A SEGUNDA MORTE


Entre os espíritas, o termo “Segunda Morte” frequentemente surge. Na verdade, é um termo onde não se colocou melhor significado, já que quem abraça as verdades espiritualistas, não acredita numa verdadeira morte.

O Fluido Universal especializado, que vivifica as células que constituem um ser vivo, em algum momento volta a sua origem, em conseqüência da morte física. Cada um vem como que com um “selo de validade”, para durar um determinado tempo. Este pode ser prolongado ou abreviado , devido ao próprio arbítrio e que uso faz do corpo físico, como pode ocorrer que este tempo seja também modificado por Ordem Maior, caso o indivíduo tiver se superado em sua Missão na Terra, ou se tiver se complicado de tal maneira que perca a proteção que o Bem fornece a cada um, e se enredar nas teias do “Outro lado da Força”. Uma coisa é certa. Ilude-se quem acha que está no “mundo real”, se aborrece e briga por coisas que acham de infinito valor, no campo da matéria. As verdadeiras lutas, as verdadeiras decisões, a verdadeira Vida, não se encontra aqui.

Mas há um outro tipo de Energia Vital (ou Fluido Universal), que seria parte indestrutível do espírito, ou da personalidade-alma, como se referem alguns místicos. È uma parcela do Todo, e esta, com certeza é indestrutível e inalienável, imortal.

Na verdade, é difícil para nós, tanto aceitar os conceitos de morte, como também a própria imortalidade. Cada um deveria utilizar parte de seu tempo livre tentando achar sua interpretação particular sobre estes aspectos.

Há duas visões onde se reflete sobre a Segunda Morte. A que tem sido mais comentada é aquela onde o espírito pouco a pouco foi deteriorando seu perispírito, através de maus pensamentos, más intenções sobre o outro, pensamentos que se materializam, de ódios, vinganças, ressentimentos, desamor, ou pensamentos autodestrutivos, que foram se cristalizando até que ocorre alguma forma direta ou indireta de suicídio.

O perispírito é o envoltório do corpo físico, também chamado de corpo etérico, e que se liga ao espírito e o acompanha após o rompimento do cordão de prata, determinando o término da existência física. O perispírito é um verdadeiro molde do organismo físico, tendo a aparência do ente encarnado, mas feito de uma matéria plástica, quintessenciada, que pode ser modificada de acordo com o comando da mente que pertence àquele espírito específico.

O perispírito acompanha o espírito no desencarne, quando se rompe o cordão de prata. Quando esta mente emite continuamente pensamentos desagregadores, destrutivos, ligados às desventuras do ser desencarnado, o perispírito pode ir perdendo sua vitalidade, por descuido próprio, ou pelo assédio dos numerosos vampiros astrais que se aproximam onde houver restos de vitalidade desprotegida. A desproteção é resultado de perda do contato do espírito desencarnado com seus guias e protetores, porque perdeu a conexão vibracional. Seus pensamentos abaixaram tanto o diapasão vibracional que os espíritos amigos e protetores não mais o alcançam e assim fica à mercê dos delinqüentes do mundo astral.

A situação pode atingir tal estágio, que desagrega a estrutura molecular quintessenciada do perispírito e o mesmo vai por um trajeto de involução que acaba na chamada Segunda Morte, onde se tem apenas ovóides, numa situação de doloroso e prolongado resgate.

O espírito que está enclausurado no perispírito involuído, capturado por suas próprias formações mentais destrutivas e sombrias, acaba perdendo também o raciocínio e mesmo o arbítrio, ficando à mercê, se não for resgatado rapidamente, de entidades malévolas que usam Magia para o mal, através dos mesmos. Isto já foi comentado por André Luiz através de Chico Xavier, por Ângelo Ignacio através de Robson Pinheiro, Ramatis através de Norberto Peixoto, Adamastor através de Gilberto Freire, entre outros.

Mas, espiritualistas ligados ao Oriente, e à Fraternidade Branca, e também no livro chamado “Ícaro Redimido”, pelo acima citado Adamastor, através da mediunidade do médico homeopata mineiro Gilberto Freire, chamam também de Segunda Morte outra situação. Seria no caminho oposto, quando o espírito vai cumprindo sua missão de trabalho e resgate no Mundo Maior, adquirindo cada vez mais benesses através de trabalho profícuo no Bem, no Caridade e no Amor, adquirindo concomitantemente Sabedoria e Conhecimento, chega num ponto de evolução, em que as vestes espirituais fornecidas pelo perispírito não mais são adequadas, e estes vestígios de matéria, se bem que muito fluidas e invisíveis para nós, tornam-se densa e pesada bagagem para este espírito que ruma sua ascensão. E aí ocorre que ele perde a forma o molde, e entra no que se chama “Segunda Morte”. Na verdade este espírito passa a ser LUZ.

Temos que sempre pensar de acordo com o que nos deixou o brilhante Einstein. Tudo é relativo. Os degraus da grande escada evolutiva são infinitos e fogem à nossa percepção. A Luz tem matizes incontáveis, e quando o médium vê clarões de Luz, pode ter tido a benção de ver um espírito em sua forma mais evoluída, numa rara viagem aos patamares Superiores do Mundo Espiritual. Também estes espíritos podem chegar até nós, de acordo com sua vontade, mas na maioria das vezes eles usam recursos, como projeção mental de formas, ou utilizam-se, sem nos esgotar da energia para moldar formas, imagens, sons. È sofrido para eles voltar à nossa ambiência pesada, que deve ser como um charco cheio de miasmas para a sua qualidade vibratória.

Acrescente esse pensamento, quando imaginar o espírito de Jesus, durante trinta e três anos convivendo conosco sobre crosta terrestre, que dificuldades, e quantas vezes as escrituras relatam que ele precisava se retirar e ficar absolutamente só, provavelmente para se reorganizar e ter forças para continuar. Pensemos ainda como ficou o Mundo Maior com sua ausência durante este período, embora eles não tenham o tempo como algo pontual como a gente, mas na verdade a sua vinda equivaleu a morte do lado de lá, quando veio para nosso Planeta. Algo que podemos entender, se lemos o “Pequeno Principe”, de Exupery, quando jovens.

Deveríamos então, a partir destas considerações, viver a Vida como uma grande Missão de construção e aprendizado, esperando “passar de ano” ao se esgotar nosso tempo de validade, e todos comemorarem com cores e o branco, e não o negro do luto, pois a saída desta Vida, para quem a soube fazer valer, corresponde na verdade a um grande renascimento do lado de lá.

Estejam Todos em Paz, Saravá Irmãos!


Alex de Oxóssi