POVO DE ARUANDA

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Posts Tagged ‘POVO CIGANO’

CIGANOS – BAILAM NO VENTO, CANTAM PARA AS ESTRELAS

Posted by Administrador em julho 1, 2010


Ciganos caminham sobre seus passos, guiados pela liberdade, desde sua mais tenra idade, orientados pelas lembranças ancestrais que os fazem amar o espaço, a luz, e o calor das fogueiras. Mesmo o cigano moderno tem em seu coração o apelo por reunir-se à noite para compartilhar as ações do dia, os acontecimentos, a resolução dos problemas, ouvir a sabedoria dos mais velhos.

O matriarcado cigano é forte, embora seja a figura masculina que mais se destaca. É através de seus paramentos que se identifica a hierarquia de um cigano dentro de sua tribo. As tribos ciganas nem sempre se confraternizam entre si, e mesmo podem ocorrer muitas rivalidades. Os Rom são os que têm se destacado entre a sociedade ocidental, com mais êxito.

As danças ciganas são evocações das forças místicas. Lembram a fluidez dos ventos, a sinuosidade das águas, o oscilar das chamas. Tem seu ritmo regido pelo vigor de pandeiros, palmas e batidas do pé, numa vibração única que os religam às raízes, à luz da Lua, imantando-os como numa unidade onde perpassa a energia.

Os ciganos encarnados hoje em dia lutam com dificuldades acerbas, que lhes dificultam exercer com plenitude seu modo de ser. São tolhidos pela falta de bens materiais e muitas vezes discriminados de modo que não conseguem bons empregos. Os ciganos que se destacam e se tornam ricos, em geral não divulgam suas origens, são discretos, mas de modo algum renegam sua raça, apenas a história de perseguições lhes ensinou a serem prudentes.

Já a falange dos Ciganos no astral, cresce dia a dia, pois cada vez mais antigos ciganos estão percebendo que o planeta necessita de sua sabedoria, do amor que lhes move sobre a natureza, sobre manter o equilíbrio entre os elementos água, fogo e ar , e o que era arte circense quando no corpo físico, utilizada em espetáculos, é plenamente usada com maestria, e permite que os ciganos se unam no astral , aos Povos do Oriente, cuja sabedoria acumulada em milênios é utilizada pelo bem e proteção da Humanidade, que neste momento passa por grandes dificuldades, pelo assédio de miasmas doentios, que lhes sugam as forças, lhes embrutecem o espírito, e é necessário muito auxílio para que toda a população terrena não caia em derrocada, assediada por personalidades perversas que ultrapassam seus próprios limites de maldade.

Mas é sabido que quando chega a meia-noite, só pode amanhecer, e é nisso que os ciganos acreditam também, desde seus primeiros passos, e aí está o segredo de seu sorriso fácil, seu porte altaneiro e seguro, é a certeza que a vida é única , embora infinita, e que por pior que sejam as dificuldades, as luzes da alvorada destroem todos os sonhos maus, os empurrando para longínquos lugares, fora do alcance de seu mal.

Os ciganos acreditam no perigo, sabem que a bondade absoluta desprendida é raro tesouro, por isso, aqueles que adquirem o conhecimento e o poder de auxílio, obtém uma espécie de graduação que se localiza paralelamente às religiões, eles vibram no Espiritismo e na Umbanda, também influenciam os espiritualistas sinceros, mas estão em vibração no seu diapasão próprio, pois eles não querem se prender a outros dogmas, eles são fiéis, até à eternidade, às suas próprias interpretações de andar entre as estrelas, o que é sua própria natureza.

Na Umbanda, diz-se que há não ciganos que agregaram a essa falange, mas na verdade são espíritos ciganos que em algum momento escolheram outros aprendizados e num outro momento voltam às fileiras de trabalho dos ciganos.

Quem anda por esse mundo ainda em envoltório físico, e conhece, aceita e absorve a vibração do Povo cigano, que o protege, tem de ter a mente aberta e o espírito corajoso, desapegado e saber se energizar plenamente, para conseguir receber os conhecimentos mágicos que eles costuma fornecer. A simplicidade é uma das qualidades mais difíceis para o homem adquirir, assim como o amor de ordem cósmica, que os ciganos são exímios mestres, e é a mais poderosa das magias. O amor cura, supera erros, cicatriza feridas da alma, perdoa o pior erro, ensina, dulcifica, equilibra.

O cigano no mundo espiritual que está ao nosso lado, por escolha, na luta do resgate da nossa Terra, nos traz o brilho das estrelas em seu sorriso, a jovialidade das ações, como faz com sua dança, e a capacidade da sensibilidade expandida, que guia nossos passos pelos caminhos corretos. Nem sempre caminhos seguros, mas sempre serão aqueles caminhos que terão as paisagens mais belas, as lições mais ricas, e com certeza, as noites de luar sempre evocarão as danças em torno das fogueiras de nossas mentes, onde podemos então compartilhar com os antigos, as histórias, os sentimentos corretos que apertam os laços familiares, a fidelidade aos compromissos, a objetividade na resolução dos problemas, mantendo pelos evos, os laços da alma, que se tornam então, indestrutíveis, eternos.

Alex de Oxóssi

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ALTAR CIGANO

Posted by Administrador em abril 30, 2010


O altar serve como elo de ligação e comunicação entre o Cigano e seu médium.

Desde o momento em que existe a intenção de se oferecer um altar a um Cigano, ali se cria um elo espiritual onde quer que esteja o Cigano que é cultuado ali, sempre irá ouvir o chamado feito pelo médium diante do altar.

O mais importante em um altar para os Ciganos são os 4 elementos. Para representá-los, usamos um castiçal com uma (ou mais) velas, representando o fogo, mesmo que a vela esteja apagada.

As cores podem ser qualquer uma, exceto preto e marrom.

Essas cores só são usadas em certos tipos de rituais.

Não podemos esquecer que temos que ter a imagem de Santa Sara Kalli e de Nossa Senhora Aparecida,assim como a imagem de nossos ciganos espirituais.

Deveremos ter uma taça bonita com água.

A água é simbolismo do sentimento, por isso deve ser sempre a mais pura e limpa possível (água mineral sem gás).

Essa água na taça atua como um catalisador de más energias, e quando estiver turva, deve ser jogada em água corrente e trocada, sempre por água filtrada ou mineral.

Um incensário, onde um incenso deve ser aceso pelo menos uma vez por semana – representa o ar, mesmo sem incenso.

Incenso Floral para Ciganas (rosa, violeta, lírio, dama da noite, jasmim, etc.) e Incenso Herbal para Ciganos (Sândalo, canela, cravo, eucalipto, mirra, alecrim, benjoim, etc.).

Cristais, de vários tipos, cores, formas e tamanhos; caso não seja possível ter muitos, coloque algum(s) escolhido(s) por intuição.

O ideal é ter pelo menos uma pedra em estado bruto/ponta. As pedras podem ficar também num pote de vidro transparente sem tampa com água, pois a mesma potencializa a capacidade energética dos Cristais.

Os cristais fecham o ciclo, representando a terra.

Corpo – terra, Coração (emoção) – água, Mente – ar e Espírito – fogo.

Além desses elementos, que são básicos, qualquer outra coisa que seja sentida por intuição, pode ser colocada: baralho, leque, adornos, lenços, baú, etc.

As únicas exceção é o Punhal este só deve ser colocada um punhal já trabalhado, ou seja, que tenha passado pela magia de um Cigano, que pode ser o seu incorporado, ou o de outra pessoa (alguém que fez o trabalho no punhal para você – nesse caso, recomendo muitíssimo cuidado antes de aceitar).

Para o fortalecimento dos Ciganos (as), é muito bom colocar uma fruta no altar, pelo menos 1 vez por semana, na 2ª noite da lua cheia ou crescente Só não coloque frutas ácidas, tipo abacaxi ou laranja… Ciganos não gostam de sabores ácidos, pelo menos a maioria não, e se você não tiver a certeza, melhor não arriscar!

As frutas devem ficar até um pouco antes de apodrecer, e devem ser despachadas num jardim bonito.

Pode ser oferecida também uma taça com vinho, além da que tem água, pois o vinho é a bebida Universal dos Ciganos.

Após uma semana, ou quando a lua virar, despeja o vinho em água corrente.

Flores também são bem vindas no altar, sendo que se for um altar para Cigano, as flores devem ser cravo branco ou vermelho, girassol, lírio branco ou Rosa branca (rosas em números ímpares).

Essa regra vale apenas para caso de não se conhecer as preferências de cada Cigano.

As flores murchas ou secas devem ser colocadas em um jardim, onde não haja espinhos.

Não limpe seu altar na fase da lua minguante,pois isto atrapalharia suas boas vibrações como saúde e prosperidade.

aproxime-se do seu altar faça uma oração, mentalize a força que te acompanha.

Texto: Cigana Lumiar D´eor – Psicóloga, Cromoterapeuta, Reikiana, Numeróloga, Consultora e Professora de Baralho Cigano, Produtora de Eventos Ciganos e Radialista do programa “Magia Cigana e seus Encantamentos” no Rio de Janeiro.

POTE DE GRÃOS:

1 Pote pequeno

A mesma dos Grãos: Ervilha, Arroz com Casca, amendoim, Grão de Bico, Lentilha e trigo, (TODOS EM GRÃOS)

Coloque por cima três moedas atuais,com o valor virado para cima,e um quartzo citrino no meio delas. Deixe energizando por três dias, na lua crescente,e peça à lua que empreste sua força mágica, para que nada falte na sua casa. Coloque dentro de casa, num lugar alto.

Leia também:

A PREPARAÇÃO DE IMAGENS (clique)

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Trabalho com Espíritos Ciganos

Posted by Administrador em agosto 31, 2008


(Quadro Maria do Carmo)

JUCA Nº 21

As oferendas e os feitiços relacionados aos espíritos ciganos misturam o estilo da magia européia com alguns elementos da magia de origem africana. Assim, predominam as oferendas e simpatias colocadas em lugares exteriores, os banhos aromáticos, os ingredientes nacionais (frutas, pimentas, cereais, feijões e especiarias de uso comum) os potes de barro, mas também são usadas poções, velas, defumações, cristais, moedas, pregos, etc… de origem européia.

Segundo alguns autores, o trabalho com os espíritos pode ser resumido em algumas práticas básicas.

1) Aproximação: O espírito não é assentado, como os orixás e os exus, ele não pode ser obrigado a fazer nada, pois é um conselheiro, um guia superior. Ele se aproxima da pessoa e incorpora espontaneamente, ou dá intuições sem incorporar.

2) Oferendas: As oferendas para os espíritos ciganos incluem frutas, flores, pão, bebidas (vinho ou água), adornos (coloridos e brilhantes), velas, defumadores. Os espíritos ciganos nunca recebem sacrifício de animais. O melhor dia para entregar oferendas para os espíritos ciganos é o domingo, ao meio-dia, seu local preferido é junto a uma árvore na mata ou em um jardim.

3) Trabalho: O trabalho básico dos espíritos ciganos é a adivinhação. A técnica mais comum é a cartomancia, mas podem ser usadas a bola de cristal, a leitura de mãos e outras técnicas menos comuns (geralmente próprias de um determinado espírito). A partir do que seja visto na adivinhação, o espírito cigano pode realizar feitiços para corrigir o problema encontrado.

4) Cores: Os espíritos ciganos gostam de cores vivas e brilhantes. No ritual com espíritos ciganos, nunca é usada a cor preta: nem em roupas, nem em velas, fitas ou outro material qualquer.

5) Altar: Quem trabalha com um espírito cigano, é devoto de um deles ou deseja sua proteção, pode armar em casa um pequeno espaço devocional: sobre um móvel, ou mesmo sobre uma prateleira, é colocada uma boneca cigana, imagem ou mesmo um quadro com a cigana(o) de sua devoção que deve ser consagrado através de um ritual especial. A pessoa coloca junto à imagem suas oferendas (velas, água, cristais, pote da prosperidade etc…) e, quando quer fazer um pedido ou feitiço, coloca aí o material do encantamento, antes de despachá-lo. Os ciganos costumam ter, nesse altar, as imagens dos santos de sua devoção, entre os quais é obrigatória Santa Sara.

Alguns Espíritos Ciganos

As pessoas que trabalham com espíritos ciganos sabem descrever em detalhes as características de muitos deles. A lista a seguir é um resumo de informações encontradas em livros, se alguém encontrar alguma diferença entre esses dados e sua experiência pessoal, leve em conta que essas variações podem ocorrer quando se trata da manifestação de entidades do mundo espiritual. Note também que esta lista nem de longe esgota o total de espíritos ciganos, conhecidos por seus devotos.

CARMENCITA –
cabelos e olhos pretos; Cor: coral; Perfume: patchuli; Objetos: moedas, lua; Poder de magia: amor, união.

ESMERALDA – cabelos louros, olhos verdes; Cor: verde-claro; Perfume: sândalo; Objetos: tiara com moedas, pedras verdes, signo – salomão; Poder de magia: dinheiro.

IAGO – jovem, moreno; Cor: violeta; Perfume: violeta; Objetos: moedas, cristal lilás; Poder de magia: Cura.

MADALENA –
cabelos e olhos pretos; Cor: multicor, predominando cor-de-rosa; Perfume: alfazema; Objetos: moedas presas na roupa, pulseira com talismã; Poder de magia: amor, união.

PABLO –
cabelos e olhos pretos; Cor: vermelho; Perfume: Floral; Objetos: cordão com moeda, chapéu preto; Poder de magia: negócios.

PALOMA – cabelos e olhos pretos; Cor: multicor, predominando amarelo; Perfume: verbena; Objetos: punhal, cristal vermelho; Poder de magia: proteção.

RAMUR – cabelos e olhos pretos; Cor: vermelho; Perfume: floral; Objetos: ferradura, ferro; Poder de magia: proteção, segurança.

SALAMANDRA – ruiva; Cor: vermelho; Perfume: flores do campo; Objeto: fogueira; Poder de magia:limpeza, cortar feitiço.

SANDRO – cabelos e olhos pretos; Cor: verde; Perfume: benjoin; Objeto: punhal, moedas; Poder de magia: prosperidade.

SULAMITA – cabelos e olhos pretos; Cor: azul e amarelo; Perfume: Verbena; Objetos: cristal, folhas de árvores frutíferas; Poder de magia: união, proteção.

WLADIMIR –
usa cavanhaque, jovem; Cor: azul-claro; Perfume: âmbar; Objetos: lenço no cabelo, argola na orelha, cordão com signo-salomão e sol; Poder de magia: união.

ZAÍRA – cabelos e olhos pretos, casada; Cor: azul-claro; Perfume: Acácia; Objetos: jóias prateadas; Poder de magia: amor.

POVO CIGANO

Para entender o que ocorre hoje em relação à magia cigana no Brasil, é necessário distinguir entre os ciganos reais e os simbólicos. Os ciganos reais tendem a seguir a religião dominante no país em que vivem; assim, no Brasil, a grande maioria deles se diz católica, onde vem crescendo a sua ligação com a Umbanda.

É justamente aqui que surgem os ciganos simbólicos: desde o início, a Umbanda incluiu no seu panteão, povos de diversas origens, incluídos na linha do Oriente. Foi aí que os ciganos se incorporaram à Umbanda. A princípio, era apenas mais um pequeno grupo de entidades, a que a imaginação popular dava um aspecto e um comportamento estereotipados, inspirados na visão romântica dos ciganos. Freqüentemente, essas entidades tinham personalidades poucas definidas, como a “Ciganinha” ou a “Cigana da Estrada”, com o tempo, entretanto, ocorreu uma mudança. Embora não se possa dizer qual é o peso disso no total da população cigana no Brasil, o certo é que alguns ciganos, ou descendentes deles, aproximaram-se da Umbanda.

O intercâmbio entre as duas culturas teve como resultado a sofisticação crescente do trabalho com espíritos ciganos, que adquiriu feições próprias, quase independentes do restante do culto. Hoje em dia, muitas pessoas que trabalham com espíritos ciganos não se consideram de Umbanda e realizam sua devoção de forma independente de qualquer culto organizado: é um culto essencialmente individual e doméstico, resultante, em geral, da simpatia ou da curiosidade a respeito dos ciganos. Essas pessoas tendem a seguir também as devoções dos ciganos reais, inseridas no catolicismo. A religião formal seguida pelos ciganos é complementada pela crença no sobrenatural, trazida de suas origens indianas e das regiões por onde passaram (principalmente a Europa Central e a Mediterrânea), onde ainda hoje sobrevive a bruxaria originária da antiga religião da natureza. Muitas dessas crenças podem ser encontradas entre as práticas mágicas da população brasileira herdadas talvez em parte diretamente dos ciganos.

A festa mais importante comemorada pelos ciganos e o dia de Santa Sara (24/25 de maio). Desde 1997, os ciganos comemoram também o dia de São Zeferino, o primeiro beato (e futuro santo) cigano.

Santa Sara – segundo relato cristão, poucos anos depois da morte de Jesus, José de Arimatéia fugiu da Palestina, levando consigo a Maria Jacomé, Maria Salomé, Lázaro e suas irmãs Maria e Marta. Esse grupo aportou na costa francesa na foz do rio Ródano, a partir de onde Lázaro realizou seu trabalho apostólico por toda a província romana da Gália; o local tornou-se, por isso, um dos grandes centros de peregrinação da Europa Medieval.

O resultado do encontro da religião antiga com as novas crenças cristãs foi o surgimento, na região, do culto de uma santa negra, provavelmente o sincretismo da Grande Mãe-Terra pré-cristã com a Virgem Maria (o que foi muito comum na Europa, durante a Idade Média).

De acordo com uma lenda, o grupo de José de Arimatéia trouxera uma escrava negra chamada Sara; outra versão diz que Sara era uma habitante do lugar, que acolheu os exilados, seja como for, cresceu na região da Camargue o culto de Santa Sara. Embora Sara não seja canonizada (e seja, possivelmente, uma figura lendária), é aceita pela igreja como uma santa popular regional.

Quando os ciganos chegaram à região, em meados do século XV, já encontraram estabelecida a devoção à santa negra. Seu aspecto lembrou-lhes uma importante deusa hindu, geralmente cultuada pelas castas inferiores, Kali, a negra, consorte de Shiva (o destruidor), que representa o lado ameaçador da Grande Mãe. Assim, para os ciganos, Santa Sara tornou-se Sara Kali, passando a ser com o tempo a grande padroeira de todos os ciganos.

São Zeferino – Zeferino Gimenez Malla foi um cigano nascido na Catalunha (Espanha) em 1861; seu apelido era “El Pelé”. Comerciante de cavalos, Zeferino levou vida nômade até os quarenta anos, quando fixou residência na cidade espanhola de Barbastro, aonde chegou a ser o patriarca dos ciganos. Seguidor da religião católica, tornou-se catequista, apesar de ser analfabeto. Muito caridoso, auxiliava ativamente todos os pobres da região. Em 1936, Zeferino, com 75 anos, tentou defender um padre que estava sendo maltratado por milicianos. Preso, foi fuzilado na noite de 09 de agosto, junto com outros prisioneiros. A data comemorativa de “São Zeferino do Cavalo Branco” é 4 de maio em que o cigano foi beatificado.

As oferendas e os feitiços relacionados aos espíritos ciganos misturam o estilo da magia européia com alguns elementos da magia de origem africana. Assim, predominam as oferendas e simpatias colocadas em lugares exteriores, os banhos aromáticos, os ingredientes nacionais (frutas, pimentas, cereais, feijões e especiarias de uso comum) os potes de barro, mas também são usadas poções, velas, defumações, cristais, moedas, pregos, etc… de origem européia.

Magia Cigana

Pote da Prosperidade: Compre um pequeno pote de barro. Providencie pequenas porções de todos os tipos de grãos alimentícios que puder encontrar: arroz, cevada, milho, trigo, feijão, lentilha, ervilha, etc), trigo mourisco, além de folhas de louro e saquinhos com farinha, café e açúcar. Providencie também algumas moedas. Num dia de Lua Cheia, arrume no pote camadas sucessivas dos grãos e das farinhas, intercalando com as moedas e as folhas. Coloque esse pote junto à imagem cigana e ofereça-o ao espírito cigano (corrente cigana), junto com uma vela, um defumador e um copo de água mineral, peça-lhe prosperidade e fartura para seu lar e seu trabalho. Troque os cereais uma vez por ano, reaproveitando o pote e as moedas e despachando os produtos perecíveis sob uma árvore.

Cesta para o Espírito Cigano: Fazer esta oferenda uma vez por mês, na Lua Crescente ou Cheia; ou sempre que quiser fazer um pedido especial ao espírito cigano (corrente cigana). Providencie uma cesta de palha; papel laminado, tecido ou papel de seda na cor preferida do espírito cigano ao qual vai oferecer a cesta; frutas variadas, com exceção das muito ácidas (abacaxi, limão); uma garrafa de vinho; flores, adereços e objetos do gosto do espírito cigano, como jóias, moedas, lenços, fitas, baralho, incensos, Também podem utilizar doces e pães. Forre a cesta com o papel ou tecido, arrume dentro os alimentos e os objetos, coloque a cesta junto da boneca ou da imagem cigana, com a vela e o incenso acesos. No dia seguinte, faça uma refeição de comunhão com seus parentes e amigos, utilizando os alimentos da cesta. Coloque as flores no pé de uma árvore e guarde os outros objetos para quando quiser repetir a oferenda.

Ritual para as bênçãos de Santa Sara a fim de trazer mais alegria, energia e força do Povo Cigano: Montar um altar com uma toalha branca ou uma colorida com detalhes dourados.Escolha a cor da vela pela energia que quiser trabalhar, podendo também acender 3 velas e trabalhar com as 3 energias juntas: a vela azul para proteção; a amarela para a área profissional e a vermelha para a área amorosa. Se optar pelas 3 velas, formar um triângulo com elas, colocando os outros elementos dentro do triângulo. Sete moedas douradas, uma cesta com frutas, flores coloridas, incensos, fitas coloridas, menos a preta, para decorar.

Ofereça e consagre todos os elementos a Deus Pai, à Sagrada Mãe, à Santa Sara Kali, aos ciganos da luz e peça a concretização de bom emprego, abertura na área profissional, na vida amorosa, fartura, abundância material e espiritual, saúde para aproveitar todas as oportunidades e proteção contra todos os males. Estenda estes pedidos aos seus familiares e a todos ligados a você. Se colocar a vela de sete dias reforce durante os sete dias os pedidos e não se esqueça dos agradecimentos. Encerrar com uma Oração a Santa Sara:

“Santa Sara, pelas forças das águas, pelas forças da lua, pelos seus mistérios.
Eu, filho do vento, da lua, das estrelas. Venho pedir proteção para mim, para minha família – Para os meus amigos e para os meus inimigos – Para minha casa e para todos que vierem bater em minha porta. Que eu tenha sempre uma palavra de amor, de carinho e de esperança. Amém!”

Ao preparar esses rituais coloque músicas alegres, entre com respeito e amor no espírito do Povo Cigano e faça-os de coração.

Trechos retirados do livro: Guia de Religiões Populares do Brasil, de Eneida D. Gaspar e do texto de Telma Aparecida

JUCA Nº 21

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Preconceitos Contra os Ciganos

Posted by Administrador em janeiro 7, 2008


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(Gravura Maria do Carmo)

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USOS E COSTUMES DOS CIGANOS

Posted by Administrador em janeiro 7, 2008


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CIGANOS – TENTANDO DESMISTIFICAR

Posted by Administrador em novembro 26, 2007


POVO ORIENTE: é uma Falange em grande ascensão dentro da Umbanda, chegando aos Terreiros na vibração de Xangô, normalmente conhecidos como mentores são Mestres de povos do oriente com grande desenvolvimento espiritual e conhecimento profundo de vários assuntos. São muito cultos e responsáveis, de poucas palavras e muito trabalho. Apresentam-se de forma humilde e simples, não necessitando de nenhum tipo de oferenda além da fé e da dedicação de seus aparelhos, além de exigirem o cumprimento de regras básicas para uma melhor interpenetração de energias com seus médiuns. Têm uma vibração extremamente sutil. E esperam que seus médiuns cumpram sua parte no que se refere ao preparo correto para trabalhar com suas energias. Trabalham mais pela irradiação do que pela incorporação propriamente dita.

CIGANOS DO ORIENTE: composta por aqueles que em encarnações anteriores tiveram grande conhecimento da espititualidade e de magia, a maioria encarnou entre o Povo Cigano e de tal povo preferiram guardar a imagem com a qual aparecem para nós. Em geral denominam-se Ciganos do Oriente, para situarem de onde vêm, pois viveram no antigo oriente médio ou no extremo oriente. São mais antigos, lembram-se de tempos mais remotos em que foram conhecedores do poder e da magia dos antigos templos.Não são tão sutis quanto o Povo do Oriente, mas também não são tão mundanos quanto os Ciganos (europeus, apenas para explicar). Levam tudo muito à sério, mas também são alegres, gostam de cantorias , bebem licores,vinho branco,chás de frutas, alguns fumam outros não, “Comem” (oferendas) comidas ciganas e muitas frutas e frutos da terra.Gostam muito de flores em suas oferendas e trabalham com cristais, cromoterapia, numerologia, astrologia,limpezas de aura, uso dos chacras, fluidoterapia, fluidificação de água com fins curativos, aromoterapia, tarot, e outros jogos e magias de seu conhecimento.Gostam muito de trabalhar com a cura física e com a doutrinação que cura espiritualmente.

CIGANOS: Povo nômade com grande conhecimento de magia , muito alegre, dançante, raça que tem conhecimento de muitos povos justamente por sua origem nômade e sua capacidade de num só tempo cultivar suas tradições e adaptar-se a novos lugares e costumes. Ao contrário dos Ciganos do Oriente, não passaram suas vidas no oriente, e sim em andanças pela Europa e alguns países do Oriente próximo , alguns poucos passaram pela Ásia, na altura da Índia, mas em geral vêm da Europa, e dos países da antiga cortina de ferro. Trabalham muito com magia do amor e de prosperidade. Bebem, fumam, e seu cardápio inclui as comidas ciganas tradicionais, frutos e frutas. Jogam cartas , lêem mãos São devotos de Santa Sara Kali, e de Nossa Senhora Aparecida. São católicos em sua maioria.

ESPÍRITOS CIGANOS: Estes são mais cultuados pelos Espiritualistas e pelo Povo Cigano (encarnado), onde segundo os Ciganos(encarnados) os espíritos não podem falar por não Ciganos, mas os nossos irmãos Espiritualistas discordam dessa afirmativa.

POMBAGIRAS CIGANAS/ EXÚ CIGANO: Não são , em geral ciganos de origem , tornam-se “ciganos” em função do seu modo de vida que levaram e/ou porque buscam o conhecimento da magia cigana para trabalharem, ou porque em algum tempo em suas vidas passadas conviveram com esse povo e dele adquiriram alguns hábitos, mas podemos encontrar entre estes ciganos, pois como em qualquer povo existe a necessidade de resgate de suas faltas. Podemos encontrar também entre a malandragem alguns espíritos de ex-ciganos que reencarnaram e se tornaram Malandros ( nem todos os Malandros se enquadram nesta afirmativa).

IMPORTANTE: Eu fiz uma adaptação de um texto da irmã Cristina Zecchinelli, que escreveu Sob irradiação e Orientação da Cigana da Estrada do Oriente, fiz a adaptação por não concordar com alguns fatos descritos no texto da nossa irmã.

O que temos que ter em mente é o respeito ao Povo Cigano(encarnado), pois estes foram perseguidos, em toda sua história desde os primórdios deste planeta, não temos direito de viver da cultura desse Povo, apenas vivemos o que nos é permitido, em nada contribui ao Médium de Umbanda e sua Mediunidade querer saber a vida de tal espírito, pois isso leva ao Médium a mistificação e isso não é bom a nenhum adepto de Umbanda, de nada adianta saber cor de roupa, perfume, isso ou aquilo, pois a história e apetrechos de trabalho quem irá dar é o Guia e não as histórias que lemos por aí e admito que a maioria das histórias contidas neste site é de cunho espiritualista e não Umbandistas, então as mesmas de nada adianta para a Umbanda. Respeitemos a cultura de um Povo e seu sofrimento, pois eles sim são o Povo Cigano e os Espíritos Ciganos seus ancestrais, nós somos apenas instrumentos de trabalho desses espíritos e não devemos dizer porque trabalhamos com espírito que se diz ter sido um cigano em vida, é que temos vínculos sanguíneos com esse Povo maravilhoso.

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CIGANOS NA UMBANDA

Posted by Administrador em novembro 26, 2007


Assim como muitos grupos e massas coletivas são colocados em várias dimensões galácticas e destinados ao encarne, dentro de um critério divino de avaliação e evolução, a exemplo de Capela e outros, os Espíritos Ciganos que hoje levam esse nome e que foram trazidos para reencarne em massa em nosso planeta Terra de outra galáxia, imigrando por designação divina de outras dimensões planetárias, carregam consigo a sabedoria, os costumes e o conhecimento. Por milênios vêm reencarnando e seguindo a ordem natural da evolução, conseguindo através dos tempos conquistar seu próprio espaço entre os demais, produzindo e conseguindo seus próprios gráficos universais de força no Plano espiritual.

Acreditamos que, em razão também da união que os abençoa, acabaram por socorrer seus próprios pares que agrupando-se em plena evolução, se tornaram uma das mais prestigiadas correntes de trabalho no Plano espiritual, motivo pelo qual, a par de seus já concebidos conhecimentos e magística, ocupam hoje o lugar de destaque nesta dimensão astral, bem como se justifica, a cada passo, ao longo do tempo, a trajetória admirável que vêm travando junto às Falanges da Umbanda Sagrada e toda espiritualidade, explicando-se dessa maneira a importância do trabalho que vêm desenvolvendo neste plano.

Carregam a denominação de Corrente Cigana, tanto quanto as outras tantas correntes de trabalho que conhecemos, com uma tendência natural de torna-se cada vez mais conhecida.

Carregam as Falanges Ciganas, juntamente com as Falanges Orientais, uma importância muito elevada, sendo cultuadas por todo um segmento, e que se explica por suas próprias razões, elegendo a prioridade de trabalho dentro da ordem natural das coisas em suas próprias tendências e especialidades.

Assim, numerosas Correntes Ciganas estão a serviço do mundo imaterial e carregam como seus sustentadores e dirigentes aqueles Espíritos mais evoluídos e antigos dentro da ordem e aprendizado, confundindo-se muitas vezes pela repetição dos nomes comuns apresentados para melhor conhecimento, preservando os costumes como forma de trabalho e respeito, facilitando a possibilidade de ampliar suas correntes com seus companheiros desencarnados e que buscam no universo Astral seu paradeiro, como ocorre em todas outras correntes do Espaço.

O Povo Cigano designado ao encarne na Terra, através dos tempos e de todo o trabalho desenvolvido até então, conseguiu conquistar um lugar de razoável importância dentro deste contexto espiritual, tendo muitos deles alcançado a graça de seguirem para outros espaços de maior evolução espiritual, juntamente com outros grupos de Espíritos, também de longa data de reencarnações repetidas na Terra e de grande contribuição, caridade e aprendizado no plano imaterial.

A argumentação de que Espíritos de Ciganos não deveriam falar por meio de não-Ciganos, ou por médiuns não-Ciganos, ou que deveriam fazê-lo no idioma próprio de seu povo, é totalmente e está em desarranjo total com os ensinamentos da Espiritualidade e sua doutrina evangélica.

Os Espíritos Ciganos agem no plano da saúde, do amor e do conhecimento, suportam princípios magísticos e têm um tratamento todo especial e diferenciado de outras correntes e Falanges. Ao contrário do que se pensa, os Ciganos reinam em suas correntes preferencialmente dentro do plano da luz e positivo, não trabalhando a serviço do mal e trazendo uma contribuição inesgotável aos homens e aos seus pares. Trabalham preferencialmente na Vibração de Direita, e aqueles que trabalham na Vibração da Esquerda não são os mesmos Espíritos de ex-Ciganos que se mantêm na Direita ostentando a condição de Guardiões e Guardiãs.

O que existem são os Exus Ciganos e as Moças Ciganas, que são verdadeiros Guardiões a serviço da Lei nas trevas.

Encontramos no Plano Positivo falanges diversas chefiadas por Ciganos diversos, em planos de atuação diversos. Dentre os mais conhecidos, podemos citar os Ciganos Pablo,Wlademir, Ramires, Juan, Pedrovick, Artemio, Hiago, Igor,Vitor e tanto outros, e, da mesma forma, as Ciganas como Esmeralda, Carmem, Salomé, Carmensita, Rosita, Madalena, Yasmin, Maria Dolores, Zaria, Sunakana, Sulamita, Wlavira, Liarin, Sarita e muitas outras também.

É importante que se esclareça que a vinculação vibratória e de Axé dos Espíritos Ciganos tem relação estreita com as cores utilizadas no culto e também com os incensos. Para o Cigano de trabalho, se possível, deve ser mantido um altar separado do altar geral, o que não quer dizer que não se possa cultuá-lo no altar normal. Esse altar deve manter sua imagem, o incenso apropriado, uma taça com água e outra com vinho, mantendo a pedra da cor de preferência do Cigano em um suporte de alumínio. É importante fazer-lhe oferendas periódicas e mantê-lo iluminado sempre com vela branca e outra da cor referida. No caso das Ciganas, apenas alterar a bebida para licor doce. Sempre que possível, deve-se derramar algumas gotas de azeite doce na pedra, deixando por três dias para depois limpa-la.

Os Espíritos Ciganos gostam muito de festas, e todas devem acontecer com bastante fruta, todas que não levem espinhos de qualquer espécie, podendo-se encher uma jarra de vinho tinto com um pouco de mel. As saias das Ciganas são sempre muito coloridas e o baralho, o espelho, o punhal, os dados, os cristais, a dança e a música, moedas e medalhas são sempre instrumentos magísticos de trabalho dos Ciganos em geral. Os Ciganos trabalham com seus encantamentos e magias e o fazem por força de seus próprios mistérios, olhando por dentro das pessoas e dos seus olhos.

É muito comum usar-se em trabalhos ciganos moedas antigas, fitas de todas as cores, folha de sândalo, punhal, raiz de violeta, cristal, lenços coloridos, folha de tabaco, tacho de cobre, de alumínio, cestas de vime, pedras coloridas, areia de rio, vinho, perfumes e escolher datas certas em dias especiais sob a regência das diversas fases da Lua.

Muitas vezes se formam no Espaço agrupamentos de Espíritos que conviveram em um mesmo clã e percorrem a caminhada da luz e dos trabalhos de caridade juntos, engrossando fileiras nas Correntes Ciganas. As Consagrações Ciganas devem ter sempre comidas nos ritual próprio, isto é, no Ritual Cigano.

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CIGANO RAMIRES

Posted by Administrador em novembro 16, 2007


No dia 24 de maio de 1577, o velho cigano Bergem casou-se com a jovem cigana Gênova, formando assim, mais uma família cigana. No dia 28 de maio de 1578 nasceu a primeira filha do casal, que levou o nome de Huélva. O casal era muito feliz com sua pequena filha.

Algum tempo depois, Gênova engravidou novamente e, no dia 24 de junho de 1580, para completar a felicidade do casal, nasceu um menino, no qual Gênova colocou o nome de Ramires. Assim se completou o grupo familiar de Bergem e Gênova, formado por quatro pessoas. Bergem era muito mais velho do que sua esposa, mas eles eram um exemplo de felicidade e amor.

Quando Ramires estava com quatro anos, no ano de 1584, sua família ia para Madri e, no meio da viagem, o tempo mudou e caiu uma forte tempestade. As carroças do comboio deslizavam na estrada cheia de lama e poças d’água; a escuridão era imensa.

Em dado momento, todos escutaram um barulho muito forte: uma das carroças tinha virado. Era um quadro desesperador. O velho cigano Bergem, sua jovem esposa Gênova, sua filha Huélva, de apenas seis anos, e seu filho Ramires, de apenas quatro anos de idade, estavam debaixo da carroça.

O cigano Pedrovik, irmão de Bergem e chefe do grupo, veio logo socorrer o irmão e sua família; mas, infelizmente, não pôde fazer mais nada, além de desvirar a carroça e colocar dentro dela os corpos do irmão, da cunhada e da sobrinha. Só o sobrinho estava vivo, sem nenhum arranhão no corpinho.

Pedrovik tomou conta de pequeno Ramires que, daquele dia em diante, tornou-se uma criança diferente. Ele ficava sempre isolado, vivia só, seu comportamento era bem distinto do dos outros meninos do grupo.

O tempo foi passando. Ramires tornou-se homem feito. Mas era de poucas palavras, seu comportamento continuava estranho, não mudara nada desde o tempo de criança, quando ficava isolado de todos.

Certo dia, seu tio Pedrovik chamou-o na tenda e disse:

“- Vamos conversar, meu filho. Já és um homem

eu decidi que irás casar com a minha protegida Zanair, neta da falecida Zaira.”

Ramires não teve escolha e assim foi concretizado o casamento, no dia 8 de abril de 1610, quando era plena primavera em Madri.

O casamento, realizado por Pedrovik, seguiu o ritual tradicional. Zanair estava belíssima com uma túnica rebordada de pedras reluzentes, a saia muito rodada que reluzia com os reflexos da fogueira, e uma coroa de flores naturais em tons claros na cabeça.

Depois de realizado o ritual de união dos dois, Pedrovik deu ao casal dois potes cheios de grãos, para que nunca faltasse alimento na sua tenda. Em seguida, Zimbia Taram, uma cigana idosa do grupo, cortou um fio de cabelo de Ramires e outro de Zanair; colocou-os dentro de um copo de cristal junto com os fios de crina de cavalo e de égua e outros objetos; e fez a magia do amor para que sempre houvesse sexo entre o casal, e para que eles tivessem muitos filhos.

Passados nove meses do casamento, Zanair deu à luz um lindo menino, a quem deu o nome de Izalon; e de ano em ano ela dava à luz mais um filho. Ela teve ao todo nove filhos, três meninos e seis meninas, que nasceram na seguinte ordem: Izalon, Pogiana, Tarim, Tainara, Tamíris, Diego, Thaís, Lemiza e Talita.
O fundo do coração de Ramires sempre foi um mistério. Ele teve de se adaptar à vida de família, superando muitos traumas da infância; entretanto, a seu modo, foi um esposo carinhoso. Foi também um ótimo pai, e criou seus filhos com muito amor e carinho.

Os membros dessa família desceram pela primeira vez à Terra como espíritos no ano de 1910..

Esse cigano era moreno-claro, de cabelos pretos lisos e olhos esverdeados.

SUAS ROUPAS

A roupa preferida de Ramires era blusão branco com mangas compridas fechadas por abotoaduras de ouro em forma de botões. Por cima desse blusão ele usava um colete de veludo verde rebordado com pedrinhas coloridas. Na cintura trazia uma faixa dourada, na qual prendia o seu punhal de prata com cabo de esmeralda. Sua calça era de veludo azul-turquesa.

SEUS ADEREÇOS

Ramires costumava usar na cabeça um lenço vermelho amarrado para o lado esquerdo. Na orelha direita trazia uma pequena argola de ouro; e no pescoço, um cordão de ouro com uma moeda de ouro antiga como pingente.

SUA MAGIA

Ramires fazia magia com dois espelhos em forma de triangulo. Ele os colocava no chão, um deles com uma das pontas voltadas para o Sul. Em cada ponta desses espelhos ele acendia uma vela branca e, no meio deles, colocava um copo com água e um cravo branco. Em seguida, ele pedia a Diuela que curasse uma pessoa doente.

A fase da Lua da sua preferência era a cheia.

Fonte: Ciganos do Passado Espíritos do Presente – Ana da Cigana Natasha – Editora PALLAS.

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Mulheres Ciganas

Posted by Administrador em dezembro 24, 2006


Entre a exuberância e o mistério – III

Eliane Medeiros Borges

Em meio às praças e ruas de nossas cidades as encontramos, chamando de longe nossa atenção. Vestidos coloridos, largos, esvoaçantes. Lenços nos longos cabelos. Elas nos abordam insistentes para que as deixemos anunciar nossa sorte em troca de muito pouco ou quase nenhum pagamento. Mas basta uma aproximação mais direta de nossa curiosidade e elas se esquivam, se recolhem a seu linguajar próprio, delimitando claramente o território no qual nós, não-ciganos, não temos permissão para incursionar. Sugerem um mistério a ser preservado.

Mas nossa curiosidade é insistente, e fomos em busca de imagens e representações desse universo que, a um só tempo, se exibe e se esconde. Nossos esforços, além da convivência com um grupo de ciganos de Campinas, nos permitiram assistir, fotografando e registrando em vídeo, a algumas cerimônias de casamento de ciganos. Essa festividade nos pareceu uma oportunidade privilegiada para nossas observações, por representar um momento de encontro e de celebração do povo cigano, no qual, suspeitávamos, apreenderíamos, através de nossas fotografias, vídeos e reflexões, alguns dos valores significativos para o grupo que estariam se manifestando de maneira mais concreta e, mais precisamente, visual.

Partíamos, então, das reflexões de Goffman, trazendo-as para o nosso objeto de interesse – o casamento cigano – considerando que ele conteria em si os elementos mais gerais que significam a renovação dos laços simbólicos que unem a comunidade.

” Na medida em que uma representação ressalta os valores oficiais comuns da sociedade em que se processa, podemos considerá-la, à maneira de Durkheim e Radcliffe-Brown, como uma cerimônia, um rejuvenescimento e reafirmação expressivos dos valores morais da comunidade.” (GOFFMAN, 1945, p. 41)

Festa para os olhos

Chama a atenção de quem assiste a um casamento cigano o que talvez seja uma de suas principais características: a profusão de elementos visuais. Tratamos assim de aproveitar o momento e registrá-lo no quanto pudemos. As fotos aqui apresentadas foram realizadas por Fernando de Tacca, participante da exploração fílmica dos dois casamentos realizados, São Paulo e Campinas, no ano de 1993. O estudo sobre os ciganos e as informações e reflexões aqui partilhadas constituem parte de uma dissertação de mestrado, concluída no Curso de Mestrado em Multimeios, Instituto de Artes, Unicamp, em 1995. O que se segue são algumas breves descrições sobre uma festa de casamento cigana, e o que ela nos parece revelar sobre o que nos atraiu mais intensamente, o foco, na câmera fotográfica e em nossas reflexões – a importância e o significado do papel desempenhado pela mulher cigana para a preservação simbólica do seu grupo e sua etnia.

Embora o texto seja certamente útil para a melhor compreensão de parte do resultado do nosso trabalho, acreditamos que são as fotografias aqui expostas que comunicam melhor a combinação de exuberância e de mistério de que parece ser constituída a cultura cigana, e sem sua riqueza e beleza algo fundamental teria faltado ao nosso trabalho.

O casamento

Algumas particularidades distinguem e dão a um casamento cigano o seu caráter específico. A festa de casamento é prevista para durar de dois a vários dias, reunindo ciganos de todas as partes do país, e mesmo do exterior, pois os convites são dirigidos aos membros da comunidade em geral.

As despesas das festas de noivado e de casamento, incluindo sua organização e o vestido de noiva, são de responsabilidade da família do noivo. Os preparativos do banquete de casamento ocorrem na residência dos pais dos noivos. Num esforço comunitário, com a participação dos parentes mais próximos do noivo – homens e mulheres envolvidos – são preparados os pratos típicos da festa.

No dia do casamento na igreja, antes de todos partirem para a cerimônia, ocorre uma seqüência de eventos, agora na casa da noiva. Esta já está pronta, vestida de branco, quando chega a família do noivo, dançando ao som de músicas ciganas.

Na sala de jantar, onde já está disposta a mesa com diversas comidas e bebidas, os homens se sentam. De um lado da mesa, a família do noivo. Do outro, a da noiva. A conversa acontece em romani, as mulheres permanecem à volta. É simulada uma negociação – a compra ritual da noiva. Moedas de ouro trocam de mãos. Em seguida, abrem uma garrafa de bebida, envolvida em um pano vermelho bordado, que os homens à mesa bebem – a proska .

Surge então a noiva, vestida de branco, pronta para a Igreja. Mais música e agora a noiva dança com o padrinho, ainda na sala de jantar/estar. Em seguida, todos saem para se dirigirem à igreja; a noiva em uma limusine. O cortejo com as famílias seguindo, e apenas o noivo não estava presente, pois aguarda na igreja. Lá, a cerimônia é convencional, exceto pelos trajes dos convidados e padrinhos vestidos com as tradicionais roupas ciganas, e a profusão de jóias. Apenas algumas dezenas de convidados compareceram à cerimônia religiosa, considerada mais íntima.

O momento seguinte do casamento ocorre num clube alugado para a ocasião e onde um conjunto garante a animação musical da festa. Desde o início, danças em círculo e uma bandeira vermelha com o nome dos noivos. Os convidados vão chegando aos poucos, juntando-se às danças, enquanto duas grandes mesas, ao longo das paredes, são arrumadas. No banquete, homens e mulheres ficarão separados, em lados opostos. À medida que cresce o número de pessoas, aumenta, de certa forma, a confusão: a solenidade das mesas contrasta com os colchões espalhados nos cantos do salão, onde dormem crianças. A festa vai chegando ao fim quando a noiva deixa o salão de festas, juntamente com a família do noivo, à qual passa a pertencer. Entre a festa do primeiro dia e a que ocorrerá no dia seguinte, há a noite de núpcias do casal.

O segundo dia

A festa começa novamente no dia seguinte, agora na casa dos pais do noivo, onde o casal passa a residir. O banquete continua – agora para um número menor de convidados. No lugar do branco do dia anterior, o vermelho se sobressai na festa – nos cravos, usados pelos convidados, na decoração, na bandeira, nas roupas da noiva. Esta, à entrada da casa, recebe cada convidado, junto a uma bacia com água de onde tira cravos vermelhos, para oferecer-lhes. Em troca, recebe notas de dinheiro, geralmente de pequeno valor. Santana registra este momento, em outro casamento estudado:

“A continuação da festa de casamento, depois do primeiro dia, será toda voltada para a noiva, que é agora, uma mulher casada. Sempre acompanhada do marido, ela deixa o semblante triste que a acompanhou até este momento. Todos a procuram para receber dela uma flor vermelha e crianças, jovens e velhos lhe retribuem com dinheiro. Isso significa que a cumprimentam por seu novo status na sociedade, alcançado segundo a tradição dos ciganos.” (Santana , p.112)

Mulher cigana

A observação e registro do casamento cigano nos conduziu a algumas reflexões sobre o lugar e o papel desempenhado pela mulher cigana no interior de sua cultura, de fundamentos notoriamente patriarcais. Em um aparente paradoxo, tudo se passa como se a cerimônia de casamento constituísse não uma festa dos noivos, mas mais precisamente da noiva cigana. Esta parece ser o centro em torno do qual todos os gestos e rituais se dirigem, enquanto ao noivo, observa-se, parece estar reservado um papel secundário, como simples coadjuvante.

A partir dessas observações, e de outras realizadas em outros momentos da pesquisa, o que testemunhamos parece ultrapassar a simples celebração de um casamento, mas aponta para a celebração do que representa a mulher na cultura cigana. A noiva, mais do que ela mesma – jovem que se casa – representaria a mulher cigana, encarnando portanto, simbolicamente, todas as mulheres, e seu papel de guardiãs da tradição, cultura e identidade do grupo. Isto pode ser melhor compreendido se colocarmos em oposição algumas das atribuições referentes aos papéis que homens e mulheres desempenham no interior da cultura cigana.

Tomemos como exemplo, no ritual de casamento, o momento da compra da noiva, quando um aspecto importante da cultura cigana é reafirmado. Mesmo eventualmente sendo apenas simbólica, a cerimônia significa que o poder de formar as famílias – o casamento arranjado – é uma atribuição dos pais e, mais precisamente, dos homens. Cabe aos jovens submeterem-se a eles. O casamento acontece sob o signo da autoridade dos pais, da tradição, e apresenta o poder masculino da decisão, em contraponto ao poder feminino que será celebrado a partir de então. A notar que a compra da noiva é um negócio, atribuição normal e cotidiana dos homens.

Sabemos que, entre os ciganos, na maioria das vezes, é o homem o responsável principal pelo sustento da família – em atividades de comércio, artesanato ou indústria. Isso significa que a ele cabe o contato, ao nível da atividade econômica, com a sociedade dominante, pois os grupos ciganos não são auto-sustentáveis. Ao exercerem o seu trabalho, não lhes é conveniente apresentar-se como ciganos, devido aos preconceitos que freqüentemente envolvem sua imagem – sabemos de vários ciganos que ocultam sua condição étnica: enquanto participam da sociedade cigana, não admitem aparecer publicamente para os não-ciganos como tal. Seria uma atitude de defesa, para não se sujeitar aos temores e desconfianças dos não-ciganos.

O homem cigano teria, portanto, o papel de, com relação à sociedade dominante, apresentar-se ao nível de relações concretas, materiais, assegurando a subsistência da família. Com relação à própria comunidade, ocupa o lugar tradicional de uma sociedade patriarcal – representa a autoridade, a decisão: é, de muitas forma, o senhor dos destinos, ao qual a mulher deve se submeter.

À mulher, por sua vez, cabe o papel de se relacionar simbolicamente com as sociedades dominantes, carregando no próprio corpo a imagem que afirma e garante a sobrevivência do grupo, não mais no nível estritamente material: ela é sempre a cigana, identificada como tal, que aparece como a senhora da magia e dos mistérios, marcas da cultura a que pertence. Em seu próprio corpo carrega os principais valores e expectativas do grupo: virgindade/fertilidade, fidelidade às tradições. Seu papel, que será exaltado na festa de casamento, tem duas dimensões: assume a responsabilidade tanto pela reprodução física do grupo como por sua reprodução simbólica.

Observamos então que a festa de casamento em si apresenta-se como a celebração da mulher, dessa vez expressa no corpo não de todas as mulheres, mas daquela que as simboliza – a noiva. Do branco usado na igreja ao vermelho do segundo dia do casamento, a transformação que ocorre significa a trajetória que deve ser aquela de todas as mulheres ciganas. A tradição do branco ao vermelho significa o fim da virgindade e o início das responsabilidades de mulher, através da modificação operada no seu próprio corpo: hímen rompido ao qual corresponderão as camisas rasgadas no segundo dia; e através das marcas que carregará na mente: os rituais em torno desse acontecimento – a espera e a exibição do sangue.

A cor vermelha, a mesma que significa o sangue do fim da virgindade, é a cor, segundo as próprias ciganas, “essencialmente cigana”. Significa “alegria, virgindade, fertilidade, sorte – tudo de bom”. É a cor presente em todo o segundo dia do casamento –vestes da noiva, flores, bandeira, decoração – quando a menina se tornou oficialmente portadora da identidade cigana. Isto já a espera há muito tempo. A broska, com a qual as famílias celebram o noivado e o casamento de seus filhos, já vem envolta num pano vermelho, que a noiva usará ao assumir sua condição de cigana (e que será o seu primeiro lenço de casada).

José Carlos Rodrigues nos chama a atenção para a necessidade de se estudar a maneira pela qual cada sociedade força os seus indivíduos a fazerem determinados usos de seus corpos. A forma ostensiva como os ciganos, e em especial as ciganas, parecem se esforçar em significar com seus corpos torna oportuna as suas reflexões sobre o lugar que o corpo ocupa nas sociedades:

“….é a sociedade em sua globalidade, e cada fragmento social em particular que decidem o ideal intelectual, afetivo, moral ou físico que a educação deve implementar nos indivíduos a socializar, e, tanto quanto no espírito, uma sociedade não pode sobreviver sem fixar no físico de suas crianças algumas similitudes essenciais que as identifiquem e possibilitem a comunicação entre elas…. Ao realizar este trabalho, a Cultura dita normas em relação ao corpo; normas a que o indivíduo tenderá, à custa de castigos e recompensas, a se conformar, até o ponto de estes padrões de comportamento se lhe apresentarem como tão naturais quanto o desenvolvimento dos seres vivos, a sucessão das estações ou o movimento do nascer e do pôr-do-sol”. (RODRIGUES, 1975. P.45)

Referências bibliográficas

GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. Petrópolis : Vozes, 1985.

RODRIGUES, José Carlos. O tabu do corpo. Rio de Janeiro: Achiamé, 1975.

SANTANA, Maria de Lourdes B. Os ciganos : aspectos da organização social de um grupo cigano em Campinas. São Paulo : USP, 1972.

Para saber mais sobre os ciganos:

MARTINEZ, Nicole. Os ciganos. Campinas: Papirus. 1989.

MORAES FILHO, Mello. Os ciganos do Brazil. Rio de Janeiro : B.L. Garnier Ed., 1886.

PEREIRA, Cristina da Costa. Povo cigano. Rio de Janeiro: Ed. MEC, 1985.

RETIRADO DO SITE: http://www.studium.iar.unicamp.br/nove/4.html

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O Povo Cigano

Posted by Administrador em dezembro 12, 2006


Os ciganos são um povo nômade amante da música, das cores alegres e da magia, que foi expulso por invasores árabes há quase 3 mil anos da região noroeste da Índia, onde hoje é o Paquistão. Depois de vagar pelas Terras do Oriente, os ciganos invadiram o Ocidente e espalharam-se por todo o mundo. Essa invasão foi uma das únicas na história da humanidade que foi feita sem guerras, dor ou derramamento de sangue. Trata-se de uma invasão cultural e espiritual e ao contrário do que muitos pensam, o Povo Cigano é que foi perseguido, julgado e expulso ao longo do seu pacífico caminhar.
O que não se sabe ainda é se esses eternos viajantes pertenciam a uma casta inferior dentro da hierarquia indiana (os parias) ou de uma casta aristocrática e militar, os orgulhosos (rajputs). Independente de qual fosse seu status, a partir do êxodo pelo Oriente, os ciganos se dedicaram com exclusividade a atividades itinerantes: como ferreiros, domadores, criadores e vendedores de cavalo, saltimbancos, comerciantes de miudeza e o melhor de suas qualidades que era a arte divinatória. Viajavam sempre em grandes carroças coloridas e criaram nomes poéticos para si mesmos.
São mais de 15 milhões de ciganos em diferentes pontos da Europa, Ásia, África, América, Austrália e Nova Zelândia. Quase sempre os ciganos eram bem recebidos nos países onde chegavam. Os chefes das tribos apresentavam-se de forma pomposa, como príncipes, duques e condes (títulos, aliás inexistentes entre os ciganos). Diziam-se peregrinos cristãos vindos do Egito e, assim obtinham licença das autoridades locais para se instalarem.
Na Moldávia e na Valáquia (atual Romênia), os ciganos foram escravizados durante trezentos anos; na Albânia e na Grécia pagavam impostos mais altos. Na Alemanha, crianças ciganas eram tiradas dos pais com a desculpa de que “iriam estudar”, enquanto a Polônia, a Dinamarca e a Áustria puniam com severidade quem os acolhesse. Nos países baixos inúmeros ciganos foram condenados à forca e seus filhos obrigados a assistir à execução dos pais para que assim aprendessem a “lição de moral”. Apenas no país de Gales eles tiveram espaço para manter parte das suas tradições e a língua. Na região de Andaluzia (Espanha), encontraram facilidades e estabeleceram-se. Mesmo assim, durante a inquisição católica, vários deles foram expulsos pelos tribunais do Santo Ofício.
Rotulados injustamente como ladrões, feiticeiros e vagabundos, os ciganos tornaram-se um espelho onde os homens das grandes cidades e de pequenos corações expiaram suas raivas, frustrações e sonhos de liberdade destruídos.
Pacientemente, este povo diferenciado, continuou sua marcha e até hoje seus estigmas não sararam. O homem moderno ainda não aprendeu a viver e deixar viver. Diferente continua sendo o sinônimo de inimigo. Mas a “alma cigana” perfuma o lugar por onde passa. O Povo Cigano é guardião da LIBERDADE.
A vida é uma grande estrada, a alma é uma pequena carroça e a Divindade é o Carroceiro.
Com valores muito diferente dos nossos, os ciganos estão longe de querer o poder e não fazem a mínima questão de ascender na escala social. Os “golpes” que aplicam nos “gadjé” (nome dado aos não ciganos) são mais um meio de provar sua superioridade do que um jeito de enriquecer fácil. É também em nome dessa superioridade (cujas raízes estão em lendas como a de que os ciganos seriam filhos da primeira mulher de Adão, Lilith, e, portanto, livres do pecado original) que eles não aceitam de modo algum ser empregados dos “gadjé” e apegam-se a antigas profissões artesanais que caracterizam suas tribos e são ensinadas desde cedo às crianças.

A família é a base da organização social dos ciganos, não havendo hierarquia rígida no interior dos grupos. O comando normalmente é exercido pelo homem mais capaz, uma vez que os ciganos respeitam acima de tudo a inteligência. Este homem é o Kaku e representa a tribo na Krisromani, uma espécie de tribunal cigano formado pelos membros mais respeitados de cada comunidade, com a função de punir quem transgride, a rígida ética cigana. A figura feminina tem sua importância e é comum haver lideranças femininas como as phury-day (matriarca) e as bibi (tias-conselheiras), lembrando que nenhum cigano deixa de consultar as avós, mães e tias para resolver problemas importantes por meio da leitura da sorte.
O misticismo e a religiosidade, fazem parte de todos os hábitos da vida cigana. A maior parte deles acredita em um único deus (Dou-la ou Bel) em eterna luta contra o demônio (Deng). Normalmente, assimilam as religiões do lugar onde se encontram, mas jamais deixam de lado o culto aos antepassados, o temor dos maus-olhados, a crença na reencarnação e na força do destino (baji), contra a qual não adianta lutar. Quase todos são devotos de “Santa Sara”, que é reverenciada nos dias 24 e 25 de maio, em procissões que lotam Lês Saints Maries de La Mer, em Camargue, no Sul da França.
A sexualidade é outro ponto importante entre os ciganos. E, ao contrário do que se imagina, eles têm uma moral bastante conservadora. Alguns mitos antigos falam da existência das mães-de-tribo, que tinham um marido e um “acariciador”. Outros falam das gavalies de la noille, as misteriosas noivas do fim de noite, com quem os kakus se encontravam uma única vez, passando desde então, a ter poderes especiais. Mas o certo mesmo é que os ciganos se casam cedo, quase sempre seguindo acordos firmados entre as duas famílias. Não recebem nenhum tipo de iniciação sexual e ter filhos é a principal função do sexo. Descobrir os seios em público é comum e natural, mas nenhuma mulher pode mostrar as pernas, pois da cintura para baixo todas são merimé (impuras). Vem daí a imposição das saias compridas e rodadas para as mulheres, que também são proibidas de cortar os cabelos, e nunca sentam à mesma mesa que os homens. Ironicamente, como praticantes da magia e das artes divinatórias, são elas que cada vez mais assumem o controle econômico da família, pois a leitura da sorte é a principal fonte de renda para a maioria das tribos. O resultado é uma situação contraditória, em que o homem manda, mas é a mulher quem sustenta o grupo.

A CULTURA

A cultura dos ciganos, representada por um conjunto de tradições e crenças, está em fase de constante mudança e, em alguns casos, está se desagregando de maneira irreversível perante a hegemonia da cultura da sociedade sedentária. Existem algumas mudanças que permitem prever um caminho em direção a uma tomada de consciência difundida entre Rom, Sintos e Gitanos. No plano social e político, no decorrer dos últimos anos, foi-se delineando um amadurecimento, que resultou no surgimento de formas associativas e de movimentos de âmbito internacional.
Na metade dos anos 60, aconteceu a fundação da União Internacional Romaní, seguida pelo surgimento de numerosas Organizações Ciganas, que apareceram no decorrer dos últimos 30 anos defendendo a causa da minoria cigana e tutelando sua cultura. Algumas delas contam com a participação conjunta de ciganos e gadjê, outras são geridas exclusivamente por membros das diversas comunidades ciganas.
Os ciganos viveram e vivem diante de uma realidade complexa e às vezes difícil de decifrar.

Em meio a situações de desagregação social e à perda de identidade, surgem sinais contrapostos de esperança e de renovação que testemunham uma rebelião contra um destino amargo.
A defesa do direito à diferença; uma diferença que, no caso dos ciganos, pode conter aspectos que para muitos são difíceis de entender e de compartilhar. É preciso ter consciência de que tais formas de “desvio social” não são peculiares à cultura romaní, mas frequentemente, são consequência da secular rejeição oposta a eles pelas sociedades circunstantes.
Os ciganos constituem talvez o último desafio a um modelo de vida voltada à especulação e ao cimento: o futuro deles depende da boa vontade dos povos vizinhos. Eles continuarão a existir na medida em que a sociedade dos gadjê (não ciganos) não ficar indiferente às suas ansiedades, a seus problemas e às suas aspirações.

A LEITURA DAS MÃOS

As linhas das mãos, tem grande importância, a saber:

Por toda energia que conduzem e alimentam
Por elas correm chaves que desvendam o futuro, o presente e o passado
São expressões mutáveis
Revela o comportamento e personalidade do indivíduo
São quatro as linhas principais: do destino, da vida, da cabeça e do coração
Quando uma linha é forte, bem marcada e com poucas divisões e sinais, significa que a energia que por ali corre e normal e repleta de vitalidade
Quando a linha é fraca e com outras demais difusas, significa que a energia é lenta e com vários obstáculos em questão.
LINHA DA VIDA
Passa informações sobre nossa saúde e também sobre o modo como lutamos pelo sucesso.
Normal: Quando seu traçado é bem definido e regular, caracteriza pessoa equilibrada e saudável.
Interrompida: Quando há falhas no seu traçado, indica problemas de saúde ou mudanças radicais na vida.
Em cadeia: Quando o traçado lembra os elos de uma corrente, indica grande inteligência e saúde frágil.
Ramificada: Quando a linha é cortada por traços ascendentes, voltados na direção dos dedos, promessa de riqueza e felicidade. Quando os tracinhos são descendentes, voltados para o pulso, possibilidade de desgostos e sacrifícios.
Dupla: Identifica pessoas com capacidade de se recuperar das doenças e de agir com segurança nas situações difíceis.
LINHA DA CABEÇA
Representa inteligência, criatividade e capacidade de concentração.
Longa: Quando se estende até o pulso, indica pessoa calma, inteligente e responsável.
Curta: Quando não chega até o pulso é porque a pessoa é dispersiva e um pouco limitada intelectualmente.
Em cadeia: Quando seu traçado lembra os elos de uma corrente, indica pessoa nervosa, que pode ter problemas de saúde derivados de pressão alta.
Ramificada: Se ela é cortada por traços ascendentes que se voltam na direção dos dedos, indica bons pensamentos e capacidade de tomar decisões acertadas. Se os traços são descendentes, voltados para o pulso, indicam possibilidade de remorso por decisões tomadas sem reflexão.
Chegando até o Monte da Lua: Define pessoas com tendência ao alcoolismo e outros vícios e a práticas esotéricas não recomendáveis, como a magia negra.

LINHA DO CORAÇÃO
Reflete as nossas tendências emocionais e afetivas.
Normal: Quando seu traçado é regular e bem definido, revela pessoa generosa, simpática, cordial e amorosa.
Grossa: Pessoa ciumenta e aventureira. Quanto mais destacado for o seu traçado, maior o indício de que ela se deixa levar mais pela emoção do que pela razão.
Fina: Identifica aquelas pessoas que, quando estão apaixonadas, se entregam totalmente, esquecendo até as regras morais.
Em cadeia: Quando seu traçado lembra os elos de uma corrente, é sinal de vida amorosa complicada.
Ramificada: Se essa linha é cortada por pequenos traços ascendentes, que sobem em direção aos dedos, é sinal de pessoa de temperamento alegre e sempre disposta a ajudar os outros. Os tracinhos descendentes, que seguem em direção ao pulso, são sinais de inimizades e obstáculos à realização amorosa.

LINHA DO DESTINO
Refere-se à vida profissional as alegrias e dificuldades que poderemos encontrar no trabalho e nossas chances de sucesso social.
Linha dos filhos: Indica a capacidade que a pessoa tem de gerar filhos. Se for apenas uma linha, é porque, provavelmente, ela sé terá um filho. Se forem duas, é porque ela poderá ter dois filhos. Se forem três, três filhos, e assim por diante.
Linha da intuição: Indica grande capacidade de perceber e seguir o que dita a intuição.
Linha das viagens: Se o seu traçado for curto, é porque, possivelmente, a pessoa só fará uma viagem importante. Se for longa, indica a possibilidade de viagens constantes.
Linha lasciva: Sinal de pessoa leal e sincera, desejosa de ajudar os mais necessitados.
Normal: Quando ela tem traçado bem definido, promete uma vida profissional sem grandes problemas ou turbulências.
Interrompida: Quando seu traçado não é contínuo, indica possibilidade de mudanças súbitas de profissão ou de situação financeira.
Ramificada: Quando ela é cortada por traços ascendentes, que apontam na direção dos dedos, anuncia sucesso profissional. Quando esses traços são descendentes, apontando para o pulso, anunciam problemas no trabalho.
Começando junto à Linha da Vida ou dentro do Monte de Vênus: – Mostra interferência da família ou dos filhos nos rumos da vida profissional.
Começando no Monte da Lua: Indica possibilidade de sucesso em atividades religiosas, políticas e artísticas e ainda chances de grande projeção social.

LINHA SOLAR
Pode não aparecer em todas as mãos, porque indica características muito especiais, relacionadas ao talento e qualidades artísticas.
Reta e bem definida: Indica que a pessoa terá sucesso no ramo artístico.
Curta: Para que a pessoa tenha sucesso na área artística, terá de lutar muito. Possivelmente não receberá ajuda de ninguém e tudo o que conseguir virá pelo esforço próprio.
Ramificada: Quando ela é cortada por traços ascendentes, que apontam na direção dos dedos, é sinal de grande sucesso artístico. Quando os traços são descendentes, apontando para o pulso, indicam sucesso apenas regular.
Começando no Monte de Vênus: Indica que a pessoa já nasceu com talento para as artes ou que pode ser ajudada pela família nessa área.
Começando acima da Linha da Cabeça: Indica que o sucesso nas atividades artísticas vai demorar para chegar.

LINHA MERCURIANA
Também chamada de Linha da Intuição ou linha da inteligência, refere-se à inteligência, aos dons intuitivos ou à mediunidade. Pode também dar indicações sobre nossa saúde e vida social.
Longa: Prenúncio de vida saudável e dons para o comércio e para as atividades científicas.
Curta: É um alerta para a necessidade de cuidar bem da saúde, porque o organismo apresenta alguns pontos fracos.
Em cadeia: Quando seu traçado lembra os elos de uma corrente, sugere que a pessoa está sujeita a passar por problemas afetivos e deve, por isso, evitar situações de confronto e conflito.
Seguindo até o Monte da Lua: Quem tem essa linha na palma da mão possui muita imaginação e talento para a poesia. Usa sua inspiração para se orientar nos negócios e quase nunca erra, o que lhe garante uma boa situação financeira.
Seguindo até entre as Linhas do Coração e da Cabeça: Significa que a pessoa tem boa saúde, mas terá de superar muitos obstáculos na vida e trabalhar bastante se quiser progredir.

SANTA SARAH
Protetora do Povo Cigano

O mistério envolve o povo cigano como o ar que ele respira. Da Lua Cheia, retira a magia; da dança e da música, toda a alegria; da natureza, a força e a energia. E para Santa Sarah, ele volta sua fé, seus pedidos e seus agradecimentos.

Saiba tudo sobre essa santa, as muitas lendas em torno da sua vida, do seu poder e uma oração para invocá-la, antes de ler as cartas e também nos momentos difíceis.

O inicio de sua Adoração
Para desvendar um pouco do mistério que acompanha Santa Sarah e descobrir porque ela é tão venerada pelos ciganos, é preciso voltar ao tempo, na Idade Média, particularmente na Europa.

A religiosidade faz parte da vida dos ciganos, desde o nascimento até a morte, e para poderem cultuar seus santos sem serem vítimas dos preconceitos dos não-ciganos é que eles costumavam se converter à religião dominante do local em que se estabeleciam. Então, os grupos que foram para a Europa se declararam católicos e se ligaram a Santa Sarah que tinha origens misteriosas e a pele morena, como eles.

História Ou Lenda ?
Dessa aura de mistério que pairava na imagem de sarah surgiram várias versões para o seu aparecimento. Ela é considerada uma santa católica, mas não passou pelos processos de canonização desta igreja. Também se liga a uma forte tradição européia medieval, o culto às virgens negras. Muitas santidades femininas, representadas por estátuas negras, foram adoradas durante toda a Idade Média. E muitos católicos transformavam as igrejas em santuários de peregrinação.
Uma das lendas diz que sara era uma escrava egípcia de uma das três Marias, Madalena, Jacobé ou Salomé; e junto com José de Arimatéia, Trófimo e Lázaro foi colocada, pelos judeus, em uma barca sem remos e alimentos. Talvez por um milagre, ou por obra do destino, eles chegaram a salvo a uma praia próxima a Saintes Maries de La Mer, em Camargue , região do sul da França.
Outra versão conta que Sarah era moradora de Camargue e teve piedade das Marias, resolvendo ajudá-las. Também dizem que ela era uma rainha das terras de Camargue ou uma sacerdotisa do antigo culto celta ao deus Mitra.
Uma das explicações para estas lendas é que em Camargue existiram várias colônias de antigas civilizações, como a egípcia , a cretense, a fenícia e a grega. Por isso, muitos poetas e menestréis contaram a lenda de Sarah, de acordo com o que ouviram de seu povo, e assim, o mito em torno dessa poderosa santa foi difundido pelo mundo e ela continua, até hoje, a ser adorada entre as comunidades ciganas.

ORAÇÃO À SANTA SARAH:
” Estrela azul de D’arma, pelos sagrados símbolos do triângulo e da cruz, eu ( diga seu nome ), nascido(a) no dia ( data de seu nascimento ), regido(a) e protegido(a) por ( planeta regente e anjo da guarda ), peço ao Povo Cigano, ( mentalizar a energia que o(a) acompanha, apenas o cigano ou cigana ), que traga para mim ( pedidos em número impar ), em nome de Santa Sarah e do Mestre dos mestres, Jesus o Cristo.
Que assim seja para todo o sempre.”
Amem.

SUNTÔ MARIÔNÊ ( Ave Maria Cigana ):
“Suntô Mariônê, pérdô san andô svêtô ô Del tu sai.
Uusi san angla sá e juvliá uusôi ô fruktô kai arakádilas tutar Jesus.
Suntô Mariônê Del leski dei rudissar paala amarrê becerra akaanak ai kana méérassa.
Amém”

ROMANÊS O IDIOMA DO POVO CIGANO:
O Romanês, um idioma muito diferente do português e exclusivo deste povo, é um vocabulário que se originou pela mistura de muitos outros, resultado de suas andanças pelo mundo. É impossível vinculá-lo a um único idioma ou etnia. Conheça algumas palavras e sua tradução:

PEQUENO DICIONÁRIO ROMANÊS:
Acans: olhos
Aruvinhar: chorar
Bales: cabelos
Baque: sorte, fortuna, felicidade
Bato: pai
Brichindin: chuva
Cabén: comida
Cabipe: mentira
Cadéns: dinheiro
Calin: cigana
Calon: cigano
Churdar: roubar
Dai (ou Bata): mãe
Dirachin: noite
Duvêl: Deus, Nosso Senhor, Cristo
Estardar: prender
Gadjó: não cigano
Gajão: brasileiro, senhor
Gajin: brasileira, senhora
Jalar: ir embora
Kachardin: triste
Kambulin: amor
Lon: sal
Marrão: pão
Mirinhorôn: viúva
Naçualão: doente
Nazar: flor
Paguicerdar: pagar
Panin: água
Paxivalin: donzela
Querdapanin: português
Quiraz: queijo
Raty: sangue
Remedicinar: casar
Ron: homem
Runin: mulher
Sunacai: ouro
Suvinhar: dormir
Tiráques: sapatos
Trup: corpo
Urai: imperador ou rei
Urdar: vestir
Vázes: dedos ou mão
Xacas: ervas
Xinbire: aguardente
Xôres: barbas

AGENDA CIGANA:
As datas mais importantes para os ciganos são:
• NATAL
• PÁSCOA
• DIA DE SANTA SARA, 24 de maio
• SEMANA SANTA
• DIA DO CIGANO, 12 de outubro

COMO OS CIGANOS SÃO CONHECIDOS PELO MUNDO:
GITANOS: na Espanha
GYPSIES: na Inglaterra
BOÊMIOS: na Alemanha
ZÍNGAROS: na Itália
ROM: na Europa Oriental
O Baralho Cigano

O Baralho Cigano foi elaborado pelos ciganos com base no oráculo mais conhecido e difundido no mundo: o Tarô. Supõe-se que os ciganos até chegaram a usar as 78 lâminas do Tarô, porém, sentiram a necessidade de terem um oráculo próprio e resolveram adaptar as 78 lâminas em 36, surgindo assim, o Baralho Cigano.
Acredito que a necessidade de se ter um oráculo próprio veio da natureza dos ciganos, que só usavam o que era deles e recusavam tudo o que fosse dos “Gadjos” (não-ciganos), pois não queriam ficar presos às idéias e símbolos que não pertenciam à sua cultura e cotidiano. Sendo assim, eles transformaram os desenhos, mudaram os significados do tarô original e puderam trabalhar com um instrumento próprio.
Encontramos, basicamente, no Baralho Cigano símbolos que falam só da vida ao ar livre, a natureza, rios, árvores, animais, que são sempre retratados porque fazem parte do dia a dia dos ciganos.
Na maioria das cenas retratadas nas lâminas, vemos a necessidade que esse povo tem de liberdade e da vida em constante contato com a natureza.
Faz parte da tradição cigana a prática da adivinhação pelas mulheres, porém, elas possuem dois tipos de cartas: uma para o uso restrito ao grupo cigano, e outro para fazer adivinhação à comunidade.

Para conhecer o Baralho Cigano e conhecer o significado de cada lâmina(carta), acesse a página http://www.reinodeoxum.com.br/BaralhoCigano.htm. Você irá conhecer cada carta do baralho e o que ela representa.

A Origem do Povo Cigano ..::

A origem indiana dos ciganos é hoje admitida por todos os estudiosos. População indo-européia, mais especialmente indo-iraniana: não há dúvidas quanto ao que diz respeito à língua e à cultura. Os indianistas modernos, no entanto, têm tendência a não considerá-lo um grupo homogêneo, mas um povo viajante muito antigo, composto de elementos diversos, alguns dos quais poderiam vir do sudeste da Índia.

A maior parte dos indianistas, porém, fixa a pátria dos ciganos no noroeste da Índia. A maioria, igualmente, os ligam à casta dos párias. Isso em parte por causa de seu aspecto miserável, que não se deve a séculos de perseguição, pois foi descrito bem antes da era das perseguições. Também por causa dos empregos subalternos e das profissões geralmente desprezadas na Índia contemporânea pelos indianos que lhes parecem estreitamente aparentados.

Um dos nomes mais freqüentemente dados aos ciganos era o de Egypcios. Por que esse nome, por que os títulos de duque ou conde do Pequeno Egito adotados com freqüência pelos chefes ciganos? Uma crônica de Constâncio menciona os “Ziginer”, que visitam, em 1438, a cidade de uma ilha “não distante do Pequeno Egito”. Um dos principais centros na costa do Peloponeso encontrava-se ao pé do monte Gype, conhecido pelo nome de Pequeno Egito.

Pode-se perguntar por que o local era chamado de Pequeno Egito. Não seria justamente por causa da presença dos Egypcios? O certo é que não pode se tratar do Egito africano. O itinerário das primeiras migrações ciganas não passa pela África do Norte. O geógrafo Bellon, ao visitar o vale do Nilo no século XVI, encontra, diz ele, pessoas designadas de Egypcios na Europa, pessoas que no próprio Egito eram consideradas estrangeiras e recém-chegadas.

Nenhum argumento histórico ou lingüístico permite confirmar a hipótese de algum êxodo dos ciganos do Egito, ao longo da costa africana para ganhar, pelo sul, a península ibérica. Ao contrário, os ciganos chegaram à Espanha pelo norte, depois de terem atravessado toda a Europa.

O cigano designa a si próprio como Rom, pelo menos na Europa (Lom, na Armênia; Dom, na Pérsia; Dom ou Dum, Síria) ou então como Manuche. Todos esses vocábulos são de origem indiana (manuche, ou manus, deriva diretamente do sânscrito) e significam “homem”, principalmente homem livre. “Rom” e “Manuche” se aplicam a dois dos principais grupos ciganos da Europa Ocidental. Uma designação logrou êxito, a de uma antiga seita herética vinda da Ásia Menor à Grécia, os Tsinganos, dos quais subsistia – quando da chegada dos ciganos à terra bizantina – a fama de mágicos e adivinhos.

Os gregos diziam Gyphtoï ou Aigyptiaki; os albaneses, Evgité. Depois que partiram das terra gregas, ficou-lhes esse nome, sob diversas formas. O nome Égyptien era de uso corrente na França do séc. XV ao XVII. Em espanhol, Egiptanos, Egitanos, posteriormente Gitanos (de onde surgiu Gitans em francês); às vezes em português Egypcios; em inglês Egypcians ou Egypcions, Egypsies, posteriormente Gypsies; em neerlandês, Egyptenaren, Gipten ou Jippenessen.

LÍNGUA

A língua cigana (o romani) é uma língua da família indo-européia. Pelo vocabulário e pela gramática, está ligada ao sânscrito. Fazendo parte do grupo de línguas neo-indianas, é estreitamente aparentada a línguas vivas tais como o hindi, o goujrathi, o marathe, o cachemiri. No entanto, eles assimilariam muitos vocábulos das línguas dos países por onde passaram.

RELIGIÃO

Os ciganos, ao deixarem a Índia, não carregaram suas divindades. Eles possuíam na sua língua apenas uma palavra para designar Deus (Del, Devel). Eles se adaptaram facilmente às religiões dos países onde permaneceram. No mundo bizantino, tornaram-se cristãos. Já no início do século XIV, em Creta, praticavam o rito grego. Nos países conquistados pelos turcos, muitos ciganos permaneceram cristãos enquanto que outros renderam-se ao Islã. Desde suas primeiras migrações em direção ao Oeste eles diziam ser cristãos e se conduziam como peregrinos.

A peregrinação mais citada em nossos dias, quando nos referimos aos ciganos, é a de Saintes-Maries-de-la-Mer, na região da Camargue (sul da França). Antigamente era chamada de Notres-Dames-de-la-Mer. Mas não foi provado que, sob o Antigo Regime, os ciganos tenham tomado parte na grande peregrinação cristã de 24 e 25 de maio, tão popular desde a descoberta no tempo do rei René, das relíquias de Santa Maria Jacobé e de Santa Maria Salomé, que surgiram milagrosamente em uma praia vizinha. Nem que já venerassem a serva das santas Marias, Santa Sara a Egípcia, que eles anexarão mais tarde como sua compatriota e padroeira.

A origem do culto de Santa Sara permanece um mistério e foi provavelmente na primeira metade do século XIX que os Boêmios criaram o hábito da grande peregrinação anual à Camargue.

::.. Os Costumes do Povo Cigano ..::

Os ciganos não representam um povo compacto e homogêneo, mesmo
pertencendo a uma única etnia, existe a hipótese de que a migração desde a Índia tenha sido fracionada no tempo, e que desde a origem fossem divididos em grupos e subgrupos, falando dialetos diferentes.

As diferenças no tipo de vida, a forte vocação ao nomadismo de alguns, contra a tendência à sedentarização de outros gera uma série de contrastes que não se limitam a uma simples incapacidade de conviver pacificamente.

Em linhas gerais, os Sintos são menos conservadores e tendem a esquecer com maior rapidez a cultura dos pais. Talvez este fato não seja recente, mas de qualquer modo é atribuído às condições socioculturais nas quais por longo tempo viveram.

Quanto aos Rom de imigração mais recente, se nota ao invés uma maior tendência à conservação das tradições, da língua e dos costumes próprios dos diversos subgrupos. Sua origem desde países essencialmente agrícolas e ainda industrialmente atrasados (leste europeu) favoreceu certamente a conservação de modos de vida mais consoantes à sua origem.

Não é possível, também em razão da variedade constituída pela presença conjunta de vários grupos, fornecer uma explicação detalhada das diversas tradições. Alguns aspectos principais, ligados aos momentos mais importantes da existência, merecem ser descritos, ao menos em linhas gerais.

Antigamente era muito respeitado o período da gravidez e o tempo sucessivo ao nascimento do herdeiro; havia o conceito da impureza coligada ao nascimento, com várias proibições para a parturiente. Hoje a situação não é mais tão rígida; o aleitamento dura muito tempo, às vezes se prolongando por alguns anos.

No casamento tende-se a escolher o cônjuge dentro do próprio grupo ou subgrupo, com notáveis vantagens econômicas. Um cigano pode casar-se com uma gadjí, isto é, uma mulher não cigana, a qual deverá porém submeter-se às regras e às tradições ciganas.

A importância do dote é fundamental especialmente para os Rom; no grupo dos Sintos se tende a realizar o casamento através da fuga e conseqüente regularização. Aos filhos é dada uma grande liberdade, mesmo porque logo deverão contribuir com o sustento da família e com o cuidado dos menores.

No que se refere à morte, o luto pelo desaparecimento de um companheiro dura em geral muito tempo. Junto aos Sintos parece prevalecer o costume de queimar-se a kampína (o trailer) e os objetos pertencentes ao defunto.

Entre os ritos fúnebres praticados pelos Rom está a pomána, banquete fúnebre no qual se celebra o aniversário da morte de uma pessoa. A abundância do alimento e das bebidas exprimem o desejo de paz e felicidade para o defunto.

NASCIMENTO

Uma criança sempre é bem vinda entre os ciganos. É claro que sua preferência é para os filhos homens, para dar continuidade ao nome da família. A mulher cigana é considerada impura durante os quarenta dias de resguardo após o parto.

Logo que uma criança nasce, uma pessoa mais velha, ou da família, prepara um pão feito em casa, semelhante a uma hóstia e um vinho para oferecer ás três fadas do destino, que visitarão a criança no terceiro dia, para designar sua sorte. Esse pão e vinho será repartido no dia seguinte com todos as pessoas presentes, principalmente com as crianças.

Da mesma forma e com a finalidade de espantar os maus espíritos, a criança recebe um patuá assinalado com uma cruz bordada ou desenhada contendo incenso. O batismo pode ser feito por qualquer pessoa do grupo e consiste em dar o nome e benzer a criança com água, sal e um galho verde. O batismo na igreja não é obrigatório, embora a maioria opte pelo batismo católico.

CASAMENTO

Desde pequenas, as meninas ciganas costumam ser prometidas em casamento. Os acertos normalmente são feitos pelos pais dos noivos, que decidem unir suas famílias.

O casamento é uma das tradições mais preservadas entre os ciganos, representa a continuidade da raça, por isso o casamento com os não ciganos não é permitido em hipótese alguma. Quando isso acontece a pessoa é excluída do grupo.

É pelo casamento que os ciganos entram no mundo dos adultos. Os noivos não podem Ter nenhum tipo de intimidade antes do casamento. Quando o casamento acontece, durante três dias e três noites, os noivos ficam separados dando atenção aos convidados, somente na terceira noite é que podem ficar pela primeira vez a sós.

Mesmo assim, a grande maioria dos ciganos no Brasil, ainda exigem a virgindade da noiva. A noiva deve comprovar a virgindade através da mancha de sangue do lençol que é mostrada a todos no dia seguinte. Caso a noiva não seja virgem, ela pode ser devolvida para os pais e esses terão que pagar uma indenização para os pais do noivo.

No caso da noiva ser virgem, na manhã seguinte do casamento ela se veste com uma roupa tradicional colorida e um lenço na cabeça, simbolizando que é uma mulher casada. Durante a festa de casamento, os convidados homens, sentam ao redor de uma mesa no chão e com um pão grande sem miolo, recebem dos os presentes dos noivos em dinheiro ou em ouro.

Estes são colocados dentro do pão ao mesmo tempo em que os noivos são abençoados. Em troca recebem lenços e flores artificiais para a mulheres. Geralmente a noiva é paga aos pais em moedas de ouro, a quantidade é definida pelo pai da noiva.

MÚSICA E DANÇA

Quando os ciganos deixaram o Egito e a Índia, eles passaram pela Pérsia, Turquia, Armênia, chegando até a Grécia, onde permaneceram por vários séculos antes de se espalharem pelo resto da Europa.

A influência trazida do oriente é muito forte na música e na dança cigana. A música e a dança cigana possuem influência hindu, húngaro, russo, árabe e espanhol. Mas a maior influência na música e na dança cigana dos últimos séculos é sem dúvida espanhola, refletida no ritmo dos ciganos espanhóis que criaram um novo estilo baseado no flamenco.

Alguns grupos de ciganos no Brasil conservam a tradicional música e dança cigana húngara, um reflexo da música do leste europeu com toda influência do violino, que é o mais tradicional símbolo da música cigana. Liszt e Beethoven buscaram na música cigana inspiração para muitas de suas obras.

Tanto a música como a dança cigana sempre exerceram fascínio sobre grandes compositores, pintores e cineastas. Há exemplos na literatura, na poesia e na música de Bizet, Manuel de Falla e Carlos Saura que mostram nas suas obras muito do mistério que envolve a arte, a cultura e a trajetória desse povo.

No Brasil, a música mais tocada e dançada pelos ciganos é a música Kaldarash, própria para dançar com acompanhamento de ritmo das mãos e dos pés e sons emitidos sem significação para efeito de acompanhamento. Essa música é repetida várias vezes enquanto as moças ciganas dançam.

MORTE

Os ciganos acreditam na vida após a morte e seguem todos os rituais para aliviar a dor de seus antepassados que partiram. Costumam colocar no caixão da pessoa morta uma moeda para que ela possa pagar o canoeiro a travessia do grande rio que separa a vida da morte.

Antigamente costumava-se enterrar as pessoas com bens de maior valor, mas devido ao grande número de violação de túmulos este costume teve que ser mudado. Os ciganos não encomendam missa para seus entes queridos, mas oferecem uma cerimônia com água, flores, frutas e suas comidas prediletas, onde esperam que a alma da pessoa falecida compartilhe a cerimônia e se liberte gradativamente das coisas da Terra.

As cerimônias fúnebres são chamadas “Pomana” e são feitas periodicamente até completar um ano de morte. Os ciganos costumam fazer oferendas aos seus antepassados também nos túmulos.

Retirado do Site: http://www.reinodeoxum.com.br

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