Arquivo da tag: PRETO VELHO

VIBRAÇÕES DE PRETO VELHO


Quando falamos em Preto Velho, nos vem à mente quatro palavras básicas: calma, sabedoria, humildade e caridade.

Voltando no tempo, durante o período colonial brasileiro, as grandes potencias européias da época subjugaram e escravizaram negros vindos de diversas nações africanas, transformando-os em mercadorias, seres sem alma, apenas objetos de venda de trabalho.

Nesse mercado, os traficantes negreiros costumavam se utilizar de maneiras diversas para conseguir arrebanhar sua “mercadoria”: chegavam surpreendendo a todos na tribo, separavam, é claro, sempre os mais jovens e fortes. Costumavam buscar os negros nas regiões Oeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul da África. Trocavam por outras mercadorias, como espelhos, facas e bebidas, os que eram cativos oriundos de tribos vencidas em guerra e trazendo como escravos os que eram vencidos.

No Brasil, em principio os escravos negros chegaram pelo Nordeste; mais tarde, também pelo Rio de Janeiro. Os primeiros a chegarem foram os Bantos, Cabindos, Sudaneses, Iorubas, Minas e Malés.

Para a África, o trafico negreiro custou caro: em quatro séculos foram escravizados e mortos cerca de 75 MILHÕES de pessoas, basicamente a parte mais selecionada da população.

Esses negros, que foram brutalmente arrancados de sua terra, separados de suas famílias, passando por terríveis privações, trabalharam quase que ininterruptamente nas grandes fazendas de açúcar da colônia. O trabalho era tão árduo, que um negro escravo no Brasil não chegava a durar dez anos.

Em troca de tanto esforço, nada recebiam, a não serem trapos para se vestir e pão para comer, quando não eram terrivelmente açoitados nos troncos pelas tentativas de fuga e insubordinação aos senhores. Muitas vezes, reagiam a tudo suicidando-se, evitando a reprodução, matando feitores, capitães-do-mato e senhores de engenho.

O que restava ao negro africano escravo no Brasil era sua fé, e era em seus cultos que ela resistia, como um ritual de liberdade, protesto a reação contra a opressão do branco. As danças e cânticos eram a única forma que tinham para extravasar e aliviar a dor da escravidão.

Mas, apesar de toda a revolta, havia também os que se adaptavam mais facilmente à nova situação. Esses recebiam tratamento diferenciado e exerciam tarefas como reprodutores, caldeireiros ou carpinteiros. Também trabalhavam na Casa Grande, eram os chamados “escravos domésticos”. Outros, ainda, conquistavam a alforria através de seus senhores ou das leis (Sexagenário, Ventre Livre e Lei Áurea). Com isso, foram pouco a pouco conseguindo envelhecer e constituir seu culto aos Orixás e antepassados, tornando-se referencia para mais jovens, ensinando-lhes os costumes da Mãe África. Assim, através do sincretismo, conseguiram preservar sua cultura e religião.

ATUAÇÃO DOS PRETOS VELHOS

Esses são os Pretos Velhos da Umbanda, que em suas giras nos terreiros representam a força, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referencia para aqueles que os procuram, curando, ensinando e educando, aos encarnados e desencarnados necessitados de luz e de um caminho a trilhar.

Um Preto Velho representa a humildade, jamais demonstrando qualquer tipo de sentimento de vingança contra as atrocidades e humilhações sofridas no passado. Pretos Velhos ajudam a todos, independente de cor, sexo ou religião.

Em sua totalidade, não se pode afirmar que as entidades que se apresentam nas giras são os mesmos Pretos Velhos escravos. Muitos passaram por ciclos reencarnatórios e podem ter sido em suas vidas anteriores médicos ou filósofos, ricos ou pobres, e, para cumprir sua missão espiritual e ajudar aos necessitados, escolheram incorporar a forma de Pretos Velhos. Outros, nem negros foram, mas também escolheram essa forma de apresentação.(grifo nosso)

Muitos podem estar perguntando: “Mas então os Pretos Velhos não Pretos Velhos?”. A explicação é simples: todo espírito que já alcançou determinado grau de evolução tem a capacidade de descer sob qualquer forma passada, pois é energia pura, a forma é apenas uma conseqüência da missão que vem cumprir na Terra. Podem também, em locais diferentes, se apresentarem como médicos, Caboclos ou até Exu, depende do trabalho a que vêm realizar. Em alguns casos, se tiverem autorização, eles mesmos nos dizem quem são.

MENSAGENS DE PRETO VELHO

A principal cararacterística de um Preto Velho é a de conselheiro; para alguns, são como psicólogos, amigos e confidentes, para outros, são os que lutam contra o mal com suas mirongas, banhos de ervas, pontos riscados, sempre protegidos pelos Exus de Lei.

A figura de um Preto Velho representa a paciência e a calma que todos sempre devemos ter para evoluir espiritualmente, essa é a sua principal mensagem.

Certas pessoa costumam procurar um Preto Velho apenas para resolver problemas materiais, usando os trabalhos na Umbanda para beneficio próprio, esquecendo de ajudar ao próximo. Quanto a isso, esses maravilhosos Espíritos de Luz deixam sempre uma importante lição, a de que essas pessoas, preocupadas apenas consigo próprias, são escravas do próprio egoísmo, mas sempre procuram ajudá-las brincando de “pedir obrigações”. Mas em meio a essas pessoas, sempre haverá os que podem ser aproveitados, que em pouco tempo vestirão suas roupas brancas, descalçarão seus pés e farão parte dos trabalhos de caridade do terreiro. Essa é a sabedoria do Preto Velho, saber lapidar o que há de bom em cada um de nós.

Pretos Velhos levam a força de Zambi a todos que buscam aprender a encontrar sua fé, sem julgar ou colocar pecado em ninguém, mostrando que somente o amor a Deus, ao próximo e a si mesmo, poderá mudar sua vida e seu processo de ciclos reencarnatórios, aliviando os sofrimentos cármicos e elevando o espírito. Assim fortalecem a todos espiritualmente, aliviando o peso do fardo de cada um, e cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente, de acordo com a forma de encarar os acontecimentos de sua vida: “Cada um colhe o que plantou. Se plantares vento, colherás tempestade. Mas, se entender que lutando poderá transformar seu sofrimento em alegria, verá que deve tomar consciência de seu passado, aprendendo com os erros, galgando o crescimento e a felicidade futura. Nunca seja egoísta, sempre passe aos outros aquilo que aprende. Tudo que receber de graça, deverá dar também de graça. Só na fé, no amor e na caridade, poderá encontrar seu caminho interior, a luz e Deus” (Pai Cipriano)

APRESENTAÇÃO DA ENTIDADE

O termo “Velho, Vovô e Vovó, são usados para mostrar sua experiência, pois, quando pensamos em alguém mais velho, entendemos que este já viveu muito mais tempo do que nós, com coisas para nos passar e historias para nos contar através de sua longa experiência. No mundo espiritual isso é bastante parecido, e a característica da entidade Preto Velho é sempre o conselho.

Suas vestes são bem simples e não necessitam de muitos apetrechos para trabalhar, apenas da concentração e atenção de seu médium durante a consulta. Costumam usar cachimbo, lenços, toalhas e algumas vezes fumo de corda ou cigarro de palha.

Sua incorporação não necessita de dançar ou pular muito. A vibração começa com um “peso” nas costas, fazendo com que o médium incline o corpo para frente, sempre com os pés bem fixos no chão. Andam apenas para as saudações ao Atabaque, Conga e Babalorixá. Atendem sentados praticando sua caridade. Raras às vezes alguns mantêm-se em pé.

Sua simplicidade se manifesta em sua maneira de ser e de falar, sempre usando um vocabulário simples. A maneira carregada com que falam é para mostrar que são bastante antigos.

A Linha de Preto Velho possui suas características gerais, mas cada médium tem uma coroa diferente, determinando as diferenças entre os Pretos Velhos.

As diferenças ocorrem porque cada Preto Velho trabalha em nome de um Orixá, utilizando a essência de cada força da natureza em sua atividade. Essas diferenças são facilmente percebidas na forma de incorporação.

Retirado da Revista Espiritual de Umbanda (Edição Especial 1 Editora Escala)- Pesquisa e texto: Virgínia Rodrigues

Referencias Bibliográficas:

– Portal Guardiões da Luz
– Luz da Fraternidade
Revista USP nº 28 – As Religiões Negras do Brasil
– As Religiões Negras do Brasil

Grafite sobre papel de Lima Peres

SOBRE O IBGE


ETIENE SALES

“…Atualmente a Umbanda surge como um fenômeno social de maior importância, dado se “mysteriu” (conjunto de doutrinas e cerimônias religiosas que só eram conhecidas e praticadas pelos iniciados. Objeto de fé ou dogma religioso que é impenetrável à razão humana, sendo somente explicado pela). Ninguém sabe quantos são os umbandistas na realidade. No censo de 2000 foram levantados que existem (declarados) 432.001 umbandistas no país. Porém, em contato com o Sr. Pedro Miranda, presidente da UEUB ( uma das Federações de Umbanda da Cidade do Rio de Janeiro) nos foi informado que existem associados a essa federação cerca de 5500 terreiros. Se formos fazer uma especulação e multiplicarmos por 30, levando em consideração que trinta poderia ser a média de médiuns de cada terreiro de Umbanda, teríamos em torno de 165.000 pessoas só em uma federação da cidade do Rio de Janeiro (existem cerca de 5 Federações, só na Cidade do Rio de Janeiro). Então, a conclusão que poderíamos chegar, é que existem muito mais umbandistas do que foi declarado no censo de 2000.

Mas onde eles estão?

Em 2001 auxiliei os pesquisadores que estavam fazendo a compilação dos dados do censo de 2000 do IBGE, no item religião.

Ao indagar “Qual a sua religião”, o IBGE recebeu cerca de 35 mil respostas diferentes que buriladas resultaram em 5000…

Os pesquisadores estavam um pouco confusos, pois estavam encontrando respostas estranhas no item destinado a declaração de religião, principalmente em relação a Umbanda, ao Espiritismo e a outras religiões. Foram encontradas respostas para “Qual é a sua religião” como:

Espírita Umbandista;
Espírita Cristão;
Umbandista Cristão;
Umbandista Espírita;
Católico Umbandista;
Católico Espírita.

Como tudo na vida, mesmo na pesquisa, se acha uma maneira de resolver os problemas, foi o que aconteceu em relação ao censo de 2000. Porém, as declarações encontradas revelaram mais do que o tradicional sincretismo, muito badalado pelos sociólogos e antropólogos ao longo do tempo. Revelam que muitas pessoas se consideram membros, ou parte, de mais de uma religião ao mesmo tempo, evidenciando um fenômeno em que o sincretismo é só uma vertente, ou mesmo um sintoma. Podemos dizer que é um fenômeno de dupla religiosidade, pois as pessoas que se declaram como membros de duas religiões, por exemplo, como Espírita Umbandista, vivendo ao mesmo tempo duas realidades religiosas diferentes (com alguns pontos doutrinários em comum, mas muitos outros totalmente divergentes), porém, em sua manifestação de espiritualidade, em sua prática religiosa, se transformam em uma só manifestação de fé.

“Em uma pesquisa realizada pelo CERIS – Centro de Estatística Religiosa e
Investigações Sociais – nas seis maiores regiões metropolitanas brasileiras,
cerca de 25% dos entrevistados disseram freqüentar mais de uma religião e cerca
de metade deles (12,5% do total) o fazem sempre. O Censo não considera esses
fenômenos de dupla (ou mais…) religiões, de mistura de várias religiões.
Dificilmente um sociólogo ou um antropólogo reduzirá os adeptos de Umbanda
e Candomblé, em todo o Brasil, a pouco mais de 570.000 indivíduos (0,33% da
população), como faz o Censo 2000. Certamente há muitas pessoas freqüentando
estes cultos, ao menos ocasionalmente, mas que não se declaram umbandistas”.
(Pe . Alberto Antoniazzi, “As religiões do Brasil segundo o censo 2000” In
Rever, número 2-2003-pp. 75-80, ISSN 1677-1222).

Talvez aí esteja a resposta à pergunta que fizemos anteriormente: Onde estão os Umbandistas? Escondidos atrás de outras religiões como o Catolicismo e o Espiritismo. Em que a pessoa por ignorância, medo (do preconceito pessoal ou social), ou por se acharem mais Católicas ou Espíritas, do que Umbandistas, declarando como membros dessas religiões (ou misturam essas religiões com o ser Umbandista), mas que, no final das contas, têm suas vivências religiosas dentro dos terreiros de Umbanda.

De uma certa maneira, é o que constatamos em uma pequena pesquisa realizada com os médiuns do Centro espírita São João Batista, no ano de 2002, em decorrência do que notamos nas compilações iniciais do censo de 2000.

Embora o universo pesquisado fosse pequeno, 45 médiuns do centro, o resultado foi muito interessante, mostrando um reflexo do que havia acontecido no censo de 2000.

Ao perguntarmos aos médiuns do Centro Espírita São João Batista qual era a sua religião, obtivemos as seguintes respostas:

Espírita- 12
Católico e Umbandista- 10
Católico Espírita – 1
Espírita Umbandista – 7
Umbandista – 15

Dos 45 médiuns do Centro, apenas 15 médiuns (33% do total) se declararam umbandistas, ou seja, 30 médiuns (67% do total) não se acham Umbandistas ou colocaram a Umbanda como uma religião secundária em sua crença.

Não nos cabe tentar esgotar ou aprofundar esse assunto em nosso trabalho, mas deixamos registrado que o mesmo merece ser pesquisado com maior profundidade.

Em 2007, uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Folha publicada em um caderno especial na edição da Folha de 06 de maio, verificou que o número de Umbandistas estaria em torno de 1% da população brasileira. Algo entre 2 milhões e 2,1 milhões de pessoas. Algo bem maior do que a pesquisa realizada no senso de 2000.

Ou houve um aumento significativo do número de Umbandistas, ou uma parte dos Umbandistas começou a assumir sua religião, e a não mais se declarar como católicos ou espíritas.

Talvez a realidade atrás desses novos números seja uma soma de fatores, tais como: a difusão de informações através da Internet (sites, blogs, listas de discussão, chats e outros mecanismos de comunicação existentes na Internet) que começou a romper inúmeros tabus e preconceito entre os Umbandistas; um aumento no número de autores umbandistas que começaram a publicar seus livros; um maior contato entre as Federações de Umbanda, através de palestras, encontros e ritos públicos (giras) de confraternização; a criação da primeira Faculdade de Teologia Umbandista – FTU – trazendo para o meio acadêmico uma nova discussão sobre a realidade da Umbanda, enquanto religião plural e com embasamento teológico; a criação do CONUB, com o propósito de minimizar e de se fazer reconhecer o respeito e a diversidade existente entre as várias ramificações ou escolas filo-doutrinárias que existem dentro da religião de Umbanda.

Esses fatores mostram que a Umbanda começa a se estruturar dentro do respeito a sua pluralidade de cultos, doutrinas e ritos, e que os Umbandistas caminham para uma visão de união da diversidade.

Uma nova caminhada se mostra diante dos umbandistas, que não é a imposição doutrinária ou a unificação de cultos, como foi o objetivo do primeiro Congresso de Umbanda (1941), e que só motivou o conflito e a dispersão das pessoas. Mas, sim, uma nova visão de sustentação da religião, respeitando e entendendo sua diversidade, na busca concreta de alcançar objetivos comuns, que não passam mais pelas diferenças doutrinárias, mas por iniciativas que possam agregar a busca de uma união de interesses voltados, cada vez mais no sentido de melhorar a condição dos seres humanos e da nossa sociedade como um todo.

Do livro “Umbanda de Preto Velho” – Etiene Sales de Oliveira- pag. 60-63

Preto-velho por quê?


Robson Pinheiro

Alguém perguntou por que o espírito João Cobú se manifestava assim, como um preto-velho, sentado no chão, com as pernas de lado, a voz potente e forte, tão diferente do médium de que se utilizava. Argumentava que não era necessário a nenhum espírito apresentar-se daquele modo; não havia motivos para esta caricatura tão rudimentar, arcaica talvez, própria de religiões apegadas a rituais e maneirismos pueris, segundo defendia.

Pai João ouvia atento.

Por que motivo escolher a aparência de um ancião se ele era espírito, e espírito não é idoso nem jovem é apenas espírito. Após alguns instantes em silêncio, Pai João disse:

— Meu filho, pelo que eu saiba o espírito já esclarecido pode se apresentar da forma que desejar para estar com os filhos da Terra. Cada um escolhe a vestimenta que mais lhe agradar. Não há por aí espíritos que se mostram como irmãs de caridade, padres, orientais, médicos e tantos outros? Por que o preconceito contra o velho ou a vovó? Será apenas porque a gente se apresenta como negro, ex-escravo? Isso por acaso desmerece a mensagem que trazemos? Por que não repelir espíritos que se manifestem como freiras, indianos ou doutores? Por acaso meu filho pensa que do lado de cá da vida só há diploma de médicos e eclesiásticos?

Pai João prosseguia:

— O problema, meu filho, é que velho não dá ibope para os médiuns e donos de centro. Mas, se além da visão do ancião e do linguajar singelo, a gente se mostra negro, aí sim: o preconceito de meus filhos fala ainda mais alto… Não há alforria que resolva; o preconceito é cativeiro pior que a escravidão. Negro, velho e, ainda por cima, morto… Nego acha que isso incomoda por causa do orgulho e do desejo que vocês têm de enquadrar tudo dentro dos padrões brancos, vamos dizer. Se é assim, meu filho, aceita o conselho de nego: vá procurar espíritos superiores, de médicos,
padres e irmãs de caridade, e deixa nego trabalhar quietinho, falando com simplicidade para aqueles que não entendem linguagem complicada.

Deixa nego trabalhar, cantou Pai João.

Na fazenda do nosso Pai, que é Deus, tem lugar para todos. Cada um faça como pode e sente que é correto, pois nem Jesus, nem Kardec deixaram escrito algum dizendo que espírito deve manifestar-se deste ou daquele jeito. João Cobú faz como sabe, trabalhando com alma e coração Quem souber fazer melhor, faça; ele respeita. Enquanto isso, os pais-velhos continuam pedindo ao Senhor que os deixe trabalhar, apenas trabalhar.

Retirado do Livro Sabedoria de Preto VelhoRobson Pinheiro

Outros Livros do Robson Pinheiro (clique)

HOMENAGEM A PRETO VELHO


POEMA LIBERDADE

ASSISTA:

OU OUÇA:

http://sites.google.com/site/pontosdepv/atilas-nunes/PoemaLiberdade-AtilaNuneseAtilaNeto.mp3?attredirects=0&d=1

TAMBORES DO CONGO

ASSISTA:

OU OUÇA:

http://sites.google.com/site/pontosdepv/atilas-nunes/TamboresdoCongo-AtilaNuneseAtilaNeto.mp3?attredirects=0&d=1

13 DE MAIO

ASSISTA:

OU OUÇA:

http://sites.google.com/site/pontosdepv/atilas-nunes/TamboresdoCongo-AtilaNuneseAtilaNeto.mp3?attredirects=0&d=1

PAI JOÃO DE MINAS

ASSISTA:

OU OUÇA:

http://sites.google.com/site/pontosdepv/atilas-nunes/PaiJo%C3%A3odeMinas-%C3%81tilaNunesFilho-%C3%81tilaNunesNeto.mp3?attredirects=0&d=1

PROGRAMA MELODIAS DE TERREIRO – RÁDIO METROPOLITANA AM 1090
De 2a à 6a feira, entre 23h e 24h com Átila Nunes Filho e Átila Nunes Neto
Ouça pela internet: http://www.radiomelodiasdeterreiro.com.br 24 horas no ar com reprises às 10h, 14h e 18h
Central telefônica 24h: (021) 2461-0055 atilanunes@emdefesadaumbanda.com.br

IMPORTANTE: Quer os audios para vocês tocarem em seus Terreiros envie e-mail para povodearuanda@povodearuanda.com.br e envie seu nome completo e endereço de seu Terreiro, assim iremos repassar ao Programa Melodias de Terreiros para mencionarem o nome de seu Terreiro e que lá estão escutando o Programa e a homenagem acima que eu postei. Eu terei a satisfação em lhes enviar os audios.

ESTÁ SAINDO DO FORNO – O audio do Ponto de Pai Benedito de que trabalha na minha Coroa…

Salve os Pretos Velhos…

Adorei as Almas!!!

66 ANOS DE INCORPORAÇÃO EM SEU MÉDIUM: ZÉLIO DE MORAES



T.U.L.E.F. – Acreditamos que o texto acima seja da irmã LÍLIA RIBEIRO, se Zélio desencarnou em 1975 este texto no mínimo é de 1974.

Faz Caridade Fio!


Negro Ambrósio em 18/09/2007
por Mãe Luzia Nascimento
Dirigente do Centro Espiritualista Luz de Aruanda

Faz caridade fio, faz caridade fio!

Assim era as fala do negro Ambrósio através do aparelho mediúnico que lhe servia de canal para fazer proseador.

Não era a primeira que aquele consulente ouvia esse conselho do Pai Velho, já havia se passados oito meses desde o primeiro dia que aquele senhor tinha adentrado ao terreiro, passando a fazer parte da assistência, sempre voltando ao negro Ambrósio para tirar suas duvidas.

Naquele dia ele estava decidido. Iria perguntar ao Velho porque toda vez que falava com ele escutava o mesmo conselho? Será que como espírito não estava vendo que ele já estava fazendo sua parte?

Esperou ansioso a sua vez. Aquela noite seria especial, seria diferente das outras, aquele encontro marcaria uma nova etapa no caminhar daquele senhor.

Como sempre fazia, mais por repetição do que mesmo por convicção, se ajoelhou diante do negro Ambrósio e foi dizendo:

– Benção vô Ambrósio, hoje venho lhe pedir uma explicação para melhor entender o que o senhor me diz.

– Oxalá te abençoe meu fio! Negro Ambrósio fica feliz com sua presença e gosta de fazer proseador com todos os fios que aqui vem.

– Meu vô, como o senhor mesmo sabe já faz algum tempo que venho a essa casa e falo com o senhor. Como já lhe disse não tenho uma situação financeira ruim, ao contrário, nunca tive problemas dessa ordem o que sempre me facilitou uma vida com fartura e bem-estar desde a infância.

– Certo meu fio, negro Ambrósio já tem cunhecimento de tudo isso que suncê falou.

– É meu vô, por essa razão gostaria de lhe perguntar porque o senhor toda vez que fala comigo me aconselha a fazer a caridade? O senhor não já sabe que faço isso todo mês entregando gêneros alimentícios aos que estão carentes? Além do que, na minha empresa mantenho uma creche para os filhos dos meus empregados para que assim possam trabalhar com mais tranqüilidade. Por isso gostaria que me explicasse o porquê desse conselho, dentro da minha consciência cumpro com meu compromisso.

– É verdade meu fio, tudo isso que suncê falou pra negro veio, faz parte de seu compromisso e fio cumpre direitinho sua parte. Porém fio esse compromisso faz parte de seu social. Suncê alimenta o corpo material que precisa de sustentação pra ficar de pé, pois se não for assim fio tem prejuízo, só que o fio também precisa distribuir o pão espiritual e assim fazer a caridade.

– Não entendi meu vô seja mais claro? Que caridade espiritual é essa?

– É a mesma que esse meu aparelhinho faz aqui no terreiro. Suncê precisa assumir sua condição de médium.

Espantado, disse o senhor: como é que é vô Ambrósio o senhor está me dizendo que tenho compromisso com a mediunidade na Umbanda é isso?

– É isso sim, meu fio. Suncê tem compromisso com essa banda.

Ante as muitas verdades que ele já tinha ouvido, nunca uma afirmação estava tanto a lhe remoer a alma. Como seria possível? Achava bonito a Umbanda, gostava do cheiro das ervas e do cachimbo dos vôs, mais daí então a ser médium era demais para ele.

Mesmo de forma acanhada buscando aparentar tranqüilidade aquele senhor disse ao vô:

– Meu vô acho que há um equívoco, pois nunca senti nada a respeito da mediunidade.

– Num sentiu porque se prende e que não quer dizer ou suncê acha que nego veio não vê o companheiro de Aruanda que lhe acompanha e que hoje está dando autorização pra fazer esse conversado? Meu fio diz que gosta do cheiro das ervas e desse terreiro – o que é uma verdade – mas o que fio não se vê é dobrando o corpo para prestar a caridade, deixando assim que seu Pai Preto também lhe traga lições para seu caminhar. Então meu fio, enquanto suncê não entender, nego veio vai continuar repetindo o conselho: faz caridade fio, faz caridade fio! Mesmo que tenha que arrepetir isso por muitas veis, pois água mole em pedra dura fio, tanto bate inté que fura. Olha fio! Eu tenho um compromisso moral com esse companheiro de Aruanda que te acompanha e te agaranto que não será de minha parte que não será cumprido. Pensa no que esse veio te falou e dispôs vem prosear novamente, pois o passo de veio é miudinho e devagarzinho, só tem uma coisa fio: o tempo corre e espero que suncê queira aproveitar enquanto tá desse lado de cá!

Aquele senhor se levantou da frente de negro Ambrósio sem dizer mais nenhuma palavra, seria preciso tempo para digerir tudo que ele tinha ouvido.

Oito meses se passaram depois daquela prosa, ninguém no terreiro tinha visto novamente aquele senhor na assistência.

Era 13 de maio, gira festiva de preto velho, os trabalhos tinham se iniciado. Negro Ambrósio olhava para a porteira do terreiro como se estivesse a esperar por alguém e assim cantarolava “acorda cedo meu fio, se com velho quer caminhar, olha que a estrada é longa e velho caminha devagar, é devagar, é devagarinho quem anda com preto velho nunca ficou no caminho”. Acostumados com a curimba os filhos da corrente repetiam os versos sem perceber que naquele dia a entonação estava mais dolente. Mais um filho de Zambi venceria uma etapa, mais um seria libertado.

E foi olhando para a porteira que negro Ambrósio viu aquele senhor adentrar no terreiro, com os olhos rasos d’água e de joelhos se postar assim dizendo: Vô Ambrósio se é verdade que tenho essa tal mediunidade aqui estou para aprender a fazer caridade, nesses 8 meses minha vida perdeu a alegria, relutei muito para chegar aqui novamente e não nego que fugi por vergonha se ainda houver tempo…

Aquele senhor nem chegou a ouvir a resposta do negro Ambrósio. Do seu lado já se encontrava um negro que de forma doce e amorosa assim falou: Meu fio a quanto tempo espero por esse momento, por esse reencontro. Vamos trabaiá meu fio nas bênçãos de Zambi e na fé de Oxalá!

Diante dos filhos daquela corrente, aquele homem branco, de olhos claros, quase translúcidos, alto, dava passagem nesse momento a mais um preto velho e foi curvando aquele corpo que se ouviu a voz da entidade assim dizer: Bendito e louvado sejam o nome de nosso Pai Oxalá! Saravá negro Ambrósio! Pai Joaquim das Almas se faz presente nesse Gongá!

– Saravá Pai Joaquim!

E daquele dia em diante mais um filho começava a sua caminhada. Mais um chegava a corrente da casa. Mais uma estrela passou a brilhar nos céus de Aruanda!

Saravá Preto!!!

Centro Espiritualista Caboclo Pery