A VERDADE, SEMPRE!


Todos os dirigentes de Umbanda têm a responsabilidade e o dever de combater a chaga do pedido inconseqüente em nosso meio.

Não fazemos parte de uma religião que prega a lavagem cerebral para conseguir adeptos a qualquer preço. Temos então que fazer com que se entenda de uma vez por todas que nossas entidades não operam milagres muito menos resolvem os problemas íntimos de todos que os procuram.

Para se obter algo na Umbanda é primordial saber que há a questão do merecimento. Sempre que alguém solicitar algo dentro de um atendimento, o pai ou mãe no santo tem a obrigação de explicar isso. Ainda sofremos com aqueles que nos difamam por não ter conseguido algo em nossas casas, sem ter a noção de haver pedido absurdos que nenhum terreiro faria, mas o nosso foi o escolhido.

É preciso que o dirigente diga com todas as letras – Isso eu não faço! É contra a lei carmica e espiritual. Quantos de nós já não fomos procurados para fazer amarrações? Ou para prejudicar um vizinho? Creio que todos. Nessa hora temos a obrigação de expor ao consulente que nossa religião não faz isso. Que os umbandistas sérios estão com suas tendas abertas para a caridade, conselhos, ajuda espiritual, passes de cura e não para brincarmos com os destinos de pessoas que nem ao menos conhecemos. Esse tipo de difamação que sofremos por parte daqueles que não foram atendidos nesses pedidos é que aumenta a ojeriza que muitos ainda sentem por nós e nossa fé.

E grande parte da culpa é de dirigentes que não conseguem ser firmes o suficiente em suas recusas. Conheço pais e mães no santo que atendem a pessoa e dizem que vão fazer. Não fazem (até mesmo porque não podem) e vão empurrando com a barriga. Acordem de uma vez por todas.

É muito melhor que a pessoa vá embora certa de que nada faremos do que segurá-la em nossa casa esperando por algo que, sabemos, não irá acontecer. Cedo ou tarde ela cansará de esperar e sairá do terreiro remoendo rancores e espalhando barbaridades aos quatro cantos. Sei muito bem o quanto é desagradável ter que dizer a alguém que está sofrido e carente que nada podemos fazer. Mas a verdade dever prevalecer, sempre! Ajudemos nossas entidades a manter uma Umbanda digna!

Luiz Carlos Pereira