POVO DE ARUANDA

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Posts de janeiro \31\UTC 2012

Salve a doce Mãe, Saravá Iemanjá!

Publicado por Administrador em janeiro 31, 2012

O mito Iemanjá começou nas águas doces de um rio da África, atravessou o Oceano e chegou no Brasil, na Bahia. Hoje, ela é mais ligada às águas salgadas do mar que às águas doces dos rios, que é domínio de Oxum.

Iemanjá é comemorada em diversas datas: no dia 2 de fevereiro, data da festa de Nossa Senhora das Candeias. No dia 15 de agosto, junto com a comemoração para Nossa Senhora da Glória. E no dia 8 de dezembro, quando ela é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Talvez seja um sinal de quanto ela é querida e querem lhe render homenagens.

Devemos lembrar Matta & Silva, em “Umbanda de todos nós”, quando classifica o Orixá Iemanjá na 2ª linha, logo abaixo de Oxalá, dizendo que esta linha é regida pela própria força de Iemanjá, tambem chamada carinhosamente de “Dona das Águas”, “Rainha do Mar” entre outros nomes. Ainda escreveu que ela tem a proteção de Oxum, dona dos lagos e cachoerias, dos rios, da fecundação e do amor, assim como de Nanã, atuando nas águas das chuvas, realizando a limpeza da atmosfera, purificando as camadas aéreas para que tenhamos no solo, na terra, condições de vida. Esta linha, segundo Matta & Silva, é composta de espíritos de diferentes raças, de caboclos, pretos velhos e exus.

As legiões comandadas por Iemanjá, de acordo com Matta & Silva:

• Legião das Sereias, sob a proteção de Oxum
• Legião das Ondinas, sob a direção de Nanã
• Legião das Caboclas do mar, sob a orientação de Indaiá
• Legião das Caboclas dos rios, sob a chefia de Iara
• Legião da Estrela Guia, sob a direção de Santa Maria Madalena
• Legião dos Marinheiros, sob a chefia de Tarimá
• Legião dos calungas, dirigida por Exu Calunga ou Calunguinha

O livro “Segredos de Umbanda”, de Francisco Allison Peixoto, traz algumas coisas diferentes, mas não menos interessantes sobre Iemanjá.

Nessa falange, na Umbanda, trabalham todas as Iabás (Senhoras dos Rios), agrupadas com os nomes de janaínas, caboclas ou sereias. Sua missão é trabalhar diretamente com a força emotiva por meio dos sentimentos de maternidade, misericórdia e amor.

1. Falange da Sereia do Mar

Entidades que assumem formas encantadas, residindo em todo o elemento água. Possuem total domínio sobre as energias desse meio. Aceitam as tradicionais oferendas a Iemanjá, entregues para serem levadas ao fundo dos mares, lagos ou rios.

2. Falange da Cabocla Iara

Dominam a força nascida do encontro das águas doces e salgadas, muito ligadas ao Orixá Ogum. É também o nome das entidades chefes da falange conhecidas como Caboclas do Rio. São alegres e juvenis. Sua vela será azul clara e uma verde, vermelha e branca, para Ogum.

3. Falange da Cabocla Nana

A Cabocla Nana Burucum é chefe da falange das Ondinas. Suas entidades trabalham na beira das fontes e trazem uma vibração capaz de proporcionar paz e compreensão nos lares.
Protegem as actividades ligadas ao ensino, como o magistério. Sua vela será clara e lilás, ao Orixá Nana.

4. Falange da Cabocla Iansã

A Cabocla Iansã representa o Orixá com o mesmo nome, junto à Iemanjá. Trabalha sob os fortes temporais e chuvas, forças essas capazes de proporcionar grande resistência nas dificuldades da vida. Aceitam velas azuis-claras e vermelha e branca ao Orixá Iansã. Podendo ser entregues junto às oferendas de Xangô nos bambuzais ou na beira de cachoeiras, longe da queda d’água.

5. Falange da Cabocla Oxum

As energias do amor puro e da luz que irradia sobre as cachoeiras são a matéria-prima para suas atividades, ligadas à Iemanjá. Através de sua falange, os fluidos benfeitores são trazidos através das “águas espirituais”, ou seja, o prana ou fluido cósmico universal. Sua vela será azul-clara e amarela, dedicada ao Orixá Oxum.

6. Falange da Cabocla Indaiá

Sua falange é das Caboclas do Mar, ligadas a Yori, ou seja, a Falange de Cosme e Damião. Absorvem energias de vários elementos e transmutam na energia alegre e vibrante das crianças. Suas velas serão azuis-claras e rosas.

7. Falange da Cabocla ou Sereia Janaína

Estão sob sua guarda a força do amor conjugal e da procriação.
Ligam-se muito ao Orixá Oxalá. Suas velas serão azuis claras e brancas.

Oferendas: basicamente, todas as falanges de Iemanjá aceitam sobre pano branco e azul-claro, fitas azuis, espelhos, pentes, perfumes de seiva de alfazema ou seiva de rosas, flores brancas ou azuis, rosas, lírios, mel, guaranás ou bebidas doces e delicadas.

Iemanjá trabalha, como as demais Iabás com o elemento ÁGUA. A água tem o poder de absorver, acumular ou descarregar qualquer vibração, seja benéfica ou maléfica. A água do mar batida contra as rochas e a areia da praia, também está energizada. Por isso, não é conveniente apanhar água do mar quando o mesmo estiver sem as ondas energéticas e renovadoras.

Os pretos velhos que pertencem à falange do povo da Costa, identificam-se energéticamente com Iemanjá, e ensinam que, através da resignação nas provas, haverá o resgate das dívidas do passado. Consolam e auxiliam os sofredores, com muito amor. Suas oferendas são entregues na praia.

Além dos pretos velhos da Costa que trabalham com Iemanjá, também obedecem a ela os antigos espíritos de escravos monjolo, que eram facilmente reconhecidos pelas cicatrizes verticais da face. Trazidos das costas de Angola para muito padecerem no Brasil, principalmente por ficarem distantes do amado mar, hoje junto à beira d’água, junto com o Povo das Praias, trabalham para a Rainha.

A Linha d’água, quando desce em terreiro de Umbanda, geralmente se manifesta para purificar e energizar os filhos de santo e a assistência. A incorporação característica dos falangeiros de Iemanjá é bastante serena, e sempre movimentam os braços como se estivessem abrindo caminho entre as ondas do mar.

Não podemos nos esquecer do marinheiros, que trabalham na Linha de Iemanjá e também de Oxum. Seus conselhos e mensagens são sempre cheios de esperança e de fé. Costumam trabalhar em grupos. São fortes, pois enfrentaram guerras e mares agitados, mas também conheceram a calmaria e a bonança.Dão consultas, passes e também fazem trabalhos fortes de descarrego que envolvam grandes demandas. Em algumas casas, também costumam trabalhar nas giras de desenvolvimento de Médiuns. Os marinheiros são em sua grande maioria, espíritos que trabalham na Umbanda para dar sustento no campo da diluição de cargas trevosas, outros atuam como elementos de sustentação de trabalhos voltados a curas. Andam de modo característico e seu balanço peculiar na verdade é uma maneira de descarregar o médium enquanto trabalham.

Oração à Iemanjá

Poderosa Rainha das águas
Com sua espuma nos cubra
Livrando-nos de todo mal e iniquidade.
Com suas ondas nos fortaleça
E sua Bondade nos levante nas horas sombrias.
Estrela que nos guia!
Farol que nos ampara!
Lava com as águas do mar nossas sofridas almas,
Carrega para o fundo nossos erros.
E como grande Mãe que és
Nos abrace em seu regaço
Nos acolha
Permita-nos crescer em espírito
Sob sua firme proteção.
Esteja conosco em todos os momentos
Na tempestade e calmaria
E estaremos sempre aqui,
Em nossas mentes,
À beira deste oceano infinito onde és Soberana,
Agradecendo por sua Bondade e Amor.
Estamos sob sua tutela,
E em cada por do sol, cada amanhecer,
Estaremos lhe vendo
Na linha do horizonte,
Para sempre gratos
Do fundo de nossas almas.
Odoiá, Iemanjá!

Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

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Fonte pesquisada:
Os Segredos de Umbanda

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Vampirismo assistido no terreiro de Umbanda

Publicado por Administrador em janeiro 24, 2012

Cap.7 Vampirismo assistido no terreiro de Umbanda
LIVRO – “Os Dragões”- Wanderley Oliveira- espírito Maria Modesto Cravo-Ed. Dufaux, 3ª ed.,2010


“Os Espíritos em expiação, se nos podemos exprimir dessa forma, são exóticos na Terra; já viveram noutros mundos, donde foram excluídos em consequência da sua obstinação no mal e por se haverem constituído em tais mundos, causa de perturbação para os bons”- O Evangelho Segundo o Espiritismo- capítulo III- item 14

- Clarisse, apenas mais uma pergunta – rogou Inácio, desejando aprender mais na sua nova função de dirigente.

- Indague, meu irmão.

- A comunicação de Matias nesta noite trouxe-lhe benefícios?

- Imensos benefícios.Esse contato com a matéria, para um espírito neste estado, é de extrema importância. O organismo físico é um depósito inigualável de energia ectoplásmica. A constituição molecular desse pacote energético é impossível de ser clonada em nosso plano. È o estágio semimaterial das forças mais sutis que gravitam entre o perispírito e o corpo físico. Ela é gerada e sofre mutações importantes no duplo etérico do médium, em atendimento às necessidades mais prementes dos desen carnados.

Quando o médium se desloca do corpo, há uma natural expansão do duplo, também conhecida por cascão astral e por automatismo, esse pacote de forças é atraído para a constituição perispirítica da entidade comunicante que se lhe adere. È como se fôsse a roupa do médium em outra pessoa. O duplo possa temporariamente a se acoplar ao espírito comunicante como um cobertor acolhedor.

Evidentemente, em razão da descompensação de forças mentais nas quais se encontra Matias, esse aporte do duplo etérico da médium vai servir como um legítimo balão de oxigênio, suprindo o que lhe falta até o limite em que não prejudique o equilíbrio da médium.

Os sinais mais característicos do momento da separação são sentidos pelo próprio aparelho orgãnico do médium, por um desconforto registrado em forma de irritação ou fraqueza. Nesse momento, quando o médium tem suas faculdades sob controle, ele mesmo, mentalmente, faz a reconstiutição dos corpos sem perder o contato com a entidadeque, se necessário, ainda poderá manifestar seus pensamentos.Esse fenômeno que envolve o duplo etérico é chamado incorporação. São cedidas, portanto, as chamadas energias da vida material.

O comunicante, ao se retirar, fica com todo o seu corpo espiritual envolvido por uma espécie de pomada branca, ora em estado gasoso, ora gelatinoso. Os assistentes que orientam o trabalho utilizam-se dessa condição para as mais ricas medidas em favor do desencarnado. Volto a frisar, esse fenômeno é mai conhecido como incorporação.

Temos também o chamado vampirisimo assistido, que é um processo no qual são envolvidosno corpo material, o duplo etérico, o perispírito e o corpo mental. É algo ainda mais profundo que a incorporação, em que o vínculo deixa de ser puramente mental, chegando a níveis celulares no corpo do médium. Há, nesse caso, uma intensa transferência de forças vitais e uma interação entre o corpo mental do médium e da entidade com objetivos de recuperação de formas perispiríticas e sensações perdidas em milênios de padecimento.

O vampirismo assistido é uma técnica de automatismo que não comporta muito controle ou participação consciente do médium. Por isso mesmo,só deve ser praticada em situações ocasionais e sob intensa supervisão espiritual. A espontaneidade é fundamental em tal operação. É necessária uma entrega incondicional do sentimento e do corpo físico do médium. Mais uma razão para ser praticada por médiuns mais experimentados, que já tenham disciplinado suas forças medianímicas, por possuírem noções mais claras dos limites permitidos nesse gênero de trabalho. Por se tratar de transes profundos, nem sempre ele tem como aferir essa necessidade. Para suprir essa situação, é preciso uma equipe que tenha consciência do que está realizando. Que haja muito respeito e confiança, considerando que, em várias dessas situações, o médium terá de ser contido fisicamente, exigindo muita integridade moral de todos para essa finalidade.

Não será demais chamar esse contato mediúnico de uma autêntica “reencarnação relâmpago”, na qual a entidade em desalinho, pela intensa ligação com o corpo físico do médium, desperta nas matrizes profundas do seu corpo mental algumas motivações evolutivas que o tempo e a dor lhe subtraíram. Casos existem nesse capítulo da mediunidade em que o acoplamento celular recompõe instantaneamente formas perispirituais que poderiam levar séculos no trabalho de recuperação em nosso plano de ação. O corpo físico é uma usina divina de forças capazes de influir decisivamente nos corpos espirituais.

Ficou claro, doutor?

- Agradeço suas preciosas informações, Clarisse. Por hoje, interrompemos nossa lição. Do contrário eu próprio pedirei internação aqui no sanatório.

-Esperança em seus corações, meus amigos e irmãos.

- Assim seja, amiga querida – falou Inácio com muita sensibilidade.

A nossa tarefa terminou.Todos os componentes da equipe ficaram em clima de espectativa. Habitualmente, doutor Bezerra se comunicava ao final confortando a todos nós. Naquela noite,porém, algo diferente ocorreu. Sentíamos sua presença e nada de manifestações ostensivas. Clarisse nos deixou com a sensação de uma convocação para novaslições, fato que, de alguma forma,nos surpreendeu.

A mensagem de Eurípedes passou a ser lida e estudada com mais constância por todos nós. Eu, particularmente, sempre solicitava mais explicações ao benfeitor, dele recebndo outras notícias sobre acontecimentops futuros.

A sabedoria apresentada por Clarisse,naquela noite, deixou-me tambem muito curiosa acerca de sua identidade e função junto ao Hospital esperança. Permaneci fora do corpo durante todo o transe em estado de plena lucidez, acompanhando as informações tão oportunas. Até isso foi diferente na ocasião, já que tinha me acostumado à inconsciencia no transe. Embevecida com tantos ensinos, passei a adotar, naturalmente, algumas posturas novas no intercâmbio mediúnico, solicitando a Inácio que passasse a fazer anotações contínuas de nossas atividades.

Dirigi-me para minha residência sem me desligar mentalmente da tarefa. Orei exaurida pela incorporação de Matias, conquanto me guardasse no clima superior do dever cumprido. Assim que recostei a cabeça no travesseiro, emancipei nos braços de doutor Bezerra em direção ao Hospital Esperança.

Passava das vinte e tres horas. Após a volitação instantânea, chegamos ao hospital Esperança. Logo à entrada fui recepcionada por Clarisse e levada ligeiramente ao salão de cirurgias. Matias estava sendo operado.

Olhando através da vidraça, acompanhei a cena com extrema emoção. O corpo espiritual de msatias estava envolvido pela substância esbranquiçada do ectoplasma emanado durante a incorporação. Como havia explicado Clarisse,parecia uma pomada gelatinosa. Já não senti rejeição como da primeira vez, mesmo porque em tão curto tempo a fisionomia de Matias estava amplamente renovada..

Nos mesmos moldes da cirurgia terrena, havia instrumentos diversos. Foi iniciada a intervenção.

Há quem suponha que o perispírito sendo um corpo plástico, obedeça incontinenti a todos os comandos da vida mental em quiasquer situações, como se bastasse a oração e pronto! Existem, sim, situações em que apenas coman dos de sugestão mental são suficientes para alterar a roupagem fluídica do espírito.

Quem fuma, por exemplo, no corpo físico, durane cinquenta anos, se não tiver a benção do reencarne imediato, levará tempo similar para erradicar do aparelho respiratório, no corpo espiritual, os efeitos indesejáveis do tabaco, caso tenha méritos para iniciar esse traamento tão logo desencarne. O enfisema tem raízes nas células perispirituais, efeitos de destruição lenta, gradativa. Através de sucedâneos e de moderna tecnologia são feitas incisões nos centros de força laríngeo e cardíaco, qjue permitem acentuada redução da compulsão de fumar.

Esse corpo plástico obedece tambem a mutações que resultam de adaptações milenares a temperaturas, flora e fauna microscópicos, e sobretudo, a estados mentais crônicos.

O objetivo da cirurgia de Matias era remodelar a carcaça torácica já mais livre daquela condição animalizada, e retiraqr alguns chips de hipnose implantados em seu cérebro. A incorporação da noite, conforme informação de Clarisse, recolheu uma reserva de “matéria” necessária a todas essas medidas de uma só vez. Algo um tanto raro e que me deixou emotiva ao saber.

Cortes profundos nas camadas semimateriais do corpo espiritual deixavam fluir borbotões de sangue. Tudo igual aos quadros cirúrgicos humanos. A diferença ficava por conta da recomposição mais acelerada dos tecidos e da tecnologia avançadíssima em relação ao mundo terreno. Algumas incisões eram cicatrizadas na hora, com uso de bisturis de raios lumnosos, que mais tarde viria a saber serem projetories quânticos capazes de alterar a constintuição molecular damatéria, organizando-a conforme plantas cromossômicas previamente estudads por técnicos de genética bioplasmática, programadas para ujso dos médicos em sas crurgias. Cada paciente com sua planta individujal. O computador, que a esse tempo não havia surgido no mundo físico,já era usado com recursos potentes que antecediam em pelo menos cinquenta anos as descobertas e invenções humanas.

Observava atentamente, enquanto Clarisse, a meu lado, vez por outra, explicava-me alguns detalhes do caso. Ela estava nitidamente emotiva.

Em certa etapa, ná podia ouvir tudo o que diziam os cirurgiões, um deles, sabendo de minha presença ali, mencionou nome e disse: “Se tivéssemos mais médiuns dispostos a oferecer seu corpo físico a esse mister, certamente teríamos nosso trabalho mais facilitado como o dessa hora, e, o mais importante, obteríamos resultados promissores, como o que aqui constatamos. Dia virá em que os médiuns espíritas reconhecerão o corpo físico como a usina mais poderosa de energia à disposição do ser humano para uso no bem”.

Já se passavam cinquenta minutos de minuciosas ações no perispírito de Matias. Orava contrita pela iniciativa, quando um chamado inesperado convocou Clarisse aos portais de saída de Hospital Esperança.

Convidada a ir junto,não pestanejei. Deixei a vidraça, pedindo a Deus que abençoasse Matias em sua recuperação.

Chegando aos portais, Clarisse foi esclarecida por Cornelius:

- Recebemos um pedido de urgência dos abismos. Eurípedes está ferido e houve uma reação bem rganizada dos ciclopes nos paredões de penitência no Vale do Poder.

- Vamos partir imediatamente! – afirmou Clarisse. – Dona Modesta nos acompanhará.

Sem se opor à minha presença, partimos em direção ás furnas do mal. Clarisse , eu, Cornélius e mais um grupo de defesa do Hospital Esperança.

Chegando ao local, presenciei algo inusitado. O ciclope da mitologia grega não era pura imaginação. Indaguei de chofre:

- Quem são os ciclopes, Clarisse?

- Espíritos rudes a serviço do mal. Estamos na região subcrostal chamada Pântano das Escórias”, subúrbio enfermiço do Vale do poder. Aqui são feitos prisioneiros os servidores da maldade organizada que não obtiveram êxito em seus planos nefandos. Castigos e sevícias de todo o porte são levados a efeito nestas plagas.

- Por que viemos aqui?

- Venha! Vamos encontrar nossa equipe.

Logo adiante estava Eurípedes com uma equipe de vinte a trinta defensores. Tinha o braço ferido. Quem imagina os espíritos isentos dessa contingência, não concebe com exatidão os mecanismos físiológicos e anaômicos do corpo espiritualo, sujeito, nas proximidades vibratórias da terra, às mesmas injunções de saúde e doença, dor e prazer. Um corte de dez centímetros na altura do ombro do benfeitor era cuidado com carinho por uma diligente enfermeira da equipe. A diferença ficava por conta do domínio mental. Enquanto era tratado, conversava atentamente com os presentes sem demonstrar uma nesga de sofrimento. Os ciclopes o feriram com seus chicotes impiedosos. Tive ensejo, ali mesmo, de manifestar meu carinho ao amigo querido. Embora minha surpresa, o tempo e a experiência forma me mostrando que tudo era possível ocorrer em tais tarefas socorristas. Incêndios, tiroteios, ciladas, guerras armadas e outra tantas manifestações de violência já conhecidas da humanidade. Não cheguei a ver os ciclopes naquela ocasião, mas só a onda de crueldade deixada no ambiente já me apavorava. Clarisse não regateava esclarecimentos a mim.

- Estamos no inferno de Dante, dona Modesta.

- Parece-me ser até pior do que ele descreveu.

- Sem dúvida.

- O que faremos agora?

- A tarefa por aqui já está cumprida. As entidades que necessitavam de socorro já foram levadas para onde prosseguirá o trabalho.

- Eram almas arrependidas?

- Não. Eram escravos da perversidade. Servidores inconscientes das sombras. Foram necessárias mais de quatro horas de inensas iniciativas para alcançar resultados no amparo. Ainda assim, veja o estado de nossos companheiros. Eurípedes ferido, os defensores exaustos e tudo isso apenas para que seis entidades pudessem ter acesso à manifestação mediúnica.

- Vão se comunicar a essa hora da noite? Que centro abriria suas portas? – expressei sabendo que já passava da meia noite no relógio terreno.

- os verdadeiros servidores cristãos só se utilizam do relógio com intuito disciplinar.Não condicionam o ato de servir aos ponteiros limitantes do tempo. Visitaremos o Centro Umbandista Pai Guiné, nos arredores de Uberaba.

- O pai-de-santo Ovídio?

- Ele mesmo.

Tive de confessar, em um primeiro momento, meu preconceito. Guardava respeito pelas demais religiões, entretanto, nunca havia refletido sobre quem seriam e onde estariam as cartas vivas do Cristo. Por uma tendência natural asilei o despeito. Ainda bem que foi algo muito passageiro em meu coração, porque as experiências fora e dentro da vida corporal, cada dia mais apresentavam-me uma realidade distante das ilusões que adulamos sob o fascínio impiedoso do orgulho na sociedade terrena dos mortais.

Após as despedidas, a equipe de Eurípedes regressou ao hospital. O pedido de socorro foi uma medida preventiva. Apesar dos feridos e exaustos, todos guardavam o clima de paz.

Por nossa vez, partimos para o Centro Pai Guiné. Era um ambiente agradável em ambos os planos. Ao som dos atabaques, eram cantados os pontos em ritmo vibratório de alta intensidade. Cada canto era como uma verdadeira queima de fogos de artifício. Uma bomba energética explodia no ar em multicores.

Em uma das várias dependências astrais da casa havia uma enfermaria com oitenta leitosbem alinhados. Tudo nesse salão era limpeza e calmaria. Lá não se ouviam mais os cantos, e a conexão com o plano físico limitava-se ao trânsito de enfermeiros pelos vários portais interdimensionais. Regressamos ao ponto de intersecção vibratória com o plano físico.

Seis macas estavam dispostas no canzuá (terreiro). Em cada qual havia uma entidade de aspecto horripilante. Olhos que quase saíam das órbitas oculares, pele murcha, enrugada e suja, garras enormes no lugar das unhas, com dez centímetros , nas mãos e nos pés, todas retorcidas como as de águia. Magérrimos e nus. Causavam náusea pelo odor. Olhavam para nós deixando claro que nos viam e, literalmente, grunhiam como porcos com a boca semiaberta. Alguns deles estavam muito inquietos nas macas. Retorciam-se como se estivessem com dor, sem manifestar nenhum som. Vários hematomas estavam expostos em todos eles, devido aos castigos impostos nos paredões de penitência.

- As garras são colocadas para impedir a fuga. Não andam nem têm grande habilidade manual.- informou Clarisse, com manifesto sentimento de piedade.

- Como serão socorridos?

- Pela incoporação profunda ou vampirismo assistido.

- Nos médiuns umbandistas?

Mal terminei a pergunta e vi uma cena nada convencional. Um dos enfermeiros da casa pegou uma das entidades no colo e jogou-a no corpo do médium.

Demonstrando câimbras na panturrilha, o médium, incontinenti, absorveu mental e fisicamente o comunicante que se ajeitou no corpo do medianeiro como se deitasse em um colchão, buscando a melhor posição. Os atabaques aceleraram o ritmo, criando um frenesi de energia no ambiente. Formavam-se pequenos redemoinhos de cor violeta e prata, qjue se desfaziam em vários cantos do terreiro. Modulavam conforme a nota musical dos hinos cantados.

O médium estrebuchou no chão. Convulsões e grunhidos seguidos de gritos de dor. Ovídio, o pai-de-santo aproximou-se e disse:

- Oxalá proteja seus caminhos, filho de Zambi (Deus).

- Eu sou filho do capeta. Que és tu para falar comigo? – redarguiu a entidade, que agora falava com facilidade por intermédio do médium.

-Sou um tarefeiro da luz.

- Eu sou uma escória da sombra.

- Engano, criatura!

- Não vê minhas garras? Sabe o que é isso?

- Conheço essa técnica. São ferrolhos do mal.

- Vejo que estais acostumados ao mal.

- Vim desses vales da sombra e da morte – falava Ovídio com firmeza na voz.

- Mas andas e és livre. Estais no corpo, enquanto eu…Eu sou um verme roedor…Ou quem sabe uma águia que não voa…nem sequer consigo andar graças a essa maldição que colocaram em meus pés…nem comer mais…Veja minhas mãos…Eu tenho fome e sede.

- Em que te posso ser útil, irmão? – indagou Ovídio debaixo de forte vibração.

- Quero bebida e comida. Quero que cortem minhas garras.

- Laroyê! Laroyê – (saudação típica aos exus, espíritos que atuam como policiais ou guardiões no mundo espiritual) –gritou Ovídio já incorporado por um de seus guias que entoava o canto: “Eu sou Marabô, rei da mandinga. Eu sou marabô, exu de nosso Senhô. Laroyê!”

Uma energia colossal movimentou-se com a chegada do Exu Marabô. Os filhos-de-santo o saudavam com palmas rítmicas e pontos próprios da entidade. Muitos deles iam até Marabô, baixavam a cabeça em sinal de reverência à sua frente e batiam tres palmas rítmicas na altura do abdomen do médium.

- Que tu quer, homem esfarrapado. Bebida pra mode se arrebentá mais?

- Não, senhor Marabô. Não é isso.

- Não mente pra Marabô. Marabô sabe ler os ói(olhos). Nos ói tá a visão, mas tá tambem a verdade e a mentira.

- Eu não minto, senhor. Quero liberdade.

- Pra fazer o que dá na cabeça? Home tu preso é um perigo,livre é um desastre.

- O que o senhor vai fazer por mim? Não pedi a ninguem pra sair daquela joça de lugar fedorento. Por que me trouxe aqui?

- Não fui eu quem trouxe home. O véio Bezerra da luz é teu protetor. Sirvo a ela n a graça de Oxalá, pai de poder e misericórdia.

- Que queres comigo?

- Estás feliz na matéria do cavalo? (cavalo)

- Sei que não é minha. Quero uma só prá mim.

- Está gostando do contato?

- Só fartó bebida e comida.

- Olha suas garras.

- Não pode ser! Que aconteceu?

- O cavalo está dissolvendo suas algemas.

- Prá sempre?

- Prá sempre!

- Quanto vai me custar?

- Nada . É serviço de Pai oxalá. É de graça. Pedido do véio Bezerra de Menezes. Se voltar pro inferno, elas crescem de novo.Se subir com Bezerra da luz, vai ser cuidado o hospital da sabedoria, onde reina os filhos de Gandhi.

- Filhos de Gandhi? Por que se interessaria por escórias como nós. Veja lá nas macas os amigos estropiados – e apontou para a sala ao lado.

- Nada retira do ser humano a condição de Filho do Altíssimo.

Dita essa frase, o espírito comunicante silenciou , enquanto o Exu Marabô fazia alguns rituais em cima do corpo do médium. Instantaneamente, o médium convulsionou-se. Quatro auxiliares no plano físico continham o medianeiro a duras penas. Não sendo o suficiente, mais três se aproximaram. Olhando de cá, não se sabia mais quem era o médium e quem era o desencarnado. Uma gosma saía de suas narinas e pela boca. Espasmos e taquicardia intensa eram aferidos por médicos atentos que monitoravam o médium e a entidade. O fenômeno era totalmente supervisionado. As unhas da mão e dos pés do comunicane sangravam. As garras foram arrancadas até a raiz. Dores intensas e muita confusão mental assinalavam seu estado geral. Sedativos potentes foram aplicados no corpo espiritual do médium, diluindo no corpo do assistido. Repentinamente ma calmaria. Cessaram as convulsões. Na medida em que o médium recobrava os sentidos, a entidade os perdia. Ajudado por integrantes do Centro umbandista, o médium levantou-se vagarosamente e foi colocado em um pequeno colchão, para refazimento . Em nosso plano, padioleiros disciplinados repetiram o procedimento com todos os outro cinco doentes de uma só vez em cinco médiuns distintos que, ao mesmo tempo, receberam os demais prisioneiros dos vales sombrios.

Após os serviços de higiene e primeiros socorros, ainda na enfermaria do Centro Umbandista, Clarisse convidou-me para o primeiro contato com aquela criatura. Cornellius que se encontrava entre nós durante todo o trajeo, desde a saída do hospital, foi o responsável pelo diálogo.

- Como está agora, meu filho? Agora já consegue falar como um humano, filho do Pai.

-Filho? – mesmo sedado a entidade dava mostras de inteligência – não sou seu filho. Sou um carrasco.

- Ainda assim, filho de Deus e nosso irmão.

- Que ladainha é essa? Quem é você?

- So Cornélius,não lembra?

- O mergulhador do lago de enxofre?

- Isso mesmo.

- Então foi você quem nos tirou daquela lama fétida!

- Em nome de Jesus Cristo e doutor Bezerra.

- Agora veio cobrar o preço pelo trabalho que não paguei. Quanto o tal Bezerra quer?

- De jeito algum. Trabalhamos por amor.

- E quer que eu acredite nisso!

- Não! De voce só quero uma coisa.

- Sabia que viria algo em troca.nada nesse mundo é de graça.

- Quero que fique bem e restaure a sua paz.

- Acredita mesmo que um dia vou conseguir isso? O Exu lá na matéria falou de um hospital. È a casa de Barsanulfo?

- Sim, é lá mesmo.

- Muitos amigos da lama querem se tratar lá. Não sabemos como chegar. Voce, por acaso, vaqi me dar o endereço?

- Vamos te levar lá, apenas isso! Nosso intuito é te livrar dessa escravatura e, igualmente , àqueles que você, sem querer, prejudica.

- A quem prejudicamos?

- Em especial, nosso irmão H.

- Ah! Então é isso! A preocupação de voces é com o doutor H., aquele magnata do Espiritismo!

- Com ele,mas com você também.

- Acha mesmo que os mandantes vão parar? A gente sai e eles arrumam novos capatazes. O doutor H. É um devedor. Fêz parte das fileiras…

- Nosso irmão, como qualquer um de nós é um batalhador em busca de remissão. A perseguição a ele inflingida ocasionou consequencias mentais e emocionais graves.

- Ele merece. É um orgulhoso de carteirinha. E, demais a mais você sabe de onde ele veio.

- Qual de nós, meu filho, não tem histórias e dramas com o inferno?

- Creio que o melhor é aceitarmos que a Terra é do demônio. Assim todos serão felizes.
- Assim todos serão iludidos até se atolarem na maldade como meio de justiça.

- Pois é…E como ser diferente? Quem olha por quem, não é mesmo? Tudo é interesse. Egoísmo.

- Nós estamos aqui olhando por você. Nosso interesse é você, seu bem estar.

- E logo vão me apresentar uma faqrta conta, não é mesmo? Só de injeção devo ter tomado umas dez! Qual ser o preço disso?

Não queremos nada. O tempo e a sua recuperação serão as melhores espostas para sua ironia em nos intimidar. Por agora quero que descanse. Amanhã você já acordará no Hospital Esperança.

- Acha mesmo que mereço ir a esse paraíso?

- Lá não é um paraíso, meu filho. Ao contrário, é lugar de almas arrependidas. Um purgatório de culpas e dores acerbas. Não fôssem as expressões do amor que lá vigoram, seria algo muito similar ao lugar de onde você veio.

- Amor? E você ainda acredita nessa mentira? Amoe é uma velha estratégia de poder. Diga-se de ássagem, casda dia mais fraca e sem alcance. O tal Eurípedes e Jesus podem desistir desse método de convencimento. A Terra está perdida!

A entidade ainda fêz uma fisionomia de deboche, mas não conseguiu reagir aos sedativos. Adormeceu. Ouviam-se ainda os cantos no Centro Umbandista. Desta vez dirigidos a Oxumaré e Oxalá para acalmar o ambiente. Passavam de duas horas da madrugada. Impressionou-me o vigor dos médiuns umbandistas. Ao voltar para seus lares, brincavam como crianças sem n enhuma menção ao labor ora realizado. Desprendidos da doação e com extremo bom humor, Ovidio e sua esposa levavam em seu autom[óvel as senhoras mais idosas. Os mais jovens seguiam a pé pelos matagais em direção às zonas rurais de Uberaba. Todos assistidos por nobres entidades do amor e do bem em nome de Bezerra de Menezes. Heróis anônimos de um tempo de coragem e pura espontaneidade. Por nossa vez, seguíamos para o hospital, pois a atividade ainda era intensa. Clarisse que me procurou e disse:

- Imagino que esteja curiosa sobre muitas das ocorrências desta noite, dona Modesta.

- Clarisse, sinto-me como se estivesse em um país distantee, ao mesmo tempo, tão próximo. Não sei o idioma, não conheço ninguem, enfim, estou mentalmente sem referência, embora tudo me seja muito familiar.

- É assim mesmo! Quando nos está reservada uma missão, inicialmente, ficamos atordoados e inquietos sem entender claramente os motivos. Tudo o que a senhora tem presenciado será o alicerce de uma grande tarefa, que reunirá velhos compromissos da caminhada.

- Ciclopes, escórias, lago de enxofre, irmão H, feridas em Eurípedes, a maldade calculada…

- São muitas novidades, não é, dona Modesta?

- Parece-me outro mundo, mas ao mesmo tempo a sensação é a mesma que sinto quando no corpo físico. Por várias vezes manifestei tais impressões ao meu marido efamiliares. Conclui que somente eu as sinto. Isso é a mediunidade, Clarisse?

- Sem dúvida. Somente com essa faculdade da alma ampliada somos capazes de mesmo estando no escafandro do corpo físico, de registrar a realidade da psicosfera que cerca a humanidade. De fato, o ambiente espiritual da Terra avança para lamentáveis e decisivos episódios que determinarão mudanças inadiáveis no planeta. O joio, mais que nunca, surgirá nas benfazejas plantações de trigo, confundindo os incautos, desafiando os inteligentes e convocando os que amam aos mais duros testemunhos em favor do futuro regenerativo da humanidade. Esse é o motivo de trabalharmos com desvelo por tais carentes da alma.

- Pensei, ao conhecer o Espiritismo, que teria sossego; que a tormenta mental viesse a cessar por completo.

- Dona Modesta, nas linhas de serviço do Cristo é justo que o trabalhador devotado colha o fruto íntimo do sossego interior, em face dos esforços de ascensão moral. Todavia, nossa condição espiritual é muito graqve para sonhar com facilidades e conforto. Em nosso ciclo de lutas evolutivas, raramente escapamos de interpretar sossego como satisfação pessoal garantida, interesse particularista. Quem segue Jesus deve ter como lema fundamental o ato de servir e aprender, educar e trabalhar. Quem foge desse movimento divino de ascensão, carregando na alma tão severos compromissos conscienciais, como nós, certamente se renderá ao fascínio da obssessão, confundindo felicidade com facilidade.

- Preciso me acostumar a esse conceito.

- Ele está em sua alma. É uma questão de tempo para que a crisálida se rompa e permita o voejar das nobres conquistas de seu coração. Sugiro que, antes de regressar ao corpo, a senhora desonere a mente das perguntas que a torturam.

- Farei algumas para aliviar minha inquietação. Elas são muitas. Os ciclopes e aquele lugar infeliz são obras dos dragões?

- Existe amor nos pântanos, dona Modesta. Muitas são as Moradas do pai. Ali se encontram os diamantes no lodo. Quaisquer denominações que usemos para classificá-los não passam de mera contingência didática. São filhos do mesmo Pai que tutela nossa caminhada ao progresso. O Sol não escolhe onde refletir seus raios luminosos. Abençoa a gleba, mas igualmente irradia sobre os lamaçais nos abismos. Existe amor nos abismos. Os locais visitados esta noite são criações suburbanas da Cidade do Poder. O Vale do Poder é um resíduo social, um efeito inevitável de uma estrutura comunitária rebelde às leis divinas. É a estrada marginal aos principais acontecimentos históricos nessas localidades em milhares de anos. Os ciclopes e todos os componentes dessa organização são metamorfoses mentais a que se submetem quantos se rendem às sugestões do mal. Tudo que surge nesses pátios tem algo a ver com os dragões. São eles, por assim dizer, os gestores dessas ilusões de poder e domínio. Os ciclopes são muito violentos.

- E se tem a ver com eles,tem algo com a doutrina!

- Exatamente.

- Por isso a perseguição ao doutor H., nosso irmão no Rio de Janeiro?

- Sim, dona Modesta.

- Nutro por ele elevado reconhecimento pelos serviços que desenvolve. Temos nos correspondido ocasionalmente.

FIM DO CAPÍTULO

Espero que tenha esclarecido pontos que até então muitos não sabiam, da extensão do Amor e Caridade que incansavelmente ocorre nos terreiros de Umbanda, debalde as imperfeições de cada um, mas que através da disciplina, generosidade e entendimento prosseguem no seu trabalho, com fé, esperança, guerreiros do bem, guerreiros de Aruanda.

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OKÊ ARÔ! SALVE OXÓSSI!

Publicado por Administrador em janeiro 20, 2012

Amanhece…. E ao dar os primeiros passos através da imensa campina verde, avisto a codorna silvestre e o macuco ciscando aqui e ali, olho para o céu que vai descortinando com suas nuvens o Sol nascente, e me deparo com a revoada de pássaros no horizonte furta-cor. Lá estão os bandos de maçaricos, garças brancas como a neve, os gaviões do banhado, o falcão peregrino, as saracuras, os frangos d’agua , araras e maracanãs em profusão, jandaias e periquitos na algazarra, coruja, bacurau, andorinha e beija-flor ….

Não muito longe, a mata fechada, a macaia, e eu tenho certeza que essa é a Terra do Pai Oxóssi. Vou caminhando , sinto o cheiro da jureminha, sinto roçar o capim alto, capim limão, sob as árvores plantações de milho com seu cabelo dourado, percebo o guaco cheiroso e me deleito com uma goiaba perfeita. Do caule do jaborandi sai a seiva rica, guardo umas folhas de malvarisco para meu banho ao final do dia, chego a um jardim enorme de piperegum de todos os tipos. Encontro um raro e imenso pé de guiné, e há uma variedade de cipós para depois tecer bolsas e cintos.

Sob as árvores frondosas das matas, de profundo verde e em meio à neblina, as horas passam e eu passeio pelas terras de meu pai, compartilhando com todos os animais a paz, a serenidade, a perfeição da natureza…

Chego á aldeia dos caboclos, que me presenteiam com o ofá, aos quais reverencio e agradeço.

Caminho muito, até que é hora de voltar, e eu me ajoelho e toco a cabeça no solo úmido e pujante ficando assim muito tempo, até escutar a nova revoada, agora voltando, a chamado de meu Pai.

Despeço-me do orixá Oxóssi e de todos os seres viventes a ele ligados. Tambem faço parte de sua hoste, me sinto aliviado de todas as dores, meu coração imantado de serenidade, bem estar, ampla compreensão e nova disposição para os enfrentamentos da matéria.

Que eu não perca o caminho, e assim será somente se eu manter a vibração e a conexão, deixando a Umbanda ir traçando a rota, e eu ir acrescentando pelos pensamentos e ações dignos, mais paisagens a percorrer, mas a conhecer, mais a conquistar.

Salve meu Pai Oxóssi,Salve a Sua Força e a Sua Luz em Zambi, nos proteja em todas as horas, nos dê discernimento e decisão. Que o arco e flecha que me destes seja certeiro e justo. Que eu possa cuidar dos ferimentos de alma dos viventes e que eu mereça estar contigo a cada amanhecer, a cada por-do sol.

Sigo meu caminho, ainda cantando:

”Eu vi chover, eu vi relampear
Mas mesmo assim o céu estava azul
Tambor e pemba, folhas de jurema
Oxossi reina de norte a sul”
Okê Arô!!!!!


Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

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MAGOS NEGROS

Publicado por Administrador em janeiro 12, 2012

Ninguem se iluda. Todos somos Luz e Sombra. Qualquer um pode, de acordo com circunstâncias propícias, viver toda uma vida de bondade, generosidade, desde que não seja desafiado em seus pontos fracos.

Por outro lado, alguém com alto senso de Justiça e pensamentos humanísticos, pode passar provas das quais suas atitudes o mergulharão em um mundo de subversão e violência.

Há aqueles que nada querem, nada pensam, passam pela vida como se estivessem dormindo, sem ousar nenhuma atitude em referência ao Bem ou o Mal. Estes, geralmente são deixados quietos, tanto por um lado quanto por outro. Ficam como em estado de latência, e um dia, mais cedo ou mais tarde, serão obrigados a sair da letargia.

A filosofia milenar taoísta preconiza que o equilíbrio está no Yin e Yang, Sombra e Luz, e onde um termina começa o outro. Não é questão de evolução, e sim de ver com outras lentes. Está muito cristalizado dentro de todos, que fazendo coisas boas, se torna bonzinho, ninguém quer saber de ter sido mago negro. Todos acham que são reencarnação de reis, rainhas, santos, mártires e heróis. Haja herói para tanto espírito reencarnante…

Em “A Gênese” , escrito por Allan Kardec, encontramos que “Tal qual ocorreu com a estrutura física da Terra, a evolução moral tem caminhado gradualmente, sem processos descontínuos”

Já Emmanuel, no livro “O Consolador”, comunicou psicograficamente a Chico Xavier, que “dentre os mundos inferiores, a Terra pertence à categoria dos de expiações e provas, porque existe a predominância do mal sobre o bem. Aqui, o homem leva uma vida cheia de vicissitudes por ser ainda imperfeito, havendo para seus habitantes, mais momentos de infelicidades do que de alegrias”.

Alguns dizem que os Magos Negros, são seres proscritos do Sistema Capela, onde seus habitantes altamente evoluídos, conduziram o planeta a um nível mais elevado, de regeneração e benesses. Isto foi há centenas de milhares de anos. Nosso planeta está chegando num momento assim atualmente. Os espíritos que eram recalcitrantes e não aceitaram a evolução, foram impedidos e reencarnar ali, sendo projetados para planetas menos evoluídos, alguns vieram parar no nosso planeta. Dotados de grande poder intelectual e mental, recusaram-se a tomar o corpo físico rudimentar dos habitantes da Terra daquelas longínquas eras, e se mantiveram na espiritualidade. Como fugir às Leis naturais têm um preço, “venderam” sua alma, preferindo, ao invés do caminho de evolução através das provas e reencarnações, o acumular poder à custa de outros, e em vez de subirem aos cumes da Luz, desceram aos abismos das trevas.

Na realidade, qualquer que seja sua origem, os Magos Negros são como os vampiros das história de terror, que ficam na escuridão, sobrevivendo artificialmente a partir da captação de energia de outros, que lhe caem nas armadilhas. Neste momento, sua sociedade do mal está em estado caótico, pois para tudo tem um limite, e o planeta está na iminência de trocar seu “status” vibratório, e não irá mais comportar seres como estes. Da mesma forma, estão extenuados e suas energias estão em pane pela longevidade, não conseguem mais se manter ilusoriamente jovens , formosos e carismáticos. Se formos observar a Terra, há caldeirões de atrocidades o lado de atuações cada vez mais altruístas de seus habitantes. Inequivocamente estamos evoluindo, por mais que eles queiram nos manter na ilusão da Escuridão.

Magos contra Magos. Muitos estão se reencontrando e passaram por tormentos sem fim para finalmente se elevarem como espíritos luminosos. Temos exemplos muito perto de nós, umbandista. Vamos conhecer as histórias dos pretos e pretas velhas, dos caboclos, do povo do Oriente e exus. Todos são exímios desmanchadores de magia negra, porque sabem do que se trata, conheceram e se redimiram com louvor. E é nessa água bendita onde navegam nossos guias, são nas histórias que eles nos trazem quando acalmamos nossas mentes para ouvi-los, que vamos encontrar as chaves, que nos fará também guerreiros do Bem, mantendo em equilíbrio a Luz e a Sombra. Deixando-a quieta e acorrentada a seus próprios degraus evolutivos. Não há porque ficarmos infinitamente nas mesmas expiações, nos mesmos erros e sofrimentos. Temos de mudar, como os guias mudaram, e seremos donos de nossos destinos, e Mago Negro algum, poderá enfim, lançar sua deletéria influência sobre nós. Mas o preço da liberdade sempre foi, e sempre será, a eterna vigilância, e podemos acrescentar a profunda Fé e confiança na Proteção Maior.

Ultimamente, o escritor Robson Pinheiro tem dedicado quase a totalidade de seus livros a denunciar, esclarecer e combater a ação dos Magos Negros, ou dragões, como alguns chamam. Outros autores os têm citado, como no livro “Libertação”, ditado por André Luiz a Chico Xavier. Também outros como Rubens Saraceni., Roger Bottini Paranhos, Roger Feraudy.

Vejamos algumas passagens de livros de Robson Pinheiro:

1) “Entidades cuja vibração se afina a tais interesses egoístas estabelecem ligação mais intensa com seus médiuns, os magos negros, a fim de vampirizar suas energias. É comum observar, em casos assim, processos de simbiose espiritual. Os parceiros do conluio tenebroso passam a vibrar em conjunto, alimentando-se um do outro durante longos períodos, até que o elemento dor os desperte e coloque limites nos desregramentos e abusos cometidos”

Livro “Aruanda”

2) …”— O que os magos negros pretendem com os espíritas e umbandistas, especificamente?

— Como já infiltraram seus agentes e suas idéias escabrosas entre aqueles que se julgam os únicos representantes legítimos do Cordeiro, os líderes religiosos e fiéis tomados pelo fanatismo, agora pretendem investir em novo núcleo. Os chamados médiuns, os chefes de terreiro e os dirigentes espíritas oferecem solo fértil nos quais semear tais pesquisas, pois também trazem elementos ambíguos e espinhosos, que poderão ser enfocados pelos magos negros. Por exemplo, podemos citar o desejo de aparecer, a busca pelo aplauso e pelo reconhecimento público, ou ainda a vontade de sobrepujar o outro na destreza para lidar com as forças sutis da natureza, no exercício de um pretenso poder, outorgado pela própria megalomania e pela vaidade. Para alcançar êxito nessa etapa inicial de sedução, os magos apresentam às suas futuras cobaias propostas subjacentes, aumentando a importância desses fatores na mente das pessoas. A sede egocêntrica ganha relevo. Quando elas vislumbram a possibilidade de atingir os objetivos que almejam, então cedem voluntariamente à ação dos magos negros, que se disfarçam em mentores e mestres de reconhecida autoridade moral. Dessa forma, são conduzidas a esta cidade (abordando a estrutura encontrada no plano astral), onde se transformam em cobaias de experiências mentais e emocionais…”

Livro “Legião – Um olhar sobre o reino das sombras”

3)…”— Sabe, meus filhos, a compreensão do ser humano e da realidade que cria em torno de si é rica e elaborada, inclusive no que se refere às questões mais simples do seu cotidiano. Imagine quando levamos em conta seus dilemas e os conceitos esdrúxulos que advém de experiências dramáticas, vivenciadas nos dois planos de existência.

— Sendo assim, no que concerne à fase fetichista e sobre esse estágio de aprendizado, é possível notar que os espíritos consorciados aos magos negros, já naquela época (Atlântida, Lemúria, Babilônia e Caldéia) bastante distante do conhecimento iniciático, efetivamente introduziram sacrifícios humanos e de animais em suas práticas. Visavam não apenas à condensação da força mental, mas também formavam campos magnéticos de baixíssima frequência, desprezando por completo o ensino espiritual. Davam início à magia negra mais primitiva e vulgar, que descambaria de vez, mais tarde, na chamada feitiçaria. Nesse conluio com as entidades das trevas, homens e espíritos desavisados se transformaram em instrumentos das forças do abismo. É um período que, cronologicamente, encontra seu ápice na Idade Média; felizmente, logo depois, é suplantado por idéias mais humanas e sadias, muito embora os efeitos de conchavos do gênero ainda perdurem nos dias atuais, em processos obsessivos gravíssimos.

Livro “Legião – Um olhar sobre o reino das sombras”

Para não nos estendermos muito, ainda Robson Pinheiro , no livro “Senhores da Escuridão”, mostra como Pai João de Aruanda destrói toda a empáfia e poderio do mago negro da região trevosa onde ele e os guardiões se encontravam. Transfigurando-se na verdadeira entidade de Luz que é, rapidamente colocou correr a criatura.

Que me perdoem os espíritas, mas hoje em dia parece que os obsidiados todos são considerados culpados de terríveis crimes. Porém, atualmente, ninguém está imune em algum momento de fiar sob o jugo das poderosas armadilhas que o submundo espiritual pode articular. Principalmente aqueles que mais estão em evidencia na luta contra as trevas, são os mais atacados. Temos que realmente nos revestirmos de Caridade e Amor e compreender que há mecanismo pelo qual só se livra com auxílio externo, e para isso aí estão as giras e os guias trabalham sem cessar.Vamos falar um pouco dos instrumentos tão bem manipulados pelos magos negros:

FASCINAÇÃO

A vítima não acredita que está sob efeito de qualquer força negativa, e assim fica muito difícil d reconhecê-la. . Na verdade, algumas vezes, ela julga que é a única que não está obsedada, enquanto todos à sua volta estariam.

O espírito obsessor vai se inserindo discretamente e ganhando espaço na vida do obsedado; como uma planta daninha, vai se enraizando, plantando desconfianças e medos, manias e desejos, até o ponto em que se instala definitivamente. A pessoa estará de tal forma envolvida que quase se forma uma simbiose psíquica que, caso se concretize, tornará ainda mais complexa a situação. Por vezes esta obsessão provoca a perda da razão, e mesmo à esquizofrenia.

SUBJUGAÇÃO

A vítima encarnada está sob domínio completo de uma força desencarnada. Quando esse tipo de obsessão ocorre, vemos a pessoa apática como se estivesse sonâmbula, tendo vontades que estão em desacordo com sua personalidade, e até afastando pessoas próximas que a critiquem ou que questionem suas “novas” atitudes.

A sua cura exige uma mudança vibracional no obsedado, o que envolve uma grande disciplina moral e muito estudo, além do auxílio de entidades de Luz que transformem o obsessor, ou o removam dali até que ele também se recupere e regenere.

AUTO-OBSESSÃO

Os magos negros ainda podem induzir a pessoa, através de seus sentimentos de culpa e baixa auto estima a achar que jamais poderão receber a Luz Divina, e não encontram objetivo em nada. Em grande parte das vezes, infligem a si mesmos os mais diversos castigos e, mesmo quando recebem a ajuda de outros espíritos e das almas iluminadas, eles argumentam que seus crimes são imperdoáveis e anseiam por “castigos” que possam “purificá-los”. Vivem acreditando que são indignos de qualquer perdão, e se não forem auxiliados, podem chegar inclusive ao suicídio.

A prática da magia negra é explicada, à luz da doutrina espírita pelo Livro dos Espíritos em suas questões 549 e 550, sob o título de “Pactos”, de 551 a 556, sob o de “Poder Oculto, Talismâs e Feiticeiros”, e 557 “Bençãos e Maldições”. Ali se ensina que as ações de espíritos voltados para o mal sobre as pessoas podem ser impedidas, caso a pessoa objeto dessas ações invocar, em sua proteção, a ação de espíritos voltados para o bem. Ensina, ainda, que para que uma pessoa tenha a ajuda de espíritos voltados para o bem, ela deverá manter-se em harmonia com eles, envolvendo-se, em todas as suas atividades e práticas, com pensamentos nobres e sempre procurando auxiliar aos necessitados.

Alguns espíritas erram ao achar que é só querer que se livra da obsessão. O médium altamente treinado, consegue…mas a sofisticação das obsessões só faz crescer. Hoje em dia não existem mais obsessões simples. Em geral são complexas, agravadas pela instalação de aparelhos na região para-cervical (no corpo fluídico). Porém, as condições predisponentes são realmente dadas pela própria pessoa, que é ignorante ou ignora voluntariamente a Lei de Causa e Efeito, e usa seu arbítrio erroneamente, ou nem ao menos exercita durante a vida seu direito de escolhas. Geralmente não é quem erra muito quem mais fica sob o jugo dos magos negros, mas quem se deixa levar, quem não se esforça para evoluir, e não compreende que suas dificuldades, na verdade são lições que ainda precisam ser aprendidas, exercitadas, restauradas. Preferem o lugar de vítimas, ou seguem o “deixa a vida me levar” ao pé da letra, ou pior, fazem escambo com a escuridão em troca de benefícios próprios.

Gostaria de enfatizar algumas palavras já conhecidas, mas que cabem muito bem neste contexto:

“Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?
(questão 932 do Livro dos Espíritos)

Responde o Espírito da Verdade: “Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”

E termino com uma frase de Pai João de Aruanda no prefácio de “Sabedoria de Preto Velho”, psicografado por Robson Pinheiro : “União sem fusão… distinção sem separação.” Assim seremos Livres, seremos Fortes, seremos Unidos em todas as religiões, sem cair na mistificação e no Poder da Escuridão.


Alex de Oxóssi

Rio Bonito – RJ

FONTES CONSULTADAS:
Kardec, Allan.- O Livro do Espíritos -
Oliveira, Wanderley- Os Dragões – pelo espírito Maria Modesto Cravo. Ed. Dufaux
Pinheiro, Robson- Aruanda- espírito Ângelo Inácio- pag.36 Editora Casa dos Espíritos
Pinheiro, Robson- Legião - Um olhar sobre o reino das sombras. espírito Ângelo Inácio- pag.277 e 331- Editora Casa dos Espíritos
Pinheiro, Robson – Sabedoria de Preto Velho- espírito Pai João de Aruanda- Introdução- Editora Casa dos Espíritos

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DESLIGAMENTO DO CORDÂO DE PRATA – MORTE DO CORPO FÍSICO

Publicado por Administrador em janeiro 12, 2012

Comentamos anteriormente sobre o cordão de prata, o cordão de ouro, as ligações entre o corpo material e o perispírito ou psicossoma, e do perispírito com o próprio espírito, também chamado corpo mental.

Trataremos agora do desligamento do corpo físico, isto é, o processo da morte. E há um trecho no livro “Obreiros da Vida Eterna” do espírito André Luiz e psicografado por Francisco C. Xavier, que esclarece magistralmente:

Obreiros da Vida Eterna, Capítulo XIII:

“…Ordenou Jerônimo que me conservasse vigilante, de mãos coladas à fronte do enfermo, passando, logo após, ao serviço complexo e silencioso de magnetização. Em primeiro lugar, insensibilizou inteiramente o vago, para facilitar o desligamento nas vísceras. A seguir, utilizando passes longitudinais, isolou todo o sistema nervoso simpático, neutralizando, mais tarde, as fibras inibidoras no cérebro

….

E porque eu indagasse, tímido, por onde iríamos começar, explicou-me o orientador:

- Segundo você sabe, há três regiões orgânicas fundamentais que demandam extremo cuidado nos serviços de liberação da alma:

o centro vegetativo, ligado ao ventre, como sede das manifestações fisiológicas; o centro emocional, zona dos sentimentos e desejos, sediado no tórax, e o centro mental, mais importante por excelência, situado no cérebro.

Aconselhando-me cautela na ministração de energias magnéticas à mente do moribundo, começou a operar sobre o plexo solar, desatando laços que localizavam forças físicas. Com espanto, notei que certa porção de substância leitosa extravasava do umbigo, pairando em torno. Esticaram-se os membros inferiores, com sintomas de esfriamento

….

Jerônimo, com passes concentrados sobre o tórax, relaxou os elos que mantinham a coesão celular no centro emotivo, operando sobre determinado ponto do coração, que passou a funcionar como bomba mecânica, desreguladamente. Nova cota de substância desprendia-se do corpo, do epigástrio à garganta, mas reparei que todos os músculos trabalhavam fortemente contra a partida da alma, opondo-se à libertação das forças motrizes, em esforço desesperado, ocasionando angustiosa aflição ao paciente. O campo físico oferecia-nos resistência, insistindo pela retenção do senhor espiritual.

O Assistente estabeleceu reduzido tempo de descanso, mas volveu a intervir no cérebro. Era a última etapa. Concentrando todo o seu potencial de energia na fossa romboidal (no cérebro), Jerônimo quebrou alguma coisa que não pude perceber com minúcias e brilhante chama violeta-dourada desligou-se da região craniana, absorvendo, instantaneamente, a vasta porção de substância leitosa já exteriorizada. Quis fitar a brilhante luz, mas confesso que era difícil fixá-la, com rigor. Em breves instantes, porém, notei que as forças em exame eram dotadas de movimento plasticizante. A chama mencionada transformou-se em maravilhosa cabeça, em tudo idêntica à do nosso amigo em desencarnação, constituindo-se, após ela, todo o corpo perispiritual de Dimas, membro a membro, traço a traço. E, à medida que o novo organismo ressurgia ao nosso olhar, a luz violeta-dourada, fulgurante no cérebro, empalidecia gradualmente, até desaparecer de todo, como se representasse o conjunto dos princípios superiores da personalidade, momentaneamente recolhidos a um único ponto, espraiando-se, em seguida, através de todos os escaninhos do organismo perispirítico, assegurando, desse modo, a coesão dos diferentes átomos, das novas dimensões vibratórias.

"A fossa romboidal ou rombóide fica a nível do 4º ventrículo, corresponde mais ou menos a inserção da cabeça ao pescoço, a “ para-nuca”

Dimas-desencarnado elevou-se alguns palmos acima de Dimas-cadáver, apenas ligado ao corpo através de leve cordão prateado, semelhante a sutil elástico, entre o cérebro de matéria densa, abandonado, e o cérebro de matéria rarefeita do organismo liberto.

Para os nossos amigos encarnados, Dimas morrera, inteiramente. Para nós outros, porém, a operação era ainda incompleta. O Assistente deliberou que o cordão fluídico deveria permanecer até ao dia imediato, considerando as necessidades do “morto”, ainda imperfeitamente preparado para desenlace mais rápido.”

Raríssimos espíritos encarnados tem a capacidade de auto-desligamento, ou seja, de desligar os laços que o prendem ao corpo físico. No Brasil, cita-se o caso do grande médium Eurípedes Barsanulfo. Aliás, este grande educador, médium das primeiras horas do Espiritismo brasileiro, que alem de farmacêutico, mantinha em Minas Gerais uma escola nos moldes daquela que educara Allan Kardec, cujo professor foi nada menos que Pestallozzi. Seu desencarne ocorreu com apenas trinta e oito anos, vitima da gripe espanhola, após ter exaustivamente ajudado a todos também acometidos. Diz-se que ele não precisou de ajudar para libertar seus laços perispirituais, e logo estaria participando de comunicações Estranhamente, em sincronia ao ano 1918, também desencarnaram: a médium Italiana Eusápia Palladino, primeira médium de efeitos físicos a ser submetida a experiências por cientistas, Alexandre Aksakof, César Lombroso, Charles Richet, Enrico Morselli dentre outros exponentes da época, como se tivessem sido chamados a um só tempo, em missão para o astral.

A grande maioria precisa de ajuda e amparo, pois o processo de desligamento é difícil para nós, que ainda estamos ligados “vibratoriamente” ao planeta.

Por esse motivo existe na espiritualidade equipes especializadas no desligamento. Elas realizam suas tarefas de acordo com o merecimento dos espíritos que estão desencarnando. Se considerarmos sob a ótica da Umbanda, vamos observar o admirável trabalho dos Exus e Pombogiras na tarefa de proteção, notadamente as falanges ligadas ao Sr. Exu Caveira, e as Linhas do Cemitério, as das Almas, que rendem respeito ao Orixá Omulu/Obaluaiê.

Quando o espírito é merecedor de auxílio durante seu desencarne, aqueles espíritos que tem a tarefa de auxílio nesta área realizam as seguintes tarefas:

• Preparação – O ambiente doméstico, os familiares e o próprio espírito que desencarnará em breve recebem visitas quase que diárias para auxílio magnético e preparação. Alguns recebem uma aparente melhora para consumação das sua últimas tarefas e para o último contato com os que lhe são queridos.

• Proteção – Existem vampiros, obsessores e equipes das trevas especializadas em “vampirizar” os recém-desencarnados. A equipe espiritual tem como tarefa proteger o corpo físico e etérico (até o desligamento total) e o espírito contra as investidas das trevas.

• Desligamento – já descrito acima.

• Encaminhamento – Os espíritos recém-desencarnados são auxiliados para o encaminhamento ao local onde serão amparados, seja um Posto de Socorro, uma Colônia Espiritual ou, infelizmente, deixados por sua conta,mas isso só acontece com os que não podem ser auxiliados, devido a grandes débitos ou apego em que se encontra. Como durante a vida encarnada, atrairá com seus pensamentos aquela realidade com a qual se afiniza.

No livro “Voltei” já em espírito, Bezerra de Menezes, em psicografia de Francisco C. Xavier, esclarece que na maioria dos casos, não seria possível libertar os desencarnados tão apressadamente, e que a rápida solução do problema liberatório dependeria, em grande parte, da vida mental e das idéias a que se liga o homem na experiência terrestre.

Até o rompimento do cordão de prata o espírito encontra-se como um balão cativo (palavras de Bezerra de Menezes), e fica mais suscetível à influência do ambiente onde se encontra, também menos consciente e fraco. Após o rompimento, ocorre um gradual aumento da consciência e fortalecimento.

Quanto à necessidade de existir guardiões na calunga pequena protegendo os recém desencarnados, é fato freqüente, descrito nos livros de Rubens Saraceni e Robson Pinheiro, entre outros. Criaturas trevosas rondam buscando meios de roubar os restos de ectoplasma que ainda persiste algumas horas após o desenlance. Este ectoplasma é o mesmo fluido vital que permeia corpo físico, ligando-o ao perispírito, e pode ter uma utillização incorreta. Felizmente os protetores na grande maioria das vezes conseguem impedir tais cometimentos.

Algumas pessoas, por estarem muito apegadas à matéria, levam às vezes quase 48 horas para finalizar seu processo de desligamento, daí ser o ideal, em caso de cremação, que ela ocorra após este período. Poderemos voltar a escrever sobre isso posteriormente.

No livro “Evolução em Dois Mundos”, André Luiz, espírito, em psicografia de nosso querido Chico e Waldo Vieira, fala da “Segunda Morte”, condição em que o espírito afundou tanto na lama de seus erros e vibrações inferiores, que perde a capacidade de manter seu perispirito, passando a ser um “ovóide”, ser com a mente atrofiada, sem vontade própria, que geralmente se torna prisioneiro de senhores da escuridão.

No entanto, autores de textos relacionados à Fraternidade Branca, também falam da “Segunda Morte”, num sentido mais elevado, onde o espírito, por seu grau evolutivo, perde o envoltório constituído pelo perispírito, que não deixa de ser um tipo de matéria, e se torna praticamente, só Luz. Seria a morte de qualquer resíduo de materialidade, para a ascensão.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

• Fontes consultadas:
Grupo PAS

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CORDÃO DE PRATA E FLUIDO VITAL

Publicado por Administrador em janeiro 12, 2012

Quem é adepto aos estudos espiritualistas, e sobretudo espíritas, sabe bem que pensar apenas em corpo e espírito é algo bem simplista. Os materialistas já sentem dificuldade de entender esta dualidade, e não conseguem supor que cada um é corpo e espírito o tempo todo, e não em momentos compartimentados.

Agora, para complicar um pouquinho, alguns convencionam que temos sete e até mais corpos astrais, numa subdivisão infinita entre o que é a matéria e o que é o espírito.

É importante esclarecer que no mundo das coisas invisíveis, assim como no mundo material, temos de fazer nossas escolhas de crenças e afinidades. Kardec nos trouxe a explicação trazida pelos espíritos, que entre o corpo físico e o espírito há um revestimento semi-material, que vai quintessenciando a medida do aperfeiçoamento do espírito, isto é sua libertação e evolução a partir das numerosas reencarnações pelas quais passa . Esse revestimento chama-se “Perispírito” e reveste o que se chama de duplo etérico, isto é, uma cópia dos órgãos no plano astral. No capítulo IV do “Evangelho segundo o Espiritismo”, o espírito São Luiz afirma que o próprio perispírito sofre transformações sucessivas, eterizando-se cada vez mais até a depuração completa que caracteriza os espíritos puros.

O perispírito está ligado ao duplo etérico e ao corpo, através do cordão de prata. O espírito quando se desdobra em viagens astrais, leva o seu perispírito e o cordão de prata, que enquanto o ser está vivo, nunca se desconecta do corpo material.

Há um outro cordão energético que liga o corpo astral ou etérico + perispírito ao corpo mental, que pertence ao espírito. E é no espírito onde existe a sede da inteligência e a personalidade única em todo o Universo.

Não há dois espíritos iguais no Cosmo, assim como não há dois corpos físicos 100% idênticos, por mais que tentem. Mesmo os gêmeos mais perfeitos, os clones mais absolutos, possuirão espíritos únicos, personalidades próprias.

Mas estes termos todos, perispírito (ou psicossoma, como chama Emmanuel), duplo etérico, corpo astral, corpo mental, cordão de prata, cordão de ouro, mesmo a matéria, de onde vem? Aí, temos que consultar os escritos de Allan Kardec, que nos ensina sobre PRINCÍPIO VITAL ou FLUIDO VITAL, a origem disso tudo.

Vejamos:

FLUIDO UNIVERSAL

A) Questões 1 e 27 de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS»


“Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, é a trindade Universal.”

“Deus é a inteligência suprema causa primária de todas as coisas.(q. 1 – LE)”

“O Espírito (Alma) é o princípio inteligente.”

“…Para que o Espírito possa exercer ação sobre a matéria tem que se juntar o fluido universal, pois, é ele que desempenha o papel intermediário entre o Espírito e a matéria grosseira.”

“…É lícito até certo ponto, classificar o fluido universal com o elemento material, porém, ele se distingue, deste por propriedades especiais. Este fluido deve ser considerado como sendo um elemento semimaterial, pois, está situado entre o Espírito e a matéria.”

“Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza; é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá. “

B) Na “Revista Espírita”, junho de 1858, publicada por Allan Kardec,o espírito São Luiz explica:


“O fluido universal é semi-material e é ele que faz a ligação entre o Espírito e a matéria. O fluido universal é o elemento do fluido elétrico, cujo efeito conhecemos. A substância etérea que existe entre os planetas e que os envolve é o fluido universal. Esse fluido possui o mesmo princípio em todos os planetas, é mais ou menos eterizado, conforme a natureza dos mundos. O fluido universal é a fonte da vida, porém, não é a fonte da inteligência, ele apenas anima a matéria.”

FLUIDO VITAL

Allan Kardec na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita (O LIVRO DOS ESPÍRITOS) e em nota referindo-se as questões de 68 a 70 LE.

“O fluido vital é o mesmo que o fluido elétrico animalizado, designado, também, sob os nomes de fluido magnético, fluido nervoso, etc.

A quantidade de fluido vital não é fator absoluto para todos os seres orgânicos; varia segundo as espécies e, não é fator constante, seja no mesmo indivíduo, seja nos indivíduos da mesma espécie. Existem alguns que são, por assim dizer, saturados, enquanto outros dispõem apenas de uma quantidade suficiente; daí, para alguns, a vida é mais ativa, mais vibrante e, de certo modo superabundante.

A quantidade de fluido vital se esgota; pode a vir a ser insuficiente para manter a vida, se não renovado pela absorção e a assimilação das substâncias que o contém.

O fluido vital se transmite de um indivíduo para o outro. Aquele que tem o bastante, pode dá-lo aquele que tem pouco e, em certos casos restabelecer a vida prestes a se apagar. “
O assunto é fascinante e extenso, mas para não ficar cansativo, vamos finalizando, lembrando o espírito André Luiz, psicografado por Francisco C. Xavier, no livro “Entre a Terra e o Céu”, onde ele descreve o perispírito denominando-o “corpo astral” , formado por matéria rarefeita, “intimamente regido por sete centros que se conjugam nas ramificações dos plexos e que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem, para nosso uso, um veículo de células elétricas que podemos definir como um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado.

Wagner Borges relata que “cordão de prata” é um temo simbólico, tendo sua origem na Bíblia, em Eclesiastes 12: 6-8:

12:6
Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço,

12:7
E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.

12:8
Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade.

Porém não é um cordão, mas um conjunto de filamentos energéticos que se agregam formando visualmente ( para os médiuns videntes) um único cordão, que sempre nos traz de volta ao corpo físico. È impossível romper o cordão de prata. Ele somente se “desfaz” no momento do desencarne.

Há controvérsias quanto ao principal local onde o cordão de prata se fixa. Alguns citam o chacra umbilical, outros, que se acha profundamente enraizado ma glândula pineal. O mais provável é que ele se enraíza em um local chamado “paranuca”, na base do pescoço, de acordo com a sensação narrada por sensitivos em relação a esta região.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

Allan Kardec – O Livro dos Médiuns, questões 172 a 174 – Livraria Allan Kardec Editora

André Luiz/Francisco C. Xavier – Nosso Lar, capítulo 33 e pág 182 e cap 36 pgs 196 e 197- Federação Espírita Brasileira

André Luiz/Francisco C. Xavier – Os Mensageiros, pág. 250 – Federação Espírita Brasileira

André Luiz/Francisco C. Xavier – Nos Domínios da Mediunidade, pág. 98 – Federação Espírita Brasileira

André Luiz/Francisco C. Xavier – Mecanismos da Mediunidade, capítulo 21 e págs. 104 e 149 – Federação Espírita Brasileira

André Luiz/Francisco C. Xavier – Evolução em Dois Mundos, pág. 132 – Federação Espírita Brasileira

Descrições do Cordão de Prata (Instituto de Pesquisa Projeciológicas e Bioenergéticas)

Instituto de Pesquisa Projeciológicas e Bioenergéticas

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Algumas considerações sobre a cremação

Publicado por Administrador em janeiro 12, 2012

É interessante que o ritual de cremação existe há milhares de anos, em diferentes partes do mundo. Os gregos, os romanos, os tailandeses, indianos e grande parte dos orientais utilizam a cremação há muitos e muitos anos. Para as religiões do Oriente, queimar o cadáver é uma prática consagrada, pois o fogo tem uma função regeneradora, eliminando os defeitos da pessoa e libertando sua alma. No Ocidente, os gregos, por volta do 10 a.C., queimavam seus soldados mortos em batalha, para facilitar levá-los de volta a sua terra natal, aos seus familiares. Os nórdicos, que acreditavam assim libertar o Espírito de seu arcabouço físico e evitar que o desencarnado pudesse causar danos aos encarnados. A ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana), desde 1970, aceita a cremação e realiza todos os sacramentos aos cremados.

Alguns estudiosos do meio ambiente vêm denunciando a superlotação nos cemitérios. A má conservação destes pode gerar o necrochorume, um líquido formado a partir da decomposição dos corpos que podem conter resíduos perigosos, doenças infectocontagiosas, bactérias patogênicas, contaminando lençóis freáticos e o subsolo ao redor. Embora para alguns este tema seja chocante, há bastante lógica quando eles alegam o uso da cremação diminuiria os encargos básicos econômicos, como por exemplo: adquirir terreno para construir jazigo; a manutenção das tumbas; nas grandes capitais falta de espaço para construir cemitérios etc. Além disso, em cidades como São Paulo, por exemplo, enquanto o enterro mais simples fica em mais de R$ 200,00, o crematório publico cobra pouco mais de R$ 100,00.

Emmanuel, espírito, no livro “Caminhos de Volta”, psicografado por Chico Xavier, relata:

“De quando em quando, amigos da Terra nos inquirem com respeito aos resultados possíveis da cremação que tenhamos porventura experimentado após o afastamento do corpo denso.

E efetivamente o assunto se reveste de significação e proveito, pelas repercussões do processo crematório no plano espiritual.

Por muito se examine, no mundo, a presença da morte física, conferindo-se-lhe foros de igualdade em quaisquer circunstâncias, o óbito não é idêntico no caminho de todos. (grifo nosso)

…. Além da existência comum na Terra, nem todas as criaturas se observam imediatamente exoneradas da inquietação e do trauma, da ansiedade ou do apego exagerado a si próprias.

Temos companheiros que, na desencarnação pelo fogo se liberam de improviso de qualquer conexão com os recursos que usufruíram na experiência material. Entretanto, encontramos outros, em vasta maioria, que embora a lenta desencarnação progressiva que atravessaram, se reconhecem singularmente detidos nas impressões e laços da vida material, notadamente nas primeiras cinqüenta horas que se seguem à derradeira parada cardíaca no carro fisiológico. Fácil observar, em vista disso, que o período de espera, no espaço razoável de setenta e duas horas, entre o enrijecimento do corpo físico e a cremação respectiva, é tempo valioso para a generalidade de todos aqueles que se encontram em trânsito de uma vida para outra.( grifo nosso)

Obs.: Nos locais onde têm crematórios, há uma sala frigorífica onde pode ocorrer este período de espera.

Isso é compreensível porque se muitos irmãos dispensam semelhante cuidado, desde os primeiros instantes de silêncio no cérebro, outros, aos milhares, se observam vinculados aos tecidos inertes de que já se desvencilharam, no anseio, embora vão, de revivescê-los. À face do exposto, nós, os amigos desencarnados, nada poderíamos aventar fundamentalmente contra a cremação. No entanto, entendendo que os nossos amigos – os homens da Esfera Física – ainda não dispõem de instrumento para analisar os graus de extensão e de intensidade do relacionamento entre o espírito recém-desencarnado e os resíduos sólidos que lhes pertenceram no mundo, consideramos justo que se lhes rogue o citado período de repouso, a favor dos chamados mortos, em câmara fria que lhes conserve a dignidade da forma. Depois disso o sepultamento ou a cremação nada mais representam, para a alma, que a desagregação mais lenta ou mais rápida das estruturas entretecidas em agentes físicos, das quais se libertou.”

Emmanuel ainda em outro livro – “O Consolador”, questão 151, opina:

“Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o tônus vital, nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material.”

Temos aqui algumas observações a fazer. No Brasil, a cremação é regulamentada por lei (Lei dos Registros Públicos nº 6015, de 31/12/1973, no artigo 77, parágrafo 2º). Só pode ser cremado quem em vida fez uma declaração registrada em cartório com este desejo. Assim, supõe-se que quem o fez, está se preparando para o desfecho com o devido desprendimento dos laços físicos. Ocorre, porém, que algumas pessoas sofrem de pânico ao pensar que poderão ficar presas sob a terra, e depois seus restos mortais serão consumidos por larvas e microrganismos, esquecendo-se que aquilo nada mais é do que uma capa, que está vazia de sensibilidade e alma há muito. Para estes, será bastante penoso ver, que somente sobraram cinzas daquele que fora um dia. Inevitável é que cada um terá de pensar sobre isso alguma hora, e preparar-se o mais adequadamente possível. Penso que o melhor preparo é vivendo, vivendo plenamente o dia a dia. Não loucamente como alguns citam, “como se não houvesse amanhã”, mas comedidamente, buscando a verdadeira fonte de felicidade em cada dia, mas não voláteis e ilusórios momentos de intensidade e sensação duvidosos.

Leon Denis , nos idos de 1905 ,na obra “O Problema do Ser, do Destino e da Dor,” já comentava que, ao consultar os Espíritos sobre a cremação de corpos, concluiu que em tese geral, a cremação provoca desprendimento mais rápido, mas brusco e violento, doloroso mesmo para a alma apegada à Terra por seus hábitos, gostos e paixões. Continuando o relato, ele escreveu:

“…É necessário certo arrebatamento psíquico, certo desapego antecipado dos laços materiais, para sofrer sem dilaceração a operação crematória. É o que se dá com a maior parte dos orientais, entre os quais está em uso a cremação. Em nossos países do Ocidente, em que o homem psíquico está pouco desenvolvido, pouco preparado para a morte, à inumação(enterro) deve ser preferida, posto que por vezes dê origem a erros deploráveis, por exemplo, o enterramento de pessoas em estado de letargia. Deve ser preferida, porque permite aos indivíduos apegados à matéria que o Espírito lhes saia lenta e gradualmente do corpo; mas, precisa ser rodeada de grandes precauções. As inumações são, entre nós, feitas com muita precipitação.”

Também o Irmão X no livro “Escultores de Almas”, psicografado por Chico Xavier nos adverte :

“…a atitude crematória é um tanto precipitado, podendo vir a ter conseqüências desagradáveis para o Espírito desencarnante: … morrer não é libertar-se facilmente. Para quem varou a existência na Terra entre abstinências e sacrifícios, a arte de dizer adeus é alguma coisa da felicidade ansiosamente saboreada pelo Espírito, mas para o comum dos mortais, afeitos aos comes e bebes de cada dia, para os senhores da posse física, para os campeões do conforto material e para os exemplares felizes do prazer humano, na mocidade ou na madureza, a cadaverização não é serviço de algumas horas. Demanda tempo, esforço, auxílio e boa vontade. Eis porque, se pudéssemos, pediríamos tempo para os mortos. Se a lei divina fornece um prazo de nove meses para que a alma possa nascer ou renascer no mundo com a dignidade necessária, e se a legislação humana já favorece os empregados com o benefício do aviso prévio, por que razão o morto deve ser reduzido a cinza com a carne ainda quente?”

Na Umbanda, alguns babalorixás são contra, considerando que o corpo deve ser devolvido à Natureza e à Nanã. Já Ramatis, dá a entender que os corpos inumados (enterrados) podem sofrer a ação vampirizadora de alguns espíritos que ficam em busca de restos de energia vital . Esta teoria eu questiono um pouco, primeiro porque há guardiões habilitados, sob a chefia do Pai Omulu, para que tal não aconteça. Por outro lado, como é necessário esperar alguns dias, nada impede que aquele espírito devedor, ao desencarnar seja perseguido mesmo nas câmaras frigoríficas de um crematório.

Outra corrente, baseada no que Chico Xavier falou há muito tempo,em entrevista ao “Pinga fogo”, ele afirmou que durante a cremação, que ocorre a 1.200 oC, pode haver dano do próprio perispírito, que é uma espécie de matéria quintessenciada.. Particularmente não concordo, exceto naqueles casos em que o desencarnado não conseguiu, por falta de méritos, auxilio das equipes espirituais especializadas em desligar o corpo físico dos envoltórios perispirituais e rompimento do cordão de prata. Neste caso ele sofrerá por tempo variado a impressão de deformação de sua forma perispiritual.

São idéias e afirmações suficientes para que façamos uma boa reflexão, e que cada um tire suas conclusões, sóbrias, equilibradas, vistas e um modo sereno e lúcido.

Que todos fiquem sob as bênçãos do Pai, e cada um tenha uma boa hora em todos os momentos, valorizando a Vida e sabendo que somos imortais.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

Fontes consultadas:
Simonetti, Richard.Quem tem Medo da Morte?. SP: editora CEAC, 1987.
Xavier, Francisco Cândido Caminhos de volta- ditado pelo espírito Emanuel
Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB 11 ª edição, 1985, pg 95.
Xavier, Francisco Cândido. Livro: Palavras de Emmanuel
Xavier, Francisco Cândido. Escultores de Almas. Ditado pelo espírito Irmão X
Cremação, uma visão Espírita – Jorge Hessen
Centro Espírita Ismael

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