DESVIOS DE CONDUTA, LEI DE CAUSA E EFEITO, E A CRENÇA NO MUNDO ESPIRITUAL


Vamos falar ao longo deste singelo texto da opinião de espíritas e umbandistas sobre esta questão, e de nosso humilde ponto de vista. Iniciando com o renomado espírita Richard Simonetti, sobre a corrupção que existe na vida publica e privada de nosso povo, ele ressalta que a corrupção está no cerne da Humanidade, manifestação do egoísmo que caracteriza os habitantes de nosso planeta e em geral de uma preocupação exacerbada com o próprio bem estar, transferindo as necessidades ilusórias para a avidez de se obter patrimônios materiais, onde facilmente as ações vão em direção da desonestidade.

A corrupção ocorre em todo lugar e temos verificado isso com freqüência nas primeiras páginas dos jornais. O maior problema em relação ao nosso país, é que instalou-se no plano físico, onde vivemos cotidianamente, uma cultura de impunidade.

Segundo Dante, em “A Divina Comédia”, para os adeptos do princípio do dinheiro, qualquer “não” se torna um “sim”, mas irão parar numa vala de piche fervente, no inferno, atormentados por demônios perversos.

Também Allan Kardec, em “O Céu e o Inferno”, refere-se aos espíritos que comprometidos com o erro, o vício, o crime, a desonestidade na sua vida encarnada, manifestaram-se mediúnicamente relatando seus tormentos morais, suas consciências ferventes, e reunidos, pela Lei da afinidade de acordo com a natureza de seus crimes, em tenebrosos vales de sofrimento.

No “Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap.XX, item 21 há o seguinte comentário:

“Há casos nos quais é útil revelar o mal do outro? Essa questão é muito delicada, e aqui é preciso fazer um chamado à caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, não há utilidade alguma em fazê-las conhecidas. Mas se elas podem causar prejuízo a outros, é preferível o interesse da maioria ao interesse de um só. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever; pois antes caia um homem que vários sejam feitos suas vítimas ou logrados por ele. Nesse caso, é preciso pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes (São Luiz. Paris, 1860).”

Nossa participação pessoal como cidadãos, não irá interferir em nossos pensamentos ou convicções religiosas. O que não podemos é ainda nos imobilizarmos em concepções de isenção de atitudes, o “andar por cima dos muros”, pois isso bloqueará nossa evolução pessoal.

Desde que entendamos que tudo em nós deve caminhar dentro do equilíbrio, e que somos indivíduos e livres, mergulhados num Universo de diversidades, e SEMPRE responsáveis por nossas ações, podemos e devemos estar todo o tempo observando o que se passa ao redor, enquanto por outro lado, sempre atentos ao burilamento de nossas almas, no processo evolutivo de cada um.

Vamos ao “O Livro dos Espíritos” , questão 781 a:

O que pensar dos homens que tentam deter a marcha do progresso e fazem com que a humanidade retroceda?
– Pobres seres- serão arrastados pela torrente que pretendem deter”.

Em nossa sociedade, certos indivíduos públicos e privados criaram o hábito, para não dizer, vício, de manipularem e controlarem a mídia, subverterem o sentido de moral e induzirem a corrupção nos invigilantes.

É muito diverso ter Moral e ser moralista. Moralista hoje, tornou-se uma palavra aplicada a quem muito critica e não vê seus próprios erros, atirando pedras e preconceitos.

Quem tem a noção de Moral, por outro lado, não fraqueja diante da corrupção, não se encanta com facilidades suspeitas, não aceita conivências, tornando-se muitas vezes marginalizados, apontados como bobos.

Porém, o maior problema do corrupto, é que a corrupção invade sua vida, enredando-o, saindo do plano do lucro fácil para a quebra das relações interpessoais e familiares, arrastando a todos, ou provocando a própria derrocada física, intelectual e sobretudo, espiritual. Atitudes anti-éticas invadirão seu modo de ser, atraindo apenas os iguais, afastando cada vez mais as atitudes saudáveis e que apontam para o Bem , à Liberdade e à Felicidade.

Espiritualmente falando, corrupto e corrompido estão no mesmo patamar dos necessitados de evolução. Estão comprometidos e à mercê de forças malévolas e invisíveis daqueles que só semeiam discórdias e misérias da alma.

Na questão 919 de “O Livro dos Espíritos”, poderemos observar que com base nos ensinamento do Mestre Jesus, a perfeição moral só se alcança com a prática do Bem, sacrificando-se o interesse pessoal em prol do semelhante, de modo desinteressado, e sem esperar recompensas. Na verdade, é justamente a atitude desinteressada, aquela que movimenta positivamente a Lei de Causa e Efeito.

Quando trazemos a ética para o campo religioso, lembramos do artigo “Umbanda: entre a Cruz e a Encruzilhada”, de Lins Nogueira Negrão(1994), onde há conceitos com os quais subscrevo e outros não,, mas traz à luz com desenvoltura, o descompasso entre o ideal e a necessidade, isto é frente as dificuldades de se manter um terreiro funcionando, com todas as despesas decorrentes, impostos, e outras, por um lado, e a prática da caridade do outro. Separar o comércio religioso da administração necessária dos gatos mínimos de manutenção, e dos meios para isto, que no meu ver, poderia ser por contribuições voluntárias, em espécie ou de artigos, como velas, fósforos, produtos de limpeza, na arrumação da casa, limpeza dos jardins e dependências, assim como pequenas mensalidades dos associados da casa, médiuns e assistentes que quisessem contribuir, cursos, bazares, chás em prol da casa, etc.

O autor (Negrão,1994) ainda alerta para a questão das práticas como desfazer demandas. Cobrança e debanda, segundo ele, quando indiscriminadas, podem conduzir ao malefício, pólo antagônico do benefício e negador do ideal da caridade.

Não se cobra pela fé, nem pelos recursos mediúnicos. Não se deve dar valor monetário a partir das potencialidades de um espírito ou do médium que lhe empresta o aparelho físico. Não devem ser subvertidos os valores. A mediunidade, seja em qualquer religião, é um sacerdócio, onde não pode haver falta de convicção, separativismo, preconceito, desejo consciente ou inconsciente de recompensas, presentes ou mesmo apenas homenagens.

Repetimos incansavelmente:

“Daí de graça o que recebeste de graça”

O médium de Umbanda não deve nunca desejar enriquecer a custa de sua mediunidade ou prevalecer-se dela para invocar espíritos, o que fatalmente o levará à mistificação. Deve tratar igualmente ricos e pobres e desta forma, naturalmente nunca estará desamparado do auxílio das entidades amorosas que lhe sustentam e guiam.

Gostaria ainda de expressar que acredito, que não apenas o dirigente de um terreiro de Umbanda seja considerado um sacerdote. Pode até assim ser chamado, mas o mediunato já é por si um sacerdócio, e o médium mais acanhado, se plenamente acordado para a responsabilidade de sua missão, também o estará exercendo, e desta forma poderemos lembrar das palavras de Pai Rubens Saraceni no “Jornal Nacional de Umbanda”, no 21 : deve-se ser bom ouvinte, bom confidente, além de saber falar, ouvir, refletir, tendo o dever de somente emitir orientações corretas.

Ainda frisa que não compete ao dirigente, (ou qualquer médium que esteja consultando, quer seja incorporado ou por intuição), atribuir problemas ou dificuldades dos consulentes que chegam às religiões de origem que porventura sigam, mas sim é seu dever receber a todos como irmãos em Deus, que estão necessitando auxílio espiritual e aos quais deve-se auxiliar com Amor e Fraternidade, sem nada pedir ou exigir em troca.

Podemos finalizar, não atirando pedras, mas ainda relembrando as palavras do Mestre Jesus:

«A cada um segundo as suas obras»
«A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória».

 

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

FONTES CONSULTADAS:

http://udesp.org.br/
http://www.avozdoespiritismo.com.br/
http://www.fflch.usp.br/sociologia/temposocial/pdf/vol05n12/Umbanda.pdf
http://www.mataverde.org/blog/archives/315

http://www.kardec.com/litgratuita/lesp_br.pdf
http://www.kardec.com/litgratuita/ceu_br.pdf
http://www.kardec.com/litgratuita/evan_br.pdf