A MINHA UMBANDA


Muitos me questionam, como eu tendo uma criação católica/kadercista, pude aceitar tão facilmente o ritual de Umbanda. Para estes eu apenas respondo: não foi fácil! Sabe porque? Porque é tudo muito simples e tudo o que é simples teimamos em complicar.

As obras de Allan Kardec, nos levam entender que estamos em constante evolução (“Quem não nascer de novo não entrará no reino dos céus” Jesus).

Até hoje concordo com este pensamento, pois não acredito que Deus em sua infinita misericórdia enviaria um filho para o inferno, até mesmo porque qual mãe ou pai sentiria felicidade no paraíso com seu filho padecendo nas trevas?

A idéia que os católicos e evangélicos passam de que ficaremos aguardando o dia do juízo final também não me agrada muito. Vejamos quantas pessoas morrem todos os dias… Se todos estiverem esperando este dia, espero eu que tenha bancos no céu!

Por estas e outras coisas que, estudando e observando, aprendi que o que mais nos aproxima da realidade é o kadercismo.

Onde ao desencarnar, nosso espírito continua vivo pois este não morre nunca.
Do outro lado, irá depender de nosso padrão vibratório para definir o local para onde seremos transportados. Daí parte a importância de praticarmos o bem e a frase: cada um colhe o que semeia. Aplica-se a número e grau …

Do outro lado, nos deparamos com as colônias espirituais tão bem descritas nos livros espíritas. São grupos de espíritos, que já esclarecidos, acolhem os que acabam de retornar a pátria espiritual. Que podemos ter como uma cidade, onde todos trabalham …

Isto mesmo! Há muito trabalho a ser feito, afinal o universo é infinito, o número de espíritos também, e não consigo imaginar um Deus ocioso.

Mas e a Umbanda ?

Pois então, para administrar tudo isto com certeza é necessário muita organização. Enquanto uns desencarnam fora do tempo, outros vêm com problemas emocionais, morais, etc …

Cada caso é um caso, e para cada um encontraremos um grupo de amigos dispostos a ajudar. É ai que a nossa amada Umbanda atua em conjunto com os demais espíritos. Pois do outro lado, não existe religião e sim campos de atuação.

Uma pessoa que teve sua última reencarnação na china e acreditava em gnomos não será conduzida por uma baiana com sua saia rendada e seu balaio na cabeça … Não naquele momento. Para isto existem os espiritos afins, que na Umbanda atuam conforme as forças da natureza.

Cultuamos as forças da natureza certo?

E quem nunca sentiu o corpo estremecer ao barulho do trovão?

Ou apesar de assustado parou para olhar a tempestade?

Quem nunca ficou maravilhado ao olhar o mar?

E quanta harmonia nos transmite um cachoeira, uma mata?

Em cada ser desperta sensações diversas … Sensações!

É isto que chamamos de Orixás, são essências, forças que nos transmitem sensações, que nos irradiam com todo o seu esplendor.

Daí temos:

Yemanja – regendo o mar e o sentido da maternidade, mãe da criação de todos os Orixás.

A bíblia cita que antes de Deus criar o mundo tudo era água.

Oxum – regendo a cachoeira e o lado sentimental do ser.

Oxossi – regendo as matas, a busca pelo conhecimento, a cura pelas ervas. Seu elemento: a terra.

Ogum – regendo o sentido da Lei/Ordem, guiando os nossos caminhos e tomando conta de nossos passos. Seu elemento principal é o ar.

Xangô – regendo o sentido da Justiça, chamando-nos sempre na razão. Seu elemento é o fogo.

Yansã – atuando no sentido da Ordem e Justiça, mas com a compreensão de uma mãe. Está presente na força dos ventos.

Oxalá – atuando no campo da fé. Sem fé não conseguimos nos harmonizar com nenhum dos outros sentidos.

E assim cada qual, com sua essência pura. Tão pura que nosso corpo não seria capaz de agüentar sua vibração.

Por isto, o que incorporamos nos terreiros são intermediários dessas Divindades. Estes muitas das vezes já tiveram sua vida terrena e hoje fazem parte de uma “colônia espiritual” e podem vir atuar em diversos campos.

Para isto usam nomes para representar a falange que pertencem. Ex.: Caboclo trovoada = um intermediário da linha de Oxossi, que atua no sentido da razão/justiça (Trovoada = Xangô).

Cada falange (grupo de espíritos), forma uma linha de trabalho dentro da Umbanda, onde os Orixás femininos: Yansã, Oxum e Yemanja apenas vem nos transmitir sua energia, carregando-nos com suas energias positivas e descarregando as negativas.

As outras linhas de trabalho (Caboclo, Preto-velho, Marinheiro, Baiano, Boiadeiro, etc.), são destinadas a orientação e tratamento espiritual através do diálogo e da magia.

Magia e não mágica. Magia é manipular tudo o que gera energia ou é condutor para uma determinada pratica. É ai que se englobam, as bebidas, o cigarro, as velas e até mesmo as vestimentas, aparamentos, etc …

Deus nos deu o dia e a noite, o sol e a chuva, e o livre-arbítrio para praticarmos o que é bom ou o que é mau. Sendo assim, onde existem os distúrbios espirituais, torna-se necessário uma linha em que atue a esquerda. Pois onde existe um que pratica a Justiça, outro derrama o sangue e declara a injustiça.

Para isto os Orixás tem seus fiéis guardiões: a sua esquerda. Encarregados de equilibrar toda energia desvirtuada, estes que conhecemos como Exu de Lei ou Exu batizado, que ao contrário do que muitos pensam, não é nenhum zombeteiro ou egum.

São estes que controlam os espíritos desvirtuados e formam a falange da esquerda. As Pomba-giras atuam juntamente com eles, só que no campo sentimental.

Estes são espíritos muito evoluídos, e por isto também não são com eles que os médiuns trabalham incorporados nas tendas… São com falangeiros, que obedecem primeiramente a lei maior, e segundo a estes trabalhadores.

Estes por sua vez também utilizam nomes “simbólicos”, para representar para qual falange trabalham. Ex.: Exu do Lodo. Lodo = água e terra.

Por isto, não se deve ter pressa com relação ao nome das entidades, pois isto será dado conforme a coroa de cada médium.

Esta é a forma com que aprendi a entender e a amar a Umbanda, é claro que muitas coisas ainda entram em conflito em minha mente, mas isto tenho certeza que no decorrer da caminhada será esclarecido.

Não tenho pressa pois aprendi que esta é inimiga da COMPREENSÃO.

Sandra Aparecida Gonçalves
Centro de Umbanda Pai João de Angola – São Paulo-SP