AS MOÇAS


AS MOÇAS

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Imagem retirada do Google Imagens

Esta é uma história de trabalho conjunto de Pombogiras de diferentes falanges. Dizem que Dona Mulambo e Dona Maria Padilha não se dão, mas quando atuam espíritos de Luz, não há quizilas. Quando o objetivo é o trabalho de Amor e Auxílio aos que sofrem, estas entidades se dão as mãos, unem forças para apaziguar as intempéries provocadas pelas trevas tenebrosas.

Nossa história se inicia em uma cidadezinha qualquer de nosso imenso Brasil. Vamos dar o nome fictício de Rosangela para começar. Rosangela era uma moça simples, que com dificuldade e esforço chegou à idade adulta, com um trabalho digno e uma vida pacata. Sua vida nunca lhe cobrava muito e assim ela vivia em torno de sua família, um pouco desorganizada, e devido a isso, cresceu sem maiores atenções.

Seus amigos e seu noivo eram a razão maior de seus dias. Até que a perfídia surgiu inopinadamente. Um daqueles amigos, deleitando-se com a má notícia, correu a lhe contar que o noivo a traía. Impulsivamente, Rosângela foi ao local de trabalho da rival e a agrediu violentamente, não querendo sequer escutar qualquer desculpa do noivo faltoso.

Para ela, seu mundo desabou em horas, perdeu seu centro, seu esteio e mesmo seu equilíbrio mental. Ela sequer sonhava, no entanto, que havia chegado o momento de seu resgate espiritual, de erros cometidos em distante passado, quando cometera atrocidades contra os espíritos do noivo e daquela que agora lhe causava tanto sofrimento. Os algozes, fruto do ódio secular ali estavam cobrando, e diante do desequilíbrio acharam terreno fácil para sua vingança.

Rosangela passou a ter alucinações, voltando a eras antigas, achando que se vestia de sedas e bordados, ostentava jóias e adereços de ouro, sobre a pele clara como a neve, cabelos claros como o trigo e os olhos verdes como a esmeralda.

Porém, na verdade, ela se despia e seus trapos eram confundidos com as vestes ricas em sua ilusão. Ao notar os olhares das pessoas, parte de seu espírito adoentado se envaidecia como na época da corte, quando atraía todos os olhares, mas ao escutar as palavras de baixo calão e intenções maliciosas, a porção de sua mente ainda não colapsada lhe tirava a segurança e ela se enchia de vergonha e tristeza.

Oscilando entre o embotamento e as atitudes maníacas, passou a viver suas horas nebulosas neste limbo entre a loucura e a realidade fracassada, cada vez piorava mais.

Certo dia acabou chegando a um local à beira da estrada, e ali, ao pedir algum alimento, mesmo escutando chacotas por sua aparência, notou que havia pessoas boas e passou a ali voltar esporadicamente.

Não sabia, nem sequer sonhava, que para ali tinha sido conduzida por espíritos amigos, para que tivesse oportunidade de um descanso dos incessantes obsessores.

Foi ali que as três moças do Astral se encontraram. Dona Mulambo do cemitério, Dona Maira Padilha das Almas e Ciganinha das Estradas. Uniram-se, com a autorização da Espiritualidade Superior e afugentaram grande parte dos espíritos obsessores, pérfidos e galhofeiros, dando certo alento e alívio à enferma da alma.

As três maravilhosas entidades, cada uma com sua natureza, Dona Mulambo do Cemitério com a força aurida de seu Omulu, lhe aplicou fluidos benéficos para atenuar os sintomas de sua doença mental. Doma Maria Padilha das Almas, focou em seu coração, para atenuar seu sofrimento moral de ter perdido a convivência com aquele que tanto havia amado. E a Ciganinha da Estrada tomou-lhe a mão, para que ela reencontrasse o caminho de casa, e durante o trajeto, as três forças conjuntas estariam agindo como um bálsamo para seu resgate.

Nada posso afirmar se Rosangela recuperou a sanidade, voltou para casa e conseguiu recomeçar sua vida sob novos prismas, mas esta história foi sobretudo o relato do trabalho constante e incansável destes espíritos luminosos, que optaram por ficar entre nós, estas amigas, companheiras, as Pombogiras da Umbanda, que cada vez mais se aformoseiam e nos ensinam pelas boas obras, por seu Amor Incondicional.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ