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SER CIGANO DE CORAÇÃO


Quando se fala da Linha de Trabalho dos Ciganos na Umbanda, em geral ocorre um frenesi. De alguma forma, o modo de ser e viver do cigano quando encarnado, mexe com o mental das pessoas, as remete aos arquétipos de imagens livres, altaneiras, seguras e auto-suficientes.

As mulheres são decididas, belas, sensuais, nada em seu porte denota fraqueza, e ao mesmo tempo, elas emitem emoção, devotamento aos seus pares, aos seus filhos, aos chefes do clã, demonstrando disciplina e respeito.

Os homens, da mesma forma, demonstram seus amos ao espaço, à liberdade, uma vivacidade interna que transborda, ligados à ação, mas também tendo o pensamento rápido. Justiceiros por natureza, cultuam a Lua, a noite, as fogueiras. Tanto quanto as mulheres, são místicos e mágicos Amam seus cavalos com os quais compartilham a liberdade de ir de um lado a outro, percorrer as grandes distâncias que seus corações ordenam, buscando novos conhecimentos. Ao mesmo tempo, dedicados à família, a valorizam como pedra fundamental e toda razão de ser do Povo Cigano.

Na Espiritualidade, os ciganos cada vez mais abrem fronteiras e suas fileiras têm aumentado, onde se prestam voluntariamente a trabalhar na Linha de Trabalho do Oriente, em especial na Cura, mas também como orientadores diletos, quando a vida dos encarnados está muito embaralhada.

O(a) cigano(a) é misterioso(a) também no Astral. Pode ficar anos próximo de uma pessoa, sem que a mesma perceba. E se percebido(a), só responderá a questionamentos e pedidos quando lhe aprouver. Sério quando está trabalhando em demandas, não dará muitas explicações, não oferecerá ajuda a não ser que solicitada, mas presta auxílio inestimável quando irradia sua Força e Lucidez. Clareia as idéias de quem pede, afasta as mazelas e sombras, mostra caminhos antes escondidos e invisíveis. Traz a alegria ao coração de quem lhe acredita a existência, mesmo quando ele(a) próprio(a) tenha a feição triste, de quem viveu muito e muitas injustiças e misérias presenciou.

Os ciganos que se tornaram espíritos de Luz, tem grande conhecimento da Alta Magia e desmanche de todo tipo de trabalho, que é diferenciado do modo de atuar dos pretos velhos e caboclos da Umbanda, embora a eles se aproximem para agir com a mesma finalidade de limpeza do ambiente, neutralização de toda e qualquer má intenção e enviar os espíritos ignorantes a seus lugares convenientes.

Quanto a nós, encarnados, muitos e muitos sentimos um chamado interno muito forte, que ultrapassa a simples admiração pela natureza cigana, seu modo de ser. Na verdade, os ciganos que nos acompanham na espiritualidade resolveram despertar-nos para sua existência, se fizerem visíveis à nossa alma, algo mágico ocorrerá, como mágicos eles são, de alguma forma passaremos a ser também, Ciganos de coração, pois o coração é a Morada da Alma e da Emoção, e não esquece da memória um dia termos sido de fato, Ciganos.

Alex de Oxóssi

CENSO 2010


Estamos próximos do Censo 2010, pesquisa de ordem nacional, de formato quantitativo. Acredito, no entanto, que o que faz um homem se sentir vivo são suas convicções. E estas estão ligadas a sua relação com o ambiente (consciência ecológica), em relação aos outros (social), em relação aos direitos, deveres e ao Estado (política), além da relação à suas crenças (religião). Não se pode mensurar quantitativamente o que forma o caráter, a consciência e as atitudes de um cidadão.

Um povo sem segurança em suas convicções (de ordem qualitativa e não quantitativa), terá também ações inconsistentes e desarticuladas. Mais cedo ou mais tarde, cada indivíduo, para se sentir integrado, útil, consciente de sua razão de ser, deve conectar-se ao lugar que vive, às pessoas que lhes são afins e aos movimentos sociais que constroem no dia a dia da cidade onde nasceu, cresceu e vive. O relacionamento entre cidadãos deve ser harmonioso e verdadeiro, independente de cor, credo, posição social, partidarismos políticos ou religião. Assim deve ser o comportamento de cada um, a partir de um embasamento desses conceitos, a partir do seio de sua própria família.

Uma cidade é o microcosmo de um país, e seus indivíduos, unidos, agregam-se uns aos outros até chegar ao macrocosmo que é o país. Partindo desse princípio, espera-se que a obtenção de dados seja fidedigna por partes de cada cidadão, ao ser argüido neste censo que se aproxima.

Por outro lado, espera-se que as questões levantadas brindem o âmbito mais extenso possível de informações, havendo entretanto uma dúvida. De modo geral, a base de amostragem de 10% em uma população costuma dar um panorama aceitável. No entanto, precisaria aqui estar um matemático ou estatístico para comprovar através de fórmulas que para determinados itens, como conjuntos pequenos, para se ter uma visibilidade real, teriam que ser obtidos através de uma margem de confiança além destes 10%.

E além disso, para que determinadas informações, para se ter as filigranas como por exemplo, o retrato das religiões de nosso pais, para ser obter uma resposta, teria que se ter a pergunta. No entanto, será que a visibilidade das religiões será fidedigna? Pois a coleta das informações a esse respeito estará no Questionário de Amostra, um em cada 10. Será que matematicamente irá compor um quadro real?

Porque não foi inserida esta pesquisa no Questionário Básico? Não seria o caso de se providenciar isso para um próximo censo? Ou melhor ainda, será que não daria tempo, de providenciar que se fosse inserida essa simples pergunta nos questionários Básicos? Para se ter mais chances da contagem se aproximar do real?

Vejamos o resultado do último censo:

Distribuição percentual da população residente, por religião – Brasil – 1991/2000
Religiões ………………………………………. 1991 (%) ……….. 2000 (%)
Católica Apostólica Romana ……………….. 83,0 ……………….. 73,6
Evangélicas ………………………………………. 9,0 ………………… 15,4
Espíritas…………………………………………… .1,1 ………………….. 1,3
Umbanda e Candomblé ……………………… 0,4 ………………….. 0,3
Outras religiosidades …………………………. 1,4 ………………….. 1,8
Sem religião ……………………………………..  4,7 ………………….. 7,4

Fonte: IBGE, Censos Demográficos 1991/2000.

Sendo esta uma pesquisa quantitativa, o foco na obtenção dos dados está diretamente relacionado com o objetivo do pesquisador. De acordo com a investigação dos resultados, as referencias cruzadas dos dados gerais com as religiões, obtiveram informações quanto:

a ) escolaridade ( número de anos de estudo) X religião
b) poder aquisitivo X religião

Creio que fica faltando algo para nós, que queremos mostrar que há mais umbandistas do que aparecem nas estatísticas. Nós, que amamos nossa religião, legitimamente brasileira, pensamos que o FOCO enquanto obtenção deste quesito RELIGIÂO, deveria ser mudado. A pesquisa mostra que os espíritas são os de melhor poder aquisitivo e mais alta escolaridade. Então, eu “ganho pontos” se me colocar como espírita em vez de umbandista? Será que as pessoas escolhem a religião pensando nisto? Em se tornarem potencialmente mais cultas e ricas?

Ou deveríamos adicionar alguns subitens que fizessem entender PORQUE a pessoa faz parte de uma crença religiosa? Como por exemplo:

a) A religião melhorou sua vida?

b) A crença numa Lei de Ação e Reação reforça e corrige o caráter das pessoas

c) A religião proporciona mais equilíbrio e estabilidade emocional

d) A religiosidade é inerente ao ser humano, assim como o ateísmo e agnosticismo é uma atitude do intelecto contra esta tendência inata

Poderíamos fazer uma lista extensa de itens, mas o pouco mostrado acima, muda completamente o paradigma RELIGIÂO, dentro de um Censo demográfico , onde os pesquisadores estatísticos deveriam fazer um intercâmbio transdisciplinar com as Ciências Humanas e Ciências Sociais, fornecendo magnífico material para muitas e muitas pesquisas sobre a natureza humana, suas atitudes, relações com o meio e sobre sua natureza imaterial.

É preciso que mostremos que ultrapassamos a fase do cartesianismo, e a pesquisa qualitativa é necessária e tão digna de respeito e credibilidade quanto qualquer outra. O aspecto RELIGIÂO tem de ser mais enfatizado, pois muito das atuais atitudes da sociedade podem estar veiculados à presença ou ausência de uma FÉ.

Portanto, convido, através deste modesto texto, a todos os umbandistas, já que umbandista sou e minha religião é a que devo defender, a refletirem sobre os MOTIVOS que devemos expressar nossa religiosidade num Censo de proporções continentais como este, e solicitarmos de forma enfática, para que possamos no questionário básico assinalar ao menos nossa religião, e se possível acrescentar os porquês, com a certeza que as informações enriquecerão sobremaneira os dados de um, país rico de religiosidade em sua própria natureza e cujas peculiaridades são muitas vezes relacionadas à sua Fé e Crença em algo mais que um simples cotidiano material.

Tentando explicar:

O QUE É QUESTIONÁRIO BÁSICO E QUESTIONÁRIO DE AMOSTRA (segundo o IBGE)?

QUESTIONÁRIO BÁSICO: é o questionário com MENOR numero de quesitos, onde serão registradas as características do domicilio e de seus moradores na data de referencia, e será aplicado na MAIOR parte do Território Nacional.

QUESTIONÁRIO DE AMOSTRA: é o questionário com MAIOR numero de quesitos, onde serão registradas as características do domicilio e de seus moradores na data de referencia, e será aplicado APENAS nos domicílios selecionados para amostra.

PODEREI ESCOLHER O QUESTIONÁRIO A RESPONDER?

Não

O RECENSEADOR É QUE ESCOLHE O QUESTIONÁRIO QUE IREMOS RESPONDER?

Não

O IBGE É QUE ESCOLHE O QUESTIONÁRIO QUE IREMOS RESPONDER?

Não, é o programa do IBGE é que escolhe.

EM SUA RUA…

Caso em sua rua tenha 90 domicílios, apenas 9 irão responder a pergunta “QUAL É A SUA RELIGIÃO?”

COMO FIQUEI SABENDO DESTA INFORMAÇÃO?

Sou um dos possíveis Recenseadores do IBGE e digo possível, pois mesmo tendo passado no concurso ainda irei ter que passar em uma avaliação que irá acontecer nesta segunda-feira (26/07/2010).

Deixe aqui sua pergunta ou seu comentário…

O MÉDIUM E O XAMÃ


Diz-se que todos somos médiuns, mas apenas alguns desenvolvem esta propriedade do espírito, de ser intermediário entre os planos astrais, de entidades humanas não encarnadas. Algumas poucas vezes mesmo, o médium pode trazer mensagens de encarnados em condições especiais, de sono, desdobramento ou coma. E é necessário sempre muito estudo quanto ao animismo, ao manifestar-se parte de sua própria história, enredando-se na própria história através das barreiras do tempo/espaço, hoje vistas de outra maneira pela física quântica. Mas, não estamos falando disso aqui.

Voltemos aos médiuns. Alguns desenvolvem sua mediunidade por missão, outros, a maioria, por obrigação, para resgatar antigos erros, atrasos, contingências várias, que ao compreender sua importância na atual encarnação, assumem a tarefa na medida do possível, desdobrando-se entre a luta diária no mundo físico, com seus percalços, alegrias, deveres, acontecimentos inesperados, mais ou menos bons, tentando sobejamente equilibrar-se no humor, nos ímpetos, nos pensamentos, treinando a cada instante a compreensão, a humildade, a persistência, a força individual e também dedicando-se ao mundo espiritual, quer no centro espírita, no terreiro de Umbanda, ou apenas no seu lar, onde estabelece um pequeno santuário para esta comunicação entre mundos, “pilotando” seu instrumento de trabalho, o corpo físico, e sob as influências diversas que vêm do Mundo Maior, de acordo com sua escala vibratória, suas afinidades, necessidades, intenções. Em geral, o médium , findas as manifestações em parceria com os espíritos, dá-se por satisfeito e vai cuidar de outras lides.

Porém, o ser humano encarnado é um dínamo acumulador, produtor e emissor de energia em tempo integral, independente de estar irradiado ou dando passagem às entidades de Luz que vem trabalhar na Caridade. Esta energia poderá ser manipulada com foco e objetivo, naqueles que percebem que possuem uma missão ainda mais extensa, onde é preciso adequar a vontade e direcionar a mente. Esse trabalho, realizado a partir das próprias forças, poderá ser usado também em prol do auxílio ao próximo, com finalidades curativas, de reequilíbrio. Pode ir a grandes alturas e distâncias, levar amparo e conforto, ou mesmo uma mensagem, ou fazer companhia apenas, dar proteção. Estas práticas já não estão inclusas nas características do médium, mas podem ser consideradas artes xamânicas, usadas milenarmente, mas mais conhecidas culturas, como a dos celtas, rosacruzes, ameríndios como os navajos, sioux (ou índios Lakota), dakotas, entre as lendas africanas, e também em nossos indígenas, os guaranis e os tupinambás.

Os xamãs estão em contato com as Forças da Natureza e as suas próprias, harmonizando-se com os quatro elementos (ar, terra, fogo, água), captando, emanando, trocando, e essa nada mais é que a Magia que tanto falam.

Os xamãs também usam com freqüência, animais de Poder, espíritos não humanos protetores e guardiões. A mitologia dos índios brasileiros e ameríndios, absorvida pela Umbanda, cita a pantera, o lobo, o tigre, a cobra, a águia, entre outros, e isto nada mais é que uma forma de Força, instrumentos de auxílio que trabalham com as entidades da Umbanda. Cada animal de Poder traz sua essência espiritual, e através dela, cada um com seu próprio modo de vida, sua forma de curar. Menos frequentemente, teremos também espíritas citando esta referência, mas na verdade, é que isto tudo não é fantasia, pois tem a comprovação, através dos depoimentos de médiuns clarividentes.

Nem todo médium se tornará um xamã, se não quiser, mas ele só o será, médium e xamã, e junto de si seus animais de Poder, se tiver uma herança ancestral, o que facilitará os vôos de mente e espírito, quê serão idealmente cumpridos se forem em prol do Amor e Caridade.

Alex de Oxóssi

Condomínio Espiritual


A expressão “Condomínio espiritual” tem sido utilizada dentro do Espiritismo por autores diversos, e que a ciência oficial diagnostica como um distúrbio psíquico denominado “Personalidades Múltiplas”, condenando por certo muitas pessoas a pesados tratamentos, mesmo internações em hospitais psiquiátricos. Foi muito comentado na década de 60, devido ao filme “As três faces de Eva”, e anos depois, na década de 80, Hermínio Miranda se aprofundou mais, nos livros “Condomínio Espiritual” e “Diversidade dos carismas” (I e II), onde relata a mediunidade de Rita, desde seus primeiros passos, com as dificuldades, suas experiências, evolução e esclarecimentos.

Significa que o médium, por algum motivo, permite abrigar uma variedade de espíritos desencarnados, ou dá a eles passividade inconsciente. O fato é considerado uma obsessão complexa, em muitos casos, difícil de ser resolvida, pois se aproxima da possessão, onde o encarnado que vivencia o processo, altera alternadamente de comportamento, mudando seu jeito de ser, sua personalidade, o que prejudica sua vida cotidiana. Diz-se então que são numerosos seus obsessores, e que eles devem ser afastados da pessoa o quanto antes, e hoje grandes escritores sob o tema obsessão têm escrito, entre eles Robson Pinheiro, abordando o fato que são instalados aparelhos no perispírito do médium, aparelhos estes cada vez mais sofisticados, chegando em alguns casos, não ser mais possível desatrelar espírito e encarnado, sob risco de morte para este último.

Não são poucos os casos, e na verdade, dificilmente um ser humano encarnado no nosso orbe, tão cheio de miasmas e poluição mental, não está cercado de obsessores, assediado a todo instante por desvios e interferências várias.

Porém, se observarmos sob o viés da Umbanda, vemos médiuns iniciando seus passos, trazendo em sua coroa, não obsessores, mas espíritos desalinhados com a atualidade, caboclos do fundo da mata, exus sofredores começando sua caminhada de Luz, orientais pouco afeitos a nossa linguagem, espíritos familiares ainda sofrendo as saudades… Não podem absolutamente ser considerados obsessores, não querem mal algum ao médium. São humanos como nós, prosseguindo na caminhada, despidos de seus envoltórios físicos. Que podem não ter tanto esclarecimento quanto outros, já no Saber e na Luz, e que vão caminhar ao caminharmos, vão cair quando cairmos, vão nos sustentar na dor, mas precisarão também ser sustentados. Serão amigos, nunca inimigos, ás vezes com ações parvas, no início, rudes, talvez, mas com orientação e nossa atenção e esmero, prosseguirão, mesmo nos superando por estarem mais libertos.

Devemos então estar atentos, pois o joio nem sempre será joio, nem o trigo será sempre trigo. Precisamos nos conhecer profundamente, reconhecer sinais de perigo, influências, imposições, desvencilharmo-nos quando houver tentativa de engano e perturbação, reposicionando nossos pensamentos. Se temos conosco, em nossa coroa, aqueles que ainda precisam de equilíbrio, não é esconjurando e exorcizando que conseguiremos ajudá-los. Não é tendo medo, aversão, fingindo que não existem, pois ele se manifestarão de qualquer modo, em condições melhores ou piores. Temos de assumir a responsabilidade, buscar o equilíbrio. O equilíbrio não é estar parado, imóvel, é ser flexível, buscando sempre novos pontos de apoio, num eterno movimento ao galgar a enorme montanha da evolução.

Para finalizar, um pensamento da grande espiritualista que foi Annie Besant

“Quem quer que se determine a levar uma vida espiritual, tem que dedicar diariamente algum tempo a meditação. Antes, se poderia manter a vida física sem alimento do que a espiritual sem meditação. Os que não possam dispor de meia hora por dia durante a qual se abstenham do mundo e sua mente receba uma corrente de vida dos planos espirituais, estão incapacitados para levar uma vida espiritual “.

Alex de Oxóssi

Etimologia do Vocábulo Umbanda


Retirado do livro “O que é Umbanda”- Dr.º Armando Cavalcanti Bandeira- Ed. Eco – 1970

O desenvolvimento etimológico do vocábulo UMBANDA, por parte de muitos no Brasil, e as falhas da maioria dos nossos dicionários, geraram confusões e controvérsias, pretendendo cada um dar a sua explicação, sem haver base concreta real. Entretanto, o termo sempre existiu e faz parte integrante da língua Quimbundo, como de muitos dialetos bantos, falados em Angola, Congo, Guiné, entre outros; basta consultar qualquer gramática ou dicionário relativo a essa língua, ou verificar as muitas citações na literatura.

O Quimbundo é uma das línguas com predominância em grande área da áfrica, como se pode verificar pelos estudos do Prof. Malcom Guthrie, da Universidade de Oxford, em seu livro editado em 1948, “The classifications of the Bantu Languages”, que delimitou precisamente a área geográfica e a influência local de cada grupo lingüístico banto, particularizando a zona inglesa no livro “The Bantu Languages of Western Equatorial África”, 1953, permitindo um melhor agrupamento da distribuição geográfica em Angola.

A língua geral dos angolanos é conhecida, também como angolês e bundo, continuando com outras semelhantes como o Quicongo ao Norte, Quioco e Lunda no Leste, e Umbundu ao Sul, oferecendo dois tipos definidos: o tipo de Luanda e o tipo de Ambaca,a que se refere José L. Quintão,e por influências portuguesas na catequese, comércio e governamental como nação colonizadora, sempre foi estudada e vários livros foram publicados.

Surgiu em primeiro lugar um catecismo do Pe. Paconio em 1643, reeditado em 1661 e 1784, sendo a primeira gramática e vocabulário de autoria do Frei Bernardo Maria de Cannecatim publicados em 1859, referentes às línguas bundo e congolesa. Entre outros, seguiu-se Wilhem Bleck, com vocabulário e gramática nos anos de 1862 e 1869, adotando o nome geral de línguas bantos.

Frei Cannecatim, no seu livro constituído de três partes, sob o título genérico “Coleções de observações gramaticais sobre a língua bundo e congolesa” e os dicionários que as integram, registram apenas: “Quimbanda – o impotente na língua bundo e Umbanda – barrete, nas línguas bundo e congolesa. Entretanto, nos dá as classes e as derivações dos nomes, que se acham melhor explicados em livros atuais.

Ora, o nome é comum na áfrica centro e sul, zona banto, e até na Guiné Francesa, constando perfeitamente audível três vezes no disco: Afrique – musique dês revenants, Collection du Musée de l´homme, França.

Deve ser registrado que há cerca de 34 anos, Arthur Ramos já escrevera “Linha de Umbanda”, dizem ainda os negros e mestiços cariocas, no sentido de prática religiosa, embora outros nos afirmassem que Umbanda era uma nação, e alguns, um espírito poderoso da nação de Umbanda. Nada conseguimos esclarecer, nesse particular, como nação ou tribo nos dicionários corográficos portugueses e alguns livros sobre as colonias portuguesas na áfrica. É possível que o informante tenha feito confusão com Quimbanda, povoação classificada no conselho de Malange, situada na área do post Sede, pertencendo à Arquidiocese de Luanda e fazendo parte do Socabo, conhecido pelo nome do Soba respetivo – Mucajé-ia-Quimbanda. Como consta do livro Império Ultramarino português, 1952, volume III.

Não sendo de todo impossível, como alguns pensam, e outros opinaram no 1º Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda, em 1941, que a origem remota repouse no orientalismo iniciático oriental, no qual o “mantra” AUM – BHANDA representa alto significado em sentido divino.

Sabemos que pelos contatos havidos, através do Egito ou da Índia, não é inverossímel que tivesse penetrado nas terras africanas, e em aculturações posteriores sofresse modificações, tanto no sentido inicial como na prática, dando o surgimento do radical banto mbanda, na formação lingüística dom termo quimbundo Umbanda, ligado às práticas religiosas de ocultismo mágico e tratamento dos membros das tribos em seus padecimentos, sendo uma ponte para a sua continuidade em terras brasileiras, como um culto em parte africanizado, pelas modificações dos séculos que se sucederam.

Outro fato deve ser ressaltado; é que Edison carneiro no livro “Religiões Negras”, afirma que ouviu o vocábulo quimbanda na mais legítima pronúncia banto, também na Bahia, a que não constitui fato inédito, pois já tivemos oportunidade de ouvir cânticos religiosos do ritual gegê, na Bahia, o que não constitui fato inédito, pois já tivemos oportunidade de ouvir cânticos religiosos do ritual gegê , na Bahia, nos quais a palavra umbanda é perfeitamente pronunciada.

Tem havido, sim, muita confusão entre os termos umbanda e quimbanda, inclusive nos significados.

Não deve essa expressão, em Quimbundo, ser confundida com feiticeiro, pois designam funções diferentes, enquanto o curandeiro é o Kimbanda, o feiticeiro é o Muloji, e vale como uma precisosidade a palavra do Cônego Antonio Miranda de Magalhães, que viveu muitos anos em Angola e publicou o livro “Alma Negra”, editado em Lisboa, no qual afirma que o mezinheiro, preparador de ervas, não deve ser confundido com o feiticeiro.

Há uma expressão, em quimbundo, que define muito bem a diversidade funcional:
O KIMBAND ` EKI KI MULOJI É
Este curandeiro não é feiticeiro

Para ilustrar referimos outra frase interessante:
NGEJIAMI UMBANDA
Conheci a arte de curar.

Desde o século passado, em 1894, que Heli de Chatelain, sem seu livro “Folktales of Angola”, registrava o termo do mesmo que hoje escrevemos, e mostrava a sua derivação gramatical e significado, como encontramos em qualquer dicionário KIMBUNDO, como grafam os portugueses, assim, nada há de mais claro e positivo.

Etimologicamente do verbo KU BANDA deriva, pela substituição do ´prefixo Ki da 3ª classe, o substantivo KI MBANDA, o qual significa em Angola: curandeiro, médico ocultista.

Sendo este substituído pelo prefixo U, forma um nome abstrato o qual designa arte ou ofício: U MBANDA, arte de curar, ofício de ocultista.

Está assim esclarecida a origem etimológica, embora haja controvérsias entre os estudiosos do Quimbundo, quanto ao significado do termo KUBANDA, pois, conforme as diferenças de pronúncias, altera o conceito original, em Angola, mas podemos afirmar em síntese:

UMBANDA –
TERMO DA LINGUA QUIMBUNDO, COMUM A VÁRIAS TRIBOS E DIALETOS ESPECIALMENTE ENTRE OS Umbundos, e segundo o etnólogo PE. Carlos Estermann (Etnografia do Sudoeste de Angola) “é bastante usado entre os Nhaneka-Umbi e igualmente conhecido pelos Cunhamas embora nestes com menos freqüência em seus cultos; entretanto não se restringe a Angola, pois, é encontrado na Guiné nos cânticos de invocação espiritual. Abrange alguns significados semelhantes; arte de curar, magia, (Pe. Domingos V. Balão- O Kimbundo sem mestre) e J. Cordeiro da Mata – dicionário Kimbundo- Português).
…bruxaria, magia, arte ou magia de encantar (A. de Assis Junior- Dicionário Kimbundo Português)
…ciência médica ou ciências médicas; originando-se de KIMBANDA médico (Pe Antônio da Silva Maia – Lições de Gramática de Quimbundo).
….arte de curar originando-se do verbo KUBANDA, subir de onde deriva o vocábulo KIMBANDA, curandeiro, do qual resulta o substantivo UMBANDA (José L. Quintão- gramática KIMBUNDO).

O etnólogo e historiador Oscar Ribas ( do Museu de Angola, em “Ilundu”, “Missosso”), define como ciência de quimbanda, referindo sobre a origem quanto ao termo KUBANDA, suponho tratar-se do verbo “subir” pois o espírito segundo a concepção local, vem de baixo para cima, e não de cima para baixo, como os espíritas.

A etnologista Ana de Souza Santos, do Instituto de Investigação Científica de Angola, em estudo detalhado sobre esse vocábulo, refere: “ Se na combinação de regras gramaticais se pode aceitar o modo como se articula o prefixo e radical de “Kubanda” para resultar “KIMBANDA” , e a relação desses vocábulos com “umbanda” tal como apresenta Cavalcante Bandeira, de acordo com o que preceitua José L. Quintão , a verdade é que em razão funcional e etimológica do termo “Kubanda” tal ligação deve ser rejeitada. Por isso, diz muito bem o autor: “Não podemos entender a modificação de sentido por falta de relação direta ou indireta da palavra “banda” que hoje na concepção usada não tem qualquer relação com o Quimbanda. De fato, o termo “kimbanda”(quimbanda), a nosso ver não derivou de “Kubanda”, subir, galgar, mas certamente de “kubanda” (note-se que há variações e pronúncia) consertar, remendar. Ora, visto uma das funções do curandeiro ser exatamente a de consertar os males físicos dos mortais, e muito natural que dali proviessse sua origem, ou então de “Kubanda”, sinônimo de prescrever, visto que receita, aconselha, prescreve, etc….mas há mais.também ao verbo “kubanda” é atribuído o significado de desvendar. Outorgando-se à missão do “kimbanda” cuidar do mistério das enfermidades psíquicas que, como se sabe, para isso, esse agente recorre às cerimônias de adivinhação, assim se estabelece mais uma relação entre “Kubanda” e “Kimbanda”. Quanto à “kubanda” ( ou banda) com o significado de subir, só aparece em toda a atividade de “kimbanda” e em práticas religiosas ou mágicas religiosas ( pelo menos dentro do que temos conhecimento durante as sessões dos “ilundu” (espíritos), quando o médium começa a entrar em transe, mas só no sentido de incitamento e aplauso. Com respeito ao vocábulo “umbanda”, se ele não pode servir para rotular um culto africano, como muito bem salienta Cavalvanti Bandeira, pode-se admitir que entre os bantos ele seja como que uma convergência de elementos culturais religiosos. Em Luanda, tem a “umbanda” ainda hoje uma feição característica apreciável como expressão de um processo ritualista orientado por uma entidade – a mãe de umbanda – (Many ia umbanda)- ou pai de umbanda (Pai ia umbanda), conforme for osexo feminino ou masculino . Modernamente há nesta sociedade quem traduza essa expressão por madrinha ou padrinho.

Podemos, assim, no Brasil, tentar uma definição : A UMBANDA É UM NOVO CULTO BRASILEIRO DO SÉCULO XX, PROVIDO DO SINCRETISMO RELIGIOSO DE PRÁTICAS E FUNDAMENTOS CATÓLICO-BANTO-SUDANESES, APRESENTANDO ALGUMAS FUSÕES AMERÍNDIAS E ORIENTAIS, COM OBSERVÂNCIA DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, CONSTIRUÍDO DOS PLANOS ESPIRITUAIS EVOLUTIVOS PELA REENCARNAÇÃO.

Em síntese: A UMBANDA É UM CULTO ESPÍRITA BRASILEIRO, COM RITUAL AFRO-AMERÍNDIO, ENRIQUECIDO COM ALGUMA LITURGIA CATÓLICA.

Como aliás, definia poéticamente o profundo conhecedor dos cultos, Fabico de Orunmilá:
“A UMBANDA É UM CULTO ESPÍRITA RITMADO E RITUALIZADO”

Autodefesa e Proteção contra Energias Negativas e Maléficas


Omolubá

A maioria de nós vive uma vida cheia de problemas angustiantes e atormentada por situações confusas e complicadas que tanto nos fazem sofrer.

Além dos conflitos com os outros (o marido, a mulher, o patrão, o empregado, o colega…) e das ameaças que recebemos de todos os lados, a simples preocupação com as doenças, com o aperto financeiro, etc. , assim como, também o medo da inveja, das traições e todas as formas de agressão de que podemos ser vítimas – tudo isso produz em nós uma tremenda perda de energia, física e psíquica.

Essa é a causa do estresse em que inevitavelmente caímos.

São esses “buracos” na camada áurida e na sinergia orgânica e psíquica que nos tornam vulneráveis às influências maléficas que impregnam a atmosfera psíquica do nosso planeta – especialmente em certos locais e regiões.

E sem saber e sem querer, acabamos mensageiros e agentes de toda essa miséria humana, resultante do generalizado viver egocêntrico- miséria individual e coletiva.

Na maioria das vezes, nem sabemos como nos proteger contra tudo isso e tornamo-nos alvos fáceis de toda espécie de fluidos negativos (emoções e pensamentos malignos) que circundam em torno de nós e, o que é pior, que emanam também de nós.

O objetivo deste capítulo é justamente alertar você, cara leitora ou leitor. Sobre toda essa realidade oculta e fornecer elementos que o ajudem a tornar as precauções necessárias para se defender.

“Mas o que podemos fazer para nossa autodefesa?” é o que você naturalmente me perguntará.

E a resposta simples e direta é esta: cuidar do corpo.

Desse modo, em vez de aumentarmos a desordem, os conflitos e a maldade que saturam a atmosfera psíquica da sociedade em que vivemos, podemos contribuir para nos harmonia que concorram para limpar e purificar o ambiente de todos nós.

Mas, para cuidar do corpo, nesse sentido particular, precisamos saber que, na realidade, não somos um corpo, mas temos um corpo.

E, na verdade, não temos só um corpo, mas três corpos que se interligam tão profundamente, que formam uma unidade, que funcionam como um só:

– o corpo físico – com sua contrapartida etérica;
– o corpo emocional ( ou “astral”) – das emoções, dos sentimentos, etc.
– o corpo mental – dos pensamentos.

E o que se passa em um repercute inevitavelmente nos outros.

Daí a importância de aprendermos a lidar com cada um deles indistintamente e com todos eles em conjunto.

No momento em que sentimos harmonia e paz interior, começamos a criar vibrações capazes de, pelo menos, neutralizar, de alguma forma, o clima de perversão, violência e crueldade que empesta o mundo dos pensamentos e das emoções da sociedade em que vivemos.

É assim que podemos trabalhar por um mundo melhor.

Sua autodefesa e proteção psíquica estão apoiadas nos seguintes procedimentos:

1- Banhos de “descarrego” e vitalização;
2- Defumações de “descarrego” e energização;
(…)

A criatura humana é constituída de três corpos: o corpo físico e etérico (sendo que este último sobressai 5 cm ao primeiro, formando a aura em torno do corpo físico), o corpo emocional ou astral,localizado no coração, e o corpo mental, sediado no cérebro.

Todos os malefícios dirigidos a alguém, até mesmo por meio de um olhar carregado de raiva, desprezo ou inveja, causam distúrbios psíquicos temporários, como : mal estar, enjôo, sonolência, nervosismo, pequenas desavenças sem justa causa com pessoas conhecidas ou não, desânimo e entorpecimento corporal.

Já os “trabalhos de magia” ocasionam, via de regra: dores de cabeça, brigas familiares, afastamento entre parentes, amigos e sócios, perda inexplicável de emprego, maus negóocios, impotência sexual, separações amorosas, acidentes de carro, conflitos no relacionamento em geral, perda da saúde e outras anormalidades que subvertem a rotina vivencial e a alegria de viver de uma criatura comum.

Tecnicamente, o processo é sempre o mesmo: a energia inferior, negativa, virulenta, atinge primeiro o duplo etérico da pessoa visada, segue adiante e contagia o corpo astral que devolve imediatamente a negatividade para o corpo físico, provocando disfunções orgânicas e emocionais. Em alguns casos, proporcional à “força do trabalho” executado, a energia lodosa assedia diretamente o corpo mental, produzindo mórbido bloqueio da tela neuronal do cérebro, impedindo, daí por diante, o raciocínio e a concatenação dos pensamentos sadios que até poderiam dar solução sensata e adequada à agressão oculta e covarde. Enquanto isso, acumulam-se os males e os problemas decorrentes da perda da saúde sem causa aparente, levando, de roldão, a vítima ao desespero, inconformação aos familiares e tirando a expectativa dos amigos e conhecidos.

Em alguns casos, e não são poucos, a perversidade completa-se com a morte trágica do enfeitiçado, tragado impiedosamente pelas energias deletéricas a seviço de alguma personalidade inimiga, sorrateira e cruel.

1. Banhos de descarrego e vitalização

A finalidade precípua do “banho de descarrego” é limpar, higienizar única e exclusivamente o corpo etérico do indivíduo, retirando sujeira, nódoas e larvas astrais que não são vistas pelo olho físico do homem comum, sendo, contudo, evidentes e visíveis ao sensitivo treinado e capaz.

Antes de tomar o “banho de descarrego”, torna-se necessário, em primeiro lugar, o banho físico, incluindo a cabeça. Esse banho, deve ser com sabão neutro à base de glicerina. Essa limpeza deve ser feita no quarto minguante. Em casos de urgência, na lua nova, nunca porém, em outras fases da lua.


Descarrego

O “banho de descarrego” deve ser realizado com água morna da cabeça aos pés, seja um simples banho de sal grosso, seja de ervas específicas para essa operação. Aqui vão algumas plantas verdes, fáceis de encontrar com os mateiros ou nas casas do ramo: folha de pitanga, desata-nó, vence demanda, catinga de mulata, cordão –de-frade, velame, acácia, amendoeira, vassourinha-do-campo, vassourinha-de-relógio, guiné-pio-pio, aroeira e outras tantas do mesmo teor, próprias para o expurgo etérico.

Não é necessário usar mais do que duas ervas em cada banho. Pode-se, também, adicionar um punhado de sal grosso, capacidade para cinco a sete litros dágua, ali permanecendo por cinco horas. Ao banhar-se, acrescentar um pouco de água quente. Após o banho, o paciente não deve enxugar-se. Beber alguns copos de suco de fruta natural ou leite morno, sem açúcar nem adoçante. Para completar, procurar o leito por algumas horas ou dormir até o dia seguinte.

Vitalização

O “banho de vitalização” só deve ser tomado uma ou duas semanas após o “banho de descarrego”. Usa-se também escolher duas ervas dentre as diversas que logo adiante indicaremos para esse fim. Queremos ressaltar, contudo, que esse banho só traz efeito salutar quando realizado no quarto crescente ou na lua cheia, para que haja a devida absorção e elevação do tônus vital dos três corpos.

É preferível que essa operação seja realizada à noite.

Queremos enfatizar que o “banho de vitalização” só deve ser tomado após o “banho de descarrego”; caso contrário, não terá qualquer efeito; será ineficaz e até incoveniente. É como usar perfume em corpo suado e sujo; vira catinga. Torna-se também necessário o banho normal com sabão neutro antes de qualquer banho ritualístico.

Eis algumas ervas verdes, próprias para a vitalização físico-etéreo-astral-mental: manjericão, alevante, colônia, folha e flor de girassol, folhas e amêndoas do cacaueiro, iburana, sálvia,dracena, oriri, jásmim, espada-de-ogum, espada-de-iansã (borda amarela), açoita-cavalos, umbaúba-prateada, entre outras. Que sejam usadas verdes e não secas.

Observar o mesmo rito do banho anterior: ervas maceradas durante cinco horas; no momento do banho, adicionar um ou dois litros de água quente; banhar, lentamente, todo o corpo, da cabeça aos pés; mentalizar a ação vivificante da água; não enxugar o corpo e, finalmente, após ingerir alguns copos de suco de furta natural ou leite morno, sem açúcar nem adoçante, descansar e dormir.

Com a maceração das folhas destinadas ao banho, a água se torna esverdeada e um tanto pesada. Após o preparo do banho, as folhas trituradas devem ser retiradas, embrulhadas e jogadas no lixo no dia seguinte.

2. Defumações – Descarregos e energização

A defumação consiste na queima de sementes, raízes, folhas, cascas secas e outros elementos que se desintegram na queima sobre carvões em vasilhame próprio.

A defumação de “descarrego” pode ser efetuada em todas as fases da lua, portanto, diferente de outros atos ritualísticos ou higienizantes. O fogo, ao ar e a terra são elementos que contribuem para a “limpeza” dos fluidos agressivos que existem não só no ambiente etérico-físico, como também na aura das criaturas humanas, e até mesmo, na dos animais de estimação.

A concentração energética dos vegetais se expande e sutiliza em ondas odoríferas pela combustão, destruindo larvas e nódoas astrais que ficam agarradas nos tetos, paredes, cantos, móveis, tapetes,etc. do ambiente contaminado, assim como também, na contraparte etérica do corpo humano.

Segue, para o leitor, a receita de um “defumador de limpeza”, cujo preparo está ao alcance de todos. Serve para residência ou estabelecimento comercial. Evidentemente que serve, também, para você mesmo ou para alguém necessitado de tal providência.

Ingredientes:

Casca de alho – 8 punhados
Casca de limão seco – 6 punhados
Cânfora- 6 tabletes( ou 4 punhados esfarinhados)
Incenso – 10 punhados
Casca de fumo de rolo – 6 punhados
Folha seca de amendoeira – 10 punhados ( triturados)
Enxofre- 2 punhaos ( esfarinhados)

Como proceder:

Junte e misture tudo. Essa porção serve para um ambiente de cinco compartimentos. À medida que o carvão do turíbulo vai ardendo e queimando, adicionam-se punhados dessas substâncias em cima do braseiro.

Deixar um vasilhame com água em cada compartimento enquanto se processa a defumação. Outra providência sensata é ao gente da defumação usar chapéus ou um pano enrolado na cabeça para proteger os cabelos dos miasmas que caem, a roupa que estiver usando deverá ser considerada roupa suja após a defumação. A água das panelas que foram distribuídas pelos compartimentos deve ser “ despachada” em água corrente das pias ou pelo vaso sanitário.

O rescaldo do defumador deve ser apagado com a´gua, embrulhado e jogado no lixo. Depois da “defumação de descarrego”, o defumante deve beber de um a dois litros de suco de frutas. Não utilizar refrigerantes engarrafados, açúcar nem adoçante.

Energização

É necessário o uso de bons produtos no preparo do “defumador de energização”. As substâncias de natureza mineral e vegetal deverão possuir latência de energismo integrado em todos os sentidos. Apadrinhados pelo solo, água, ar e mais força energética do sol, na proporção adequada, propagarão suas propriedades específicas no braseiro, e dessa forma, encherão o ambiente (habitação ou loja) e a aura dos necessitados de energia radiante.

Essa defumação libera, pouco a pouco e com largueza, toda a potencialidade dessas substâncias envoltas na fumaça aromática. É ela que cria um clima agradável, saudável e cheio de energia, para o ambiente e para as criaturas envolvidas no enredo místico e benfajezo.

Após o “defumador de energização”, você se sentirá num estado de calma para enfrentar os embates do cotidiano, pejado de ambição, deslealdade e hipocrisia.

A fase lunar própria para esse tipo de defumação é o quarto crescente e a lua cheia.

Antes de passarmos para a receita do “defumador de energização”, convém alertarmos os usuários que tanto um ambiente físico como a aura humana só podem ser devidamente energizados ou vitalizados após duas ou três semanas da “defumação de descarrego”. Primeiro, “limpar”, depois, “energizar”, a fim de atrair fluidos de boa sorte e vitalidade psíquica.

Agora, uma receita simples, entre outras, mas de grande poder energético:

Casca ou bagaço de cana seco- 5 punhados (triturados)
Mirra e alecrim- 8 punhados
Folhas , flores e sementes de girassol – 6 punhados (triturados, de preferência, secas)
Folhas de eucalipto secas- 5 punhados
Cravo da índia e folhas secas de louro – 5 punhados
Almíscar ou âmbar – 4 punhados

Após a defumação de todo o ambiente, deixar o defumador queimam do por uns vinte minutos até o fim. Antes, durante e depois, beber bastante suco de fruta natural.

A validade da defumação desse tipo depende das circunstâncias ambientais. Num lar habitado por pessoas equilibradas, de boa índole, a validade é de até oito meses ou mais. Num estabelecimento comercial, não passa de quatro meses. Muito menos nos botequins e lugares onde haja consumo de álcool e prática de jogo. São pensamentos incontidos que ocasionam a sujeira do ambiente.

Retirado do Livro: “ Maria Molambo na Sombra e na Luz” – Omolubá

Sou médium de Umbanda e acredito.


Algumas pessoas podem não concordar comigo ou mesmo não acreditar em minhas palavras, porém somos aquilo que acreditamos e assim decidimos o nosso caminho.

Eu acredito em Deus, eu acredito em Jesus Cristo, eu acredito nos Orixás da Umbanda, eu acredito no Mentor Espiritual que me guia e nos Guias Espirituais de Umbanda que utilizam minha mediunidade, eu acredito na Umbanda, por isto as decisões que tomo em minha vida são baseadas no meu entendimento que sem Eles participando constantemente no meu caminhar e que sem um ajuste diário em minhas atitudes, pensamentos e sentimentos, conforme a mensagem de Jesus, além de estudar continuamente buscando a Verdade que Ele trouxe, esta minha vida seria como um navio perdido, sem bússola em um oceano desconhecido.

Eu acredito que minha mediunidade não é missão, mas sim parte da depuração de meu espírito que escolheu este caminho para que eu como encarnado, pudesse amenizar o meu carma e também através da caridade que recebo do Alto Astral, crescer moralmente e espiritualmente. Este foi o caminho que meu espírito escolheu para poder passar por esta encarnação apoiado pelos Bondosos Espíritos que tanto me amam e oram para que eu supere as tentações da carne e aprenda que tudo passa.

Pois realmente tudo passa, alegrias, tristezas, dificuldades, doenças, entre tantas outras experiências, pois a encarnação é muito pequena perto da vida eterna do espírito e a busca por viver eternamente em comunhão com o Amor do Pai, que é o que Ele deseja para mim e para todos os seus filhos. Portanto só posso acreditar que a educação espiritual, a reforma moral constante, a vigília, oração e o Evangelho de Jesus são os únicos meios para que eu possa caminhar seguro nesta direção.

Muitos irão dizer que é uma vida de sacrifícios e renúncias, mas o que para uns é sacrifício para mim é aprendizado, o que para uns é renúncia para mim é conquista. Pois é no aprendizado que me faz crescer e na conquista de minha paz interior que posso dizer a mediunidade, para mim, não é um fardo, pois sei que sempre terei todos os Bons Espíritos e Jesus Cristo a me amparar e nisto acredito e tenho fé, sendo minha confiança total que, assim, posso ser uma pessoa melhor, me amar e poder amar aos meus irmãos encarnados ou desencarnados, amando acima de tudo o Pai que me criou e que também me ama.

Acredito que se estar encarnado é estar na escola do espírito, então terei que passar por provas que mostrem que meu aprendizado permite que eu passe para novos estágios evolutivos, por isto acredito que a Umbanda com Jesus Cristo, a Umbanda que o Caboclo das 7 Encruzilhadas nos trouxe, a Umbanda que o Caboclo Ventania e meu Pai Rompe Mato seguem, é a escola que me permitirá ter bons professores e conhecimento para alcançar a evolução moral e cristã que meu espírito se propôs, ao vir para esta encarnação.

Por isto acredito que ser médium na Umbanda é libertar o espírito das amarras do desconhecimento, das crendices e superstições que paralisam a evolução e que a caridade efetuada pelos Bons Espíritos através de minha mediunidade é luz para o meu caminho e o caminho de muitos que buscam também o Amor grandioso do Pai e somente com disciplina para buscar meu crescimento espiritual e moral, com estudo para buscar o conhecimento e a Verdade que liberta e muito trabalho que fortifica meu espírito, é que poderei ser um médium com Jesus e sempre ser feliz.

Sou médium de Umbanda e acredito.


Pai Reginaldo (Sacerdote Dirigente do T. E. Cruzeiro da Luz – Cabana do Caboclo Rompe Mato – SP)

O Texto acima foi enviado via e-mail pela Mãe Katia que é Mãe Pequena da T. E. Cruzeiro da Luz – Cabana do Caboclo Rompe Mato – SP