile meu poderoso Pai Xangô!

Alex de Oxóssi

Vote, seu voto é muito importante para nós:

Rio Bonito – RJ

MEU PAI XANGÔ


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Salve a Sua Força, Salve a Sua manifestação de Equilíbrio, Justiça e Saber!

Diante de sua pedreira estamos aqui, ajoelhados em nome de nossa devoção, pedindo para nos dar o verdadeiro senso de ordem e dever, que possamos todos, nessa enorme nação, fazer juz à palavra JUSTIÇA, podendo assimilar suas qualidades de Honestidade, Retidão, Seriedade , Bom Senso e Plenitude.

Que não nos ergamos insensatamente em seu nome, por causas vãs, ou nos endividemos por atos impensados me desequilibrados.

Com as forças conjuntas das águas, sobremaneira a Força de Iansã, que dentro de cada um de nós, nesta terra de provas e expiações, nestes caminhos duros que cada um de nós temos de trilhar, encontremos alento, encontremos resposta, encontremos o sentido de a passo e cada resolução.

Xangô, sincretizado em São João Batista, que peregrinou solitário pelos desertos, nos dê força para também em nossa peregrinação terrena, sermos firmes, dignos, sabermos superar nossas faltas sem tombar.

Xangô, que se desdobra na vibração do Oriente, envie até nós os médicos do Astral Superior, para curar nossas feridas físicas e espirituais, nos mantendo em harmonia para poder merecer suas bênçãos.

Que as vibrações ascensionadas das Falanges do Oriente sempre estejam robustecendo nossa capacidade de amar,mantendo-os firmes em todas as circunstâncias, através da compreensão, da esperança e da Fé.

Xangô, também sincretizado como dono dos raios, controle nossas tempestades interiores, que a sua manifestação seja sempre para o saneamento da atmosfera espiritual ao nosso redor, renovando através das Forças da Natureza, uma ambiência saudável e firme,.

Como São Jerônimo e São Pedro, nos proteja em nossas lutas pessoais, nossos dilemas, aprimorando nossas arestas, nossa precária estabilidade, nos dando firmeza e resistência, a organização do discernimento, a beleza interior de suas pedreiras multicores, que sob a Luz do Sol rebrilham e sob a claridade da Lua refletem a beleza ancestral das cavernas esquecidas dos antepassados e seus rituais.

Recorremos a vós, Pai Xangô, para que haja resolução através da magia de suas vibrações fluídicas, o encaminhamento acurado para nosso país, nessa hora conturbada com justas admoestações de um povo subjugado por erros de quem tem o poder transitório sobre nossa pátria terrena.

Batemos nossas cabeças para ti, Poderoso Orixá, e se tivermos merecimento, dentro de tuas severas Leis, que possamos recorrer de Tuas Forças, para pedir pelo equilíbrio, justiça social e política deste nosso Brasil e o robustecimento de nossas vidas pessoais.

Kaô Kabecile, meu Pai

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

SALVE OS VENTOS E TEMPESTADES!!!


A Força da Natureza na distância da minha mão. A chuva que caiu neste final de semana, mostrou sua fúria indomável. Pude sentir o vento e a torrente d’água apenas estendendo a mão em minha varanda.

Uma espessa cortina d’água toldando a silhueta das colinas ao longe e borrando o contorno dos telhados ao redor, e a ressonância dos trovões cortando o silencio, os clarões dos raios cortando a noite.

Assim como sentimos externamente, muitas vezes temos estas tempestades de raios e trovões dentro de nós. Com a diferença que a natureza nos deu também o raciocínio e o bom senso, de modo que possamos administrar a própria violência interna, saindo de cena até acalmar o vendaval interior, ou deixamos ele se manifestar de acordo com a necessidade do momento.

Na maioria das vezes, as tempestades internas são tão necessárias como as externas, porque lavam a estática ruim das comunicações duvidosas, deixam à mostra o cerne limpo e renovado das disposições edificantes, apagam trajetórias incorretas, influências deletérias, enfim, deixam o céu de nossas mentes mais claro e disponível para quando o Sol voltar a brilhar.

As tempestades, mais que tudo, apontam nossa pequenez, nossos limites, demonstram também, que tais quais as a vicissitudes, elas começam e terminam, e ao cessar, parece que o mundo valoriza mais as belezas, capricha mais no reflorescer, no renovar-se, tenta refazer ainda mais aprimoradamente o que foi destruído…

Os ventos e as tempestades ainda servem para limpar a atmosfera turbulenta, as ambiências intoxicadas, as vibrações de baixa qualidade. Apagam os incêndios, derrubam construções frágeis e mal feitas, varrem escolhos, lixo e escombros.

Na hora da tempestade, externa ou interna, fiquemos observando da janela, física ou da alma, evitando nos expor em seu perigoso vórtice, mas aprendendo com ela, acompanhando sua intensidade crescente ou decrescente, seu poder, sua direção, seus objetivos. Vamos compreender o porquê de sua violência, mas aprender a contornar seu poder de destruição, canalizá-la, talvez, colocar em depósitos de água, ou de força e resoluções, administrar sua abundância e exagero para épocas de escassez.

Na linguagem umbandista, Santa Bárbara é o sincretismo do Orixá Iansã, sendo a representante dos ventos e tempestades. Mas na realidade, estes ventos e tempestades são as feitiçarias, as influencias negativas. Iansã, no combate ao mal, é a verdadeira fúria de um vendaval, e ela protegerá qualquer pessoa que se coloque sob sua proteção, DESDE que essa pessoa não seja portadora de sentimentos de vingança.

Junto com Xangô, o Orixá do trovão, os dois juntos aplicam a Lei e atuam contra os fora da lei do astral, em lutas ferrenhas contra o Mal e seus seguidores.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

A SUAVE LUZ DO TERREIRO DE UMBANDA


Soa a campainha três vezes, chamando os médiuns. É hora de mais um encontro sagrado com os Orixás.

Encaminhando-se lentamente em direção ao terreiro, já se sente o aroma das ervas queimadas, e os cânticos de quem vai cruzando o templo com os defumadores.

Cada um vai se concentrando, guias de variadas cores na mão, já sentindo as vibrações no plexo esplênico, sintonizando-se com as vibrações das entidades protetoras da casa. Os atabaques começam a tocar, e cada um passa cantando pelo defumador na entrada, sensação boa de irmandade com aqueles que defumam cada filho de santo e depois toda a assistência, preparando para mais uma noite de trabalhos espirituais.

Ao pisar no espaço abençoado, o pensamento de cumprir mais uma missão, permeando todo o corpo com os fluidos magnéticos que impregnam o ambiente, e que circulam sob as batidas persistentes, sob as vozes uníssonas.

Chega-se ao congá, pedindo proteção aos chefes espirituais, às entidades que participam das egrégoras do terreiro, e em muda prece, faz-se a oração de alma, pedindo proteção por mais esta noite, batendo cabeça para cada orixá ali presente e sobretudo, á Oxalá, que através da imagem ali presente, parece olhar cada um, enchendo de ânimo, Amor e Fé.

Enfim, o médium conseguiu ali chegar, lutando contra o cansaço, a fome, os percalços do dia, seus problemas pessoais, seus embate e vivências. Conseguiu combater o desânimo, a preguiça, e toda uma série de contratempos que parecem lhe afastar da meta. Mas ali está, nada mais importa, agora é o tempo dos caboclos, dos pretos velhos, e de todas as falanges que lhes seguem, compondo o círculo sagrado das emanações da Luz Divina.

Ao início dos trabalhos, sempre cantando, o corpo acordando para as danças ancestrais, pede-se proteção ao anjo da guarda na missão abençoada, e todos se prostram para mais uma gira, reverenciando humildemente todas as evocações do chefe espiritual da casa, já incorporado no Babalorixá, comandando com a firmeza de sempre, mostrando sua Força ao manter tudo na mais perfeita harmonia, mesmo entre tantas emanações que reverberam em toda parte, incluindo a assistência, de onde vem angústias, dores e empecilhos.

Os caboclos chegam girando, cortando as demandas, quebrando grilhões com seus gritos, que cortam o ar, em mais vibrações que são como raios que dispersam toda dor, toda aflição.

Desfilam os caboclos de Oxóssi, trazendo o frescor das matas, o Prana vital da Natureza. Os caboclos de Ogum perfilam-se em harmonia, guerreiros incansáveis da Paz. E os atabaques contam as façanhas de Xangô, e o terreiro se enche de caboclos que trazem das pedreiras a Magia, a Luz, a energia que tudo equilibra.

A gira prossegue, e agora são os pretos velhos que se aproximam, com seu passo lento e olhar sereno, procuram seus cavalos, seus banquinhos, seus cachimbos, pembas e mandingas, e começam suas consultas. Sem pressa alguma, acolhem cada filho, lhes dão passes, e palavras de alento. Aconselham, contam histórias, trabalham com seus cambones, de maneira calma e ininterrupta, dando assistência a todo e qualquer apelo, corrigindo os pensamentos sem uma palavra rude, mostrando os caminhos, sem interferir nos arbítrios, ao mesmo tempo que em silêncio, vão limpando as auras, curando dores, atuando muito mais do que falam, pois são os mais sábios.

A madrugada se aproxima, é preciso terminar os trabalhos. Vão-se os pretos velhos em suas manifestações, para se colocarem ao lado de seus médiuns, junto de todos os outros guias espirituais.

Todos se ajoelham novamente, agradecem por mais uma oportunidade de trabalho edificante, cada um com seus próprios anseios apaziguados. Além do cansaço físico, sentem-se renovados em energia, pois o maior alimento é a Caridade prestada.

As luzes voltam a clarear com força, trazendo cada um ao plano terreno. É o momento de todos se confraternizarem com abraços e sorrisos, enquanto se reúnem mais uma vez, para bater a cabeça diante o congá, imantado das poderosas forças que lhe habitam. Cada um cumprimenta o Babalorixá e prepara-se para a volta para casa. Muitos, levarão horas para chegarem em seus destinos.

E,enquanto isso, no terreiro, nesse momento iluminado apenas com as luzes das velas, ainda ficará muitas horas fervilhando com a espiritualidade ali presente, até que todos os pedidos sejam auxiliados, todos os nós desatados, todas as demandas desmanchadas.

Suave Luz do terreiro de Umbanda, que permanece mostrando a presença da Senhora Velada, a infinita Sabedoria traduzida em Paz, Amor, Perdão, Serenidade e Equilíbrio, a verdadeira Jornada.

Salve Umbanda querida! Salve Orixás Benditos! Que sua Luz sempre brilhe sobre nós, que estamos na Busca.! Obrigado pelos caminhos, obrigado pelas lições, obrigado por ter-nos permitido vê-la, e em ti vivê-la!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ