CIGANA DA ESTRADA


Sou filha do Céu e da Terra; irmã da Água e do Ar.

Sou o fogo na Floresta e a branca espuma no Mar.

Sou a Loba; sou a Selva; sou a carícia da Relva;
e a Carroça atrelada.

Sou a beira e o caminho; sou um pássaro sem ninho e do galho mais fraquinho, todos me escutam cantar!

Sou a menina do Dia e a amante louca da Noite;

sou o alívio e o açoite, e a carne esfacelada.

Sou a abelha rainha, venha provar do meu mel, pois dentro do meu casulo, Você estará no céu!

Se quer que lhe deixe louco entre um beijo e uma dentada,
me chame de tudo um pouco, mas o meu nome é Sttrada !

Na sombra, eu sou Vaga-lume; na luz, eu sou Mariposa;
sou o inseto que pousa e a lâmpada que é apagada.

Nasci para passar o Tempo e ficar um tempo parada,
mesmo que a vida insista, em me deixar estafada, vou seguindo, sempre em frente, pois topo qualquer jogada, todos sabem que existo, pois o meu nome é Sttrada !

Realizo a caminhada; sem precisar me cansar;
percorro vários caminhos; importante é o Caminhar.

Estou aqui, ali e acolá; o que não posso é parar.

Sou casada com o poder de sempre ser encontrada,
aceito qualquer roteiro, me chamam de caminheiro,
mas o meu nome é Sttrada !

Sou a primeira e a última, de todas as desgraçadas.
Honrada ou desprezada; vil ou simplesmente sagrada;

sou o som e o silêncio; sou o choro e a risada.

Sou a eterna abundância; pois sempre dou importância, para a semente lançada, num solo de doce fragrância, pois o meu nome é Sttrada !

Sou o Rei e a Rainha; sou o súdito e o reinado;
sou a Coroa e a Forca, o Algoz e o Enforcado.

Uso a máscara da Vida, mas me confundem com a Morte.

Sou o Azar e a Sorte, e, aquela que foi dispensada.

Sou a bandeira da Paz mas me trocam pela Guerra,
na tirania da Terra, me vejo desapontada,
porém, quem me ama não erra, pois o meu nome é Sttrada !

Saindo de um turbilhão; alçando a torre encantada;
me vejo como uma estrela, de Lua e Sol enfeitada.

Com certeza amanhã, estarei acompanhada, do Anjo que é puro élan,
de uma mulher coroada.

Sou a roca, sou o fio, sou tecelã afamada, na teia eu desafio quem faça a melhor laçada, pois entre a chama e o pavio, eu tramo a trama esperada, mesmo que seja apenas, por uma curta jornada.

Me coloque em sua vida, como uma moça querida, que precisa ser amada; em troca posso lhe dar, o bem maior deste mundo numa bandeja dourada.

Me traga no coração prá me deixar encantada.

Não me esqueça e me honre com sua gentil chamada,
grite bem alto o meu nome !

Me chame, me chame, eu sou a sua “cigana estrada” !

Helena Rêgo/Cigana Sttrada
(do Clã Calom)
(São Paulo – SP – 1996)

10 ideias sobre “CIGANA DA ESTRADA

  1. Claudia

    Nossa , realmente nós q carregamos uma cigana da estrada samos assim mesmo!Salve á Cigana da estrada minha amada!Lindo este poema

  2. Daiana

    Oi boa noite minha vo trabalha com essa cigana eu adoro ela acho muito linda sendo que nunca vi uma imagem dela agradeceria muito se vocês tivessem uma foto dela ou uma imagem para manda ao meu e-mail obrigado e a propósito o poema e lindo.

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