PROSSEGUIR


Há pessoas que escolhem não ter qualquer culpa em sua consciência. Fazem suas próprias leis e perdem a capacidade de ver os limites de seus atos.

Outros nem percebem se erram, se ferem ou prejudicam quem lhes quer bem. Não tiveram a oportunidade, ou não quiseram desenvolver a sensibilidade.

Por outro lado, há aqueles que se culpam por não conseguirem acertar, e ao gerar ansiedade devido a isso, caem em outros erros, aumentando o ciclo contínuo de falhas.

Devemos aprender a sabedoria oriental, que nos convida a trilhar o caminho do meio, onde o hábito da meditação e a auto-avaliação diária nos mostra que na verdade, a culpa é um reflexo de sentimentos básicos de orgulho e vaidade, e estes sim devem ser expurgados.

A consciência que somos humanos e desse modo falíveis, nos mostra a realidade que estamos vivendo, esta grande escola onde há oportunidade de contínuos aprendizados, e que a vida nos mostra onde devemos aprender e superar as faltas. Se erramos por não sabermos, e observamos o caminho certo, o erro maior será não nos esforçarmos para evitar a repetição dos mesmos.

Muitas vezes ficamos anos a fio ignorantes das falhas, e, no entanto, sempre prontos a apontar os erros do próximo.

Daí a necessidade de criar o hábito da reflexão, verificar o que não está correndo bem em nossas vidas, e vermos se é hora de ter paciência e resignação, se é hora de empreendermos novos caminhos, tentarmos de novo, mesmo sob risco de novos erros, além de novos aprendizados.

Não convém a assiduidade de queixas, culpando circunstâncias, fatos, pessoas, o que invariavelmente aprofunda as perturbações, ou permitir que a culpa congele as emoções, o que faz com que a pessoa se transforme em alvo fácil da espiritualidade sombria e perversa.

É fato que somos donos do livre arbítrio, mas devemos aprender a usá-lo para o burilamento próprio, sabedores que somos muitas vezes instrumentos, e que nunca nossas ações são solitárias, sempre reverberando ao redor.

Débitos e erros, com certeza, acumularemos ao longo de nossa existência. Devemos buscar os caminhos de resgate, sem desperdiçarmos tempo em lamentos inúteis, mas buscando momentos certos, o equilíbrio necessário. E claro, sempre prosseguir…..

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ