O GUARDIÃO


Por Cássio Ribeiro

Ele lê rapidamente a placa na parede daquela casa:

Joga-se búzios, tarô, faço trabalho de amarração. Mãe Vera da Bahia.

Resolve entrar. Na ante sala várias pessoas aguardavam para serem atendidas.

Uma moça de olhar triste e perdido. Um homem de gestos afeminados.

Uma senhora de idade avançada. Lá dentro do quarto penubre luzes vindas de velas, sente o cheiro forte de defumação que não demora, invade a casa.

Observa os móveis. Realmente mãe Vera vive bem: aparelhos novos estão por toda a espaçosa casa. Uma jovem auxiliar preocupa-se em receber antecipadamente o valor da consulta. A moça de olhar perdido puxa conversa com a outra mulher. Sussurra que precisa amarrar um homem casado. Envolvera-se com ele no ambiente de trabalho e mesmo sabendo que é casado, possui filhos, acha precisa tê-lo a qualquer custo. Diz que já foi em vários terreiros falou com Exus e Pombagiras que lhe recusaram o pedido.

Alegavam que ela não devia deixar um impulso, acabar com a vida daquele homem. Ainda segundo ele os Exus ponderaram que se tivesse paciência arrumaria alguém livre para ama-la com o desprendimento que merecia.

Nada disso a comove queria o tal homem casado e pagaria o que fosse preciso

A mulher que a ouvia calada concordou com os argumentos usados

Por sua vez disse que estava ali para acabar com sua vizinha, mulher nova e bonita que nunca havia lhe feito nada, ao contrário até tratava-a bem, mas ela não podia suportar a felicidade da outra. Pagaria dona Vera para mata-la na magia. O homossexual ouvindo a conversa resolve-se abrir:

Apaixonara-se por um homem e este embora nunca tenha destratado deixou claro que era noivo feliz e nunca iria se envolver com ele.

Sendo assim estava ali para que tal mãe de Santo amarra-se seu homem… Não notara a presença dele.

Em seu intimo está revoltado. Pois a tão poderosa mãe de Santo não passa de uma mulher inescrupulosa que usa a baixa espiritualidade para alimentar a ganância, a cobiça, o ódio nas pessoas.

Não percebe a tal mulher que ao fazer isso está apenas sendo como instrumento dos Kiumbas. Lá no quartinho alheia ao que se passara na ante sala D. Vera acaba de atender mais um cliente.

Envolta pela fumaça e com todas aquelas velas acesas, além de várias imagens de Exus, a mulher de fato impressiona. Ela não está só: um grande Kiumba e seu séqüito estão ali prontos a usa-la e sugar as energias daquela gente que ela atende.

O Kiumba está feliz: lá fora mais vitimas. D. Vera também está, pois vai ganhar um bom dinheiro.

Não sabem e que terão uma grande surpresa. O homem que até então estivera ouvindo aquelas pessoas, pede licença para passar na frente, pois tem que viajar com urgência. Os três consulentes medem de cima a baixo, vêem que estão diante de alguém importante e resolve aceitar o pedido.

Ele entra no quarto, D. Vera sente o coração bater mais forte. Acha graça até daquele homem tão imponente estar em sua casa, hoje pensa ela, vai faturar alto. O Kiumba se alvoroça, percebe que aquele homem está olhando para ele. Mas como pode ser isso? E aí percebe ter cometido um erro enorme: o tal homem era um Exu de Lei. A força do Exu lhe envolve de tal maneira que ele sente sair dali com urgência. E assim faz: desaparece deixando só a mãe de Santo. Por sua vez D. Vera começou a tremer e soar frio.

Tenta chamar ajuda, mas a voz lhe falta. Pensa que o estranho irá ajuda-la, mas este se limita a olhar para ela sorrindo.

Diz então que chegava a hora dela pagar por prejudicar e enganar tanta gente. Mostra que a mediunidade é como Dom Divino e como tal deve ser respeitada e usada para a pratica do bem, nunca para enganarem, jamais para causar discórdia e dor.

Completei o sermão usando mostrando que é: um Guardião de Exu de Lei. D. Vera está embasbacada, não sabe o que fazer. Suas pernas não obedecem…

Exu aproxima-se dela e a medida que ele avança ela cai. Quando percebe seu espírito está ao lado do corpo.

Desesperada ela grita, tenta voltar, mas agora é tarde. Exu agarra fortemente. Neste instante os consulentes ouvem o corpo que cai.

Exu gargalha e some.

Não mentira: iria viajar em direção do vale das Sombras tendo ao lado mais uma futura hospede.

Por: Cassio Ribeiro
Fonte: Revista Guardiões da Luz

4 ideias sobre “O GUARDIÃO

  1. ALICE

    Oi Alex
    mais uma vez estou aqui.
    gostaria de saber se existe e onde, eu poderia encontrar mais historias como esta, ou mesmo sobre outras entidades ,pra eu saber mais a respeito delas.
    Ja conheci a do exu tata caveira, quem foi ele, quando nasceu e morreu, e outras , não sei se estou me expressando direito, mas na real estou interessada sobre a vida dos exus de lei, não das entidades que incorporam em terreiros pois sei que são guias espirituais que usam somente o nome deles, deu pra entender?

    RESPOSTA

    Deu e não deu, mas entendi onde você quer chegar, ou seja, você quer sabver sobre os Chefes de Falanges e não dos Falangeiros, eu sempre que acho publico aqui, ou ainda sou intuido a falar sobre algum, sempre quando as tenho eu publico.

  2. ALICE

    Parabens querido irmão Alex.
    Magnifica a historia acima.
    Acho mesmo que todas as pessoas com essa indole de usar de má fé com pessoas leigas, deveriam ter pelo menos algum estudo sobre o que realmente existe por detras das cortinas do espiritismo.
    Durante muitos anos, tb acreditava nessas coisas, sem saber realmente o que era na realidade os trabalhos dos exus guardião, mas estudando muito aprendi que existe muita diferença entre os exus, e os kiumbas(dito exus) com os quais muitas pessoas trabalham.
    adoro seu site,pq posso sempre aprender mais.
    parabens.

    RESPOSTA

    Quiumba/kiumba – espíritos zombeteiros, de baixa ou Luz alguma, verdadeiro criminosos astrais

    Egun – Todos espíritos que tiveram vida em Terra, desencarnaram

    Será mesmo que entendi o que você escreveu?

  3. solange

    muito interessante , todos os ditos pai de santo deveriam ter estampado nas paredes dos seus templos ou terreiros esta historia. os exus levam a luz para as trevas, e nós não temos o direito de usar os kiumbas, ou eguns, ou exus dos baixo astral, seja lá o nome que for para beneficio proprio. eu conheço um guardião e ele é o exu mais maravilhoso e mais humano do que nós encarnados. este relato me fez lembrar dele. Salve Sr. Tranca Rua e se este não for o sr. é seu companheiro e irmão.
    Parabens pelo relato.

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