AS “UMBANDAS”


Amados Irmãos,
Antes de ler o material sobre as “Umbandas” leiam o texto abaixo e usarei aqui a frase que o Guardião usou na Comunidade Povo de Aruanda:

Antes de reclamar do preconceito de outras Religiões para conosco, deixemos de ser preconceituosos.

***“Ser” Umbandista

Falam em tantas Umbandas. Branca, esotérica, popular, traçada, de nação, omolocô, umbandolé, candomblé de caboclo, evangelizada, kardequizada, iniciática e outras mais.

O que é Umbanda então?

Se são tantas, porque cada qual teima em dizer que somente a sua, aquela que ele pratica, é a verdadeira?

Origens, respondem todos em unísono!

Esta seria a solução para os problemas!

E qual a origem da Umbanda verdadeira?

Lá vamos nós novamente viajar por inúmeras teses. Negros Africanos, Sumérios, Atlântida, Astros, Planetas diversos, Seres extraterrenos, Anjos celestiais, etc…

Mas será que isso tudo é importante?

Porque temos que precisar ou determinar qual das Umbandas é a mais ou a unicamente correta?

Quem sabe não são mesmo várias Umbandas, totalmente diferentes umas das outras.

Ou, ainda por outro lado quem sabe, ela é somente uma mesmo, apenas com várias ramificações!

E porque seria assim? Afinal de contas todas as demais religiões não são únicas? Serão mesmo?

Vejamos: a igreja católica divide-se em um sem número de ramificações, das tradicionais às mais atuais. Tem a Apostólica Romana, Apostólica Brasileira, Carismáticos, Ortodoxos e outras. E todos se denominam como?

Católicos! Nada mais! Se as conversas convergem para fundamentos religiosos, ai sim quando sabem, denominam-se especificadamente.

E os Evangélicos? Se autodenominam de Cristãos!

Antes eram Crentes, agora não gostam mais dessa denominação, afinal de contas, os praticantes das demais religiões também o seriam, já que todos os que crêem em Deus, Crentes como eles seriam.

Mesmo que seja aplicada de igual forma em relação a Cristãos o entendimento sobre outras religiões, parece esta denominação genérica a que mais os diferenciam das demais.

Mas e entre eles próprios, existem diferenças entre as denominações?

Sim e não são poucas. Batista, Adventista, Assembléia de Deus, Testemunha de Jeová e outras mais novas.

E nós, os Umbandistas, e porque não dizer Espíritas, não podemos ter também várias denominações ou entendimentos?

Opa! Espere um pouco! Umbandistas ou Espíritas? Lá vamos ter outra briga séria com alguns de nossos irmãos Kardecistas. Afinal de contas, de acordo com alguns deles, somente são espíritas os que seguem a doutrina espírita desenvolvida por Allan Kardec.

Mas qual a definição de Espírita? De acordo com o próprio Allan Kardec, que no livros dos médiuns, assim define Espírita. “Espírita, é aquele que crê no espírito e nas suas manifestações”. Assim, todo aquele que acredita nesta máxima, do ponto de vista do próprio Kardec, então será espírita.

Devemos apenas preocuparmo-nos em sermos bons espíritas. Coisa que, infelizmente muitos irmãos, sejam Umbandistas, Kardecistas ou outros, ainda não se preocupam como deveriam.

Mas voltemos aos nossos próprios problemas. Já temos bastantes deles entre nós para que nos preocupemos com outros externos!

O que é mais importante numa religião?

De onde ela vem ou para onde ela vai?

Que interessa o berço em relação ao trabalho futuro. Será mais importante a caridade do irmão de poucas posses do que a oração do mais abonado?

Se formos olhar bem a fundo cada uma das diversificações de nomes ou qualificações das diversas Umbandas, veremos que em todas elas manifestam-se entidades espirituais semelhantes, tais como os Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Crianças e Orixás, além de Baianos, Mineiros, Boiadeiros, Zé Pelintras, Ciganos, etc…

Uma religião que prima pela Caridade, Humildade e Amor, não poderia se dividir tanto entre seus filhos.

Discutem se o Caboclo pode ou não pode usar cocar, se o Preto-Velho pode ou não pode usar chapéu, se Exu é guardião ou apenas mensageiro e deixa-se muitas vezes de perceber e até mesmo de cobrarem-se a si próprios se a caridade que estão praticando ou intermediando é real.

Será que chegar ao centro já olhando que horas são pois tem um compromisso inadiável mais tarde, permitirá ao Caboclo praticar uma boa caridade utilizando aquela matéria tão apressada?

Será que a humildade do Preto-velho terá capacidade de influenciar uma pessoa acometida de mal momento ou dor física, a ter calma ou perdoar a quem a tenha ofendido, vibrando numa cabeça que o encara não como um escravo simples, que pela dor alcançou a luz, mas sim como um majestoso soberano, que não poderia imaginar como tamanha fraqueza de pensamentos pode assolar estas ínfimas criaturas.

E ainda sobre o Caboclo, o qual na concepção daquele médium não é índio, mas médico ou um antigo rei de uma civilização ainda desconhecida, poderá atuar sobre quem o considera apenas um índio forte e garboso?

E Exu? Ele que em algumas casas mais sofisticadas é Guardião, entidade de alta luz que tem trânsito livre entre todos os ambientes vibracionais, liberando ou aprisionando almas ainda em decomposição moral.

Nas casas mais populares é apenas um enviado de entidades, ou mesmo um serviçal incumbido de levar e trazer as cascas grosseiras dos restos dos trabalhos espirituais, descarregando-os nos lodaçais espirituais no baixo astral, de onde ele pode até sair, mas não poderá ir tão alto, para que as luzes espirituais dos ambientes muito elevados não o ceguem.

E se saísse, o que faria? Sua fraqueza espiritual não o permitiria enxergar mesmo os seres iluminados de outras diretrizes.

Será mesmo que as entidades se preocupam com estas diferenciações?

Não! As entidades espirituais são seres de luz, são apesar de ainda imperfeitos na evolução espiritual, conhecedores da visão mais iluminada da caridade. Eles não se preocupam com as roupas que a eles queremos impor. Para eles o que importa é o amor, a união, a elevação.

Irmãos! Que divisão nada!

A Umbanda é única! Ela é perfeita!

Tão perfeita que se adapta a tantas interpretações.

Tão linda e majestosa, que aos olhos de cada um mostra a luz da maneira que possa ser percebida.

E suas origens são mesmo polêmicas, mas não traduzem os maiores ideais da religião: caridade, humildade e amor.

Que se busquem historicamente as origens, mas não contaminemos nossa prática religiosa com nossas próprias imperfeições, com nossos próprios preconceitos, com nossos próprios interesses pessoais.

Ao invés de subdesenvolvido, que tal tradicional?

Ao invés de cultos exagerados, que tal criteriosos?

Ao invés de discussão, que tal aceitação?

Não seremos menores se Africanistas, ou maiores se Iniciáticos!

Mais capazes, se optarmos por fundamentos de nação ou menos capazes, se seguirmos os ensinamentos à luz Kardequiana!

Seremos sim maiores ou menores, se levarmos em consideração a caridade que conseguirmos praticar!

Muitos se mostram prontos para uma verdadeira luta na intenção de resgatar a verdadeira Umbanda, outros pretendem livrá-la de influências negativas de outras religiões.

Vamos fazer mais que isso!

Vamos praticar a nossa Umbanda, aquela que nos toca ao coração com sentimentos de amor e caridade.

Vamos mostrar esse amor a todos os nossos irmãos.

E aí quem sabe, teremos uma Umbanda única e seremos verdadeiros Umbandistas.

Autor DesconhecidoRETIRADO DO CORREIO DA UMBANDA 2

*** AS “UMBANDAS”

Umbanda Popular – Que era praticada antes de Zélio e conhecida como Macumbas ou Candomblés de Caboclos; onde podemos encontrar um forte sincretismo – Santos Católicos associados aos Orixas Africanos;

Umbanda tradicional – Oriunda de Zélio Fernandino de Moraes;

Umbanda Branca e/ou de Mesa – Nesse tipo de Umbanda, em grande parte, não encontramos elementos Africanos – Orixás -, nem o trabalho dos Exus e Pomba-giras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinaria se prende mais ao trabalho de guias como caboclos, pretos-velhos e crianças. Também podemos encontrar a utilização de livros espíritas como fonte doutrinária;

Umbanda Omolokô – Trazida da África pelo Tatá Trancredo da Silva Pinto. Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho direcionado dos Guias;

Umbanda Traçada ou Umbandomblé – Onde existe uma diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote ora vira para a Umbanda, ora vira para o candomblé em sessoes diferenciadas. Não é feito tudo ao mesmo tempo. As sessões são feitas em dias e horários diferentes;

Umbanda Esotérica – É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e o W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda como a Aumbhandan: “conjunto de leis divinas”;

Umbanda Iniciática – É derivada da Umbanda Esotérica e foi fundamentada pelo Mestre Rivas Neto (Escola de Síntese conduzida por Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sanscrito;

Umbanda de Caboclo – influência do cultura indígina brasileira com seu foco principal nos guias conhecidos como “Caboclos”;

Umbanda de pretos-velhos – influência da cultura Africana, onde podemos encontrar elementos sincréticos, o culto aos Orixás, e onde o comando e feito pelos pretos-velhos;

**** Palavra “Umbanda”
.

Origem 1

Na Africa em terras bantas, muito antes de chegada do branco, já existia o culto aos ancestrais (chamados depois no Brasil “guias”). Também era conhecida a palavra “mbanda” (umbanda) significando “a arte de curar” ou “o culto pelo qual o sacerdote curava”, sendo que mbanda quer dizer “O Além – onde moram os espíritos”. Os sacerdotes da umbanda eram conhecidos como “kimbandas” (ki-mbanda = comunicador com o Além).

Origem 2

A palavra Umbanda é um vocábulo sagrado da língua Abanheenga, que era falada pelos integrantes do tronco Tupy. Diferentemente do que alguns acreditam, este termo não foi trazido da África pelos escravos. Na verdade, encontram-se registros de sua utilização apenas depois de 1934, entre os cultos de origem afro-ameríndia. Antes disto, somente alguns radicais eram reconhecidos na Ásia e África, porém sem a conotação de um Sistema de Conhecimento baseado na apreensão sintética da Filosofia, da Ciência, da Arte e da Religião.

O termo Umbanda, considerado a “Palavra Perdida” de Agartha, foi revelado por Espíritos integrantes da Confraria dos Espíritos Ancestrais. Estes espíritos são Seres que há muito não encarnam por terem atingido um alto grau de evolução, mas dignam-se em baixar nos templos de Umbanda para trazer a Luz do Conhecimento, em nome de Oxalá – O Cristo Jesus. Utilizam-se da mediunidade de encarnados previamente comprometidos em servir de veículos para sua manifestação.

Os radicais que compõem o mote UMBANDA são, respectivamente: AUM – BAN – DAN. Sua tradução pode ser ncomprovada através do alfabeto Adâmico ou Vattânico revelado ao Ocidente pelo Marquês Alexandre Saint-Yves d’Alveydre, na sua obra “O ARQUEÔMETRO”.

AUM significa “A DIVINDADE SUPREMA”
BAN significa “CONJUNTO OU SISTEMA”
DAN significa “REGRA OU LEI”

A UNIÃO destes princípios radicais, ou AUMBANDAN, significa “O CONJUNTO DAS LEIS DIVINAS”

Origem 3

A palavra Umbanda significa “ Um ” = “ Deus ” e “ banda ” = “povo ”, que vem da velha África há 7 mil anos, quando esse povo era livre em suas tribos e eram felizes juntos com os animais e a natureza, onde cultuavam os seus Deuses e os seus Orixás .

Esse povo não tinha e não conhecia a maldade, mas com a chegada dos homens brancos que pela suas saudades e ganâncias de dominadores e religiosos, acabaram por conhecê-la.

Através dos séculos procuraram mentir e enganar os seus adeptos brancos de que os negros eram inferiores (por causa de sua cor); os fizeram de escravos em porões imundos de navios negreiros em que a maioria deles, não chegavam vivos.

Ao chegarem ao Brasil, receberam os piores castigos dos donos dos Engenhos e capatazes.

Nas Senzalas, recebiam os piores castigos por não falarem o idioma português e, não cultivavam a religião dos mesmos “ claro, a religião Católica ”; os alimentos eram os mesmos dos animais, isto é, quando haviam sobras, mas só que os negros tinham a Fé em “ OXALÁ ”, que como para os brancos era “Deus ”, que é Universal.

Claro que veio a libertação dos escravos como todos sonhavam, com a Princesa Isabel, mesmo assim, o calvário continuou até que em 1917, o médium chamado Zélio de Morais, que morava no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, que recebeu o Espírito do Caboclo das 7 Encruzilhadas em um centro Kardecista, e foi expulso por não pertencer ao Núcleo, resolveu o mesmo, por Deferência Divina, fundar a “Umbanda” por ordem do mesmo Caboclo.

http://www.fietreca.org.br/umbanda.htm

Este texto foi escrito apartir do questionamento de alguns irmãos quanto ao livro “Código de Umbanda” do nosso irmão Rubens Saraceni e se teria ele o interesse de Codificar a Religião de Umbanda com este livro e se tal empreitada vai de ou ao encontro daqueles que lutam ou lutaram pela união dos Umbandistas.

Acredito que aqui fornecemos também fatos importantes aos que se interessam pelo estudo verdadeiro da história de nossa amada religião de Umbanda.

O esforço pela união dos Umbandistas é algo que vêm de longe e marca a história da religião. Não é o esforço de uma ou outra pessoa e sim o de tantos que deram suas vidas pela caridade. Podemos começar citando o próprio Zélio de Moraes, fundador da Umbanda com o Caboclo das Sete Encruzilhadas. A história começa com ele mesmo, pois foi com a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas que em 1939 foi fundada a primeira “Federação Espírita de Umbanda” do Brasil. Com este ideal de união se realizou em 1941 o Primeiro Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda, também por orientação desse mesmo mentor.

No primeiro Congresso de Umbanda participaram de forma ativa os grandes dirigentes de então, sendo acompanhados por tantos outros que podemos citar:

Zélio de Moraes, Benjamim Figueiredo (Tenda Mirim / Caboclo Mirim / Primado de Umbanda), Jayme S. Madruga, Alfredo Antonio Rego, Diamantino Coelho Fernandes, Martha Justina, Baptista de Oliveira, Eurico Lagden Moerbeck, Antonio Barbosa, Roberto Ruggiero, Aoitin de Souza Almeida, Tavares Ferreira, Josué Mendes, Antonio Flora Nogueira, João de Freitas, Oscar Agapito Moreira, Edgard Ismael da Silveira, Alfredo Layal, J.Ayres de Camargo, Deolindo Amorim e tantos outros.

Por ocasião desse evento foi publicado um livro, em 1942, que leva como título o nome do congresso, contendo tudo o que foi registrado antes, durante e depois do encontro. Em tal registro há um texto muito relevante que explica a razão de se fazer este congresso:

A IDÉIA DO CONGRESSO

“O conceito alcançado entre nós pelo Espiritismo de Umbanda nestes últimos vinte anos de sua prática deu motivo à fundação nesta capital de elevado número de associações destinadas especialmente a esta modalidade de trabalhos, cada qual procurando desempenhar-se a seu modo, para atender a um número sempre crescente de adeptos. Sua prática variava, entretanto, segundo os conhecimentos de cada núcleo, não havendo, assim, a necessária homogeneidade de práticas, o que dava motivo de confusão por parte de algumas pessoas menos esclarecidas, com outras práticas inferiores de espiritismo.

Fundada a Federação Espírita de Umbanda há cerca de dois anos, o seu primeiro trabalho consistiu na preparação deste congresso, precisamente para nele se estudar, debater e CODIFICAR (grifo nosso), esta empolgante modalidade de trabalho espiritual, a fim de varrer de uma vez o que por aí se praticava com o nome de espiritismo de Umbanda, e que no nível de civilização a que atingimos não tem mais razão de ser”.

Ocorreram três congressos com este mesmo objetivo. O Segundo Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda, realizado em 1961, foi organizado por Leopoldo Bettiol, Oswaldo Santos Lima e Dr. Armando Cavalcanti Bandeira. A comissão paulista foi a mais numerosa e representativa, com a participação de Félix Nascenti Pinto, Gen. Nélson Braga Moreira, Dr. Armando Quaresm e Dr. Estevão Monte Belo . Neste congresso que se definiu a criação do Superior Órgão de Umbanda para cada estado do País, congregando as Federações para o próximo. Apenas o estado de São Paulo conseguiu criar o então chamado SOUESP (Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo) marcando presença no congresso posterior.
Também no segundo congresso foi apresentada uma tese diferente da que havia sido apresentada no primeiro sobre a “Interpretação histórica e etimológica do vocábulo Umbanda”, tese apresentada por Cavalcanti Bandeira em contraponto a tese de Diamantino Fernandes (delegado representante da Tenda Mirim), que no primeiro congresso situava a palavra tendo origem em antigas civilizações e no sânscrito.

Da onde viria pela primeira vez a tese do AUM – BANDHÃ (1941 – Tenda Mirim)

A seguir citamos parte da explanação de Cavalcanti Bandeira, publicada em seu livro O que é a Umbanda, 1970 – Editora ECO:

“O futuro exige a codificação do Culto de Umbanda para não serem perdidos os trabalhos dos Pretos-Velhos e dos Caboclos… Participando do II Congresso de Umbanda, reunido no Rio de janeiro, em Julho de 1961, concorremos com dois trabalhos; um com o título: “Interpretação histórica e etimológica do vocábulo Umbanda”, o outro: “Dogmatismo e Hierarquia”, que levados a plenário foram amplamente discutidos e aprovados pelos congressistas neste conclave.

Apresentamos o trabalho sobre a palavra Umbanda, porque não era possível que se praticasse um culto sem definir a origem etimológica e o significado original da palavra… Nesse congresso, fomos indicados para integrar a “COMISSÃO NACIONAL DE CODIFICAÇÃO DO CULTO DE UMBANDA”, e realizando-se a primeira reunião da Comissão em São Paulo, fomos escolhidos para o cargo de Relator de Religião que, se foi uma confiança depositada pelos CODIFICADORES, acarretou maiores encargos e responsabilidades pela extrema seriedade e profundidade do assunto…”

No texto ele volta a falar sobre a origem da palavra Umbanda:

“Face às divergências encontradas e das dúvidas quanto às origens e fontes de onde surgiu o culto, que alguns pretendiam fosse hindu – sem justificar com dados concretos e seguros, elaboramos um ensaio histórico… demonstrando a antiguidade do homem e do conhecimento africano; a prática milenar de sua religiosidade…”
No mesmo livro há um capitulo só para esclarecer sobre a origem do vocábulo “Umbanda”

O terceiro (e último até então) congresso de Umbanda aconteceu em 1973, presidido por Cavalcanti Bandeira.

O termo “código” também não é algo novo na literatura de Umbanda, pois em 1953 o autor umbandista Emanuel Zespo escreveu um livro com o título “Codificação da Lei da Umbanda”.

Onde o autor fala:

“Está quase tudo por ser feito.

Lutemos, pois, e comecemos pela Codificação.

Comecemos pela Codificação na parte Cientifica e na parte Ritualística…

Este trabalhinho a que denominamos “Codificação da lei de Umbanda” – Parte Científica – não é um livro grande como esperavam muitos…

Pois isto bastava para lançar um pouco de luz sobre o que já está escrito por outros que nos antecederam: Waldemar Bento, Lourenço Braga, João de Freitas, Oliveira Magno e tantos outros.

Todas as obras destes autores fazem parte da CODIFICAÇÃO…

Assim, Cônscios de nossa pequenez, ora convidados por nossos guias, para escrever sobre CODIFICAÇÃO DA LEI DE UMBANDA NO BRASIL…

…já era tempo de estabelecer normas de conduta ao Umbandista…

Ainda está por vir o Paulo de Tarso da Umbanda… ”

Cavalcanti Bandeira, em seu livro “O que é a Umbanda”, apresenta um capitulo intitulado “Codificação da Umbanda” só para tratar do assunto.

Muitos outros também trataram do assunto, logo não é uma novidade. Rubens Saraceni têm um livro que traz o título citado “Código de Umbanda” (se fosse “O Código da Umbanda” poderíamos pensar que o autor teria a intenção de codificar a religião, mas é apenas um despretensioso “Código de Umbanda”). Ainda assim faço ressaltar que “Código de Umbanda” é um conjunto de quatro livros que abordam: Doutrina, Magia, Teogonia e a Ciência Divina.

Ao ler este livro (agora publicado pela Editora Madras) vemos que são textos que abordam conceitos de Umbanda dentro dos quatro temas citados.
No mesmo livro há um capitulo só para esclarecer sobre a origem do vocábulo “Umbanda”

O terceiro (e último até então) congresso de Umbanda aconteceu em 1973, presidido por Cavalcanti Bandeira.

O termo “código” também não é algo novo na literatura de Umbanda, pois em 1953 o autor umbandista Emanuel Zespo escreveu um livro com o título “Codificação da Lei da Umbanda”.

Onde o autor fala:

“Está quase tudo por ser feito.

Lutemos, pois, e comecemos pela Codificação.

Comecemos pela Codificação na parte Cientifica e na parte Ritualística…

Este trabalhinho a que denominamos “Codificação da lei de Umbanda” – Parte Científica – não é um livro grande como esperavam muitos…

Pois isto bastava para lançar um pouco de luz sobre o que já está escrito por outros que nos antecederam: Waldemar Bento, Lourenço Braga, João de Freitas, Oliveira Magno e tantos outros.

Todas as obras destes autores fazem parte da CODIFICAÇÃO…

Assim, Cônscios de nossa pequenez, ora convidados por nossos guias, para escrever sobre CODIFICAÇÃO DA LEI DE UMBANDA NO BRASIL…

…já era tempo de estabelecer normas de conduta ao Umbandista…

Ainda está por vir o Paulo de Tarso da Umbanda… ”

Cavalcanti Bandeira, em seu livro “O que é a Umbanda”, apresenta um capitulo intitulado “Codificação da Umbanda” só para tratar do assunto.

Muitos outros também trataram do assunto, logo não é uma novidade. Rubens Saraceni têm um livro que traz o título citado “Código de Umbanda” (se fosse “O Código da Umbanda” poderíamos pensar que o autor teria a intenção de codificar a religião, mas é apenas um despretensioso “Código de Umbanda”). Ainda assim faço ressaltar que “Código de Umbanda” é um conjunto de quatro livros que abordam: Doutrina, Magia, Teogonia e a Ciência Divina.

Ao ler este livro (agora publicado pela Editora Madras) vemos que são textos que abordam conceitos de Umbanda dentro dos quatro temas citados.
Entre os mais de 40 livros já publicados pelo autor, na intenção do astral (já que em sua maioria são livros psicografados) de apresentar um material sobre a religião, em momento algum Rubens Saraceni se arvorou em codificar a religião no sentido expresso de padronizar o culto ou coisa parecida.

Conhecendo-o desde 1995, época que meu trabalho prático de Umbanda divergia do praticado por ele, Rubens Saraceni nunca se manifestou no sentido de dizer ou ensinar como deveria ser o trabalho prático. Em vez disso, sempre afirmou: “Ouça seus guias. Eles sabem o que estão fazendo!” A partir daí surgiu uma grande amizade e afinidade no pensar e estudar a Umbanda. Nessa época ele já tinha psicografado mais de 60 livros, e após 1995 começaram nossos estudos da Teologia de Umbanda.

Energia Viva e Divina

Gostaria de citar uma passagem do livro “Umbanda – O Ritual do Culto a Natureza” publicado em 1995 pela Editora New Transcendentalis, primeira edição, página 10:

“… a Umbanda traz em si energia divina viva e atuante à qual nos sintonizamos a partir de nossas vibrações mentais, racionais e emocionais, energias estas que se amoldam segundo nosso entendimento do mundo.”

Este mesmo livro foi reeditado pela Editora Madras em 2001 de forma Ampliada e revisada, recebendo o titulo de: “Umbanda Sagrada – Religião, Ciência, Magia e Mistérios” onde o próprio autor nesta edição de faz ressaltar o que já havia psicografado em 1995.

Este texto exprime uma visão que já vem sendo aplicada na prática, há mais de 10 anos, por Rubens Saraceni no ensino da Teologia de Umbanda Sagrada, e desde 1999 pelo Colégio de Umbanda Sagrada “Pai Benedito de Aruanda”.

Não podemos deixar de citar entre os que lutaram pela União na Umbanda Benjamim Figueiredo, que fundou a Tenda Mirim em 1924 por ordem do Caboclo Mirim, que viria a criar o Primado de Umbanda uma das maiores expressões da Umbanda, se não a maior em seu tempo.

Benjamim também foi o idealizador da Umbanda Iniciática, com segmento dividido em 7 graus de iniciação, formando assim também a Ordem do Cruzeiro Divino para aqueles que alcançavam o 7° grau de cabeças de Morubichaba.

Essa foi uma “codificação localizada” a seus “filiados” do Primado de Umbanda. Benjamim também escreveu um livro chamado “Okê Caboclo”.

Lutaram pela união muitos que estiveram à frente de tantas federações e órgãos de Umbanda, muitos já desencarnados, outros até famosos e muito conhecidos como o saudoso Pai Jaú, que nada deixou de escrito, mas que marcou nossa religião profundamente por sua determinação.

É natural que muitos expressem o que é a religião na tentativa de apresentar sua liturgia de forma organizada, nem sempre na busca de uma Codificação, mas sim de uma normatização, procurando normas que sejam aceitas por todos e que, sem mexer com o ritual que cada um já realiza, passar mais informações para que a Umbanda seja vista e expressada como religião.

A primeira publicação umbandista, “O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda”, surgiu tardia em 1933 por Leal de Souza , então médium que se desenvolveu com Zélio de Moraes e assumiu uma das tendas fundada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, Tenda Nossa Senhora da Conceição.

Após o primeiro congresso, em 1941, surgiram muitos autores de livros umbandistas de boa qualidade, faço questão de citar os que chegaram até mim, como:

João de Freitas (Umbanda-1941)
Lourenço Braga (Umbanda e Quimbanda-1942
Trabalhos de Umbanda ou Magia Prática-1950)
Oliveira Magno (A Umbanda Esotérica e Iniciática-1950
Ritual Prático de Umbanda-1953, Umbanda e Ocultismo-1952
Adivinhe o Futuro na Bola de Cristal, Práticas de Umbanda-1951)
Silvio Pereira Maciel (Umbanda Mista,Alquimia de Umbanda-1950)
Byron Torres (Doutrina e Ritual de Umbanda-1951
As Mirongas da Umbanda, Camba de Umbanda)
Tancredo da Silva Pinto (Doutrina e Ritual de Umbanda-1951, As Mirongas da Umbanda,Camba de Umbanda, A Origem de Umbanda)
Aluizio Fontenele (A Umbamda Através dos Séculos-1952, Exu-1952, O Espiritismo no Conceito das Religiões e a Lei de Umbanda-1952)
Jõao Varela(Orixá e Obrigações, Manual do Filho de Santo,Ervas Sagradas na Umbanda)
Benjamim Figueiredo ( Okê Caboclo)
Jota Alves de Oliveira(Magias da Umbanda)
Alfredo de Alcântara(Umbanda em Julgamento-1949)
Emanuel Zespo (Codificação da Lei de Umbanda-1953)
Samuel Ponze (Lições de Umbanda- 1954)
Florisbela Maria de Souza ( Umbanda- Caboclos,Pretos,Crianças ,Sereias-1949,Umbanda Para os Médiuns- 1958. Obras psicografadas)
Leopoldo Betiol (O Batuque na Umbanda-1963)
Decelso(Umbanda de Caboclos-1970)
Omulubá entre outros.

Emanuel Zespo em 1953 cita uma lista de livros que ele considera importante no seu livro “Codificação da Lei de Umbanda”, a lista está abaixo e prova que a Codificação dele também era algo aberto, pois as palavras dele são:
“Ao principiante, recomendamos a leitura das seguintes obras:

A Magia no Brasil – Waldemar Bento
Umbanda e Quinbanda – Lourenço Braga
Trabalhos de Umbanda
Mistérios da Magia
Ritual de Umbanda – Benedito Ramos
Umbanda – João de Freitas
Umbanda – Florisbela M.S.F.
Aímoré, Urutatão, Iara – Heraldo Menezes
Ogum, Xangô – Ogossi Nabeji
Alquimia de Umbanda – C.F. Urubathan
Umbanda Mista – Silvio Pereira M.
A Umbanda e seus Complexos – Oliveira Magno
Umbanda e Ocultismo –
Magia Pratica Sexual –
Umbanda Esotérica e Iniciativa –
Umbanda Sagrada e Divina – Paulo Gomes
O culto de Umbanda em face da Lei – vários autores
O que é Umbanda – Emmanuel Zespo
Lei de Umbanda
Ley de Umbanda – Ab´d Ruanda
Lições de Umbanda – Samuel Ponze
Ritual prático de Umbanda – Oliveira Magno
Camba de Umbanda – Byron e Tancredo
Mirongas de Umbanda –
Doutrina e Ritual de Umbanda

Todos estes autores trabalharam muito nos primórdios da Umbanda com a mesma iniciativa: esclarecer, unir, normatizar e, alguns, até codificar, pois como vimos este foi um dos objetivos do primeiro congresso de Umbanda.

Em 1956 aparece um “novo” autor de Umbanda, pois muitos já vinham escrevendo. Surge W.W. da Matta e Silva com o seu “Umbanda de Todos Nós”, na intenção de apresentar a Umbanda. Este é um livro bibliográfico, fruto de pesquisas, que visa mostrar a religião, a ciência, a arte e a filosofia, com material muito próximo ao que vinha sendo estudado no Primado de Umbanda (lembrando da tese do AUM BHANDÃ que veio da Tenda Mirim para o primeiro congresso e anos após foi publicada pelo nosso irmão Da Matta).

Da Matta apresentou a Umbanda da forma como a enxergava e trabalhava. O que é uma visão particular visível em sua postura observada em passagens de sua obra, onde vemos como exemplo o autor citando as entidades Maria Padilha, Maria das Sete Saias e Zé Pelintra, Catimbozeiro e Mestre da Jurema que segundo o autor não fazem parte da Umbanda nem devem se manifestar nela, assim como os baianos, boiadeiros, marinheiros ou ciganos. Nesta visão do autor a Umbanda deveria manifestar apenas Caboclos, Pretos Velhos e Crianças na direita; Exu e Pomba Gira na esquerda. De certa forma isso é um dogmatismo, uma Codificação restrita a seus seguidores e simpatizantes. Lembrando que o próprio Da Matta, e alguns de seus discípulos, identificou a “sua umbanda” ou a “Umbanda de Todos Nós” como “Umbanda Esotérica e Iniciática”. O que também não foi novidade pois a origem desta forma de se praticar Umbanda está no Primado de Umbanda na Figura de Benjamim Figueiredo e o assunto já havia sido abordado em uma publicação de Oliveira Magno em 1950, o livro intitulado “A Umbanda Esotérica e Iniciática”.

Esta é uma segmentação dentro da própria Umbanda, Da Matta também teve discípulos, que publicaram obras nas quais podemos detectar a mesma postura, que traz de forma implícita e subentendida, cada um à sua maneira, o “Dogmatismo e Codificação”.

Alguns mudaram de idéia no caminho, só que não é possível apagar o que já foi escrito (como por exemplo um cidadão que alcançou um cargo de envergadura nacional e disse: “Esqueçam tudo o que eu escrevi”).

Como esquecer? Afinal nós lemos, eu li e espero que todos leiam também, livros e livros, sem contudo esquecer que a essência de nosso trabalho está na prática da Umbanda, definida assim pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas: “Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade”.

A Umbanda é simples, sua prática é simples, basta deixar que os guias trabalhem. Apenas uma coisa é certa: “teoria sem obras é estéril”. Portanto, estudem e não deixem de trabalhar; estudem mas não usem este estudo para complicar o que já funciona de forma simples ou para questionar quem não teve a mesma oportunidade de estudar, mas tem a garra e a coragem para ajudar o próximo por meio dos espíritos militantes na Umbanda.

A Umbanda não têm um mártir. Têm sim muitos lutadores abnegados e anônimos, a exemplo dos nossos guias que usam nomes de linhas e falanges para ocultar sua personalidade e valorizar a religião em si. Se precisarmos de um nome ou dois, que sejam Caboclo das Sete Encruzilhadas e Zélio de Moraes. Historicamente temos muitos, mas ainda ninguém tão aclamado e unânime quanto Chico Xavier no Kardecismo. Com certeza teremos, mas até lá temos apenas médiuns de Umbanda.

Gostaria de citar ainda entre os trabalhadores encarnados mais velhos aqui de São Paulo e que estão à frente das duas Federações mais antigas e atuantes na capital e no estado:

Pai Ronaldo Linares presidente da FUGABC – Federação Umbandista do Grande ABC e responsável pelo Santuário Nacional da Umbanda em São Bernardo e Pai Jamil Rachid presidente da União de Tendas de Umbanda e Candomblé e responsável pelo Vale dos Orixás em Juquitiba.

Em entrevista à Revista Espiritual de Umbanda, e ao ser questionada quanto a sua posição de filha do fundador da Umbanda, Zilméia de Moraes (filha de Zélio de Moraes e até o dia de hoje dirigente da primeira Tenda de Umbanda, a Tenda Nossa Senhora da Piedade) respondeu: “sou apenas uma médium como todos. A diferença é que tenho a responsabilidade de dirigir a Tenda”.

É isso que nós somos: apenas médiuns que têm na Umbanda a nossa vida e missão. Quanto ao resto, temos os próximos séculos para observar, pois só o futuro nos trará mais respostas.

E para finalizar gostaria de colocar duas frases que aprendi com os guias e mentores de Umbanda e desde o ano de 2000 venho usando para dar inicio a cada turma de Teologia de Umbanda onde chegam médiuns de muitos terreiros diferentes:

“Somos diferentes na Forma e iguais na essência, a essência é a Umbanda.

Nossa religião é como um copo de água onde a água é a Umbanda e o copo é a forma como bebemos esta essência – Alexandre Cumino”

**** Postados por João Luiz
RETIRADO DA COMUNIDADE UMBANDA POR AMOR
LINK DO TÓPICO:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=2034004&tid=2508382231591509792&na=1&nst=1

***O Texto abaixo foi publicado pela revista Guardiões da Luz numero 02, graças ao esforço da Federação Guardiões da Luz na pessoa de seu Presidente Nelson Pires e equipe.
Aproveito para mandar um abraço a todos e recomendar o site http://www.guardioesdaluz.com.br onde a revista pode ser baixada por download gratuito, Alexandre Cumino

Umbanda é Universalismo Prático

Por Alexandre Cumino

Estes dias estava conversando com um amigo, Alfonso Odriozola na TV Espiritualista (www.tvespiritualista.com.br) e ele me dizia a respeito de um convite que recebeu para visitar uma reunião Kardecista onde foi questionado quanto a sua religião, ao que respondeu de pronto: “_Sou Umbandista” Alguns dos participantes se espantaram com “tamanha franqueza”, pois a maioria dos Umbandistas costumam se dizer espíritas ou espiritualistas e quiseram saber mais sobre a Umbanda. Ao que o amigo citado respondeu: “A Umbanda é a religião mais universalista que existe, na mesma gira ou trabalho espiritual você vê o espírito de um índio trabalhando ao lado de um negro africano, vemos ainda na mesma Umbanda espíritos de ciganos e também de árabes, hindus, marroquinos no que é chamado de linha do oriente, por isso a Umbanda é tão universalista, são povos de várias raças e culturas diferentes em uma mesma causa”

Assim me contou o Alfonso, que o amigo então dirigente dos trabalhos lhe disse: “Temos muito que aprender com a Umbanda”.
Todos nós temos muito que aprender uns com os outros, pouco temos a aprender com o igual e muito temos a aprender com o diferente, seja de outra religião ou cultura.
Quando meu amigo e irmão na fé Nelson Pires me convidou para escrever aqui na revista disse-me: “_ É uma revista aberta, não é segmentada, podemos falar de muitos assuntos que tenham a ver com a espiritualidade” Por ser umbandista, perguntei: “Posso escrever sobre a Umbanda” ao que ele respondeu: “_Claro, pode falar sobre o que você quiser o espaço é seu” o que muito me honra pela confiança depositada.
E estes dias tenho pensado muito nas palavras do outro amigo que contando um acontecimento me clareou algo que devemos falar mais O Universalismo que é um caminho, que o diga nosso outro amigo Wagner Borges (www.ippb.org.br) que sempre nos diz: “Podemos e devemos pegar o que cada religião tem de bom e descartar que não presta” A Umbanda além de ser universalista é também um pouco de cada religião, nós somos um pouco de cada experiência que já tivemos em cada encarnação, os espíritos que militam na Umbanda como guias e mentores sabem que a cada religião muda nossas crenças, muda nossa cultura, nossos hábitos e costumes, podemos encarnar como negros, brancos, amarelos ou vermelhos não importa “somos seres espirituais tendo uma experiência material e não o contrário”. Somos espíritos apenas espíritos o que nos coloca acima da carne que nos diferencia por isso a Umbanda é universalista, pois além de reconhecer esta transitoriedade exercia a presença dos diversos em suas várias linhas ou falanges de espíritos em atuação. Assim aprendemos a sabedoria do preto velho, a tenacidade do caboclo, a pureza da criança, o amor e alegria que os ciganos têm pela vida, o equilíbrio dos marinheiros, a destreza dos boiadeiros, a astúcia descontraída dos baianos e a lei de ação e reação vivida diariamente na pele de um guardião (exu) ou de uma guardiã (Pomba Gira). E ainda assim é pouco para falar de Umbanda, pois nem começamos a falar do Culto aos Orixás que em muito lembra o culto as divindades hindus, gregas, romanas, persas, maias, astecas, egípcias, etc…
Já dizia Caboclo Mirim: “Umbanda é a escola da Vida” e completo eu “Somos nós Eternos Aprendizes de Umbanda, Eternos Aprendizes da Vida”.
A Umbanda é uma religião Brasileira que surgiu no dia 15 de Novembro de 1908 através da manifestação mediúnica em um jovem rapaz, de então 17 anos, dentro da recém fundada Federação Espírita de Niterói, onde um espírito se manifestou como seu mentor dando o nome de Caboclo das Sete Encruzilhadas e no mesmo dia reconheceu ter sido o Clérigo Gabriel de Malagrida em outra encarnação, mais aprendizado que isto um índio que foi sacerdote cristão em outra encarnação e ainda se lembra perfeitamente.
O objetivo do universalismo é este, vai além do ecumenismo, vai além de respeitar e conviver pacificamente, vai de encontro aos ensinamentos que o diferente tem a nos passar até que ele e eu somos UM de verdade, todos na Banda do Um, na Um Banda, o Um é nosso Criador e a Banda somos todos nós.
O dia que entendermos que o próximo somos nós mesmos aprenderemos a Amar o próximo como a nós mesmos, porque ele e nós somos UM.
Este é o caminho, este é o futuro das religiões, pois pessoas cada vez mais informadas não aceitam ter suas vidas ditadas por dogmas, regras ou tabus e o pré conceito cada vez cai mais por terra à medida que vamos nos esclarecendo e este é o nosso papel.
Portanto saudações ao Universalismo, saudações à Umbanda que é Universalista por natureza e não por imposição.

Um grande abraço à todos Alexandre Cumino

***Textos postados pelo Guardião na Comunidade Povo de Aruanda

*O Elogio ao Progresso na obra dos Intelectuais de Umbanda

Artur Cesar Isaia
UFSC

A data tida como marco “oficial” do nascimento da Umbanda foi o 15 de novembro de 1908, quando, em uma sessão espírita kardecista, “manifestou-se” pela primeira vez, no Estado do Rio de Janeiro, o caboclo das Sete Encruzilhadas. Essa entidade traria a mensagem fundadora da Umbanda, através da mediunidade de um homem comum, residente na cidade de Neves, no Rio de Janeiro: Zélio Fernandino de Moraes. Zélio, egresso do kardecismo, teria sofrido uma grave enfermidade que o tornara paraplégico. O relato de sua cura, da manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas revelando a missão de Zélio de fundar uma nova religião, forma o que Brown denomina de “mito de origem”1 da Umbanda. Pensamos que a significação desse “mito de origem” merece ser explorada para compreendermos a riqueza simbólica do mesmo. Se, como Brown observa, não se pode, com cerrteza absoluta, afirmar-se que Zélio de Moraes tenha “fundado” a Umbanda2, a data da primeira manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a ser aceita pela maioria dos umbandistas como o marco inicial da nova religião, corroborando a idéia de “mito de origem”. Por outro lado, é bastante sintomático que essse marco fundador coincida com uma data tão significativa para a “biografia” do Estado brasileiro, como a comemoração do advento do regime republicano. A afirmação da relação entre a história recente do Brasil e o surgimento da Umbanda é constante na obra de intelectuais umbandistas da primeira metade do século, que assumem um caráter claramente evolucionista. Nesta visão, o surgimento da Umbanda integraria um plano do “astral superior” visando ao aprimoramento moral e material dos brasileiros. Por exemplo, Diamantino Trindade, ao contextualizar o surgimento da Umbanda, acentua que o advento do regime republicano e a libertação dos escravos representariam etapas necessárias para o aparecimento de uma religião tipicamente brasileira. Banindo a escravidão e a monarquia, o Brasil aproximava-se de um estágio mais próximo das conquistas da racionalidade humana, ao qual se vinculava a Umbanda. Por outro lado, integraria o esforço evolutivo da humanidade atestada pela codificação do Espiritismo por Kardec no século passado:

“Gradativamente, as Entidades integrantes da Corrente Astral da Umbanda (governo da Terra, segundo o autor) foram, através de seus médiuns, lançando as bases do Movimemnto Umbandista, que numa primeira fase, visa abarcar o maior número de pessoas, no menor espaço de tempo possível. O final do século XIX é marcado no Brasil por um grande balanço social devido a libertação dos escravos e a instauração da República, uma forma mais justa de governo que iniciava sua peregrinação no Brasil. A Corrente Astral de Umbanda aproveita esta reviravolta social e, por volta de 1889, lança o vocábulo Umbanda em vários pontos do país. A essa altura o mediunismo já invadira os cultos deturpados e miscigenados entre os indígenas e os escravos africanos3.”

A ligação estabelecida entre surgimento da Umbanda, abolição da escravatura e proclamação da República no Brasil pode ser melhor compreendida ao acrescentarmos a essa relação o surgimento e difusão do Espiritismo Kardecista no Brasil. De fato, os intelectuais espíritas faziam questão de relacionar a difusão do Espiritismo no Brasil com as conquistas pós-revolucionárias, advindo daí a relação entre espírita, republicano e abolicionista4. Por outro lado, aflora em argumentos como esse, a defesa da Umbanda como uma religião essencialmente nacional, surgida em consonância com os planos do “astral”, visando a tornar o Brasil mais próximo da civilização e da razão. Portanto, afirmando a idéia de progresso evolutivo, caríssima ao Espiritismo codificado por Kardec. Se o surgimento da Umbanda integrava, para os intelectuais umbandistas, um processo evolutivo no caminho da construção de uma civilização baseada nos ideais da racionalidade e do progresso, nada mais necessário do que a separação total da nova religião de tudo o que tangenciasse práticas tidas como “bárbaras” e “atrasadas”. A Umbanda assumia a herança afro-indígena, aproximando-se de uma representação sincrética da nacionalidade, própria de uma parcela da intelectualidade brasileira da primeira metade do século XX. Ao assumir o passado afro-indígena e ao representar-se como religião nacional e sincrética, a Umbanda acentuava em seu discurso as cores do evolucionismo de matiz kardecista. Sendo assim, a valorização do passado afro-indígena só existia, no discurso desses intelectuais, dentro de uma perspectiva processual. Valorizavam o índio e o negro como importantes elementos formadores da nacionalidade, mas sob a ótica da evolução constante, capaz de “aprimorar” o que de “selvagem” e “bárbaro” prendia-os a um passado distante da civilização. Nesse sentido, os intelectuais umbandistas desenvolveram todo um discurso denunciador de práticas “fetichistas e supersticiosas”, avessas ao “progresso e civilização”.

Em obra surgida no início dos anos cinqüenta, Aluizio Fontenelle profetizava o futuro da Umbanda como religião predominante no Brasil, mas fazia questão de afirmar que estava referindo-se:

…”não a essa Umbanda mistificada e misturada com os diversos credos fetichistas hoje conhecida no Brasil inteiro. Será uma Umbanda codificada, uma Umbanda pura, na qual se aproveitará de todas as religiões existentes na terra somente aquilo que for sublime e perfeito(…)Quanto aos praticantes dos candomblés e aos que praticam a magia negra, estes serão devidamente orientados e instruídos em novas práticas, abandonando por completo os rituais bárbaros que os identificam. O Espiritismo na Lei de Umbanda em sua nova fase, surgirá com o progresso do mundo; novos horizontes nos serão apresentados e o mundo marchará de fronte erguida na direção do aperfeiçoamento universal.”5

A nova religião era apresentada como totalmente inserida em um modo de vida urbano e civilizado. A Umbanda, na ótica desses intelectuais, aparecia como uma religião que incorporava os códigos simbólicos da modernidade. Portanto, lançavam seu interdito às práticas “em completo contraste com a evolução moral, material e espiritual” da vida moderna, que misturavam “rituais bárbaros provindos do africanismo, com práticas católicas e concepções kardecistas”6. A Umbanda, através de seu esforço racionalizador, de seu substrato doutrinário, deveria banir as práticas do africanismo. Estas, segundo João de Freitas mostravam-se totalmente “impraticáveis entre nós porque não se coadunavam com nossos foros de civilização”7. Apresentando a discrepância entre as práticas rituais de matriz africana e a vida urbana, assim refere-se Emanuel Zespo:

“…suas práticas de religião primitiva estão incompatíveis com o mundo atual; e, sua subistência em nosso meio só seria possível mediante uma modernização e adaptação no ritual externo. Não estamos mais em condições de sacrificar galos vermelhos a Exu e largá-los na primeira encruzilhada de um centro urbano. Tal rito, no mato, não estaria fora de ambiente, mas em plena Avenida Rio Branco… isto não é mais exeqüível. Os próprios orixás não aceitam estas violências de rito primitivo.”8

A inserção da Umbanda no curso evolutivo da humanidade e, particularmente, no “progresso” revelado por um Brasil, que acentuava características industriais e urbanas em alguns centros do sudeste do país, é enfatizada em tese defendida por Martha Justina no Primeiro Congresso do Espiritismo de Umbanda, celebrado no Rio de Janeiro em 1941. Esse Congresso, acontecido ainda em plena vigência do Estado Novo, fixou explicitamente a posição dos intelectuais da nova religião em relação à identidade, doutrina e ritual. Na tese de Martha Justina, a autora sustenta, que, apesar de trazida do continente africano, a Umbanda possuía um princípio evolutivo capaz de “aprimorá-la” constantemente, em sintonia com o “progresso” do país. Assim, se os ritos observados pelos africanos possuíam “uma série de coisas exóticas e horripilantes”, a religião, em contato com a civilização, abandonaria essas práticas “bárbaras”, com o esforço racionalizador da Umbanda no século XX. Entre as práticas “horripilantes” detectadas pela autora incluem-se as observadas pelo candomblé no Brasil, tais como: “raspar totalmente a cabeça… fazer jejum, ficar em retiro durante muitos dias, em um camarim, e quando daí sair dançar sob o som de músicas africanas…sacrificar animais e oferecer bebidas”. A Umbanda trazida pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por outro lado, inserindo-se totalmente no curso evolutivo da humanidade e no “progresso” revelado pelo país, deveria revelar uma mensagem totalmente compatível com o modo de vida de pessoas educadas, letradas e urbanas. Assim, referindo-se à evolução das práticas religiosas africanas na Umbanda brasileira escreve:

“Isto no Brasil já dista de mais de meio século; e como nada estaciona no mundo, obedecendo à lei imutável do Criador, a Lei de Umbanda também segue seu curso evolutivo, saindo das grotas, das furnas, das matas, abandonando os anciões alquebrados, fugindo dos ignorantes, quebrando as lanças mãos dos perversos, vem nessa vertigem louca de progresso, infiltrando-se nas cidades para receber o banho de luz da civilização, e em troca nos oferece a sua utilidade que não é mais do que suas obras de Caridade praticadas pelos espíritos que formam as grandes falanges dos africanos, digo, os que tiveram por berço material a África; eles trabalham no grande laboratório de Universo, manipulando os fortes remédios para curar as terríveis enfermidades da humanidade.”9

A questão referente às origens africanas da Umbanda, defendida pela tese de Martha Justina a partir de uma perspectiva evolucionista, é retomada por outros congressistas. Essa evidência aponta para a necessidade que os umbandistas do período revelavam de, ao mesmo tempo, apresentar uma religião com características sincréticas, de fácil identificação popular e distanciá-la de conteúdos imagéticos que a divorciavam do convívio com os valores socialmente dominantes no Brasil da primeira metade do século XX. Interessante é que esta visão desenvolvida por alguns intelectuais de Umbanda e que defendia, ao lado de suas origens africanas, a diluição de sua africanidade no contexto urbano que viu nascer a nova religião apresentará pontos de aproximação com a tese defendida por Roger Bastide e reinterpretada, posteriormente, por Renato Ortiz.

Os trabalhos apresentados nesse Primeiro Congressso, recuam as origens da Umbanda a um passado totalmente distante do “barbarismo” negro africano. Assim, se a Umbanda entra no Brasil com os negros, as suas origens estavam totalmente fora do “estágio evolutivo” dos povos africanos. Persistem esses intelectuais na visão processual e evolutiva da Umbanda, que fazem questão em não identificar pura e simplesmente com o passado negro. A tese de Diamantino Coelho Fernandes, por exemplo, reabilita a lenda da existência do continente da Lemúria, o qual teria sido, em grande parte, dominado pelos antigos povos africanos no passado. Do contato com os indus é que os negros africanos teriam aprendido os fundamentos da Umbanda. Segundo Fernandes, com o passar do tempo, com a destruição do poderio africano na Lemúria, os negros, pouco a pouco, abandonam a riqueza dos ensinamentos iniciáticos revelada pelo contato com os povos orientais, “involuindo” e “deturpando” seus ensinamentos. Ficaram princípios gerais, capazes de fazer a Umbanda retomar seu curso evolutivo em meio á “civilização” brasileira:

“Morta, porém, a antiga civilização africana, após o cataclismo que destruiu a Lemúria, empobrecida e desprestigiada a raça negra, – segundo algumas opiniões, devido à sua desmedida prepotência no passado, em que chegou a escravizar uma boa parte da raça branca – os vários cultos e pompas religiosas daqueles povos sofreram então os efeitos do embrutecimento da raça, vindo, de degrau em degrau, até ao nível em que a Umbanda se nos tornou conhecida. Desde, porém, que estudiosos da doutrina de Jesus se dedicaram a pesquisar os fundamentos desta grande filosofia, que é, ao mesmo tempo, luz, amor e verdade, e a praticam hoje, sincera e devotadamente em sua alta finalidade de congregar, educar e encaminhar as almas para Deus, o Espiritismo de Umbanda readquiriu o seu prestígio milenar, assim como o acatamento e respeito das autoridades brasileiras…”10

As palavras acima devem ser contextualizadas na conjuntura em que se realizou o Primeiro Congresso de Espiritismo de Umbanda no Brasil. A ditadura varguista, ciosa na desmobilização popular e na manutenção do monopólio absoluto da resolução da “questão social”, via com muito bons olhos a religião espírita11. A tolerância da ditadura com a realização do congresso, a tentativa explícita dos umbandistas em aparecerem como espíritas, a sua busca de reconhecimento frente às autoridades governamentais, evidenciam a importância e a tolerância que o Estado Novo passava a dar ao Espiritismo no Brasil.

A tentativa dos umbandistas em demarcar seu distanciamento das práticas religiosas de matriz africana, aproximando-se do kardecismo, extrapola as teses do Primeiro Congresso, aparecendo nas obras dos seus intelectuais. O beneplácito do Estado Novo ao Espiritismo fazia eco com os valores assumidos pela elite brasileira e pelo senso comum. Em um país em que a prática mediúnica alastrara-se consideravelmente, a elite passava a tolerar bem mais o contato com os seres invisíveis, desde que fosse resguardado seu caráter experimental e científico. O discurso espírita, justamente, insistia nesse aspecto, apresentando Kardec o Espiritismo como “une science d’observation et une doctrine philosophique”. Assim, o Espiritismo definia-se como “une science qui traite de la nature, de l’origine et de la destinée des esprits, et de leurs rapports avec le monde corporal.” O caráter científico do Espiritismo seduzia membros da elite brasileira, desde o fim do século XIX, em um momento fortemente marcado pela influência cientificista. Parte da elite brasileira serve, portanto, de introdutora das práticas espíritas no Brasil13, fornecendo ainda um considerável peso legitimante à nova religião em uma sociedade como a brasileira da primeira metade do século XX.14

O peso do Espiritismo kardecista na formação da identidade dos primeiros umbandistas é bastante grande no Brasil. O próprio mito de fundação da Umbanda já traz a inequívoca presença do kardecismo, se atentarmos para o fato de ter acontecido a primeira manifestação do caboclo das Sete Encruzilhadas em uma sessão espírita. Inclusive, o centro fundado, em 1908, como primeiro núcleo da nova religião, a Tenda Nossa Senhora da Piedade, conservou por muito tempo alguns procedimentos tipicamente kardecistas, como a presença da mesa em torno da qual aconteciam as manifestações mediúnicas15. Igualmente, a Umbanda conservou a característica terapêutica da reinterpretação brasileira do Espiritismo francês do século XIX, persistindo, em alguns lugares, ainda em meados do século XX, a prática do receituário “de mesa”, notadamente na região sudeste do país16. Por outro lado, os intelectuais da nova religião, ao tentarem uma racionalização de seus princípios, passavam a apresentá-la como uma modalidade do Espiritismo, acrescida do ritual, inexistente no kardecismo. O Espiritismo francês do século XIX, na ótica dos intelectuais de Umbanda, era reinterpretado em terras brasileiras, dotado de uma característica que lhe facultava um acesso mais direto às massas: o ritual de natureza sincrética. Antônio Teixeira, por exemplo, divide o Espiritismo em duas grandes correntes oriundas do século XIX: a anti-reencarnacionista (de matriz norte-americana, com as irmãs Fox e André Jackson Davis) e a reencarnacionista (de matriz francesa). Esta última corrente, o autor subdivide em Espiritismo kardecista e Umbanda17. Florisbela Franco, escrevendo sobre a Umbanda em um meio marcadamente propício ao kardecismo, como o interior de Minas Gerais18, apresenta o seu livro “Umbanda” como: “Obra mediúnica sobre este ramo do Espiritismo prático, ditado pelos espíritos de Pai João, Mãe Maria da Serra e Aleijadinho, no Grupo Espírita Unidos pelo Amor de Jesus, Juiz de Fora, MG”19. A característica evolucionista apresentada pelos intelectuais de Umbanda do período, matiza-se, nessa obra, de uma peculiaridade: a Umbanda, sendo uma modalidade ritualística do Espiritismo francês do século XIX, tenderia a diluir-se completamente nos ensinamentos kardecistas, abandonando todo o aparato de culto externo, ao atingirem os brasileiros um estágio evolutivo capaz de prescindir do ritual sincrético:

“Deus…procura auxiliar a todos os filhos…para que todos possam atingir mais rapidamente a perfeição espiritual. Umbanda, que foi criada com essa finalidade, poderá ser modificada segundo o grau de aperfeiçoamento que uns e outros forem atingindo; seu desaparecimento, contudo, só se dará quando os homens se tornarem verdadeiros espíritas, isto é, despreendidos dos interesses materiais, unidos por uma só fé, mansos e humanos, de coração puro como Jesus foi.”20

Posicionamento semelhante tem Aluízio Fontenelle. Segundo o autor, a Umbanda tenderia a desenvolver uma racionalidade próxima à cultivada pelo Espiritismo kardecista à medida em que acontecesse a evolução dos umbandistas e do próprio país. A tendência, então, seria o abandono de práticas rituais em completa desarmonia com o estágio evolutivo de seus adeptos e com o grau de racionalização apresentado pelos ensinamentos da nova religião. Inclusive, chega a propor, no futuro, a supressão das imagens e “congás” pois:

…”isso acarreta um misticismo incompreensível de adoração a fetiches criados pela Igreja Católica, em completa desacordo com as leis de Cristo que foi bem explícito em determinar: ‘nada se faça a imagem ou semelhança’. Portanto, esses bonecos que enfeitam os altares das igrejas e inúmeros centros espíritas, nada mais representam do que uma desobediência às leis de Deus.Por outro lado, certos rituais utilizados nessa falsa Umbanda de hoje, estão em completo contraste com nossa evolução moral, material e espiritual …”21

A aproximação tentada pelos primeiros umbandistas com o kardecismo no Brasil ,contou com a enérgica oposição dos círculos espíritas do centro do país. Esses não admitiam a ligação entre o kardecismo, que se credenciava à sociedade com uma identidade próxima aos valores consentidos pela elite e a Umbanda, ainda presa a conteúdos imagéticos que a confinavam aos subterrâneos sociais. A esse respeito, manifestou-se o Primeiro Congresso Espírita, reunido em São Paulo em 1947, organizado pela União Social Espírita. Entre as conclusões do referido congresso estava a de que era preciso unificar o Espiritismo, devido a sua “dispersão generalizada e sistemática”, que levava a práticas totalmente desvirtuadas do substrato científico, filosófico e religioso da codificação kardecista. Essa dispersão era vista como a

“Disseminação de práticas exóticas, misto de magia e de superstição, com a introdução de ritos de outros credos, e cerimônias religiosas de estranho aspecto e significação, tudo o que está designado como ‘baixo espiritismo’, mas não passa de ‘falso espiritismo’.”22

O endosso ao evolucionismo kardecista dava-se, para os intelectuais umbandistas, juntamente com o esforço desafricanizante encetado na primeira metade do século XX. Ao aceitarem a idéia de progresso cara ao evolucionismo do Espiritismo francês do século XIX, endossavam a visão kardecista acerca dos desiguais estágios dos povos. Aceitavam, igualmente, a tarefa “educadora” dos povos mais “evoluídos” sobre os “irmãos” mergulhados ainda em um estágio inferior. Para Kardec, a história dos povos estava totalmente inserida na grande lei de evolução que rege tudo no universo. Desta forma, o karma coletivo burilaria os povos, tornando-os paulatinamente melhores e mais próximos da razão e do progresso. Aceitava Kardec a desigualdade dos povos sob um prisma processual. Os povos não traziam o estigma da inferioridade marcados indelevelmente por toda a sua história. Inseridos na grande lei da evolução, os povos resgatavam karmicamente, como os indivíduos, seus erros. O rumo de todos os homens só era um: o progresso, rumo a uma convivência assentada sob princípios racionais e acordes às leis que regem a natureza, a vida e o destino humano. Sobre esse assunto referiu-se especificamente a “Revue Spirite”, resumindo a doutrina kardecista, em artigo que tratava sobre a raça negra e sua pretensa inferioridade: se a raça negra “est vouée par Dieu à une éternelle inferiorité”, a consequência seria pura e simplesmente aceitar a impossibilidade de “civilizar” os negros, de ajudá-los a trilhar um processo evolutivo inexistente, o que equivaleria a aceitar “qu’il faut se borner à faire du nègre une sorte d’animal domestique.”23 O artigo em questão enfoca o lugar dos negros frente ao ocidente, concluindo que, se a situação vivida pelos mesmos denotava um “inferior modo de vida” em relação aos “civilizados”, isso não era decorrência de uma inferioridade imanente. Apenas era sintoma de seu devir evolutivo, trazendo os negros, igualmente, a potencialidade ao progresso e ao aperfeiçoamento.

O papel dos povos “civilizados” em relação aos negros seria, portanto, o de levar-lhes as “luzes” do aperfoeiçoamento moral, auxiliar-lhes a trilhar o seu plano evolutivo. À população branca, “qui a donné peuvres de la supériorité de sa intelligence”24 era destinado um trabalho educador por excelência, “libertando” os negros dos “maus hábitos”, que, caracterizando seu “inferior” estágio evolutivo, granjeavam-lhes cada vez mais dívidas kármicas, dificultando seu progresso.

Gravitando em torno do discurso do Espiritismo francês do século XIX, os intelectuais de Umbanda irão posicionar-se com explícitas reservas frente a tudo o que sugerisse uma aproximação com o passado negro. Esse posicionamento chega ao ponto de um jornal umbandista do Rio de Janeiro, na década de cinqüenta, afirmar categoricamente que o samba era indício visível de primitivismo, capaz de catalizar estados patológicos, próximos ao “barbarismo” dos povos incultos:

“O tantã do carnaval é um ritmo obsidiante, prejudicial ao psiquismo de todos nós em geral e em especial aos espíritos em transição. Todas as vibrações das baixas esferas sintonizam-se com o ritmo carnavalesco.(…) Daí porque os que ainda preferem o gozo material, o entorpecimento da consciência pela exaltação dos sentidos e a euforia pelo espasmo da libido exacerbada e satisfeita, sintonizam-se perfeitamente com as vibrações inferiores que se traduzem literalmente na monotonia dos atabaques bárbaros, na melancolia frenética e histérica das zumbaias cadenciadas.E vão desfilando em grupos, em blocos e em multidões…qual horda primitiva e sonambúlica, dantesca e louca. É o delírio do instinto genésico desvirtuado, a morbidez e o desespero de vícios incontidos e incofessáveis.”25

Progresso, evolução, civilização, são idéias recorrentes na obra desses intelectuais. Perpetua-se, portanto, uma formação discursiva extremamente presente em toda a primeira metade do século XX, reafirmada na voz de boa parte da “inteligentsia” brasileira, da Igreja Católica, do Estado e de saberes aceitos como aptos para interpretar a realidade. A aproximação da Umbanda e de seus intelectuais com o discurso do progresso, cara ao Espiritismo do século XIX, ganha ainda maior visibilidade ao atentarmos para a distinção que a maioria de seus intelectuais fará entre Umbanda e Quimbanda. A Quimbanda, representaria, na ótica desses intelectuais o mundo instintivo, baixo, “esquerdo”26, dominado pelas falanges de seres não evoluídos, as diversas modalidades de Exus27. Esses seres estão associados para Oliveira Magno, com o “eu inferior”, que necessita curvar-se ao superior28,conformando-se, portanto, à grande lei da evolução. Na exegese dos intelectuais umbandistas, esses seres, como qualquer espírito, teriam condições de evoluírem, de abandonarem as “trevas”, buscando a “luz”. Isso dá-se, à medida em que passam a integrar os trabalhos de “caridade” propostos pela Umbanda, segundo a ética cristã reinterpretada por Kardec. Renato Ortiz interpreta essa “evolução” como correspondendo a sua inserção e submissão às regras simbólicas nas quais se move a sociedade29. A tentativa explícita dos intelectuais de Umbanda de separá-la das manifestações mediúnicas tidas como primitivas, aéticas, ligadas à marginalidade, opôs, por um lado, a Umbanda, ligada à ética cristã e ao Espiritismo francês, por outro, uma realidade ritual julgada totalmente despida de preocupações axiológicas, próxima dos interesses materiais e imediatos. Com isso reproduziam o jogo de alteridades criado por outros discursos em relação à Umbanda, acentuando as cores luminosas de uma religião de encontro a qual passavam a existir práticas escuras, aéticas abrigadas em regiões subterrâneas e perigosas da realidade30. Assim, os intelectuais de Umbanda tentaram plasmar uma identidade completamente distinta, tanto do Candomblé, como da macumba e da Quimbanda. Essa oposição, tentada pelos intelectuais de Umbanda da primeira metade do século XX, não encontra correspondência na realidade vivida pelos centros, que, ao lado de filiar-se a federações umbandistas, longe estão de cumprir a risca as determinações doutrinárias e rituais propostas pelos intelectuais da nova religião e assumidas por essas organizações31.

No caso do relacionamento específico da Umbanda com a Quimbanda, os estudos de George Lapassade indicam, para a última, uma identidade especial, em contraste, tanto com a cultura dominante, quanto com a Umbanda. Para o autor, a Quimbanda representaria “le retour du refoulé”. Ou seja, a Quimbanda, estaria ligada a um código simbólico muitíssimo próximo à história do negro brasileiro e de suas lutas. Assim, enquanto a Umbanda afastar-se-ia das raízes africanas, na Quimbanda dar-se-ia, uma aproximação com as mesmas, endossando uma negritude próxima dos valores e lutas dos brasileiros pobres e marginalizados. Ao invés de cultuar o negro como um “preto velho”, ou seja, um escravo ancião, familiar e submisso ao senhor branco e a seus valores, como acontece na Umbanda32, a Quimbanda incorporaria um outro estereótipo, o negro contestador, capaz de assumir a luta por seus direitos contra o opressor33. Para Lapassade, que estudou, sobretudo, macumbeiros e quimbandeiros no eixo Rio-São Paulo, a maior evidência desse fato seria a presença, ainda em nossos dias, do mundo islâmico, na memória de numerosos adeptos da Quimbanda. A referência ao mundo islâmico na memória dos macumbeiros e quimbandeiros seria, para o autor, uma evidência do aspecto contracultural da Quimbanda, justamente por atualizar a saga dos negros islamizados, os malés, sublevados na Bahia no início do século XIX34. Em oposição ao caráter contracultural de macumbeiros e quimbandeiros, os intelectuais umbandistas, ao assumirem o discurso do Espiritismo francês do século XIX, seu apego a idéias como ordem, evolução, progresso, assumiram, igualmente, o elogio à educação, capaz de alçar as populações “atrasadas” às “luzes” do conhecimento das leis eternas que regem harmonicamente o cosmos. Como no Espiritismo francês do século XIX, altamente influenciado pela escola pedagógica de Pestalozzi, nesse processo educativo, papel preponderante desempenharia o livro, capaz de socializar verdades democraticamente35. Os intelectuais de Umbanda, ao mesmo tempo em que faziam o elogio ao livro e seu papel na nova religião, marcavam claramente as fronteiras que a separavam do candomblé e demais cultos africanos. Ao contrário do candomblé, onde as normas rituais, as orações e preceitos são oralmente transmitidos, a Umbanda, nos seus primórdios, fez questão em apresentar-se como uma religião letrada, próxima, portanto, aos valores consentidos pelas regras dominantes na sociedade. Segundo Ortiz e Montero, o sagrado umbandista é apreendido através do livro, nesse sentido opinam que “a passagem do Candomblé para a Umbanda corresponde à passagem histórica de uma cultura oral para uma cultura escrita.”36 Preferimos dizer que a exegese dos intelectuais de Umbanda da primeira metade do século XX (no seu afã de ter a palavra definitiva do que seria a Umbanda) tentou impor a representação de uma religião letrada, nacional e perfeitamente harmonizada com as regras simbólicas orientadoras do agir coletivo, imposição nem de longe reproduzida canonicamente na cotidianidade umbandista.

Após o Primeiro Congresso do Espiritismo de Umbanda irão multiplicar-se os livros de intelectuais da nova religião, que tentavam propor codificações rituais e doutrinárias, aparecendo catecismos, manuais de condução dos trabalhos, etc., que, não raras vezes, conflitavam em suas interpretações.. Ao esforço desafricanizante e erudito da maioria desses intelectuais irá somar-se uma tentativa inversa: a da valorização das raízes explicitamente negras. Essa tendência irá consubstanciar-se, principalmente no final dos anos cinqüenta, com o líder umbandista Tancredo da Silva Pinto37. Contudo, a nota dominante da obra dos intelectuais de Umbanda de meados do século XX aponta para um efetivo trabalho de desafricanização, de aproximação com os valores dominantes na sociedade.

Notas

1. BROWN, Diana. Uma História da Umbanda no Rio. In: BROWN et al. Umbanda e Política. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1985 p. 10.

2. Idem.

3. TRINDADE, Diamantino. Umbanda e sua História. São Paulo: Ícone, 1991, p. 54 (o grifo é nosso).

4. A esse respeito ver MACHADO, Ubiratan. Op. cit.

5. FONTENELLE, Aluízio. A Umbanda através dos séculos. Rio de Janeiro: Organizações Simões, 1953, p. 76 (o grifo é nosso).

6. Idem, p. 99.

7. FREITAS, João de. Umbanda em revista. s.l. s.ed., 1941, p.17.

8. ZESPO, Emanuel. Codificação da Lei de Umbanda (Parte científica). Rio de Janeiro: s.ed., 1951, p. 53-4 (o grifo é nosso).

9. JUSTINA, Martha. Atualidade da Lei de Umbanda. In: Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda. Trabalhos apresentados ao 1º Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, reunido no Rio de Janeiro, de 19 a 26 de outubro de 1941.Rio de Janeiro: Jornal do Comércio, 1942, p. 93-4 (o grifo é nosso).

10. FERNANDES, Diamantino Coelho. O Espiritismo de Umbanda na Evolução dos Povos. In: Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda. Rio de Janeiro: Jornal do Comércio, 1942, p. 46-7 (o grifo é nosso).

11. Ver a esse respeito o relatório elaborado pelo Serviço de Inquéritos Políticos e Sociais, que, sob o comando de Filinto Muller, pronunciou-se totalmente favorável às atividades do Espiritismo, julgado inonfensivo ao Estado. Segundo o documento, o Espiritismo não demonstrava qualquer perigo ao regime, ao contrário do catolicismo. Este, poderia transformar-se em inimigo do Estado, ao julgar-se alijado na condução da “questão social” e no controle sobre a classe trabalhadora. As forças religiosas no Brasil do ponto de vista de suas influências políticas e econômicas. Arquivo Fillinto Muller. Ref./Relatório CHP-SIPS,I. CPDOC/Fundação Getúlio Vargas-RJ.

12. KARDEC, Allan. Qu’est-ce que le Spiritisme? Introduction à la connaissance du monde invisible par les manifestations des esprits. Paris: Éditions Vermet, s.d, p.8.

13. Ver a respeito da importância da elite na introdução do Espiritismo no Brasil: MACHADO, Paulo Ubiratan. Os intelectuais e o Espiritismo. Niterói: Lachatres, 1997.

14. A reinterpretação brasileira das teses kardecistas, acentuando o caráter terapêutico do Espiritismo, em detrimento da estrita experimentação proposta pelo codificador, foi estudada por Warren. O autor salienta que a interpretação que Bezerra de Menezes, o médico que se notabilizará como o “pai do Espiritismo” no Brasil, deu às teses kardecistas, relativizava o peso inexorável do karma, substituindo-o por uma explícita tentativa de minorar os males corpóreos e espirituais pela prática da invocação dos espíritos.WARREN, Donald. Op. cit. Partindo-se da constatação de que os pioneiros dirigentes da nova religião pertenciam a uma elite (pelo menos nos grandes centros e na Federação Espírita Brasileira), com isso via-se aprofundada a ética paternalista, com que a elite brasileira vivenciava o lema kardecista “hors la charité, point de salut”.

15. MORAES, Zélia de. Entrevista.Rio de Janeiro, 10 de junho de 1997. Arquivo do autor (A/A). Ver, igualmente, a esse respeito, a foto da “mesa branca” da Tenda Nossa Senhora da Piedade, publicada em TRINDADE, Diamantino Fernandes. Op. cit., p.71.

16. SOUZA, Luci Calvoso de. Entrevista. Rio de Janeiro, 10 de junho de 1997. (A/A).

17. TEIXEIRA, Antonio Alves. Umbandismo. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Aurora, 1957, p. 24.

18. O interior do Estado de Minas Gerais apresenta uma grande concentração de médiuns kardecistas e centros espíritas no Brasil, salientando-se a presença de Francisco Cândido Xavier em Uberaba

19. FRANCO, Florisbela M. Sousa. Umbanda. Rio de Janeiro: Gráfica e Editora Aurora, 1957, p.1.

20. Idem, p.41(o grifo é nosso).

21. FONTENELLE, Aluízio. Op. cit., p. 99

22. ANAIS DO PRIMEIRO CONGRESSO ESPÍRITA DO ESTADO DE SÃO PAULO. São Paulo: s.ed., 1947, p.6.

23. Perfectilité de la race nègre. Revue Spirite. Journal d’ÉtudesPsychologiques. Paris, (4), abr., 1862, p. 97.

24. La barbarie dans la civilization. Revue Spirite. Paris, jan. 1863, p. 25. É mister que se esclareça que o Espiritismo francês do século XIX endossava as teses de Gall, o pai da frenologia, dando-lhes, porém, uma óbvia conotação espiritual. Segundo Gall, sendo o cérebro o centro de onde partiam as manifestações das faculdades intelectuais e morais, havia a necessidade de desenvolver-se as regiões cerebrais de onde se originavam as operações mentais mais elaboradas. Os povos “atrasados” possuiam, momentaneamente, pouco desenvolvidas, as regiões do cérebro que viabilizavam tais faculdades. Com o curso do “processo evolutivo” passariam a desenvolvê-las, aproximando-se da conformação cerebral encontrada entre os “povos evoluídos”. Ver a esse respeito: La phrénologie et la phisiognomie. Revue Spirite. Paris, (7), jull, 1860, p. 198; Les Crétins.Idem, out., 1861.

25. FONSECA JR, J.B. de Paula. Carnaval..Jornal de Umbanda. Rio de Janeiro, n.38, fev., 1954, p. 1

26. A influência do pensamento religioso na dicotomia entre o mundo dos valores consentidos e marginais à sociedade foi estudado por Hertz. HERTZ,Robert. La prééminence de la main droite. Étude sur la polarité religieuse.In: Sociologie Religieuse et Folklore. Paris: Presses Universitaires de France, 1970.

27. Originariamente, nos cultos africanos, o Exu desempenhava a função de mensageiro entre os Orixás. A identificação do Exu com o demônio católico, portanto, foge completamente de sua identidade original. Por outro lado, essa “demonização” do Exu está bastante ligada às transformações operadas entre os cultos africanos no contexto urbano do sudeste brasileiro, particularmente, da macumba. Jerônymo Vanzellotti, na sua tentativa de criar um corpo doutrinário para a Umbanda, critica essa identificação, salientando a impropriedade das manifestações mediúnicas atribuídas a Exu. Para o autor, Exu, sendo o mensageiro dos orixás africanos não seria um espírito (assim como não o são os orixás). Portanto, haveria uma completa oposição entre os espíritos com características de sofredores que muitas vezes “baixam” nos terreiros e o mensageiro dos orixás africanos. VANZELLOTTI, Jerônymo Huberto. Umbanda Corpo de Doutrina e Código de Ética. S.l.: Secretaria de Comunicação Social da Confraria N.S. do Carmo, 1983.

28. MAGNO, Oliveira. Umbanda e Ocultismo. Rio de Janeiro:Ed. Espiritualista, 1952, p.24.

29. ORTIZ, Renato. Umbanda, magie blanche, Quimbanda, magie noire. Archives de Sciences Sociales des Religions. 24(47):142, p. 1979.

30. Sobre a importância da instituição das diferenças na construção das identidades dos grupos ver: MAFFESOLI, Michel. O tempo das tribos: o declínio do individualismo na sociedade de massa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987.

31. Ver a esse respeito a entrevista feita com a esposa de um dos intelectuais de Umbanda mais ativos no Brasil nas décadas de cinqüenta e sessenta, Jerônymo Vanzellotti e atual presidenta do Conselho Nacional da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros, Mariabélia Vanzellotti. Respondendo sobre a aceitação das normas rituais e doutrinárias emanadas das federações e intelectuais de Umbanda, fala: “…os dirigentes se acham como eles fossem um rei, e eles não aceitam a doutrina. Ele implanta o que ele quer naquele centro e acabou. Ele não escuta a voz de outra pessoa que sabe mais. Então algumas pessoas diziam que meu marido queria ser o Papa da Umbanda. Não era isso. Ao contrário. Ele queria que eles aprendessem e se fizesse a distinção entre os segmentos da Umbanda, do Omolocô, da Nação e do Candomblé. Mas infelizmente ele não conseguiu. A não ser em alguns centros, que continuam a fazer o ritual só da Umbanda, sem mistura.” VANZELOTTI, Mariabélia. Entrevista. Rio de Janeiro, 04 de maio de 1997. (A/A.)

32. A inserção em uma representação essencialmente sincrética da cultura nacional aparece claramente na obra dos intelectuais de Umbanda do período. Nesse sentido são bastante representativas as palavras de Jacy Rego Barros, em um curso por ele realizado no Departamento de Cultura da Tenda Espírita Jorge do Rio de Janeiro. Referindo-se à figura da “mãe preta”, o autor faz todo um elogio a um Brasil essencialmente sincrético, onde reina a maior harmonia racial, completamente à Gilberto Freyre: “Tão grande se fazia por vezes a ligação afetiva da mãe preta com seus filhos brancos, que, em tal condição ela se esquecia da posição servil da própria entidade para dispensar carinhos iguais aos garotos brancos e pretos… tendo o seu catolicismo africanizado, mãe preta passa a seus filhinhos pretos e brancos, todas as suas crendices, dizendo dos esplendores das ramas de gameleira, quando conta as histórias do compadre rico e do compadre pobre, tementes a Jesus um e outro.” BARROS, Jacy Rego. Senzala e macumba. Rio de Janeiro: Jornal do Commercio, 1939, p. 107.

33. O mesmo acontece com o indígena. Este, na Umbanda, aparece como um ser forte, leal, altivo, dotado de um código de ética muito próximo do mundo judaico-cristão. Sua representação está bastante próxima dos heróis indígenas românticos brasileiros, notadamente dos personagens de José de Alencar. Sua vinculação ao mundo branco é evidente a partir mesmo da forma como são tratados: “caboclos”. Isto é, apesar de serem apresentados como índios, não estão completamente inseridos em suas raízes, lutando por uma identidade diferente, são mestiços de branco com indígena. A Quimbanda, contrariamente, apresentaria um outro indígena, desafiador das normas socialmente dominantes. Por outro lado, essa inversão de imagens acontece nas infinitas entidades surgidas nas adaptações regionais do culto, tais como boiadeiros, marinheiros, soldados. A figura da Pomba-Gira, igualmente, incorporando a transgressão feminina, sofre inúmeras adaptações regionais aparecendo como bailarina, prostituta, cigana, etc. (N.A)

34. “Cette origine du symbole commençait à m’apparaître lorsque j’essayais de comprendre la sympathie de certains chefs de Centres, dans les favelas, pour la religion des Musulmans. L’Islam noir a disparu au Brésil; mas cette disparition dans les faits ne signifie pas qu’il est complètement oublié. Dans la tradition orale de la macumba, on se souvient, on en parle à mots couverts, et dans un language codé qui n’existe que parmi les noirs des favelas.” LAPASSADE, Georges. La macumba, une contre-culture en noir et rouge. L’homme et la societé. Paris, (22), 1971, p. 161.

35. KARDEC, Allan. Oevres Postumes. Croissy-Beauborg: Dervy-Livres, 1978, p.53-155. DUMAS, André. Allan Kardec. Sa vie et son oevre. In: KARDEC, Allan. Op. cit., p.I e II.

36. MONTERO, Paula; ORTIZ, Renato. Contribuição para um estudo quantitativo da religião umbandista. Ciência e Cultura. 28(4):407-16,1976, p. 412.

37. BOYER, Veronique. Umbanda et Societé. La magie au confluent des contradictions. Paris: École des Hautes Études en Sciences Sociales, Memoire de D.E.A d’Ethnologie, 1985, p.24. PINTO, Tancredo da Silva.; FREITAS, Byron Torres de. Guia e ritual para organização de terreiros de Umbanda. Rio de Janeiro: Edição Eco, 1972 (6ª edição)

2 ideias sobre “AS “UMBANDAS”

  1. Maurício

    Porque quem recebeu as graças não divulgaram, receiosos da inquisição e quem detratava-a eram benvisto pelos hipócritas que dominavam a mente dos seus semelhantes. Capicioso não permitiram que a verdade fosse conhecida. Irmãos a nossa Umbanda é a única e verdadeira Religião, Ela não foi criada pelos mortais e sim pela Magia dos Elementos da Natureza, manifestada peloa primeiros sensitivos que surgiram na face do noso Planeta.

  2. Maurício

    Maravilhoso.Não quero ser pretencioso,porém acho válido que perquiramos a essência da nossa querida Umbanda só que, com o decorrer do tempo, Ela vem se moldando na intuição dos seus praticantes sob a supervisão da Confraria dos Irmãos Maiores. A todos que contribuiram com a parcela para desvendar o véu, seremos eternamente agradecidos.Vejamos: surgiu com prática abominável dos Irmãos Africanos,quando surgiu a “civilização” tivemos vários conceitos
    prejorativos:magia negra;macumba;xangô;catimbó;
    candomblé e muitos outros que foram os percursores da atual,(bem entendido: quando o praticante tinham em mente a caridade). Não podemos julgar que praticou a sagrada magia em tempo remotíssimo. Por que? Por

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