Batendo cabeça para Xangô


Quantas vezes me deparei com paredes intransponíveis, quantas vezes subi as montanhas das vicissitudes e me vi só. Quantas vezes pedras afiadas machucaram meus pés e quantas vezes me vi sem saída diante de uma pedreira de tristeza, desesperança e aflição…

Muitas e muitas vezes fui atingido por pedras e me transtornei, e outras tantas atirei também pedras sem refletir…

Hoje, continuo diante da realidade dura, mas compreendo que tudo o que passei tinha uma finalidade. Vejo que os caminhos que trilhei eram as lições que precisava para aplacar minha soberba, despertar-me da indiferença, para testar minha força e minha fé. Vejo que repetidamente fui cego e fracassei, mas percebo também que aqui estou ainda, e hoje sei melhor me desviar dos abismos, andar mais um pouco quando estou no limite de minhas forças e sei que a aspereza do tempo suavizou minhas próprias arestas…

Aprendi a rezar e encontrei a poderosa força de Xangô e já não temo o ruído do trovão, pois sei que é a sua voz purificando os espaços, ecoando nas furnas, mostrando o seu Poder, intimidando aqueles que não conhecem ainda a Lei de Causa e Efeito.

Com Pai Xangô aprendi que a justiça não está nas minhas mãos, e se sofrer injustiças, mas seguir o caminho reto, eu depositarei a seus pés o meu sofrimento, e buscarei a serenidade e a Paz interior, para não mais me sentir só nas frias pedreiras do limiar dos mundos. Buscarei com o coração leve as verdes pradarias e verei no horizonte o arco-íris da Bonança, do Equilíbrio, da Esperança e da Paz.

Kaô, meu Pai Xangô, Kaô Cabecile, Kaô! Me guie, me sustente e me proteja de todas as intempéries e iniquidades, para que eu siga meus caminhos e acalente em meu coração o tesouro das grandes verdades que nos trazem os Orixás.

Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ