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CENSO 2010


Estamos próximos do Censo 2010, pesquisa de ordem nacional, de formato quantitativo. Acredito, no entanto, que o que faz um homem se sentir vivo são suas convicções. E estas estão ligadas a sua relação com o ambiente (consciência ecológica), em relação aos outros (social), em relação aos direitos, deveres e ao Estado (política), além da relação à suas crenças (religião). Não se pode mensurar quantitativamente o que forma o caráter, a consciência e as atitudes de um cidadão.

Um povo sem segurança em suas convicções (de ordem qualitativa e não quantitativa), terá também ações inconsistentes e desarticuladas. Mais cedo ou mais tarde, cada indivíduo, para se sentir integrado, útil, consciente de sua razão de ser, deve conectar-se ao lugar que vive, às pessoas que lhes são afins e aos movimentos sociais que constroem no dia a dia da cidade onde nasceu, cresceu e vive. O relacionamento entre cidadãos deve ser harmonioso e verdadeiro, independente de cor, credo, posição social, partidarismos políticos ou religião. Assim deve ser o comportamento de cada um, a partir de um embasamento desses conceitos, a partir do seio de sua própria família.

Uma cidade é o microcosmo de um país, e seus indivíduos, unidos, agregam-se uns aos outros até chegar ao macrocosmo que é o país. Partindo desse princípio, espera-se que a obtenção de dados seja fidedigna por partes de cada cidadão, ao ser argüido neste censo que se aproxima.

Por outro lado, espera-se que as questões levantadas brindem o âmbito mais extenso possível de informações, havendo entretanto uma dúvida. De modo geral, a base de amostragem de 10% em uma população costuma dar um panorama aceitável. No entanto, precisaria aqui estar um matemático ou estatístico para comprovar através de fórmulas que para determinados itens, como conjuntos pequenos, para se ter uma visibilidade real, teriam que ser obtidos através de uma margem de confiança além destes 10%.

E além disso, para que determinadas informações, para se ter as filigranas como por exemplo, o retrato das religiões de nosso pais, para ser obter uma resposta, teria que se ter a pergunta. No entanto, será que a visibilidade das religiões será fidedigna? Pois a coleta das informações a esse respeito estará no Questionário de Amostra, um em cada 10. Será que matematicamente irá compor um quadro real?

Porque não foi inserida esta pesquisa no Questionário Básico? Não seria o caso de se providenciar isso para um próximo censo? Ou melhor ainda, será que não daria tempo, de providenciar que se fosse inserida essa simples pergunta nos questionários Básicos? Para se ter mais chances da contagem se aproximar do real?

Vejamos o resultado do último censo:

Distribuição percentual da população residente, por religião – Brasil – 1991/2000
Religiões ………………………………………. 1991 (%) ……….. 2000 (%)
Católica Apostólica Romana ……………….. 83,0 ……………….. 73,6
Evangélicas ………………………………………. 9,0 ………………… 15,4
Espíritas…………………………………………… .1,1 ………………….. 1,3
Umbanda e Candomblé ……………………… 0,4 ………………….. 0,3
Outras religiosidades …………………………. 1,4 ………………….. 1,8
Sem religião ……………………………………..  4,7 ………………….. 7,4

Fonte: IBGE, Censos Demográficos 1991/2000.

Sendo esta uma pesquisa quantitativa, o foco na obtenção dos dados está diretamente relacionado com o objetivo do pesquisador. De acordo com a investigação dos resultados, as referencias cruzadas dos dados gerais com as religiões, obtiveram informações quanto:

a ) escolaridade ( número de anos de estudo) X religião
b) poder aquisitivo X religião

Creio que fica faltando algo para nós, que queremos mostrar que há mais umbandistas do que aparecem nas estatísticas. Nós, que amamos nossa religião, legitimamente brasileira, pensamos que o FOCO enquanto obtenção deste quesito RELIGIÂO, deveria ser mudado. A pesquisa mostra que os espíritas são os de melhor poder aquisitivo e mais alta escolaridade. Então, eu “ganho pontos” se me colocar como espírita em vez de umbandista? Será que as pessoas escolhem a religião pensando nisto? Em se tornarem potencialmente mais cultas e ricas?

Ou deveríamos adicionar alguns subitens que fizessem entender PORQUE a pessoa faz parte de uma crença religiosa? Como por exemplo:

a) A religião melhorou sua vida?

b) A crença numa Lei de Ação e Reação reforça e corrige o caráter das pessoas

c) A religião proporciona mais equilíbrio e estabilidade emocional

d) A religiosidade é inerente ao ser humano, assim como o ateísmo e agnosticismo é uma atitude do intelecto contra esta tendência inata

Poderíamos fazer uma lista extensa de itens, mas o pouco mostrado acima, muda completamente o paradigma RELIGIÂO, dentro de um Censo demográfico , onde os pesquisadores estatísticos deveriam fazer um intercâmbio transdisciplinar com as Ciências Humanas e Ciências Sociais, fornecendo magnífico material para muitas e muitas pesquisas sobre a natureza humana, suas atitudes, relações com o meio e sobre sua natureza imaterial.

É preciso que mostremos que ultrapassamos a fase do cartesianismo, e a pesquisa qualitativa é necessária e tão digna de respeito e credibilidade quanto qualquer outra. O aspecto RELIGIÂO tem de ser mais enfatizado, pois muito das atuais atitudes da sociedade podem estar veiculados à presença ou ausência de uma FÉ.

Portanto, convido, através deste modesto texto, a todos os umbandistas, já que umbandista sou e minha religião é a que devo defender, a refletirem sobre os MOTIVOS que devemos expressar nossa religiosidade num Censo de proporções continentais como este, e solicitarmos de forma enfática, para que possamos no questionário básico assinalar ao menos nossa religião, e se possível acrescentar os porquês, com a certeza que as informações enriquecerão sobremaneira os dados de um, país rico de religiosidade em sua própria natureza e cujas peculiaridades são muitas vezes relacionadas à sua Fé e Crença em algo mais que um simples cotidiano material.

Tentando explicar:

O QUE É QUESTIONÁRIO BÁSICO E QUESTIONÁRIO DE AMOSTRA (segundo o IBGE)?

QUESTIONÁRIO BÁSICO: é o questionário com MENOR numero de quesitos, onde serão registradas as características do domicilio e de seus moradores na data de referencia, e será aplicado na MAIOR parte do Território Nacional.

QUESTIONÁRIO DE AMOSTRA: é o questionário com MAIOR numero de quesitos, onde serão registradas as características do domicilio e de seus moradores na data de referencia, e será aplicado APENAS nos domicílios selecionados para amostra.

PODEREI ESCOLHER O QUESTIONÁRIO A RESPONDER?

Não

O RECENSEADOR É QUE ESCOLHE O QUESTIONÁRIO QUE IREMOS RESPONDER?

Não

O IBGE É QUE ESCOLHE O QUESTIONÁRIO QUE IREMOS RESPONDER?

Não, é o programa do IBGE é que escolhe.

EM SUA RUA…

Caso em sua rua tenha 90 domicílios, apenas 9 irão responder a pergunta “QUAL É A SUA RELIGIÃO?”

COMO FIQUEI SABENDO DESTA INFORMAÇÃO?

Sou um dos possíveis Recenseadores do IBGE e digo possível, pois mesmo tendo passado no concurso ainda irei ter que passar em uma avaliação que irá acontecer nesta segunda-feira (26/07/2010).

Deixe aqui sua pergunta ou seu comentário…

O MÉDIUM E O XAMÃ


Diz-se que todos somos médiuns, mas apenas alguns desenvolvem esta propriedade do espírito, de ser intermediário entre os planos astrais, de entidades humanas não encarnadas. Algumas poucas vezes mesmo, o médium pode trazer mensagens de encarnados em condições especiais, de sono, desdobramento ou coma. E é necessário sempre muito estudo quanto ao animismo, ao manifestar-se parte de sua própria história, enredando-se na própria história através das barreiras do tempo/espaço, hoje vistas de outra maneira pela física quântica. Mas, não estamos falando disso aqui.

Voltemos aos médiuns. Alguns desenvolvem sua mediunidade por missão, outros, a maioria, por obrigação, para resgatar antigos erros, atrasos, contingências várias, que ao compreender sua importância na atual encarnação, assumem a tarefa na medida do possível, desdobrando-se entre a luta diária no mundo físico, com seus percalços, alegrias, deveres, acontecimentos inesperados, mais ou menos bons, tentando sobejamente equilibrar-se no humor, nos ímpetos, nos pensamentos, treinando a cada instante a compreensão, a humildade, a persistência, a força individual e também dedicando-se ao mundo espiritual, quer no centro espírita, no terreiro de Umbanda, ou apenas no seu lar, onde estabelece um pequeno santuário para esta comunicação entre mundos, “pilotando” seu instrumento de trabalho, o corpo físico, e sob as influências diversas que vêm do Mundo Maior, de acordo com sua escala vibratória, suas afinidades, necessidades, intenções. Em geral, o médium , findas as manifestações em parceria com os espíritos, dá-se por satisfeito e vai cuidar de outras lides.

Porém, o ser humano encarnado é um dínamo acumulador, produtor e emissor de energia em tempo integral, independente de estar irradiado ou dando passagem às entidades de Luz que vem trabalhar na Caridade. Esta energia poderá ser manipulada com foco e objetivo, naqueles que percebem que possuem uma missão ainda mais extensa, onde é preciso adequar a vontade e direcionar a mente. Esse trabalho, realizado a partir das próprias forças, poderá ser usado também em prol do auxílio ao próximo, com finalidades curativas, de reequilíbrio. Pode ir a grandes alturas e distâncias, levar amparo e conforto, ou mesmo uma mensagem, ou fazer companhia apenas, dar proteção. Estas práticas já não estão inclusas nas características do médium, mas podem ser consideradas artes xamânicas, usadas milenarmente, mas mais conhecidas culturas, como a dos celtas, rosacruzes, ameríndios como os navajos, sioux (ou índios Lakota), dakotas, entre as lendas africanas, e também em nossos indígenas, os guaranis e os tupinambás.

Os xamãs estão em contato com as Forças da Natureza e as suas próprias, harmonizando-se com os quatro elementos (ar, terra, fogo, água), captando, emanando, trocando, e essa nada mais é que a Magia que tanto falam.

Os xamãs também usam com freqüência, animais de Poder, espíritos não humanos protetores e guardiões. A mitologia dos índios brasileiros e ameríndios, absorvida pela Umbanda, cita a pantera, o lobo, o tigre, a cobra, a águia, entre outros, e isto nada mais é que uma forma de Força, instrumentos de auxílio que trabalham com as entidades da Umbanda. Cada animal de Poder traz sua essência espiritual, e através dela, cada um com seu próprio modo de vida, sua forma de curar. Menos frequentemente, teremos também espíritas citando esta referência, mas na verdade, é que isto tudo não é fantasia, pois tem a comprovação, através dos depoimentos de médiuns clarividentes.

Nem todo médium se tornará um xamã, se não quiser, mas ele só o será, médium e xamã, e junto de si seus animais de Poder, se tiver uma herança ancestral, o que facilitará os vôos de mente e espírito, quê serão idealmente cumpridos se forem em prol do Amor e Caridade.

Alex de Oxóssi

Condomínio Espiritual


A expressão “Condomínio espiritual” tem sido utilizada dentro do Espiritismo por autores diversos, e que a ciência oficial diagnostica como um distúrbio psíquico denominado “Personalidades Múltiplas”, condenando por certo muitas pessoas a pesados tratamentos, mesmo internações em hospitais psiquiátricos. Foi muito comentado na década de 60, devido ao filme “As três faces de Eva”, e anos depois, na década de 80, Hermínio Miranda se aprofundou mais, nos livros “Condomínio Espiritual” e “Diversidade dos carismas” (I e II), onde relata a mediunidade de Rita, desde seus primeiros passos, com as dificuldades, suas experiências, evolução e esclarecimentos.

Significa que o médium, por algum motivo, permite abrigar uma variedade de espíritos desencarnados, ou dá a eles passividade inconsciente. O fato é considerado uma obsessão complexa, em muitos casos, difícil de ser resolvida, pois se aproxima da possessão, onde o encarnado que vivencia o processo, altera alternadamente de comportamento, mudando seu jeito de ser, sua personalidade, o que prejudica sua vida cotidiana. Diz-se então que são numerosos seus obsessores, e que eles devem ser afastados da pessoa o quanto antes, e hoje grandes escritores sob o tema obsessão têm escrito, entre eles Robson Pinheiro, abordando o fato que são instalados aparelhos no perispírito do médium, aparelhos estes cada vez mais sofisticados, chegando em alguns casos, não ser mais possível desatrelar espírito e encarnado, sob risco de morte para este último.

Não são poucos os casos, e na verdade, dificilmente um ser humano encarnado no nosso orbe, tão cheio de miasmas e poluição mental, não está cercado de obsessores, assediado a todo instante por desvios e interferências várias.

Porém, se observarmos sob o viés da Umbanda, vemos médiuns iniciando seus passos, trazendo em sua coroa, não obsessores, mas espíritos desalinhados com a atualidade, caboclos do fundo da mata, exus sofredores começando sua caminhada de Luz, orientais pouco afeitos a nossa linguagem, espíritos familiares ainda sofrendo as saudades… Não podem absolutamente ser considerados obsessores, não querem mal algum ao médium. São humanos como nós, prosseguindo na caminhada, despidos de seus envoltórios físicos. Que podem não ter tanto esclarecimento quanto outros, já no Saber e na Luz, e que vão caminhar ao caminharmos, vão cair quando cairmos, vão nos sustentar na dor, mas precisarão também ser sustentados. Serão amigos, nunca inimigos, ás vezes com ações parvas, no início, rudes, talvez, mas com orientação e nossa atenção e esmero, prosseguirão, mesmo nos superando por estarem mais libertos.

Devemos então estar atentos, pois o joio nem sempre será joio, nem o trigo será sempre trigo. Precisamos nos conhecer profundamente, reconhecer sinais de perigo, influências, imposições, desvencilharmo-nos quando houver tentativa de engano e perturbação, reposicionando nossos pensamentos. Se temos conosco, em nossa coroa, aqueles que ainda precisam de equilíbrio, não é esconjurando e exorcizando que conseguiremos ajudá-los. Não é tendo medo, aversão, fingindo que não existem, pois ele se manifestarão de qualquer modo, em condições melhores ou piores. Temos de assumir a responsabilidade, buscar o equilíbrio. O equilíbrio não é estar parado, imóvel, é ser flexível, buscando sempre novos pontos de apoio, num eterno movimento ao galgar a enorme montanha da evolução.

Para finalizar, um pensamento da grande espiritualista que foi Annie Besant

“Quem quer que se determine a levar uma vida espiritual, tem que dedicar diariamente algum tempo a meditação. Antes, se poderia manter a vida física sem alimento do que a espiritual sem meditação. Os que não possam dispor de meia hora por dia durante a qual se abstenham do mundo e sua mente receba uma corrente de vida dos planos espirituais, estão incapacitados para levar uma vida espiritual “.

Alex de Oxóssi

Etimologia do Vocábulo Umbanda


Retirado do livro “O que é Umbanda”- Dr.º Armando Cavalcanti Bandeira- Ed. Eco – 1970

O desenvolvimento etimológico do vocábulo UMBANDA, por parte de muitos no Brasil, e as falhas da maioria dos nossos dicionários, geraram confusões e controvérsias, pretendendo cada um dar a sua explicação, sem haver base concreta real. Entretanto, o termo sempre existiu e faz parte integrante da língua Quimbundo, como de muitos dialetos bantos, falados em Angola, Congo, Guiné, entre outros; basta consultar qualquer gramática ou dicionário relativo a essa língua, ou verificar as muitas citações na literatura.

O Quimbundo é uma das línguas com predominância em grande área da áfrica, como se pode verificar pelos estudos do Prof. Malcom Guthrie, da Universidade de Oxford, em seu livro editado em 1948, “The classifications of the Bantu Languages”, que delimitou precisamente a área geográfica e a influência local de cada grupo lingüístico banto, particularizando a zona inglesa no livro “The Bantu Languages of Western Equatorial África”, 1953, permitindo um melhor agrupamento da distribuição geográfica em Angola.

A língua geral dos angolanos é conhecida, também como angolês e bundo, continuando com outras semelhantes como o Quicongo ao Norte, Quioco e Lunda no Leste, e Umbundu ao Sul, oferecendo dois tipos definidos: o tipo de Luanda e o tipo de Ambaca,a que se refere José L. Quintão,e por influências portuguesas na catequese, comércio e governamental como nação colonizadora, sempre foi estudada e vários livros foram publicados.

Surgiu em primeiro lugar um catecismo do Pe. Paconio em 1643, reeditado em 1661 e 1784, sendo a primeira gramática e vocabulário de autoria do Frei Bernardo Maria de Cannecatim publicados em 1859, referentes às línguas bundo e congolesa. Entre outros, seguiu-se Wilhem Bleck, com vocabulário e gramática nos anos de 1862 e 1869, adotando o nome geral de línguas bantos.

Frei Cannecatim, no seu livro constituído de três partes, sob o título genérico “Coleções de observações gramaticais sobre a língua bundo e congolesa” e os dicionários que as integram, registram apenas: “Quimbanda – o impotente na língua bundo e Umbanda – barrete, nas línguas bundo e congolesa. Entretanto, nos dá as classes e as derivações dos nomes, que se acham melhor explicados em livros atuais.

Ora, o nome é comum na áfrica centro e sul, zona banto, e até na Guiné Francesa, constando perfeitamente audível três vezes no disco: Afrique – musique dês revenants, Collection du Musée de l´homme, França.

Deve ser registrado que há cerca de 34 anos, Arthur Ramos já escrevera “Linha de Umbanda”, dizem ainda os negros e mestiços cariocas, no sentido de prática religiosa, embora outros nos afirmassem que Umbanda era uma nação, e alguns, um espírito poderoso da nação de Umbanda. Nada conseguimos esclarecer, nesse particular, como nação ou tribo nos dicionários corográficos portugueses e alguns livros sobre as colonias portuguesas na áfrica. É possível que o informante tenha feito confusão com Quimbanda, povoação classificada no conselho de Malange, situada na área do post Sede, pertencendo à Arquidiocese de Luanda e fazendo parte do Socabo, conhecido pelo nome do Soba respetivo – Mucajé-ia-Quimbanda. Como consta do livro Império Ultramarino português, 1952, volume III.

Não sendo de todo impossível, como alguns pensam, e outros opinaram no 1º Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda, em 1941, que a origem remota repouse no orientalismo iniciático oriental, no qual o “mantra” AUM – BHANDA representa alto significado em sentido divino.

Sabemos que pelos contatos havidos, através do Egito ou da Índia, não é inverossímel que tivesse penetrado nas terras africanas, e em aculturações posteriores sofresse modificações, tanto no sentido inicial como na prática, dando o surgimento do radical banto mbanda, na formação lingüística dom termo quimbundo Umbanda, ligado às práticas religiosas de ocultismo mágico e tratamento dos membros das tribos em seus padecimentos, sendo uma ponte para a sua continuidade em terras brasileiras, como um culto em parte africanizado, pelas modificações dos séculos que se sucederam.

Outro fato deve ser ressaltado; é que Edison carneiro no livro “Religiões Negras”, afirma que ouviu o vocábulo quimbanda na mais legítima pronúncia banto, também na Bahia, a que não constitui fato inédito, pois já tivemos oportunidade de ouvir cânticos religiosos do ritual gegê, na Bahia, o que não constitui fato inédito, pois já tivemos oportunidade de ouvir cânticos religiosos do ritual gegê , na Bahia, nos quais a palavra umbanda é perfeitamente pronunciada.

Tem havido, sim, muita confusão entre os termos umbanda e quimbanda, inclusive nos significados.

Não deve essa expressão, em Quimbundo, ser confundida com feiticeiro, pois designam funções diferentes, enquanto o curandeiro é o Kimbanda, o feiticeiro é o Muloji, e vale como uma precisosidade a palavra do Cônego Antonio Miranda de Magalhães, que viveu muitos anos em Angola e publicou o livro “Alma Negra”, editado em Lisboa, no qual afirma que o mezinheiro, preparador de ervas, não deve ser confundido com o feiticeiro.

Há uma expressão, em quimbundo, que define muito bem a diversidade funcional:
O KIMBAND ` EKI KI MULOJI É
Este curandeiro não é feiticeiro

Para ilustrar referimos outra frase interessante:
NGEJIAMI UMBANDA
Conheci a arte de curar.

Desde o século passado, em 1894, que Heli de Chatelain, sem seu livro “Folktales of Angola”, registrava o termo do mesmo que hoje escrevemos, e mostrava a sua derivação gramatical e significado, como encontramos em qualquer dicionário KIMBUNDO, como grafam os portugueses, assim, nada há de mais claro e positivo.

Etimologicamente do verbo KU BANDA deriva, pela substituição do ´prefixo Ki da 3ª classe, o substantivo KI MBANDA, o qual significa em Angola: curandeiro, médico ocultista.

Sendo este substituído pelo prefixo U, forma um nome abstrato o qual designa arte ou ofício: U MBANDA, arte de curar, ofício de ocultista.

Está assim esclarecida a origem etimológica, embora haja controvérsias entre os estudiosos do Quimbundo, quanto ao significado do termo KUBANDA, pois, conforme as diferenças de pronúncias, altera o conceito original, em Angola, mas podemos afirmar em síntese:

UMBANDA –
TERMO DA LINGUA QUIMBUNDO, COMUM A VÁRIAS TRIBOS E DIALETOS ESPECIALMENTE ENTRE OS Umbundos, e segundo o etnólogo PE. Carlos Estermann (Etnografia do Sudoeste de Angola) “é bastante usado entre os Nhaneka-Umbi e igualmente conhecido pelos Cunhamas embora nestes com menos freqüência em seus cultos; entretanto não se restringe a Angola, pois, é encontrado na Guiné nos cânticos de invocação espiritual. Abrange alguns significados semelhantes; arte de curar, magia, (Pe. Domingos V. Balão- O Kimbundo sem mestre) e J. Cordeiro da Mata – dicionário Kimbundo- Português).
…bruxaria, magia, arte ou magia de encantar (A. de Assis Junior- Dicionário Kimbundo Português)
…ciência médica ou ciências médicas; originando-se de KIMBANDA médico (Pe Antônio da Silva Maia – Lições de Gramática de Quimbundo).
….arte de curar originando-se do verbo KUBANDA, subir de onde deriva o vocábulo KIMBANDA, curandeiro, do qual resulta o substantivo UMBANDA (José L. Quintão- gramática KIMBUNDO).

O etnólogo e historiador Oscar Ribas ( do Museu de Angola, em “Ilundu”, “Missosso”), define como ciência de quimbanda, referindo sobre a origem quanto ao termo KUBANDA, suponho tratar-se do verbo “subir” pois o espírito segundo a concepção local, vem de baixo para cima, e não de cima para baixo, como os espíritas.

A etnologista Ana de Souza Santos, do Instituto de Investigação Científica de Angola, em estudo detalhado sobre esse vocábulo, refere: “ Se na combinação de regras gramaticais se pode aceitar o modo como se articula o prefixo e radical de “Kubanda” para resultar “KIMBANDA” , e a relação desses vocábulos com “umbanda” tal como apresenta Cavalcante Bandeira, de acordo com o que preceitua José L. Quintão , a verdade é que em razão funcional e etimológica do termo “Kubanda” tal ligação deve ser rejeitada. Por isso, diz muito bem o autor: “Não podemos entender a modificação de sentido por falta de relação direta ou indireta da palavra “banda” que hoje na concepção usada não tem qualquer relação com o Quimbanda. De fato, o termo “kimbanda”(quimbanda), a nosso ver não derivou de “Kubanda”, subir, galgar, mas certamente de “kubanda” (note-se que há variações e pronúncia) consertar, remendar. Ora, visto uma das funções do curandeiro ser exatamente a de consertar os males físicos dos mortais, e muito natural que dali proviessse sua origem, ou então de “Kubanda”, sinônimo de prescrever, visto que receita, aconselha, prescreve, etc….mas há mais.também ao verbo “kubanda” é atribuído o significado de desvendar. Outorgando-se à missão do “kimbanda” cuidar do mistério das enfermidades psíquicas que, como se sabe, para isso, esse agente recorre às cerimônias de adivinhação, assim se estabelece mais uma relação entre “Kubanda” e “Kimbanda”. Quanto à “kubanda” ( ou banda) com o significado de subir, só aparece em toda a atividade de “kimbanda” e em práticas religiosas ou mágicas religiosas ( pelo menos dentro do que temos conhecimento durante as sessões dos “ilundu” (espíritos), quando o médium começa a entrar em transe, mas só no sentido de incitamento e aplauso. Com respeito ao vocábulo “umbanda”, se ele não pode servir para rotular um culto africano, como muito bem salienta Cavalvanti Bandeira, pode-se admitir que entre os bantos ele seja como que uma convergência de elementos culturais religiosos. Em Luanda, tem a “umbanda” ainda hoje uma feição característica apreciável como expressão de um processo ritualista orientado por uma entidade – a mãe de umbanda – (Many ia umbanda)- ou pai de umbanda (Pai ia umbanda), conforme for osexo feminino ou masculino . Modernamente há nesta sociedade quem traduza essa expressão por madrinha ou padrinho.

Podemos, assim, no Brasil, tentar uma definição : A UMBANDA É UM NOVO CULTO BRASILEIRO DO SÉCULO XX, PROVIDO DO SINCRETISMO RELIGIOSO DE PRÁTICAS E FUNDAMENTOS CATÓLICO-BANTO-SUDANESES, APRESENTANDO ALGUMAS FUSÕES AMERÍNDIAS E ORIENTAIS, COM OBSERVÂNCIA DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, CONSTIRUÍDO DOS PLANOS ESPIRITUAIS EVOLUTIVOS PELA REENCARNAÇÃO.

Em síntese: A UMBANDA É UM CULTO ESPÍRITA BRASILEIRO, COM RITUAL AFRO-AMERÍNDIO, ENRIQUECIDO COM ALGUMA LITURGIA CATÓLICA.

Como aliás, definia poéticamente o profundo conhecedor dos cultos, Fabico de Orunmilá:
“A UMBANDA É UM CULTO ESPÍRITA RITMADO E RITUALIZADO”

Autodefesa e Proteção contra Energias Negativas e Maléficas


Omolubá

A maioria de nós vive uma vida cheia de problemas angustiantes e atormentada por situações confusas e complicadas que tanto nos fazem sofrer.

Além dos conflitos com os outros (o marido, a mulher, o patrão, o empregado, o colega…) e das ameaças que recebemos de todos os lados, a simples preocupação com as doenças, com o aperto financeiro, etc. , assim como, também o medo da inveja, das traições e todas as formas de agressão de que podemos ser vítimas – tudo isso produz em nós uma tremenda perda de energia, física e psíquica.

Essa é a causa do estresse em que inevitavelmente caímos.

São esses “buracos” na camada áurida e na sinergia orgânica e psíquica que nos tornam vulneráveis às influências maléficas que impregnam a atmosfera psíquica do nosso planeta – especialmente em certos locais e regiões.

E sem saber e sem querer, acabamos mensageiros e agentes de toda essa miséria humana, resultante do generalizado viver egocêntrico- miséria individual e coletiva.

Na maioria das vezes, nem sabemos como nos proteger contra tudo isso e tornamo-nos alvos fáceis de toda espécie de fluidos negativos (emoções e pensamentos malignos) que circundam em torno de nós e, o que é pior, que emanam também de nós.

O objetivo deste capítulo é justamente alertar você, cara leitora ou leitor. Sobre toda essa realidade oculta e fornecer elementos que o ajudem a tornar as precauções necessárias para se defender.

“Mas o que podemos fazer para nossa autodefesa?” é o que você naturalmente me perguntará.

E a resposta simples e direta é esta: cuidar do corpo.

Desse modo, em vez de aumentarmos a desordem, os conflitos e a maldade que saturam a atmosfera psíquica da sociedade em que vivemos, podemos contribuir para nos harmonia que concorram para limpar e purificar o ambiente de todos nós.

Mas, para cuidar do corpo, nesse sentido particular, precisamos saber que, na realidade, não somos um corpo, mas temos um corpo.

E, na verdade, não temos só um corpo, mas três corpos que se interligam tão profundamente, que formam uma unidade, que funcionam como um só:

– o corpo físico – com sua contrapartida etérica;
– o corpo emocional ( ou “astral”) – das emoções, dos sentimentos, etc.
– o corpo mental – dos pensamentos.

E o que se passa em um repercute inevitavelmente nos outros.

Daí a importância de aprendermos a lidar com cada um deles indistintamente e com todos eles em conjunto.

No momento em que sentimos harmonia e paz interior, começamos a criar vibrações capazes de, pelo menos, neutralizar, de alguma forma, o clima de perversão, violência e crueldade que empesta o mundo dos pensamentos e das emoções da sociedade em que vivemos.

É assim que podemos trabalhar por um mundo melhor.

Sua autodefesa e proteção psíquica estão apoiadas nos seguintes procedimentos:

1- Banhos de “descarrego” e vitalização;
2- Defumações de “descarrego” e energização;
(…)

A criatura humana é constituída de três corpos: o corpo físico e etérico (sendo que este último sobressai 5 cm ao primeiro, formando a aura em torno do corpo físico), o corpo emocional ou astral,localizado no coração, e o corpo mental, sediado no cérebro.

Todos os malefícios dirigidos a alguém, até mesmo por meio de um olhar carregado de raiva, desprezo ou inveja, causam distúrbios psíquicos temporários, como : mal estar, enjôo, sonolência, nervosismo, pequenas desavenças sem justa causa com pessoas conhecidas ou não, desânimo e entorpecimento corporal.

Já os “trabalhos de magia” ocasionam, via de regra: dores de cabeça, brigas familiares, afastamento entre parentes, amigos e sócios, perda inexplicável de emprego, maus negóocios, impotência sexual, separações amorosas, acidentes de carro, conflitos no relacionamento em geral, perda da saúde e outras anormalidades que subvertem a rotina vivencial e a alegria de viver de uma criatura comum.

Tecnicamente, o processo é sempre o mesmo: a energia inferior, negativa, virulenta, atinge primeiro o duplo etérico da pessoa visada, segue adiante e contagia o corpo astral que devolve imediatamente a negatividade para o corpo físico, provocando disfunções orgânicas e emocionais. Em alguns casos, proporcional à “força do trabalho” executado, a energia lodosa assedia diretamente o corpo mental, produzindo mórbido bloqueio da tela neuronal do cérebro, impedindo, daí por diante, o raciocínio e a concatenação dos pensamentos sadios que até poderiam dar solução sensata e adequada à agressão oculta e covarde. Enquanto isso, acumulam-se os males e os problemas decorrentes da perda da saúde sem causa aparente, levando, de roldão, a vítima ao desespero, inconformação aos familiares e tirando a expectativa dos amigos e conhecidos.

Em alguns casos, e não são poucos, a perversidade completa-se com a morte trágica do enfeitiçado, tragado impiedosamente pelas energias deletéricas a seviço de alguma personalidade inimiga, sorrateira e cruel.

1. Banhos de descarrego e vitalização

A finalidade precípua do “banho de descarrego” é limpar, higienizar única e exclusivamente o corpo etérico do indivíduo, retirando sujeira, nódoas e larvas astrais que não são vistas pelo olho físico do homem comum, sendo, contudo, evidentes e visíveis ao sensitivo treinado e capaz.

Antes de tomar o “banho de descarrego”, torna-se necessário, em primeiro lugar, o banho físico, incluindo a cabeça. Esse banho, deve ser com sabão neutro à base de glicerina. Essa limpeza deve ser feita no quarto minguante. Em casos de urgência, na lua nova, nunca porém, em outras fases da lua.


Descarrego

O “banho de descarrego” deve ser realizado com água morna da cabeça aos pés, seja um simples banho de sal grosso, seja de ervas específicas para essa operação. Aqui vão algumas plantas verdes, fáceis de encontrar com os mateiros ou nas casas do ramo: folha de pitanga, desata-nó, vence demanda, catinga de mulata, cordão –de-frade, velame, acácia, amendoeira, vassourinha-do-campo, vassourinha-de-relógio, guiné-pio-pio, aroeira e outras tantas do mesmo teor, próprias para o expurgo etérico.

Não é necessário usar mais do que duas ervas em cada banho. Pode-se, também, adicionar um punhado de sal grosso, capacidade para cinco a sete litros dágua, ali permanecendo por cinco horas. Ao banhar-se, acrescentar um pouco de água quente. Após o banho, o paciente não deve enxugar-se. Beber alguns copos de suco de fruta natural ou leite morno, sem açúcar nem adoçante. Para completar, procurar o leito por algumas horas ou dormir até o dia seguinte.

Vitalização

O “banho de vitalização” só deve ser tomado uma ou duas semanas após o “banho de descarrego”. Usa-se também escolher duas ervas dentre as diversas que logo adiante indicaremos para esse fim. Queremos ressaltar, contudo, que esse banho só traz efeito salutar quando realizado no quarto crescente ou na lua cheia, para que haja a devida absorção e elevação do tônus vital dos três corpos.

É preferível que essa operação seja realizada à noite.

Queremos enfatizar que o “banho de vitalização” só deve ser tomado após o “banho de descarrego”; caso contrário, não terá qualquer efeito; será ineficaz e até incoveniente. É como usar perfume em corpo suado e sujo; vira catinga. Torna-se também necessário o banho normal com sabão neutro antes de qualquer banho ritualístico.

Eis algumas ervas verdes, próprias para a vitalização físico-etéreo-astral-mental: manjericão, alevante, colônia, folha e flor de girassol, folhas e amêndoas do cacaueiro, iburana, sálvia,dracena, oriri, jásmim, espada-de-ogum, espada-de-iansã (borda amarela), açoita-cavalos, umbaúba-prateada, entre outras. Que sejam usadas verdes e não secas.

Observar o mesmo rito do banho anterior: ervas maceradas durante cinco horas; no momento do banho, adicionar um ou dois litros de água quente; banhar, lentamente, todo o corpo, da cabeça aos pés; mentalizar a ação vivificante da água; não enxugar o corpo e, finalmente, após ingerir alguns copos de suco de furta natural ou leite morno, sem açúcar nem adoçante, descansar e dormir.

Com a maceração das folhas destinadas ao banho, a água se torna esverdeada e um tanto pesada. Após o preparo do banho, as folhas trituradas devem ser retiradas, embrulhadas e jogadas no lixo no dia seguinte.

2. Defumações – Descarregos e energização

A defumação consiste na queima de sementes, raízes, folhas, cascas secas e outros elementos que se desintegram na queima sobre carvões em vasilhame próprio.

A defumação de “descarrego” pode ser efetuada em todas as fases da lua, portanto, diferente de outros atos ritualísticos ou higienizantes. O fogo, ao ar e a terra são elementos que contribuem para a “limpeza” dos fluidos agressivos que existem não só no ambiente etérico-físico, como também na aura das criaturas humanas, e até mesmo, na dos animais de estimação.

A concentração energética dos vegetais se expande e sutiliza em ondas odoríferas pela combustão, destruindo larvas e nódoas astrais que ficam agarradas nos tetos, paredes, cantos, móveis, tapetes,etc. do ambiente contaminado, assim como também, na contraparte etérica do corpo humano.

Segue, para o leitor, a receita de um “defumador de limpeza”, cujo preparo está ao alcance de todos. Serve para residência ou estabelecimento comercial. Evidentemente que serve, também, para você mesmo ou para alguém necessitado de tal providência.

Ingredientes:

Casca de alho – 8 punhados
Casca de limão seco – 6 punhados
Cânfora- 6 tabletes( ou 4 punhados esfarinhados)
Incenso – 10 punhados
Casca de fumo de rolo – 6 punhados
Folha seca de amendoeira – 10 punhados ( triturados)
Enxofre- 2 punhaos ( esfarinhados)

Como proceder:

Junte e misture tudo. Essa porção serve para um ambiente de cinco compartimentos. À medida que o carvão do turíbulo vai ardendo e queimando, adicionam-se punhados dessas substâncias em cima do braseiro.

Deixar um vasilhame com água em cada compartimento enquanto se processa a defumação. Outra providência sensata é ao gente da defumação usar chapéus ou um pano enrolado na cabeça para proteger os cabelos dos miasmas que caem, a roupa que estiver usando deverá ser considerada roupa suja após a defumação. A água das panelas que foram distribuídas pelos compartimentos deve ser “ despachada” em água corrente das pias ou pelo vaso sanitário.

O rescaldo do defumador deve ser apagado com a´gua, embrulhado e jogado no lixo. Depois da “defumação de descarrego”, o defumante deve beber de um a dois litros de suco de frutas. Não utilizar refrigerantes engarrafados, açúcar nem adoçante.

Energização

É necessário o uso de bons produtos no preparo do “defumador de energização”. As substâncias de natureza mineral e vegetal deverão possuir latência de energismo integrado em todos os sentidos. Apadrinhados pelo solo, água, ar e mais força energética do sol, na proporção adequada, propagarão suas propriedades específicas no braseiro, e dessa forma, encherão o ambiente (habitação ou loja) e a aura dos necessitados de energia radiante.

Essa defumação libera, pouco a pouco e com largueza, toda a potencialidade dessas substâncias envoltas na fumaça aromática. É ela que cria um clima agradável, saudável e cheio de energia, para o ambiente e para as criaturas envolvidas no enredo místico e benfajezo.

Após o “defumador de energização”, você se sentirá num estado de calma para enfrentar os embates do cotidiano, pejado de ambição, deslealdade e hipocrisia.

A fase lunar própria para esse tipo de defumação é o quarto crescente e a lua cheia.

Antes de passarmos para a receita do “defumador de energização”, convém alertarmos os usuários que tanto um ambiente físico como a aura humana só podem ser devidamente energizados ou vitalizados após duas ou três semanas da “defumação de descarrego”. Primeiro, “limpar”, depois, “energizar”, a fim de atrair fluidos de boa sorte e vitalidade psíquica.

Agora, uma receita simples, entre outras, mas de grande poder energético:

Casca ou bagaço de cana seco- 5 punhados (triturados)
Mirra e alecrim- 8 punhados
Folhas , flores e sementes de girassol – 6 punhados (triturados, de preferência, secas)
Folhas de eucalipto secas- 5 punhados
Cravo da índia e folhas secas de louro – 5 punhados
Almíscar ou âmbar – 4 punhados

Após a defumação de todo o ambiente, deixar o defumador queimam do por uns vinte minutos até o fim. Antes, durante e depois, beber bastante suco de fruta natural.

A validade da defumação desse tipo depende das circunstâncias ambientais. Num lar habitado por pessoas equilibradas, de boa índole, a validade é de até oito meses ou mais. Num estabelecimento comercial, não passa de quatro meses. Muito menos nos botequins e lugares onde haja consumo de álcool e prática de jogo. São pensamentos incontidos que ocasionam a sujeira do ambiente.

Retirado do Livro: “ Maria Molambo na Sombra e na Luz” – Omolubá

Sou médium de Umbanda e acredito.


Algumas pessoas podem não concordar comigo ou mesmo não acreditar em minhas palavras, porém somos aquilo que acreditamos e assim decidimos o nosso caminho.

Eu acredito em Deus, eu acredito em Jesus Cristo, eu acredito nos Orixás da Umbanda, eu acredito no Mentor Espiritual que me guia e nos Guias Espirituais de Umbanda que utilizam minha mediunidade, eu acredito na Umbanda, por isto as decisões que tomo em minha vida são baseadas no meu entendimento que sem Eles participando constantemente no meu caminhar e que sem um ajuste diário em minhas atitudes, pensamentos e sentimentos, conforme a mensagem de Jesus, além de estudar continuamente buscando a Verdade que Ele trouxe, esta minha vida seria como um navio perdido, sem bússola em um oceano desconhecido.

Eu acredito que minha mediunidade não é missão, mas sim parte da depuração de meu espírito que escolheu este caminho para que eu como encarnado, pudesse amenizar o meu carma e também através da caridade que recebo do Alto Astral, crescer moralmente e espiritualmente. Este foi o caminho que meu espírito escolheu para poder passar por esta encarnação apoiado pelos Bondosos Espíritos que tanto me amam e oram para que eu supere as tentações da carne e aprenda que tudo passa.

Pois realmente tudo passa, alegrias, tristezas, dificuldades, doenças, entre tantas outras experiências, pois a encarnação é muito pequena perto da vida eterna do espírito e a busca por viver eternamente em comunhão com o Amor do Pai, que é o que Ele deseja para mim e para todos os seus filhos. Portanto só posso acreditar que a educação espiritual, a reforma moral constante, a vigília, oração e o Evangelho de Jesus são os únicos meios para que eu possa caminhar seguro nesta direção.

Muitos irão dizer que é uma vida de sacrifícios e renúncias, mas o que para uns é sacrifício para mim é aprendizado, o que para uns é renúncia para mim é conquista. Pois é no aprendizado que me faz crescer e na conquista de minha paz interior que posso dizer a mediunidade, para mim, não é um fardo, pois sei que sempre terei todos os Bons Espíritos e Jesus Cristo a me amparar e nisto acredito e tenho fé, sendo minha confiança total que, assim, posso ser uma pessoa melhor, me amar e poder amar aos meus irmãos encarnados ou desencarnados, amando acima de tudo o Pai que me criou e que também me ama.

Acredito que se estar encarnado é estar na escola do espírito, então terei que passar por provas que mostrem que meu aprendizado permite que eu passe para novos estágios evolutivos, por isto acredito que a Umbanda com Jesus Cristo, a Umbanda que o Caboclo das 7 Encruzilhadas nos trouxe, a Umbanda que o Caboclo Ventania e meu Pai Rompe Mato seguem, é a escola que me permitirá ter bons professores e conhecimento para alcançar a evolução moral e cristã que meu espírito se propôs, ao vir para esta encarnação.

Por isto acredito que ser médium na Umbanda é libertar o espírito das amarras do desconhecimento, das crendices e superstições que paralisam a evolução e que a caridade efetuada pelos Bons Espíritos através de minha mediunidade é luz para o meu caminho e o caminho de muitos que buscam também o Amor grandioso do Pai e somente com disciplina para buscar meu crescimento espiritual e moral, com estudo para buscar o conhecimento e a Verdade que liberta e muito trabalho que fortifica meu espírito, é que poderei ser um médium com Jesus e sempre ser feliz.

Sou médium de Umbanda e acredito.


Pai Reginaldo (Sacerdote Dirigente do T. E. Cruzeiro da Luz – Cabana do Caboclo Rompe Mato – SP)

O Texto acima foi enviado via e-mail pela Mãe Katia que é Mãe Pequena da T. E. Cruzeiro da Luz – Cabana do Caboclo Rompe Mato – SP

A RAÇA NEGRA E A OPINIÃO DE KARDEC


Afinal, as idéias colocadas em  O Livro dos Espíritos e na Revista Espírita são preconceituosas ou não?


Por Norberto Peixoto


Após o término de uma palestra, que sempre ocorre antes da sessão de caridade, nesta oportunidade o tema central sendo “A universalidade das manifestações espirituais”, me procura uma mulher da assistência, bastante triste, com os olhos marejados e me faz a seguinte pergunta:

– Por que os espíritas proíbem os pretos velhos de se manifestarem? Sinto a presença de uma mentora preta velha e não permitem a manifestação nos trabalhos mediúnicos, o que me deixa com uma tristeza e abafamento no peito. O que eu devo fazer?

Como ela, existem muitas pessoas passando pelo mesmo “abafamento”, sendo cerceadas de manifestarem mediunicamente as formas espirituais em conformidade com suas afinidades e compromissos cármicos evolutivos. Vários médiuns, infelizmente, ainda que de forma velada, pelo temor de que seus companheiros de centro espírita fiquem sabendo que eles frequentam uma choupana de Umbanda, têm clamores, queixas e dúvidas semelhantes ao exposto e que acabam se repetindo. Constatamos, na prática, que o preconceito racial espirítico sobressai-se assustadoramente, só que ninguém fala sobre o assunto. É uma espécie de tabu.

A proibição de manifestação de Espíritos na forma astral de pretos velhos e caboclos – para ficar só nestas duas – é monitorada e desestimulada nos centros espíritas “ortodoxos”, e estes Espíritos são tratados como obsessores ou, no mínimo, como entidades menos esclarecidas, não importando o conteúdo de suas mensagens.

Responder à pergunta “porque os espíritas proíbem a manifestação dos pretos velhos e caboclos” não é tão fácil, se a intenção é nos aprofundarmos e encontrarmos a gênese espírita que possivelmente motiva a cultura refratária, preconceituosa e de exclusão racial de muitos médiuns em relação às formas dos Espíritos mentores que se aproximam deles. Claro que, em se tratando de Espíritos sofredores, nas sessões mediúnicas com a finalidade de atendê-los, é permitido as manifestações. Mas quando o “matreiro” preto(a) velho(a) ou “altivo” caboclo(a) se apresenta como mentor no centro espírita, aí o caldo desanda e dê-lhe doutrinação nos “pretinhos” e na “caboclada” do lado de lá. Isto me faz lembrar da manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, através da mediunidade de Zélio de Moraes, e da tentativa de doutrinação desta entidade missionária dentro de um centro espírita carioca afiliado à Federação Espírita Brasileira. Esta entidade, de grande evolução, é uma das principais responsáveis pela consolidação da Umbanda na Terra. Já naquela época, em 1908, o cerceamento dos Espíritos que se apresentavam com suas vestes perispirituais na aparência negra ou indígena era costumeiro nas mesas “Kardecistas”.

Mas afinal, qual a consideração de  Allan Kardec e do Espiritismo em relação aos negros africanos?

Fomos pesquisar e encontramos na Revista Espírita, de abril de 1862, o artigo “A perfectibilidade da raça negra”, exarando a opinião do ilustre estudioso e pedagogo francês. O artigo começa com a seguinte pergunta: A raça negra é perfectível?

Para quem não sabe, a perfectibilidade é um neologismo criado por Rousseau para exprimir a capacidade que o homem possui de aperfeiçoar-se. Logo, Kardec, ao perguntar se a raça negra é passível de aperfeiçoamento, demonstra, no mínimo, dúvida.

Jean-Jacques Rousseau foi um filósofo, escritor e teórico político. Uma das figuras marcantes do Iluminismo francês defendeu que todos os homens nascem livres, e a liberdade faz parte da natureza do homem.

Importante registrar que, nos séculos passados, o conhecimento dos europeus sobre a cultura africana era escasso

No artigo em questão, Allan Kardec, inicialmente, faz uma longa introdução para falar dos corpos e dos Espíritos que os animam, inferindo que cada espírito tem o corpo que merece e que umas raças evoluem e outras não, o que ocasionaria que, conforme os espírito evolui, vamos também ocupando corpos em outras raças mais evoluídas, o que nos leva a ir reencarnando em raças diferentes conforme avança a nossa evolução espiritual. Então raças inferiores oportunizariam corpos também inferiores e não comportariam a encarnação de Espíritos mais evoluídos numa determinada etnia.

Perfectibilidade da raça negra

Transcrevemos na integra os últimos parágrafos, conclusivos, do referido artigo, para que os leitores possam beber direto da opinião de Kardec:

“Chegamos agora a perfectibilidade das raças; esta questão, por assim dizer, está resolvida pelo que precede: não temos senão que deduzir-lhe algumas conseqüências. Elas são perfectíveis pelo Espírito que se desenvolve através de suas diferentes migrações, em cada uma das quais adquire, pouco a pouco, as qualidades que lhes faltam; mas, à medida que as suas faculdades se estendem, falta-lhe um instrumento apropriado, como a uma criança que cresce são necessárias roupas maiores; ora, sendo insuficientes os corpos constituídos para seu estado primitivo, lhes é necessário encarnar em melhores condições, e assim por diante, à medida que progride.

As raças são também perfectíveis pelo corpo, mas isso não é senão pelo cruzamento com as raças mais aperfeiçoadas, que lhes trazem novos elementos que as enxertam, por assim dizer, os germes de novos órgãos. Esse cruzamento se faz pelas emigrações, pelas guerras, e pelas conquistas. Sob esse aspecto, há raças, como famílias, que se abastardam se não se misturam com sangues diversos. Então, não se pode dizer que isso seja a raça primitiva pura, porque sem cruzamento essa raça será sempre a mesma, seu estado de inferioridade relacionado à sua natureza; ela degenerará em lugar de progredir, e é o que a conduz ao desaparecimento num tempo dado.

A respeito dos negros escravos, diz-se: “São seres tão brutos, tão pouco inteligentes, que seria trabalho perdido procurar instruí-los; é uma raça inferior, incorrigível e profundamente incapaz”. A teoria que acabamos de dar permite encará-los sob uma outra luz; na questão do aperfeiçoamento das raças, é preciso ter em conta dois elementos constitutivos do homem: o elemento espiritual e o elemento corpóreo. É preciso conhecê-lo, um e o outro, e só o Espiritismo pode nos esclarecer sobre a natureza do elemento espiritual, o mais importante, uma vez que é este que pensa e que sobrevive, ao passo que o elemento corpóreo se destrói. Os negros, pois, como Espíritos, sem duvida, são uma raça inferior, quer dizer, primitiva; são verdadeiras crianças às quais pode-se ensinar muita coisa; mas, por cuidados inteligentes, pode-se sempre modificar certos hábitos, certas tendências, e já é um progresso que levarão numa outra existência, e que lhes permitirá, mais tarde, tomar um envoltório em melhores condições. Trabalhando para o seu adiantamento, trabalha-se menos para o presente do que para o futuro, e, por pouco que se ganhe, é sempre para eles um tanto de aquisições; cada progresso é um passo adiante, que facilita novos progressos.

Sob o mesmo envoltório, quer dizer, com os mesmos instrumentos de manifestação do pensamento, as raças não são perfectíveis senão em limites estreitos, pelas razões que
desenvolvemos. Eis por que a raça negra, enquanto raça negra, corporeamente falando, jamais alcançará o nível das raças caucásicas; mas, enquanto Espíritos, é outra coisa; ela
pode se tornar, e se tornará, o que somos; somente ser-lhe-á preciso tempo e melhores instrumentos. Eis porque as raças selvagens, mesmo em contato com a civilização,
permanecem sempre selvagens; mas, à medida que as raças civilizadas se ampliam, as raças selvagens diminuem, até que desapareçam completamente, como desapareceram as raças dos Caraíbas, dos Guanches, e outras. Os corpos desapareceram, mas em que se tornaram os Espíritos? Mais de um, talvez, esteja entre nós.

Dissemos, e repetimos, o Espiritismo abre horizontes novos a todas as ciências; quando os sábios consentirem em levar em conta o elemento espiritual nos fenômenos da Natureza, ficarão muito surpresos em ver as dificuldades, contra as quais se chocavam a cada passo, se aplainarem como por encanto; mas é provável que, para muitos, será preciso renovar o hábito. Quando retornarem, terão tido o tempo de refletir, e trarão novas idéias. Encontrarão as coisas muito mudadas neste mundo; as idéias espíritas, que repelem hoje, terão germinado por toda parte e serão a base de todas as instituições sociais; eles mesmos serão educados e nutridos nessa crença que abrirá, ao seu gênio, um novo campo para o progresso da ciência. À espera disso, e enquanto estão aqui, que procurem a solução deste problema: Por que a autoridade de seu saber, e suas negações, não detêm, por um único instante, a marcha, dia a dia mais rápida, das idéias novas?

As opiniões de Kardec expostas neste artigo não fazem parte da codificação espírita. Nesta época, ele não poderia saber que muitos imperadores, generais governantes e religiosos, muitos romanos, prussianos e otomanos, bem como o clero sacerdotal católico espanhol, português e italiano – em peso ligados à “santa” inquisição – encarnavam como negros e já estavam no Brasil escravizados bem antes da época dos seus escritos. Seguindo o encarnando numa raça “inferior”, cai por terra a sua teoria da imperfectibilidade da raça negra, pois corpos inferiores não poderiam dar vida a Espíritos superiores, dado que eles vinham de raças e corpos mais evoluídos de encarnações anteriores, antes da encarnação como primitivos negros escravos vindos para o Brasil.

A questão racial e a justiça da reencarnação, na visão de Kardec

Em  O Livro dos Espíritos, encontramos a questão 222, que trata da pluralidade das existências – das reencarnações sucessivas. Kardec colocou seis perguntas pelas quais contrapõe à crença contraria à reencarnação para ter a confirmação nas respostas dos Espíritos. A sexta questão coloca em analise a perfectibilidade das raças de acordo com as idéias de superioridade e estagnação evolutiva Kardequiana. Seguem as seis questões:

– “Admitindo, de acordo com a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo, (…) perguntamos:

1º Por que mostra a alma aptidões tão diversas e independentes das idéias que a educação lhe fez adquirir?

2º Donde vem a aptidão extra normal que muitas crianças em tenra idade revelam, para esta ou aquela arte, para esta ou aquela ciência, enquanto outras se conservam inferiores ou medíocres a vida toda?

3º De onde provêm, em uns, as idéias inatas ou intuitivas que noutros não existem?

4º De onde vêm, em certas crianças, o instituto precoce que revelam para o vicio ou para as virtudes, os sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza, contrastando com o meio em que elas nasceram?

5º Por que, abstraindo-se da educação, uns homens são mais adiantados do que os outros?

6º Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomardes de um menino hotentote recém-nascido e o educardes nos nossos melhores liceus, farei dele algum dia um Laplace ou um Newton?” (Allan KardecO Livro dos Espíritos, FEB.)

Observem a lógica perfeita do raciocínio das questões formuladas por Kardec, fruto de um sentimento de injustiça dos que não têm a reencarnação como crença, conquanto, inevitavelmente, uns acham que são mais ou menos favorecidos que outros pela Providência Divina. E é nesse contexto que ele coloca a pergunta racial, demonstrando que não se admitindo a reencarnação, Deus seria injusto ao nascermos uns negros e outros brancos, ou seja, alguns inferiores e outros superiores. Assim Kardec, a priori, assume na questão formulada em  O Livro dos Espíritos que o negro – hotentote – é inferior ao branco europeu, e traz o conhecimento da reencarnação para que possamos entender essa diferença.

Todavia, justiça seja feita: a questão 222 está entre aquelas que não constituem uma pergunta direta aos Espíritos superiores responsáveis pelas respostas para a codificação, mas considerações do próprio codificador. Ao todo, são 11 páginas da lavra de  Allan Kardec, contendo argumentos sólidos de sua inteligência e perspicaz senso de observação e análise.

Opinião de Kardec e não dos Espíritos

Obviamente, não podemos afirmar que as idéias de inferioridade da raça negra sejam também dos Espíritos superiores – ainda bem! Cremos que, nesta questão, Allan Kardec deixou passar a sua opinião pessoal, a qual, comprovadamente, em nenhum momento foi corroborada pelos Espíritos responsáveis por  O Livro dos Espíritos, o que torna este importantíssimo livro de estudos incólume ao equivoco de Kardec.

Posteriormente, Kardec considera que Deus é justo. O erro é não considerarmos que teremos diversas encarnações, e que estamos comparando pessoas em degraus diferentes da sua “evolução espiritual”. Ou seja, um menino negro do sudoeste da África, da etnia hotentote, jamais será um Newton ou Laplace, mesmo estudando nos liceus europeus em mesma condição de igualdade com os meninos de lá. É claro que isso é um equivoco e não baseia em opinião cientifica abalizada decorrente de estudos metodológicos comparativos e pesquisas amostrais documentadas. Se assim fosse, não teríamos na história, Martin Luther King e Nelson Mandela, e atualmente, um negro chamado Barack Hussein Obama, advogado e político bem-sucedido, o 44º presidente dos Estados Unidos da América, já que seria possível um corpo de negro ser animado por um espírito brilhante e intelectualmente superior como mencionados.

Reforçamos que Allan Kardec tinha, para si, classificado rigidamente as raças em superiores, colocando os europeus como mais evoluídos.

Kardec segue escrevendo sobre os chineses em relação aos europeus:

“O progresso não foi, pois, uniforme em toda a espécie humana; as raças mais inteligentes naturalmente progrediram mais que as outras, sem contar que os Espíritos, recentemente nascidos na vida espiritual, vindo a se encarnar sobre a Terra desde que chegaram em primeiro lugar, tornam mais sensíveis a diferença do progresso. Com efeito, seria impossível atribuir a mesma antiguidade de criação aos selvagens que mal se distinguem dos macacos, que aos chineses, e ainda menos aos europeus civilizados” ( Allan Kardec, A Gênese, Ed. Lake, São Paulo, 1ª edição, comemorativa do 100º aniversário dessa obra, p. 187, o sublinhado e o negrito são nossos).

“Um chinês, por exemplo, que progredisse suficientemente e não encontrasse na sua raça um meio correspondente ao grau que atingiu, encarnará entre um povo mais adiantado”. (Allan Kardec, O que é o Espiritismo, Edição da Federação Espírita Brasileira, Brasília, 32ª edição, sem data, pp. 206-207. A edição original de Qu’est CE que Le Spirisme é de 1859).

Se os chineses são menos evoluídos enquanto raça, imaginemos como não seria a China hoje se eles fossem evoluídos como os europeus?

Creio que o que escrevemos explica a raiz e a gênese da preferência por Espíritos brancos, clérigos, doutores, eruditos, europeizados e judaico-cristãos nas lides mediúnicas espíritas em detrimento dos pretos(as) e caboclos abrasileirados nas mesas e na literatura espírita. Faz parte do inconsciente coletivo que envolve – e não poderia se diferente – o mediunismo.

É claro que não queremos colocar a memória e o espírito de  Allan Kardec em situação delicada perante as outras raças e, particularmente, contra os negros. Todavia, como qualquer homem, ele foi influenciado pelas injunções culturais e sistema de valores de sua época (grifo nosso). Especialmente quanto aos africanos, se mostrou equivocado, como podemos verificar nos seus escritos na revista espírita e nas suas opiniões em  O Livro dos Espíritos, o que de nenhuma maneira desmerece o “pentateuco kardequiano” e sua importância.

Allan Kardec parte de um sentido estético estreito para desembocar numa conclusão racial limitada e errônea do biótipo africano, enquanto supostamente inferior ao branco. Necessariamente, isso não quer dizer que Kardec fosse racista, o que, cremos, seria contrário aos seus princípios éticos e humanistas.

Há que se considerar que o negro XIX não é igual ao negro de hoje, assim como nenhuma outra raça o é, muito menos os chineses, que construíram uma potencia econômica. Com o advento da civilização e da urbanização das cidades, obviamente, todas as raças dos diversos países passaram a conviver em grupos sociais mais aptos para reencarnação de Espíritos de maior porte intelectual e moral, em função das leis de afinidade que regem o processo palingenésico – reencarnações sucessivas.

Influência cultural

Importante registrar que, nos séculos passados o conhecimento dos europeus sobre a cultura africana era escasso. Sociedades africanas de características totêmicas coexistiam nessa época com culturas alhures bem desenvolvidas, como uma forma notável de organização do estado, com rei, ministros, militares e funcionários, além do que, apresentavam um sistema agrário auto-suficiente e estrutura religiosa, teológica e de crença cosmogônica bastante evoluídas, como acontece com os nagôs – yorubás – até os dias atuais.

É incorreto rotular a obra kardequiana de racista – pura e simplesmente – como fazem certos irmãos mais exaltados com a proibição de manifestação dos pretos(as) velhos(as) e também dos caboclos nos centros espíritas. Essa palavra possui uma carga semântica muito forte inadequada para definir suas posições de doutrina. Seria o mesmo que taxá-lo de machista devido a sua posição em relação à mulher ou de direitista e ultrarreacionário, pelas posições contrárias ao socialismo e ao movimento proletário francês.

Por outro lado, não dá para “dourar a pílula” e ser condescendente com o codificador da doutrina espírita. Ele manifestou, explicitamente, no que escreveu – e as letras têm memória pela eternidade – um preconceito em relação ao negro.

Longe de ser racista, podemos afirmar que ele tinha uma idéia preconceituosa para com essa etnia – assim como a grande maioria dos intelectuais europeus da época – mesmo não havendo nenhum indicio de que ele tenha discriminado algum individuo ou grupo de origem negra, seja no movimento espírita ou fora dele.

Assim como  Allan Kardec se equivocou em relação à raça negra e aos chineses, na sua teorização intitulada “A perfectibilidade das raças” e nos seus dizeres em  O Livro dos Espíritos – o que nada tem a ver com os Espíritos superiores responsáveis pela codificação do Espiritismo – assim, também, nos dias de hoje permanecem os equívocos das humanas criaturas e falíveis espíritas, como também o somos. Cabe a cada um de nós procurar o ambiente que nos faça sentir à vontade para manifestarmos os nossos mentores, seja preto(a) velho(a), branco(a) velho(a), caboclo novo, chinês amarelo, cigano ébano, hindu adolescente, criança, freira ou doutor…, seja no centro espírita ortodoxo, espiritualista universalista ou nesta Umbanda de todos nós, de todas as raças, cheiros, sons e cores. Hoje em dia, temos a liberdade de escolha e não somos obrigados a nenhum constrangimento, especialmente no tocante a algo tão importante como é a mediunidade para os nossos Espíritos endividados tão sedentos de evolução. Afinal, alguém conhece um espírito perfeito encarnado como médium?

Fica a nossa mensagem para os espíritas que sentem “abafados” por não poderem manifestar seus mentores conforme suas predileções raciais: mudem de centro para arejarem suas mediunidades, eis que, por ora, os centros não vão mudar. Não joguem fora seus mandatos mediúnicos, tão dolorosamente conseguidos antes de encarnarem. Não deixem os obreiros do lado de lá com “ a pá e a colher de pedreiro na mão” pelo fato de que não aceitam o uniforme que eles usam para a nossa própria segurança e evolução. O nome do local na Terra e a forma e preferência racial dos Espíritos é o que menos importa diante do edifício que urge ser construído: a caridade com amor incondicional.

Retirado das Páginas 44, 46, 47, 48, 49 da Revista Cristã de Espiritismo – Ano IX – Edição 69 – Editora Minuano