POVO DE ARUANDA

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Posts Tagged ‘XANGÔ’

XANGÔ

Posted by Administrador em julho 11, 2014


 

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Dizem que este ano é ano de Xangô, mas com certeza sempre é tempo de todos os Orixás.
Xangô na Umbanda é sincronizado com São João Batista e São Pedro, pois ambos quando na Terra assumiram uma vida dura, de disciplina e retidão, sendo exigentes com as normas éticas e morais, muitas vezes não compreendidos, como até hoje não o são aqueles que assumem a responsabilidade de mostrar que os caminhos, mesmo os mais difíceis devem ser trilhados com honradez, com firmeza, mesmo nas noites escuras da alma.

Por isso, nós, que somos simples aprendizes, devemos pedir às Forças poderosas que emanam de Xangô, quando nos sentirmos alquebrados, com dúvidas sobre as decisões acertadas, quando precisamos agir e não queremos ferir a outrem, ou sermos injustos. Que eles nos dê discernimento, os passos certos, nos facultando paciência e visão ampla para analisar todas as situações, e resolvê-las sempre, mas com compostura, sabedoria e acertadamente.

Que a força das suas pedreiras que sua austeridade nos proteja de toda a iniquidade, toda a injustiça, todos os atos menos bons que possam nos atingir, e que da energia das pedras possamos nos espelhar nas horas intranquilas, nos momentos tormentosos, sentindo sua presença protetora a guiar nossos passos, nossos atos, nossas palavras, e que nossas decisões sejam corretas, nos protegendo de consequências funestas.

Nossa caminhada seja ininterrupta através das tempestades dos raios e faíscas que a ambiência instável do planeta nos cerca. Que estejamos de pé em todos os instantes, nos mantendo e sustentando aqueles ao nosso redor até que a bonança chegue, até que cheguem momentos de descanso das batalhas.

Que o combate contínuo que travamos através dos dias seja proveitoso, trazendo lições de elevação e compreensão, e que saibamos do valor da humildade, escolhendo não ferir ninguém, porque temos a certeza que estará presente para ajudar a resolver as contendas da melhor forma possível.

Que Xangô sempre esteja nos ensinando a Lei Maior do Bem, e de seu trono nas pedreiras esteja nos defendendo, nos guardando, para que de nossa pequena dimensão, sigamos fortalecidos, para que um dia, mesmo que muito longínquo, no mundo espiritual, nos seja dada a chancela de protetores, assim como nos protegem hoje nossos guias, começando dos primeiros degraus, mas com a firmeza que aprendemos, com a Fé, a Esperança e a certeza que há um objetivo maior, algo infinito que temos de aprender a zelar.

Salve Xangô com suas pedreiras, Salve meu Pai Xangô, hoje e sempre!

 

Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

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SANTO ANTÔNIO, SALVE SUA LUZ! VELA POR NÓS!

Posted by Administrador em junho 20, 2014


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Encontrei uma Palestra de um frei chamado Francisco van der Poel ofm, no Oitavo Centenário do Nascimento de Santo Antônio, em 21 de outubro de 1995 – Pádua, Itália.

Ali ele mostrou a origem da influencia de Santo Antônio nas religiões afro-brasileiras. Ele iniciou com a devoção de Santo Antônio nas tradições dos bantos, através do jongo, do caxambu e do congado.

Também relata que a identificação mais típica ocorreu com o tambor de mina, no xangô, no batuque, na umbanda e no candomblé.
Na época do descobrimento do Brasil, Portugal tinha acabado de lutar contra os mouros e era uma nação guerreira. Na verdade, toda a Europa era guerreira, por força das cruzadas. Vários santos foram guerreiros militares: São Sebastião, São Jorge, Nossa Senhora da Conceição e também Santo Antônio.

Enquanto a memória do catolicismo gravou a figura de Santo Antônio voltado para a proteção contra a fome, com o famoso “pão de Santo Antônio”, e nas promessas como santo casamenteiro, nas religiões afro-brasileiras manteve-se o perfil de protetor guerreiro, lutador incansável.

O Santo Antônio da tradição dos pobres até hoje ajuda os vaqueiros para conduzir o gado. Contam que o próprio santo era amansador de burro bravo. Manoel Ferreira dos Santos explica: “Santo Antônio, no tempo que ele era homem, ele andava no mundo como nós mesmo. O emprego dele foi amansar burro. Ele era amansador de burro bravo, ele era peão. E por isso, ficou a oração dele.”

A partir do candomblé nagô em Salvador, Santo Antônio é identificado com o orixá Ogun .Para vencer os obstáculos da vida, as pessoas buscam nele a força de quem molda o ferro. O “otá”, a pedra onde foi assentado a força mística do orixá Ogun, é uma pedra de minério, ou pedaço de ferro. Abençoa principalmente os ferreiros e os que lidam com armas e ferramentas, os guerreiros e os agricultores.. Ogun é o orixá que julga uma situação e fornece elementos para Xangô executar a justiça. É também chamado Ogun de Ronda. Como Senhor das Estradas, protege os viajantes. Tem grande afinidade com Exu com quem se encontra nas encruzilhadas. Com sabemos, no Rio de Janeiro, Ogum é sincretizado com São Jorge.

No catimbó nordestino do Sr. Zé Pelintra, ele é grande devoto de Santo Antônio. Aqui está uma de suas cantigas:
“Zé Pelintra, cadê Santo Antonio; Estava rezando e fazendo oração; Santo Antonio que gira e retira que quebra as demandas de toda a nação. e assim, Zé Pelintra, invoca ao Santo, trazendo sua força, inspiração e proteção à Umbanda e aos seus filhos de fé. SALVE SANTO ANTONIO.”

Já nos terreiros iorubá do culto xangô no Estado de Pernambuco, Santo Antônio (com o livro na mão igual São Jerônimo) é identificado com Xangô, orixá do raio e da justiça. No Rio de Janeiro, Xangô tem sincretismo com São Jerônimo.

No batuque do Rio Grande do Sul, é identificado com Exu, o anjo/mensageiro entre os Deuses e os homens. Exu abre caminhos e é encontrado nas encruzilhadas. Diversas orações tradicionais de Santo Antônio dizem: “Ele nos guia no bom caminho”. Exu leva recados e dá recados, como Santo Antônio. No Rio de Janeiro, também frequentemente atribui-se ligação de Santo Antônio com Exu, abrindo-se a gira com o ponto:

“Santo Antônio é de ouro fino/ suspende a bandeira/ e vamos trabalhar.”

Mas na Umbanda também Santo Antônio é considerado na 1ª linha de Oxalá. Os adeptos acreditam que os santos da linha de Oxalá penetram nas linhas de Quimbanda (magia negra) para desmanchar “trabalhos” feitos para prejudicar as pessoas. Isto fica claro neste ponto de Umbanda:

“Ó viva Deus(3x), meu maior amigo é Deus./ Pisei na pedra, a pedra balançou./ O mundo estava torto,/ Santo Antônio endireitou.”

Também os pretos velhos e as pretas velhas da Umbanda trabalham junto a Santo Antônio, chamado Santo Antônio de Pemba quando combatem juntos, dentro da quimbanda, desmanchando trabalhos de magia negra e todos os tipos de demandas destrutivas. Não se tem ideia do quanto esses amados guias nos protegem e são incansáveis nestas batalhas astralinas.
Neste dia de 13 de junho, que Santo Antônio esteja conosco a partir da Espiritualidade Superior, vibrando generosamente pela Humanidade, para que possamos andar através destes miasmas pesados, com a mente livre e os movimentos vigorosos, em direção a uma vida digna, em direção ao auxílio do outro, nos sustentando, nos amparando nas quedas, nos protegendo a retaguarda quando frágeis ficamos. Salve Santo Antônio, nos espere e guarde em cada encruzilhada!
No site abaixo, vocês poderão escutar muitos pontos de Santo Antônio na Umbanda:

Ouça os pontos(clique)

Alex de Oxóssi

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Fontes consultadas:
Religiosidade Popualar
Cantinho Literário do Zé Pilintra

 

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SALVE MEU PAI XANGÔ E MINHA MÃE IANSÃ!!!!!!!!!!!!!!!

Posted by Administrador em dezembro 31, 2013


Embalados na força de Xangô e de Iansã, vamos refletir nos pontos destes adorados Orixás!

Ponto de Xangô

Por detrás daquela serra,
Tem uma linda cachoeira!
É de meu pai Xangô!
Que arrebentou sete pedreiras!

Foi água nascendo na fonte e espinho na flor!
Do seu medo escondido nasceu a coragem de ser vencedor.
Punhal na mão, no peito um escudo mais fiel,
de quem na terra concebeu o céu!

São sete pedreiras que ele aprendeu a quebrar,
na faísca da fúria, no raio da chuva à luz do luar!
Lavou o corpo com o vinho amargo do suor,
e fez do próprio bem, de todos os males, talvez o menor!

Ponto de Iansã

Iansã Orixá de Umbanda
Rainha do nosso congá
Saravá Iansã lá na Aruanda, Eparrei!
Eparrei Iansã venceu demanda
Iansã, saravou pra Xangô
No céu, onde se coroou
E lá nas matas leão bradou
Saravá Iansã
Saravá Xangô

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Então, segundo as perspectivas que nos mostram, Pai Xangô e Mãe Iansã irão reger 2014.

Na verdade, para quem crê, todos os Orixás estão presentes em nossas vidas a cada dia, e aproveitamos a oportunidade para elevar nossos pensamentos à Espiritualidade Maior, ao reino de Aruanda, onde se encontram as entidades benditas que nos protegem a cada passo, em todas as hierarquias, até chegar a nós, tão imperfeitos, tão necessitados de orientação em nosso percurso acidentado.

Que Pai Xangô nos traga sua Força, nos protegendo de toda injustiça, e que Mãe Iansâ com sua Magnitude nos mantenha a salvo de toda a influência deletéria, que estejamos sempre a postos de praticar o Bem, rumando em direção aos nossos destinos, traçados pelas nossas decisões e que estas sejam regidas pelas Forças Maiores, para que não tropecemos, e consigamos resgatar nossa direção, na Esperança, na Fé.

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Que tenhamos a influência Maior, de sermos inquebrantáveis como a rocha frente às intempéries, que tenhamos sempre a certeza que eles nos encaminharão para os melhores trajetos, que não tenhamos medo de mudança alguma e sigamos, firmes e resolutos, construindo nossa estrada, escrevendo em nosso livro da Vida, não deixando uma só linha em branco.

Que a cada final de dia, possamos parar, e elevar nossos pensamentos na imensidão que reluz no infinito, onde só há beleza e crescimento. Que conquistemos nossa alegria através da força que emana das pedreiras, dos ventos e de todos os símbolos sagrados que a natureza nos rodeia, lembrando a presença divina destes orixás benditos.

Poderosas forças, através de seus falangeiros que já alcançaram os patamares de protetores e guias, estejam conosco em cada passo, somos simples pedintes, mas faremos o possível, dentro de nossas limitadas possibilidades, para também sermos o exemplo de sustentação e firmeza frente todas as vicissitudes de nossos irmãos de provas e expiações.

Na sua Força e no seu Axé, prosseguiremos, através dos dias, sendo instrumentos de Fé, Superação e sobretudo buscadores de seus mistérios, com a ajuda da espada de Iansã e da faísca e do trovão de Xangô, acreditando no poder de Aruanda, nos vestindo das armas do Bem da amada Umbanda!

E se tivermos de ultrapassar noites escuras da Alma, que os raios e trovões de Xangô nos iluminem a jornada, e que os ventos de Iansã dispersem todas as forças malévolas, nos trazendo em segurança ao novo dia, ao alvorecer de nossas almas atribuladas.

Eparrei, Iansã, Eparrei oiá!

Kaô, Kabecile meu poderoso Pai Xangô!

Alex de Oxóssi

Vote, seu voto é muito importante para nós:

Rio Bonito – RJ

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MEU PAI XANGÔ

Posted by Administrador em junho 25, 2013


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Salve a Sua Força, Salve a Sua manifestação de Equilíbrio, Justiça e Saber!

Diante de sua pedreira estamos aqui, ajoelhados em nome de nossa devoção, pedindo para nos dar o verdadeiro senso de ordem e dever, que possamos todos, nessa enorme nação, fazer juz à palavra JUSTIÇA, podendo assimilar suas qualidades de Honestidade, Retidão, Seriedade , Bom Senso e Plenitude.

Que não nos ergamos insensatamente em seu nome, por causas vãs, ou nos endividemos por atos impensados me desequilibrados.

Com as forças conjuntas das águas, sobremaneira a Força de Iansã, que dentro de cada um de nós, nesta terra de provas e expiações, nestes caminhos duros que cada um de nós temos de trilhar, encontremos alento, encontremos resposta, encontremos o sentido de a passo e cada resolução.

Xangô, sincretizado em São João Batista, que peregrinou solitário pelos desertos, nos dê força para também em nossa peregrinação terrena, sermos firmes, dignos, sabermos superar nossas faltas sem tombar.

Xangô, que se desdobra na vibração do Oriente, envie até nós os médicos do Astral Superior, para curar nossas feridas físicas e espirituais, nos mantendo em harmonia para poder merecer suas bênçãos.

Que as vibrações ascensionadas das Falanges do Oriente sempre estejam robustecendo nossa capacidade de amar,mantendo-os firmes em todas as circunstâncias, através da compreensão, da esperança e da Fé.

Xangô, também sincretizado como dono dos raios, controle nossas tempestades interiores, que a sua manifestação seja sempre para o saneamento da atmosfera espiritual ao nosso redor, renovando através das Forças da Natureza, uma ambiência saudável e firme,.

Como São Jerônimo e São Pedro, nos proteja em nossas lutas pessoais, nossos dilemas, aprimorando nossas arestas, nossa precária estabilidade, nos dando firmeza e resistência, a organização do discernimento, a beleza interior de suas pedreiras multicores, que sob a Luz do Sol rebrilham e sob a claridade da Lua refletem a beleza ancestral das cavernas esquecidas dos antepassados e seus rituais.

Recorremos a vós, Pai Xangô, para que haja resolução através da magia de suas vibrações fluídicas, o encaminhamento acurado para nosso país, nessa hora conturbada com justas admoestações de um povo subjugado por erros de quem tem o poder transitório sobre nossa pátria terrena.

Batemos nossas cabeças para ti, Poderoso Orixá, e se tivermos merecimento, dentro de tuas severas Leis, que possamos recorrer de Tuas Forças, para pedir pelo equilíbrio, justiça social e política deste nosso Brasil e o robustecimento de nossas vidas pessoais.

Kaô Kabecile, meu Pai

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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SALVE OS VENTOS E TEMPESTADES!!!

Posted by Administrador em março 20, 2013


A Força da Natureza na distância da minha mão. A chuva que caiu neste final de semana, mostrou sua fúria indomável. Pude sentir o vento e a torrente d’água apenas estendendo a mão em minha varanda.

Uma espessa cortina d’água toldando a silhueta das colinas ao longe e borrando o contorno dos telhados ao redor, e a ressonância dos trovões cortando o silencio, os clarões dos raios cortando a noite.

Assim como sentimos externamente, muitas vezes temos estas tempestades de raios e trovões dentro de nós. Com a diferença que a natureza nos deu também o raciocínio e o bom senso, de modo que possamos administrar a própria violência interna, saindo de cena até acalmar o vendaval interior, ou deixamos ele se manifestar de acordo com a necessidade do momento.

Na maioria das vezes, as tempestades internas são tão necessárias como as externas, porque lavam a estática ruim das comunicações duvidosas, deixam à mostra o cerne limpo e renovado das disposições edificantes, apagam trajetórias incorretas, influências deletérias, enfim, deixam o céu de nossas mentes mais claro e disponível para quando o Sol voltar a brilhar.

As tempestades, mais que tudo, apontam nossa pequenez, nossos limites, demonstram também, que tais quais as a vicissitudes, elas começam e terminam, e ao cessar, parece que o mundo valoriza mais as belezas, capricha mais no reflorescer, no renovar-se, tenta refazer ainda mais aprimoradamente o que foi destruído…

Os ventos e as tempestades ainda servem para limpar a atmosfera turbulenta, as ambiências intoxicadas, as vibrações de baixa qualidade. Apagam os incêndios, derrubam construções frágeis e mal feitas, varrem escolhos, lixo e escombros.

Na hora da tempestade, externa ou interna, fiquemos observando da janela, física ou da alma, evitando nos expor em seu perigoso vórtice, mas aprendendo com ela, acompanhando sua intensidade crescente ou decrescente, seu poder, sua direção, seus objetivos. Vamos compreender o porquê de sua violência, mas aprender a contornar seu poder de destruição, canalizá-la, talvez, colocar em depósitos de água, ou de força e resoluções, administrar sua abundância e exagero para épocas de escassez.

Na linguagem umbandista, Santa Bárbara é o sincretismo do Orixá Iansã, sendo a representante dos ventos e tempestades. Mas na realidade, estes ventos e tempestades são as feitiçarias, as influencias negativas. Iansã, no combate ao mal, é a verdadeira fúria de um vendaval, e ela protegerá qualquer pessoa que se coloque sob sua proteção, DESDE que essa pessoa não seja portadora de sentimentos de vingança.

Junto com Xangô, o Orixá do trovão, os dois juntos aplicam a Lei e atuam contra os fora da lei do astral, em lutas ferrenhas contra o Mal e seus seguidores.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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A SUAVE LUZ DO TERREIRO DE UMBANDA

Posted by Administrador em outubro 26, 2012


Soa a campainha três vezes, chamando os médiuns. É hora de mais um encontro sagrado com os Orixás.

Encaminhando-se lentamente em direção ao terreiro, já se sente o aroma das ervas queimadas, e os cânticos de quem vai cruzando o templo com os defumadores.

Cada um vai se concentrando, guias de variadas cores na mão, já sentindo as vibrações no plexo esplênico, sintonizando-se com as vibrações das entidades protetoras da casa. Os atabaques começam a tocar, e cada um passa cantando pelo defumador na entrada, sensação boa de irmandade com aqueles que defumam cada filho de santo e depois toda a assistência, preparando para mais uma noite de trabalhos espirituais.

Ao pisar no espaço abençoado, o pensamento de cumprir mais uma missão, permeando todo o corpo com os fluidos magnéticos que impregnam o ambiente, e que circulam sob as batidas persistentes, sob as vozes uníssonas.

Chega-se ao congá, pedindo proteção aos chefes espirituais, às entidades que participam das egrégoras do terreiro, e em muda prece, faz-se a oração de alma, pedindo proteção por mais esta noite, batendo cabeça para cada orixá ali presente e sobretudo, á Oxalá, que através da imagem ali presente, parece olhar cada um, enchendo de ânimo, Amor e Fé.

Enfim, o médium conseguiu ali chegar, lutando contra o cansaço, a fome, os percalços do dia, seus problemas pessoais, seus embate e vivências. Conseguiu combater o desânimo, a preguiça, e toda uma série de contratempos que parecem lhe afastar da meta. Mas ali está, nada mais importa, agora é o tempo dos caboclos, dos pretos velhos, e de todas as falanges que lhes seguem, compondo o círculo sagrado das emanações da Luz Divina.

Ao início dos trabalhos, sempre cantando, o corpo acordando para as danças ancestrais, pede-se proteção ao anjo da guarda na missão abençoada, e todos se prostram para mais uma gira, reverenciando humildemente todas as evocações do chefe espiritual da casa, já incorporado no Babalorixá, comandando com a firmeza de sempre, mostrando sua Força ao manter tudo na mais perfeita harmonia, mesmo entre tantas emanações que reverberam em toda parte, incluindo a assistência, de onde vem angústias, dores e empecilhos.

Os caboclos chegam girando, cortando as demandas, quebrando grilhões com seus gritos, que cortam o ar, em mais vibrações que são como raios que dispersam toda dor, toda aflição.

Desfilam os caboclos de Oxóssi, trazendo o frescor das matas, o Prana vital da Natureza. Os caboclos de Ogum perfilam-se em harmonia, guerreiros incansáveis da Paz. E os atabaques contam as façanhas de Xangô, e o terreiro se enche de caboclos que trazem das pedreiras a Magia, a Luz, a energia que tudo equilibra.

A gira prossegue, e agora são os pretos velhos que se aproximam, com seu passo lento e olhar sereno, procuram seus cavalos, seus banquinhos, seus cachimbos, pembas e mandingas, e começam suas consultas. Sem pressa alguma, acolhem cada filho, lhes dão passes, e palavras de alento. Aconselham, contam histórias, trabalham com seus cambones, de maneira calma e ininterrupta, dando assistência a todo e qualquer apelo, corrigindo os pensamentos sem uma palavra rude, mostrando os caminhos, sem interferir nos arbítrios, ao mesmo tempo que em silêncio, vão limpando as auras, curando dores, atuando muito mais do que falam, pois são os mais sábios.

A madrugada se aproxima, é preciso terminar os trabalhos. Vão-se os pretos velhos em suas manifestações, para se colocarem ao lado de seus médiuns, junto de todos os outros guias espirituais.

Todos se ajoelham novamente, agradecem por mais uma oportunidade de trabalho edificante, cada um com seus próprios anseios apaziguados. Além do cansaço físico, sentem-se renovados em energia, pois o maior alimento é a Caridade prestada.

As luzes voltam a clarear com força, trazendo cada um ao plano terreno. É o momento de todos se confraternizarem com abraços e sorrisos, enquanto se reúnem mais uma vez, para bater a cabeça diante o congá, imantado das poderosas forças que lhe habitam. Cada um cumprimenta o Babalorixá e prepara-se para a volta para casa. Muitos, levarão horas para chegarem em seus destinos.

E,enquanto isso, no terreiro, nesse momento iluminado apenas com as luzes das velas, ainda ficará muitas horas fervilhando com a espiritualidade ali presente, até que todos os pedidos sejam auxiliados, todos os nós desatados, todas as demandas desmanchadas.

Suave Luz do terreiro de Umbanda, que permanece mostrando a presença da Senhora Velada, a infinita Sabedoria traduzida em Paz, Amor, Perdão, Serenidade e Equilíbrio, a verdadeira Jornada.

Salve Umbanda querida! Salve Orixás Benditos! Que sua Luz sempre brilhe sobre nós, que estamos na Busca.! Obrigado pelos caminhos, obrigado pelas lições, obrigado por ter-nos permitido vê-la, e em ti vivê-la!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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Batendo cabeça para Xangô

Posted by Administrador em junho 25, 2012


Quantas vezes me deparei com paredes intransponíveis, quantas vezes subi as montanhas das vicissitudes e me vi só. Quantas vezes pedras afiadas machucaram meus pés e quantas vezes me vi sem saída diante de uma pedreira de tristeza, desesperança e aflição…

Muitas e muitas vezes fui atingido por pedras e me transtornei, e outras tantas atirei também pedras sem refletir…

Hoje, continuo diante da realidade dura, mas compreendo que tudo o que passei tinha uma finalidade. Vejo que os caminhos que trilhei eram as lições que precisava para aplacar minha soberba, despertar-me da indiferença, para testar minha força e minha fé. Vejo que repetidamente fui cego e fracassei, mas percebo também que aqui estou ainda, e hoje sei melhor me desviar dos abismos, andar mais um pouco quando estou no limite de minhas forças e sei que a aspereza do tempo suavizou minhas próprias arestas…

Aprendi a rezar e encontrei a poderosa força de Xangô e já não temo o ruído do trovão, pois sei que é a sua voz purificando os espaços, ecoando nas furnas, mostrando o seu Poder, intimidando aqueles que não conhecem ainda a Lei de Causa e Efeito.

Com Pai Xangô aprendi que a justiça não está nas minhas mãos, e se sofrer injustiças, mas seguir o caminho reto, eu depositarei a seus pés o meu sofrimento, e buscarei a serenidade e a Paz interior, para não mais me sentir só nas frias pedreiras do limiar dos mundos. Buscarei com o coração leve as verdes pradarias e verei no horizonte o arco-íris da Bonança, do Equilíbrio, da Esperança e da Paz.

Kaô, meu Pai Xangô, Kaô Cabecile, Kaô! Me guie, me sustente e me proteja de todas as intempéries e iniquidades, para que eu siga meus caminhos e acalente em meu coração o tesouro das grandes verdades que nos trazem os Orixás.

Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

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Como sei que Orixá devo oferendar?

Posted by Administrador em fevereiro 12, 2010


Mãe Mônica Caraccio

Este é um artigo especial que prometi aos alunos do Grupo de Estudo Religioso Umbandista que realizo. Porém, como é um assunto de extrema importância e que traz duvidas a muitos Umbandistas.

Nós umbandistas, sabemos que um dos atos ritualístico mais importantes para a nossa religião são as Oferendas que realizamos aos Orixás eOferenda aos Guias Espirituais. Sabemos também que a nossa maior benção é ter a força da natureza à nossa disposição, afinal ao oferendar um Orixá em um ponto de força, além de ativar a Divindade, ativamos também as forças elementais da natureza deste local em uma ação dupla de pura Força e Poder. Portanto, além de termos uma grande responsabilidade com a preservação da natureza, temos também a responsabilidade de saber onde, como e para quem pedir o amparo e a sustentação em nossas dificuldades, assim não ativaremos forças contrárias ou desnecessárias às nossas necessidades.

Vejam só a importância deste conhecimento: Imaginem que ‘Fulana’ está perdidamente apaixonada por um homem comprometido, que a tem como segundo plano. Que Orixá ‘Fulana’ deve oferendar solicitando ajuda? A maioria responderia essa questão dizendo que a oferenda deveria ser feita à Orixá Oxum, mas eu digo que, neste caso, ‘Fulana’ deve oferendar o Orixá Oxumaré. Calma, eu explico: como pedir a Oxum a união e a harmonia entre o casal se essa união é errada? Afinal ele é comprometido! Não seria mais correto pedir a Oxumaré a diluição dos sentimentos viciosos e desequilibrados que envolvem os dois para que assim, libertos do vicio da paixão, eles possam equilibrar seus sentimentos? Não seria mais correto pedir a Oxumaré uma renovação emocional abrindo horizontes e energias mais puras? A mesma coisa é pedir movimento e direção na vida a Nanã, abertura de caminho a Oxalá ou paciência a Ogum! Não é que as Forças Divinas não atenderão nossas solicitações, mas se podemos facilitar, agilizar, melhorar e, principalmente, direcionar nossas solicitações por que não fazê-las? É uma questão de bom senso e sabedoria, não acham? Por isso, preparei um material de estudo bem resumido e de fácil compreensão para que todos possam direcionar ao máximo suas solicitações em oferendas, lembrando que, antes de tudo, o auto conhecimento, o respeito e a fé são fundamentais.


OXALÁOferendamos Oxalá quando necessitamos fortalecer ou despertar em nosso íntimo os sentimentos de fé, paciência, tolerância, perdão e compaixão. Quando precisamos colocar em nossas vidas mais esperança e confiança.

OYÁOferendamos Oyá quando necessitamos despertar ou equilibrar a religiosidade em nossas vidas, ou seja, é a Ela que clamamos quando nossa fé ou nossa religiosidade está desvirtuada pelo fanatismo, quando está ausente ou até pela má utilização da fé. É Oyá quem absorve os excessos da fé. A Ela também solicitamos envolver, purificar e redirecionar, com suas ondas espiraladas, os eguns perdidos no tempo, aqueles espíritos que ha muito tempo vagam no astral, que já se encontram perdidos e com seus mentais vazios tornando-se alvos fáceis para as grandes quiumbas que os escravizam e os utilizam para o mal. Além desses tipos de eguns, Ela também recolhe aqueles que nos acompanham desde muito tempo, de vidas passadas, e que por um sentimento de vingança emocional nos envolvem desequilibrando-nos até hoje. Ela é a Dona do Tempo cronológico.

OXUMOferendamos Oxum pedindo que Ela amoleça o nosso ou outros corações, a fim de se tornarem mais amorosos. Pedimos a Ela que estimule a união através dos sentimentos de amor puro e fraternal. Só através do amor puro é que a verdadeira união acontece e essa união vale em todos os sentidos (profissional, social, familiar, etc). Com essa união vem a felicidade, ou seja, a verdadeira prosperidade é concedida a nós. Portanto Ela é a Mãe da Concepção, aquela que tudo concede quando há amor.

OXUMARÉOferendamos Oxumaré quando é necessário diluir sentimentos que estão desequilibrados. Por se tratarem de sentimentos viciados eles são ou se tornarão dolorosos como, por exemplo, o sentimento da paixão ou do desejo. É importante salientar que algumas vezes não percebemos o desequilíbrio emocional em que nos encontramos, portanto, se fazem necessários o auto conhecimento, o verdadeiro querer melhorar e, principalmente, a fé. A Oxumaré solicitamos também que renove o nosso emocional trazendo a pureza dos sentimentos pois este é o Orixá da renovação do amor na vida dos seres. Ao trazer a cura emocional Ele é também capaz de, automaticamente, curar o físico, sendo assim, oferenda-se Oxumaré também para socilitar a cura.
OXÓSSIOferendamos Oxóssi para que ele nos ajude no raciocínio consciente, ou seja, para que ele nos traga o conhecimento, o esclarecimento e a sabedoria em todos os sentidos da vida. A Ele também solicitamos a coragem, a rapidez, o espírito caçador para as novas empreitadas. Pedimos que sustente nossa caminhada espiritual com sabedoria e que cure nossos mentais desequilibrados. Oxóssi é um Orixá guerreiro, que nos traz a força da atitude, a força da vontade, enfim, é o Orixá que nos ajuda naquilo que mais precisamos para evoluir: O Conhecimento. É um Orixá que tem como domínio as matas e ervas e por isso propicia também a cura energética e mental.
OBÁOferendamos Obá para pedir concentração mental e quietude racional, ajudando a boa memória e a capacidade de assimilação mental. No entanto, a Ela também solicitamos que nos ajude a eliminar pensamentos negativos ligado aos dogmas e conhecimentos errôneos, pedimos que nos ajude a esquecer aquilo que nos negativa. Obá, com sua ação discreta e firme, estimula nossa interiorização favorecendo o auto conhecimento e paralisando todas as formas viciadas de conhecimentos. Essa Orixá nos traz o sentido do “chão firme”, portanto, devemos clamá-la naqueles momentos em que nos encontramos sem chão ou aéreos demais, precisando de concentração e firmeza de pensamento.

XANGÔ – um dos Orixás mais temidos pelo fato de ser Ele o determinador da Justiça e quem ativa a Lei em nossas vidas, fazendo valer o ponto que diz “quem deve paga e quem merece recebe”. Portanto, oferendar Xangô é muito forte e muito especial, é nesse momento que devemos baixar nossas cabeças e permitir que seja feita a vontade de Deus e não a nossa. E é esse o “espírito da coisa”: não se oferenda Xangô para pedir a nossa justiça, mas a justiça Divina. Infelizmente, isso pouco acontece, pois as pessoas estão viciadas em seus desejos e julgamentos e vão logo aos pés do Grande Rei Xangô pedir seus desejos, o que é um grande erro. Devemos oferendar Xangô para buscar e pedir equilíbrio entre a razão e a emoção, a justiça, a sensatez, a razão, a determinação e a coragem para recebermos aquilo que merecemos. Pedimos a Ele que nos mantenha sensatos e livres de quaisquer julgamentos, tanto os que emitimos quando os que recebemos.

EGUNITÁ – mesmo sabendo que poucos conhecem ou cultuam essa Orixá, vale a pena dizer que Ela é o fogo vivo e divino, portanto a Oferendamos quando queremos que essa ação do fogo queime e consuma todas as energias negativas, todos os excessos emocionais e todos os cordões negativos que nos envolvem e envolvem nossas casas. Ela também ajuda a consumir energias de vícios.

OGUM – falar desse Orixá é falar de coragem, lei, ordem, ordenação, retidão e determinação, portanto Oferendamos Ogum para receber em nosso íntimo esses atributos e para manifestá-los em todos os sentidos das nossas vidas, seja profissional, material, emocional ou espiritual. Quando o Oferendamos pedimos também que nos envolva com sua força guerreira, solicitamos a abertura de nossos caminhos e a proteção de seus Guardiões da Lei. Ogum não julga nada nem ninguém pois esta atribuição pertence a Xangô. Ogum é quem aplica a Lei, portanto oferendar Ogum no sentido de submissão à Lei Maior e à Justiça Divina (ou seja, submissão a Deus) é dar as costas para receber os “chicotes” da Lei. Esses doem, mas são necessários para cessar nossas dividas cármicas acelerando nossa evolução espiritual. Feliz daquele que tem coragem, amor e fé suficientes para sentir tão grande Poder e Ação, fazendo valer o ponto: “o que se ganha de OgumOgum pode tirar”. É por isso que dizemos que Ogum é quem ativa nossas próprias demandas como também é o único que tem o Poder de ordenar a quebra de nossas demandas, tudo pela determinação da Lei de Deus.

YANSÃOferendamos Yansã para pedir movimento e direção em todos os sentidos da vida, a Ela solicitamos que nos envolva com sua Força guerreira para nos ajudar em nossas mudanças e conquistas, portanto, a Oferendamos quando estamos com nossas vidas estagnadas, quando nos encontramos depressivos, sem energia, sem direção, perdidos e cheios de dúvidas, afinal Yansã é a manifestação da alegria e da paixão pela vida e pelo que faz. Pedimos também a força e o movimento de Yansã para que envolva e encaminhe todos os eguns, espíritos negativos que desvirtuam nossa caminhada material, emocional e espiritual, direcionando-os aos domínios de Obaluaiyê ou Omulu onde serão conduzidos aos seus lugares de merecimento. Ela esgota os seres e os redireciona, abrindo novos caminhos por onde evoluirão de forma menos emocional. Yansã é a Orixá do Tempo climático, Senhora dos ventos, dos raios, do movimento e da direção.

OBALUAIYÊOferendamos este Orixá para pedir que Ele nos ajude em nossa evolução espiritual e que nos traga a sabedoria junto com a paciência – a sapiência. Ele é o Senhor das Passagens, portanto é ele quem permite a nossa passagem de um nível para outro, isso quer dizer que é ele quem nos conduz e quem abre as porteiras em nossas mudanças de estágios ou graus espirituais, por isso é a Ele que clamamos quando nos encontramos estagnados e paralisados. Também é Ele quem nos conduz nas mudanças de estado encarnado para desencarnado e vice-versa, ou seja, é ele quem acolhe os espíritos que acabaram de desencarnar, assim como conduz os espíritos que irão reencarnar. A Ele pedimos estabilidade, proteção e sabedoria anciã. Também pedimos para transmutar e transformar nossos sentimentos, portanto, é Ele quem permite e proporciona a cura da alma.

NANÃOferendamos Nanã para solicitar que Ela decante nossos sentimentos e lembranças negativas, que nos ajude a esquecer as mágoas, o rancor, a dor, etc. A Ela pedimos maturidade e mobilidade para viver em harmonia e com sabedoria.

YEMANJÁ – a grande Mãe da Vida é ofertada quando precisamos de coisas novas em nossos caminhos, por isso pedimos a Ela que gere em nós a vontade de viver, de crescer, de melhorar, etc. Pedimos que Ela gere em nós, e para nós, novas oportunidades em todos os sentidos da vida. Como grande Mãe que é, Ela rege a família e portanto equilibra e apazigua os laços familiares e o sentido de “ser mãe”. Ela nos favorece suas qualidades geradoras, renovadoras e criacionistas, ou seja, Ela nos permite buscar coisas novas, aguçando nossa criatividade e estimulando nossas percepções.

OMULU – sabemos que muitos identificam Omulu e Obaluaiyê como sendo o mesmo Orixá, no entanto, a ação de Omulu é muito mais ativa, pois é um Orixá cósmico, ou seja, atua em nossa vida de forma ativa paralisando nossos desequilíbrios e punindo, caso seja necessário, as terríveis quiumbas que já se encontram de forma super negativadas. Portanto solicitamos a Omulu, o grande Orixá do Fim, que coloque um fim nas ações do baixo astral, um fim em nossos desequilíbrios emocionais e espirituais, assim como um fim às dores da alma, do físico e da mente.

Alguns pontos que merecem ser destacados e devem ser lembrados no momento de oferendar:

• A melhor e mais poderosa de todas as oferendas é aquela que fazemos sem pretensão alguma, somente com o sentido de agradecimento. Essa é a oferenda religiosa que tem como guia nosso coração e que pode ser realizada dentro da nossa casa a qualquer hora, é só ofertar ao Orixá o nosso amor e a nossa fé. Pronto! Eis o segredo da felicidade.

• Tudo que for solicitado só será atendido diante da necessidade e do merecimento da pessoa, portanto, as oferendas não devem ser confundidas com barganhas.

• Não adianta a pessoa oferecer uma feira inteira ao Orixá se não tiver Fé. Muito mais do que está sendo oferecido as Divindades esperam o amor, o respeito, a fé e os sentimentos positivos do fiel no momento da oferenda.

• As Divindades não comem os elementos ofertados, Elas apenas absorvem as energias dos elementos e as conduzem aos seus fieis de forma potencializada e divina, portanto, Ogum não bebe a cerveja, Oxalá não come a canjica, Oxóssi não come as frutas, etc.

• Lembre-se sempre de preservar a Natureza e o respeito à sociedade. Não deixe sujeira nos pontos de força. A Umbanda e a Natureza agradecem.

Muito Axé a todos e bons estudos!

Mãe Mônica Caraccio

Texto e imagem retirados do site Minha Umbanda

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A Importância dos Orixás na Umbanda.

Posted by Administrador em fevereiro 9, 2010


(clique na figura veja a figura acima maior)

Orixá é a essência divina que atua sob a forma de energia emanada e força, controlando e se misturando com as forças da Natureza. Por exemplo:

- Yemanjá: vida marinha (tem o título honroso de Rainha do Mar);

- Oxóssi: provedor da caça, da alimentação, protetor das matas;

- Ossãe: senhor das matas, das plantas, do verde;

- Xangô: as pedras ígneas, do granito das pedreiras, do fogo e dos trovões;

- Ogum: senhor do ferro, das estradas;

- Obaluayê / Omolu: senhor da Terra (da transmutação da vida na terra), senhor das doenças, senhor da Calunga pequena (Cemitério), senhor da luz que transforma ignorância em consciência;

- Iansã: senhora dos ventos e tempestades, senhora dos raios, senhora do fogo dos Raios (assim como Xangô);

- Nanã Boruque: senhora da lama dos rios com seu encontro com o mar, do lodo da vida e da morte;

- Oxum: senhora das águas doces, dos rios, nascentes e lagos;

- Oxumaré: o Arco-Íris, a ligação entre a Terra e o Ceú (o Orun e o Ayê);

- Oxalá: a pureza do branco, a força da criação, a sabedoria do conhecimento;

- Exú: a força da comunicação, da palavra, do sexo, da procriação.

Não se sabe com certeza se os Orixás já tiveram uma forma humana definida, pois os contos/lendas africanos que nos chegaram (Itans), contam histórias variadas de um tempo que conta mais de 10.000 anos de história dos Orixás.

Não se sabe se alguns Reis africanos e suas esposas e até guerreiros e guerreiras, pela sua honra, atuação em batalhas, sabedoria, condução de suas terras e de seu povo, acabaram sendo retratados como Orixás, ou deles tomaram seus nomes. O que se sabe é que Oxalá foi um rei de Elejibo; Xangô, rei de Oió; Exú e Oxóssi, Reis de Ketu … Uma outra hipótese é que existiram em forma física e foram elevados a Orixás pelos seus feitos, tornados divindades vivas que ultrapassaram o tempo e o espaço.

Em várias formas de Umbanda temos a crença que nascemos com uma parte do Orixá dentro de nós, em nosso Orí. Um Orixá principal e 3 Orixás acessórios.

A “incorporação” de um Orixá na Umbanda, se dá através de uma forma de energia emanada diretamente do Orixá e captada pela parte dele que nos habita. Essa forma de energia manifesta em nossos corpos durante as giras se chama “Falangeiro de Orixá”, aquele que trabalha e atua em nosso mundo físico na representação do axé do Orixá :
Oxalá, Yemanjá, Oxum, Yansã, Ogum, Xangô, Oxóssi … Graças a pureza dessa força manifesta, ela fornece ao médium a essência de seu Orixá durante a incorporação, nas danças, no ilá (brado), nos gestos. Passando ao médium: equilíbrio, harmonia, paz, força, conhecimento espiritual, saber e compreensão da força divina dos Orixás.

As oferendas e obrigações aos Orixás são de grande importância dentro de várias vertentes da Umbanda, pois serão revertidas em energias positivas essenciais para seus médiuns e para a própria casa.

É de conhecimento que, anualmente, os médiuns devem ofertar aos seus Orixás suas comidas votivas e demais elementos pertinentes a eles (podendo inclusive utilizar o corte ritual cruento, desde que, este seja parte da cultura ritualística da casa – fundamentos), com o intuito de fortalecer essa relação/ligação entre o médium e seus Orixás.
Da mesma maneira, de tempos em tempos, estipulados pelos guias chefes da casa, os médiuns devem se submeter a rituais específicos para fortalecimento de seu Orí, dar potencialização a suas capacidades mediúnicas, fortalecer gradativamente a ligação médium/orí/Orixá, a aglutinar as energias vibratória entre o médium/orí/ Orixá/Guias, para o preparo para o Sacerdócio.

Essas obrigações variam de casa para casa, de ritual para ritual, de fundamento para fundamento dentro da Umbanda, mas são sempre serão feitas conforme as suas variações e doutrina de alguma maneira.

As cores dos Orixás também são de grande importância e fundamentos no culto Umbandista, pois cada Orixá tem sua cor, por exemplo:

- Oxalá: , azul claro, branco, branco leitoso;

- Yemanjá: branco, azul claro, azul escuro;

- Ogum: azul marinho, vermelho, branco;

- Xangô: marrom, branco;

- Obaluayê/Omolu: preto, branco, vermelho, amarelo;

- Oxóssi: verde, vermelho, branco;

- Yansã: marrom (coral), amarelo, branco;

- Nanã: lilás, branco, preto, azul escuro;

- Oxumarê: azul, vermelho, verde, lilás, amarelo;

- Oxum: azul claro, branco, amarelo claro;

- Ibeji: azul, rosa, branco.

As misturas e junções de cores, quantidades de contas e disposição e formas para confecções das guias (colares) variam de casa para casa e de Orixá para Orixá, assim como o material utilizado para a sua confecção.

Como essência vibratória divina viva e força da natureza, o Orixá influi no arquétipo dos seres humanos de diferentes formas e ações. Por exemplo:

- Oxalufã: calmo, ponderado, harmônico;

- Oxaguiã: inquieto, temperamental, trabalhador, organizado, protetor, lutador;

- Yemanjá: dedicado, super-protetora, amoroso, defensor;

- Ogum: temperamental, impulsivo, dedicado, arrogante, volúvel;

- Xangô: justo, vaidoso, autoritário, volúvel;

- Obaluayê / Omulu: calmo, silencioso, austero, vingativo, calculista, inteligente, com um senso incomum de justiça;

- Oxóssi: sonhador, inquieto, astucioso, lutador, protetor;

- Yansã: determinado e inabalável, alegre, de humor variável, leal;

- Nanã: imponente e conservador, austero, elegante, orgulhoso, fechado, obsessivo;

- Oxum: dócil, ponderada, vaidosa, perspicaz, desconfiada.

Não se pode ter essas características como formas determinadas, pois a junção do enredo do médium em seu Orí, ou seja, a junção de seu Orixá principal e de seus adjuntos (Orixás auxiliares), também são preponderantes para constituição da personalidade do médium.

Orixá é força de vida. Uma força de grande importância dentro de vários seguimentos da Umbanda e, sem a qual, não se pode trabalhar na Umbanda.

Embora cada forma de Umbanda manifeste e sinta os Orixás de maneiras diferenciadas, cada uma a sua maneira e de acordo com os seus fundamentos, os Orixás nunca deixam de ser louvados, cultuados, agradados e amados.

Algumas formas de Umbanda não trabalham diretamente com os Falangeiros dos Orixás, mas sim com os Capangueiros dos Orixá. Os Capangueiros dos Orixás são Caboclos que atuam na irradiação dos Orixás, mas não na emanação direta do Orixá, se diferenciando dos Falangeiros.

Eles se colocam como intermediários em forma espiritual e não em forma de energia direta, pois foram Espíritos reencarnacionários que escolheram ou foram escolhidos para serem mediadores da irradiação dos Orixás, trocando a provação reencarnacional, pela prática direta da caridade, como meio de evolução espiritual (similar aos Preto Velho, Exús, Baianos, Boiadeiros … que não deixam de ser também, Capangueiros dos Orixás, pois também estão subordinados a eles).

De uma certa forma, todo guia acaba sendo um Capangueiro de Orixá, mas algumas casas de Umbanda, por não trabalharem diretamente com os Orixás, atribuem aos Caboclos no nomes dos Orixás. Cantam e dançam para os Orixás, mas quem baixa são Caboclos que bebem, fumam, dão passes consultas, diferentemente dos Falangeiros, que não falam, não bebem, não dão passes nem consultas.

Então em algumas casas de Umbanda, teremos giras de Oguns, onde baixarão os Caboclos de Ogum; os Xangôs, onde baixaram os Caboclos de Xangô; as Oxuns, onde baixarão as Caboclos de Oxum e assim por diante.

Não importa a forma ou a maneira que se cultue ou que se louve os Orixás, em formas e/ou essências, em ritos ou em cantos, em Falangeiros ou em Capangueiros. O importante é que sua atuação dá sustentação a representatividades várias na vida do povo Umbandista.


Texto organizado por Etiene Sales
Sacerdote Umbandista, escritor e pós-graduado em Ciências da Religião

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OGUM

Posted by Administrador em abril 16, 2008


(clique nas imagens , assim estará ajudando nosso Blog)

Divindade masculina ioruba, figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal. Ogum é o arquétipo do guerreiro. Bastante cultuado no Brasil, especialmente por ser associado à luta, à conquista, é a figura do astral que, depois de Exu, está mais próxima dos seres humanos. É sincretizado com São Jorge ou com Santo Antônio, tradicionais guerreiros dos mitos católicos, também lutadores, destemidos e cheios de iniciativa.

A relação de Ogum com os militares tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, sempre associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo ioruba. Dizem as lendas que se alguém, em meio a uma batalha, repetir determinadas palavras (que são do conhecimento apenas dos iniciados), Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém, elas (as palavras) não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, tendo excitado a fúria por sangue do Orixá, detonaram um processo violento e incontrolável; se não encontrar inimigos diante de si após ter sido evocado, Ogum se lançará imediatamente contra quem o chamou.

É Orixá das contendas, deus da guerra. Seu nome, traduzido para o português, significa luta, batalha, briga. É filho de Iemanjá e irmão mais velho de Exu e Oxossi. Por este último nutre um enorme sentimento, um amor de irmão verdadeiro, na verdade foi Ogum quem deu as armas de caça à Oxossi. O sangue que corre no nosso corpo é regido por Ogum. Considerado como um Orixá impiedoso e cruel, temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos, ele até pode passar esta imagem, mas também sabe ser dócil e amável. É a vida em sua plenitude.

A violência e a energia, porém não explicam Ogum totalmente. Ele não é o tipo austero, embora sério e dramático, nunca contidamente grave. Quando irado, é implacável, apaixonadamente destruidor e vingativo; quando apaixonado, sua sensualidade não se contenta em esperar nem aceita a rejeição. Ogum sempre ataca pela frente, de peito aberto, como o clássico guerreiro.

Ogum não era, segundo as lendas, figura que se preocupasse com a administração do reino de seu pai, Odudua; ele não gostava de ficar quieto no palácio, dava voltas sem conseguir ficar parado, arrumava romances com todas as moças da região e brigas com seus namorados.

Não se interessava pelo exercício do poder já conquistado, por que fosse a independência a ele garantida nessa função pelo próprio pai, mas sim pela luta.

Ogum, portanto, é aquele que gosta de iniciar as conquistas mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. É muito mais paixão do que razão: aos amigos, tudo, inclusive o doloroso perdão: aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora mais forte.

Ogum é o deus do ferro, a divindade que brande a espada e forja o ferro, transformando-o no instrumento de luta. Assim seu poder vai-se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, militares, soldados, ferreiros, trabalhadores, agricultores e, hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É, por extensão o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. Do conhecimento da guerra para o da prática: tal conexão continua válida para nós, pois também na sociedade ocidental a maior parte das inovações tecnológicas vem justamente das pesquisas armamentistas, sendo posteriormente incorporada à produção de objetos de consumo civil, o que é particularmente notável na industria automobilística, de computação e da aviação.

Assim, Ogum não é apenas o que abre as picadas na matas e derrota os exércitos inimigos; é também aquele que abre os caminhos para a implantação de uma estrada de ferro, instala uma fábrica numa área não industrializada, promove o desenvolvimento de um novo meio de transporte, luta não só contra o homem, mas também contra o desconhecido.

É pois, o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, da produção e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha à sua própria expansão.

É fácil, nesse sentido, entender a popularidade de Ogum: em primeiro lugar, o negro reprimido, longe de sua terra, de seu papel social tradicional, não tinha mais ninguém para apelar, senão para os dois deuses que efetivamente o defendiam: Exu (a magia) e Ogum (a guerra); Em segundo lugar, além da ajuda que pode prestar em qualquer luta, Ogum é o representante no panteão africano não só do conquistador mas também do trabalhador manual, do operário que transforma a matéria-prima em produto acabado: ele é a própria apologia do ofício, do conhecimento de qualquer tecnologia com algum objetivo produtivo, do trabalhador, em geral, na sua luta contra as matérias inertes a serem modificadas .

É o dono do Obé (faca) por isso nas oferendas rituais vem logo após Exú porque sem as facas que lhe pertencem não seriam possíveis os sacrifícios. Ogum é o dono das estradas de ferro e dos caminhos. Protege também as portas de entrada das casas e templos (Um símbolo de Ogum sempre visível é o màrìwò (mariô) – folhas do dendezeiro (igi öpë) desfiadas, que são colocadas sobre as portas das casas de candomblé como símbolo de sua proteção).

Ogum também é considerado o Senhor dos caminhos. Ele protege as pessoas em locais perigosos, dominando a rua com o auxílio de Exú. Se Exú é dono das encruzilhadas, assumindo a responsabilidade do tráfego, de determinar o que pode e o que não pode passar, Ogum é o dono dos caminhos em si, das ligações que se estabelecem entre os diferentes locais.

Uma frase muito dita no Candomblé, e que agrada muito Ogum, é a seguinte: “Bi omodé bá da ilè, Kí o má se da Ògún”. (Uma pessoa pode trair tudo na Terra Só não deve trair Ogum).

Ogum foi casado com IANSÃ que o abandonou para seguir XANGÔ. Casou-se também com OXUM, mas vive só, batalhando pelas estradas e abrindo caminhos.


CARACTERÍSTICAS

Cor Vermelha (Azul Rei) (Em algumas casas também o verde)
Fio de Contas Contas e Firmas Vermelhas Leitosas
Ervas Peregum(verde), São Gonçalinho, Quitoco, Mariô, Lança de Ogum, Coroa de Ogum, Espada de Ogum, Canela de Macaco, Erva Grossa, Parietária, Nutamba, Alfavaquinha, Bredo, Cipó Chumbo.(Em algumas casas: Aroeira, Pata de Vaca, Carqueja, Losna, Comigo Ninguém Pode, Folhas de Romã, Flecha de Ogum, Cinco Folhas, Macaé, Folhas de Jurubeba)
Símbolo Espada. (Também, em algumas casas: ferramentas, ferradura, lança e escudo)
Pontos da Natureza Estradas e Caminhos (Estradas de Ferro). O Meio da encruzilhada pertence a Ogum.
Flores Crista de Galo, cravos  e palmas vermelhas.
Essências Violeta
Pedras Granada, Rubi, Sardio. (Em algumas casas: Lápis-Lazúli, Topázio Azul)
Metal Ferro (Aço e Manganês).
Saúde Coração e Glândulas Endócrinas
Planeta Marte
Dia da Semana Terça-Feira
Elemento Fogo
Chakra Umbilical
Saudação Ogum Iê
Bebida Cerveja Branca
Animais Cachorro, galo vermelho
Comidas Cará, feijão mulatinho com camarão e dendê. Manga Espada
Numero 2
Data Comemorativa 23 de Abril (13 de Junho)
Sincretismo São Jorge. (Santo Antônio na Bahia)
Incompatibilidades: Quiabo
Qualidades Tisalê, Xoroquê, Ogunjá, Onirê, Alagbede, Omini, Wari, Erotondo, Akoro Onigbe.


ATRIBUIÇÕES

Todo Ogum é aplicador natural da Lei e todos agem com a mesma inflexibilidade, rigidez e firmeza, pois não se permitem uma conduta alternativa.

Onde estiver um Ogum, lá estarão os olhos da Lei, mesmo que seja um “caboclo” de Ogum, avesso às condutas liberais dos freqüentadores das tendas de Umbanda, sempre atento ao desenrolar dos trabalhos realizados, tanto pelos médiuns quanto pelos espíritos incorporadores.

Dizemos que Ogum é, em si mesmo, os atentos olhos da Lei, sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado.

AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OGUM

Não é difícil reconhecer um filho de Ogum. Tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, aonde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto. São conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, conseqüentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina, tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande.

Os filhos de Ogum custam a perdoar as ofensas dos outros. Não são muito exigentes na comida, no vestir, nem tão pouco na moradia, com raras exceções. São amigos camaradas, porém estão sempre envolvidos com demandas. Divertidos, despertam sempre interesse nas mulheres, tem seguidos relacionamentos sexuais, e não se fixam muito a uma só pessoa até realmente encontrarem seu grande amor.

São pessoas determinadas e com vigor e espírito de competição. Mostram-se líderes natos e com coragem para enfrentar qualquer missão, mas são francos e, às vezes, rudes ao impor sua vontade e idéias. Arrependem-se quando vêem que erraram, assim, tornam-se abertos a novas idéias e opiniões, desde que sejam coerentes e precisas.

As pessoas de Ogum são práticas e inquietas, nunca “falam por trás” de alguém, não gostam de traição, dissimulação ou injustiça com os mais fracos.

Nenhum filho de Ogum nasce equilibrado. Seu temperamento, difícil e rebelde, o torna, desde a infância, quase um desajustado. Entretanto, como não depende de ninguém para vencer suas dificuldades, com o crescimento vai se libertando e acomodando-se às suas necessidades. Quando os filhos de Ogum conseguem equilibrar seu gênio impulsivo com sua garra, a vida lhe fica bem mais fácil. Se ele conseguisse esperar ao menos 24 hs. para decidir, evitaria muitos revezes, muito embora, por mais incrível que pareça, são calculistas e estrategistas. Contar até 10 antes de deixar explodir sua zanga, também lhe evitaria muitos remorsos. Seu maior defeito é o gênio impulsivo e sua maior qualidade é que sempre, seja pelo caminho que for, será sempre um Vencedor.

A sua impaciência é marcante. Tem decisões precipitadas. Inicia tudo sem se preocupar como vai terminar e nem quando. Está sempre em busca do considerado o impossível. Ama o desafio. Não recusa luta e quanto maior o obstáculo mais desperta a garra para ultrapassá-lo. Como os soldados que conquistavam cidades e depois a largavam para seguir em novas conquistas, os filhos de Ogum perseguem tenazmente um objetivo: quando o atinge, imediatamente o larga e parte em procura de outro. É insaciável em suas próprias conquistas. Não admite a injustiça e costuma proteger os mais fracos, assumindo integralmente a situação daquele que quer proteger. Sabe mandar sem nenhum constrangimento e ao mesmo tempo sabe ser mandado, desde que não seja desrespeitado. Adapta-se facilmente em qualquer lugar. Come para viver, não fazendo questão da qualidade ou paladar da comida. Por ser Ogum o Orixá do Ferro e do Fogo seu filho gosta muito de armas, facas, espadas e das coisas feitas em ferro ou latão. É franco, muitas vezes até com assustadora agressividade. Não faz rodeio para dizer as coisas. Não admite a fraqueza e a falta de garra.

Têm um grave conceito de honra, sendo incapazes de perdoar as ofensas sérias de que são vítimas. São desgarrados materialmente de qualquer coisa, pessoas curiosas e resistentes, tendo grande capacidade de se concentrar num objetivo a ser conquistado, persistentes, extraordinária coragem, franqueza absoluta chegando à arrogância. Quando não estão presos a acessos de raiva, são grandes amigos e companheiros para todas as horas.

É pessoa de tipo esguio e procura sempre manter-se bem fisicamente. Adora o esporte e está sempre agitado e em movimento, tendem a ser musculosos e atléticos, principalmente na juventude, tendo grande energia nervosa que necessita ser descarregadas em qualquer atividade que não implique em desgastes físicos.

Sua vida amorosa tende a ser muito variada, sem grandes ligações perenes, mas sim superficiais e rápidas.


COZINHA RITUALÍSTICA

CARÁ COM DENDÊ E MEL

Lave um inhame em sete águas (sete vezes), depois coloque numa gamela de madeira ou alguidar. Com uma faca (obé), bem afiado, corte-o na vertical. Na banda do lado esquerdo se passa dendê e na do lado direito mel.

PALITEIRO DE OGUM

Cozinhe um Cará com casca e tudo. Coloque numa gamela de madeira ou alguidar. Espete palitos de Mariô por toda a superfície. Pode regar com dendê ou mel.

FEIJÃO MULATINHO

Cozinhe o feijão mulatinho (ou cavalo) e tempere-o com cebola refogada no dendê, coloque em um alguidar e enfeite com 7 camarões fritos no dendê.


LENDAS DE OGUM

COMO OGUM VIROU ORIXÁ

Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ele trazia sempre um rico espólio em suas expedições, além de numerosos escravos. Todos estes bens conquistados, ele entregava a Odúduá, seu pai, rei de Ifé.

Ogum continuou suas guerras. Durante uma delas, ele tomou Irê e matou o rei, Onirê e o substituiu pelo próprio filho, conservando para si o título de Rei. Ele é saudado como Ogum Onirê! – “Ogum Rei de Irê!”

Entretanto, ele foi autorizado a usar apenas uma pequena coroa, “akorô”. Daí ser chamado, também, de Ogum Alakorô – “Ogum dono da pequena coroa”.

Após instalar seu filho no trono de Irê, Ogum voltou a guerrear por muitos anos. Quando voltou a Irê, após longa ausência, ele não reconheceu o lugar. Por infelicidade, no dia de sua chegada, celebrava-se uma cerimônia, na qual todo mundo devia guardar silêncio completo. Ogum tinha fome e sede. Ele viu as jarras de vinho de palma, mas não sabia que elas estavam vazias. O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo. Ogum, cuja paciência é curta, encolerizou-se. Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas. A cerimônia tendo acabado, apareceu, finalmente, o filho de Ogum e ofereceu-lhe seus pratos prediletos: caracóis e feijão, regados com dendê, tudo acompanhado de muito vinho de palma. Ogum, arrependido e calmo, lamentou seus atos de violência, e disse que já vivera bastante, que viera agora o tempo de repousar. Ele baixou, então, sua espada e desapareceu sob a terra. Ogum tornara-se um Orixá.

LENDA DE OGUM XOROQUÊ

Uma vez ao voltar de uma caçada não encontrou vinho de palma (ele devia estar com muita sede), e zangou-se de tal maneira que irado subiu a um monte ou montanha e Xoroquê (gritou Ferozmente ou cortou cruelmente do alto da montanha ou monte), cobrindo-se de sangue e fogo e vestiu-se somente com o mariwo, esse Ogum furioso chamado agora de Xoroquê, foi para longe para outros reinos, para as terras dos Ibos, para o Daomé, ate para o lado dos Ashantis, sempre furioso, Guerreando, lutando, invadindo e conquistando. Com um comportamento raivoso que muitos chegaram a pensar tratar-se de Exu zangado por não ter recebido suas oferendas ou que ele tivesse se transformado num Exu (talvez seja por isso que chegue a ser tratado como sendo metade exu por muitos do candomblé). Antes que ele chegasse a Ire, um Oluwo que vivia lá recomendou aos habitantes que oferecessem a Xoroquê, um Aja (cachorro), Exu (inhame), e muito vinho de palma, também recomendou que, com o corpo prostrado ao chão, em sinal de respeito recitassem o seus orikis, e tocadores tocassem em seu louvor. Sendo assim todos fizeram o que lhes havia sido recomendado só que o Rei não seguiu os conselho, e quando Xoroquê chegou foi logo matando o Rei, e antes que ele matasse a população Eles fizeram o recomendado e acalmaram Xoroquê, que se acalmou e se proclamou Rei de Ire sendo assim toda vez que Xoroquê se zanga ele sai para o mundo para guerrear e descontar sua ira chegando ate a ser considerado um Exu e quando retorna a Ire volta a sua característica de Ogum guerreiro e vitorioso Rei de Ire.

OGUM DÁ AO HOMEM O SEGREDO DO FERRO

Na Terra criada por Oxalá, em Ifé, os Orixás e os seres humanos trabalhavam e viviam em igualdade. Todos caçavam e plantavam usando frágeis instrumentos feitos de madeira, pedra ou metal mole. Por isso o trabalho exigia grande esforço. Com o aumento da população de Ifé, a comida andava escassa. Era necessário plantar uma área maior. Os Orixás então se reuniram para decidir como fariam para remover as árvores do terreno e aumentar a área de lavoura. Ossãe, o Orixá da medicina, dispôs-se a ir primeiro e limpar o terreno. Mas seu facão era de metal mole e ele não foi bem sucedido. Do mesmo modo que Ossãe, todos os outros Orixás tentaram, um por um, e fracassaram na tarefa de limpar o terreno para o plantio. Ogum, que conhecia o segredo do ferro, não tinha dito nada até então. Quando todos os outros Orixás tinham fracassado, Ogum pegou seu facão, de ferro, foi até a mata e limpou o terreno. Os Orixás, admirados, perguntaram a Ogum de que material era feito tão resistente facão. Ogum respondeu que era o ferro, um segredo recebido de Orunmilá. Os Orixás invejaram Ogum pelos benefícios que o ferro trazia, não só à agricultura, como à caça e até mesmo à guerra.

Por muito tempo os Orixás importunaram Ogum para saber do segredo do ferro, mas ele mantinha o segredo só para si. Os Orixás decidiram então oferecer-lhe o reinado em troca do que ele lhes ensinasse tudo sobre aquele metal tão resistente. Ogum aceitou a proposta. Os humanos também vieram a Ogum pedir-lhe o conhecimento do ferro. E Ogum lhes deu o conhecimento da forja, até o dia em que todo caçador e todo guerreiro tiveram sua lança de ferro. Mas, apesar de Ogum ter aceitado o comendo dos Orixás, antes de mais nada ele era um caçador. Certa ocasião, saiu para caçar e passou muitos dias fora numa difícil temporada. Quando voltou da mata, estava sujo e maltrapilho. Os Orixás não gostaram de ver seu líder naquele estado. Eles o desprezaram e decidiram destituí-lo do reinado. Ogum se decepcionou com os Orixás, pois, quando precisaram dele para o segredo da forja, eles o fizeram rei e agora dizem que não era digno de governá-los. Então Ogum banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeira desfiadas, pegou suas armas e partiu.
Num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da arvore de Acoco e lá permaneceu. Os humanos que receberam de Ogum o segredo do ferro não o esqueceram. Todo mês de dezembro, celebravam a festa de Uidê Ogum. Caçadores, guerreiros, ferreiros e muitos outros fazem sacrifícios em memória de Ogum. Ogum é o senhor do ferro para sempre.

OGUM LIVRA UM POBRE DE SEUS EXPLORADORES

Um pobre homem peregrinava por toda parte, trabalhando ora numa, ora noutra plantação. Mas os donos da terra sempre o despediam e se apoderavam de tudo o que ele construía. Um dia esse homem foi a um babalawo, que o mandou fazer um ebó na mata. Ele juntou o material e foi fazer o despacho, mas acabou fazendo tal barulho que Ogum, foi ver o que ocorria. O homem, então, deu-se conta da presença de Ogum e caiu a seus pés, implorando seu perdão por invadir a mata. Ofereceu-lhe todas as coisas boas que ali estavam. Ogum aceitou e satisfez-se com o ebó. Depois conversou com o peregrino, que lhe contou por que estava naquele lugar proibido. Falou-lhe de todos os seus infortúnios. Ogum mandou que ele desfiasse folhas de dendezeiro (mariwo), e as colocasse nas portas das casas de seus amigos, marcando assim cada casa a ser respeitada, pois naquela noite Ogum destruiria a cidade de onde vinha o peregrino. Seria destruído até o chão. E assim se fez. Ogum destruiu tudo, menos as casas protegidas pelo mariwo.

OGUM CHAMA A MORTE PARA AJUDA-LO NUMA APOSTA COM XANGÔ

Ogum e Xangô nunca se reconciliaram. Vez por outra digladiavam-se nas mais absurdas querelas. Por pura satisfação do espírito belicoso dos dois. Eram, os dois, magníficos guerreiros. Certa vez Ogum propôs a Xangô uma trégua em suas lutas, pelo menos até que a próxima lua chegasse. Xangô fez alguns gracejos, Ogum revidou, mas decidiram-se por uma aposta, continuando assim sua disputa permanente. Ogum propôs que ambos fossem a praia e recolhessem o maior número de búzios que conseguissem. Quem juntasse mais, ganharia. e quem perdesse daria ao vencedor o fruto da coleta. Puseram-se de acordo.

Ogum deixou Xangô e seguiu para a casa de Iansã, solicitando-lhe que pedisse a Iku (a morte) que fosse à praia no horário que tinha combinado com Xangô. Na manhã seguinte, Ogum e Xangô apresentaram-se na praia e imediatamente o enfrentamento começou. Cada um ia pegando os búzios que achava. Xangô cantarolava sotaques jocosos contra Ogum. Ogum, calado, continuava a coleta. O que Xangô não percebeu foi a aproximação de Iku. Ao erguer os olhos, o guerreiro deparou com a morte, que riu de seu espanto. Xangô soltou o saco da coleta, fugindo amedrontado e escondendo-se de Iku. À noite Ogum procurou Xangô, mostrando seu espólio. Xangô, envergonhado, abaixou a cabeça e entregou ao guerreiro o fruto de sua coleta.

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