COMO COMBATER A MISTIFICAÇÃO


defesa

Mistificar quer dizer: enganar, mentir, trapacear, burlar, tapear, iludir, iniciar alguém nos mistérios de um culto, torná-lo iniciado, abusar da boa fé.

A mistificação são as escolhas mais desagradáveis da prática espírita, mas há um meio de evitá-los, o de não pedir ao espiritismo nada mais do que ele pode e deve nos dar. O objetivo do espiritismo é o aperfeiçoamento moral da humanidade. Desde que não nos afastemos disso jamais seremos enganados, pois não há duas maneiras de compreender a verdadeira moral, aquela de que todo homem de bom senso pode admitir; mesmo que o homem nada peça, nem evoque, sofre mistificações, se aceitarem o que dizem os espíritos mistificadores. Se o homem recebesse com reserva e desconfiança tudo que se afasta do objetivo essencial do espiritismo, os espíritos levianos não o enganariam tão facilmente.

Então concluímos que mistificado é somente aquele que merece ser enganado!

Emmanuel diz sobre a vaidade: “Não te mortifiques pela obtenção do ensejo de aparecer nos cartazes enormes do mundo. Isso pode traduzir muita dificuldade e perturbação para teu espírito, agora ou depois.” (Vinha de Luz, pág 23)…

E sobre o orgulho: “Se Jesus tivesse adotado a reação da dignidade ferida, o apelo à justiça teria apagado o esplendor da Boa Nova; no entanto, o silêncio e o sacrifício do Mestre Divino, ainda hoje, como ontem e qual ocorrerá no futuro, suscita o aprendizado e a sublimação da Humanidade inteira.”

E um outro espírito de luz: “O orgulho nos induz a julgar-nos mais do que somos; a não suportarmos uma comparação que nos possa rebaixar; a nos considerarmos tão acima dos nossos irmãos que o menor paralelo nos irrita e aborrece.”

O exercício correto da mediunidade requer determinadas normas, disciplina, seriedade, propósitos elevados para que os objetivos sejam alcançados e o fenômeno ocorra com equilíbrio. Embora todos os cuidados que a prática mediúnica exige, nenhum médium está isento de ser mistificado.

As mistificações podem ser: inconscientes (involuntárias) e conscientes (voluntárias).

Diz-se que as mistificações são inconscientes ou involuntárias quando o médium não as detecta, ou seja, quando não tem noção de que estão ocorrendo. O espírito mistificador é, em geral, ardiloso, astuto e, de modo proposital, tenta enganar o médium.

A este respeito leciona Allan Kardec: a astúcia dos espíritos mistificadores ultrapassa às vezes tudo o que se possa imaginar. A arte, com que dispõem suas baterias e combinam os meios de persuadir seria uma coisa curiosa se eles nunca passassem dos simples gracejos; porém, as mistificações podem ter conseqüências desagradáveis para os que não se acham em guarda.

A mistificação inconsciente acontece pela inexperiência, ingenuidade, invigilância e/ou falta de estudo do médium, como também dos demais integrantes da equipe mediúnica.

Nas mistificações desse teor o médium é colocado, às vezes, em situações ridículas, apresentando comunicações absurdas, mentirosas, vazias em seu conteúdo, sem que se dê conta disso.

Nas mistificações conscientes ou voluntárias a comunicação é elaborada pela própria vontade do médium com a intenção de enganar, de burlar. Em alguns casos poderá até ser ajudado por espíritos enganadores e malévolos, com os quais se afiniza. Mas o autor intelectual da mensagem é o médium que se dispôs a mentir e enganar.

Geralmente, as mistificações ocorrem com maior freqüência nos fenômenos inteligentes como a psicofonia e a psicografia e com pessoas de temperamento místico, que aceitam com facilidade e sem exame as mensagens atribuídas aos espíritos. Pessoas crédulas que usam a mediunidade para informações e solução de problemas materiais e pessoais são fáceis de serem mistificadas.

O papel dos espíritos não consiste em nos informar sobre as coisas desse mundo, mas em vos guiar com segurança no que vos possa ser útil para o outro mundo. Se vedes nos espíritos os substitutos dos adivinhos e feiticeiros, é certo que sereis enganados.

Kardec indaga aos espíritos: por que Deus permite que pessoas sinceras e que aceitam o espiritismo de boa fé sejam mistificadas; isto não lhes acarretaria o inconveniente de abalar a crença?

E eles respondem: se isto lhes abalar a crença é porque sua fé não é sólida; quem renuncia ao espiritismo por um simples desapontamento prova que não o compreende e não o toma em sua parte séria. Deus permite as mistificação para provar a perseverança dos verdadeiros adeptos e punir os que fazem do espiritismo um objeto de divertimento.

O codificador alerta quanto as mistificação mais comuns:

  • Revelação de tesouros ocultos;

  • Anúncio de herança ou outras fontes de riqueza;

  • Predição com épocas determinadas;

  • Indicações relativas a interesses materiais;

  • Teorias ou sistemas científicos absurdos e ousados.

  • Enfim, diz-nos Kardec, tudo o que se afastar do objetivo moral das comunicações espíritas.

Dispensando quaisquer ritos, indumentárias ou exotismos, a mediunidade deve orientar-se em valores éticos para ser exercida com responsabilidade e pureza de sentimentos, não atendendo às solicitações escusas e levianas com que muitos tentam desviá-las de seus objetivos nobres.

Evidentemente, as mistificações inconscientes constituem grande problema nas reuniões mediúnicas que buscam realizar um trabalho sério, com boa vontade e amor, mas que, por uma ou outra circunstância, se vêem às voltas com as comunicações de mistificadores.

O fato do médium ser mistificado, transmitindo a comunicação de um mistificador, sem se dar conta de suas reais intenções, significa que ele está obsediado?

Allan Kardec responde: ninguém está obsediado pelo simples fato de ser enganado por um espírito mentiroso. O melhor médium se acha exposto a isso, sobretudo no começo, quando ainda lhe falta a experiência necessária, do mesmo modo que entre nós homens, os mais honestos podem ser enganados por velhacos. Pode-se, pois ser enganado, sem estar obsediado.

O que caracterizaria um processo obsessivo no médium seria a repetição constante das comunicações de mistificador.

Por que ocorrem as comunicações de espíritos mistificadores?

  1. O médium as favorecem, seja por conduta moral pouco equilibrada; por inexperiência; falta de estudo; irresponsabilidade na tarefa mediúnica; vaidade; orgulho, etc.
  2. O grupo as favorecem, quando não é uma equipe homogênea e afinizada, havendo rivalidades, melindres, ausência de amor e sinceridade entre os componentes, maledicência, etc.
  3. Como um teste, para por à prova a humildade, a vigilância e o equilíbrio dos médiuns e de todo o grupo;
  4. Como ajuda ao espírito mistificador – Neste caso os Mentores permitem a comunicação do mistificador porque sabem que o grupo mediúnico tem recursos para auxiliar no seu despertamento e esclarecimento.

São as seguintes as mistificações mais comuns nas reuniões mediúnicas:

  • Espíritos supostamente guias e mentores, que através de orientações que fogem às diretrizes já delineadas para o trabalho mediúnico visam derrubar as defesas do grupo, afastar os componentes da reunião ou mesmo do Centro Espírita.
  • Espíritos que levam o médium a dar comunicações incoerentes, objetivando a descrença e a desconfiança entre os integrantes e a desacreditarem do próprio grupo. Isto poderá ocorrer, gerando desapontamento do médium quando se descobre ludibriado ou porque se sente desacreditado pelos companheiros da reunião.
  • Espíritos obsessores que se fazem passar por sofredores ou que disfarçam sua identidade por diversas formas, tentando enganar o grupo. Mistificadores existem que se comunicam aparentando, por exemplo, ser um sofredor, um necessitado com a finalidade de desviar o ritmo das tarefas e de ocupar o tempo. O médium experiente e vigilante, o grupo afinizado, os identificarão. Mas não se pode dispensar toda a vigilância e discernimento.

É importante ressaltar que quando a reunião mediúnica é bem orientada, realizando um trabalho sério, perseverante, quando os seus integrantes constituem um grupo homogêneo e afinizado onde prevaleçam o amor, o respeito e a união, as comunicações de espíritos mistificadores serão logo detectados pelo doutrinador, pelo médium e pelos demais. Se isto ocorrer, o doutrinador deve dizer ao comunicante que conhece as suas reais intenções, buscando, em seguida esclarecê-lo de modo compatível com o que ele declarou inicialmente.

Usando a vidência…

Tive algumas poucas possibilidades de estar sentado ao lado de duas pessoas notadamente videntes e de índole ilibada em um terreiro de Umbanda de porte grande (algo em torno de 100 médiuns atuantes por dia) na cidade de Curitiba. Comecei a inquiri-los sobre as incorporações, seus processos, a maneira como as entidades se comportam e se mostram, as características dos médiuns, etc. Dentre as perguntas, culminou, é claro, em “quem está incorporado e quem não está incorporado”.

Achei espantoso!!! Assim como eu percebia uma grande maioria não se encontrava incorporada! E fui perguntando sobre pessoa por pessoa (médium por médium) e a resposta foi idêntica, até parecia um sorteio: aquele está, aquele não está, aquele outro está, aquela também está, aquele grupinho não está, e assim por diante. E para meu maior espanto, ambas relataram que o próprio dirigente (que lá se chama pai-de-santo em um terreiro de Umbanda!!!) não estava incorporado também.

Analisemos o fenômeno chamado de percepção ocular mental.

Quando inquirida uma entidade, devidamente incorporada eu seu médium, a respeito das formas e formas de apresentação de um entidade, me foi explicado:

“Quando uma entidade está incorporada, ela poderá se apresentar de maneiras diferentes de acordo com a vibração energética no momento. É fato que quando uma entidade desce até este plano, ela usará uma ‘roupagem fluídica’ de acordo com a necessidade energética-vibracional. Desta forma, poderá uma entidade apresentar-se como um Preto-Velho ou como um Exú (respeitando-se a sua capacidade vibracional). Da mesma forma, dentro de um mesmo momento no trabalho, a entidade poderá apresentar-se desta ou de outra forma conforme sua necessidade e, neste caso, de acordo com a capacidade vibracional dos médiuns videntes e intuitivos.”

Fazendo uma analogia com o plano físico, poderíamos expor assim: um selo holográfico contém as informações previamente impressas nele. Note que todas as informações são constantes no selo, mas se você o olha num ângulo perpendicular verá uma determinada imagem, quando você muda o ângulo poderá ver outra, como exemplo num ângulo de 45º. No entanto, todas as informações continuam no selo, a sua essência não mudou, somente a maneira como ele se apresenta.

Da mesma forma poderá se comportar uma entidade, trocando a sua “aparência” fluídica de acordo com a necessidade e a quem se apresentar, mas a sua essência continuará a mesma.

Então voltando à vidência, fica muito mais fácil para os médiuns que têm esse dom determinarem quem realmente está incorporado e quem não está, quem está realmente trabalhando e quem está somente mistificando. Sem dúvida nenhuma é uma “ferramenta” excepcional para um bom trabalho nos terreiros. Basear-se nos relatos de videntes dentro dos trabalhos pode ajudar e muito no desenvolvimento dos médiuns, mas é mister que estes videntes sejam pessoas muito sérias, responsáveis e desprovidas do sentimento de julgamento.

Usando a intuição…

Sempre quando estiver em um terreiro, centro, roça, barracão ou o que quer que seja, que esteja havendo trabalho de cunho espiritual, pergunte-se se o que seus olhos carnais vêem são a mesma coisa que o seu “coração” sente. Se a resposta for diferente então corra, saia deste lugar, pois a nossa intuição não falha nunca. A intuição é inerente a qualquer ser humano e basta aprendermos a usá-la para que possamos trilhar por caminhos certos e seguros na vida.

A intuição poderá ter origem no animismo do indivíduo ou através da tentativa sutil de comunicação de um (ou mais) dos seus guias espirituais.

Cabe à pessoa sentir a vibração do trabalho. Quando uma casa trabalha com entidades de luz, dificilmente a pessoa sentirá peso energético, fraqueza, ânsias, irritação, inquietude, etc. Tampouco terá sensibilidade de ambiente ruim.

É fato que cada pessoa tem o seu guia espiritual, entenda-se como Mentor, anjo da guarda, etc., conforme sua crença. Este guia não o abandona jamais. Quando uma pessoa vai a um terreiro o seu guia vai também. Quando o ambiente é ruim ou está com uma vibração ruim, não raro observa-se o seu guia tentando induzi-lo a deixar o local e procurar algo melhor. A esses “sopros espirituais” dá-se o nome de intuição também, pois nem sempre a pessoas está “ouvindo”. Esses avisos são dados pelo seu guia espiritual através de “pensamentos” sobre a situação atual do local.

Portanto, pare para ouvir o seu guia, mesmo que isso lhe pareça algo vindo da sua imaginação. Sua intuição não se engana jamais.

Usando o bom senso…

Primeiramente peça a proteção para os guias da casa. Peça para que você não julgue, pois não está num terreiro de Umbanda para julgar ninguém.

Mas lembre-se que você frequenta um terreiro e faz parte de um grupo para ser solidário, para fazer esse grupo crescer e evoluir. Permitindo que muitas coisas erradas aconteçam e não emitir a sua opinião visando o esclarecimento e a melhoria deste grupo você estará sendo conivente com os erros, logo também tem culpa.

Para usar o bom senso basta lançar a seguinte pergunta a si mesmo(a):

Quem está fantasiado de entidade?

Acredito que se a sua resposta for positiva em uns 10% os erros são muitos grandes.

É hora de agir…

Quem usa o bom senso não vê razão na mistificação… quem usa o bom senso não mistifica!

“Tolerar a ignorância não é partilhar dela!”

Aqueles que, em seu mais íntimo, têm consciência das mistificações toleradas do lugar onde freqüentam e mesmo assim toleram como algo normal em seu derredor, estão, no mínimo, sendo coniventes.

Alguns exemplos… maravilhosos exemplos de péssimas situações…

Vê-se em diversos terreiros situações como essas:

O médium se prepara para incorporar a “sua” entidade, pois os atabaques puxam o ponto cantado que o médium está acostumado incorporar. Poucos momentos depois o médium começa a vibrar e em plena concentração leva um “tranco” da entidade, dá um imenso murro no chão e solta o seu brado de guerra, parecendo mais uma festa das bruxas. Sai o indivíduo que se diz incorporado, pisando duro, batendo no peito com uma força nunca antes vista, estufando o peito e fazendo uma cara de espantar até o pior dos piores.

Sinceramente eu nunca vi uma entidade de luz chegar num trabalho espiritual de mau humor, ou bravo com a vida que leva, ou dando a entender que aquele trabalho tá um porre e que ele só está ali porque lhe mandaram, é sua obrigação ordenada pelos mais altos.

Concordo plenamente com entidades que chegam a um trabalho com o semblante sério, mas mau humorado não é admissível!

Sabendo disso é fácil perceber a mistificação do próprio médium, pois nem ele sabe o quanto está mentindo para si mesmo em não conhecer a energia gerada pela entidade que vem trabalhar.

Dentre estes, por vezes notamos que a entidade ainda vai atrás do médium tentando incorporar para poder trabalhar, já que o médium tratou de fazer a encenação antes da entidade chegar!

Questionado depois a respeito do tal “tranco” o médium diz: “— É que aquela entidade é muito forte, por isso ela chega aos trancos!” — mas não é capaz de dizer que ele mesmo ainda não tem uma boa afinidade vibratória para trabalhar com aquela entidade, ou que está mistificando e que para ficar mais “difícil” a incorporação ele mesmo se chacoalha!!!

Entidade de luz não coloca o seu médium em situações vexatórias! Entidades de luz propõem um trabalho de engrandecimento de todos e nunca expõem seus médiuns ao ridículo.

Notei em uma casa que os médiuns já não estavam mais frequentando as giras depois que o dirigente determinou que naquela casa, nem os médiuns e nem as entidades poderiam mais usar bebidas alcoólicas durante o desenvolvimento de seus trabalhos.

Houve uma certa debandada dos médiuns.

Com uma incrível coincidência, passando pela frente e um bar notei alguns dos médiuns sentados à mesa com cervejas e cachaças servidas justamente no dia que seria o dia de trabalho deles no terreiro!

Em outro caso (terreiro) tive a possibilidade de observar o trabalho que os Exús e Pombas-Gira desenvolvem, com o consentimento absoluto do dirigente da casa e, conseqüentemente, dos demais integrantes da casa. Quando chegam no terreiro vão logo solicitando que seus “garçons de luxo” os sirvam com as melhores bebidas e os melhores fumos. As palavras de baixo calão corriam soltas, cenas e gestos obscenos faziam-se normais e, pelo que percebi, a assistência já estava muito acostumada com aquilo. As entidades pareciam-me trazer uma vibração mais pesada que o normal (normal pra mim) deixando o ambiente mais denso energeticamente do que eu estava acostumado.

Um dos Exús olhou pra mim (e eu estava sentado no último dos últimos lugares, bem perto da porta) e esbravejou: “— Ôôô pai-de-santo, venha cá seu vi…(EDITADO)!”.

Já vi muito nesta curta senda que trilho no ramo espiritualista, mas naquele momento pensei comigo: “— Agora eu tô enrolado mesmo!”.

Dei uma de bobo e perguntei: “— O Senhor quer falar comigo?”.

E o Exú: “— Você é inteligente, me tratou de senhor! É difícil quando algum filho da p… vem na minha casa e me chama de senhor!”. (Nem é preciso esforço pra saber porque!)

E eu: “— O Senhor me desculpe, mas não sou pai-de-santo, na verdade sou pastor evangélico e me disseram que aqui era uma pequena igreja. Por favor não me leve a mal, mas entrei no lugar errado. Com a sua licença…”.

Saí dali até meio assustado e jurei que nunca mais colocaria meus pés naquela casa novamente.

Enquanto eu andava rápido, o Exú a que sirvo dava muita risada e me dizia: “— Não era você que queria conhecer casas diferentes? Queria conhecer o que é a verdadeira Umbanda? Isso é o que se pratica por aí!!!”.

Estive em um terreiro (e dos grandes) numa sexta-feira e o que se apresentou:

Um trabalho de Exú, entidades “arriadas” em trabalho sério, muitos e muitos mistificadores (encarnados) fazendo sua encenação habitual no centro do terreiro.

O dirigente recebe uma consulente que lhe explica que achava que estava sendo obsidiada, pois na sua vida não estava nada dando certo, andava sempre irritada que não era seu normal, a família estava se dissolvendo por brigas oriundas de pequenas coisas, enfim, sua vida estava de pernas pro ar.

Acompanho o relato a uma certa distância e percebo um obsessor que acompanha a consulente durante a consulta. Vale lembrar que este obsessor somente entrou no ambiente do terreiro porque lhe foi permitido.

Olho pro dirigente e só vejo o dirigente! Pelo que acompanhei durante algum tempo isso era corriqueiro.

Este então pede para seus cambones que a consulente seja levada ao centro do terreiro para que o trabalho fosse feito.

Chama diversos outros médiuns supostamente incorporados (coincidência?!) e estes começam a “trabalhar” em torno da consulente. Todos fazendo gestos grotescos, sem falar nada, caras feias, etc.

O dirigente pega alguns quilos de velas, algumas tábuas, marafos, cocos, farofa, ponteiros, pembas… um verdadeiro aparato de guerra e começa a riscar pontos e mais pontos nas tábuas e vai ordenando que seus cambones acendam e firmem as velas nos pontos.

Olha pros atabaqueiros e pede para que sejam cantados pontos de demanda.

O atabaqueiro lança mão ao couro, com uma força invejável e começa o que sobrou da corrente do terreiro a entoar os pontos de demanda com veemência.

Logo percebe-se que espíritos vampirescos adentram o terreiro e literalmente agarram o obsessor e o acorrentam. Em poucos segundos vê-se aquela legião de espíritos de baixa vibração sumirem por entre sombras no chão levando o coitado do obsessor com eles.

Para terminar, o dirigente pega os cocos, quebra-os e joga algumas cascas por sobre alguns dos pontos riscados mostrando uma espécie de descaso e uma mórbida feição de prazer pelo trabalho cumprido, apagando e quebrando algumas das velas que estavam nos pontos.

E fala para a consulente: “— Pronto minha filha. O que lhe afligia já foi levado embora para onde nunca deveria ter saído”.

A consulente respira aliviada, agradece muito e vai embora feliz da vida.

Triste mesmo foi saber que este obsessor não era ninguém menos que seu desencarnado marido, por quem ela nutria um grande amor e carinho. Obsidiava porque precisava de ajuda e a única maneira que encontrou foi tentar chamar a atenção da encarnada esposa para que lhe ajudasse, para que lhe desse amparo e que pelo menos fizesse algumas poucas orações para ele. Em nenhum momento merecia passar pelo que deve estar passando neste momento.

Do meu terreiro já saíram médiuns mistificadores, pois eles existem em toda parte e ninguém está imune a isto. E saíram chateados com acontecimentos ocasionados pela mistificação que se tornava comum, mesmo depois de tantas e tantas reuniões e avisos, tantas tentativas de doutrina.

Acredito na caridade quanto ao fato de estender a mão aos médiuns mistificadores e tentar talhá-los a pensar e se comportar de maneira diferente, mostrando com muito estudo e perseverança o que realmente significa um trabalho espiritual e o que os espíritos de luz vêm fazer em nosso plano.

Não foi difícil encontrá-los trabalhando em outro terreiro, e nem os procurei!

Em visita ao terreiro onde se encontravam percebi que continuavam no mesmo ponto: o da mistificação que era comum no terreiro em questão.

Chegou-se ao absurdo até de a “entidade” olhar nos meus olhos e enviar-me um pequeno sinal de descontentamento e uma certa mágoa pelos fatos anteriormente ocorridos.

Aos mistificadores de plantão vale lembrar que as entidades estão muito acima dessas “pequenices” dos seres humanos. Uma entidade jamais ficaria chateada com quem quer que seja por causa de descontentamento sem fundamento válido originados pelo orgulho e pela vaidade excessivos em alguns pobres de espírito e ricos em ignorância.

Se fosse entidade ela certamente cumprimentaria com um grande abraço e, conforme a entidade, poderia até a agradecer pelo esforço que tivemos em recuperar seu médium e tentar colocá-lo no caminho da responsabilidade.

Se fosse entidade usaria o momento para tentar quebrar o mal entendido que se formou pela ignorância de alguns. Que melhor momento para tal? As entidade usam artifícios maravilhosos para restabelecer a paz e a ordem entre as pessoas e essa se mostrava uma ocasião excepcional.

Mas, como diz meu querido amigo Pai Joaquim D’Angola e a quem tenho a honra de servir de aparelho: “— Joga-se o montante para o alto, a palha vai embora e só ficam os grãos saudáveis do café. O vento se encarrega de levar o que não presta para o chão novamente, para que sirva ao menos de adubo”.

O que mais gera as situações de mistificação é a ignorância dos próprios médiuns com relação ao que fazem dentro de um terreiro, dentro de um trabalho espiritual. É preciso primeiro ensinar aos praticantes do espiritualismo como realmente é a vida, do que é feita, o que é a caridade e o que é o amor ao próximo. É preciso extirpar dos médiuns o ignóbil sentimento de vaidade que os tenta colocar em evidência ante aos seus próximos, que na verdade não mais os faz do que colocá-los em evidência a ignorância sobre os coisas divinas.

Infelizmente a Umbanda não cobra ferrenhamente estudos e desenvolvimento pessoal como faz o Kardecismo e, por conseguinte, permite que pessoas despreparadas tenham a possibilidade incorporar entidades e sair por aí dando consultas aos quatro ventos e, em muitos casos, até de dirigir alguns terreiros.

Esse despreparo dos médiuns acabam por acarretar problemas descomunais, pois os necessitados os procuram na boa fé, na esperança de conseguirem o alento que tanto procuram para suas mazelas e o afago para suas dores.

Certa vez fui conhecer um terreiro de Umbanda, após uma certa insistência do dirigente.

Chegando fui muito bem recebido. Houve muita propaganda no terreiro por causa da minha visita e muitas pessoas estavam curiosa em saber quem era eu. Achei um tanto estranho pois eu sou simplesmente mais um só na Umbanda, meu terreiro é minúsculo e não faço propaganda nenhuma do terreiro. Ainda assim, poucos consulentes são atendidos por enquanto, já que a finalidade principal deste terreiro é desenvolver os médiuns.

Após a apresentação para todos os seus médiuns, um por um, o dirigente me mostra a sua hierarquia: a Oiá, os seus 5 capitães de terreiro, mão-de-pemba, mão-de-fogo, oburi, a mãe-pequena, o pai-pequeno e outros tantos nomes que só tinha ouvido numa visita a uma roça de Candomblé… até chegar no mão-de-faca… Fiquei impressionado! O terreiro só tinha cacique! A casa era composta por um total de 17 pessoas e, dentre elas, 15 faziam parte da hierarquia!

Não aguentei e tive que perguntar:

“— É Umbanda traçada nagô omolocô gêge bantu angola muçulmana fundamentalista afro-ameríndia-infanto-brasileira?”

Algumas poucas risadas e perguntam-me: “Por que muçulmana fundamentalista?”

E respondo: “— Pouco conheço do mundo ou outras religiões, mas sei que os muçulmanos fundamentalistas é que assassinam as obras divinas (pessoas) em nome de Deus.”

Fui convidado a me retirar do local, e nesse caso com muita razão… peguei pesado dessa vez, mas não consigo conceber a idéia de que em nome de Deus é necessário matar!

Saí agradecido por ter sido expulso e não participar daquilo.

Criticamos muito facilmente algumas religiões fundamentalistas, inclusive a católica sobre a inquisição e nos esquecemos (ou não queremos abrir os olhos) que muitos os umbandistas deliberadamente matam as criações divinas para “entregá-las” a santos e, se inquiridos a respeito, são capazes de dizer que isso é por determinação de Deus e dos Orixás.

Deus meu! É preciso matar para agradá-Lo? É preciso destruir a Sua própria criação para ter o seu perdão, a sua misericórdia?

Por que mistificar?

É imprescindível ter ciência que o médium, antes de médium é uma pessoa comum, nem melhor, nem pior que as outras. E como tal, tem seus problemas, suas psicopatias, suas neuroses, etc. como qualquer outra pessoa.

Muitos fazem do terreiro um lugar onde podem “colocar o papo em dia”, um grupo social onde muitos se vestem de branco e dizem que louvam a Deus, por isso estão ali. Não raro vemos nos terreiros de Umbanda situações como esta.

Muitos médiuns (pessoas) pensam assim: se este meu pequeno grupo (panelinha) pode incorporar então eu também posso. Se eles têm essa capacidade então eu também vou ter.

E vemos situações como: o “meu” Caboclo é assim… o “meu” Exú disse isso, fez aquilo… o “meu” Cigano tem uma capacidade enorme, parece-me ser melhor que os outros… “Meu” Preto-Velho é o chefe da falange e é um dos mais importantes de Aruanda… Pura vaidade! O que alimenta constantemente uma grande mentira que, dentro do ramo espiritualista chama-se mistificação. É comum encontrarmos fora do ambiente o terreiro médiuns enaltecendo os valores das entidades que com eles trabalham, mas infelizmente de forma muitas vezes exagerada. Entidade não precisa de propaganda, quem precisa é o médium para sentir-se melhor que os outros, massagear seu ego e “dar de comer” à sua vaidade e orgulho exagerados.

Há que se saber também que alguns terreiros parecem ser verdadeiros centros de “pagodão”, verdadeiras pândegas, onde os atabaques tocam em volume ensurdecedor e em ritmo de pagode, sambão ou semelhantes, fazendo do centro do terreiro uma verdadeira pista de dança e, da corrente, os integrantes de um grupo de dança, o que leva os médiuns à prática da mistificação causada pelas próprias psicopatias e desejos mundanos de integração social com os outros integrantes.

Um bom trabalho espiritual não pode ocorrer onde há balbúrdia. Num grupo qualquer, seja do tamanho que for, onde a energia gerada não é de ascendência a Deus, espíritos zombeteiros farão parte da festa e trabalharão incessantemente para que a mistificação seja algo comum, atrapalhando enormemente para o desenvolvimento de médiuns que ainda têm uma boa índole e boa vontade para com o próximo. Existem nessas casas um estímulo incontrolável à mistificação, à vaidade, à arrogância, ao orgulho o que, por muitas vezes, é re-estimulado por espíritos de baixa-vibração, de pouca elevação, que se alimentam destas energias, fazendo-se um mórbido ciclo vicioso.

Também precisamos observar que os necessitados que procuram estas casas o fazem por basicamente dois motivos: ou o desconhecimento total do que realmente ocorre nestes lugares, ou por afinidade vibratória, pois estes somente se encaixam em lugares de baixa vibração pela própria vibração que geram ou que carregam nesta encarnação.

Também vejo a mistificação causada pelos “achismos” e pela falta de instrução do dirigente das casas.

Os “achismos” são ferramentas maravilhosas para o desajuste dos médiuns. Aquelas famosas frases começadas com “eu acho que é assim porque…” mostram o verdadeiro despreparo de quem fornece um informação muitas vezes errônea e o descaso da pessoa que recebe essa informação em não checar a sua veracidade. Este tipo acaba formando um médium baseado nos achismos que mais têm de verdadeiras mentiras e pouquíssimas verdades. Lembre-se que as mentiras, muitas vezes ditas tornam-se perigosas verdades.

Jesus já nos alertou sobre os falsos Cristos e falsos profetas (cap. 21º do O Evangelho Segundo o Espiritismo).

Vamos encontrar, também, em João, Epístola I, cap. IV: 1: “Caríssimos, não acrediteis em todos os espíritos, mas provai se os espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas que se levantarão no Mundo”.

Existem fraudes de médiuns e de espíritos que nada têm a ver com o animismo e o mediunismo. Pode ocorrer o desejo de promoção pessoal e de grupos. Existem a dos espíritos que usam nomes falsos para desequilibrarem àqueles que se esquecem de estudar e julgam assim serem superiores demais e aos demais. Devemos conservar a humildade e agradecer constantemente a oportunidade de servir.

Enquanto o médium alimentar a vaidade, a arrogância e o orgulho doentio sempre estará fadado a mistificar!

médiuns, acordem!!! A freqüência vibracional gerada pela pessoa que mistifica somente trará para sua proximidade espíritos de baixa vibração, mistificadores, fascinadores, vampirescos, malfazejos, etc. Não pense que isso só acontece com os outros! Todos estão sujeitos a isso e você também!

Consulentes, acordem!!! Percebam os lugares onde entram, onde pisam.

Onde se louva a Deus não pode haver mistificação.

Onde se louva a Deus não pode haver falta de caráter.

Uma casa de oração é um lugar onde se elevam os pensamentos e as energias (vibrações) ao plano superior. É onde nos encontramos para o nosso religare. É onde procuramos espíritos de luz que possam nos curar e nossas mazelas e que nos ajudem a aceitar o que carregamos como cruz nesta vida, não é lugar para festas e testes sombrios de pseudo-capacidades espirituais.

Onde se louva a Deus não há espaço para arrogância, para vaidades, para luxúria.

Casa de Deus não é lugar onde atabaques ensurdecem os integrantes, não é lugar de dança sensuais, não é lugar onde se cometem erros crassos como a matança de animais!

Não sejam cobaias!!!

Combatendo a mentira…

Não se combate a mistificação senão pelo caráter do médium.

Não se combate a mistificação senão pela índole das pessoas.

Não se combate a mistificação senão pela desconfiança dos próprios necessitados.

Não somos mais tão incultos com relação ao mundo espiritual. Temos muitas e muitas obras que relatam com maestria o que realmente acontece e como realmente é o além-túmulo. Temos internet e muitos outros meios de comunicação, o que faz com que as informações nos sejam mais fáceis. Então somente se está inculto aquele que realmente deseja, aquele que insiste em permanecer na ignorância dos fatos do universo, aquele que absurdamente prefere estar longe da verdade.

A única maneira de combater a mistificação é talhando o caráter de cada um através de ensinamentos, de religiosidade, de aprendizado sobre o que realmente é a caridade, a humildade e o amor ao próximo.

Um bom médium somente se consegue através da sua boa índole, da sua humildade, do seu bom caráter. E essas qualidades muitas vezes devem ser despertas dentro de uma casa séria, onde o objetivo principal é a senda que leva a Deus.

Não acredito em bons médiuns dentro do terreiro mas que em suas vidas cotidianas expõem um alto grau de arrogância, vaidade e orgulho.

Não acredito em bons médiuns que em seu dia-a-dia usam a mentira e o descaso absoluto para com o próximo.

Não acredito em bons médiuns que explicam dentro do terreiro o que é caridade e no seu dia-a-dia não são capazes de estender a mão a quem mais precisa de ajuda quando este lhe aparece.

Não acredito em bons médiuns que fazem da traição dos valores dos outros e de seus próprios valores parte do seu dia-a-dia e tratam isso como parte integrante do seu “bom viver”.

Não acredito em bons médiuns que usam o famoso termo “mironga de congá” para segurar seus médiuns mistificando algo que sequer sabem o que é.

Não acredito em bons médiuns que escondem o conhecimento como um livro fechado na estante ou servindo de peso de papel.

Lapidando o diamante bruto…

Quando se fala de mistificação, vem logo à mente o trabalho do médium.

Este deve estudar com atenção, seriedade e responsabilidade a doutrina que se encontra explanada nos diversos livros já trazidos ao nosso plano por espíritos evoluidíssimos, estudá-los no geral e, em particular, a parte específica da mediunidade, enriquecendo a sua armadura intelectual e espiritual, em sua própria defesa, porque é de grande responsabilidade o ingente trabalho que presta à humanidade, como intermediário dos espíritos do Astral Superior.

É do conhecimento de todos quantos militam no Racionalismo Cristão que “os bons ou maus pensamentos se atraem, na razão direta de sua afinidade, e o seu instrumento de captação é a faculdade mediúnica”.

Com os pensamentos direcionados para o Bem, o indivíduo prepara o seu arsenal de defesa e, concomitantemente, ascende a planos cada vez mais elevados e de luz mais rutilante.

O médium, consciente dos seus deveres como porta-voz dos espíritos do Astral Superior, procura estar sempre bem humorado, de bem para consigo mesmo, formando um psicoambiente adequado, evitando assim maus elementos, que nada mais fazem senão provocar distúrbios predisponentes à aproximação dos espíritos do astral inferior, os quais estão permanentemente vigilantes nos seus postos estratégicos e prontos para assaltar, por meio de suas intuições, as pessoas desprevenidas que, por este fato, fraquejam no cumprimento dos seus deveres. Nessa situação de fraqueza, os médiuns são os mais alvejados por serem mais sensíveis e dóceis instrumentos para receber intuições, sendo as dos espíritos inferiores de natureza e índole maldosa e destruidora.

Quanto mais sensível for o médium, mais perseguido será pelos espíritos inferiores.

Por isso, impõe-se-lhe investir na mais valia dos seus conhecimentos, cumprindo os princípios doutrinários, que o conduzem à sua valorização espiritual e intelectual, como ápice e/ou meta a atingir enquanto prisioneiro da matéria, para, quando do seu desenlace, poder galgar a seu mundo de origem.

O médium atento ao cumprimento dos seus deveres sabe o que deve fazer, porque está consciente do Bem que pratica como instrumento das Forças Superiores, que o encorajam com fluidos benéficos. Todo cuidado é pouco. Nenhum militante da Doutrina está imune a perseguições do astral inferior, tendo em conta que os bem intencionados são potenciais inimigos dos espíritos inferiores.

Estudo constante e metódico da Doutrina, em grupo; evangelização do médium e dos demais integrantes; cultivo dos valores morais; mente equilibrada; senso de autocrítica; prática da caridade; humildade; altruísmo; tolerância; desinteresse material nas atividades mediúnicas; não alimentar conflitos e discussões estéreis são alguns dos recursos para evitar-se as mistificações.

Quando o médium entender muito bem o que quer dizer responsabilidade, a palavra mistificação será somente uma pequena abordagem nos dicionários de sinônimos.

O verdadeiro sentido da palavra caridade:

  • Benevolência para com todos;
  • indulgência para as imperfeições dos outros;
  • perdão das ofensas.

Esclarecer é também amar. (Emmanuel – Consolador – pág. 161)

O perdão é o remédio que nos recompõe a alma doente… Não admita que o desespero lhe subjugue as energias!… Guardar ofensas é conservar a sombra. Esqueçamos o mal para que a luz do bem nos felicite o caminho… (André Luiz)

Para ajudar na desmistificação de um bom trabalho, coloco a disposição os 10 MANDAMENTOS PARA O TRABALHO ESPIRITUAL

1. Não se desconectar da matéria. O excesso de espiritualismo pode criar uma descompensação com graves prejuízos para a vida pessoal e material de uma pessoa. A matéria é tão importante quanto o espírito; ambos são matizes, graus da mesma manifestação. Nenhum dos dois pode prevalecer sobre o outro.

Antídoto: equilíbrio.

2. Não despertar os poderes antes da consciência. Os poderes estão a serviço da consciência. Não é preciso buscá-los; quando chega o momento, eles surgem naturalmente. Buscar o poder antes do saber é inverter a ordem natural do processo. Para que sirvam a consciência, os poderes devem ser doados a partir de algo além de nossa vontade.

Antídoto: eqüanimidade.

3. Não fixar-se em pessoas em vez de em suas informações. Você não monta uma casa em um túnel. Ele é só um meio para se chegar até ela. Quem depende de um mestre volta à infância psicólogica. Em um processo de iniciação ou terapêutico isso pode ser necessário, mas somente como uma fase a superar, e não como um estado onde parar.

Antídotos: discernimento e moderação.

4. Não sentir excesso de autoconfiança. Quem se crê autosuficiente é uma presa fácil para os agentes do engano e não raro se vê envolvido por eles. Quem crê demais na própria capacidade está fadado a equivocar-se.

Antídoto: desconfiar de si mesmo.

5. Não sentir-se superior. Nunca julgue que a própria linha de trabalho é superior às demais. Essa superioridade é a antítese do esoterismo, que afirma justamente a omnipresença da consciência em todos os seres e caminhos. Essa postura desconecta uma pessoa das autênticas correntes da consciência amplificada, e é o ponto de partida para a via negra.

Antídoto: eqüidade.

6. Não deixar-se levar por impulsos messiânicos. A vontade de salvar os demais é uma armadilha fatal. Sua tela de fundo é a vaidade e a insegurança. Essa fobia paranóica rompe com os canais de conexão com o mestre interior, bloqueia o processo de autoconhecimento e lança a espiritualidade numa espiral involuta, além de inibir o direito ao “livre-arbítrio de cada um”.

Antídoto: confiança na existência.

7. Não tomar medidas inconseqüentes. O entusiasmo pode levar uma pessoa a romper com seu círculo profissional e familiar sem necessidade. Com o “fluir” ou o “fechar os olhos e saltar” — axiomas que só deveriam ser usados em situações muito especiais —, os idiotas mais entusiasmados do mundo esotérico incentivam os recém-chegados a se arrebentarem logo na largada.

Antídoto: responsabilidade serena.

8. Não agir com demasiada rigidez. Encantada com as novas informações que lhe ampliam a consciência, uma pessoa pode-se tornar intolerante. Ela tem a tentação de impor sua forma de pensar e seus modelos de conduta aos demais. Limitando sua capacidade de ver a partir de outras perspectivas, ela perde o acréscimo de consciência que havia conquistado.

Antídoto: tolerância e relaxamento.

9. Não se dispersar. Estudar ou praticar demasiadas coisas ao mesmo tempo sem aprofundar-se em nenhuma delas leva a uma falsa sensação de saber. Nessa atitude, pode-se passar uma vida inteira andando em círculos, enquanto se faz passar por um sábio.

Antídoto: concentração.

10. Não abusar. Manipuladas, as informações espirituais servem de álibis ou justificativas convincentes para os piores atavismos. Usar essas informações para fins muito particulares é um crime. Ninguém profana impunemente o que pertence a todos.

Antídoto: retidão e integridade.

Equilíbrio, eqüanimidade, discernimento e moderação, eqüidade, tolerância e relaxamento, confiança na existência, responsabilidade serena, desconfiança de si mesmo, concentração, retidão e integridade são a grande proteção daquele que se aventura pelo mundo espiritual e esotérico. Por outro lado, quem se assegura dessa qualidades pode fazer o que quiser nesse campo que estará sempre num bom caminho.


Fabio Fittipaldi