POVO DE ARUANDA

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Posts de outubro \13\UTC 2011

A PREFEITA DE S. GONÇALO NÁO É MAIS IMPORTANTE DO QUE A UMBANDA

Publicado por Administrador em outubro 13, 2011

Assim que surgiu o noticiário sobre a demolição da casa onde Zélio de Moraes nasceu a Umbanda, no município de São Gonçalo, Rio de Janeiro, conversei com o Secretário de Obras daquela Prefeitura, Valmir Barros.

Aquele imóvel, onde nasceu a Umbanda, hoje é de propriedade de Verônica Matta da Silva Costa, tendo dado entrada do pedido de licença em 13 de abril deste ano.

A licença para demolição foi concedida pela prefeita Aparecida Panisset e a construção de um galpão, no lugar do berço da Umbanda, teve início no último dia 6 de julho.

Esse episódio encerra várias lições para todos nós, umbandistas.

Existem dezenas de terreiros de Umbanda e Candomblé que têm história. E que devem ser preservados, não pelo simples fato de serem terreiros, mas sobretudo, pelo seu significado cultural.

O maior exemplo de preservação de templos históricos vem da Igreja Católica, que – com a ajuda governamental – mantém intactas igrejas centenárias, algumas tombadas e reconhecidas como patrimônio mundial pela Unesco.

Em todo o Brasil, temos terreiros que são conhecidos por denominações diversas: Umbanda, Candomblé, Catimbó, Xangô, Batuque, Jurema etc, conforme o Estado de origem.

Alguns têm quase 100 anos. E devem ser preservados através de um movimento que parta de nossos irmãos em cada estado brasileiro. Como foi a Casa de Menininha do Gantois, na Bahia.

De quem é a responsabilidade nesse episódio de São Gonçalo, em que o centro onde Zélio de Moraes anunciou a criação da Umbanda, foi demolido em abril deste ano?

Vamos aos fatos. E fatos não são opiniões. Fatos são fatos. São inquestionáveis. Aconteceram.

É óbvio que a prefeita evangélica de São Gonçalo, Aparecida Panisset,  (que está no segundo mandato), SABIA SIM, que ali era um casarão, onde nasceu a Umbanda, em 1908. Afinal, ela é professora de História.

Ou alguém acha que o prefeito de uma cidade não sabe onde se encontram os mais importantes templos religiosos de seu município?

É zero a possibilidade da prefeita evangélica Aparecida Panisset ignorar que ali era o berço da Umbanda. É CLARO QUE ELA SABIA que ali existia um patrimônio cultural-religioso a ser preservado.

Se tivesse agido como prefeita, como administradora, E NÃO COMO EVANGÉLICA RADICAL, teria decretado o tombamento da casa onde Zélio anunciou a Umbanda.

Dá para imaginar que o prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, desconheça a importância da Igreja da Candelária?

Ou que o prefeito de Salvador ignore a importância da casa de Mãe Meninha do Gantois (que aliás, foi tombada pelo Ministério da Cultura e pelo Iphan)?

Dá para imaginar que o prefeito de São Paulo, ignore a importância da Catedral da Sé?

É óbvio que a prefeita Aparecida Panisset, conhecida pela sua posição religiosa radical, com origem na Igreja Nova Vida (neopentecostal) dificilmente moveria uma palha para desapropriar aquele imóvel, salvando-o da demolição.

A mídia daquela cidade tem denunciado os benefícios governamentais da Panisset destinados aos neopentecostais gonçalenses: igrejas, funcionários, carros e  contratação de religiosos.

No seu primeiro ano de governo, segundo a imprensa, Aparecida Panisset ameaçou proibir a tradicional procissão e o tapete de sal de Corpus Christi, tradições católicas.

Numa longa entrevista ao jornal Extra (RJ), Aparecida Panisset se apresenta quase como uma personagem bíblica quando fala de si por meio de parábolas (ver trecho da matéria abaixo)

A prefeita de São Gonçalo, contudo, não é mais importante do que a Umbanda.

Não será pela omissão criminosa da prefeita Aparecida Panisset, que poderia ter impedido a demolição do primeiro imóvel da Umbanda através de um simples decreto de tombamento, que nossa religião deixará de avançar.

Pelo contrário, esse ato covarde só nos anima a avançar mais ainda.

Nenhuma outra religião no Brasil foi mais perseguida, humilhada, vilipendiada e agredida do que a Umbanda. Nenhuma!

Primeiro, foram os colonizadores que impingiram o sincretismo religioso aos escravos.

Depois, vieram as proibições aos cultos, que partiam de ordens das autoridades, chegando ao cúmulo das invasões pela policia dos terreiros, com médiuns presos, atabaques e símbolos religiosos destruídos.

Depois, na década de 80, grupos de ditos neopentecostais, na verdade, membros de seitas eletrônicas, fizeram de tudo para destruir a Umbanda, notadamente no Rio de Janeiro. A certeza de que seriam vitoriosos era tão grande, que partiram para cima da Igreja Católica, chegando a exibir na TV imagens de “bispos” chutando a imagem de Nossa Senhora da Aparecida.

Não conseguiram nos destruir. Não fecharam os terreiros. Não calaram nossos atabaques.

A Umbanda continua. Sem dízimo. Sem recursos. Sem emissoras de Rádio e TV. Sem ajuda do governo. Nada. Continua graças à fé nos espíritos de luz.

Por isso, a demolição da casa onde Zélio de Moraes anunciou a Umbanda, é apenas mais um episódio – doloroso, é verdade – na caminhada da nossa religião.

Daqui a um ano, a hoje prefeita Aparecida Panisset deixará a prefeitura de São Gonçalo. Pode até conquistar um ou outro cargo político. Mas, seu destino final está traçado: o ostracismo, o mais absoluto esquecimento.

Daqui a mais alguns anos, ninguém se lembrará de quem foi Aparecida Panisset. Em São Gonçalo, um ou outro se lembrará da ex-prefeita. Não deixará boas lembranças. Nenhum legado administrativo. Ou grande obra. Nada.

Ninguém no Estado Rio de Janeiro, e muito menos do Brasil, se lembrará de uma prefeita, que num dos municípios com maior desigualdade social do Estado do Rio de Janeiro, foi denunciada por proibir a procissão de Corpus Christi e demolir a primeira casa de Umbanda.

Aparecida Panisset desaparecerá no resíduo da História.

A Procissão de Corpus Christi e a Umbanda continuarão vivas. Vivas na memória e nos corações dos brasileiros.

UMBANDA UNIDA, UMBANDA FORTE!

Átila Nunes e Átila Nunes Neto

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CAINDO FOGO EM NEVES – SÃO GONÇALO – RJ

Publicado por Administrador em outubro 7, 2011

Se em 1908 caiu neve, hoje cai fogo…

Bom dia a todos os irmãos

A respeito da destruição da casa, não foi o que vi ontem no RJTV, ela pode sim fazer e muito, mas não é a prioridade dela, hoje pela manhã eu estava ouvindo o Programa do Antonio Carlos, pela Radio Globo – RJ e ouvi o Senhor Manuel/Manoel Alves de Souza que se intitula presidente da Federação de Umbanda e ele afirmou que lá em Neves era um Centro Espirita “Kardecista”, olha sem brincadeira para ser presidente e desconhecer tanto nossa religião é fato para que várias outras unidades sejam destruídas, pois lá Senhor Manuel/Manoel Alves de Souza nunca foi o que o Senhor mencionou ao vivo na Radio Globo, quanto a sua tentativa desesperada de tentar dar legitimidade a Umbanda Traçada ficou latente no desconhecimento da Umbanda e de seu advento, para legitimar não precisa depreciar ou demonstrar desconhecimento, precisamos sim de pessoas que nos represente, mas que faça de forma que não deprecie qualquer forma de cultuar a Umbanda, nem mesmo que demonstre desconhecer demais formas ou ainda prestar informações erradas em um meio de comunicação.

Eu enviei um e-mail que enviei a Radio Globo tentando concertar o que foi dito no ar hoje pela manhã, mas já foi dito, agora caberá ou não a Rádio Globo consertar o que foi falado ao ar.

Senhor Manuel/Manoel Alves de Souza leia “As Religiões do Rio” João do Rio e perceba se em 1904 existia menção a Umbanda, depois sim o senhor poderá entender o que realmente deveria saber, ou seja, ninguém que tenta aprofundar os estudos dentro da Umbanda, afirma que foi após o advento que os Guias começaram a chegar nos Terreiros, afirmamos que após o advento houve sim uma organização nos cultos que já existiam e na maioria adequaram-se a nova Religião anunciada, respeitaram-se em partes ou total as Leis desta nova Religião, então venha dizer em meios de comunicações o que o senhor desconhece, pois se fala em nome da Umbanda, fala no nome de todos nós, eu não sei de onde o senhor tirou que existia o nome Umbanda antes de 1908, mas o trabalho de João do Rio pode dizer que não existia e também pode legitimar o que desesperadamente o senhor tentou.

Eu rogo ao Senhor Manuel/Manoel Alves de Souza desculpas neste momento, pois eu fiquei indignado pelo que eu ouvi, mas indignado ainda é pelo Senhor ser quem é e nos representar da forma que tentou. Mais indignado ainda eu fiquei foi o que ficou parecendo a todos, que na Floriano Peixoto, ou seja, em Neves São Gonçalo, nunca existiu um Terreiro de Umbanda, usarei suas palavras, “Ali não era Umbanda e sim um Centro Espírita Kardecista”.

Oxalá me dê paciência, Oxóssi me dê discernimento…

Como não existia?

Por favor, fale apenas o que o Senhor conhece e se desconhece procure conhecer, ou ainda seja sincero e diga DESCONHEÇO.

Irmãos por favor, muito cuidado quando for falar da Umbanda a meios de comunicação, tire sempre a sua paixão e use o seu verdadeiro AMOR, por toda forma de cultuar a Umbanda, respeite seus irmãos, assim será respeitado, aprenda que no quintal vizinho também pode ser Umbanda, aprenda que a Umbanda é plural e não singular, e principalmente aprenda a defender o que vocês acreditam ser Umbanda, sem tentar depreciar outra forma de culto a nossa Religião.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

Aguadem meus comentário logo depois desta publicação e quero ler também os comentários de todos vocês.

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Casa onde foi fundada a umbanda, em São Gonçalo, será demolida esta semana

Publicado por Administrador em outubro 5, 2011

Thamyres Dias
02/10/2011

A estrutura metálica já está pronta para receber o telhado do novo galpão que vai ocupar o número 30 da Rua Floriano Peixoto, em Neves, São Gonçalo. Dentro do terreno, uma casinha centenária aguarda a demolição marcada, segundo o proprietário, ainda para esta semana. Poderia ser uma simples obra, não fosse um detalhe: a casa rosa, com a pintura já castigada pelos anos, é a última testemunha do nascimento da umbanda.

Foi no imóvel — que ocupava o centro de uma chácara, no início do século 20 —, que Zélio Fernandino de Moraes, então com 17 anos, dirigiu a primeira sessão da religião. Era 16 de novembro de 1908. A umbanda é a única manifestação religiosa 100% brasileira.

— A demolição nos deixa muito decepcionados, pois perdemos uma referência da chegada da mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas — diz Pedro Miranda, presidente da União Espiritista de Umbanda do Brasil, em referência à entidade que orientou Zélio a fundar a religião.

Espíritos tristes

A notícia também surpeendeu a mãe de santo Lucília Guimarães, do terreiro do Pai Maneco, em Curitiba, Paraná. Na década de 1990, ela veio ao Rio para pesquisar as origens da religião.

— Imagino que até os espíritos estejam tristes. É uma pena — lamenta ela.

Há mais de cem anos com a família de Zélio, o imóvel onde surgiu a umbanda foi vendido recentemente para o militar Wanderley da Silva, de 65 anos, que pretende transformar o local em um depósito e uma loja.

— Eu nunca soube que a casa tinha essa história. Mas agora já comprei, investi, não posso deixar de demolir — explica-se.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), nunca houve um pedido de tombamento do imóvel. A antiga casa de Zélio também não é protegida pelo governo estadual ou pela Prefeitura de São Gonçalo.

De acordo com a última avaliação do IBGE, feita no Censo 2000, o Brasil tem quase 400 mil umbandistas. A religião está em todos os estados do país e também no Uruguai, Paraguai, Argentina, Portugal, Espanha e Japão.

‘Tudo acabou’

O terreiro de Zélio de Moraes — que recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade — funcionou por pouco anos em São Gonçalo. Os primeiros umbandistas mudaram-se logo para o Rio de Janeiro.

Primeiro, o centro funcionou na Rua Borja Castro, na Praça Quinze. A rua foi extinta, na década de 1950, para a construção da Perimetral. Dali, foram para a Avenida Presidente Vargas. O imóvel também foi demolido, dessa vez para dar lugar ao Terminal Rodoviário da Central do Brasil.

Uma nova mudança e mais uma demolição. A casa 59 da Rua Dom Gerardo, em frente ao mosteiro de São Bento, virou um estacionamento.

— Tudo acabou, eram prédios muito antigos. Lamento que o último registro também vai desaparecer. Mas o mais importante é que os ensinamentos do meu avô se perpetuem — pediu a neta de Zélio, Lygia Cunha, que hoje preside a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. O terreiro agora funciona em uma sede própria, em Cachoeiras de Macacu, no interior do estado.

Capela de São Pedro

Antes de ser vendida, a casa onde nasceu a Umbanda abrigou uma capela católica. A última moradora do imóvel, uma descendente de Zélio que é muito católica, cedeu o espaço para os devotos. Quem administra a igrejinha — que também mudou de endereço — é dona Geraldina dos Santos, de 74 anos.

— Não tenho preconceito, não. Todos somos filhos de Deus. Se a religião nasceu lá, a casa devia ser preservada. É importante — disse.

Fonte Foto e Texto: Jornal Extra

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