Por Alexandre Cumino
Primeiros Autores Umbandistas
Leal de Souza
A literatura de Umbanda surge de forma tardia, os primeiros textos são de 1924, no Jornal A Noite, onde Antônio Eliezer Leal de Souza, conhecido apenas como Leal de Souza ainda professando o kardecismo, relata suas experiências com os espíritos. Em busca de matérias e encontros com o espiritismo prático depara-se com trabalhos de Umbanda e acaba chegando a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. Participou, como repórter, de uma sessão em que o Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio curaram um rapaz considerado “louco”. Em 1925 todas as reportagens são organizadas em um livro chamado No Mundo dos Espíritos, o primeiro livro publicado a relatar trabalhos práticos de Umbanda, entre outros.
Leal de Souza, jornalista e poeta parnasiano, já era escritor consagrado com mais quatro títulos publicados, até então: Bosque Sagrado, 1917; A Mulher na Poesia Brasileira, 1918; A Romaria da Saudade, 1919 e Canções Revolucionárias, 1923. Passaria trabalhar na Umbanda com Zélio de Moraes, aceitando a missão de dirigir a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, fundada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Em 1933 publica o primeiro titulo de Umbanda, O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda. Além de todas as suas qualidades intelectuais, agora médium de Umbanda e Dirigente Espiritual, Sacerdote de Umbanda, torna-se “O Pioneiro” na literatura umbandista. O Primeiro Autor Umbandista apresenta agora uma coletânia de reportagens feitas para o Jornal Diário de Noticias, organizadas e publicadas em formato de livro.
Como já sabemos não faltam qualidades a Leal de Souza, tanto intelectuais quanto mediúnicas, sua obra prima (O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda) é escrita com tanta clareza, indo direto as questões essenciais da religião, que ainda nos dias de hoje é muito atual e de leitura fundamental a todos os umbandistas e/ou pesquisadores.
Já aqui, no primeiro titulo umbandista, está presente o conceito de Sete Linhas de Umbanda, marcando para sempre a importância deste conceito no entendimento das faixas em que atuam os Orixás e Mentores da Religião. Para Leal de Souza Sete Linhas de Umbanda são as sete divisões da Linha Branca de Umbanda nesta ordem:
1. Oxalá – Jesus – Nosso Senhor do Bomfim, cor branca
2. Ogun – São Jorge, cor vermelha
3. Euxoce (Oxossi) – São Sebastião, cor verde
4. Xangô – São Jerônimo, cor roxa
5. Nhá-San (Iansã) – Santa Bárbara, cor amarela
6. Amanjar (Iemanjá) – Virgem Maria – Nossa Senhora da Conceição, cor azul
7. Santo ou Linha das Almas, considerada uma linha transversal não possui sincretismo com santo e nem cor que a identifique.
Além destas linhas há a Linha Negra (Linha de Exu) em oposição a Linha Branca de Umbanda, representada pela cor preta de Exu, relaciona-se com as demais linhas mediando pela Linha de Santo. [1]
Comenta ainda no Cap. III, As Subdivisões do Espiritismo, pg.12, que:
O espiritismo de linha compreende, pelo menos, 99 subdivisões, ou linhas, que são as que eu tenho conhecimento , nem todas, porém, praticadas à beira da Guanabara.
Conta-se, finalmente, a Linha Branca de Umbanda, com suas sete secções [...]
Não havia literatura umbandista anterior a esta obra, como material de consulta, portanto concluo que este livro relata o entendimento de Leal de Souza sobre a obra de Zélio de Moraes, sua única fonte pratica e teórica umbandista. Apenas não podemos desprezar a formação anterior, espírita, espiritualista e intelectual de Leal de Souza como um filtro para o seu entendimento e apresentação da Boa Nova Umbandista.
[1] Veja no anexo Leal de Souza o Capitulo XVIII do Primeiro Livro da Umbanda, com o título As Sete Linhas Brancas.
IMPORTANTE:
Amados irmãos,toda semana irei falar aqui sobre um autor de Umbanda, irei começar com os Pioneiros na nossa Literatura e melhor lugar para esta pesquisa é no livro “História da Umbanda” de Alexandre Cumino, Ed. Madras (www.madras.com.br), Capítulo 6, pp. 219 – 282. Neste livro há um farto material a respeito, com toda certeza irei precisar de mais material e quem quiser nos enviar esteja a vontade para envio em nosso e-mail povodearuanda@povodearuanda.com.br.
Quem quiser copiar os textos que irei colocar aqui esteja a vontade, mas nunca esqueça de mencionar o autor, o livro e principalmente colocar a imagem do livro do nosso irmão, assim estaremos dando créditos e valor a quem fez por merecer.











