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MEDIUNIDADE E OS JOVENS – algumas observações


Alex de Oxóssi

O despertar da mediunidade, pode ocorrer em tenra idade, onde não é incomum a criança que seja feliz, e em família equilibrada, ter experiências visuais, ver amigos familiares espirituais, mesmo conversar com eles, ou ter lembranças vívidas da última encarnação, citando nomes, datas, até em outra língua que não a sua atual de origem.

Bem orientada, ela conseguirá lidar com isso,aos poucos percebendo que as outras crianças ao redor, não têm as mesmas interações, e a partir dos 7 anos geralmente isso se ameniza, podendo aflorar novamente na adolescência ou em qualquer momento da vida adulta.

Outras crianças, porém, cuja mediunidade se manifesta cedo, podem estar em lares desequilibrados ou seus familiares pertencem a religiões radicais em relação a fenômenos espirituais, ou suas vivências podem não ser agradáveis, através de visões que causam medo,ou constantes adoecimentos.

Estas crianças, provavelmente não encontrarão amparo na medicina convencional, sentindo-se mais confortáveis com terapias complementares e vitalistas, como a Homeopatia, Acupuntura, Florais, Cromoterapia, Reiki e outras. Com certeza também serão muito aliviadas com passes, água fluidificada, e, além disso, seria conveniente acompanhá-las, se possível com a conjunta orientação dos pais quanto à necessidade de manter-se a firmeza e disciplina moral, para que a espiritualidade protetora possa atuar de forma mais abrangente.

Na verdade, todos deveriam ser orientados e cultivar uma vida espiritual, ter uma crença, uma compreensão além da matéria, pois facilitaria muito caso houvesse uma eclosão repentina da mediunidade. Muitos adolescentes passam por provações espirituais, como transtornos de humor, que se agravam com as oscilações hormonais, com picos descontrolados de alegria e tristeza, baixa auto-estima, orgulho, raiva, apatia, etc. Se as portas da sua mediunidade estão abertas, eles poderão ficar à mercê de entidades hipnotizadoras e vampirizadoras. Há poucos dias tivemos notícia em jornal, sobre Clínicas no Japão de recuperação de jovens viciados em Vídeo games. Os bons espíritos vêm informando que as colônias trevosas vem cada vez mais utilizando a inteligência como recurso para a produção de vídeo games cada vez mais violentos e deturpadores da verdade, das noções de Bem e Mal. Isto não é fanatismo, nem absolutamente se estende a todos os jogos, mas quem tem um jovem em casa, alucinado por dias diante de uma tela de computador, sem sair de casa, ver o sol, amigos, sem comer ou dormir direito, saberá do que estou me referindo.

Ações super-protetoras, até piedade e excesso de condescendência podem agravar o quadro, ao contrário de mais disciplina e bom senso.

Muitos jovens se perdem porque se tornam joguetes de verdadeiras gangues espirituais e ninguém percebe. Allan Kardec já avisava que somos muito mais influenciados pelo mundo espiritual do que possamos sequer imaginar.

Aqueles que tiveram uma formação moral e religiosa sólida estarão muito mais fortalecidos para compreender e combater em si estas tendências obsessivas, fruto por sua vez, de verdadeiras obsessões vindas de outros planos. E em outras ocasiões, os pais conseguem o discernimento para buscar ajuda espiritual, quando notarem que as atitudes do (a) filho (a) estão fugindo o controle.

Há também aqueles que conhecem sua mediunidade, estão conscientes dela e de quanto seria importante desenvolvê-la em prol da caridade ao próximo e resgate de suas próprias faltas passadas, mas, no entanto, porque não querem assumir compromissos, se acham jovens e com a vida pela frente, ou consideram-se já assoberbados pelo mundo material, alegam não ter condições ou tempo, para umas poucas horas semanais em um Centro Espírita , Terreiro de Umbanda, ou Igreja.

Podem sofrer muitos desacertos na vida e terminam em dizer que não são agraciados pela sorte. Sabemos que especialmente aqueles que têm de andar nas fileiras umbandistas, são dos mais solicitados e sofrem bastante quando decidem não seguir os chamados das Forças dos Orixás.

Mediunidade não é um castigo, nem faz ninguém especial ou diferenciado. Todos têm em menos ou maior grau, porém para alguns, seria conveniente desenvolvê-la na atual encarnação, para poder dar prosseguimento em sua caminhada, resgatar dívidas, corrigir erros e aperfeiçoar seu aprendizado, sua sensibilidade e seus sentimentos d’alma.

É preciso saber que mediunidade NÂO é espetáculo, não é show de manifestações, não é leitura de sorte, previsão de futuro, trabalhos encomendados, modificar o destino das pessoas, comandar o bem e o mal, ultrapassar o livre arbítrio de quem quer que seja.

A trajetória pessoal de um médium é constante e nunca termina. Sempre haverá necessidade de burilamento, de harmonia com os mentores e guias, muitas e muitas situações onde haverão testes, em muitos dos quais se fracassa e fica a lição dolorosa. Mas deve-se prosseguir sempre, com uma imperiosa necessidade de se despir do orgulho, egolatria, desejos.

Cada um aprende suas lições quanto a isso, chegando à conclusão que cada um tem o que precisa o que plantou e vibrou não necessariamente o que se deseja. Infelicidade e depressão hoje em dia é muito fruto disso. Excessiva oferta de coisas, sonhos e atitudes, os quais na sua maioria, não são atendidos, e logo já aparecem outros tantos. Se não estiver provido de Equilíbrio, Auto conhecimento e Objetivos é certo a instalação de depressões e outras prisões espirituais, que muitas vezes envolvem irmãos que certamente não querem que o Bem prevaleça.

Os médiuns que se deixam encantar por falsos espíritos elevados, vão vibrando cada vez mais baixo, acabando por afastar os espíritos de verdadeira Luz…

Não estamos fazendo apologia à fuga do jovem ao desenvolvimento da mediunidade. Pelo contrário, as palavras são fruto da necessidade de fazer um alerta, mostrando que tem de ser guerreiro, com coragem, desprendimento, sobretudo Fé e Compreensão que é o caminho da Caridade, da Paciência, do Estudo, do Burilamento e Conquista do Eu, que na verdade vai conduzir à verdadeira Felicidade e Bem Estar!

Quem já teve a experiência sabe que minutos de um verdadeiro contato com um espírito iluminado, bastam para manter acesa a Luz do Buscador sincero, e não depende da religião, embora estejamos falando quase o tempo todo de Umbanda, para estas experiências ocorrerão em qualquer crença, em qualquer lugar do Mundo.

Estejam todos em Paz!

Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ
e-mail: povodearuanda@povodearuanda.com.br
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O TERREIRO DA MACUMBA


Sobrecapa-"No mundo dos Espíritos"- Leal de Souza - 1925

Sobrecapa-"No mundo dos Espíritos"- Leal de Souza - 1925

Uma luz numa arvore. – Dando agua ao bóde preto.

Tomo no terreiro! Pro baixo, a terra nossa. Pro cima, o grande véo ! Lá, no lado, nossa mão, a Santa Lua ! bradava, entre os seus adeptos, “Pae Quintino”.

E no terreiro, cercado de arvores, entre os blocos de pedra, sob o céo estrellado, a macumba, na vespera do dia de S. Jorge, iniciava , com um ensaio ruidoso, a festa de Ogun. Alinhados, entre os “filhos” de “Pae Quintino”, no circulo de homens e mulheres que o rodeavam, appareciam, estranhos áquelle meio, junto ao escriptor Nobrega da Cunha, o poeta Murillo Araujo, o desenhista Cornelio Penna e o joven catharinense Bello Wildner.

A ‘ claridade tremula de algumas velas, entre os ruflos de dous tambores e de um pandeiro, sob palmas cadenciadas, ao som monotono de um canto barbaresco, tres rapariga, – olhos dilatados, em fixidez sem alvo, aos pulos, inconscientes, com o busto tombando para a frente, para os lados, em movimentos bruscos, desconnexos, sacudidos.

Puzeram, entre as dansarinas em transe, uma negrita alta e magra, de tenra edade, com um chapéo masculino, de palha, sobre a gaforinha.

Chamaram um rapaz escuro, de renome entre os ultimos capoeiras cariocas, e, pondo-lhe, amoroso, o braço ao pescoço, “Pae Quintino” arrastou-o ao centro do terreiro, e mudou a letra do canto, substituido, assim,por um côro mais plangente e mais amplo. O capoeira, em poucos minutos cambaleou e, dansando, caia sobre os adeptos, atirava-se de cabeça, sobre as pedras, sendo, então, amparado e detido pelos circumstantes.

Uma das dansarinas rojou-se de bruços, na poeira, com os cabellos desgrenhados, mas, reerguida, continuou em seus volteios bizarros:

– Viva Ogun !

– Viva o general de Umbanda !

– Viva a espada do nosso general !

– Viva o cavallo do nosso general !

Repetiu a macumba estes brados do macumbeiro, e uma creoula sympathica de farfalhante vestido branco, apresentou, com respeito, a “Pae Quintino”, um comprido sabre Comblain. Passando-o a um de seus auxiliares, ordenou o chefe que se collocase o sabre nas mãos do rapaz em crise reputada mediumnica.

Levantando acima da cabeça o braço que empunhava a arma, o capoeira saiu a voltear, em pulos, em saltos, em pinotes, ao recrudescer dos ruflos dos tambores e do pandeiro. De promto, jogou o sabre ao chão e deitou-se de bruços, na terra. Traçou-lhe, então, sobre as costas, “Pae Quintino”, uma cruz aerea, e, fazendo-o levantar-se, repoz-lhe o sabre na mão.

O rapaz, de novo armado, estendeu a mão esquerda à extremidade da lamina, e collocou à maneira de uma canga, sobre o pescoço, a folha cortante de ferro, dando guinchosagudos, estridulos, reiterados. Alçou, de subito, o sabre, para assental-o sobre a testa, pela empunhadura, onde se enlaçaram os seus dez dedos. Um canto vibrante de estimulo e desafio irrompeu, alto, no terreiro.

Agitada em cadencia de dansa, desprendendo-se da frente de seu portador, a arma riscou um traço no pó, e, fincada na terra, ficou a tremer, emquanto, de joelhos aos pés de “Pae Quintino” , as mãos postas, o capoeira gemia, de modo lancinante, parecendo chorar.

Levantou-se “Pae Quintino”, e, com uma vela, descreveu-lhe um circulo luminoso ao redor do craneo, ao tempo em que fazia vibrar uma campainha. Recobrando-se esse

medium, a moça que trouxera o sabre, dobrou os joelho e alçou, em offerenda, uma tijella cheia dagua, com algumas pedras e duas velas accessas.

Um das dansarinas em transe, toou a tijella e, pondo-a sobre a cabeça, encruzou as mãos sobre as costas, começou a dansar, em movimentos de crescente rapidez. Dando signal para um canto de louvor à Mãe dagua”, “Pae Quintino” entrou, enthusiasmado, na dansa, gyrando em torno do sabre fincado no solo.

Com os cabellos engordurados pelo derretimento das velas, a rapariga parou, perguntando:

– Meu Pae, posso começar o serviço?

– Espera, minha fia, quero conversá, comtigo. Segunda, terça, quarta-feira, quarta-feira de trevas, quarta-feira de endoenças. Quando a Virge via Nossa Senhora na Paixão, dos seus olhos caia uma lagrima na terra, e toda a terra tremia. Tremam assim, meus fios, os nossos inimigos, e fique elles tudo, já, debaixo da planta do meu pé esquerdo. Já, disse, e bateu, no solo, com o pé esquerdo.

A rapariga, então, molhando as mãos na agua da tijella que tinha de boa edade, de bigode louro – não guardara a compostura conveniente, “Pae Quintino” applicou-lhe às palmas das mãos com uma palmatoria, dous fortissimos bolos.

Mudara o motivo do côro. Falava-se, agora, num tronco da floresta, tronco que estava ali, e tinha raizes na Costa da Africa. “Pae Quintino”, enconstando-se a uma grande arvore como se se offertasse para ser amarrado, pediu:

– Quem me dá uma luz ?

Levou-lh’a um dos seus adeptos, mas, surprehendendo-o, o velho macumbeiro, com agilidade de moço, suspendeu-se a um galho, passou para o outro, attingindo aos ramos mais altos. Lá, prendendo a vela entre as folhas, gritou:

– Viva o Céo ! Viva a Terra !

Ardia, na altura, a vela clareando as frondes, e, sem que o vissemos descer, “Pae Quintino” appareceu estirado no chão do terreiro, a gritar:

– Viva a Terra ! Viva o Céo !

Revirou-se em algumas cambalhotas, e, correndo por entre as arvores, annunciava:

– Eu vou me embora !

Reapparecendo no terreiro, perguntou, aos gritos:

– Quem me tirou a minha chave ? Quero abri a minha prota ! Meus fio, a minha chave ?

– Eu dô a sua chave ! respondeu-çhe um de seus sobrinhos, e mergulhou na sombra das ramagens, correndo.

Quando voltou, trazia, apertada contra o peito, uma tijella, com agua e folhas verdes, e arrastava, pelos chifres, um bode preto. “Pae Quintino” agarrou a tijela, e na bocca do bicho, que o pulso de seu sobrinho abriu, derramou a metade da agua, e bebeu elle proprio a restante.

Já o novo dia raiava, annunciando em longes de aurora. Começaram a dansar um samba, duas a duas, seis mulheres. Soaram, a cadenciar-lhe o sapateio, instrumentos de cordas. Era o fim do início da festa de Ogum!

O texto e imagem foram retiradas do Blog Registro de Umbanda, postado por Pedro Kritski, acessado em 10/01/2011 as 11:13, o mesmo foi digitado na integra, ou seja, com fidelidade ao que está no livro.

Os Congressos (1941, 1961 e 1973)


Bom dia irmãos,

dias atrás recebi de alguns irmãos pedidos de informações sobre segundo (1961) e o terceiro (1973) Congresso de Umbanda, eu procurei aqui na internet e não encontrei, entrei em contato com alguns irmãos da internet e consegui apenas o texto abaixo enviado por nosso irmão Diamantino Trindade o texto abaixo é parte integrante do livro Umbanda Brasileira – Um Século de História.

Rogo aos irmãos que tiverem mais informações sobre o segundo ou terceiro Congresso Nacional de Umbanda, entre em contato conosco, nos envie as informações via e-mail ou Correios. Nosso e-mail povodearuanda@povodearuanda.com.br.

1º Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda – 1941 (clique para baixar)

2º 1961 (?)

3º1973  (?)

O Colegiado Espírita do Cruzeiro do Sul organizou o Segundo Congresso Nacional de Umbanda, em 1961, no Rio de Janeiro. Um dos objetivos desse evento era fazer uma avaliação das mudanças ocorridas no panorama umbandista nos vinte anos que se passaram desde o primeiro evento, em 1941. O Congresso ocorreu no Maracanãzinho e milhares de umbandistas estiveram presentes, incluindo desta vez, representantes de dez Estados e vários políticos municipais e estaduais.

Esse evento foi organizado por Leopoldo Bettiol, Oswaldo Santos Lima e Cavalcanti Bandeira. A comissão paulista foi a mais numerosa e representativa, com a participação de Félix Nascente Pinto, General Nélson Braga Moreira, Dr. Armando Quaresma e Dr. Estevão Monte Belo. Neste congresso definiu-se a criação do Superior Órgão de Umbanda para cada Estado, congregando as Federações. Apenas o estado de São Paulo conseguiu criar o então chamado SOUESP (Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo) marcando presença no congresso posterior.

Também nesse Congresso foi apresentada uma tese diferente da que havia sido apresentada no primeiro sobre a “Interpretação histórica e etimológica do vocábulo Umbanda”, tese apresentada por Cavalcanti Bandeira em contraponto a tese de Diamantino Fernandes (delegado representante da Tenda Mirim), que no Congresso de 1941 situava a palavra tendo origem em antigas civilizações e no Sânscrito.

Em 1973, realizou-se no Rio de Janeiro o Terceiro Congresso Nacional de Umbanda. A revista Mundo de Umbanda, número 1, de 1973, publicada pelo Primado de Umbanda, fazia referências às destemidas atuações de Cavalcanti Bandeira e outros umbandistas para a realização do evento. A revista citava:

Os umbandistas desejam consolidar o dia da Umbanda e preservar os rituais comuns e afins, proclamando o desejo de congregarem num colegiado nacional os órgãos associativos e federações estaduais, a fim de evitar as distorções e os abusos que são cometidos em nome da Umbanda.

Segundo a revista, os temas propostos abordavam:

Aspectos doutrinários e filosóficos; sincretismo religioso; teologias e crenças; moral e ética religiosas; práticas e rituais; iniciação e desenvolvimento; organização religiosa; música dança e cânticos; simbologia; aspectos administrativos; os cultos e a legislação oficial; órgão nacional interfederativo; temas livres e teses sobre a Umbanda.

O Rio de Janeiro foi representado pelas mais importantes autoridades da Umbanda. São Paulo foi representado pelo SOUESP, por meio de seu presidente General Nelson Braga Moreira. Outros estados representados foram: Paraná, Rio Grande do Sul, Piauí e Santa Catarina. Wheatstone Pereira propôs a criação da Cartilha Umbandista e José Maria Bittencourt apresentou um trabalho sobre Casamento e Batismo na Umbanda, ambos aprovados por unanimidade.
Nesse evento, a religião umbandista afirmou-se como uma das que mais crescem no Brasil e uma força significativa no campo das atividades sociais. Nessa época, diversos terreiros contavam com escolas, creches, ambulatórios etc.

Após o Congresso foram fundadas onze novas federações, dentre elas a Associação Paulista de Umbanda e a Federação de Centros Espíritas e de Umbanda do Estado de São Paulo.

¹ Foi aprovada a data de 15 de novembro, como o Dia Nacional da Umbanda (nota do autor).

Iemanjá festejada em Copacabana


Enviado por Marcelo Dias –29.12.2010| 22h30m


As areias de Copacabana abrigaram hoje à tarde duas cerimônias religiosas para adeptos da umbanda, com mais de 1.500 pessoas, entre fiéis e curiosos que pararam para assistir às homenagens a Iemanjá. Num dos eventos, organizado pela Congregação Espírita Umbandista do Brasil (Ceub), a festa foi precedida por uma procissão com a imagem da entidade, do Estácio ao Posto 3. No início da noite, um barco de quatro metros foi lançado às águas com oferendas à Rainha do Mar.

O evento contou também com seguidores de outros credos. Dentre os participantes, estava o padre Geraldo José Natalino, da Igreja de Santa Bernadete, em Higienópolis, que cantou em louvor a Iemanjá e, em seguida, rezou uma Ave Maria:

— Sou sacerdote católico e o Brasil é tão rico religiosamente que temos de dar um basta a qualquer forma de ódio religioso.

— Nem parece um padre. Parece um umbandista! — brincou a presidente da Ceub, a mãe de santo Fátima Damas. — Vi muita gente dizendo cruz-credo nas ruas, durante a procissão, e não vamos nos livrar disso (do preconceito).

Na areia, uma enorme concha estilizada foi montada para receber os presentes para Iemanjá. Havia cestos de frutas, garrafas de cidra, doces e produtos de beleza. Perto dali, na festa organizada pelos comerciantes do Mercadão de Madureira, as irmãs Deílma e Denise Fernandes levaram um barco enfeitado de conchas, com oferendas para Iemanjá em agradecimento a graças obtidas neste ano.

— Participamos destas festas todo ano. Trouxemos um barco com palmas de ramos, ovos para a limpeza de espírito, canjica para a saúde, fitas coloridas para os ciganos e uma rosa amarela para Iansã, que irá reger 2011 — conta Denise.

— Vim agradecer pelo que consegui — disse a dona de casa Rita Costa, que levou palmas para a divindade.

Veja a fotogaleria aqui

 

Fonte: Jornal Extra

A PAZ POSSÍVEL


Sonhamos um dia viver em Paz, muitas vezes idealizando um lugar paradisíaco, como nas descrições bíblicas. Sempre procuramos nos despedir dos amigos, no dia a dia, em cartas, e-mails, chats, desejando Paz….

Na realidade, nosso presente é cercado por notícias escabrosas, de crimes, acidentes enormes, somos envolvidos subitamente em discussões, quer sejam religiosas, ideológicas, políticas, relativas a trabalho, e mesmo situações corriqueiras, e na maioria das vezes nem sabemos quem começou. Neste momento, o mundo de modo geral, e o Rio de Janeiro em especial, passa por momentos críticos, de guerra real, como se fosse uma 3ª edição do filme tropa de Elite….Só que o pavor é real, o choro das crianças é real, a adrenalina dos soldados é real, o suor de medo dos bandidos é real. Uma situação de guerra visando a Paz. Uma situação limite para algo além do limite.

A Vila Cruzeiro no século XIX era o Quilombo da Penha, pois um padre da Igreja Nossa Senhora da Penha permitiu que ali ficassem escravos refugiados. Ao longo deste século e inicio do século XX, já como Vila Cruzeiro, ficou famosa pela capoeira, candomblé e rodas se samba. Naturalmente eram perseguidos pela polícia e mal vistos pelas famílias de “bem”. Na verdade, foi ali que nas festas da Igreja da Penha ficou muito conhecida a barraca de uma grande candomblecista , a Tia Ciata. Durante meio século era ali que começava o carnaval, dos bons tempo, da alegria espalhada e descontraída do carioca. Mas agora, aí está, como uma mancha negra sobre a região. Será a ambiência das dores antigas que favorece? Ódios mal resolvidos, retornos e carmas a serem ressarcidos?

Já o Morro do Alemão, de onde se espalha o Complexo do mesmo nome com quase duas dezenas de favelas, começou vamos de uma derrocada ecológica, quando um polonês ( chamado de alemão) refugiado da 2ª Guerra Mundial, comprou uma fazenda , grande parte do morro, e na década de 50 resolveu vender os lotes, que rapidamente foram tomados e aleatoriamente construídos. Urbanisticamente o Morro do Alemão teria que ser todo reconstruído, pelas inúmeras valas abertas, ruas estreitas e irregulares e casas construídas precariamente. Que miasmas terão se acumulado, que vibração tão nefanda ocorre naquele local que já foi um Parque de Conservação, com inúmeras nascentes de água límpida? A construção de industrias e algo terrivelmente poluente como um Curtume, o Curtume Carioca , e posteriormente a construção da Avenida Brasil, traçaram o destino desta região.

Sonhamos e imploramos que haja Paz, ali, neste local de tanta dor e medo, como em muitos e muitos locais semelhantes ao longo do Mundo, lugares que talvez nem sonhemos, mas que há como um portão para o umbral. Pensemos por exemplo no Haiti, o que é aquilo? Nós, que acreditamos em algo mais, sabemos que são encontros do passado, são recrudescências de antigas marcas, para quem acredita, os chamados carmas coletivos.

Pedimos tanto pela Paz, mas temos enormes dificuldades de preservar a nossa, como se ela só fosse possível num futuro distante. Lutamos arduamente contra dificuldades com colegas de trabalho que querem competir conosco, ou nos prejudicar, com familiares que não nos aceitam, com injustiças que sofremos sem entender, desonestidades ao nosso redor, sentimentos menos bons, que captamos dos mais diferentes lugares, e até mesmo de quem não esperamos, além dos nossos próprios, que precisam a todo instante passar por um crivo severo.

Como trazer a Paz para nosso coração e como podemos emitir essa Paz ao nosso redor?

Não dá para esperarmos por condições adequadas, pois elas podem nunca acontecer.

Então temos de encontrar nosso centro, nos conectar ao mesmo tempo com nosso emocional, nosso intelectual e à ambiência a nossa volta. Estar de prontidão, mas sem expectativa, sem anseios que tumultuam o íntimo. Temos de ficar numa posição privilegiada em relação ao mundo, não uma atitude superior, mas de forma a compreender e ter uma visão mais abrangente, de modo a antecipar eventos que poderiam perturbar a Paz nas nossas redondezas.

E cultivar o verdadeiro Amor no coração, sacrificando às vezes parte dos nossos sonhos, em vez de lutar por eles, se eles estiverem sonegando espaço do sonho dos outros, e exercitar a Paz Possivel, com aqueles que nos são caros, aqueles que o Mundo Maior colocar em nosso caminho.

Podemos prosseguir com nossos ideais e nossos destinos, falando com a palavra mansa, olhando com os olhos atentos, manifestar nossas convicções, defender as nossas afirmações interiores, sem cometer um só pensamento desarmonioso. Essa maestria tem de ser alcançada, nos recônditos de nossas almas, nas conversar com nosso Eu Interior, e com nossos guias e espíritos protetores, e sobretudo, não usarmos, nem para nós mesmos a 1a pessoa do singular, mas sempre um pensamento plural.

A Paz Possível que cada um de nós possa conseguir, pode não ser a Paz Perfeita, mas será aquela que nos manterá de pé, em todos os vendavais, sem agravarmos nossos carmas e aquela que conseguirá secar algumas lágrimas , levar alguns abraços , formar alguns sorrisos, ou mesmo evitar que se cometa qualquer ato que infelicite o próximo. Isto já será o alento de cada coração que tenta glorificar a condição humana como manifestação física de evolução do espírito, e cujas intenções reverberam em todos os planos vibratórios.

Alex de Oxóssi

“NEM TUDO É SHOW”


Queridos irmãos,

agora pouco estava ouvindo o programa FALA UMBANDA com nosso irmão MARCO da ASSEMA e lá percebi um comentário sobre algumas pessoas que vão em alguns terreiros e fazem shows, discordei sobre o fato, pois não é bem assim com todos, nem tudo é show, talvez ele esteja acostumado em ver estes shows, mas em outros terreiros nem sempre é show.

Lembremos que no Espiritismo os passes são dados por médiuns e não por médiuns incorporados, na Umbanda a maioria dos passes são dados por espíritos incorporados, diferente do Espiritismo. Na Umbanda trabalhamos com Falanges de Trabalho e nestas nem sempre temos espíritos na mesma evolução, entendemos ainda que determinados espíritos aproximam-se destas Falanges sem nem mesmo trabalharem na Lei ou ainda seguirem o que a mais baixa evolução desta Falange transmuta. Então é muito perigoso dizer que este ou aquele, nesta ou naquela Casa não deveria aparecer por se tratar de um passe no ser encarnado e não no espírito, entidade, guia, muito complicado afirmar tal fato baseando apenas no que percebemos em nossas Casas, devemos perceber sim nossas Casas não fechando os olhos para a espiritualidade, se afirmarmos tal fato estamos fechando os olhos para os ataques eminentes em nossas giras.

Povo de Umbanda acha que porteira segura é tudo e não é bem assim, nossos corações e mentes seguram alguma coisa, mas a egregora é mais latente neste momento, achar isso ou aquilo confiando em nossas porteiras e no que pensamos conhecer é abrir a guarda para qualquer marginal astral. Eu já vi egun usar nome de diversas entidades e não afirmo que isso não aconteceu nas Casas que já fui filho, ou que não vai acontecer na Casa que serei filho ou ainda na Casa se algum dia eu comandar, estamos propícios a estes, e nem sempre são os marginais astrais que chegam em um passe.

VAMOS IMAGINAR…

Determinada pessoa está em uma gira de Preto Velho e toma um passe de um espírito que se diz ser de Aruanda e esta deveria trabalhar com um Preto Velho de Aruanda e por algum motivo ou ainda até medo ou vergonha não aceita ser um médium. Este Preto Velho neste passe não irá manifestar? Marco amo a ASSEMA, tenho muito respeito por todos desta Casa e principalmente por você, mas eu discordo totalmente de você quando diz que este tipo de manifestação pode ser ou é um SHOW.

Irmão muito cuidado ao avistar seu quintal, pois no mesmo bairro, cidade, estado, país, existe outros quintais, além de tudo isso é perceber também a mediunidade, pois é bem mais ampla que nossos quintais, perceber ainda a sabedoria dos espíritos, conheço diversas pessoas que até posso lhe enviar nomes de alguns nomes de Curitiba que hoje estão na ASSEMA que recebiam Entidades até mesmo na rua ou ainda poderiam receber, no trabalho e em outros locais e não é SHOW, eu chamo de mediunidade aflorada (descontrolada). Mediunidade aflorada? Mas não seria termo do espiritismo? Sim, talvez, mas eu prefiro dizer termo da espiritualidade e nada mais.

Marco nem tudo é SHOW, e nem tudo é critica ou ainda porrada, pancada como disseram lá na rádio se ouço a rádio é por lhe respeitar, eu tenho diversas sobre Umbanda para ouvir, mas prefiro sempre onde você está, pois gosto do que falas, mas no calor de um programa eu reconheço sim que erramos, sou diretor de um programa de rádio e este existia bem antes de eu nascer, o programa foi criado pelo meu pai a 45 anos atrás, mas falar em microfone é bem complicado para mim, neste programa não existe religião, apenas musicas bem antiga, meu pai não é um bom locutor, é apenas um ótimo comunicador, mas eu sempre trabalho nos bastidores e ele sempre afirmar que sou diretor do programa que ele nada faria sem a minha ajuda e eu apenas digo nem existiria o programa se fosse por minha iniciativa. Marco precisamos de bengalas, mas as bengalas não movimentam só, elas nem mesmos seriam bengalas. Entenda como quiser apenas estou lhe repassando o que a espiritualidade me repassa, um dia talvez terei a chance de falar outras coisas diretamente ou amplamente. Microfone? Nunca…rs. Prefiro escrever com meu português porco.

O Link deste post será enviado ao Marco da ASSEMA e este post será aberto a comentários e que nosso irmão deixe o comentário aqui.

A Cromoterapia na Umbanda


I) INTRODUÇÃO

A utilização a cor em qualquer religião, ou melhor em qualquer processo mágico remonta aos tempos mais antigos. A luz é uma vibração energética, da mesma forma que as vibrações mais sutis empregadas na Magia. È perfeitamente sabido da utilização das cores nas mais diversas áreas do conhecimento.

Hoje em dia, o processo de planejamento de hospitais, como foi o caso do Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da tijuca, obedece às técnicas de cromoterapia.

Desde a mais remota Antiguidade, o ser humano vem fazendo uso da cor com as mais diferentes aplicações. Recentemente, uma grande pesquisadora sueca, desenvolveu uma técnica de harmonização baseada na aplicação das cores com o nome de aura-soma.

Os egípcios da Antiguidade, povo de origem da nossa querida Umbanda, sabiam perfeitamente utilizar as cores nos seus diversos rituais. Por exemplo, quando um sacerdote fazia uso decores nos seus lábios ou nos seus olhos, o fazia dentro de uma rígida técnica cromoterápica. Quando embalsamavam seus mortos utilizavam, também, as cores adequadas ao ritual.

Assim, foi se difundindo todo o estudo desta grande ciência, que aliada ao uso da radiestesia, ou seja, o pêndulo, nos ajuda tanto na realização de nossos rituais.

II. AS CORES E A UMBANDA

Fazendo agora um, paralelo entre a Cromoterapia e a Umbanda, iremos verificar um perfeito casamento entre a religião e a ciência ( sim, a Cromoterapia está fundamentada em conceitos científicos).

Iremos verificar que a exuberância de cores nos rituais Umbandistas têm seus fundamentos no estudo da Cromoterapia.

A seguir, farei uma abordagem de cada Orixá, sua cor e seu significado. Antes porém, cabe-nos lembrar que o Orixá é uma vibração, da mesma forma que a luz. Quando utilizo as cores de um dado Orixá para um trabalho de Magia, é como se estivesse utilizando das mesmas vibrações coloridas da luz para a mesma finalidade.

OXALÁ

Iniciando por Oxalá, Orixá da Paz, da Harmonia e do Amor. Suas cores são o branco e o dourado. O branco representando muito bem a paz evocada por este Orixá e o dourado a vibração luminosa que faz a conexão perfeita com a Divindade. Que outro Orixá não traduz melhor esta conexão divina ?

OMULU

O preto e o amarelo. O preto simboliza o retorno. È Omulu que faz este retorno através do mundo dos mortos. O amarelo é a mente. Poder mental que unido a este retorno, realiza todas as mudanças necessárias à nossa vida. Omulu é o grande Senhor da Transformação, daí muitas vezes, sua representação estar calcada nas cores roxo e amarela. O roxo é a maior vibração de transmutação que pode ser sentida. Omulu transmuta todas as nossas dores em alegria , a doença e saúde.

YEMANJÁ

No azul temos a mais perfeita tradução das deusas femininas. Yemanjá é o símbolo maior da força feminina. Todas as grandes deusas ostentam a cor azul, uma vez que esta cor é considerada a mais feminina de todas as cores. O azul, que da mesma forma que a mãe, acalanta e aconchega. No branco, a Paz. Assim, se faz a união perfeita da Paz com o Amor da grande Mãe, resultando na fertilidade evocada por este grande Orixá.

NANÃ

A senhora da transcendência espiritual e das transformações está muito bem expressa no roxo e no lilás, suas cores. Nanã faz a ligação com os diversos planos da espiritualidade, da mesma forma que o lilás. Enquanto isso, o roxo irá transmutar todas as dores e preconceitos para que a mente, liberada, vislumbre estes diversos Planos.

OSSAYN

O rosa da Harmonia com o verde da cura, Ossayn se traduz na Senhora das ervas e das curas. È necessária a Harmonia para que se encontre os meios de se buscar a cura de todos os males.

OXOCE

No verde a cura e o despertar do outro, o despertar de entender que não estamos sós, fazemos parte de uma grande nação chamada Humanidade. Com o vermelho da coragem, a união perfeita para se alcançar, não só a cura de nossos males, mas também a purificação de nossos corpos quando o branco entra e, pela Paz e Harmonia, realiza a grande Magia alquímica de nossa ligação com os mais altos planos a espiritualidade.

OGUM

È o grande guerreiro universal. È o vencedor de todas as nossas demandas internas e externas. È aquele que abre todos os caminhos para que nossa missão se realize. O vermelho lhe cai perfeitamente, principalmente , quando se une ao branco da Paz, mostrando que suas batalhas não trazem tristezas, mas são coroadas pela vitória de todos os seres humanos.

OXUM

A Senhora do Ouro, como por muitos é conhecida, está muito bem representada pela cor dourada. O dourado da mente que não necessita da força bruta para se afirmar. Oxum é a grande senhora que nos mostra a necessidade de depormos nossas armas, sejam elas revólveres ou posturas e abrirmos nossa mente ao novo. Com o azul índigo representando o poder do querer da vontade férrea, Oxum simboliza com as suas cores a realização de um mundo melhor.

YANSÃ

Sem a energia do coral nada poderia acontecer. È esta vibração luminosa que nos dá a coragem e a determinação para enfrentarmos as mais difíceis situações em nossas vidas. O coral faz com que qualquer energia possa subir, qual um chafariz, e transbordar em luz para todos, Quando se junta ao amarelo, Yansã sabe o momento para a tomada de decisões.

XANGÔ

O marrom da terra traduz perfeitamente esta energia tão mágica que nos dá a sustentação para o resgate de todas as nossas dívidas. Xangô é o grande sábio que traz a Justiça Divina. Junto com o amarelo, harmoniza esta mesma Justiça.

Agora poderemos Iná falar um pouco sobre as falanges:

EXU e POMBA-GIRA

Nas cores vermelho e preto, suas cores básicas, encontramos a melhor tradução para estes seres tão queridos e de tanta luz de nossa querida Umbanda. O preto é o símbolo maior do grau mais elevado que alguém pode alcançar no seu processo iniciatório. O vermelho é o símbolo da vida, da força e da energia. Vermelho e preto, juntos, formam a grande união entre a vida na matéria e o processo religioso, ou seja a união, na matéria, do entendimento da verdadeira vida que nossos olhos não enxergam.

CRIANÇAS

Conhecidos como Povo Cor de Rosa, sua cor básica. È pura alegria, Amor e Harmonia. Ora, que outros atributos não estaria melhor representados por esta cor?

( Autor Anônimo)