POVO DE ARUANDA

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VOVOZINHOS E VOVOZINHAS

Posted by Administrador em maio 13, 2014


 

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Em sua missão de nos confortar, ensinar, proteger, que Sua Luz brilhe cada vez mais, que Sua elevação os conduza às mais altas Esferas Estelares.

Somos tão gratos por seu carinho, seu abraço apertado, sua risada sincera…Pelos puxões de orelha, pelas orientações certeiras, por este amor desvelado…

Meu bom Preto-velho, minha boa Preta Velha, quanta generosidade a nos ensinar, vindo aqui nesta ambiência pesada, quando já adquiriram a leveza do desprendimento, já pagaram cada centil moral de dívidas cármicas, já ultrapassaram as fronteiras reencarnatórias, e aqui chegam porque ainda não conseguimos andar sozinhos, e bondosamente acorrem em nosso auxílio.pva

O sofrimento atroz da escravidão não lhes tirou a brandura, a fé, a compaixão. Pelo contrário, burilou mais e mais seu poder de superação, mas também fortaleceu seus princípios de retidão e respeito ao próximo, os princípios de certo e errado, as atitudes de lisura em todos os momentos.

Suas palavras meigas trazem muitas vezes a direção para nossos pensamentos turvos, nunca nos impondo nada, mas apenas sugerindo os melhores caminhos.

Da mesma forma singela, desfazem as demandas, descarregam as imantações deletérias, neutraliza a perfídia e maus pensamentos, e só com um toque nos traz a sensação de quietude, de serenidade, de Paz.
Nossos problemas devem ser resolvidos por nós mesmos, mas com um olhar seu, Vovô e Vovó queridos, tudo parece mais fácil, conseguimos ter mais alento para prosseguir.

Que sejamos dignos de perceber sua branda presença, e escutar seus sábios conselhos em nosso dia a dia, aprendendo esta arte de buscar a prata da pureza, as pedras preciosas da solidariedade e o ouro do Amor sem fronteiras.

Obrigada Vovôzinho e Vovózinha da Umbanda, obrigada por trazer sua Luz e sua Sabedoria até nós. Que o Pai Oxalá esteja convosco em todo e qualquer lugar, e que Zambi os mantenha sob Sua Proteção por todos os caminhos!
Saravá Pretos Velhos da Umbanda, Saravá Yorimá Abençoado!
Adorei as Almas!!!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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PARABÉNS BRASIL! PARABÉNS, UMBANDA!

Posted by Administrador em novembro 15, 2013



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O Dia Nacional da UMBANDA poderia ser em um 13 de Maio, consagrado aos Pretos Velhos, ou 22 de Novembro, dia de Araribóia, mas foi 15 de Novembro a data escolhida.

Pois foi quando, em 1908, manifestou-se plenamente em terra, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, trazendo a mensagem que nascia uma nova religião, cujos caminhos haviam sido longa e àrduamente traçados na Espiritualidade, e que a partir dali iria orientar, confortar, curar, mudar a vida dos homens, convocando-o ao trabalho na seara espiritual com a verdadeira Caridade e o Verdadeiro Amor no Coração.

Todo umbandista sabe que em 15 de Novembro, Zélio, doente, foi levado à Federação Espírita de Niterói, onde manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas, ainda sem revelar seu nome, dizendo que no dia seguinte estaria trazendo uma nova religião.

São as palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas:

“Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados. O vidente retrucou: “Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto” ? perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse: “cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei”.

Quinze de Novembro, também comemora a data do início de nossa República. Para muitos pode ser apenas mais um feriado prolongado, mas é necessário uma reflexão que a República teve seu berço na Grécia antiga, e seu significado nos dias de hoje ensina a LIBERDADE.

Será que todos sabem o que é REPÚBLICA, o que é LIBERDADE? Antes de tudo, a garantia de um ser humano viver dignamente.

Há uma lógica que devemos buscar, temos de ter olhos para ver em cada passo e em cada detalhe que a Espiritualidade nos traz. A Umbanda concretiza que todos somos iguais perante Zambi, e quem vem nos ajudar, vem nas vestes espirituais dos mais discriminados, os pretos velhos, o caboclos, seguidos da pureza das crianças. A estes agregaram-se os boiadeiros, os marinheiros, os ciganos o povo do Oriente, os Exus de Lei e coroados, e muitos outros.

À medida que Portais foram se abrindo, Orixás muito antigos foram se manifestando. A Umbanda que estudamos e conhecemos, trabalha no Astral com as Sete Linhas, e sabemos que verdade alguma é absoluta, nem a nossa, nem a de ninguém.

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Hoje é um dia para festejarmos a nossa República. Há repúblicas socialistas, comunistas, democratas. Precisam de um Presidente ou Parlamento e uma Constituição, que deveria ser conhecida e adotada por todos. Nós, brasileiros, estamos vivendo e respirando uma Democracia como nunca antes vista, e devemos estar felizes por isso.
A República no Brasil hoje é Federativa, dividida nos diferentes Estados, assim como existe nossa abençoada diversidade. Onde nossa Constituição Federal no artigo 5º, VI, assegura ser inviolável a LIBERDADE de ciência e consciência, assegurando ao LIVRE exercício da Lei, a proteção aos locais de culto e liturgia.

Somos ainda um país LAICO, onde para garantir a Liberdade de todos e a Liberdade de cada um, a Laicidade distingue e separa o Domínio Público , onde se exerce a Cidadania, e o Domínio Privado, onde se exercem as liberdades individuais (de pensamento, de consciência , de convicção) e onde coexistem as diferenças (biológicas, sociais, culturais). Pertencendo a todos, o espaço público é indivisível, e nenhum cidadão ou grupo de cidadãos deve impor as suas convicções aos outros.

Ao mesmo tempo, no Estado (Governo) Laico, proíbe-se intervir nas formas de organização coletivas (partidos, igrejas, associações, etc.), as quais qualquer cidadão pode aderir e que relevam mo direito privado.

A casa física, em Neves, São Gonçalo, residência do médium Zélio de Moraes, a qual foi palco único no mundo, de um dos maiores avanços da Humanidade, apagou-se do cenário recentemente. Não sobreviveu para comemorar os 105 (cento e cinco) anos de existência.

Para quem percebe as raízes plantadas nos corações e os laços com as origens da Umbanda, permanece sintonizado no caminho luminoso até Aruanda, caminho este iluminado pelos constantes e inúmeros atos de Amor e Caridade que seus emissários incansavelmente irradiam. Estes percebem que a Anunciação do Caboclo das Sete Encruzilhadas bastou, como bastou a vinda única do Mestre Jesus há milênios atrás.

Muitos ficam sempre evocando e sonhando com a vinda de mais e mais Mestres e Avatares, a volta do Mestre Jesus, e outros mestres. Quantos mais seriam necessários para enfim, estes que esperam, façam nascer a FÉ em seus corações?

O Mestre Jesus era severo com os ímpios e muito chorou porque não acreditavam ou entendiam na Sua Verdade, que é a Verdade Cósmica, Universal. Seus ensinamentos são os mesmos que muitos antes e depois DELE, os que se iluminaram, proclamavam. O que é preciso mais ???!!!!

A Umbanda não é Religião apenas, é CAMINHO. E um Caminho Luminoso, que não precisa de ostentação ou afirmação. Ela lá está, para os que têm olhos de ver, coragem para largar as vestes velhas e segui-la.

O Caboclo das Sete Encruzilhadas foi um emissário, tal qual os Anjos das antigas escrituras. Muito de acordo com nossas origens, veio como um nativo de nossa Pátria. Ele sabia muito bem o que estava fazendo, como tudo na Espiritualidade. O importante está muito além das palavras. Ele estava ciente do momento certo, das palavras certas, das pessoas que ali estavam, como até hoje é assim com as coisas do Astral Maior.

SALVE A LUZ DIVINA!
SALVE O CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS!
SALVE TODAS AS LINHAS DA UMBANDA!
SALVE ZÉLIO DE MORAES!
SALVE NOSSO MESTRE JESUS!
SALVE ZAMBI!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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SALVE O DIA 13 DE MAIO !

Posted by Administrador em maio 13, 2013


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Os mares ainda estão cheios dos cânticos e lamentos de dias tenebrosos. A Calunga Grande foi a última morada que acolheu milhares de irmãos em Humanidade, quando no corpo físico com a veste carnal africana, que significava prova, resgate, o mais pesado tributo sobre a alma humana, a perda da Liberdade.

Os navios negreiros ainda vagueiam como fantasmas, singrando os mares, mas os espíritos que lhes habitavam há muito estão em novas moradas. Estão no Astral Superior, pois foram agraciados por sua coragem, resistência, resignação, sabedoria. Lhes foi permitido habitar em Aruanda e levar sua Magia, sua Maestria com as ervas, sua fala cadenciada e principalmente , manifestar-se entre nós para nos trazer suas palavras de carinho, Fé, aconselhamento, alertas, nos protegendo, nos amparando, nos sustentando nos vendavais da existência.

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Pretos e Pretas velhos, trazendo-nos raízes da Angola, Congo, Guiné, vindo em seus passos cadenciados com seus banquinhos, tocos, cachimbos, patuás, velas, cruzes, suas baforadas, sua risada tranquila, como toda a tranquilidade ensinada quando está presente.

Misturam o Amor e a Alegria, às lagrimas de seu último sofrimento na Terra. Recordam-se como ninguém do que o homem é capaz, e lutam para que não haja mais escravidão no coração de ninguém, sempre prontos a ensinar e aconselhar.

Desmancham toda e qualquer demanda, estão ao nosso lado, seja para o que for, se alegram conosco em nossas vitórias, se entristecem quando não conseguimos êxito, mas sempre estão prontos a nos abraçar e acalentar. Quando seus filhos estão muito atarantados, dão broncas e alertas, deixam claro quando há erro e desvio de conduta moral. Mas também avisam se há algo com quem se precaver, em relação a determinado fato, ou pessoa.

Surgem diante nossos olhos espirituais, tão logo pedimos seu auxílio com sinceridade e Fé no coração, e nunca nos deixam sem depositar na alma uma palavra de alento e esclarecimento, não permitindo que caiamos novamente nos abismos da incerteza e dor. Sua presença amiga nos facilita a confidência, a palavra sofrida, permite expressarmos nossa angústia e dor

Queridos pretos e pretas velhos, Saravá à Sua Banda. Que as Sete Linhas Poderosas da Umbanda lhe deem muita Luz, Harmonia, Força e Paz e que prossigam, iluminando os filhos de Fé, que tanto necessitam de suas palavras, seu alento e proteção. Que possamos aprender convosco, o segredo da magia da transmutação do fel da Tristeza e Mágoa, no Ouro da Alegria, Suavidade e Puro Amor.

Salve o seu dia, Salve a Misericórdia Divina, manifesta através da Sua Luz!

Adorei as Almas!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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A SUAVE LUZ DO TERREIRO DE UMBANDA

Posted by Administrador em outubro 26, 2012


Soa a campainha três vezes, chamando os médiuns. É hora de mais um encontro sagrado com os Orixás.

Encaminhando-se lentamente em direção ao terreiro, já se sente o aroma das ervas queimadas, e os cânticos de quem vai cruzando o templo com os defumadores.

Cada um vai se concentrando, guias de variadas cores na mão, já sentindo as vibrações no plexo esplênico, sintonizando-se com as vibrações das entidades protetoras da casa. Os atabaques começam a tocar, e cada um passa cantando pelo defumador na entrada, sensação boa de irmandade com aqueles que defumam cada filho de santo e depois toda a assistência, preparando para mais uma noite de trabalhos espirituais.

Ao pisar no espaço abençoado, o pensamento de cumprir mais uma missão, permeando todo o corpo com os fluidos magnéticos que impregnam o ambiente, e que circulam sob as batidas persistentes, sob as vozes uníssonas.

Chega-se ao congá, pedindo proteção aos chefes espirituais, às entidades que participam das egrégoras do terreiro, e em muda prece, faz-se a oração de alma, pedindo proteção por mais esta noite, batendo cabeça para cada orixá ali presente e sobretudo, á Oxalá, que através da imagem ali presente, parece olhar cada um, enchendo de ânimo, Amor e Fé.

Enfim, o médium conseguiu ali chegar, lutando contra o cansaço, a fome, os percalços do dia, seus problemas pessoais, seus embate e vivências. Conseguiu combater o desânimo, a preguiça, e toda uma série de contratempos que parecem lhe afastar da meta. Mas ali está, nada mais importa, agora é o tempo dos caboclos, dos pretos velhos, e de todas as falanges que lhes seguem, compondo o círculo sagrado das emanações da Luz Divina.

Ao início dos trabalhos, sempre cantando, o corpo acordando para as danças ancestrais, pede-se proteção ao anjo da guarda na missão abençoada, e todos se prostram para mais uma gira, reverenciando humildemente todas as evocações do chefe espiritual da casa, já incorporado no Babalorixá, comandando com a firmeza de sempre, mostrando sua Força ao manter tudo na mais perfeita harmonia, mesmo entre tantas emanações que reverberam em toda parte, incluindo a assistência, de onde vem angústias, dores e empecilhos.

Os caboclos chegam girando, cortando as demandas, quebrando grilhões com seus gritos, que cortam o ar, em mais vibrações que são como raios que dispersam toda dor, toda aflição.

Desfilam os caboclos de Oxóssi, trazendo o frescor das matas, o Prana vital da Natureza. Os caboclos de Ogum perfilam-se em harmonia, guerreiros incansáveis da Paz. E os atabaques contam as façanhas de Xangô, e o terreiro se enche de caboclos que trazem das pedreiras a Magia, a Luz, a energia que tudo equilibra.

A gira prossegue, e agora são os pretos velhos que se aproximam, com seu passo lento e olhar sereno, procuram seus cavalos, seus banquinhos, seus cachimbos, pembas e mandingas, e começam suas consultas. Sem pressa alguma, acolhem cada filho, lhes dão passes, e palavras de alento. Aconselham, contam histórias, trabalham com seus cambones, de maneira calma e ininterrupta, dando assistência a todo e qualquer apelo, corrigindo os pensamentos sem uma palavra rude, mostrando os caminhos, sem interferir nos arbítrios, ao mesmo tempo que em silêncio, vão limpando as auras, curando dores, atuando muito mais do que falam, pois são os mais sábios.

A madrugada se aproxima, é preciso terminar os trabalhos. Vão-se os pretos velhos em suas manifestações, para se colocarem ao lado de seus médiuns, junto de todos os outros guias espirituais.

Todos se ajoelham novamente, agradecem por mais uma oportunidade de trabalho edificante, cada um com seus próprios anseios apaziguados. Além do cansaço físico, sentem-se renovados em energia, pois o maior alimento é a Caridade prestada.

As luzes voltam a clarear com força, trazendo cada um ao plano terreno. É o momento de todos se confraternizarem com abraços e sorrisos, enquanto se reúnem mais uma vez, para bater a cabeça diante o congá, imantado das poderosas forças que lhe habitam. Cada um cumprimenta o Babalorixá e prepara-se para a volta para casa. Muitos, levarão horas para chegarem em seus destinos.

E,enquanto isso, no terreiro, nesse momento iluminado apenas com as luzes das velas, ainda ficará muitas horas fervilhando com a espiritualidade ali presente, até que todos os pedidos sejam auxiliados, todos os nós desatados, todas as demandas desmanchadas.

Suave Luz do terreiro de Umbanda, que permanece mostrando a presença da Senhora Velada, a infinita Sabedoria traduzida em Paz, Amor, Perdão, Serenidade e Equilíbrio, a verdadeira Jornada.

Salve Umbanda querida! Salve Orixás Benditos! Que sua Luz sempre brilhe sobre nós, que estamos na Busca.! Obrigado pelos caminhos, obrigado pelas lições, obrigado por ter-nos permitido vê-la, e em ti vivê-la!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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SALVE OS PRETOS VELHOS DE ARUANDA! ADOREI AS ALMAS!

Posted by Administrador em maio 13, 2012


Preto Velho vem chegando, vem chegando o Preto Velho! Ele é africano, ele é africano! Vem de Congo, vem de Angola,vem lá da Costa, vem de Guiné, vem da Bahia também, vem de todo lugar!

Preto Velho vem chegando,vem chegando de mansinho, corta o ar e corta a terra, vem com sua mironga cortar!

Preto Velho vem chegando, chegando pelas Sete Linhas, ele anda com Ogum, anda com Oxóssi, anda com Xangô. Ele vem com as Iabás, e ele vem com Seu Omulu. Ele chega com as Almas, vem com Almas, Almas Benditas, ele vem trazendo seu pito, sua pemba e seu o rosário, vem com sua reza santa, distribuindo a sua Luz!

Preto Velho vem das matas, das matas de Aruanda ele vem, Preto Velho vem pelo mar, Salve o Velho Beira-Mar!

Salve Pai Benedito, Pai Antônio, Pai José. Salve Pai Joaquim, Pai Cipriano e Pai Serafim! Salve Vovó Catarina, Vovó Conga e Vovó Cambinda. Salve Vovó Maria Redonda, Vovó Maria e a Vovó Joana!

Preto Velho vem chegando, derramando suas Bençãos, nos liberta das correntes, perfumando seu congá. Vem soltando sua fumaça, desenhando os seus pontos, vai cruzando os seus filhos, desmanchando as demandas!

Preto Velho é Protetor, é Professor e Contador, suas histórias embelezam o terreiro, terreiro de Nosso Senhor! A gente se ajoelha, Preto Velho, a gente agradece, pelo seu dia e todo dia, a gente nunca esquece sua prece!

A gente só agradece, tanta benção, tanta bondade! Faça chuva, faça tempestade, Preto Velho vem trabalhar. A gente só pede maleime, pois merece muito mais, mas essa singela homenagem, vem de seus filhos de Paz!

Adorei as Almas!

Salve os Pretos Velhos de Aruanda! Salve a Umbanda de Luz!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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SALVE A JUREMA SAGRADA!

Posted by Administrador em outubro 8, 2010


(O culto da Jurema na Paraíba)


Marinaldo José da Silva e Maria Ignez Novais Ayala
– Universidade Federal da Paraíba


Seu Zé de Nana meu nêgo
Você não é camarada
No meio de tanta moça
Roubou minha namorada

O que é que eu faço da vida
Par Paraíba eu não vou
A namorada que eu tinha
Seu Zé de Nana roubou



“Salve a Jurema Sagrada, salve eu, salve vói, salve minha tronqueira e salve minha cachaça, salve meu cachimbo e salve minhas encruza! E quem pode mais do que Deus? Só Deus e mais ninguém, né nêgo? Agora me daí meu chapéu, meu cachimbo e minha cachaça par eu molhar a guela e dançar aquele coco com uma nêga bem boa!”


O pau pendeu não caiu
Zé de Nana chegou
E ninguém viu

É característico dos Mestres juremeiros quando chegam em terra saudarem a Jurema Sagrada, a sua tronqueria1, e tudo que a eles pertence e a Deus. E pedem para cantar o seu ponto, que pode ser um coco ou não.

No universo da literatura oral, a própria criação se nutre da imaginação que se ancora na realidade daqueles que fazem da cultura popular uma circundante poética onde transitam mitos, narrativas, religiões e vários costumes afro-brasileiros. São evidentes as marcas da diáspora negra nessas variações populares, cabendo à Jurema e ao coco, elementos de estudo deste trabalho, a contemplação do afro-brasileiro-mágico-religioso, considerados fazedores de cultura. É no sentido de “trânsito” entre as atividades diversas pertencentes ao mundo da oralidade que nos propusemos a mostrar os vários pontos em comum da Jurema Sagrada e do coco de roda.

O caráter religioso desta dança tem despertado nossa atenção, levando-nos, inicialmente, a reunir os cocos que se referem a santos católicos e às práticas do catolicismo popular. Recentemente, em meio a uma das religiões brasileiras, que tem muitos adeptos na Paraíba – a Jurema Sagrada ” encontramos vários cocos, que aparecem como pontos de gira. A Jurema Sagrada é um dos vários cultos com fortes marcas indígenas que se mesclam com traços do catolicismo popular, do espiritismo e das religiões negras do Brasil ” candomblé e Umbanda.

Difícil dizer hoje a origem ou o que predomina nesse culto afro-brasileiro, fundamentado em ervas, raízes e casacas de árvore usadas com função mágica para acura ou para afastar males e recuperar as energias dos fiéis e de todos aqueles que procuram o auxílio dos Mestres juremeiros. Muitas vezes essas ervas são utilizadas em forma de fumo, que serve para a defumação da casa, e de amaci, fusão de ervas que serve para o batismo do iniciado na Jurema, além da semente e do vinho extraído da árvore sagrada num sentido mágico-religioso.

Nos estudos que compõem a bibliografia sobre as religiões afro-brasileiras, são muitos os títulos dedicados ao candomblé, ao catimbó, ao xangô e à Umbanda; aparecem referências à Jurema como uma linha da Umbanda. O culto da Jurema era elemento principal do catimbó, conforme os estudos de Câmara Cascudo, Roger Bastide e Oneyda Alvarenga. Essa última publicou em 1949 Catimbó, a partir da bibliografia então existente e da farta documentação reunida em 1938, pela Missão de Pesquisas Folclóricas, da Discoteca Municipal de São Paulo, por meio da pesquisa de campo no Nordeste.

Na década de 30 houve grande perseguição policial aos catimbós e aos catimbozeiros, com prisões, fechamento, destruição das casas e apreensão de objetos utilizados no culto. Até hoje, os termos catimbó e catimbozeiro têm conotação pejorativa no Nordeste, comportando forte carga de preconceito.

Na Paraíba, atualmente, o culto da Jurema se encontra ajustado à Umbanda. Nas casas por nós visitadas, as cerimônias ocorrem no mesmo salão em que são desenvolvidos os cultos aos orixás da Umbanda, diferindo apenas os pejis e as camarinhas, ou em espaço contíguo, dedicado exclusivamente à Jurema.

Como linha da Umbanda ou como culto independente que se abriga no mesmo teto, mas que reconhece Alhandra como a cidade da Paraíba tida como local de onde se irradiou o ritual religioso, a Jurema tem muitos adeptos que ressaltam os poderes de cura dos Mestres juremeiros.

Além da cidade de Alhandra, existe a “cidade encantada de Tambaba”, local de muitos mistérios dos senhores Mestres encantados. Citando René Vandezande:

“A tradição diz unanimemente que no alto da praia de Tambaba houve uma Cidade da Jurema de igual nome, anos passados: porém, esta cidade foi “devorada” pelo mar, e de lá teria origem o culto que ainda hoje os juremeiros prestam ocasionalmente nesta praia. Una juremeiros que foram lá em nossa companhia demonstraram o máximo respeito para o lugar. Diversas vezes fomos a essa praia solitária, encontrando, cada vez, objetos de culto e velas. O barulho que as ondas produzem nas rochas de formas fantásticas é interpretado como a voz dos Mestres.” 2

E hoje Tambaba é uma praia de nudismo muito visitada pelos turistas.

Mestres são as entidades principais desse culto que aparecem nas sessões semanais das casas destinadas à Jurema e nas festas periódicas dedicadas a eles. São Exus, índios, caboclos, reis de iorubá, caboquinhas de pena, boiadeiros, baianas, pretos velhos, marinheiros, pescadores e também ciganas, Pomba-gira, Zé Pelintra, Maria Padilha e toda sua companhia. E como se não bastasse, a Cumade Fulozinha e a figura do cangaceiro, Também personagens das narrativas e contos populares, transitando na Jurema Sagrada. Segundo a fala de um dos depoentes umbandistas: “Cumade Fulozinha é uma identidade muito perigosa: ela tanto trabalha pro bem, como trabalha pro mal.”

Todos animadíssimos com seus pontos cantados e com o som dos elus, gaitas e maracás, a cachaça, o vinho da Jurema e a fumaça dos cachimbos de Jurema ou de angico, de um ou de sete canudos de fumaça (e em raros casos de charutos), constantemente fumados ao contrário, com o lado da brasa dentro da boca.

A Jurema tem vários tipos de ritual: Jurema de chão, Jurema traçada, Jurema de meia-noite armada.

A Jurema de chão é um ritual em que os juremeiros ficam sentados no chão em frente ao gongá (altar de Jurema) com imagens de Mestres , índios, pretos-velhos, caboclos e até mesmo Padre Cícero. A tronqueira do mestre da casa com um cachimbo de sete-fumaças, uma cumbuca com fumo de várias ervas: alecrim do campo, liamba, erva-doce, fumo-de-rolo, abre-caminho; e muitos cachimbos. Invocam as entidades para darem passes e fazerem consultas. Nessa sessão também são invocadas, sem obedecer a uma seqüência, todas as entidades ao mesmo tempo e pode Ter batuque dos elus (tambores) ou não. Há ponto cantado. A Jurema de meia-noite armada ocorre realmente à meia-noite, também no chão; é arriada no centro do terreiro a tronqueira do mestre da casa, que é responsável pela sessão; jarros com ervas da Jurema (pinhão roxo, comigo-ninguém-pode, pé da felicidade, aroeira), sete qualidades de cachaça, champanha, vinho tinto, vinho branco, cerveja, mel, uma garrafada de Jurema “preparada”, um cruzeiro de velas brancas, alguidares com frutas, três alguidares com fumos preparados (fumo de queda, fumo de descarrego e fumo de levanta), cachimbos cruzados, charutos e cigarros, palitos de fósforo cruzados, velas coloridas cruzadas e uma garrafa de plástico com Jurema para passar no corpo como descarrego.

Nessa Jurema não há elu, pois é apenas cantada para a realização de “trabalhos” em hora grande, horário especial dos Mestres fazerem as coisas funcionarem melhor, com mais força, pois só com o canto e a concentração no silêncio da madrugada fazem render resultados positivos, trabalhando com o que eles mais gostam: cachaça, cachimbo e os cocos ” daqui e de lá do outro mundo.


Mas eu pisei na rama
A rama estremeceu
Não beba dessa água, oi morena
Quem bebeu morreu

Esse coco é meu
É da Paraíba
É de Catolé
É de macaíba

Meu avião de alumínio
Que voa de norte a sul
Mulher que rapa o cangote
Do céu não vê o azul

Ô Lili, minha Lili
A mulher que eu mais amava
Nas tranças dos seus cabelos
Aonde eu me balançava

Ganham sentido de pontos cantados, louvações e orações. Cocos que remetem a vários sentidos além do “sagrado” e da “brincadeira”, que se fundem independentemente de temas específicos para prenunciar a alegria e a força do trabalho na Jurema encantada.

Nos próprios pontos cantados de Jurema, podemos perceber vários elementos informativos do culto, encontrados em uma das Juremas da Torre:


Era uma mesa branca
Toda enfeitada de flores
E hoje é uma tenda de Jurema
De paz, de luz e de amor
(…)3

Zum, zum, zum ô Jurema
Vamo trabalhar ô Jurema
Desmanchar macumba ô Jurema
Catimbó e azar ô Jurema4

Jurema minha Jurema
Meu tesouro rico
E olha o tombo da Jurema
Que ela vale ouro
(…)5

A Jurema é minha madrinha
Jesus é o meu protetor
A Jurema é pau sagrado
Deu sombra a Nosso Senhor6


NA PANCADA DOS COCOS

Os instrumentos da Jurema são basicamente os mesmos da brincadeira do coco. Os instrumentos utilizados são todos de percussão. Na brincadeira é usado um zabumba e na Jurema um elu, tocado pelo ogã. Ambos são cobertos por um couro de bode, existindo uma pequena diferença no zabumba, que é coberto por dois couros: um couro de bode e outro de “boda”.

Nos rituais de Jurema, o mestre aceita qualquer batida do elu; o mais importante é o coco cantado, que tem força para “seus trabalho”, com sua cachaça e com suas namoradas. Ainda temos o ganzá, que está presente nas duas manifestações, muitas vezes improvisado com uma lata vazia, com pedrinhas ou sementes dentro. Maracás, espécie de chocalho, com som semelhante ao do ganzá, também fazem parte. O triângulo, instrumento apenas da Jurema tem o formato correspondente ao nome, feito artesanalmente, a partir de restos de ferros utilizados na construção civil, batido com um bastão do mesmo material. Também pode aparecer gaitas feitas de bambu, semelhantes a uma pequena flauta, como asa tocadas pelos participantes das tribos indígenas do carnaval.

Os pontos são acompanhados por palmas e batidas de pés. O espaço para o ritual tanto pode ser fechado (o interior dos terreiros), quanto aberto (a rua, a encruzilhada, o mato).

Os cocos cantados como pontos de Jurema foram encontrados em espaços abertos e fechados, nos diferentes tipos de ritual. Também encontramos o que parece ser ponto de Umbanda ou Jurema, cantado como coco em festas de São João nas ruas do bairro da Torre. Os limites da cultura popular são muito tênues.

No bairro da Torre, em João Pessoa (PB), são encontradas muitas casa de Umbanda e Jurema. O bairro também se caracteriza pela riqueza de manifestações populares, dentre as quais a malhação de Judas em várias ruas, palhoças e quadrilhas, cocos e cirandas, blocos de carnaval, tribos (o nome que se dá na Paraíba à dança conhecida como caboclinhos em Pernambuco), escolas de samba.

Em 1938, integrantes da MPF (Missão de Pesquisas Folclóricas), fizeram diferentes registros da cultuar popular na então Torrelândia: narrativas populares, sessões de catimbó, tribo dos índios africanos, barca.

Em vista desses argumentos mencionados, vimos através das manifestações populares afro-brasileiras, a presença de vários cocos de roda cantados como canto religioso no sentido de trânsito entre atividades diversas pertencentes ao grande universo da literatura oral.

E salve a Jurema Sagrada!


NOTAS

1. Parte de um tronco de Jurema aonde fica “assentado” o mestre. Morada do mestre.

2. VANDEZANDE, René. Catimbó. Pesquisa exploratória sobre uma forma de religião mediúnica. Recife: PIMES do IFCH da UFPE, 1975, p.44. Apud CABRAL, Elisa Maria. A Jurema Sagrada. João Pessoa: PPGS-UFPB, 1997, p.23-24.

3. Lembranças da mesa branca do espiritismo

4. Desfeitura de trabalhos pesados

5. Mistérios e encantos da Jurema

6. Sobre a árvore sagrada

DESCONHEÇO O AUTOR E AS FONTES PESQUISADAS

(Este texto foi baixado no e-mule)

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VIBRAÇÕES DE PRETO VELHO

Posted by Administrador em outubro 7, 2010


Quando falamos em Preto Velho, nos vem à mente quatro palavras básicas: calma, sabedoria, humildade e caridade.

Voltando no tempo, durante o período colonial brasileiro, as grandes potencias européias da época subjugaram e escravizaram negros vindos de diversas nações africanas, transformando-os em mercadorias, seres sem alma, apenas objetos de venda de trabalho.

Nesse mercado, os traficantes negreiros costumavam se utilizar de maneiras diversas para conseguir arrebanhar sua “mercadoria”: chegavam surpreendendo a todos na tribo, separavam, é claro, sempre os mais jovens e fortes. Costumavam buscar os negros nas regiões Oeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul da África. Trocavam por outras mercadorias, como espelhos, facas e bebidas, os que eram cativos oriundos de tribos vencidas em guerra e trazendo como escravos os que eram vencidos.

No Brasil, em principio os escravos negros chegaram pelo Nordeste; mais tarde, também pelo Rio de Janeiro. Os primeiros a chegarem foram os Bantos, Cabindos, Sudaneses, Iorubas, Minas e Malés.

Para a África, o trafico negreiro custou caro: em quatro séculos foram escravizados e mortos cerca de 75 MILHÕES de pessoas, basicamente a parte mais selecionada da população.

Esses negros, que foram brutalmente arrancados de sua terra, separados de suas famílias, passando por terríveis privações, trabalharam quase que ininterruptamente nas grandes fazendas de açúcar da colônia. O trabalho era tão árduo, que um negro escravo no Brasil não chegava a durar dez anos.

Em troca de tanto esforço, nada recebiam, a não serem trapos para se vestir e pão para comer, quando não eram terrivelmente açoitados nos troncos pelas tentativas de fuga e insubordinação aos senhores. Muitas vezes, reagiam a tudo suicidando-se, evitando a reprodução, matando feitores, capitães-do-mato e senhores de engenho.

O que restava ao negro africano escravo no Brasil era sua fé, e era em seus cultos que ela resistia, como um ritual de liberdade, protesto a reação contra a opressão do branco. As danças e cânticos eram a única forma que tinham para extravasar e aliviar a dor da escravidão.

Mas, apesar de toda a revolta, havia também os que se adaptavam mais facilmente à nova situação. Esses recebiam tratamento diferenciado e exerciam tarefas como reprodutores, caldeireiros ou carpinteiros. Também trabalhavam na Casa Grande, eram os chamados “escravos domésticos”. Outros, ainda, conquistavam a alforria através de seus senhores ou das leis (Sexagenário, Ventre Livre e Lei Áurea). Com isso, foram pouco a pouco conseguindo envelhecer e constituir seu culto aos Orixás e antepassados, tornando-se referencia para mais jovens, ensinando-lhes os costumes da Mãe África. Assim, através do sincretismo, conseguiram preservar sua cultura e religião.

ATUAÇÃO DOS PRETOS VELHOS

Esses são os Pretos Velhos da Umbanda, que em suas giras nos terreiros representam a força, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referencia para aqueles que os procuram, curando, ensinando e educando, aos encarnados e desencarnados necessitados de luz e de um caminho a trilhar.

Um Preto Velho representa a humildade, jamais demonstrando qualquer tipo de sentimento de vingança contra as atrocidades e humilhações sofridas no passado. Pretos Velhos ajudam a todos, independente de cor, sexo ou religião.

Em sua totalidade, não se pode afirmar que as entidades que se apresentam nas giras são os mesmos Pretos Velhos escravos. Muitos passaram por ciclos reencarnatórios e podem ter sido em suas vidas anteriores médicos ou filósofos, ricos ou pobres, e, para cumprir sua missão espiritual e ajudar aos necessitados, escolheram incorporar a forma de Pretos Velhos. Outros, nem negros foram, mas também escolheram essa forma de apresentação.(grifo nosso)

Muitos podem estar perguntando: “Mas então os Pretos Velhos não Pretos Velhos?”. A explicação é simples: todo espírito que já alcançou determinado grau de evolução tem a capacidade de descer sob qualquer forma passada, pois é energia pura, a forma é apenas uma conseqüência da missão que vem cumprir na Terra. Podem também, em locais diferentes, se apresentarem como médicos, Caboclos ou até Exu, depende do trabalho a que vêm realizar. Em alguns casos, se tiverem autorização, eles mesmos nos dizem quem são.

MENSAGENS DE PRETO VELHO

A principal cararacterística de um Preto Velho é a de conselheiro; para alguns, são como psicólogos, amigos e confidentes, para outros, são os que lutam contra o mal com suas mirongas, banhos de ervas, pontos riscados, sempre protegidos pelos Exus de Lei.

A figura de um Preto Velho representa a paciência e a calma que todos sempre devemos ter para evoluir espiritualmente, essa é a sua principal mensagem.

Certas pessoa costumam procurar um Preto Velho apenas para resolver problemas materiais, usando os trabalhos na Umbanda para beneficio próprio, esquecendo de ajudar ao próximo. Quanto a isso, esses maravilhosos Espíritos de Luz deixam sempre uma importante lição, a de que essas pessoas, preocupadas apenas consigo próprias, são escravas do próprio egoísmo, mas sempre procuram ajudá-las brincando de “pedir obrigações”. Mas em meio a essas pessoas, sempre haverá os que podem ser aproveitados, que em pouco tempo vestirão suas roupas brancas, descalçarão seus pés e farão parte dos trabalhos de caridade do terreiro. Essa é a sabedoria do Preto Velho, saber lapidar o que há de bom em cada um de nós.

Pretos Velhos levam a força de Zambi a todos que buscam aprender a encontrar sua fé, sem julgar ou colocar pecado em ninguém, mostrando que somente o amor a Deus, ao próximo e a si mesmo, poderá mudar sua vida e seu processo de ciclos reencarnatórios, aliviando os sofrimentos cármicos e elevando o espírito. Assim fortalecem a todos espiritualmente, aliviando o peso do fardo de cada um, e cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente, de acordo com a forma de encarar os acontecimentos de sua vida: “Cada um colhe o que plantou. Se plantares vento, colherás tempestade. Mas, se entender que lutando poderá transformar seu sofrimento em alegria, verá que deve tomar consciência de seu passado, aprendendo com os erros, galgando o crescimento e a felicidade futura. Nunca seja egoísta, sempre passe aos outros aquilo que aprende. Tudo que receber de graça, deverá dar também de graça. Só na fé, no amor e na caridade, poderá encontrar seu caminho interior, a luz e Deus” (Pai Cipriano)

APRESENTAÇÃO DA ENTIDADE

O termo “Velho, Vovô e Vovó, são usados para mostrar sua experiência, pois, quando pensamos em alguém mais velho, entendemos que este já viveu muito mais tempo do que nós, com coisas para nos passar e historias para nos contar através de sua longa experiência. No mundo espiritual isso é bastante parecido, e a característica da entidade Preto Velho é sempre o conselho.

Suas vestes são bem simples e não necessitam de muitos apetrechos para trabalhar, apenas da concentração e atenção de seu médium durante a consulta. Costumam usar cachimbo, lenços, toalhas e algumas vezes fumo de corda ou cigarro de palha.

Sua incorporação não necessita de dançar ou pular muito. A vibração começa com um “peso” nas costas, fazendo com que o médium incline o corpo para frente, sempre com os pés bem fixos no chão. Andam apenas para as saudações ao Atabaque, Conga e Babalorixá. Atendem sentados praticando sua caridade. Raras às vezes alguns mantêm-se em pé.

Sua simplicidade se manifesta em sua maneira de ser e de falar, sempre usando um vocabulário simples. A maneira carregada com que falam é para mostrar que são bastante antigos.

A Linha de Preto Velho possui suas características gerais, mas cada médium tem uma coroa diferente, determinando as diferenças entre os Pretos Velhos.

As diferenças ocorrem porque cada Preto Velho trabalha em nome de um Orixá, utilizando a essência de cada força da natureza em sua atividade. Essas diferenças são facilmente percebidas na forma de incorporação.

Retirado da Revista Espiritual de Umbanda (Edição Especial 1 Editora Escala)- Pesquisa e texto: Virgínia Rodrigues

Referencias Bibliográficas:

- Portal Guardiões da Luz
– Luz da Fraternidade
Revista USP nº 28 – As Religiões Negras do Brasil
– As Religiões Negras do Brasil

Grafite sobre papel de Lima Peres

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A RAÇA NEGRA E A OPINIÃO DE KARDEC

Posted by Administrador em julho 5, 2010


Afinal, as idéias colocadas em  O Livro dos Espíritos e na Revista Espírita são preconceituosas ou não?


Por Norberto Peixoto


Após o término de uma palestra, que sempre ocorre antes da sessão de caridade, nesta oportunidade o tema central sendo “A universalidade das manifestações espirituais”, me procura uma mulher da assistência, bastante triste, com os olhos marejados e me faz a seguinte pergunta:

- Por que os espíritas proíbem os pretos velhos de se manifestarem? Sinto a presença de uma mentora preta velha e não permitem a manifestação nos trabalhos mediúnicos, o que me deixa com uma tristeza e abafamento no peito. O que eu devo fazer?

Como ela, existem muitas pessoas passando pelo mesmo “abafamento”, sendo cerceadas de manifestarem mediunicamente as formas espirituais em conformidade com suas afinidades e compromissos cármicos evolutivos. Vários médiuns, infelizmente, ainda que de forma velada, pelo temor de que seus companheiros de centro espírita fiquem sabendo que eles frequentam uma choupana de Umbanda, têm clamores, queixas e dúvidas semelhantes ao exposto e que acabam se repetindo. Constatamos, na prática, que o preconceito racial espirítico sobressai-se assustadoramente, só que ninguém fala sobre o assunto. É uma espécie de tabu.

A proibição de manifestação de Espíritos na forma astral de pretos velhos e caboclos – para ficar só nestas duas – é monitorada e desestimulada nos centros espíritas “ortodoxos”, e estes Espíritos são tratados como obsessores ou, no mínimo, como entidades menos esclarecidas, não importando o conteúdo de suas mensagens.

Responder à pergunta “porque os espíritas proíbem a manifestação dos pretos velhos e caboclos” não é tão fácil, se a intenção é nos aprofundarmos e encontrarmos a gênese espírita que possivelmente motiva a cultura refratária, preconceituosa e de exclusão racial de muitos médiuns em relação às formas dos Espíritos mentores que se aproximam deles. Claro que, em se tratando de Espíritos sofredores, nas sessões mediúnicas com a finalidade de atendê-los, é permitido as manifestações. Mas quando o “matreiro” preto(a) velho(a) ou “altivo” caboclo(a) se apresenta como mentor no centro espírita, aí o caldo desanda e dê-lhe doutrinação nos “pretinhos” e na “caboclada” do lado de lá. Isto me faz lembrar da manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, através da mediunidade de Zélio de Moraes, e da tentativa de doutrinação desta entidade missionária dentro de um centro espírita carioca afiliado à Federação Espírita Brasileira. Esta entidade, de grande evolução, é uma das principais responsáveis pela consolidação da Umbanda na Terra. Já naquela época, em 1908, o cerceamento dos Espíritos que se apresentavam com suas vestes perispirituais na aparência negra ou indígena era costumeiro nas mesas “Kardecistas”.

Mas afinal, qual a consideração de  Allan Kardec e do Espiritismo em relação aos negros africanos?

Fomos pesquisar e encontramos na Revista Espírita, de abril de 1862, o artigo “A perfectibilidade da raça negra”, exarando a opinião do ilustre estudioso e pedagogo francês. O artigo começa com a seguinte pergunta: A raça negra é perfectível?

Para quem não sabe, a perfectibilidade é um neologismo criado por Rousseau para exprimir a capacidade que o homem possui de aperfeiçoar-se. Logo, Kardec, ao perguntar se a raça negra é passível de aperfeiçoamento, demonstra, no mínimo, dúvida.

Jean-Jacques Rousseau foi um filósofo, escritor e teórico político. Uma das figuras marcantes do Iluminismo francês defendeu que todos os homens nascem livres, e a liberdade faz parte da natureza do homem.

Importante registrar que, nos séculos passados, o conhecimento dos europeus sobre a cultura africana era escasso

No artigo em questão, Allan Kardec, inicialmente, faz uma longa introdução para falar dos corpos e dos Espíritos que os animam, inferindo que cada espírito tem o corpo que merece e que umas raças evoluem e outras não, o que ocasionaria que, conforme os espírito evolui, vamos também ocupando corpos em outras raças mais evoluídas, o que nos leva a ir reencarnando em raças diferentes conforme avança a nossa evolução espiritual. Então raças inferiores oportunizariam corpos também inferiores e não comportariam a encarnação de Espíritos mais evoluídos numa determinada etnia.

Perfectibilidade da raça negra

Transcrevemos na integra os últimos parágrafos, conclusivos, do referido artigo, para que os leitores possam beber direto da opinião de Kardec:

“Chegamos agora a perfectibilidade das raças; esta questão, por assim dizer, está resolvida pelo que precede: não temos senão que deduzir-lhe algumas conseqüências. Elas são perfectíveis pelo Espírito que se desenvolve através de suas diferentes migrações, em cada uma das quais adquire, pouco a pouco, as qualidades que lhes faltam; mas, à medida que as suas faculdades se estendem, falta-lhe um instrumento apropriado, como a uma criança que cresce são necessárias roupas maiores; ora, sendo insuficientes os corpos constituídos para seu estado primitivo, lhes é necessário encarnar em melhores condições, e assim por diante, à medida que progride.

As raças são também perfectíveis pelo corpo, mas isso não é senão pelo cruzamento com as raças mais aperfeiçoadas, que lhes trazem novos elementos que as enxertam, por assim dizer, os germes de novos órgãos. Esse cruzamento se faz pelas emigrações, pelas guerras, e pelas conquistas. Sob esse aspecto, há raças, como famílias, que se abastardam se não se misturam com sangues diversos. Então, não se pode dizer que isso seja a raça primitiva pura, porque sem cruzamento essa raça será sempre a mesma, seu estado de inferioridade relacionado à sua natureza; ela degenerará em lugar de progredir, e é o que a conduz ao desaparecimento num tempo dado.

A respeito dos negros escravos, diz-se: “São seres tão brutos, tão pouco inteligentes, que seria trabalho perdido procurar instruí-los; é uma raça inferior, incorrigível e profundamente incapaz”. A teoria que acabamos de dar permite encará-los sob uma outra luz; na questão do aperfeiçoamento das raças, é preciso ter em conta dois elementos constitutivos do homem: o elemento espiritual e o elemento corpóreo. É preciso conhecê-lo, um e o outro, e só o Espiritismo pode nos esclarecer sobre a natureza do elemento espiritual, o mais importante, uma vez que é este que pensa e que sobrevive, ao passo que o elemento corpóreo se destrói. Os negros, pois, como Espíritos, sem duvida, são uma raça inferior, quer dizer, primitiva; são verdadeiras crianças às quais pode-se ensinar muita coisa; mas, por cuidados inteligentes, pode-se sempre modificar certos hábitos, certas tendências, e já é um progresso que levarão numa outra existência, e que lhes permitirá, mais tarde, tomar um envoltório em melhores condições. Trabalhando para o seu adiantamento, trabalha-se menos para o presente do que para o futuro, e, por pouco que se ganhe, é sempre para eles um tanto de aquisições; cada progresso é um passo adiante, que facilita novos progressos.

Sob o mesmo envoltório, quer dizer, com os mesmos instrumentos de manifestação do pensamento, as raças não são perfectíveis senão em limites estreitos, pelas razões que
desenvolvemos. Eis por que a raça negra, enquanto raça negra, corporeamente falando, jamais alcançará o nível das raças caucásicas; mas, enquanto Espíritos, é outra coisa; ela
pode se tornar, e se tornará, o que somos; somente ser-lhe-á preciso tempo e melhores instrumentos. Eis porque as raças selvagens, mesmo em contato com a civilização,
permanecem sempre selvagens; mas, à medida que as raças civilizadas se ampliam, as raças selvagens diminuem, até que desapareçam completamente, como desapareceram as raças dos Caraíbas, dos Guanches, e outras. Os corpos desapareceram, mas em que se tornaram os Espíritos? Mais de um, talvez, esteja entre nós.

Dissemos, e repetimos, o Espiritismo abre horizontes novos a todas as ciências; quando os sábios consentirem em levar em conta o elemento espiritual nos fenômenos da Natureza, ficarão muito surpresos em ver as dificuldades, contra as quais se chocavam a cada passo, se aplainarem como por encanto; mas é provável que, para muitos, será preciso renovar o hábito. Quando retornarem, terão tido o tempo de refletir, e trarão novas idéias. Encontrarão as coisas muito mudadas neste mundo; as idéias espíritas, que repelem hoje, terão germinado por toda parte e serão a base de todas as instituições sociais; eles mesmos serão educados e nutridos nessa crença que abrirá, ao seu gênio, um novo campo para o progresso da ciência. À espera disso, e enquanto estão aqui, que procurem a solução deste problema: Por que a autoridade de seu saber, e suas negações, não detêm, por um único instante, a marcha, dia a dia mais rápida, das idéias novas?

As opiniões de Kardec expostas neste artigo não fazem parte da codificação espírita. Nesta época, ele não poderia saber que muitos imperadores, generais governantes e religiosos, muitos romanos, prussianos e otomanos, bem como o clero sacerdotal católico espanhol, português e italiano – em peso ligados à “santa” inquisição – encarnavam como negros e já estavam no Brasil escravizados bem antes da época dos seus escritos. Seguindo o encarnando numa raça “inferior”, cai por terra a sua teoria da imperfectibilidade da raça negra, pois corpos inferiores não poderiam dar vida a Espíritos superiores, dado que eles vinham de raças e corpos mais evoluídos de encarnações anteriores, antes da encarnação como primitivos negros escravos vindos para o Brasil.

A questão racial e a justiça da reencarnação, na visão de Kardec

Em  O Livro dos Espíritos, encontramos a questão 222, que trata da pluralidade das existências – das reencarnações sucessivas. Kardec colocou seis perguntas pelas quais contrapõe à crença contraria à reencarnação para ter a confirmação nas respostas dos Espíritos. A sexta questão coloca em analise a perfectibilidade das raças de acordo com as idéias de superioridade e estagnação evolutiva Kardequiana. Seguem as seis questões:

– “Admitindo, de acordo com a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo, (…) perguntamos:

1º Por que mostra a alma aptidões tão diversas e independentes das idéias que a educação lhe fez adquirir?

2º Donde vem a aptidão extra normal que muitas crianças em tenra idade revelam, para esta ou aquela arte, para esta ou aquela ciência, enquanto outras se conservam inferiores ou medíocres a vida toda?

3º De onde provêm, em uns, as idéias inatas ou intuitivas que noutros não existem?

4º De onde vêm, em certas crianças, o instituto precoce que revelam para o vicio ou para as virtudes, os sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza, contrastando com o meio em que elas nasceram?

5º Por que, abstraindo-se da educação, uns homens são mais adiantados do que os outros?

6º Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomardes de um menino hotentote recém-nascido e o educardes nos nossos melhores liceus, farei dele algum dia um Laplace ou um Newton?” (Allan KardecO Livro dos Espíritos, FEB.)

Observem a lógica perfeita do raciocínio das questões formuladas por Kardec, fruto de um sentimento de injustiça dos que não têm a reencarnação como crença, conquanto, inevitavelmente, uns acham que são mais ou menos favorecidos que outros pela Providência Divina. E é nesse contexto que ele coloca a pergunta racial, demonstrando que não se admitindo a reencarnação, Deus seria injusto ao nascermos uns negros e outros brancos, ou seja, alguns inferiores e outros superiores. Assim Kardec, a priori, assume na questão formulada em  O Livro dos Espíritos que o negro – hotentote – é inferior ao branco europeu, e traz o conhecimento da reencarnação para que possamos entender essa diferença.

Todavia, justiça seja feita: a questão 222 está entre aquelas que não constituem uma pergunta direta aos Espíritos superiores responsáveis pelas respostas para a codificação, mas considerações do próprio codificador. Ao todo, são 11 páginas da lavra de  Allan Kardec, contendo argumentos sólidos de sua inteligência e perspicaz senso de observação e análise.

Opinião de Kardec e não dos Espíritos

Obviamente, não podemos afirmar que as idéias de inferioridade da raça negra sejam também dos Espíritos superiores – ainda bem! Cremos que, nesta questão, Allan Kardec deixou passar a sua opinião pessoal, a qual, comprovadamente, em nenhum momento foi corroborada pelos Espíritos responsáveis por  O Livro dos Espíritos, o que torna este importantíssimo livro de estudos incólume ao equivoco de Kardec.

Posteriormente, Kardec considera que Deus é justo. O erro é não considerarmos que teremos diversas encarnações, e que estamos comparando pessoas em degraus diferentes da sua “evolução espiritual”. Ou seja, um menino negro do sudoeste da África, da etnia hotentote, jamais será um Newton ou Laplace, mesmo estudando nos liceus europeus em mesma condição de igualdade com os meninos de lá. É claro que isso é um equivoco e não baseia em opinião cientifica abalizada decorrente de estudos metodológicos comparativos e pesquisas amostrais documentadas. Se assim fosse, não teríamos na história, Martin Luther King e Nelson Mandela, e atualmente, um negro chamado Barack Hussein Obama, advogado e político bem-sucedido, o 44º presidente dos Estados Unidos da América, já que seria possível um corpo de negro ser animado por um espírito brilhante e intelectualmente superior como mencionados.

Reforçamos que Allan Kardec tinha, para si, classificado rigidamente as raças em superiores, colocando os europeus como mais evoluídos.

Kardec segue escrevendo sobre os chineses em relação aos europeus:

“O progresso não foi, pois, uniforme em toda a espécie humana; as raças mais inteligentes naturalmente progrediram mais que as outras, sem contar que os Espíritos, recentemente nascidos na vida espiritual, vindo a se encarnar sobre a Terra desde que chegaram em primeiro lugar, tornam mais sensíveis a diferença do progresso. Com efeito, seria impossível atribuir a mesma antiguidade de criação aos selvagens que mal se distinguem dos macacos, que aos chineses, e ainda menos aos europeus civilizados” ( Allan Kardec, A Gênese, Ed. Lake, São Paulo, 1ª edição, comemorativa do 100º aniversário dessa obra, p. 187, o sublinhado e o negrito são nossos).

“Um chinês, por exemplo, que progredisse suficientemente e não encontrasse na sua raça um meio correspondente ao grau que atingiu, encarnará entre um povo mais adiantado”. (Allan Kardec, O que é o Espiritismo, Edição da Federação Espírita Brasileira, Brasília, 32ª edição, sem data, pp. 206-207. A edição original de Qu’est CE que Le Spirisme é de 1859).

Se os chineses são menos evoluídos enquanto raça, imaginemos como não seria a China hoje se eles fossem evoluídos como os europeus?

Creio que o que escrevemos explica a raiz e a gênese da preferência por Espíritos brancos, clérigos, doutores, eruditos, europeizados e judaico-cristãos nas lides mediúnicas espíritas em detrimento dos pretos(as) e caboclos abrasileirados nas mesas e na literatura espírita. Faz parte do inconsciente coletivo que envolve – e não poderia se diferente – o mediunismo.

É claro que não queremos colocar a memória e o espírito de  Allan Kardec em situação delicada perante as outras raças e, particularmente, contra os negros. Todavia, como qualquer homem, ele foi influenciado pelas injunções culturais e sistema de valores de sua época (grifo nosso). Especialmente quanto aos africanos, se mostrou equivocado, como podemos verificar nos seus escritos na revista espírita e nas suas opiniões em  O Livro dos Espíritos, o que de nenhuma maneira desmerece o “pentateuco kardequiano” e sua importância.

Allan Kardec parte de um sentido estético estreito para desembocar numa conclusão racial limitada e errônea do biótipo africano, enquanto supostamente inferior ao branco. Necessariamente, isso não quer dizer que Kardec fosse racista, o que, cremos, seria contrário aos seus princípios éticos e humanistas.

Há que se considerar que o negro XIX não é igual ao negro de hoje, assim como nenhuma outra raça o é, muito menos os chineses, que construíram uma potencia econômica. Com o advento da civilização e da urbanização das cidades, obviamente, todas as raças dos diversos países passaram a conviver em grupos sociais mais aptos para reencarnação de Espíritos de maior porte intelectual e moral, em função das leis de afinidade que regem o processo palingenésico – reencarnações sucessivas.

Influência cultural

Importante registrar que, nos séculos passados o conhecimento dos europeus sobre a cultura africana era escasso. Sociedades africanas de características totêmicas coexistiam nessa época com culturas alhures bem desenvolvidas, como uma forma notável de organização do estado, com rei, ministros, militares e funcionários, além do que, apresentavam um sistema agrário auto-suficiente e estrutura religiosa, teológica e de crença cosmogônica bastante evoluídas, como acontece com os nagôs – yorubás – até os dias atuais.

É incorreto rotular a obra kardequiana de racista – pura e simplesmente – como fazem certos irmãos mais exaltados com a proibição de manifestação dos pretos(as) velhos(as) e também dos caboclos nos centros espíritas. Essa palavra possui uma carga semântica muito forte inadequada para definir suas posições de doutrina. Seria o mesmo que taxá-lo de machista devido a sua posição em relação à mulher ou de direitista e ultrarreacionário, pelas posições contrárias ao socialismo e ao movimento proletário francês.

Por outro lado, não dá para “dourar a pílula” e ser condescendente com o codificador da doutrina espírita. Ele manifestou, explicitamente, no que escreveu – e as letras têm memória pela eternidade – um preconceito em relação ao negro.

Longe de ser racista, podemos afirmar que ele tinha uma idéia preconceituosa para com essa etnia – assim como a grande maioria dos intelectuais europeus da época – mesmo não havendo nenhum indicio de que ele tenha discriminado algum individuo ou grupo de origem negra, seja no movimento espírita ou fora dele.

Assim como  Allan Kardec se equivocou em relação à raça negra e aos chineses, na sua teorização intitulada “A perfectibilidade das raças” e nos seus dizeres em  O Livro dos Espíritos – o que nada tem a ver com os Espíritos superiores responsáveis pela codificação do Espiritismo – assim, também, nos dias de hoje permanecem os equívocos das humanas criaturas e falíveis espíritas, como também o somos. Cabe a cada um de nós procurar o ambiente que nos faça sentir à vontade para manifestarmos os nossos mentores, seja preto(a) velho(a), branco(a) velho(a), caboclo novo, chinês amarelo, cigano ébano, hindu adolescente, criança, freira ou doutor…, seja no centro espírita ortodoxo, espiritualista universalista ou nesta Umbanda de todos nós, de todas as raças, cheiros, sons e cores. Hoje em dia, temos a liberdade de escolha e não somos obrigados a nenhum constrangimento, especialmente no tocante a algo tão importante como é a mediunidade para os nossos Espíritos endividados tão sedentos de evolução. Afinal, alguém conhece um espírito perfeito encarnado como médium?

Fica a nossa mensagem para os espíritas que sentem “abafados” por não poderem manifestar seus mentores conforme suas predileções raciais: mudem de centro para arejarem suas mediunidades, eis que, por ora, os centros não vão mudar. Não joguem fora seus mandatos mediúnicos, tão dolorosamente conseguidos antes de encarnarem. Não deixem os obreiros do lado de lá com “ a pá e a colher de pedreiro na mão” pelo fato de que não aceitam o uniforme que eles usam para a nossa própria segurança e evolução. O nome do local na Terra e a forma e preferência racial dos Espíritos é o que menos importa diante do edifício que urge ser construído: a caridade com amor incondicional.

Retirado das Páginas 44, 46, 47, 48, 49 da Revista Cristã de Espiritismo – Ano IX – Edição 69 – Editora Minuano

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VIBRAÇÕES DE PRETO VELHO

Posted by Administrador em maio 1, 2010


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PRETOS-VELHOS

Posted by Administrador em maio 12, 2008


ADOREI

preto velho

HISTÓRIA

As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma.

Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França.

Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros:

Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África.

Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc. Os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo financiando as guerras e fazendo dos vencidos escravos.

No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII.

Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e malês.

A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou muito caro; em quatro séculos, do XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituiam uma parte selecionada da população.

Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos! Em troca de seu trabalho os negros recebiam três “pês”: Pau, Pano e Pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães-do-mato e proprietários. Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A “macumba” era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi (protegido de Ogum).

Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, do Ventre livre e, enfim, pela Lei Áurea.

A Legião de espíritos chamados “Pretos-Velhos” foi formada no Brasil, devido a esse torpe comércio do tráfico de escravos arrebanhados da África.

Povo de Aruanda (146)

Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir mesmo de maneira precária uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África. Eles conseguiram preservar e até modificar, no sincretismo, sua cultura e sua religião.

Idosos mesmo, poucos vieram, já que os escravagistas preferiam os jovens e fortes, tanto para resistirem ao trabalho braçal como às exemplificações com o látego. Porém, foi esta minoria o compêndio no qual os incipientes puderam ler e aprender a ciência e sabedoria milenar de seus ancestrais, tais como o conhecimento e emprego de ervas, plantas, raízes, enfim, tudo aquilo que nos dá graciosamente a mãe natureza.

Mesmo contando com a religião, suas cerimônias, cânticos, esses moços logicamente não poderiam resistir à erosão que o grande mestre, o tempo, produz sobre o invólucro carnal, como todos os mortais. Mas a mente não envelhece, apenas amadurece.

Não podendo mais trabalhar duro de sol a sol, constituíram-se a nata da sociedade negra subjugada. Contudo, o peso dos anos é implacavelmente destruidor, como sempre acontece.

O ato final da peça que encarnamos no vale de lágrimas que é o planeta Terra é a morte. Mas eles voltaram. A sua missão não estava ainda cumprida. Precisavam evoluir gradualmente no plano espiritual. Muitos ainda, usando seu linguajar característico, praticando os sagrados rituais do culto, utilizados desde tempos imemoriais, manifestaram-se em indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua ascendência (linhagem), costumes, tradições e cultura. Teriam que possuir a essência intrínseca da civilização que se aprimorou após incontáveis anos de vivência.

FORMAÇÃO DA FALANGE DOS PRETOS-VELHOS NA UMBANDA

Depois de mortos, passaram a surgir em lugares adequados, principalmente para se manifestarem. Ao se incorporarem, trazem os Pretos-Velhos os sinais característicos das tribos a que pertenciam.

Os Pretos-velhos são nossos Guias ou Protetores, mas no Candomblé, são considerados Eguns (almas desencarnadas), e decorrente disso, só têm fio de conta (Guia) na Umbanda. Usam branco ou preto e branco. Essas cores são usadas porque, sendo os Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam andar de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos também a Guia de lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o material mais fácil de se encontrar na época dos escravos, cuja planta era encontrada em quase todos os lugares.

O dia em que a Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos).

O NOMES DOS PRETOS-VELHOS

Há muita controvérsia sobre o fato de o nome do Preto-Velho ser uma miscelânea de palavras portuguesas e africanas. Voltemos ao passado, na época que cognominamos “A Idade das Trevas” no Brasil, dos feitores e senhores, senzalas e quilombos, sendo os senhores feudais brasileiros católicos ferrenhos (devido à influência portuguesa) não permitiam a seus escravos a liberdade de culto. Eram obrigados a aprender e praticar os dogmas religiosos dos amos. Porém eles seguiram a velha norma: contra a força não há resistência, só a inteligência vence. Faziam seus rituais às ocultas, deixando que os déspotas em miniatura acreditassem estar eles doutrinados para o catolicismo, cujas cerimônias assistiam forçados.

Preto Velho Pai Joaquim

As crianças escravas recém-nascidas, na época, eram batizadas duas vezes. A primeira, ocultamente, na nação a que pertenciam seus pais, recebendo o nome de acordo com a seita. A segunda vez, na pia batismal católica, sendo esta obrigatória e nela a criança recebia o primeiro nome dado pelo seu senhor, sendo o sobrenome composto de cognome ganho pela Fazenda onde nascera (Ex.: Antônio da Coroa Grande), ou então da região africana de onde vieram (Ex.: Joaquim D’Angola).

O termo “Velho”, “Vovô” e “Vovó” é para sinalizar sua experiência, pois quando pensamos em alguém mais velho, como um vovô ou uma vovó subentendemos que essa pessoa já tenha vivido mais tempo, adquirindo assim sabedoria, paciência, compreensão. É baseado nesses fatores que as pessoas mais velhas aconselham.

No mundo espiritual é bastante semelhante, a grande característica dessa linha é o conselho. É devido a esse fator que carinhosamente dizemos que são os “Psicólogos da Umbanda”.

EIS AQUI, COMO EXEMPLO, O NOME DE ALGUNS PRETOS-VELHOS:

Pai Cambinda (ou Cambina), Pai Roberto, Pai Cipriano, Pai João ,Pai Congo, Pai José D’Angola, Pai Benguela, Pai Jerônimo, Pai Francisco, Pai Guiné, Pai Joaquim, Pai Antônio, Pai Serafim, Pai Firmino D’Angola, Pai Serapião, Pai Fabrício das Almas, Pai Benedito, Pai Julião, Pai Jobim, Pai Jobá, Pai Jacó, Pai Caetano, Pai Tomaz, Pai Tomé, Pai Malaquias, Pai Dindó, Vovó Maria Conga, Vovó Manuela, Vovó Chica, Vovó Cambinda (ou Cambina), Vovó Ana, Vovó Maria Redonda, Vovó Catarina, Vovó Luiza, Vovó Rita, Vovó Gabriela, Vovó Quitéria, Vovó Mariana, Vovó Maria da Serra, Vovó Maria de Minas, Vovó Rosa da Bahia, Vovó Maria do Rosário, Vovó Benedita.

Obs: Normalmente os Pretos-Velhos tratados por Vovô ou Vovó são mais “velhos” do que aqueles tratados por Pai, Mãe, Tio ou Tia).

ATRIBUIÇÕES

Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado.

Com seus cachimbos, fala pausada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem incutir-lhes os conceitos de karma e ensinar-lhes resignação

Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de Preto-Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo-forma.

Outros foram até mesmo Exus, que evoluíram e tomaram as formas de um Pretos-Velhos.
Este comentário pode deixar algumas pessoas, do culto e fora dele, meio confusas: “então o Preto-Velho não é um Preto-Velho, ou é, ou o que acontece???”.

Esses espíritos assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita comunicação com aqueles que os vão procurar em busca de ajuda.

Preto Velho Agostinho

O espírito que evoluiu tem a capacidade de assumir qualquer forma, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses espíritos podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e em outros como um Preto-Velho ou até mesmo um caboclo ou exu. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não é uma forma de enganar ou má fé com relação àqueles que acreditam, muito pelo contrário, quando se conversa sinceramente, eles mesmos nos dizem quem são, caso tenham autorização.

Por isso, se você for falar com um Preto-Velho, tenha humildade e saiba escutar, não queira milagres ou que ele resolva seus problemas, como em um passe de mágica, entenda que qualquer solução tem o princípio dentro de você mesmo, tenha fé, acredite em você, tenha amor a Deus e a você mesmo.

Para muitos os Pretos-Velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são pisicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus desfazendo trabalhos. Também combatem as forças negativas (o mal), espíritos obssessores e kiumbas.

A MENSAGEM DOS PRETOS-VELHOS

A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico. Ela representa o espírito de humildade, de serenidade e de paciência que devemos ter sempre em mente para que possamos evoluir espiritualmente.

Certa vez, em um centro do interior de Minas, uma senhora consultando-se com um Preto-Velho comentou que ficava muito triste ao ver no terreiro pessoas unicamente interessadas em resolver seus problemas particulares de cunho material, usando os trabalhos de Umbanda sem pensar no próximo e, só retornavam ao terreiro, quando estavam com outros problemas. O Preto-Velho deu uma baforada com seu cachimbo e respondeu tranquilamente: “Sabe filha, essas pessoas preocupadas consigo próprias, são escravas do egoísmo. Procuramos ajudá-las, resolvendo seus problemas; mas, aquelas que podem ser aproveitadas, depois de algum tempo, sem que percebam, estarão vestidas de roupa branca, descalças, fazendo parte do terreiro. Muitas pessoas vem aqui buscar lã e saem tosqueadas; acabam nos ajudando nos trabalhos de caridade”.

Essa é a sabedoria dos Pretos-Velhos…

Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados. Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo e a si mesmo, o amor próprio, a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina. Fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito.

Preto (17)

Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece e cresce consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos. Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare seu destino e os acontecimentos de sua vida:

“Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro.

Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS” (Pai Cipriano).

CARACTERÍSTICAS:

LINHA E IRRADIAÇÃO

Todos os Pretos-Velhos vem na linha de Obaluaiê, mas cada um vem na irradiação de um Orixá diferente.

FIOS DE CONTAS (GUIAS)

Muitos dos Pretos-Velhos Gostam de Guias com Contas de Rosário de Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam Cruzes ou Figas feitas de Guiné ou Arruda.

ROUPAS

Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As Pretas-Velhas às vezes usam lenços na cabeça e/ou batas; e os Pretos-Velhos às vezes usam chapéu de palha.

BEBIDA

Café preto, vinho tinto, vinho moscatel, cachaça com mel (às vezes misturam ervas, sal, alho e outros elementos na bebida).

DIA DA SEMANA
: Segunda-feira
CHAKRA ATUANTE: básico ou sacro
PLANETA REGENTE: Saturno
COR REPRESENTATIVA: preto e branco;
SAUDAÇÃO: Cacurucaia (Deve sempre ser respondida com “Adorei as Almas”)
FUMO: cachimbos ou cigarros de palha.

Obs: Os Pretos-Velhos às vezes usam bengalas ou cajados.

Preto (6)

COZINHA RITUALÍSTICA

TUTU DE FEIJÃO PRETO

MINGAU DAS ALMAS

É um mingau feito de maizena e leite de vaca (às vezes com leite de coco), sem açúcar ou sal, colocado em tigela de louça branca. É comum colocar-se uma cruz feita de fitas pretas sobre esse mingau, antes de entregá-lo na natureza.

BOLINHOS DE TAPIOCA

Os bolinhos de tapioca são feitos colocando-se a tapioca de molho em água quente (ou leite de coco, se preferir), de modo a inchar. Quando inchado, enrole os bolinhos em forma de croquete e passe-os em farinha de mesa crua. Asse na grelha.

Colocar os bolinhos em prato de louça branca podendo acrescentar arruda, rapadura, fumo de rolo, etc.

Obs: Nas sessões festivas de Pretos-Velhos, é usual servir a tradicional feijoada completa, feita de feijão preto, miúdos e carne salgada de boi, acompanhada de couve à mineira e farofa.


FORMAS INCORPORATIVAS E ESPECIALIDADE DOS PRETOS-VELHOS:

Sua forma de incorporação é compacta, sem dançar ou pular muito. A vibração começa com um “peso” nas costas e uma inclinação de tronco para frente, e os pés fixados no chão. Se locomovem apenas quando incorporam para as saudações necessárias (atabaque, gongá, etc…) e depois sentam e praticam sua caridade (Podemos encontrar alguns que se mantém em pé).
É possível ver Pretos-Velhos dançando, mais esse dançando é sutíl, e apenas com movimentos dos ombros quando sentados.

Essa simplicidade se expande, tanto na sua maneira de ser e de falar. Usam vocabulário simples, sem palavras rebuscadas.

preto velho 1

A linha é um todo, com suas características gerais, ditas acima, mas diferenças ocorrem porque os Pretos-Velhos são trabalhadores de orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência da irradiação do Orixá para quem eles trabalham.

Essas diferenças são evidenciadas na incorporação e também na maneira de trabalhar e especialidade deles. Para exemplificar, separaremos abaixo por Orixás:

PRETOS-VELHOS DE OGUM

São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e as vezes com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes.

São diretos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de “choque”, mais são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas.

São especialistas em consultas encorajadoras, ou seja, encorajando e dando segurança para aqueles indecisos e “medrosos”. É fácil pensar nessa característica pois Ogum é um Orixá considerado corajoso.

PRETOS-VELHOS DE OXUM

São mais lentos na forma de incorporar e até falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível.

Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é “chocar” e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado.

São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-Velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior. As vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mas é necessário para a evolução daquela pessoa.

PRETOS-VELHOS DE XANGÔ

Sua incorporação é rápida como as de Ogum.

Assim como os caboclos de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais.

Passam seriedade em cada palavra dita. Cobram bastante de seus médiuns e consulentes.

PRETOS-VELHOS DE IANSÃ

São rápidos na sua forma de incorporar e falar. Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas.

Essa rapidez é facilmente entendida, pela força da natureza que os rege, e é essa mesma força lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro desse único Orixá.

Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa. São especialistas também em ensinar diretrizes para alcançar objetivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual.

Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego. É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do terreiro, de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos dessas pessoas.

PRETOS-VELHOS DE OXOSSI

São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas.

Esses Pretos-Velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo.

Possuem uma especialidade: A de receitar remédios naturais, para o corpo e a alma, assim como emplastros, banhos e compressas, defumadores, chás, etc… São verdadeiros químicos em seus tocos. – Afinal não podiam ser diferentes, pois são alunos do maior “químico” – Oxossi.

PRETOS-VELHOS DE NANÃ

São raros, sua maneira de incorporação é de forma mais envelhecida ainda. Lenta e muito pesada.

Enfatizando ainda mais a idade avançada.

Falam rígido, com seriedade profunda. Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente, e pessoas a volta como: cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo.

Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes. Seu julgamento é severo. Não admite injustiça.

Costumam se afastar dos médiuns que consideram de “moral fraca”. Mais prezam demais a gratidão, de uma forma geral. Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada.

É difícil a relação com esses guias, principalmente quanto há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta.

São especialistas em conselhos que formem moral, e entendimento do nosso karma, pois isso sem dúvida é a sua função.

Atuam também como os de Inhasã e Obaluaiê, conduzindo Eguns.

PRETOS-VELHOS DE OBALUAIÊ

São simples em sua forma de incorporar e falar. Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral.

Defendem quem é certo ou quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros.

Agarram-se a seus “filhos” com total dedicação e carinho, não deixando no entanto de cobrar e corrigir também. Pois entendem que a correção é uma forma de amar.

Devido a elevação e a antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Pretos-Velhos. Ou seja, se adaptam a qualquer assunto e falam deles exatamente com a precisão do momento.

Como trabalha para Obaluaiê, e este é o “dono das almas”, esses Pretos-Velhos são geralmente chefes de linha e assim explica-se a facilidade para trabalhar para vários assuntos.

Sua “visão” é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projetos distantes e longos para seus consulentes. Tanto pessoal como profissional e até espiritual.

Assim exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projetos não saiam errado, para tanto, os filhos que os seguem, devem fazer passo a passo tudo que lhes for pedido, apenas confiando nesses Pretos-Velhos.

Gostam de contar histórias para enriquecer de conhecimento o médium e as pessoas a volta.

PRETOS-VELHOS DE YEMANJÁ

São belos em suas incorporações, contudo mantendo uma enorme simplicidade. Sua fala é doce e meiga.

Sua especialidade maior é sem dúvida os conselhos sobre laços espirituais e familiares.

Gostam também de trabalhar para fertilidade de um modo geral, e especialmente para as mulheres que desejam engravidar.

Utilizando o movimento das ondas do mar, são excelentes para descarregos e passes.

PRETOS-VELHOS DE OXALÁ

São bastante lentos na forma de incorporar, tornam-se belos principalmente pela simplicidade contida em seus gestos.

Raramente dão consulta, sua maior especialidade é dirigir e instruir os demais Pretos-Velhos.

Cobram bastante de seus médiuns, principalmente no que diz respeito a prática de caridade, bom corpontamento moral dentro e fora do terreiro, ausência de vícios, humildade; enfim o cultivo das virtudes mais elevadas.

Povo de Aruanda (229)

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