DEMOLIÇÃO DE TERREIRO – PREFEITURA DO RJ


Eliane Maria

TERREIRO DE CANDOMBLÉ ESTÁ SENDO DERRUBADO NO RECREIO

Agentes da prefeitura estão neste momento em frente ao terreiro de candomblé Ilê Asé T’Ogun T’ Yemonjá, na Vila Harmonia, Recreio dos Bandeirantes. De acordo com um membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), que está no local, o muro foi derrubado. Dentro do templo religioso, há uma pessoa recolhida para fazer cabeça. Um ônibus da Guarda Municipal e um trator estão parados diante do terreno.

A prefeitura alega que a Vila deve sair do local para a construção da TransOeste, mas a Defensoria Pública questiona a alegação, já que não haveria previsão para que parte do trajeto passe por ali.

Em dezembro, Sérgio Luiz Romano Campos, o Sérgio D’Ogun, responsável pela casa, denunciou o tratamento desigual com os candomblecistas que tiveram seus templos classificados como comércio sem direito a indenização. Na época, a Secretaria municipal de Habitação foi procurada e informou que a situação das casas religiosas da Vila Harmonia seria reavaliada.

CCIR PEDE SUSPENSÃO DA DEMOLIÇÃO DE TEMPLO DE CANDOMBLÉ NO RECREIO

Religião e Fé

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) pediu, no início da madrugada desta sexta-feira , por meio de sua coordenadoria jurídica, a suspensão da retirada de pessoas e da demolição do templo religioso Ilê Axé de Ogum e Iemanjá, na Vila Harmonia, Recreio dos Bandeirantes, devido a obras da Transoeste. O advogado Mário Fonseca acredita que a Prefeitura do Rio não pode dar continuidade à demolição por ainda caber recurso. Segundo o representante da CCIR, o desembargador deu decisão monocrática sobre o caso e, sendo assim, ainda cabe agravo interno – quando outros dois desembargadores devem tomar conhecimento do recurso.

– A intenção é pedir que nada seja demolido enquanto o agravo não terminar – explica Mário Fonseca.

A Procuradoria pegou o processo inicial em 23 de fevereiro de 2011. Nele, há decisão favorável ao religioso. A Defensoria Pública perdeu o recurso. Ontem, funcionários da Subprefeitura da Barra da Tijuca foram ao local e deram início à desapropriação e derrubada do terreiro.

Templo está com fiel em resguardo

Segundo o sacerdote Sérgio D´Ogum, há uma fiel no terreiro de preceito. Ela está acolhida para orixá e, por isso, também deve ser respeitada:

– Esta moça passa, neste momento, por uma das fases mais sagradas para os seguidores de nossa religião. Não sei mais o que fazer para convencer que meu centro também é um templo religioso, assim como as igrejas aqui da comunidade que foram indenizadas. Minha esperança é que a comissão consiga interceder perante a Justiça.

Em 19 de dezembro de 2010, católicos, umbandistas, evangélicos e membros de vários segmentos religiosos fizeram um ato na Vila Harmonia contra a ação da Prefeitura do Rio. Para o interlocutor da CCIR, o babalaô Ivanir dos Santos, a questão é muito grave por tratar de direito de cidadãos e interferir na questão da fé.

– É preciso levar em consideração o fato de que a fé mexe com os corpos e com as almas de todos. A preocupação da CCIR é justamente fazer com que haja igualdade entre as religiões. Com igrejas, houve acordos. Com centros de religiões de matrizes africanas, o tratamento, segundo o que os sacerdotes dizem, tem sido diferente. O que não pode acontecer. Sendo assim, queremos chamar atenção do prefeito para que todos sejam tratados da mesma forma.

CCIR FAZ ACORDO COM SUBPREFEITURA DA BARRA PARA EVITAR DERRUBADA DE TEMPLO NO RECREIO

Religião e Fé

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) emitiu há pouco uma nota sobre o impasse envolvendo a prefeitura e um terreiro de candomblé na Vila Harmonia, no Recreio. De acordo com a comissão, a demolição foi adiada até que termine o resguardo de uma fiel que se encontra no templo religioso.

Confira a nota:

“A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) recebeu, na tarde de hoje (25), a notícia de que o Templo de Ogum e Iemanjá, na Vila Harmonia, não será derrubado pela Subprefeitura da Barra da Tijuca até que a fiel que se encontra em preceito do Candomblé termine o ritual. O aviso foi feito pelo subprefeito da Barra, Thiago Muhamed, por telefone, à Coordenação de Comunicação da entidade.

A CCIR sugeriu ao subprefeito que se reúna, no próximo dia 3 de março, com o interlocutor da comissão, babalawo Ivanir dos Santos, e com o religioso Sérgio D´Ogum, para esclarecer dúvidas de que haja tratamento desigual no que se refere a indenizações dos templos de diferentes religiões.

Muhamed explicou que, como é feito nesses casos de demolições, as pessoas recebem o dinheiro correspondente ao lugar que moram.

“Um pastor de outra comunidade próxima recebeu indenização porque morava em cima da igreja onde pregava. A mesma coisa acontecerá com o senhor Sérgio. No entanto, quero deixar claro que a Prefeitura do Rio não discrimina qualquer credo e vai sempre respeitar a crença alheia”, afirmou.

No final da tarde, Muhamed recebeu o sacerdote Sérgio D´Ogum e um grupo de pessoas solidárias ao sacerdote.”

 

FONTE:  Jornal Extra