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IX

A CURA DA OBSESSÃO

Cura-se a obsessão, nos centros kardecistas, branda e lentamente, mediante a doutrinação do obsessor, e, como este freqüentemente tem numerosos companheiros, o doutrinador tem de multiplicar os seus esforços.

O obsessor, quando se atirou a pratica do mal, usou do livre arbítrio concedido por Deus a todas as criaturas, e o kardecista, no seu rigorismo doutrinário, procura demonstrar-lhe o erro, encaminhando-o para a felicidade. E, nesse elevado empenho, discute, ensina, pede, até convencê-lo.

O obsessor sempre resiste e cede demoradamente. Por isso e para restaurar as forças físicas do obsedado, o kardecista, paralelamente à doutrinação, faz um tratamento de passes. Assim, cura o paciente e ao mesmo tempo regenera o agente do malefício.

Na Linha Branca de Umbanda, o processo é mais rápido. O kardecista é um mestre; o filho de Umbanda é um delegado judiciário. Entende que pode usar do seu livre arbítrio para impedir a prática do mal.

O espírito, o protetor, é, na Linha Branca de Umbanda, quem se incumbe da cura. Inicialmente, verifica o estado fisiológico do enfermo, para regular o tratamento, dando-lhe maior ou menor intensidade. Em seguida, aconselha os banhos de descarga, para limpeza dos fluidos mais pesados, e o defumador para afastar elementos de atividade menos apreciável. Investiga, depois, a causa da obsessão e se a encontra na magia, realiza imediatamente o trabalho propiciatório de anulação, e igual ao que determinou a moléstia. Freqüentemente, basta esse trabalho para libertar o obsedado, que fica, por alguns dias, em estado de prostração.

Se a causa da doença (permitam-me o vocábulo) era antiga e o doente não se refez logo, e nos casos que não são ligados a magia, o protetor afasta o obsessor, manda doutriná-lo, e se o rebelde não se submete é levado para regiões, ou estações do espaço, de onde não pode continuar a sua atuação maléfica.

Não raro, quando o obsedado não assiste à sessão em seu benefício, o protetor, atraindo-o durante o sono, por um processo magnético, traz o seu espírito à reunião, e incita-o a reagir contra os estranhos que desejam dominá-lo, mostra-lhe que não está louco e que deve provar, com a sua conduta, a sua integridade mental.

À medida que os obsessores são afastados, para que o organismos do paciente não se ressinta da falta dos fluidos que lhe são retirados, fazem-se lhe passes, e, finda a sua incumbência, com a restituição daquele a si mesmo, pede-lhe o protetor que procure qualquer médico da Terra ou do espaço, para seguir um tratamento reconstituinte, se a
obsessão o depauperou.