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Posts de 30 abril, 2009

Ministério da Cruz – Preto Velho

Publicado por Administrador em abril 30, 2009

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Conta uma outra lenda que esse gesto de cruzar o solo ou a si mesmo só foi adotado pelos cristãos quando um “padre” romano, atiçado pela curiosidade, perguntou a um serviçal de sua igreja o porque dele cruzar o solo antes de entrar nela para limpá-la … e o mesmo fazia ao sair dela.

O serviçal, um negro já idoso que havia sido libertado pelo seu amo romano quando já não podia carregar os seus pesados sacos de pedras ornamentais, e que andava arqueado por causa de sua coluna vertebral ter se curvado de tanto peso que ele havia carregado desde jovem, ajoelhou-se, cruzou o solo diante dos pés do padre romano e, aí falou:

- Agora já posso contar-lhe o significado do sinal da cruz, amo padre!

- Por que, só após cruzar o solo diante dos meus pés, você pode revelar-me o significado do sinal da cruz, meu negro velho?

- É porque eu vou falar de um gesto sagrado, meu amo. Só após cruzarmos o solo diante de alguém e pedirmos licença ao seu lado sagrado, esse lado se abre para ouvir o que temos a dizer-lhe.

- Se você não cruzar o solo diante dos meus pés o seu lado sagrado não fala com o meu? É isso, meu negro velho e cansado?

- É isso sim, meu amo. Tudo o que falamos, ou falamos para o lado profano ou para o lado sagrado dos outros com quem conversamos! Como o senhor quer saber o significado do sinal da cruz usado por nós, os negros trazidos desde a África para trabalharmos como escravos aqui em Roma e, porque ele é um sinal sagrado, seu significado só pode ser revelado ao lado oculto e sagrado de seu espírito. Por isso eu cruzei o solo diante dos seus pés, pedi ao meu pai Obaluaiyê que abrisse uma passagem entre os lados ocultos e sagrados dos nossos espíritos senão o senhor não entenderá o significado e a importância dos cruzamentos… e das passagens.

O padre romano, ouvindo as palavras sensatas daquele preto, já velho e cansado de tanto carregar os fardos de pedras ornamentais com as quais eles, os romanos, enfeitavam as fachadas e os jardins de suas mansões, sentiu que não estava diante de uma pessoa comum, mas sim diante de um sábio amadurecido no tempo e no trabalho árduo de carregar fardos alheios.

Então o padre romano convidou o preto, velho e cansado, a acompanhá-lo até sua sala particular localizada atrás da sacristia.

Já dentro dela, o padre sentou-se na sua cadeira de encosto alto e confortável e indicou um banquinho de madeira para que aquele preto velho se sentasse e lhe contasse o significado do sinal da cruz.

O velho negro, antes de sentar-se, cruzou o banquinho e isto também despertou a curiosidade de empertigado padre romano, sentado em sua cadeira mais parecida com um trono, de tão trabalhada que ela era.

- Por que você cruzou esse banquinho antes de se assentar nele, meu preto velho?

- Meu senhor, eu só tenho essa bengala para apoiar meu corpo arqueado. Então, se vou sentar-me um pouco, eu cruzei esse banquinho e pedi licença ao meu pai Obaluaiyê para assentar-me no lado sagrado dele. Só assim o peso dos fardos que já carreguei não me incomodará e poderei falar mais à vontade pois, se nos assentamos no lado sagrado das coisas deixamos de sentir os “pesos” do lado profano de nossa vida.


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Viajando no Canto de Mamãe Oxum

Publicado por Administrador em abril 30, 2009

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Fernando Sepe – 28 de janeiro 2006.

Fiquei feliz da vida, não porque alguma coisa especial tinha ocorrido. Estava simplesmente feliz. Existem pessoas que apenas sorriem quando coisas boas sucedem, ou outras que nem assim sorriem. O que sei é que, muitas vezes na madrugada, fico extremamente feliz. Da varanda da minha casa olho pro céu e contemplo as estrelas. Agradecendo por existir… Apenas isso já é motivo de sobra para ser feliz…

Deitei – me. Fui dormir pensando nisso. Lentamente fui relaxando e sentindo uma grande soltura energética, conseqüência natural da dilatação da aura. Sei que isso favorece a projeção da consciência e resolvo relaxar ainda mais, pensando firmemente em projetar – me. Começo a ter pequenos relampejos de luz dentro da tela mental, conseqüência da ativação do chacra frontal. É, parece que hoje vou “voar pelo astral a fora…”

Perco a consciência, não sei por quanto tempo. O que sei é que quando acordo, estou bem à frente de um rio. Suas águas são tão límpidas que não resisto. Pulo dentro dele e começo a brincar. Aproveitando da ótima lucidez extrafísica, mergulho, saio voando, mergulho de novo…

Até quando chego a frente de uma bela cachoeira. São sete quedas d´águas incríveis. Lá percebo uma senhora depositando algumas flores junto as grandes cachoeiras. É uma senhora negra, toda vestida de branco. Aproximo – me para melhor observar.

Vejo que ela canta em uma língua antiga, acho que é yorubá. Da cachoeira, diversos “espíritos da natureza” femininos surgem, são todas muito parecidas. Para minha surpresa a negra me chama ao seu encontro. Aproximo – me ainda mais e percebo que conheço aquela senhora. É a negra “Dita”, Preta-Velha de amor incomensurável a quem eu tanto estimo.

Lá estava ela, fazendo uma oferenda no Astral para sua amada mamãe Oxum. Achei inusitada aquela situação. Perguntei:

_Vovó, o que a senhora pede em vossa oferenda?

_ Ah meu filho, é aqui que venho pedir por todos. Por aqueles que me procuram, mas também para aqueles que não me conhecem. Pedir por toda a humanidade, por aqueles que passam fome, por aqueles que são tristes, por aqueles que não tem uma só pessoa que possa orar por eles. Peço por todos aqueles que não são amados. É aqui, no reino da minha amada mamãe Oxum Sete cachoeiras, que choro a tristeza dos tristes, para que o sorriso da alegria possa nascer, um dia, em seus lábios. É aqui que me abro em compaixão e acompanhada dessas filhas diretas de Oxum, nós cantamos e saímos por aí levando um pouco do bálsamo da Senhora das cachoeiras. Bálsamo esse, que outro não é, se não o amor!

_Vem, cante um daqueles pontos bonitos que você conhece. Vamos fazer uma oferenda bem bonita para mamãe Oxum. Uma oferenda para toda a humanidade, para todo o planeta…

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