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TAMBOR DE MINA


Culto Tambor de Mina, de origem africana semelhante ao Candomblé

No Brasil-Império (1822-1889), a Província do Maranhão foi a segunda a receber o maior número de trabalhadores escravos, só ficando abaixo da Província da Bahia. Neste intercâmbio forçado e sofrido, os escravos trouxeram sua cultura e tradição. No Maranhão, uma de suas marcas foi o Tambor de Mina…Continue Lendo

NOVOS CAMINHOS – EM BUSCA DO CONHECIMENTO UNIVERSAL


candAruanda é uma dimensão no astral, conhecida por ser morada das entidades luminosas da Umbanda. Dizem que o nome “Aruanda” se originou de uma derivação do nome do principal porto de Angola, chamado Luanda, por onde ocorreu o triste episódio de desterro dos africanos capturados e transformados em escravos, sendo enviados para o Brasil.

Depois, os escravos foram adaptando suas crenças, e começaram a idealizar Aruanda, terra sagrada dos luminares e protetores, dos guias de Luz e dos falangeiros dos Orixás.

Portanto, acredito que Aruanda, como outra cidade no astral, o “Nosso Lar”, não tem fronteiras religiosas, culturais, ou raciais. Ali estão as entidades puras, sejam de onde vier, porque sabemos que muitos são os caminhos que levam ao Pai Maior. Com certeza ali estarão também espíritos de candomblecistas que evoluiram e estão nas dimensões elevadas a orientar e sustentar os filhos da Terra.

Então, estamos iniciando uma nova jornada neste espaço abençoado que se chama “Povo de Aruanda”, que já atingiu mais 14 milhões de acessos, e nele nosso irmão, o Babalorisá Raimundo Ribeiro , irá postar textos sobre o Candomblé, e estará disponibilizando seu e-mail para trocar informações com quem tem dúvidas.

Aproveitamos e convidamos os irmãos e irmãs a caminharem conosco neste novo impulso, trazendo suas dúvidas, seus questionamentos, pois desta maneira estaremos acrescentando conhecimento e com certeza estaremos nos harmonizando com o Pai Maior, num momento que a ambiência planetária está tão necessitada de boas vibrações.
Deixo então uma oração, para que possamos inaugurar esta nova fase :

Zambi, Pai Misericordioso
Guia nossos passos,
Abre nossos olhos,
Dulcifica nossos corações.
Conduza nossas palavras
Pelos melhores caminhos.
Nos ensine a seguir impávidos
Dia a dia, através das intempéries.
Que os Orixás benditos estejam conosco:
Yemanjá, Odoiá, minha mãe, nos envolva
Com teu manto de estrelas, e nos guie
Por estes mares incógnitos.
Oxóssi, Okê Arô, meu Pai!
Me oriente através
De suas flechas certeiras
E com seu brado forte não permita
Que inconsequentes interfiram em nosso intento.
Oxum, oh, doce Iabá
Lava com suas águas
Esta rede invisível e plena de energia
Que permeia o espaço e chega a inumeráveis lares.
Vibre sobre todos o Seu Amor Infinito.
Ogum, Ogunhê, guerreiro do Bem!
Nos proteja e nos ampare
Nos dê firmeza e estabilidade
Em todos os momentos,
Permita que continuemos nossa jornada
Sem que qualquer perturbação tolde nossa meta
De abraçar cada vez mais nossas Religiões,
nossa Esperança e nossa Fé.
Iansã, Eparrei, Senhora!
Varra para bem longe
Cinzas, desavenças e restolhos
Leve para o espaço longínquo
Todo o pensamento vão,
Toda a inveja, calúnia e violência.
Xangô, Kaô, Kabecile!
Justiça, Pai, Justiça sempre
Nos velando do alto de sua pedreira
Nos envolvendo com sua proteção
Na qual confiamos do fundo de nosso Ser,
pois sabemos que buscamos a Luz, mesmo nas trevas,
e em momento algum trairemos nossa crença e ideal.
Nanã, Saluba!
Traz para nós sua sabedoria e nos liberte
De nossas próprias amarras pela auto-compreensão.
Misericórdia, grandiosa Nanã Buruquê!!!!!
Obaluaiê, nos abençoe com a Saúde Física e Mental,
Nos fortaleça e nos oriente em todos os momentos
Trazendo a este local Harmonia, Estabilidade
Coragem para novos caminhos.
Nos prostramos e lhe saudamos
do fundo e nossas almas.
E que o Panteão dos Orixás,
Receba esta humilde prece
Feita de nossa alma buscadora
Na direção de um caminho melhor
Para outros buscadores.
Que o aprendizado que aqui nascer
Se multiplique mundo afora
Em forma de Amor e Caridade, sempre.
Que tenhamos sempre, brilhando em nosso peito
A Estrela Guia que ilumina os caminhos, as fronteiras
E as diferentes dimensões, por onde caminhamos
A serviço do Pai.
Que assim possa ser.

Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

19 de abril – Santo Expedito!


Santo Expedito foi martirizado na Armênia. Ele era militar, foi decapitado no dia 19 de abril de 303, sob o imperador Dioclesiano, que subira ao trono de Roma em 284.

A existência de Santo Expedito é verdadeira. Armênio, nascido em uma pequena cidade chamada Melitene, participava da 12ª. Legião, denominada “Fulminante”, desde os tempos de Marco Antônio. Esta Legião tinha a missão de defender o império romano dos bárbaros asiáticos. Outros oficiais cristãos de seu exército foram supliciados e mortos na perseguição realizada pelo Imperador Diocleciano.

A Armênia é uma região da Ásia Ocidental situada ao sul do Cáucaso entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, nas margens nos rios Tigre e Eufrates. De acordo com as escrituras ( Genesis 8.6), foi sobre as montanhas armênias do Ararat que a Arca de Noé pousou quando as águas do dilúvio abaixaram.

O Imperador Diocleciano subiu ao trono em 284. Por seu caráter, parecia oferecer aos cristãos garantias de benevolência, pois havia em seu palácio liberdade de religião, sendo inclusive sua esposa Prisca e sua filha Valeria, cristãs.

Mas sob a influência do seu genro Galero, pagão convicto, determinou a perseguição dos cristãos, ordenando a destruição de igrejas e livros sagrados, a cassação de assembleias cristãs e abjuração de todos os cristãos. Galero e sua mãe, também pagã, conseguiram convencer Diocleciano que o cristianismo conspirava contra a augusta pessoa do Imperador.

Diocleciano empreendeu a última maior perseguição aos cristãos, uma verdadeira hecatombe, envolvendo membros de sua própria família e servidores de seu palácio. Somente em 324, com a retomada do poder pelo Imperador cristão Constantino, é que por fim tais terríveis perseguidores cessaram. Na mesma época também foram supliciados o pretor Sebastião, o legionário Jorge, nossos grandes conhecidos

Segundo a história, ele levava uma vida devassa; mas um dia, tocado pela graça de Deus, resolveu mudar de vida. Foi então que lhe apareceu o Espírito do mal, em forma de corvo, e lhe segredou “cras….! cras….! cras….!” que quer dizer: amanhã…! amanhã…! amanhã…!, isto é deixe para amanhã! Não tenha pressa! Adie sua conversão!

Mas Santo Expedito, pisoteando o corvo, esmagou-o, gritando: HODIE! Quer dizer: HOJE! Nada de protelações! É pra já! É por isto que o Santo Expedito é invocado nos casos que exige solução imediata, nos negócios em que qualquer demora poderia causar prejuízo.

No Brasil, sobretudo, Santo Expedito é invocado nos negócios e dificuldades da vida. Conhecido como “o santo das causas urgentes”

Dentro da Umbanda, Santo Expedito seria o respons´vel por uma das falanges da linha de Oxalá,junto com Santo Antonio, São Cosme e Damião, Santa Rita, Santa Catarina, e Saõ Francisco de Assis.

Oração ao Poderoso Santo Expedito

Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes interceda por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo, socorra-me nesta hora de aflição e desespero, meu Santo Expedito Vós que sois um Santo guerreiro, Vós que sois o Santo dos aflitos, Vós que sois o Santo dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas urgentes, proteja-me. Ajuda-me, Dai-me força, coragem e serenidade. Atenda meu pedido (Fazer o pedido). Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estas horas difíceis, proteja de todos que possam me prejudicar, proteja minha família, atenda ao meu pedido com urgência. Devolva-me a paz e a tranqüilidade. Meu Santo Expedito! Serei grato pelo resto de minha vida e levarei seu nome a todos que têm fé.

Muito obrigado.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

Fontes de estudo:
UMBANDA ESTUDO
GENUÍNA UMBANDA

A CIENCIA ENCONTRA A CAUSA DE TODAS AS COISAS


A Ciência só crê naquilo que pode perceber conscientemente e de forma palpável. No entanto, a questão da consciência de si e do mundo ao redor é tão corriqueira que nem pensamos a respeito no dia a dia. E, no entanto, estamos aqui!

A percepção de estarmos vivos, coração batendo, sangue pulsando, pulmões funcionando, na maioria das vezes foge da consciência, vai para planos mais profundos, enquanto ficamos perdidos em situações que achamos inadiáveis, mas nada serão se algo nessas funções vitais parar.

Achamos que são verdades aquilo que queremos colocar às claras na consciência, mas o que é tão visível e palpável para nós, assim também o é para quem está ao lado?

Com toda a certeza, a ciência não encontra e tão cedo não encontrará no cérebro físico, a verdadeira sede da mente, e da consciencia.

Porque para nós ela se situa no plano espiritual, onde se encontra, tambem o verdadeiro mundo. (Jesus dizia: Meu reino não é deste mundo”)

Platão, na antiguidade grega,, tinha a teoria que o mundo real se encontrava no mundo das ideias. Se por exemplo, voce ver a imagem de uma cadeira, para voce aquilo é realmente uma cadeira, algo para sentar e descansar. Para outra pessoa, a palavra pode ser outra, mas ao ver o móvel, em sua mente saberá que servirá para sentar e descansar, mesmo que tenha outro nome.

E quantas vezes se discute acirradamente por idéias e crenças, que possuem nomes diferentes. Por que há guerras religiosas, se Alá e Deus são os mesmos?

Há um outro exemplo interessante. Numa floresta fechada e isolada, cai subitamente uma árvore. Ninguem estava por perto na hora. Pergunta-se: houve barulho? Ou não houve? Se não haviam ouvidos para registrar o som, e consciencia para raciocinar que uma árvore caía, houve ou não ruído? O limite do sim e do não vão se estreitando se pensarmos nisso…

Outra coisa, não percebemos, mas a cada instante nossas células estão sendo substituídas incessantemente por outras. A cada dia no físico, morremos e renascemos se assim pensarmos. Após dois anos, não há vestígios das células que hoje fazem uma pessoa, são todas novas, e todas renasceram com as mesmas características e funções , numa memória mágica, a consciência micromolecular ali está…E tudo invisível aos nossos olhos.

Muitos ainda dizem que só acreditam naquilo que veem. Então, como é que fica? E quanto aos raios gama, raios beta, raios X, Raios lase para cirurgia, microondas, ondas de cellares, televisores e monitores? Todos veem as consequencias das emissões, mas estas energias são invisíveis. Então , elas não existem? É, a questão da consciência vai longe…..

Mas, voltando á questão de nosso corpo funciona independentemente de estarmos ou não consciente de como ele faz em meio a tantas enzimas e trocas bioquímicas, tudo funciona como uma fábrica.

O que faz funcionar uma fábrica? É alguma forma de energia, certo? Que precisa de combustível…. E o que fazemos quando comemos e bebemos, para ficarmos fortes e ativos? Estaremos assimilando combustível para eses intrincados caminhos de geração de energia, que é a expressão da vida, e que não se reproduz em laboratório. Sempre haverá a necessidade de uma pequena parte de nós, nem que sejam alguns gens, para um cientista conseguir uma célula viva.

O cientista aspira algumas células do fígado, coloca em determinado meio rico em nutrientes, e daqui a pouco estas células se trasnformarão em outras iguaizinhas. Não serão células de pele, de rins, mas células do fígado, através dessa consciencia invisível, acrescida de energia, para ordenar a multiplicação celular.

Daí vemos estas coisas maravilhosas, como milagres acontecendo, ao começarmos a prestar atenção ao nosso corpo, ao vento sobre a pele, o pulsar das veias, o movimento regular da respiração, a intrincada física da visão….

Só podemos chegar a uma conclusão, a que somos consequencia de uma Causa Maior. É aí que a ciência encontra a religião. Quando sob qualquer noime que seja, ela encontra finalmente a CAUSA, também conhecida por nós como DEUS.

Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

A IMPORTÂNCIA DO AMOR-PRÓPRIO


Revista Espiritismo e Ciência- no 91- Mythos Editora- pg. 24-28 dez.2011


“O amor-próprio saudável é fundamental para os relacionamentos humanos, em particular as parcerias afetivas”

Rogério Coelho

“(…) O amor-próprio dá a exata dimensão do que se é, de como se encontra e de quanto se necessita realizar.” Joanna de Ângelis (Divaldo Franco.Garimpos de Amor, LEAL, 2003,capítulo 19).

Se o nosso psiquismo fosse uma empresa comercial, o “ego” seria o pior gerente que poderíamos contratar para administrá-la, e o “self” seria o mais bem indicado.

Os grandes psicoterapeutas aconselham seus clientes a prestarem mais atenção à ancestral sabedoria grega sintetizada no célebre axioma “conhece-te a ti mesmo”, tão propalado por Sócrates há dois mil e quinhentos anos.

Eles mostram também a imperiosa necessidade de se expandir as funções mais importantes da inteligência lógica, emocional e multifocal para, entre outras coisas, desenvolver a qualidade de vida, concretizar sonhos, conquistar acalentados objetivos; enfim, para “navegar” no ignoto e tão proceloso oceano da emoção com segurança e, consequentemente, superar os percalços ambientais, reescrevendo, assim, a própria história com as tintas fortes das decisões seguras e inabaláveis. Assim, quem desejar ser feliz, tranquilo e sábio, deverá aprender a proteger sua emoção e governar a si mesmo.

Outra providência saudável e útil é nos reposicionarmos adequadamente face aos nossos erros e fracassos. Em vez de nos descoroçoarmos com eles, devemos transformá-los em degraus de ascensão, considerando-os simplesmente lastros de experiências.

Dissemos inicialmente que o “ego seria o pior gerente de nosso psiquismo e o “self” o melhor, porque aquele é superficial, sem balizas de segurança, enquanto este está sedimentado nas mais profundas anfractuosidades do ser, nas regiões do “arquivo” onde está “guardada” nossa memória profunda, nosso acervo de experiências arrebanhado durante todo o percurso palingenésico já percorrido. È nessa região abissal de nós mesmos que se localiza “o Reino de Deus”, na qual devemos plantar as raízes da nossa individualidade e da nossa personalidade, a fim de bem gerenciarmos nossa própria vida e, consequentemente, nossa vida de relação.

No amplo cardápio de recursos com os quais nos abastecemos para nossa caminhada evolutiva a fim de promovermos nossa emancipação da infância espiritual, na qual ainda estagiamos, surge um elemento muito especial e importante: o amor próprio sabiamente dimensionado.

Segundo a nobre mentora Joanna de Ângelis ( em “Garimpo de Amor”), “(…)Literalmente, pode-se definir o amor-próprio como sendo aquele que o indivíduo devota a si mesmo, a forma ideal de buscar a renovação interior, de progredir moram e emocionalmente, de construir o edifício das realizações que aformoseiam o caráter e o plenificam em profundidade. Ele é conquistado através de um grande silêncio, a fim de que se possa auscultar o íntimo, de modo a ouvir as mensagens que nele se encontram adormecidas e que irão despertando suavemente, apresentando o seu magnífico sentido por promanar de Deus. Sem esse valioso contributo, perde o significado essencial que é dirigido ao Si profundo, resvalando para as conturbadas manifestações do “ego”, que se apossa das aspirações de beleza e de harmonia, transformando-as em imposições angustiantes que ferem os sentimentos dos outros, em razão do exagerado narcisismo de que se revestem.

O autoamor é a mais promissora de ampliar a capacidade do afeto, direcionando-o para outras formas de vida, para outras pessoas. (…) O amor a si mesmo, proposto por Jesus, é um convite sem retoques à dignidade pessoal, ao reto cumprimento dos deveres em relação aos anelos íntimos que se estendem aos sentimentos do próximo. (…) O amor-próprio saudável é fundamental para os relacionamentos humanos, em particular nas parcerias afetivas, no matrimônio ou não, quando direcionado para o processo de autoiluminação.

Não predominando esse propósito, ei-lo manifestando-se como competitividade, em que um pretende se sobrepor ao outro. Essa infeliz conduta responde pelos desastres nos relacionamentos por faltar compreensão em torno do diálogo que não pretende vencer o opositor e sim esclarecê-lo, encontrando um caminho ideal por onde ambos transitem sem agressão nem domínio de espaço, no qual se movimentem em busca de suas realizações, sem que haja prejuízo de natureza alguma para qualquer um deles.

(…) Induzido ao autoaprimoramento, o Espírito torna-se tolerante para com as defecções do seu próximo, embora não concordando com essas atitudes infelizes; não se transforma em julgador de ninguém, porque conhece as dificuldades com as quais se defronta nesse embate de autocrescimento que não cessa. A sua visão de mundo é mais abrangente, mais rica de compaixão, mais enternecedora. Os seus sentimentos se fortalecem, não se submetendo às imposições infantis e doentias das pessoas amadas. Esse enriquecimento opera o milagre de paz interior por compreender que, mesmo não amado, tem o dever de amar e, embora ignorado em relação às próprias conquistas, cumpre-lhe preservar o amor a si próprio.

Quando é humilhado, não se sente diminuído; exaltado, não acredita na superioridade pessoa; perseguido, não teme aa ninguém ou situação aflitiva qualquer; bajulado, não acredita na lisonja mentirosa. O amor-próprio dá a exata dimensão que se é, como se encontra e de quanto se necessita realizar a fim de alcançar o objetivo da harmonia.

Preserva o teu amor-próprio da habilidade mefítica do “ego”, não te estremunhando com as pessoas que, de uma ou de outra forma, não te atribuem a consideração que supões merecer. O teu valor moral não pode ser medido ou compreendido por outrem que não esteja em nível de idêntica percepção. Com o amor-próprio acima de suspeitas infundadas, conquista as paisagens íntimas e sai no rumo do Infinito”.

Joanna de Ângelis ainda afirma (Divaldo Franco,”Filho de Deus”,LEAL, 1995, cap. 5, parágrafo 7): “(…) O essencial á vida é a sabedoria para conduzi-la a fim de conseguires não apenas coisas, senão lograres a plenitude e a abundância que o teu direito de herdeiro de Deus põe à tua disposição. Se adquires a maioridade espiritual, seguirás a caminhada evolutiva utilizando-te e felicitando-te com todos os tesouros da Criação “.

William Shakespeare exalta a sensibilidade como ferramenta auxiliar de identificação íntima do nosso status quo evolutivo, uma vez que ela nos proporciona um posto de observação elevado para dimensionarmos se estamos sendo “grandes” ou “pequenos” nas aquisições das virtudes e nos cerceamentos de tudo que não é desejável em nosso caráter, bem como nos enseja o dimensionamento do melhor modo de proceder na vida da relação de maneira harmoniosa. Atentemos, pois ao pensamento shakespeariano, em sua página intitulada “Como se mede uma pessoa”:

“Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento: Ela é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravada e espontaneamente; é pequena para você, quando só pensa em si mesma, quando se comporta de maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento que teria de demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o respeito, o carinho, o zelo e até mesmo o amor”.

Uma pessoa é gigante para você, quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você, quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do o outro, quando age, não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma; é pequena, quando se desvia do assunto e quando se deixa reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande; uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia se ínfimo. É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas agigantam-se e encolhem-se aos nossos olhos. Mas o nosso julgamento deve ser feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande: é a sua sensibilidade sem tamanho”.

Fora qualquer tipo de intolerância!!!


Cada ser vivo no Planeta é uma individualidade. É um modelo microcrósmico, onde sua rede de gens e DNA é única. Por mais que a ciência avance na área genética, não consegue reproduzir dois indivíduos totalmente iguais. Temos os exemplo das clonagens de animais : no último instante, ocorre alguma modificação aleatória, e embora fisicamente pareçam idênticos, observando-os melhor , nota-se alterações mínimas, uma mancha no pelo , a cor diferente dos olhos, mas no caso do caráter e personalidades, muitas vezes são completamente opostos.

Assim, a Divina Providência faz com que cada um seja único no Universo, principalmente o seu jeito de ser, de agir e se posicionar frente à vida.

E isto ocorre, voltando a nos referir aos seres humanos, porque cada um é importante. Cada um com seu jeito peculiar de ser, suas crenças, seus pensamentos, tem um lugar no mundo das ideias, assim como no mundo das formas.

Nesse raciocínio, cada um é importante pelo que pensa, pelo que se posiciona, deve ser ouvido e respeitado, porque é único, embora haja a natural formação de grupos de pensamentos, filosofias e crenças, aos quais aderem e se agregam os semelhantes.

Para que isso seja totalmente válido, é imprescindível que todos estejam acordados, auto-conscientes da mensagem que Deus lhes permitiu trazer, de forma única, a divulgar sua existência terrena.

Para isso, tem que se estar desperto e não ser um fantoche de clichês, um repetidor de ideias que não são suas. Para isso é necessário ter o auto-valor de pensar e ter uma opinião, buscando ampliar seus conhecimentos. Este é o único caminho para quem busca o outro como um igual que só acrescentará a sua busca.

Desta forma, não haverão discussões vãs, preconceito ou intolerância em qualquer campo do conhecimento. Só quem pensa de forma retrógrada guarda algum tipo de rancor se o outro não pensa igual, ou segue o que acha certo. Achar que os que estão ao redor reproduzirão seu pensamento e sua visão do mundo através do poder e subjugação, é estar num mundo de ilusão.

Estará cada um mais próximo do outro, quanto mais for exercido o respeito e a liberdade. Ninguem é mais que ninguém, ninguém está mais certo que o outro, desde que esteja desperto, consciente de si.

Duas coisas são iguais com certeza: o sangue de cada um , seja branco, amarelo ou negro, seja de qualquer religião e ideologia, é o mesmo sangue vermelho. E o restará no final de cada um, são cinzas, aliás as mesmas exatas cinzas obtidas da combustão de um simples árvore.

Mas ficarão as ideias, aquelas que unidas às outras, fazem o planeta ser realmente um organismo vivo, pleno e em evolução.

Assim sendo, não há na realidade lugar para a intransigência , intolerância, incompreensão. Estes são aspectos negativos e ilusórios, apenas para aqueles que ainda não acordaram.

Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

DEMOLIÇÃO DE TERREIRO – PREFEITURA DO RJ


Eliane Maria

TERREIRO DE CANDOMBLÉ ESTÁ SENDO DERRUBADO NO RECREIO

Agentes da prefeitura estão neste momento em frente ao terreiro de candomblé Ilê Asé T’Ogun T’ Yemonjá, na Vila Harmonia, Recreio dos Bandeirantes. De acordo com um membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), que está no local, o muro foi derrubado. Dentro do templo religioso, há uma pessoa recolhida para fazer cabeça. Um ônibus da Guarda Municipal e um trator estão parados diante do terreno.

A prefeitura alega que a Vila deve sair do local para a construção da TransOeste, mas a Defensoria Pública questiona a alegação, já que não haveria previsão para que parte do trajeto passe por ali.

Em dezembro, Sérgio Luiz Romano Campos, o Sérgio D’Ogun, responsável pela casa, denunciou o tratamento desigual com os candomblecistas que tiveram seus templos classificados como comércio sem direito a indenização. Na época, a Secretaria municipal de Habitação foi procurada e informou que a situação das casas religiosas da Vila Harmonia seria reavaliada.

CCIR PEDE SUSPENSÃO DA DEMOLIÇÃO DE TEMPLO DE CANDOMBLÉ NO RECREIO

Religião e Fé

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) pediu, no início da madrugada desta sexta-feira , por meio de sua coordenadoria jurídica, a suspensão da retirada de pessoas e da demolição do templo religioso Ilê Axé de Ogum e Iemanjá, na Vila Harmonia, Recreio dos Bandeirantes, devido a obras da Transoeste. O advogado Mário Fonseca acredita que a Prefeitura do Rio não pode dar continuidade à demolição por ainda caber recurso. Segundo o representante da CCIR, o desembargador deu decisão monocrática sobre o caso e, sendo assim, ainda cabe agravo interno – quando outros dois desembargadores devem tomar conhecimento do recurso.

– A intenção é pedir que nada seja demolido enquanto o agravo não terminar – explica Mário Fonseca.

A Procuradoria pegou o processo inicial em 23 de fevereiro de 2011. Nele, há decisão favorável ao religioso. A Defensoria Pública perdeu o recurso. Ontem, funcionários da Subprefeitura da Barra da Tijuca foram ao local e deram início à desapropriação e derrubada do terreiro.

Templo está com fiel em resguardo

Segundo o sacerdote Sérgio D´Ogum, há uma fiel no terreiro de preceito. Ela está acolhida para orixá e, por isso, também deve ser respeitada:

– Esta moça passa, neste momento, por uma das fases mais sagradas para os seguidores de nossa religião. Não sei mais o que fazer para convencer que meu centro também é um templo religioso, assim como as igrejas aqui da comunidade que foram indenizadas. Minha esperança é que a comissão consiga interceder perante a Justiça.

Em 19 de dezembro de 2010, católicos, umbandistas, evangélicos e membros de vários segmentos religiosos fizeram um ato na Vila Harmonia contra a ação da Prefeitura do Rio. Para o interlocutor da CCIR, o babalaô Ivanir dos Santos, a questão é muito grave por tratar de direito de cidadãos e interferir na questão da fé.

– É preciso levar em consideração o fato de que a fé mexe com os corpos e com as almas de todos. A preocupação da CCIR é justamente fazer com que haja igualdade entre as religiões. Com igrejas, houve acordos. Com centros de religiões de matrizes africanas, o tratamento, segundo o que os sacerdotes dizem, tem sido diferente. O que não pode acontecer. Sendo assim, queremos chamar atenção do prefeito para que todos sejam tratados da mesma forma.

CCIR FAZ ACORDO COM SUBPREFEITURA DA BARRA PARA EVITAR DERRUBADA DE TEMPLO NO RECREIO

Religião e Fé

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) emitiu há pouco uma nota sobre o impasse envolvendo a prefeitura e um terreiro de candomblé na Vila Harmonia, no Recreio. De acordo com a comissão, a demolição foi adiada até que termine o resguardo de uma fiel que se encontra no templo religioso.

Confira a nota:

“A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) recebeu, na tarde de hoje (25), a notícia de que o Templo de Ogum e Iemanjá, na Vila Harmonia, não será derrubado pela Subprefeitura da Barra da Tijuca até que a fiel que se encontra em preceito do Candomblé termine o ritual. O aviso foi feito pelo subprefeito da Barra, Thiago Muhamed, por telefone, à Coordenação de Comunicação da entidade.

A CCIR sugeriu ao subprefeito que se reúna, no próximo dia 3 de março, com o interlocutor da comissão, babalawo Ivanir dos Santos, e com o religioso Sérgio D´Ogum, para esclarecer dúvidas de que haja tratamento desigual no que se refere a indenizações dos templos de diferentes religiões.

Muhamed explicou que, como é feito nesses casos de demolições, as pessoas recebem o dinheiro correspondente ao lugar que moram.

“Um pastor de outra comunidade próxima recebeu indenização porque morava em cima da igreja onde pregava. A mesma coisa acontecerá com o senhor Sérgio. No entanto, quero deixar claro que a Prefeitura do Rio não discrimina qualquer credo e vai sempre respeitar a crença alheia”, afirmou.

No final da tarde, Muhamed recebeu o sacerdote Sérgio D´Ogum e um grupo de pessoas solidárias ao sacerdote.”

 

FONTE:  Jornal Extra

A CADEIRA NO CANDOMBLÉ


Reginaldo Prandi

O trono ou a cadeira do pai ou da mãe-de-santo, que se confunde com a cadeira de seu orixá, é símbolo máximo de poder no Candomblé. Mais que isso, símbolo sagrado, diante do qual os filhos se prostram, em cumprimento e respeito. Um pai ou mãe-de-santo, quando é confirmado no cargo, isto é, entronizado, é sentado na cadeira, como os reis e rainhas.

A cadeira é o trono do terreiro, de onde a mãe ou o pai-de-santo governam com poderes absolutos.

Depois da cadeira da ialorixá, há as cadeiras dos oloiês, os ebômis (iniciado seniores) que têm cargo no terreiro. A confirmação de qualquer um desses cargos se faz numa cerimônia pública em que o novo oloiê é sentado em sua cadeira sob aplausos dos presentes. Assim, sentam-se os ogãs, as equédis e outras autoridades. É freqüente, no caso de cargos de não rodantes, o novo dono de cadeira ser conduzido a esta pelo orixá (incorporado em transe) a quem ele deve servir. Quando alguém vai ser confirmado num cargo, faz parte do enxoval uma cadeira, na qual terá o direito de sempre se sentar no barracão. Não é incomum ganhar a cadeira de presente de amigos e irmãos-de-santo. A cadeira de cada um é individual em tudo, de modo que nos terreiros pode coexistir uma profusão de cadeiras de tudo quanto é forma, material e acabamento. Como o espaço do barracão é essencial para as danças, muitos terreiros preferem recolher as cadeiras de cargo e manter apenas algumas delas para que os ebômis possam se sentar.

Somente a mãe-de-santo e seus auxiliares de grau sênior têm cadeira e podem se sentar. Os iaôs (juniores) e os abiãs (aspirantes) sentam-se no chão ou em esteiras. Sentar-se em cadeira é sinal de hierarquia, alta dignidade, obrigações cumpridas.

Os orixás de ebômis também se sentam em cadeiras, mas os orixás dos que estão nos pontos iniciais da carreira sacerdotal sentam-se em banquinhos. A cadeira marca a diferença de tempo de iniciação, de tempo de santo, tanto para os humanos quanto para os deuses.

Esse costume vem da África, onde somente os reis e membros da alta corte podiam se sentar em cadeiras e bancos. O assento do rei deveria ser mais alto do que os dos demais, como se observa até hoje no Candomblé. Mas seu uso é mais generalizado, podendo ser observado como prática que vai desde os povos mais antigos até instituições do mundo ocidental moderno.

O professor da antiga universidade dispunha de sua cadeira, sua cátedra, em latim, daí o nome de professor catedrático, o dono da cátedra. Da cátedra ele ditava sua sabedoria, daí se dizer que “falava de cátedra”. Até hoje se conserva esse costume com relação ao papa: diz-se que o papa fala de cátedra, da cátedra de São Pedro, e portanto o que ele diz e escreve é verdade que não pode ser contestada. Falar de cátedra significa falar com todo o poder do conhecimento, conhecimento conferido pelo estudo, pela antiguidade ou por força do mundo sobrenatural.

Como o papa, os bispos também se sentam em cadeiras. A catedral é a igreja em que se localiza a cadeira do bispo, o trono episcopal. É dali que o bispo dirige sua diocese.

Além de roupas especiais, como túnicas, capas, togas etc. etc., reis e rainhas, bispos, inclusive o papa (que é o bispo de Roma), pais e mães-de-santo usam muitos emblemas do seu poder: a cadeira ou trono em que se senta; coroas, mitras e adês com que cobrem a cabeça; cetros, báculos e opás que levam nas mãos. Objetos carregados de tradição, simbologia e força mágica. Até a reforma universitária, nas décadas de 1960 e 1970, os professores catedráticos também usavam na cabeça o capelo, símbolo dos doutores. Mas a cadeira ou trono é o símbolo máximo, pois marca o lugar de onde fala a autoridade, o ponto mais alto da assembléia, o centro do universo, o lugar do poder e da autoridade religiosa.

Com a morte desses donos do poder, abre-se a disputa pela cadeira, o cargo deve ser preenchido. Cada instituição tem seu modo próprio de fazer a sucessão. No Candomblé, diz-se que quem escolhe o novo chefe do terreiro é o orixá dono da casa, mas há diversas tradições, inclusive entre os terreiros mais antigos.

Com a cadeira principal vaga, abre-se quase sempre uma guerra sucessória. Na sucessão, é importante o critério de senioridade dos candidatos, seu grau iniciático, seu nível de conhecimento sacerdotal. Mas isso não é suficiente. O resultado da escolha depende da tradição sucessória da casa, do jogo político das facções, de pessoas e grupos que pleiteiam o trono da ialorixá, da situação jurídica do terreiro, da sucessão civil sobre o espólio material, isto é, a propriedade imobiliária do terreiro, da posição assumida por possíveis herdeiros legais, que podem fazer parte ou não do grupo de culto etc. Em geral, as casas não sobrevivem ao seu fundador, exceto em meia dúzia de casos, em que vários fatores confluíram no sentido de manter uma tradição publicamente atribuída e reconhecida pelo mundo fora do terreiro, como a mídia e a academia. Mas sempre haverá discordâncias, atritos, rupturas e provável formação de novas casas pelos dissidentes que se afastam. Tem sido assim desde que o Candomblé é Candomblé.

Dos velhos terreiros da Bahia, poucos sobreviveram, mas mesmo assim passando por difíceis períodos de transição. Os terreiros do Gantois e do Axé Opô Afonjá nasceram nessas circunstâncias, originários da Casa Branca do Engenho Velho, que é a grande matriz cultural do Candomblé, fundado em meados do século passado e considerado o primeiro da nação queto.

Em alguns terreiros, a sucessão se faz preferencialmente em linha familiar de sangue, geralmente de mulher para mulher. Em outros, a nova mãe ou novo pai-de-santo é escolhido entre membros da alta hierarquia da casa, independente de laços de sangue.

O Candomblé do Gantois sempre foi dirigido por mulheres descendentes da fundadora, Maria Júlia da Conceição Nazaré. Está hoje no seu quinto governo, com Mãe Carmen, filha carnal de Mãe Menininha, Escolástica Maria de Nazaré, a mais famosa e venerada ialorixá de todos os tempos, e irmã de Mãe Cleuza, que sucedeu Menininha. Menininha foi mãe-de-santo por mais de meio século, tendo sucedido Mãe Pulquéria, sua tia-avó e filha da fundadora. Menininha herdou da tia tanto a propriedade civil do templo, como o cargo de mãe, como ela gostava de deixar bem claro. Maria Júlia, a fundadora, fazia parte da Casa Branca do Engenho Velho, que abandonou quando perdeu a disputa na sucessão. Apesar de se resolver tudo em família, a recente sucessão deixou muitas cicatrizes e muitos descontentes, que preferiam que assumisse a cadeira do Gantois uma filha de Mãe Cleuza.

O Axé Opô Afonjá foi fundado por Mãe Aninha, que também deixou a Casa Branca do Engenho Velho quando seu trono foi conquistado por outra pretendente. Sua terceira mãe foi Senhora de Oxum e hoje é governado pela sua quinta ialorixá, Mãe Stella de Oxóssi. Três importantes mães na história do Candomblé. Mas a segunda ialorixá, Mãe Bada, e a quarta, Mãe Ondina, marcaram apenas períodos de interregno de grandes disputas internas. Com a posse de Mãe Stella, quando o terreiro já se adaptara à ausência de Senhora, houve novas divisões, tendo Mestre Didi, filho carnal de Mãe Senhora, deixado o axé de sua mãe. No Axé Opô Afonjá a sucessão nunca foi por linha de sangue.

No Recife, dos terreiros centenários sobreviveu apenas o Sítio de Pai Adão, porém com grandes períodos de conflitos e decadência, acarretados pelo processo de sucessão do chefe, conflitos que se arrastam até hoje, quando é chefiado por Manuel Papai, neto carnal de Pai Adão, que sucedeu o pai e um dos tios, os quais passaram a vida em disputa entre si e com outros irmãos.

Em São Paulo, quando morreu Pai Caio de Xangô, o fundador do Aché Ilê Obá, subiu ao trono sua sobrinha Mãe Sílvia de Oxalá. Para evitar a partilha da rica propriedade do terreiro entre os herdeiros civis de Caio Aranha e o conseqüente fim do Aché Ilê Obá, Mãe Sílvia conseguiu promover o tombamento de seu terreiro pelo Condephaat, em 1990, embora o templo não pudesse ostentar, nem de longe, uma história de tradições nos moldes das casas da Bahia. O terreiro foi fundado apenas em 1974 e a própria nova mãe-de-santo tinha poucos anos de iniciada quando assumiu o cargo de ialorixá, nem era ebômi. O tombamento por um órgão oficial de preservação de tradições criou um inusitado mecanismo de legitimação no Candomblé paulista.

Escolhido o sucessor ou sucessora que guiará os destinos do terreiro, deve-se providenciar imediatamente uma cadeira nova em que se sentará o novo titular do posto mais alto da casa. A cadeira do falecido será guardada em ambiente sagrado para reverências eventuais, ou recolhida ao museu da casa, onde poderá ser apreciada pelos curiosos e interessados, como ocorre no Axé Opô Afonjá de Salvador e em outras casas tradicionais. Rei morto, rei posto. Uma nova cadeira será o centro do novo poder.

Bibliografia:

Braga, Júlio. A cadeira de ogã. Rio de Janeiro, Pallas, 1995.

Prandi, Reginaldo. Os Candomblés de São Paulo. São Paulo, Hucitec, 1991.

Fonte da Imagem: Casa de Ogum

SALVE A JUREMA SAGRADA!


(O culto da Jurema na Paraíba)


Marinaldo José da Silva e Maria Ignez Novais Ayala
– Universidade Federal da Paraíba


Seu Zé de Nana meu nêgo
Você não é camarada
No meio de tanta moça
Roubou minha namorada

O que é que eu faço da vida
Par Paraíba eu não vou
A namorada que eu tinha
Seu Zé de Nana roubou



“Salve a Jurema Sagrada, salve eu, salve vói, salve minha tronqueira e salve minha cachaça, salve meu cachimbo e salve minhas encruza! E quem pode mais do que Deus? Só Deus e mais ninguém, né nêgo? Agora me daí meu chapéu, meu cachimbo e minha cachaça par eu molhar a guela e dançar aquele coco com uma nêga bem boa!”


O pau pendeu não caiu
Zé de Nana chegou
E ninguém viu

É característico dos Mestres juremeiros quando chegam em terra saudarem a Jurema Sagrada, a sua tronqueria1, e tudo que a eles pertence e a Deus. E pedem para cantar o seu ponto, que pode ser um coco ou não.

No universo da literatura oral, a própria criação se nutre da imaginação que se ancora na realidade daqueles que fazem da cultura popular uma circundante poética onde transitam mitos, narrativas, religiões e vários costumes afro-brasileiros. São evidentes as marcas da diáspora negra nessas variações populares, cabendo à Jurema e ao coco, elementos de estudo deste trabalho, a contemplação do afro-brasileiro-mágico-religioso, considerados fazedores de cultura. É no sentido de “trânsito” entre as atividades diversas pertencentes ao mundo da oralidade que nos propusemos a mostrar os vários pontos em comum da Jurema Sagrada e do coco de roda.

O caráter religioso desta dança tem despertado nossa atenção, levando-nos, inicialmente, a reunir os cocos que se referem a santos católicos e às práticas do catolicismo popular. Recentemente, em meio a uma das religiões brasileiras, que tem muitos adeptos na Paraíba – a Jurema Sagrada ” encontramos vários cocos, que aparecem como pontos de gira. A Jurema Sagrada é um dos vários cultos com fortes marcas indígenas que se mesclam com traços do catolicismo popular, do espiritismo e das religiões negras do Brasil ” candomblé e Umbanda.

Difícil dizer hoje a origem ou o que predomina nesse culto afro-brasileiro, fundamentado em ervas, raízes e casacas de árvore usadas com função mágica para acura ou para afastar males e recuperar as energias dos fiéis e de todos aqueles que procuram o auxílio dos Mestres juremeiros. Muitas vezes essas ervas são utilizadas em forma de fumo, que serve para a defumação da casa, e de amaci, fusão de ervas que serve para o batismo do iniciado na Jurema, além da semente e do vinho extraído da árvore sagrada num sentido mágico-religioso.

Nos estudos que compõem a bibliografia sobre as religiões afro-brasileiras, são muitos os títulos dedicados ao candomblé, ao catimbó, ao xangô e à Umbanda; aparecem referências à Jurema como uma linha da Umbanda. O culto da Jurema era elemento principal do catimbó, conforme os estudos de Câmara Cascudo, Roger Bastide e Oneyda Alvarenga. Essa última publicou em 1949 Catimbó, a partir da bibliografia então existente e da farta documentação reunida em 1938, pela Missão de Pesquisas Folclóricas, da Discoteca Municipal de São Paulo, por meio da pesquisa de campo no Nordeste.

Na década de 30 houve grande perseguição policial aos catimbós e aos catimbozeiros, com prisões, fechamento, destruição das casas e apreensão de objetos utilizados no culto. Até hoje, os termos catimbó e catimbozeiro têm conotação pejorativa no Nordeste, comportando forte carga de preconceito.

Na Paraíba, atualmente, o culto da Jurema se encontra ajustado à Umbanda. Nas casas por nós visitadas, as cerimônias ocorrem no mesmo salão em que são desenvolvidos os cultos aos orixás da Umbanda, diferindo apenas os pejis e as camarinhas, ou em espaço contíguo, dedicado exclusivamente à Jurema.

Como linha da Umbanda ou como culto independente que se abriga no mesmo teto, mas que reconhece Alhandra como a cidade da Paraíba tida como local de onde se irradiou o ritual religioso, a Jurema tem muitos adeptos que ressaltam os poderes de cura dos Mestres juremeiros.

Além da cidade de Alhandra, existe a “cidade encantada de Tambaba”, local de muitos mistérios dos senhores Mestres encantados. Citando René Vandezande:

“A tradição diz unanimemente que no alto da praia de Tambaba houve uma Cidade da Jurema de igual nome, anos passados: porém, esta cidade foi “devorada” pelo mar, e de lá teria origem o culto que ainda hoje os juremeiros prestam ocasionalmente nesta praia. Una juremeiros que foram lá em nossa companhia demonstraram o máximo respeito para o lugar. Diversas vezes fomos a essa praia solitária, encontrando, cada vez, objetos de culto e velas. O barulho que as ondas produzem nas rochas de formas fantásticas é interpretado como a voz dos Mestres.” 2

E hoje Tambaba é uma praia de nudismo muito visitada pelos turistas.

Mestres são as entidades principais desse culto que aparecem nas sessões semanais das casas destinadas à Jurema e nas festas periódicas dedicadas a eles. São Exus, índios, caboclos, reis de iorubá, caboquinhas de pena, boiadeiros, baianas, pretos velhos, marinheiros, pescadores e também ciganas, Pomba-gira, Zé Pelintra, Maria Padilha e toda sua companhia. E como se não bastasse, a Cumade Fulozinha e a figura do cangaceiro, Também personagens das narrativas e contos populares, transitando na Jurema Sagrada. Segundo a fala de um dos depoentes umbandistas: “Cumade Fulozinha é uma identidade muito perigosa: ela tanto trabalha pro bem, como trabalha pro mal.”

Todos animadíssimos com seus pontos cantados e com o som dos elus, gaitas e maracás, a cachaça, o vinho da Jurema e a fumaça dos cachimbos de Jurema ou de angico, de um ou de sete canudos de fumaça (e em raros casos de charutos), constantemente fumados ao contrário, com o lado da brasa dentro da boca.

A Jurema tem vários tipos de ritual: Jurema de chão, Jurema traçada, Jurema de meia-noite armada.

A Jurema de chão é um ritual em que os juremeiros ficam sentados no chão em frente ao gongá (altar de Jurema) com imagens de Mestres , índios, pretos-velhos, caboclos e até mesmo Padre Cícero. A tronqueira do mestre da casa com um cachimbo de sete-fumaças, uma cumbuca com fumo de várias ervas: alecrim do campo, liamba, erva-doce, fumo-de-rolo, abre-caminho; e muitos cachimbos. Invocam as entidades para darem passes e fazerem consultas. Nessa sessão também são invocadas, sem obedecer a uma seqüência, todas as entidades ao mesmo tempo e pode Ter batuque dos elus (tambores) ou não. Há ponto cantado. A Jurema de meia-noite armada ocorre realmente à meia-noite, também no chão; é arriada no centro do terreiro a tronqueira do mestre da casa, que é responsável pela sessão; jarros com ervas da Jurema (pinhão roxo, comigo-ninguém-pode, pé da felicidade, aroeira), sete qualidades de cachaça, champanha, vinho tinto, vinho branco, cerveja, mel, uma garrafada de Jurema “preparada”, um cruzeiro de velas brancas, alguidares com frutas, três alguidares com fumos preparados (fumo de queda, fumo de descarrego e fumo de levanta), cachimbos cruzados, charutos e cigarros, palitos de fósforo cruzados, velas coloridas cruzadas e uma garrafa de plástico com Jurema para passar no corpo como descarrego.

Nessa Jurema não há elu, pois é apenas cantada para a realização de “trabalhos” em hora grande, horário especial dos Mestres fazerem as coisas funcionarem melhor, com mais força, pois só com o canto e a concentração no silêncio da madrugada fazem render resultados positivos, trabalhando com o que eles mais gostam: cachaça, cachimbo e os cocos ” daqui e de lá do outro mundo.


Mas eu pisei na rama
A rama estremeceu
Não beba dessa água, oi morena
Quem bebeu morreu

Esse coco é meu
É da Paraíba
É de Catolé
É de macaíba

Meu avião de alumínio
Que voa de norte a sul
Mulher que rapa o cangote
Do céu não vê o azul

Ô Lili, minha Lili
A mulher que eu mais amava
Nas tranças dos seus cabelos
Aonde eu me balançava

Ganham sentido de pontos cantados, louvações e orações. Cocos que remetem a vários sentidos além do “sagrado” e da “brincadeira”, que se fundem independentemente de temas específicos para prenunciar a alegria e a força do trabalho na Jurema encantada.

Nos próprios pontos cantados de Jurema, podemos perceber vários elementos informativos do culto, encontrados em uma das Juremas da Torre:


Era uma mesa branca
Toda enfeitada de flores
E hoje é uma tenda de Jurema
De paz, de luz e de amor
(…)3

Zum, zum, zum ô Jurema
Vamo trabalhar ô Jurema
Desmanchar macumba ô Jurema
Catimbó e azar ô Jurema4

Jurema minha Jurema
Meu tesouro rico
E olha o tombo da Jurema
Que ela vale ouro
(…)5

A Jurema é minha madrinha
Jesus é o meu protetor
A Jurema é pau sagrado
Deu sombra a Nosso Senhor6


NA PANCADA DOS COCOS

Os instrumentos da Jurema são basicamente os mesmos da brincadeira do coco. Os instrumentos utilizados são todos de percussão. Na brincadeira é usado um zabumba e na Jurema um elu, tocado pelo ogã. Ambos são cobertos por um couro de bode, existindo uma pequena diferença no zabumba, que é coberto por dois couros: um couro de bode e outro de “boda”.

Nos rituais de Jurema, o mestre aceita qualquer batida do elu; o mais importante é o coco cantado, que tem força para “seus trabalho”, com sua cachaça e com suas namoradas. Ainda temos o ganzá, que está presente nas duas manifestações, muitas vezes improvisado com uma lata vazia, com pedrinhas ou sementes dentro. Maracás, espécie de chocalho, com som semelhante ao do ganzá, também fazem parte. O triângulo, instrumento apenas da Jurema tem o formato correspondente ao nome, feito artesanalmente, a partir de restos de ferros utilizados na construção civil, batido com um bastão do mesmo material. Também pode aparecer gaitas feitas de bambu, semelhantes a uma pequena flauta, como asa tocadas pelos participantes das tribos indígenas do carnaval.

Os pontos são acompanhados por palmas e batidas de pés. O espaço para o ritual tanto pode ser fechado (o interior dos terreiros), quanto aberto (a rua, a encruzilhada, o mato).

Os cocos cantados como pontos de Jurema foram encontrados em espaços abertos e fechados, nos diferentes tipos de ritual. Também encontramos o que parece ser ponto de Umbanda ou Jurema, cantado como coco em festas de São João nas ruas do bairro da Torre. Os limites da cultura popular são muito tênues.

No bairro da Torre, em João Pessoa (PB), são encontradas muitas casa de Umbanda e Jurema. O bairro também se caracteriza pela riqueza de manifestações populares, dentre as quais a malhação de Judas em várias ruas, palhoças e quadrilhas, cocos e cirandas, blocos de carnaval, tribos (o nome que se dá na Paraíba à dança conhecida como caboclinhos em Pernambuco), escolas de samba.

Em 1938, integrantes da MPF (Missão de Pesquisas Folclóricas), fizeram diferentes registros da cultuar popular na então Torrelândia: narrativas populares, sessões de catimbó, tribo dos índios africanos, barca.

Em vista desses argumentos mencionados, vimos através das manifestações populares afro-brasileiras, a presença de vários cocos de roda cantados como canto religioso no sentido de trânsito entre atividades diversas pertencentes ao grande universo da literatura oral.

E salve a Jurema Sagrada!


NOTAS

1. Parte de um tronco de Jurema aonde fica “assentado” o mestre. Morada do mestre.

2. VANDEZANDE, René. Catimbó. Pesquisa exploratória sobre uma forma de religião mediúnica. Recife: PIMES do IFCH da UFPE, 1975, p.44. Apud CABRAL, Elisa Maria. A Jurema Sagrada. João Pessoa: PPGS-UFPB, 1997, p.23-24.

3. Lembranças da mesa branca do espiritismo

4. Desfeitura de trabalhos pesados

5. Mistérios e encantos da Jurema

6. Sobre a árvore sagrada

DESCONHEÇO O AUTOR E AS FONTES PESQUISADAS

(Este texto foi baixado no e-mule)

IBGE – MAIS INFORMAÇÕES


Queridos irmãos de Umbanda,

Eu estou lendo pela internet uma grande frustração sobre a falta da pergunta “QUAL É A SUA RELIGIÃO?”, não é uma frustração só dos Umbandistas ou só aqui na Internet, mas quando faço o meu trabalho as pessoas quando sabem que o questionário acabou, logo reclamam e dizem “cadê a pergunta sobre a minha religião?”, interessante se em alguns casos eu afirmasse que no determinado questionário não existia a referida pergunta muitos nem mesmo queriam responder todo o questionamentos do IBGE.

Outra coisa que vi aqui que não a verdade, é que devemos responder o Censo 2010 pela internet que lá poderemos responder a tal pergunta, não é verdade, todo recenseador anda com dois tipos de envelopes um amarelo e outro azul, quando nós recenseadores abrimos o computador de mão na visita a seu domicilio há uma pergunta sobre o preenchimento do questionário, PRESENCIAL ou INTERNET, caso seja via Internet irá aparecer uma tela para o recenseador colocar o código do envelope que irá aparecer antes se é o BÁSICO ou AMOSTRA, nós recenseadores não escolhemos, nem mesmo o recenseado, então de nada adianta pedir para que seja feito pela internet, pois mesmo desta forma poderemos não responder a pergunta “QUAL É A SUA RELIGIÃO?”, detalhe ainda, alguns podem ter dificuldades por não conhecer o ambiente do Censo ou ainda não entender determinadas perguntas, então o que é melhor fazer é mesmo responder o questionário junto ao recenseador, pois este está capacitado para dirimir qualquer duvida.

O que acho, como religioso e recenseador é que esta pergunta deveria sim, aplicada em ambos questionários, pois se a pouco tempo percebemos que está tendo nos colégios a matéria sobre religiões com toda certeza deveríamos sabermos quantos somos, não só o Umbandista, mas o Espírita (Que no questionário consta Espírita Cardecista). O que nos vale agora é pedir ao IBGE que no próximo Censo (2020) esta pergunta seja feita a todos os brasileiros.

Então podemos já começar a lotar a caixa de e-mail do IBGE, o movimento que fazemos agora irá sim repercutir em 2020, então que cada faça sua parte e que unidos possamos mudar esta questão, possamos dizer que somos Umbandistas, sei que aqui no Blog/Portal não recebemos visitas apenas dos Umbandistas e sim de diversos outros religiosos e que os mesmo façam o pedido ao IBGE.

censo2010@ibge.gov.br