INTOCÁVEIS


 

“Intocáveis” é o nome de um filme francês muito bonito, que tinha tudo para ser um drama, mas é uma agradável comédia, com grandes ensinamentos.

Trata-se da história real de um homem muito rico, amargurado pela perda precoce da esposa, e por ter ficado tetraplégico após acidente, torna-se irascível, ao se ver tratado com piedade mal disfarçada por quase todos que lhe cercam. E também mostra o encontro improvável com outro homem, um jovem que vem dos guetos de Paris. Sim, Paris também tem guetos,como todo o mundo com suas persistentes e cruéis diferenças socioculturais e econômicas.

O rapaz,recém saído da penitenciária pelo único furto que cometeu, embora criado junto a uma família que o adotou, parentes distantes, pobres e dignos, que lhe ensinaram valores, mas não o livrou do erro de quem convive com pobreza sem solução e a inviabilidade de sair de uma vida marginal. Este jovem acaba se tornando o acompanhante/enfermeiro que ajuda o homem rico, e aos poucos, com sua exuberante juventude, e sem demonstrar qualquer falsa comiseração, vai ensinando que é possível viver de qualquer forma.

Em retribuição, o homem lhe mostra como o dinheiro pode ser usado para a sua função mais importante, que é ser instrumento para entender a importância de existir.

Duas vidas inusitadas, com diferenças abismais, se encontram. Dois seres humanos que ultrapassam todas as convenções e trocam generosamente o melhor de si para encontrar a felicidade além das vicissitudes.

O homem tetraplégico resgata sua confiança, e encontra uma alma similar à sua, uma bela mulher, que se encantou através da troca de cartas ditadas que recebia, conseguindo ver o espírito luminoso, por trás do corpo arruinado. Dessa união, tiveram três filhos, e ao final do filme, aparecem os verdadeiros protagonistas, em Paz e harmonia.

O rapaz pobre da favela parisiense, consegue também se equilibrar, encontra sua cara metade, e também casa-se e tem filhos e estabilidade.

Poderia ser apenas mais um conto com final feliz, uma história fictícia, mas é real, e mostra os destinos traçados, os meandros pelos quais a espiritualidade pode mostrar as alternativas, e que é necessário apenas se estar aberto, com olhos de olhar, percepção e coragem para agarrar as oportunidades certas, que às vezes surgem de forma tão desusada.

Muito se diz que a felicidade não é desse mundo. Mas penso que se aprender a viver além da forma, da matéria, se houver discernimento que a caminhada é para ser percorrida de acordo côa as possibilidades, aceitando-se o que se tem, sem lástimas, sem deixar cristalizar erros e mágoas passadas, cultivar o otimismo e o ensejo positivo nas lições que se apresentam, sim, é possível ser feliz nesta vida.

A encarnação é uma passagem muito fugaz, perante a imortalidade. Mas cada vida é única, sem repetições. Então é preciso que cada um aproveite o que lhe foi dado, não desperdiçando oportunidades, não se amarrando a conceitos e preconceitos que podem ser alterados de acordo com o viés de cada um. É preciso que predominem as grandes lições como aquela que o Mestre Jesus deixou,de não fazer ao outro o que não quiser que lhe façam, e se estar atento, muito atento ao que lhe diz o coração, esse grande sábio que alberga o espírito que segue a sua senda, pois ele é o único que guiará, nas estradas escuras, os caminhos da Luz, da redenção, da alegria de apenas Ser, a grande resposta da busca de cada um.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ