GIRA DA UMBANDA


Artigo de Áttila Nunes do Jornal Gazeta de Noticias

ÁTTILA NUNES

Já vi muita bobagem, muita tolice, já assisti coisas na televisão que até hoje fizeram estremecer pelo total non sense, dos participantes. Indivíduos despreparados, cidadãos sem a mínima base e conhecimento da religião de Umbanda no seu aspecto doutrinário e cientifico, pessoas, enfim, sem traquejo para o dialogo, sem preparo mental e psicológico para o debate, sem a mínima pratica de falar em publico e até mesmo sem a cultura que se faz necessária para as dissertações ou para responder os entrevistadores da TV, têm comparecido a alguns programas e as tolices que proferem só têm contribuído para o demérito da nossa Religião.

MINHA decepção (e a de milhares de irmãos umbandistas) é total quando vejo um presidente de uma entidade federativa ou um chefe de Tenda (programa O Homem do Sapato Branco, caso Isaltina etc.), gaguejar, titubear, e finalmente ser derrotado num debate ao qual não deveria ter comparecido jamais. Sinto-me triste, fico desanimado quando vejo um babalaô com seus filhos se exibindo na televisão (ou nos campos de futebol), dançando para uma platéia de leigos, desmoralizando a Umbanda (ou o Candomblé) com a amostragem de aluás, de “incorporações”, com demonstrações (na TV) dos nossos rituais, com tudo aquilo que jamais deveria ser exposto em publico, isto é, fora de nossos Templos, dos nossos Terreiros.

REGISTRO, ainda – com profunda tristeza – a inconsciência de alguns companheiros que, com suas exibições na TV, acarretam males terríveis à nossa Umbanda. Muito sofremos. Muitas vitórias conquistadas pela nossa Umbanda ao longo desses últimos 20 anos, têm-se diluído, vêm se transformando em derrotas com as exposições de vaidade de certos malungos, com o exibicionismo de alguns irmãos nossos, com a mania de determinados cavalheiros (desejosos de fazerem seu cartaz a qualquer preço) de se projetarem, de se fazerem notados, de criarem uma popularidade a toque de caixa. Por tudo isso, jamais darei meu apoio a sonhos mirabolantes, jamais concordarei com exibições na televisão e combaterei, até o ultimo instante da minha vida, os desfiles nos palcos ou nos estádios de esporte.

NÃO SOU radical no meu ponto de vista, contrário a exteriorização de nossos rituais. Não chego ao ponto de achar que devemos nos aprisionar em nossos abassás. Reconheço que não podemos ficar adstritos exclusivamente ao recesso de nossos Terreiros. Não somos prisioneiros, não somos fanáticos, pesamos na balança do bom senso os nossos atos, as nossas ações. Nossos bacuros, nossos trabalhadores, não vivem manietados, não são escravos. Não impomos em nossa religião os rigores que são impostos aos frades, às freiras, aos pastores, aos batistas, aos budistas etc. Ao contrário somos livres, praticamos o culto dentro de normas bastante liberais e até mesmo mais evoluídas do que a de outros cultos, de outras crenças.

SOU inteiramente favorável (e venho estimulando há 20 anos) as reuniões nas praias no dia 31 de dezembro, acho imprescindível as peregrinações às matas (macaias), preconizo constantemente, a necessidade de seguirmos os nossos preceitos com rigor, devemos manter os velhos hábitos, devemos fazer as nossas obrigações, nossos assentamentos, devemos ir à cachoeira, à praia e até mesmo (quando necessário) devemos ir a Calunga Pequena (cemitério), ao Cruzeiro das Almas, à calunga Grande (mar). Devemos salvar Olukum, Aloxum, Dandalunda, Inae Mabo, Yemanjá, Janaina, as Iaras etc. Devemos entregas nossos padês, nossos ebós, nossas oferendas, nossas “mesas”, nossos “barcos”, em suma, devemos continuar umbandistas como foram nossos pais e nossos avós. É nosso dever mostrar nossa convicção mantendo nossas tradições e tudo aquilo que herdamos dos nossos antepassados.

SOU totalmente favorável ao exposto nas linhas acima, já que no seu cumprimento sincero de nossas obrigações – não há o mínimo resquício de vaidade, não há exibição nessas atividades, nesses preceitos que fazemos fora de nossos Terreiros.

W.W. da Matta e Silva, o renomado escritor umbandista, o autor de numerosas obras dentre as quais destaco Doutrina Secreta de Umbanda, compareceu a televisão. Sua presença no grande programa de J. Silvestre, Show Sem Limite marcou mais uma vitória para a nossa Umbanda. Valorizou a nossa crença, revigorou a nossa crença, revigorou as nossas convicções, reforçou as bases do grande Templo umbandista, representado por cerca de 80.000 tendas espalhadas em todo país. MATTA E SILVA enfrentou as câmeras da TV Rio com dignidade, com respeito, com energia, com profundo conhecimento de causa, com o destemor dos guerreiros indômitos. Ressaltou o pode da crença Umbandista. Reafirmou sua fé, não titubeou, não gaguejou, argumentou com firmeza, com consciência, em linguagem simples e, ao mesmo tempo, erudita. Fez-se compreender pelos leigos, pelos irmãos de fé e por todos aqueles que tiveram a felicidade de vê-lo e ouvi-lo no famoso Show Sem Limite.

ESTOU quase certo que insigne escritor e Tatwa W.W. Matta e Silva está de acordo com os meus pontos de vistas no que tange as exibições de Terreiros nos palcos ou nos estádios esportivos. O querido mestre Matta e Silva (que é rigoroso em suas apreciações sobre a pratica do umbandismo) é sem duvida, uma das vozes mais autorizadas, é um arauto do bom senso, e um malungo, a quem devemos prestar a nossa homenagem e, sobretudo, devemos respeitar (mesmo que às vezes discordemos de um ou outro ponto) a sua pregação que sabemos sincera. Nosso dever é ouvi-lo atentamente, devemos ler seus livros com a certeza de estarmos ouvindo a voz de um mestre. Devemos nos curvar respeitosamente diante de sua cultura, dos seus profundos conhecimentos da Umbanda como religião, como filosofia e como ciência.

HOMENS como W.W. Matta e Silva, João de Freitas, Henrique Landi Jr, Cavalcanti Bandeira, Pena Ribas, Mauro Rego Porto e João Guimarães deveriam ser convocados, de vez em quando, para nos proporcionar aula de umbandismo, para fazerem pregações de alto nível como a que ouvimos segunda-feira ultima na TV Rio. Os depoimentos as considerações, as explicações que esses autênticos lideres podem nos fornecer diante das câmeras e microfones, viriam desfazer a má impressão deixada por alguns cidadãos que tanto diminuíram a Umbanda quando de suas aparições no horrível programa O Homem do Sapato Branco e nos entreveros sobre o “affaire” Isaltina e seu parceiro Sebastião Pedra d’Água (Bolha d’Água como disse nosso irmão Aranha).

As grandes vozes têm que ser ouvidas. Lutemos contra a palhaçada, contra a bisonhice, contra os vaidosos, contra os exibicionistas. Ergamos uma muralha invencível contra os destruidores da Umbanda! Utilizemos o poder dos nossos Guias, usemos as nossas forças espirituais para deter a onda de insensatez que ameaça a nossa Religião. Não podemos manter posição contemplativa diante das tolices arquitetadas pelos vaidosos, pelos fariseus, pelos “profiteurs” da ingenuidade de alguns que se aliam a tudo sem medir consequências. Acima de tudo, a nossa gloriosa Umbanda;

ACIMA DE TUDO A DIGNIDADE DA NOSSA CRENÇA, DOS NOSSOS IRMÃOS, DE TANTOS QUE DÃO TUDO DE SI PELO BEM DE TODOS!

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ALUÁS – Bebida de origem indígena, feita com fermentação de grãos de milho moídos
ABASSÁS – Terreiros
BACUROS – Filho ou protetor no culto do negros bantos
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Este texto foi retirado do Livro Umbanda Brasileira – Um século de história do nosso irmão Diamantino Fernandes Trindade, até o momento o mesmo não pode ser encontrado em outra página da internet, pelo menos eu procurei no Google e não constatei nenhuma incidência do mesmo, então após a publicação deste todos poderão encontrá-lo a visto que somos referência para diversos Blogs ou Sites, mas rogo a todos que mencionem a fonte e de onde foi retirado, ou seja, do Livro Umbanda Brasileira – Um século de história do nosso irmão Diamantino Fernandes Trindade.

Infelizmente não temos a data do texto, mas lendo texto podemos afirmar ser um texto antigo e que o assunto não está desatualizado, infelizmente muitos que aparecem nos Programas de TV nada contribuem para com nossa Religião, dias atrás observamos um irmão em um Programa tentando balbuciar alguma coisa a respeito da Umbanda e que vergonha senti apenas ouvindo ele falar coisa com coisa, ao invés de trazer informação sobre a Umbanda, trouxe mais duvida ainda a respeito da mesma, pegam o primeiro na esquina que diz que é Pai no Santo e pronto, daí é um desastre total, e Áttila Nunes diz tudo em seu texto, esteja onde estiver receba meus cumprimentos e que Oxóssi ilumine sua Eternidade.

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