Sobre Adaptações e Feituras


Retirado do Livro Umbanda mitos e realidade – Autora Iassan Ayporê Pery

1. Sobre Adaptações e Feituras

59 É comum o médium acreditar que determinados ritos vão lhe conferir maior força, ou maior propriedade de trabalho. Se isto for imperioso em sua vida, o médium deve procurar outra religião que lhe seja mais cara ou afim. Na Umbanda compreendemos através de preceitos, estudo, dedicação, as diferentes formas de manipulação de energia natural e criada e, portanto, procuramos entender melhor os mecanismos sutis que envolvem e pelos quais somos envolvidos.

Não concordo com mistificações ou adaptações. Não concordo com misturas de ritos visam exclusivamente atender esse ou aquele. São justamente as adaptações que maculam a Umbanda, trazendo para Ela ritos pertencentes a outros credos. Isto é uma inconseqüência do dirigente que foi “mal preparado” ou mal orientado e, portanto se sente inseguro e vai buscar em outros terreiros a solução para o que não sabe. O resultado dessas buscas e adaptações mal feitas e mal orientadas é uma má influência na vida do médium e para o nome da Umbanda.

É fundamental que se compreenda a famosa frase “a Umbanda tem fundamento”, mas muitos acham que o fundamento da Umbanda está fora dela e não dentro dela.

O trânsito de uma a outra religião é até certo modo compreensível, pois o homem sempre busca algo que lhe complete, no entanto não vamos confundir ou tentar adaptar circunstâncias, ou seja, se o médium se sente incompleto dentro da Umbanda, que vá buscar outra religião. O que não pode acontecer é o dirigente “adaptar” ritos para satisfazer as necessidades do médium.

Vários médiuns me procuram, dizendo que precisam fazer uma determinada obrigação, que o “Santo está pedindo”, ou então informam que fizeram tal obrigação para o Santo, que “agora sou isto,ou aquilo”. Não sou contra, nem tenho a pretensão de julgar ninguém, simplesmente não misturo rituais. A quem acha que precisa de determinado tipo de trabalho que contraria os princípios básicos da Umbanda procuro orientar e mostrar que a Umbanda tem seus próprios preceitos e fundamentos e que não há necessidade de misturar rituais.

Diante da seguinte afirmativa de um médium: “eu preciso fazer um bori”, por exemplo, eu pergunto: “por quê?” Normalmente o médium não sabe dizer, mas só de ouvir falar acha que precisa também; que isso irá torná-lo um médium melhor, ou então, que algum pai no santo de outra fé indicou isso para ele. Olho bem para o médium e faço uma série de perguntas bem simples com o objetivo de verificar se o médium tem seguido os preceitos básicos indicados pelo nosso terreiro e, invariavelmente, verifico que a resposta é não.

E porque não? Porque invariavelmente o médium considera que os nossos preceitos são “fraquinhos”, ou não fortes o suficiente para atender as suas necessidades.

E quais seriam essas “necessidades”? Por que ele “se acha” tanto? Por que ele acha que precisa de tanta coisa?

Geralmente por pura Vaidade! Pura e simplesmente! Vaidade porque?

Porque provavelmente considera o “santo” dele mais forte. Outras tantas por pura insegurança ou por também por estar acostumado a viver fazendo oferendas e despachos. Não me cabe julgá-lo, mas sim orientá-lo. Explicando a dinâmica e o funcionamento da mediunidade e do excesso das oferendas. Meu dever é informá-lo sobre o que é e como é a Umbanda. Deixando-o assim livre para decidir que caminho deseja tomar.

Ser umbandista é um trabalho diário da prática da Caridade e não o somatório de despachos e obrigações!
Só que esse “trabalho diário” exige mais empenho e auto-conhecimento do médium, e muitos não estão dispostos a esse trabalho. Então que sigam as suas aspirações, mudem de culto, mas a Umbanda não pode ser mudada.