A Importância dos Orixás na Umbanda.


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Orixá é a essência divina que atua sob a forma de energia emanada e força, controlando e se misturando com as forças da Natureza. Por exemplo:

Yemanjá: vida marinha (tem o título honroso de Rainha do Mar);

Oxóssi: provedor da caça, da alimentação, protetor das matas;

– Ossãe: senhor das matas, das plantas, do verde;

– Xangô: as pedras ígneas, do granito das pedreiras, do fogo e dos trovões;

– Ogum: senhor do ferro, das estradas;

– Obaluayê / Omolu: senhor da Terra (da transmutação da vida na terra), senhor das doenças, senhor da Calunga pequena (Cemitério), senhor da luz que transforma ignorância em consciência;

– Iansã: senhora dos ventos e tempestades, senhora dos raios, senhora do fogo dos Raios (assim como Xangô);

– Nanã Boruque: senhora da lama dos rios com seu encontro com o mar, do lodo da vida e da morte;

Oxum: senhora das águas doces, dos rios, nascentes e lagos;

Oxumaré: o Arco-Íris, a ligação entre a Terra e o Ceú (o Orun e o Ayê);

Oxalá: a pureza do branco, a força da criação, a sabedoria do conhecimento;

Exú: a força da comunicação, da palavra, do sexo, da procriação.

Não se sabe com certeza se os Orixás já tiveram uma forma humana definida, pois os contos/lendas africanos que nos chegaram (Itans), contam histórias variadas de um tempo que conta mais de 10.000 anos de história dos Orixás.

Não se sabe se alguns Reis africanos e suas esposas e até guerreiros e guerreiras, pela sua honra, atuação em batalhas, sabedoria, condução de suas terras e de seu povo, acabaram sendo retratados como Orixás, ou deles tomaram seus nomes. O que se sabe é que Oxalá foi um rei de Elejibo; Xangô, rei de Oió; Exú e Oxóssi, Reis de Ketu … Uma outra hipótese é que existiram em forma física e foram elevados a Orixás pelos seus feitos, tornados divindades vivas que ultrapassaram o tempo e o espaço.

Em várias formas de Umbanda temos a crença que nascemos com uma parte do Orixá dentro de nós, em nosso Orí. Um Orixá principal e 3 Orixás acessórios.

A “incorporação” de um Orixá na Umbanda, se dá através de uma forma de energia emanada diretamente do Orixá e captada pela parte dele que nos habita. Essa forma de energia manifesta em nossos corpos durante as giras se chama “Falangeiro de Orixá”, aquele que trabalha e atua em nosso mundo físico na representação do axé do Orixá :
Oxalá, Yemanjá, Oxum, Yansã, Ogum, Xangô, Oxóssi … Graças a pureza dessa força manifesta, ela fornece ao médium a essência de seu Orixá durante a incorporação, nas danças, no ilá (brado), nos gestos. Passando ao médium: equilíbrio, harmonia, paz, força, conhecimento espiritual, saber e compreensão da força divina dos Orixás.

As oferendas e obrigações aos Orixás são de grande importância dentro de várias vertentes da Umbanda, pois serão revertidas em energias positivas essenciais para seus médiuns e para a própria casa.

É de conhecimento que, anualmente, os médiuns devem ofertar aos seus Orixás suas comidas votivas e demais elementos pertinentes a eles (podendo inclusive utilizar o corte ritual cruento, desde que, este seja parte da cultura ritualística da casa – fundamentos), com o intuito de fortalecer essa relação/ligação entre o médium e seus Orixás.
Da mesma maneira, de tempos em tempos, estipulados pelos guias chefes da casa, os médiuns devem se submeter a rituais específicos para fortalecimento de seu Orí, dar potencialização a suas capacidades mediúnicas, fortalecer gradativamente a ligação médium/orí/Orixá, a aglutinar as energias vibratória entre o médium/orí/ Orixá/Guias, para o preparo para o Sacerdócio.

Essas obrigações variam de casa para casa, de ritual para ritual, de fundamento para fundamento dentro da Umbanda, mas são sempre serão feitas conforme as suas variações e doutrina de alguma maneira.

As cores dos Orixás também são de grande importância e fundamentos no culto Umbandista, pois cada Orixá tem sua cor, por exemplo:

Oxalá: , azul claro, branco, branco leitoso;

Yemanjá: branco, azul claro, azul escuro;

– Ogum: azul marinho, vermelho, branco;

– Xangô: marrom, branco;

– Obaluayê/Omolu: preto, branco, vermelho, amarelo;

Oxóssi: verde, vermelho, branco;

– Yansã: marrom (coral), amarelo, branco;

– Nanã: lilás, branco, preto, azul escuro;

Oxumarê: azul, vermelho, verde, lilás, amarelo;

Oxum: azul claro, branco, amarelo claro;

– Ibeji: azul, rosa, branco.

As misturas e junções de cores, quantidades de contas e disposição e formas para confecções das guias (colares) variam de casa para casa e de Orixá para Orixá, assim como o material utilizado para a sua confecção.

Como essência vibratória divina viva e força da natureza, o Orixá influi no arquétipo dos seres humanos de diferentes formas e ações. Por exemplo:

– Oxalufã: calmo, ponderado, harmônico;

– Oxaguiã: inquieto, temperamental, trabalhador, organizado, protetor, lutador;

Yemanjá: dedicado, super-protetora, amoroso, defensor;

– Ogum: temperamental, impulsivo, dedicado, arrogante, volúvel;

– Xangô: justo, vaidoso, autoritário, volúvel;

– Obaluayê / Omulu: calmo, silencioso, austero, vingativo, calculista, inteligente, com um senso incomum de justiça;

Oxóssi: sonhador, inquieto, astucioso, lutador, protetor;

– Yansã: determinado e inabalável, alegre, de humor variável, leal;

– Nanã: imponente e conservador, austero, elegante, orgulhoso, fechado, obsessivo;

Oxum: dócil, ponderada, vaidosa, perspicaz, desconfiada.

Não se pode ter essas características como formas determinadas, pois a junção do enredo do médium em seu Orí, ou seja, a junção de seu Orixá principal e de seus adjuntos (Orixás auxiliares), também são preponderantes para constituição da personalidade do médium.

Orixá é força de vida. Uma força de grande importância dentro de vários seguimentos da Umbanda e, sem a qual, não se pode trabalhar na Umbanda.

Embora cada forma de Umbanda manifeste e sinta os Orixás de maneiras diferenciadas, cada uma a sua maneira e de acordo com os seus fundamentos, os Orixás nunca deixam de ser louvados, cultuados, agradados e amados.

Algumas formas de Umbanda não trabalham diretamente com os Falangeiros dos Orixás, mas sim com os Capangueiros dos Orixá. Os Capangueiros dos Orixás são Caboclos que atuam na irradiação dos Orixás, mas não na emanação direta do Orixá, se diferenciando dos Falangeiros.

Eles se colocam como intermediários em forma espiritual e não em forma de energia direta, pois foram Espíritos reencarnacionários que escolheram ou foram escolhidos para serem mediadores da irradiação dos Orixás, trocando a provação reencarnacional, pela prática direta da caridade, como meio de evolução espiritual (similar aos Preto Velho, Exús, Baianos, Boiadeiros … que não deixam de ser também, Capangueiros dos Orixás, pois também estão subordinados a eles).

De uma certa forma, todo guia acaba sendo um Capangueiro de Orixá, mas algumas casas de Umbanda, por não trabalharem diretamente com os Orixás, atribuem aos Caboclos no nomes dos Orixás. Cantam e dançam para os Orixás, mas quem baixa são Caboclos que bebem, fumam, dão passes consultas, diferentemente dos Falangeiros, que não falam, não bebem, não dão passes nem consultas.

Então em algumas casas de Umbanda, teremos giras de Oguns, onde baixarão os Caboclos de Ogum; os Xangôs, onde baixaram os Caboclos de Xangô; as Oxuns, onde baixarão as Caboclos de Oxum e assim por diante.

Não importa a forma ou a maneira que se cultue ou que se louve os Orixás, em formas e/ou essências, em ritos ou em cantos, em Falangeiros ou em Capangueiros. O importante é que sua atuação dá sustentação a representatividades várias na vida do povo Umbandista.


Texto organizado por Etiene Sales
Sacerdote Umbandista, escritor e pós-graduado em Ciências da Religião