ETREVISTA COM ROBSON PINHEIRO


Senhores da Escuridão

Segunda e última parte da entrevista com o médium
Robson Pinheiro, que fala da atuação das trevas em nosso mundo

Por Adriana Campos

O livro Tambores de Angola também explica os rituais da Umbanda, como a função do altar, dos objetos de culto, dos incensários e dos pontos riscados e cantados nos dois lados da vida. Você acredita que os esclarecimentos sobre a essência e os simbolismos da Umbanda contidos no livro, que apresenta uma temática bem séria e rica, contribuíram para que essa expressão de religiosidade fosse melhor compreendida, principalmente pelos espíritas?

Olha, eu fui convidado a visitar centros de Umbanda para falar sobre o tema. No início eu tinha muita dificuldade porque não entendia nada de Umbanda. E eu pensava: “Como vou falar sobre algo que não entendo, já que foi o espírito que escreveu através de mim?” Mas na hora da palestra os espíritos me inspiravam a falar. Muitos dirigentes de centros espíritas, em número muito superior aos umbandistas, nos ligaram e agradeceram por termos acabado com o preconceito deles através da leitura de Tambores de Angola. Muitos centros espíritas trabalham com pretos-velhos e caboclos, mas não gostam de admitir isso publicamente. Quando o livro foi editado, questionamos muito por que o idoso desencarnado é bem aceito no centro espírita desde que seja branco? Por exemplo, Dr. Bezerra de Menezes. E por que o outro que é um idoso desencarnado com epiderme negra não pode ser aceito? Isso é um preconceito, que nós simplesmente mudamos da senzala pra dentro do centro espírita.

E apesar de haver esse preconceito, os pretos-velhos não abandonam as pessoas e as continuam tratando…

Isso. Eles não as abandonam. E o grande questionamento do espírito Ângelo Inácio é: se só se manifestam europeus e nórdicos idosos, com olhos azuis, como os médicos alemães, que todos adoram incorporar, ou um indiano, um padre ou uma irmã de caridade, onde estão os milhões de negros que matamos durante o período de escravidão? As milhares de pessoas que contribuíram para a formação cultural e espiritual do Brasil? Onde está todo esse povo? Por que todo o nosso passado provindo da Europa para o Brasil com todo o resquício do preconceito ainda predomina? E por que não abrir as portas de nosso coração, uma vez que a religião é do amor? Essa é a religião do futuro. Que todos possam trabalhar respeitando o jeito do outro. Eu não preciso importar o ritualismo da Umbanda para o centro espírita, mas também não preciso combatê-los. Podemos estar unidos sem estar fundidos. Ser distintos sem estar separados. Dar as mãos. Dizer: “Meu irmão, vamos trabalhar juntos porque a bandeira da caridade está aqui. É do Cristo e não é minha”. Essa é a tese defendida por Ângelo Inácio: derrubar o preconceito e valorizar a espiritualidade do outro. Eu acredito que esse é um livro com ação duradoura. Não vão dizer: Ah! Isso passou. Não! Como temos seres humanos preconceituosos e ainda vamos ter por muito tempo, essa obra serve pra trabalhar esses nossos conteúdos traumáticos.

A Apometria é apontada como uma técnica eficaz na solução de obsessões complexas no livro Aruanda. Como médium, qual é a sua opinião quanto à aplicação desse método terapêutico? A Apometria está sendo um recurso muito utilizado em casas espíritas, mas também por terapeutas…

Temos que ter um cuidado muito grande quando surge uma metodologia espiritual e terapêutica… cuidado com a forma pela qual a abordamos, pois existem também os excessos, que são comuns ao ser humano. No caso, eu tenho uma identidade espiritual com o Espiritismo, codificado por Allan Kardec. A Apometria para mim não é um fim, mas um dos instrumentos. Ele não resolve tudo. Não é a vara de condão que a pessoa utiliza e resolve todos os problemas obsessivos.

Mas é uma técnica que tem resolvido muitos casos que a desobsessão convencional não aborda…

Sim. A Apometria é uma excelente ferramenta terapêutica desde que a pessoa que vai utilizá-la tenha bom senso e conhecimento da técnica que vai empregar, além de ter um resgate dos valores humanos dentro do coração, um respeito pela humanidade. A pessoa que empregá-la tem de ter um conhecimento e uma atitude ética diante da vida. Assim, a Apometria é uma excelente ferramenta terapêutica. Contudo, essa mesma ferramenta nas mãos de pessoas que não tenham a habilidade e o conhecimento necessários pode ser desastrosa. Como diz o criador da Apometria, o Dr. José Lacerda de Azevedo: “Apometria sem Evangelho é feitiçaria”. Então, temos de ter ética ao aplicar esse método que os imortais nos disponibilizaram. Em nossa casa espírita, temos reuniões de Apometria, mas sempre sob a orientação dos benfeitores espirituais. Não é o paciente que determina fazer a Apometria ao chegar na casa espírita. A Apometria é aplicada em obsessões complexas, quando o caso não pode mais ser abordado nas reuniões convencionais. Aí, sim, a Apometria é uma ferramenta poderosa; porém, não podemos dizer que resolve absolutamente tudo. A Apometria não vai eximir a pessoa de fazer o esforço pessoal. Não, muito pelo contrário… um dos elementos da Apometria é a resposta do paciente ou do consulente ao que ele pode fazer em benefício próprio, em favor de sua própria cura. O livro Aruanda apresenta essa ferramenta terapêutica de excelente eficácia, mas que deve ser utilizada sob a tutela dos imortais, dos benfeitores espirituais que nos orientam. Senão, eu posso usar essa ferramenta de maneira antiética, anticristã.

Em Aruanda, os elementais são citados como princípios inteligentes com importante atuação em reuniões mediúnicas. Qual a sua principal contribuição nos trabalhos práticos de mediunidade?

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Em nome de Povo de Aruanda quero agradecer a Revista Cristã de Espiritismo, por nos ceder parte da Entrevista com o Robson Pinheiro e como fui informado apenas para Povo de Aruanda que foi cedido parte desta entrevista, então rogamos que ninguém repasse a mesma sem autorização dos responsáveis.